segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Cristiana Lôbo - Od bastidores da política - link do blog (aqui)
Posse, presenças e ausências
Com Paulo Maluf e Renan Calheiros na primeira fila do salão lotado no Palácio do Planalto, Edison Lobão tomou posse como ministro de Minas e Energia. Muitos ministros e parlamentares presentes. Mas duas ausências notadas: a do filho e primeiro suplente, Edison Lobão Filho e de representantes da família Sarney - nem o patriarca José, nem a filha e líder do governo no Congresso, Roseana. Tampouco o amigo e empresário Fernando, com quem Lobão conversou por telefone muitas vezes no último ano e acabou sendo, também, vítima de grampo que investigava o filho mais velho de Sarney.
Aos amigos, Sarney disse que estava com torcicolo e Roseana ainda com dores por conta do braço quebrado no fim do ano passado.
Edison Lobão Filho está nos Estados Unidos, numa estação de esqui, mas deve chegar ao Brasil nesta teça-feira. É quando vai decidir se assumirá o mandato de senador pelo Maranhão e se licenciará em seguida; ou se sequer irá assumir - deixará isso para mais tarde, pois tem prazo de 60 dias para assumir.
O que mudou é o seguinte: José Sarney é sim o padrinho da indicação de Lobão para o Ministério de Minas e Energia e fez de tudo - e conseguiu - dividir a responsabilidade com o PMDB. O partido quer muito ter o ministério porque espera fazer as indicações de segundo e terceiro escalões. Sarney, por exemplo, tem seus afilhados na lista de indicações. Jader Barbalho os seus. E assim por diante. Mas diante das críticas feitas à indicação, por Lobão não conhecer o assunto, justo neste momento em que se fala sobre a necessidade ou não de um racionamento de energia, Sarney preferiu mergulhar. E não aparecer na posse.
Lobão Filho não foi para não roubar a cena da posse e para não gerar um fato negativo na chegada de Lobão ao ministério.
Em outros tempos, todos estariam na festa de posse comemorando, fagueiros. Agora são obrigados a ser mais discretos.
A propósito: o senador Romero Jucá (PMDB-RR) que articulou com os peemedebistas a indicação de Lobão para o Ministério de Minas e Energia, estava contente na posse e chegou a brincar:
- O PMDB descobriu agora que São Pedro é do partido. Foi só Lobão ser indicado que começou a chover na cabeceira dos rios - disse.
Ou seja, com chuva, o risco de apagão desaparece. Fica Lobão.
A posse envergonhada - Blog do Josias - link (aqui)
‘De braços abertos’, Lula empossa ministro Lobão
Como previsto, Lula empossou, nesta segunda-feira (21), o novo ministro Edison Lobão (Minas e energia). Foi uma posse permeada pelo “não”. Lula disse que não está incomodado com a inépcia de Lobão em relação ao setor elétrico. Afirmou que o perfil político do novo auxiliar não constitui problema. Repetiu que não haverá novo apagão elétrico. São falsas, segundo Lula, as notícias de que estaria incomodado com o fato de o PMDB ter atravessado Lobão em sua traquéia. "Houve insinuações de que estaria chateado. Só pode pensar isso de mim quem não me conhece. À medida que um companheiro é indicado por um partido político, me reservo o direito de receber essa pessoa de braços abertos."
Para o presidente, a presença de Lobão na Esplanada fará ruir a tese de que pastas técnicas não podem ser geridas por políticos. Trata-se, no dizer de Lula, de um “preconceito”. Semelhante àquele segundo o qual um metalúrgico não poderia exercer a presidência da República. Teve vida curta na memória do presidente, como se vê, o descalabro que resultou da gestão de Waldir Pires na pasta da Defesa e dos personagens nada afeitos à aviação que passaram pela direção da Anac.
"Eu estou convencido de que você exercerá sua pasta com a grandeza da sua carreira política e vai desmontar uma série de preconceitos. Como se todo técnico de futebol fosse o melhor jogador do time [...]. Com sua experiência política, você, Lobão, saberá detectar a inteligência viva e montar um ministério que possa ser motivo de orgulho para nosso país."
De resto, referindo-se ao apagão que tisnou a imagem da gestão de FHC, seu antecessor, Lula disse que, em 2008, o Brasil não vai reviver 2001. Chegou mesmo a ironizar os preconizadores do caos: "Se o mundo acabar vai ter apagão, se não chover nunca mais, vai ter apagão. Lobão vai ter a oportunidade de fazer uma comparação entre alguns pessimistas que vendem a idéia de faltará energia como em 2001 (assista)."
Curiosamente, rompendo uma praxe desse tipo de cerimônia, Lobão não discursou. Falou rapidamente aos repórteres. Apresentou-se como portador de uma "carta branca" de Lula. Mais uma. A solenidade foi prestigiada por políticos governistas, neo-governistas (Paulo Maluf, por exemplo) e por supostos oposicionistas (o governador tucano de Alagoas, Teotônio Vilela Filho). Até o governador Jackson Lago (Maranhão), inimigo político de José Sarney, o padrinho de Lobão, esteve no Planalto.
Começou! -Estadão online - link (aqui)
Bovespa cai quase 7%, impulsionada por 'pânico' na Europa
Medo dos efeitos de uma recessão nos EUA leva bolsas européias à pior queda desde o 11 de setembro
Agência Estado
Veja também:
Com a crise nos EUA, mercado já fala em alta de juros em 2008
Real foi moeda que menos se desvalorizou após a crise
Em Londres, o índice Financial Times fechou em queda de 5,48%. Em Frankfurt, o índice DAX despencou mais de 7%. Em Madrid, as ações recuaram 7,54%. Em Lisboa, baixa de 5,83%. E em Paris, o índice de ações caiu 6,83%. Nos Estados Unidos, as bolsas estão fechadas, devido ao feriado de Martin Luther King Jr.
Na Ásia, o principal índice da Bolsa de Tóquio fechou hoje no pior nível desde outubro de 2005, caindo 3,9%. Já a Bolsa de Hong Kong perdeu 5,5%, a maior queda em seis anos, depois que o BNP Paribas afirmou que o Bank of China poderá sofrer baixa contábil de US$ 4,8 bilhões relacionada a hipotecas subprime. A Bolsa da Índia, por sua vez, desabou 7,4%, mas ainda assim se recuperou de um tombo que chegou a superar 10% durante a sessão.
Não há nenhum fato concreto que possa ter detonado esta onda mais pessimista nesta segunda-feira. O mais provável é que as bolsas européias estejam reagindo hoje ao pacote de ajuda fiscal anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na sexta-feira, 18. A ajuda de US$ 150 bilhões foi considerada insuficiente pelos investidores. Bush também não detalhou como essa ajuda será dada. Disse apenas que os consumidores serão os mais beneficiados.
Logo no início da tarde, de acordo com informações da Dow Jones, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, alertou que a situação econômica global em conseqüência de uma desaceleração dos EUA é "séria" e poderá ter impacto sobre as economias emergentes. "A situação é séria... todos os países do mundo estão sofrendo da desaceleração no crescimento nos EUA", disse Strauss-Kahn a repórteres. "Não é impossível que mesmo as nações emergentes possam sentir um certo efeito, que o crescimento pode ser mais fraco do que o esperado", disse.
Na Europa, a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, informou que os ministros das finanças dos 15 países da zona do euro irão discutir o forte tombo das bolsas européias durante reunião hoje. "Nós estamos preocupados", disse o ministro das Finanças espanhol, Pedro Solbes. "Nós vamos acompanhar os desdobramentos de perto".
Incertezas
Ninguém arrisca dizer qual será o humor dos investidores na terça, quando os mercados americanos vão reabrir após o feriado. Há opiniões dos dois lados. Se por um lado as perdas podem ficar ainda maiores, do outro a chance de que parte dos investidores aproveitem os baixos preços das ações para comprar papéis de empresas e, com isso, as bolsas podem subir.
Bar é poesia - Cyana Leahy
De genero
Quando um homem adentra o corpo de uma mulher
pensando que lhe dá vida prazer domínio e cansaço
querendo que se contente com o que tem
e que não saia de casa
o homem esquece que a alma
beija-flores
Ricardo Noblat - Blog do Noblat - link (aqui)
É dando que se recebe
No momento, Lula enfrenta dois riscos de apagões - o da falta de energia e o da falta de apoio político.
A posse, hoje, do senador Edison Lobão (PMDB-MA) no cargo de ministro das Minas e Energia nada tem a ver com o primeiro. Ele é leigo no assunto. Tem a ver com o segundo. Lobão é do PMDB. E o apoio do PMDB é indispensável para que Lula possa governar com maioria no Congresso.
É claro que Lula poderia ter encomendado outro nome ao PMDB. Mas Lobão é homem de confiança do senador José Sarney (PMDB-AP). E Lula não quer encrenca com Sarney.
Em 2004, Lula mandou o então ministro da Casa Civil José Dirceu sondar a senadora Roseana Sarney para o cargo de ministra das Relações Institucionais. Roseana topou. Lula deu para trás. Sarney ficou magoado.
De resto, o que alegaria Lula para vetar o nome de Lobão? Que ele é um político e não um técnico?
O ministério teve 22 titulares desde que foi criado em 1962 – 11 técnicos e 11 políticos. Nos últimos seis anos, quatro técnicos se sucederam no cargo. Não dá, portanto, para debitar o atual risco do apagão de energia na conta de ministros de origem política.
Lobão paga o preço da negligência do governo com o setor elétrico, do fisiologismo que orienta o comportamento de todos os partidos e de ser pai do seu substituto no Senado – Lobinho, empresário acusado de sonegação fiscal.
“Não existem recursos públicos envolvidos nas denúncias”, argumentou Lobão em defesa do filho. Como não existem?
Imposto é dinheiro devido ao Estado. E o que o Estado arrecada é para ser gasto em benefício da população. É assim que funciona ou deveria funcionar.
Quem sonega ao Estado rouba dinheiro público. As denúncias que pesam contra Lobinho envolvem, sim, dinheiro público. Se o pai não sabe disso, não presta para ser ministro. Nem para ser senador. Deve pedir para sair de cena
Lula foi malandro quando fez pose de abatido para ser fotografado ao lado de Lobão na última quarta-feira. No passado, para se eleger, ele condenou a política do “é dando que se recebe”. No presente, para governar, aderiu a ela, mas finge que não.
Recebeu mais do que imaginou. Por ora, entregou menos do que prometeu.
O eclipse da CPMF foi sinal do apagão político que ameaça o governo.
Há 14 partidos de boca aberta à espera de cargos que os alimentem. E a continuarem famintos, um governo que mal recomeçou pode acabar muito mal.
O amiguinho de Marcos Aurélio "top top" Garcia, a consciência diplomática de Lula I, "o antes nunca visto" - Corriere Della siera - link (aqui)
Chavez-choc: «Mastico coca ogni giorno»
E in Venezuela scoppia la polemica
«È un omaggio di Morales. Ve la consiglio» ha detto all'Assemblea nazionale. Poi ha mostrato i bicipiti
MILANO - Dopo le indiscrezioni su una presunta relazione con la top model Naomi Campbell, il presidente venezuelano Hugo Chavez torna a stupire. E lo fa rivelando senza peli sulla lingua di essere un consumatore abituale della pasta di coca. Durante un discorso lungo quattro ore dinnanzi all'Assemblea nazionale, del quale la stampa internazionale ha messo in risalto inizialmente solo le sue convinzioni in merito alla guerriglia colombiana, Chavez ha affermato: «Mastico coca ogni giorno, al mattino (...) e guardate come sto» mostrando i bicipiti agli interlocutori. 
Il presidente venezuelano Hugo Chavez e quello boliviano Evo Morales (Epa)
«UN OMAGGIO DI EVO MORALES» - Il presidente, notoriamente astemio, ha aggiunto che Fidel Castro gli invia «il gelato Coppelia e molte altre cose» che gli arrivano «regolarmente dall’Havana», e che il presidente Boliviano Evo Morales lo «omaggia di pasta di coca (...)» . «Ve la consiglio» . Gli indigeni boliviani e peruviani masticano foglie di coca regolarmente, come stimolante e per non sentire la fame, e questo è consentito dalla legge. Al contrario - spiega il Miami Herald che riporta la notizia - la pasta di coca è un prodotto semiraffinato e che determina assuefazione, che viene fumata come il basuco (è il residuo dell’estrazione della cocaina base, di pessima qualità e altamente nocivo, ndr.)
«FUORI CONTROLLO» - «È un altro segnale che Chavez ha perso completamente il senso del limite», ha commentato Anibal Romero, docente di scienze politiche all’università di Caracas. «Dimostra che Chavez è fuori controllo». Molti analisti venezuelani e colombiani ritengono che queste parole del presidente siano un pericoloso riconoscimento di una sostanza vietata nel mondo e persino un atto illegale da parte di un capo di stato. «Nel momento in cui afferma di consumare pasta di coca, ammette di consumare una sostanza che è illegale, tanto in Bolivia che in Venezuela», afferma Hernan Maldonado, un osservatore politico boliviano residente a Miami. «Di più, si tratta di una vera e propria accusa a Morales di essere un narcotrafficante», per avergli invitato la pasta di coca.
Dando números aos bois - Pedro de Coutto - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Ipea: servidores custam só 8% do orçamento
Através de matéria assinada por Luciana Rodrigues, "O Globo" de 16/1, o sociólogo Ronaldo Coutinho Garcia, do Ipea, acentua dados oficiais que fazem desabar o mito de que os servidores públicos pesam terrivelmente no orçamento do País. Não é nada disso. Inclusive para chegar a esta conclusão basta ler o balanço financeiro que a Secretaria do Tesouro Nacional publica todos os meses no Diário Oficial.
Ronaldo Coutinho Garcia confirma esta realidade, o que não deve ter deixado nada satisfeitos os tecnocratas do Ministério do Planejamento e o próprio FMI, sempre prontos a culpar o funcionalismo por tudo de errado que acontece no Brasil. Vamos aos dados. Aliás, qualquer pessoa pode ter acesso a eles, ou pelo DO, ou pela internet, creio. Devem estar liberados nas telas dos computadores. Não estão disponíveis, isso sim, na consciência dos mistificadores. As despesas com o funcionalismo civil e militar da União, em 2007, atingiram apenas 118 bilhões de reais em números redondos.
Outro dia, aqui, na TRIBUNA DA IMPRENSA, comentei isso. Os encargos com o pagamento de juros aos bancos para rolagem da dívida interna, que já atinge 1 trilhão e 300 bilhões, elevaram-se a 165 bilhões de reais. Quer dizer: a folha salarial representa em torno de 8 por cento do total da lei de meios, que foi de 1 trilhão e 526 bilhões. As despesas com juros significam 11 por cento.
O sociólogo do Ipea, provavelmente investido na função de humanizar o instituto, chama atenção para um outro aspecto, que eu não conhecia. No Brasil existem 5,3 funcionários públicos federais por mil habitantes, percentual portanto de 0,53 por cento. Os Estados Unidos possuem 9 servidores por mil habitantes. A Alemanha, 6,1, e o México, 8,4 servidores por mil habitantes. Além disso, a massa salarial americana é de 60 por cento do PIB. Portanto, eleva-se a 8,4 trilhões de dólares.
Deste total, 1 trilhão e 600 bilhões de dólares é a folha de pagamento de todos os funcionários. No Brasil, o volume de salários fica em 30 por cento do Produto Interno Bruto. Muito pouco. Vejam só os leitores: enquanto nos Estados Unidos, pátria do capitalismo, a massa salarial é de 60 por cento do PIB, no Brasil é apenas a metade. O PIB americano é dez vezes maior, no mínimo, do que o nosso produto interno.
Nada como analisar-se os números oficiais, estes que os tecnocratas sempre tentam ocultar, para se chegar à verdade matemática dos fatos. É fácil sair-se por aí dizendo a primeira coisa que vem à cabeça, como costumam fazer os ilusionistas, assinalando que o funcionalismo público custa uma verdadeira fortuna. Os números desmentem tal assertiva falsa. Não só no plano federal. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, o orçamento para 2008 é de 39,8 bilhões de reais, praticamente dez por cento maior do que o de 2007.
Muito bem. As despesas com o funcionalismo ativo estão previstas na escala de 9,1 bilhões. E os encargos com os aposentados e pensionistas, no patamar de 5,1 bilhões de reais. No total, portanto, são 14,2 bilhões. Estes dados estão no Diário Oficial do RJ de 15 de janeiro. Além disso, as despesas com o funcionalismo público efetivo vêm decrescendo de ano para ano. E nem poderia ser o contrário.
Os vencimentos não estão acompanhando as taxas de inflação anuais. No plano nacional, desde que FHC chegou à presidência da República, em janeiro de 95, as perdas se acumulam. Nos últimos 14 anos, a inflação acumulada do IBGE alcança 102 por cento. As reposições não chegam a 20 por cento de tal montante. Com isso, a participação dos funcionários civis e militares nas despesas públicas, claro, somente poderia diminuir.
O mesmo fenômeno aconteceu no Estado do Rio de Janeiro. Ao longo das administrações Anthony Garotinho, Benedita da Silva (esta sequer pagou o décimo terceiro salário de 2002, praticando crime de responsabilidade) e Rosinha Mateus, houve reajustes da ordem de 12 por cento. Para uma inflação de 62 por cento. Estou considerando o período 99 a 2006, excetuando os quatro anos de Marcello Alencar, de 95 a 99. Agora, no ano passado, o governador Sérgio Cabral aplicou um reajuste de 4 por cento, quase igual à inflação oficial do IBGE, que ficou em 4,3 pontos.
Claro que a participação percentual da folha salarial do serviço público somente poderia diminuir. Um lado acompanha a inflação, outro fica abaixo. O que pode acontecer? Não só a redução percentual do gasto público com o funcionalismo. Mas também o desestímulo, a falta de perspectiva, a ausência de motivação, o desaparecimento do entusiasmo. A falta de orgulho em ser servidor público. Os governos vão agindo assim, como se o serviço público pudesse desaparecer.
Não pode. É impossível. O serviço público é a ponte que tanto liga quanto separa a iniciativa privada do Estado. E o número de servidores federais, acrescenta Coutinho Garcia, hoje é menor do que era em 95, treze anos atrás. Deveria ser maior porque a população pára de crescer. Esta é uma outra contradição proposital da tecnocracia.
População maior, claro, a máquina pública deve ser maior. Não há sentido no movimento contrário. O que é preciso é que seja eficiente. Mas para ser eficiente é preciso motivação. É preciso salário digno. O sociólogo do Ipea deixou a tecnocracia em off-side. Não podem seus integrantes manipular mais os números impunemente. Serão desmascarados.
Lições de economia na escolinha do "Gestor Meirelles" - Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Manchete equivocada da Folha: "Estrangeiros tiram 1 bilhão e 900 milhões de dólares da bolsa". E dizem que investidores (deveria ser "investidores") retiraram dinheiro do País. E que os países emergentes sofrem com "incertezas".
Em 2007, "investidores multinacionais" tiraram do Brasil 15 BILHÕES de dólares, sem pagar um "dólar furado de imposto". Tudo é lucro, deixaram uma parte aqui, "fabricando" mais lucro fácil e sem incerteza.
O que eles fazem quase que diariamente: vendem na bolsa, compram dólar, tiram a parte que trouxeram, o resto "investem" em títulos do Tesouro, garantem: "É o melhor que existe". É evidente.
Estão sempre fazendo isso. É jogatina planejada, já ganhou a identificação de "capital-motel", por facílima compreensão. Chegam pela manhã, dão uma "transada", se satisfazem, vão logo embora, como no verso do Noel Rosa sobre Vila Isabel.
O pianista do Planalto - Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Lobão diante de um teclado
BRASÍLIA - Merece ser repetida a história já contada, aliás, pelo neto, hoje ministro do Superior Tribunal Militar, Flávio Flores da Cunha Bierrembach. Como personagem, surge o general Flores da Cunha, interventor e depois governador do Rio Grande do Sul, um dos últimos caudilhos da política brasileira, mas dos bons, tanto que morreu pobre depois de haver exercido poderes quase absolutos.
O velho Flores ocupava o Palácio Piratini, logo depois da revolução de 30. Era o dono do Rio Grande, com Getúlio Vargas no Palácio do Catete, no Rio. As irmãs do caudilho não lhe davam sossego, pedindo que nomeasse o "Pituca" para algum cargo qualquer no governo. Tratava-se de um sobrinho, mas daqueles que não dava para nada. Não estudara, não trabalhava, não tinha profissão.
Tantas vezes as irmãs amolaram a paciência do interventor que um dia ele chamou um auxiliar e deu a ordem: "Prepare o ato de nomeação do `Pituca' para pianista do palácio." O outro reagiu, espantado: "General, o palácio não tem piano." Flores da Cunha encerrou a conversa: "Não tem importância. O `Pituca' também não sabe tocar piano..."
Por que se conta o episódio? Com todo o respeito, porque o senador Edison Lobão toma posse, daqui a pouco, como ministro de Minas e Energia. Nem de longe ele pode ser comparado ao "Pituca". Afinal, deputado federal, governador do Maranhão, senador de três mandatos, Lobão tem inegáveis serviços prestados à política e ao seu estado. Foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
O diabo é que, como ministro de Minas e Energia, será um bom pianista. Nenhuma relação possui com a arte de conduzir a política de geração de energia, muito menos com a prática de prospectar carvão, petróleo e gás.
O que fará o novo ministro quando encarar Evo Morales para sustentar a exigência de mais gás para o Brasil, já que todo o processo de extração e distribuição é financiado com dinheiro da Petrobras? Com a perspectiva de um novo apagão energético, apelará para os conhecimentos científicos de seu padrinho, o senador José Sarney, capaz de transformar vento em quilowatts? Diante das pressões de Jader Barbalho para nomear presidente e diretores da Eletronorte, terá condições de resistir e impor um técnico?
As dificuldades do senador maranhense vão se multiplicar à medida que os dias passarem. Estará frente a um teclado que não conseguirá dedilhar, olhando para um piano imaginário?
Repercutindo a Isto É - O imparcial - São Luís (MA) - link (aqui)
Obras do PAC ainda nas mãos de Dilma
O senador Edson Lobão (PSDB-MA), o filho, Edinho Lobão e um dos herdeiros do ex-presidente José Sarney, Fernando Sarney, continuam em evidencia no país. Duas das maiores revistas semanais do Brasil apresentam novidades para o caso, uma dela que a nomeação do senador para o Ministério das Minas e Energia veio cheia de recomendações e proibições e ainda as investigações dos filhos dos senadores. Ambos administram o patrimônio da família, entre eles, veículos de comunicação no estado.
A matéria publicada pela revista Época desta semana, intitulada “Sobre Lobos e Homens”, conta que Lula só recebeu Lobão por insistência de José Sarney e que a pasta só ficou com ele para evitar problema com um dos maiores partidos da base aliada. Conquista por um lado, derrota por outro. A nomeação pareceu meio “forçada”, durante a reunião com o futuro membro de seu governo, quando o presidente Lula aproveitou a conversa para dar as cartas sobre a atuação do parlamentar à frente da pasta. Entre os avisos mais importantes, a permanência das obras no setor de energia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sob a responsabilidade da ministra Dilma Rousseff – uma bolada de investimentos de R$ 220 bilhões até 2010 - e que Lobão terá de compartilhar a direção dos cobiçados cargos do setor elétrico com dirigentes indicados pela Casa Civil.
Depois das denúncias envolvendo o filho, Edinho Lobão, o senador chega ao ministério desgastado pelas acusações feitas a seu suplente e também ao filho de seu padrinho político, o senador José Sarney, o também empresário Fernando Sarney, proprietário do Sistema Mirante de Comunicação, que está sob suspeita de lavagem de dinheiro, crime tributário e contra a ordem financeira durante as eleições 2006. Ambos continuam na mira da Policia Federal e Ministério Público. A suspeita recai sobre uma das empresas da família, a São Luís Factoring e Fomento Mercantil Ltda. As investigações apontam que esta estaria sendo usada para lavar dinheiro para o grupo de comunicação do clã Sarney.
O maior problema é mesmo o suplente do futuro ministro da Minas e Energias, Edison Lobão Filho. Edinho é acusado de usar laranjas para escapar de dívidas. “Segundo fontes do Palácio do Planalto, ao chegar para a conversa com o presidente, na semana passada, o senador Edison Lobão explicou que os problemas do filho eram de ordem empresarial, não política. O pai afirmou que seu suplente deverá usar quase todo o prazo legal para assumir, 30 dias e, após assumir, se licenciará por 120 dias para se defender”, disse uma das revistas.
A reportagem aponta ainda que na semana passada, a situação de Edinho piorou no trecho em que relata que “o Ministério Público do Maranhão abriu um inquérito para investigar quatro distribuidoras de bebidas que supostamente podem ter sido registradas em nomes de laranjas: Itumar, Bemar, Ventura e Pacific. Entre eles, um faxineiro e duas empregadas domésticas. Para os investigadores, a empresa-mãe do grupo seria a Distribuidora Itumar, suspeita de crime de sonegação fiscal de R$ 40 milhões. De acordo com um ex-diretor da empresa, as quatro formam um grupo só, com faturamento mensal de R$ 6 milhões. Para comprovar sua afirmação, ele entregou extratos bancários de sua conta numa agência do Bradesco em São Luís, onde aparecem depósitos feitos por empresas diferentes – às vezes pela própria Itumar, outras pela Bemar – para pagamento de seus salários”.
Situação que Edinho terá que se explicar ao partido dos Democratas, onde está filiado, inclusive por cobrança do próprio partido, o que deverá ser feito, segundo o empresário assim que ele assumir a cadeira do pai. A previsão é que o filho de Lobão só assuma o cargo daqui há 30 dias, se afastando em seguida por mais 120, para preparar sua defesa.
Tio de Edinho usou procuração falsa para assumir empresa
Um ano após Edison Lobão Filho ter deixado o quadro societário da Bemar Distribuidora de Bebidas, seu tio Neuton Barjona Lobão Filho tornou-se gestor da empresa por meio de uma procuração em nome da empregada doméstica Maria Lúcia Martins, usada como laranja. Neuton é irmão do novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).
A procuração para Barjona tinha uma assinatura falsificada de Maria Lúcia, segundo ela mesmo declarou ao cartório que expediu o documento em 1999. Maria Lúcia fez um termo de declaração ao cartório em fevereiro de 2006 afirmando que a assinatura no documento não era dela: “Não reconhece como sua a assinatura aposta na procuração”, escreveu o tabelião do cartório.
Na época, Maria Lúcia já tinha descoberto que era sócia da empresa e responsável por uma dívida de R$ 12 milhões. A Folha obteve os documentos do cartório.
Foi exatamente para a empregada que Lobão Filho, suplente de seu pai no Senado, havia transferido sua participação na Bemar em 1998. Na transferência de ações, a assinatura de Maria Lúcia também foi falsificada, segundo laudo da Polícia Federal. Em sua defesa, Lobão Filho diz que o uso do nome de Maria Lúcia é de responsabilidade de Marco Antonio Costa. Segundo o suplente do senador, Costa era “seu verdadeiro sócio” na Bemar.
O Ministério Público investiga se Lobão Filho é sócio oculto da distribuidora de bebidas Itumar, empresa envolvida em rede de sonegação de impostos no Maranhão. A Itumar, segundo a Promotoria, sonegou R$ 42 milhões desde 2000.
Semelhanças políticas e empresariais
A Istoé desta semana, atualiza a crise dos Lobão e Sarney apontando semelhanças entre os escândalos dos herdeiros. Semelhanças que ultrapassam o fato de serem filhos de políticos influentes no Maranhão. De acordo com a matéria, “apesar da marca da política no sangue, ambos nunca ocuparam cargo eletivo. Preferiram enveredar por outra área, a empresarial. Hábeis na arte da negociação, Edinho, filho do senador e futuro ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), e Fernando prosperaram e se tornaram empresários de sucesso. Coincidência ou não, escolheram o mesmo ramo: o da comunicação, embora não seja o único em que eles circulam e fecham negócios altamente lucrativos. Não bastasse a trajetória, os gostos semelhantes e a ligação quase umbilical, agora, em meio a uma queda-de-braço no governo pelo controle do setor energético, os maranhenses são companheiros de infortúnio. Como Fernando, Edinho está sob a alça de mira da Polícia Federal e do Ministério Público”.
Já Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP) e administrador dos bens da família no Maranhão, pode ser indiciado por lavagem de dinheiro, crime tributário e contra a ordem financeira. “As investigações acontecem desde 2006, pelo Ministério Público (MP) e Polícia Federal. O alvo são movimentações financeiras suspeitas às vésperas do segundo turno da eleição daquele ano. Momento em que sua irmã Roseana perdeu a disputa ao governo do Maranhão para Jackson Lago (PDT). Nesse período, nas contas controladas por Fernando Sarney foi identificada uma movimentação que totalizaria R$ 3,5 milhões”.
Segundo o inquérito do MP, Fernando também teria criado uma factoring destinada às transações da família Sarney, a São Luís Factoring e Fomento Mercantil Ltda. “Com movimentação anual de R$ 100 milhões, a São Luís, de acordo com a investigação, seria o elo com o Sistema Mirante de Comunicação, rede de emissoras de rádio, televisão e jornal de propriedade dos Sarney. A factoring está registrada no nome da mulher de Fernando, Teresa Murad Sarney, que também é alvo do inquérito”.
O caso chegou ao conhecimento da policia federal depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, notou altas somas de dinheiro circulando entre as contas da família Sarney. “ De acordo com o MP, entre 27 de setembro e 27 de outubro, mais R$ 1 milhão teria sido sacado das contas da TV Mirante. Outro ponto intrigante é que os saques, na agência 2192 do Bradesco, onde Fernando Sarney possui conta, eram todos feitos em espécie e eram retirados por funcionários da emissora, no período eleitoral. A suspeita dos procuradores é que os saques possam guardar relação com o financiamento da campanha de Roseana, já que o irmão trabalhou na campanha como tesoureiro informal. Procurado pela revista, o advogado de Fernando Sarney, Paulo Baeta, não foi localizado”.
Mania de realeza - Correio da Bahia - link (aqui)

Tales Faria
Longe do Palácio do Planalto, com a prerrogativa da Constituição, parte da prole do presidente da República vive na tropical ilha de Florianópolis cercada de seguranças. É um direito legal. A determinação do Executivo de abrir licitação para a manutenção da frota que serve à parentada, no entanto, é mais um fato que beira um acinte em tempos que Luiz Inácio Lula da Silva cobra o “corte na veia” dos três poderes para compensar a perda da arrecadação da CPMF.
Nada menos que sete carros servem à família da filha de Lula, Lurian Lula Cordeiro da Silva. São cinco Fiat Marea, um Astra Confort e um Palio, usados por motoristas e seguranças. O edital deve ser tirado no escritório da Presidência na capital catarinense no dia 28.
“A presente licitação tem por objetivo a seleção e contratação de empresa especializada com vistas à realização de serviço de assistência técnica, manutenção preventiva e corretiva, inclusive funilaria, lanternagem e pintura, em veículos automotivos movidos a álcool e/ou gasolina, das marcas GM e Fiat, pertencentes à frota da Secretaria de Administração da Presidência e em serviço na cidade de Florianópolis”, informa o documento.
Os serviços são válidos até 31 de dezembro deste ano. Vence a empresa que propuser o menor custo/hora por mecânico para os serviços. A justificativa da Presidência é que a frota já passou dos 80 mil quilômetros rodados. Dados da Secretaria da Presidência também são claros: os gastos com a manutenção dos sete carros, de 2004 até o ano passado, subiram de R$6 mil para R$45mil.
Lurian mora num apartamento confortável na capital. Em 2003, em companhia de Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro aloprado amigo do presidente, a filha de Lula abrira uma ONG, a Rede 13, para assistência social. Angariou cerca de R$20 milhões em contratos e fechou a entidade em três meses. Hoje, precisa dos sete carros. Mas não é para fazer caridade.
Arrecadar é impulsivo - JB online - link (aqui)
Lula quer arrecadar mais, sem aumentar imposto
Agência Brasil
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira, em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, que não vai haver aumento de impostos em 2008 e destacou a criação de um programa de política industrial, que deve possibilitar a desoneração do setor e tornar mais efetiva a arrecadação.
- Quero que o povo brasileiro saiba que é extremamente importante que o governo consiga arrecadar sem aumentar imposto. Nós não vamos aumentar imposto. Não queremos aumentar imposto, mas vamos aumentar a eficiência da arrecadação. Tem muita gente que não paga imposto e ainda se queixa que o imposto é alto. Então o que nós queremos é que todos paguem, porque, quando todos pagarem, aí todos podem pagar menos - disse Lula.
Em 2007, a arrecadação de impostos ultrapassou R$ 600 bilhões, valor atribuído pelo presidente ao crescimento econômico registrado no ano passado.
- Ora, se estamos com crescimento econômico no país, se as empresas tiveram mais lucros, se houve aumento salarial, houve combate à sonegação, abertura de capitais de empresas no mercado de ações, intensificação do controle sobre declarações, tudo isso contribui para a gente aperfeiçoar o sistema da arrecadação - argumentou o presidente.
Lula destacou ainda a criação, em 2007, da Super Receita - a unificação da Receita Federal e da Receita Previdenciária.
-As pessoas precisam entender que, além de nós exonerarmos quase 36 bilhões em 2006 e 2007, nós ainda conseguimos arrecadar. Por que? Porque a Receita está mais eficiente, porque as empresas ganharam mais dinheiro, porque geramos mais empregos, porque as pessoas pagaram mais Previdência - acrescentou Lulq.
Segundo o presidente, o país tem a combinação perfeita para o crescimento econômico, o que garante um cenário positivo para 2008.
Mas o Mantega garantiu! - Folha de São ,Paulo - link (aqui)
Blindagem do Brasil contra crise foi "conto de fadas", diz analista
Professor de Columbia afirma que país poderá até ter de elevar juros se não tiver política fiscal responsável e culpa agências reguladoras por turbulência
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Ex-diretor de análise de emergentes do Citigroup, o economista Thomas Trebat, da Universidade Columbia, diz que países como o Brasil não escaparão dos efeitos da crise nos EUA. Afirma que o país pode até elevar os juros se não tiver política fiscal responsável e que a tese do "descolamento" dos emergentes foi um "conto de fadas". Leia entrevista.

FOLHA - Como a crise na economia é percebida pelos americanos?
THOMAS TREBAT - Estamos atravessando uma fase de crescimento medíocre e possivelmente já estamos em recessão. E quem está dizendo isso são os consumidores, os eleitores e agora os políticos. A preocupação com a economia já é um assunto mais importante do que o conflito no Iraque na eleição. Cada lar tinha um patrimônio na Bolsa e um valor da sua casa. O preço da casa despencou até 20%, e o mercado caiu e até hoje não recuperou o seu equilíbrio. Isso acaba minando o poder de compra do consumidor.
FOLHA - Os emergentes seguirão imunes à crise americana?
TREBAT - Essa tese é baseada em desejo, e não na análise da realidade global. Um exemplo: 60% das exportações asiáticas vão para os EUA. E agora vemos uma diminuição nas exportações da China e muita preocupação no leste da Ásia. Há um prognóstico de crescimento reduzido europeu. Vai sobrar o que para os emergentes? Fatalmente haverá menos fluxo de crédito, preço menor de commodities e menos investimento direto e exportações.
FOLHA - Por que essa tese pegou em 2007? Foi uma ilusão?
TREBAT - Houve esse descolamento porque a freada foi rápida aqui [nos EUA]. No terceiro trimestre, crescemos mais de 3% [4,9%]. Só no quarto trimestre é que a economia bateu contra a parede. Esse negócio de "descolamento" foi um conto de fadas. Agora, países como o Brasil têm muito mais capacidade para absorver golpes.
FOLHA - Os juros altos manterão o fluxo de capital para o Brasil?
TREBAT - Duvido que o atual diferencial de juros [prêmio no Brasil acima do juro americano] dê margem de conforto para o Brasil. Até o final do ano, podemos falar de possíveis aumentos de juros, que é um cenário talvez não provável, mas possível. A probabilidade aumenta à medida que o governo não toma medidas fiscais.
FOLHA - Quais as lições da crise?
TREBAT - Estou horrorizado com a falta de critério no setor bancário. Nosso sistema de avaliação de risco faliu. E faliu por fatores bastante humanos, como a gula dos executivos [em bater metas e ganhar bônus]. Foram feitas avaliações de risco perdendo uma longa história de crise financeira pelo simples fato da ganância e talvez da relativa juventude de profissionais. É marcante a falta de cabelos grisalhos nos bancos.
FOLHA - E os maiores erros?
TREBAT - Excesso de otimismo e falta de juízo das agências reguladoras. Vários Ph.D.s terão de explicar como é possível que um monte de hipotecas de pessoas com precárias condições de renda ganham classificação de risco AAA [a melhor nota possível]. Quando os mesmos bancos fizeram empréstimos a países emergentes, havia muito rigor sobre a capacidade de pagamentos desses países. Agora, houve uma crise emergente dentro do nosso próprio país que não foi precificada.
TREBAT - Em cada banco há um só executivo responsabilizado pelo risco. Claro que cada área tem os seus profissionais. Mas no fundo o executivo encarregado pelo risco é o mesmo.
Artigo de Marco Antonio Rocha - O Estadão online - link (aqui)
Neste jogo do contente, todos se dão mal
Marco Antonio Rocha
É bem pouco provável que o filósofo, matemático e geômetra francês, nascido no apagar das luzes do século 16, escrevesse a mesma frase se vivesse no mundo de hoje, particularmente se se empenhasse em conceber "um método para bem conduzir a razão e procurar a verdade..." no eletromagnético campo das finanças. E nem é preciso ser filósofo para perceber que o bom senso vem sendo uma das coisas do mundo menos cultivada e partilhada hoje em dia. Mais preocupante ainda é que isso se verifica em larga escala no mundo das finanças, onde essa qualidade deveria imperar.
Na última quinta-feira, o articulista do The Washington Pos Harold Meyerson escrevia neste jornal (Dessa vez, os velhos remédios não funcionarão, B4) que está mais do que na hora de cobrar "transparência e prudência das instituições financeiras que vêm especulando com o dinheiro e a vida dos outros". Elas sempre viveram de especular com o dinheiro e a vida dos outros. Mas não com a irresponsabilidade e o nonsense que exibem hoje em dia, numa desenvoltura que, há não muito tempo, daria cadeia certa para seus dirigentes ou, no mínimo, proibição de atuarem no setor por vários anos. Alguém ainda se lembra de Tony Gebauer, o "criativo" aplicador de dinheiro alheio - inclusive de empresários brasileiros - de Nova York, que terminou no xilindró, como se dizia antigamente? Isso não acontece mais.
A falta de cadeia certa e prolongada para aventureiros do mercado financeiro pode não explicar tudo das turbulências e sobressaltos que esse mercado passou a desencadear na economia mundial produtiva, com freqüência cada vez mais perturbadora. Mas está, certamente, entre as causas principais. As famosas expectativas racionais que os doutos em economia estudavam, e de certa forma prezavam, em tempos mais remotos, se foram transformando nas exuberâncias irracionais que tanto incomodaram Alan Greenspan e agora já se mostram decididamente como estupidezas criminosas.
Mais uma vez os trabalhadores assalariados do mundo inteiro, os pequenos e médios empresários do comércio e da indústria, os produtores rurais, os construtores de casas ou estradas, enfim, os verdadeiros agentes econômicos, as pessoas que fazem a economia andar, os criadores de riquezas por excelência estão diante de um fantasma que é, ou que será, a recessão nos EUA, cuja economia há pouco tempo marchava para a frente e para o alto.
Ben S. Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), falando na quinta-feira perante a Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, dava-nos a temperatura e as causas mais visíveis da febre que assola, basicamente, algumas grandes instituições financeiras daquele país, que, "desde o último verão - dizia ele -, têm estado sob considerável tensão". Ele mencionava os mercados financeiros "nos Estados Unidos e num número de outros países industrializados". Não se lembrava que essa "tensão" se espalha por "outros países industrializados" a partir do seu país, onde um governo irresponsável acumula déficits assombrosamente irresponsáveis, onde meia dúzia de bancos irresponsáveis fez empréstimos hipotecários irresponsáveis para quem não podia mesmo pagá-los e onde autoridades, embora prevendo o cenário de insolvência que se aproximava (como foi o caso do seu antecessor no cargo), pouco ou nada fizeram para impor alguma dose de governança judiciosa na gaiola das loucas que é hoje Wall Street.
O "mercado" - essa entidade abstrata, cortina da sala de jogos do mundo financeiro moderno, que lembra as das "salinhas" de carteado dos cabarés de estrada - decepcionou-se com a fala de Bernanke. Por que será? Porque ele não disse que compraria "o mico", ou seja, que de alguma maneira o Fed ofereceria uma montanha de dinheiro para tapar o rombo dos bancos. E, entenda-se bem, não é que essas instituições estejam perdendo dinheiro pelo ralo. Estão é ganhando muito menos do que esperavam ganhar. E por quê? Porque emprestaram muito mais do que seria prudente e para devedores que apresentavam risco muito maior do que seria aceitável.
É uma velha história. Todo mundo nesse mercado sabe quando a bolha da estupidez começa a crescer e sabe qual vai ser o desfecho. Mas todo mundo também acha que vai ser sabido o bastante para dar o fora enquanto é tempo. No final ninguém escapa, pois mesmo os que deram o fora antes do estouro continuam com o mico de não ter onde guardar o "lucro".
Bernanke, além de não jogar a bóia na água, ainda bateu com os remos na cabeça de quem está tentando não se afogar. A "crise das hipotecas", disse ele, não só subtraiu um ponto de porcentagem do crescimento do PIB americano, no terceiro trimestre de 2007, como cortou ainda mais o crescimento no último, "e pode também continuar a inibir o crescimento por uma boa parte deste ano". Acrescentou que informações mais recentes indicam que "os riscos para o crescimento se tornaram ainda mais pronunciados".
E, no entanto, antes disso, nem mesmo a alta dos preços do petróleo conseguira reverter a marcha favorável das economias reais de todo o mundo. O clima de sinistrose atual resultou do aventureirismo de um setor onde os xerifes só o que fazem é passar a mão na cabeça dos delinqüentes. E Bush acaba de prometer US$ 150 bilhões para acalmá-los... Se der certo, mais uma vez a irresponsabilidade sairá premiada.
Sinopse dos principais jornais - link (aqui)

sala de leitura
Jornal do Brasil - Rebelião conquista o Rio
Folha de São Paulo - Um em cada cinco jovens não acaba o fundamental
O Estado de São Paulo - Mercado já espera que BC aumente os juros em 2008
O Globo - País desperdiça R$ 10 bi por ano em energia elétrica
Gazeta Mercantil - Docas Investimentos controlará a Intelig
Correio Brasiliense - UnB vai abrir mais de 1.300 novas vagas
Valor Econômico - Vale estuda pagar Xstrata com ações preferenciais









