segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
O descaso - Época - link (aqui)
A confusão, em vez da clareza
O governo anuncia uma revisão dos índices de desmatamento na Amazônia. Por que os números ainda são tão imprecisos numa área tão importante?
MATHEUS LEITÃO
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| DEVASTAÇÃO Tratores arrastam árvores derrubadas em uma fazenda em Mato Grosso. Os números do desmatamento no Estado causam polêmica |
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse certa vez que todas as ações de governo federal na área ambiental podem ser resumidas num número: o desmatamento da Amazônia. Se a devastação da floresta estiver sob controle, o governo ganha credibilidade para outras ações na área. Caso contrário, o governo federal é obrigado a passar o ano todo em explicações e não consegue fazer nada além disso.
Há duas semanas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou os mais recentes dados de desmatamento calculados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o Inpe, 7.000 quilômetros quadrados de florestas, a maior parte nos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará, foram derrubados entre agosto e dezembro de 2007. Os números revelavam uma aceleração do desmatamento, depois de três anos de redução no ritmo de devastação. A nova onda de destruição, segundo os ambientalistas e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, estaria relacionada à expansão do agronegócio nos três Estados e à valorização do preço de produtos agropecuários, como carne e soja, no mercado internacional.
Após a divulgação dos índices, como de hábito, o governo teve de se desdobrar em explicações. Desta vez, porém, a cobrança teve natureza diferente. Alçados à condição de vilãos da natureza, os governadores dos três Estados acusaram o Inpe de ter errado o cálculo dos números de desmatamento. Liderados pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), o maior produtor de soja do país, conseguiram apoio do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e, na semana passada, do próprio presidente Lula para uma revisão dos dados.
Na quarta-feira 30, Lula, com uma metáfora bem a seu gosto, anunciou a medida. “Você vai ao médico detectar se tem um tumorzinho e, em vez de fazer a biópsia para saber como se tratar, já diz logo que está com câncer”, disse Lula, ao explicar por que considera que a queixa dos governadores pode ser procedente.A reclamação de Maggi ganhou força depois que o jornal O Estado de S. Paulo revelou em reportagem que o Inpe errara no cálculo dos dados de desmatamento referentes aos meses de setembro e outubro do ano passado. Houve uma dupla contagem de áreas, e isso elevou o índice de desmatamento. “Queremos saber a serviço de quem o Inpe está mentindo”, disse Maggi. Ele afirma ter estimativas de que o desmatamento teria caído 20% em seu Estado.
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| NÃO FUI EU O governador Blairo Maggi defende o agronegócio e acusa os sem-terra pelo desmatamento |
A confusão em torno dos números do desmatamento é nefasta porque o meio ambiente se tornou uma das áreas mais sensíveis para a imagem do país e para os negócios brasileiros no exterior. Cerca de 75% das emissões brasileiras de gás carbônico – causa principal do aquecimento global – são resultado da devastação da Amazônia. Para um país que deseja – e precisa – deter a devastação, o primeiro passo é ter informações corretas e precisas.
A polêmica em torno dos números prosperou também porque os pecuaristas e grandes produtores de soja tentam transferir a responsabilidade pelo desmatamento aos movimentos dos trabalhadores rurais sem terra. Pesquisas feitas por entidades ambientalistas mostram uma relação direta entre a alta dos preços da arroba do boi e os índices de desmatamento. Pelo menos desde 1995, quando um sobe, o outro segue a tendência. No caso do último levantamento do Inpe, os técnicos do Ministério da Agricultura apontaram também outra coincidência. Em mais da metade das 36 cidades apontadas como campeãs de desmatamento, há uma profusão de assentamentos de sem-terra, chamados pejorativamente na região de sem-toras. “Os assentados derrubam a floresta para manter a posse da terra no Incra”, diz o governador Blairo Maggi. “Há também pequenos sitiantes que tiram a tora e vendem para os madeireiros.”
Depois da falha no levantamento de setembro e outubro, a direção do Inpe diz ter absoluta certeza sobre a correção dos números divulgados há duas semanas. “Não seríamos irresponsáveis de fazer esse fuzuê todo (a divulgação dos números), com a presença do presidente da República, se não tivéssemos certeza”, disse o diretor do Inpe, Gilberto Câmara. De acordo com uma pesquisa da ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), se houve alguma falha no levantamento do Inpe, não foi por excesso, mas por subestimativa. Pelos dados do Inpe, houve no ano passado um desmatamento de 591 quilômetros quadrados de florestas no Pará. O Imazon registrou uma devastação de 1.297 quilômetros quadrados, ou 706 quilômetros quadrados a mais (leia o quadro). “É uma distorção significativa”, diz o pesquisador Adalberto Veríssimo, do Imazon. “Acompanhamos o Pará com cuidado. Temos certeza de que, quando checados, os números do Inpe para o Pará subirão.”
Tanto o Imazon quanto o Inpe produzem relatórios baseados em imagens tiradas por um mesmo satélite da Nasa, a agência espacial americana. A diferença é que o Inpe pega a melhor foto de uma região num dia e o Imazon a melhor foto tirada em 16 dias. Numa área com muitas nuvens, como a Floresta Amazônica, o risco de erro é menor quando são avaliadas fotos de vários dias.
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Histórias de Carnaval - Leonor Pinhão - Correio da Manhã - Lisboa (PT) - link (aqui)
É Carnaval, mas há coisas que se leva a mal. À mesma conclusão chegou Eça de Queiroz, em 1871. Convidado pelo barão de Salgueiro para o baile de máscaras no Palácio do Terreiro, em Leiria, apareceu fantasiado de Cupido, num fato de malha muito justo e de asas de cambraia. Foi expulso a pontapé pelos criados do barão depois de ter sido surpreendido em intimidades com a baronesa. “Se me tivessem encontrado abraçado à senhora vestido de cónego da Sé todos teriam achado muita graça”, comentaria mais tarde o escritor. Escritor e sábio.
Tudo pela orgia - Estadão online - link (aqui)
A euforia com Strauss-Kahn
Ribamar Oliveira
A proposta de Strauss-Kahn foi recebida com entusiasmo por setores do governo brasileiro, como se o diretor do FMI estivesse, implicitamente, reconhecendo a justeza da política fiscal do País. Como é do conhecimento de todos, os gastos públicos no Brasil crescem sem parar, em ritmo superior ao da economia, há mais de 12 anos.
No ano passado, por exemplo, as despesas totais do Tesouro Nacional (menos o pagamento dos juros das dívidas públicas) cresceram 14,4% em termos nominais ou 9,5% em termos reais (descontada a inflação). A previsão de crescimento real da economia em 2007 é de 5,2%. O ritmo de expansão dos gastos foi, portanto, quase o dobro do crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB).
As despesas de custeio (excluídos o pagamento de salários do funcionalismo ativo e inativo e os gastos com benefícios previdenciários) aumentaram mais ainda: 16,6% em termos nominais ou 11,6% em termos reais. Os investimentos federais em 2007 aumentaram 21,1%, em termos reais.
A proposta de Strauss-Kahn surpreendeu porque o FMI sempre foi identificado como defensor intransigente da redução dos gastos públicos, do equilíbrio orçamentário, da redução da presença do Estado na economia e de uma política monetária comprometida com a manutenção de uma inflação baixa.
O receituário do FMI expressava o que ficou conhecido como "consenso de Washington". A esquerda e os economistas menos ortodoxos passaram a identificar as teses do "consenso de Washington" com o neoliberalismo. A proposta de Strauss-Kahn soa diferente do receituário tradicional do Fundo e se parece mais com as teses defendidas pelos heterodoxos.
Em Davos e no artigo para o Financial Times, Strauss-Kahn alertou para o fato de que a política monetária do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, pode não ser suficiente para evitar uma recessão da economia americana. Em menos de 10 dias, o Fed reduziu a taxa básica de juro dos EUA em 1,25 ponto porcentual para enfrentar a crise, e o mercado ainda aguarda novos cortes.
Strauss-Kahn acha que o corte dos juros pode não funcionar para estimular o investimento e o consumo da forma como ocorreria em situações normais. A razão é que os bancos sofreram perdas de capital com a crise do subprime do setor imobiliário americano e não querem agora correr novos riscos. Além disso, ele enfatiza que será difícil reverter uma recessão, se ela vier a ocorrer.
Por isso, o diretor-gerente do FMI propôs um estímulo fiscal para elevar a demanda agregada, de forma a sustentar o consumo durante a fase crítica. Strauss-Khan admitiu que o uso da política fiscal acarreta riscos, mas alertou para o fato de que a inação dos governos elevaria o risco de um desfecho ainda mais negativo.
Em síntese, Strauss-Kahn defendeu o uso da política fiscal de forma anticíclica, ou seja, como uma alternativa para sustentar a demanda global e evitar que o pior aconteça, ou seja, que a economia entre numa recessão mais séria, na qual milhões de trabalhadores perderiam o emprego.
O diretor-gerente do FMI repetiu apenas as teses formuladas inicialmente pelo economista inglês John Maynard Keynes no início do século passado. Para Keynes, a política monetária não funciona plenamente em situações de crise pois, por mais que o Banco Central reduza os juros, ninguém pode obrigar o cidadão a pedir um empréstimo.
O economista inglês dizia que, na crise, o público manifesta preferência pela liquidez. As pessoas preferem poupar do que se endividar. Com medo do que poderá acontecer, os bancos também preferem ficar líquidos.
Por causa disso, Keynes aconselhava os governos a adotar uma política fiscal mais ativa, com elevação dos seus gastos e com redução dos impostos, ou seja, algo parecido com o que está propondo agora o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
Esse estímulo fiscal, segundo Keynes, ajudaria a sustentar a demanda e a evitar o pior. A política fiscal anticíclica é, portanto, baseada nas teorias de Keynes e já foi adotada em outras crises econômicas, como na grande depressão pós 1929.
Os setores do governo Lula que ficaram eufóricos com a proposta de Strauss-Kahn devem observar que a situação do Brasil é inteiramente diferente da vivida pelos Estados Unidos. O problema brasileiro é de demanda superaquecida, o que está pressionando a inflação, segundo avaliação do próprio Banco Central.
A execução de uma política fiscal anticíclica implicaria, no caso brasileiro, redução dos gastos públicos e não no inverso. Durante as fases de crescimento acelerado da economia, a política fiscal anticíclica recomenda a elevação do superávit primário (ou seja, da poupança governamental). Em situações de recessão, o contrário ocorreria, ou seja, redução do superávit para estimular a atividade econômica.
O ovo da serpente - Estadão online - link (aqui)
Lula tenta reduzir tensão entre Chávez e Uribe
Apesar das ameaças, governo brasileiro não acredita que países vizinhos entrem em guerra
Tânia Monteiro
Mais que isso, orientou o Itamaraty a fazer o mesmo. O Brasil considera que o tom da disputa entre os dois tem subido além do necessário nos últimos dias.
A última coisa que Lula e sua equipe querem ver é um conflito na região e, muito menos, entre dois vizinhos. "Seria péssimo para a região. Todos saem perdendo", comentou um interlocutor do presidente. No entanto, ele observou que, apesar das ameaças trocadas e agora ampliadas por Chávez, o governo brasileiro não acredita em um conflito entre os dois países.
Anteontem, em pronunciamento em rede de rádio e TV, Chávez disse ter informações sobre a possibilidade de a Colômbia agredir a Venezuela e que está "pronto para fazer os primeiros disparos com os mísseis dos Sukhois" (aviões russos recentemente adquiridos por ele), caso as ameaças se concretizem.
O assessor especial do presidente, Marco Aurélio Garcia, que foi à França acompanhando o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em busca de parcerias estratégicas com países europeus, confirmou que Lula tem dialogado com os dois presidentes. "Estamos conversando com as duas partes da forma mais discreta possível", disse Marco Aurélio ao Estado, antes de embarcar de volta ao Brasil. "Há tensões, mas não acredito que se chegue a um conflito", prosseguiu. Marco Aurélio participou das negociações entre Colômbia e Venezuela, no final do ano, para tentar obter a libertação de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
A grande preocupação de interlocutores do presidente Lula é que, no calor das declarações de Chávez e Uribe, ocorra um impasse diplomático e alguém, principalmente Chávez, tenha um rompante e tome uma atitude extrema. Por outro lado, nenhum dos dois países tem intenção de fazer uma guerra, pois há muitos interesses comerciais envolvidos .
Embora sempre ataque os EUA, os americanos continuam sendo um grande parceiro comercial da Venezuela. Da mesma forma, apesar do tom belicoso, Chávez importa todo tipo de produto da Colômbia, principalmente gêneros de primeira necessidade. Chávez sabe que não pode suspender as importações de produtos colombianos, pois haveria um desabastecimento no seu país, o que não seria bom para sua imagem. Sua popularidade já foi abalada justamente por falta de produtos de primeira necessidade. Para tentar reduzir esta dependência, a Venezuela já fez novos contratos comerciais com o Brasil para substituir muitos gêneros colombianos por brasileiros.
A cumbuca - Estadão online - link (aqui)
Afoiteza inexplicável
Num dia o ministro disse ter sido notificado oficialmente sobre o negócio, razão pela qual anunciou já ter pronto estudo sobre mudanças nas regras vigentes, que impedem a criação da "supertele", e que iria apresentá-lo imediatamente à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No dia seguinte, porém, teve de voltar atrás. Agindo com prudência não demonstrada pelo ministro, outras áreas do governo tomaram a decisão de aguardar a publicação, pelas empresas envolvidas no negócio, de um comunicado de fato relevante para então iniciar o procedimento que Costa queria começar o mais depressa possível.
Trata-se de um negócio que até poderia ser encarado como normal no mundo empresarial se não viesse envolto em atitudes, declarações e intenções não claramente justificadas pelo governo. A afoiteza do ministro é, talvez, o componente menos intrigante do envolvimento do governo nesse caso - Costa deve ter lá seus motivos para estar tão ansioso por ver a fusão consumada.
Não são convincentes os argumentos invocados pelo governo para justificar sua interferência nesse negócio entre duas empresas privadas. O governo tem sustentado que a formação de uma empresa de capital nacional do porte da que resultará da fusão da Oi e da BrT é necessária para enfrentar a concorrência de empresas estrangeiras, no País e no exterior. Ora, não há, que se saiba, nos planos da "supertele", projetos de expansão imediata de suas atividades para outros países. Outra alegação do governo é que, no plano interno, a nova empresa aumentaria a concorrência, com benefícios para o usuário. Esse argumento foi repetido pelo ministro das Comunicações há dias.
Não é provável que isso ocorra. Estudo encomendado pelos controladores da Oi ao economista e ex-presidente da Anatel Luiz Guilherme Schymura, cujas conclusões foram publicadas pelo jornal Valor, mostra que é pequeno o risco de se aumentar a concentração de mercado com a formação da "supertele". Trata-se de um ponto a favor do negócio. Quanto ao aumento da concorrência, porém, se houver, ocorrerá em segmentos específicos do mercado.
No processo de privatização do setor, o País foi dividido em três regiões, das quais coube à Oi a região I e à BrT a região II. No caso da telefonia fixa local, a fusão não mudará em nada a divisão do mercado: na área da Oi, esta detém 93% do mercado e a BrT, 0%; na área da BrT, esta tem 92% e a Oi, 0%. Também no segmento de ligações de longa distância intra-regional, na área dominada por uma empresa a outra não tem nenhuma participação, de modo que, como no caso anterior, a fusão em nada alterará o quadro. Também no segmento de ligações internacionais, a nova empresa não alterará a divisão do mercado. Em todos os casos citados, nem haverá mais concentração nem se estimulará a concorrência.
O que pode mudar é o mercado de telefonia celular móvel e o de serviços de telecomunicações para grandes empresas (transmissão de voz, imagens e textos). Na telefonia móvel, há uma acirrada disputa entre as três maiores operadoras (Vivo, TIM e Claro), cada uma das quais detém uma fatia que varia de 25% a 27,7% do mercado. A "supertele" ficaria com 16,7%. Na área de transmissão de dados, a nova empresa, além de ampliar sua fatia, passaria a dispor de uma estrutura nacional de cabos de fibras óticas, o que a habilitaria a competir com a atual empresa líder, a Embratel.
Esses números não justificam o envolvimento do governo nesse negócio. Menos justificável ainda é seu desejo - refletido na desenvoltura com que vem atuando o ministro das Comunicações - de acelerar a conclusão das negociações, para só então examinar as mudanças no Plano Geral de Outorgas que validarão o negócio. Tenta-se criar um fato consumado para forçar a mudança das regras.
Tudo indica, portanto, que o interesse do governo não se deve aos motivos alegados.
Mania de grandeza - não basta a sucuri - Folha de São paulo - link (aqui)
Prefácio do bar:
Nelson, "o ego", Jobim, tenta justificar os mimos recebidos dos futuros fornecedores!
É pela conduta que se conhece o homem.
E, é por quem a segura, que se conhece a sucuri.
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Folha de São Paulo:
"Não é nenhum lobby russo, é convite do ministro", diz Jobim
DO ENVIADO A SÃO PETERSBURGO
As indagações sobre a cobertura dos custos e o lobby do governo russo em torno da comitiva do Ministério da Defesa em viagem à Rússia, são questões de pessoas que "pensam pequeno", disse anteontem, em entrevista à Folha, o ministro Nelson Jobim. O ministro da Defesa disse que os russos não estão "comprando decisões". Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Jobim. (RV)
FOLHA - A empresa Rosoboronexport [que oferece produtos militares ao Ministério da Defesa] é uma estatal, mantida pelo governo russo. Percebo que toda a viagem aqui é organizada pelos russos, transporte aéreo, hospedagem, eventuais almoços, jantares. Como o sr. vê esse lobby russo em relação ao Ministério da Defesa?
NELSON JOBIM - Não é nenhum lobby russo, isso é convite do ministro da Defesa. O ministro nos convidou, viemos a convite deles, exclusivamente nesse sentido. Nós fazemos a mesma coisa. Quando os russos vão ao Brasil, nós fazemos todo esse atendimento, isso é normal, absolutamente normal. Não há nenhuma relação de que, com isso, estariam comprando decisões, absolutamente. Há uma viagem, a convite do governo russo, em que ele se dispõe a nos ofer... a nos mostrar coisas. Então estamos aí, examinando.
FOLHA - E quanto ao jantar com a Dassault, que também é eventual fornecedora de equipamentos? O sr. acha natural?
JOBIM - Absolutamente natural. Ou a Folha de S.Paulo não janta com os outros jornais, com os fornecedores de papéis de vocês?
FOLHA - Eu não sei responder pelo jornal. Mas é uma empresa privada.
JOBIM - Não tem problema nenhum, absolutamente. Você veja que a perspectiva de sua pergunta mostra, digamos, a distorção da visão que está tendo o jornal, a imprensa brasileira, com as necessidades do Brasil. Nós temos que pensar grande, não podemos pensar pequeno.
JOBIM - Estou dizendo que a sua pergunta mostra claramente que a posição de vocês é pensar pequeno. No Brasil acabou essa história. Temos que pensar grande, no desenvolvimento do país.
A família real - Folha de São Paulo - link (aqui)
Segurança da filha de Lula gastou R$ 55 mil em cartão
Maiores despesas em 2007 foram em lojas de autopeças e de construção de SC
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência promete explicar compras após o Carnaval; servidor diz não haver irregularidade
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Usando um cartão de crédito corporativo do governo federal, um segurança pessoal de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gastou, em Florianópolis, onde ela mora, quase R$ 55 mil nos últimos nove meses em lojas de autopeças, materiais de construção e de ferragens, supermercados, livrarias, combustível e em uma casa de venda de munição.
Os gastos foram feitos entre abril e dezembro de 2007 no cartão da Secretaria de Administração do Planalto cedido a "João Roberto F Jr" -identificado pelo CPF como João Roberto Fernandes Júnior.
Segundo o ministro Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), as despesas do funcionário são de natureza sigilosa e não deveriam ter sido publicadas no site Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União (CGU). "No meu nome, eu tenho certeza de que não vão aparecer irregularidades. Vão aparecer gastos que estão comprovados no Tribunal de Contas e eu não tenho o que dizer nesse sentido", disse Fernandes à Folha.
A grande parte dos gastos foi feita em lojas de peças para veículos e de construção, especialmente a Comércio de Autopeças Badu Ltda., onde foram pagos R$ 16,3 mil no total. O GSI afirmou que a justificativa de cada despesa será explicada a partir de quarta-feira, depois do feriado de Carnaval.
Segundo Félix, os gastos com peças podem se referir à manutenção da frota de carros e as despesas com materiais de construção, à instalação de sistema de segurança -há no portal gastos específicos em pelo menos duas empresas de sistemas de alarme e segurança, a Khronos e a Alarm System Distribuição e Treinamento. "Não deveria ter sido publicado, mas foi. É um problema administrativo", disse Félix. Os cartões estão listados na Secretaria de Administração por ser esse o órgão que aprova os gastos, afirmou o ministro.
Florianópolis
Houve um aumento expressivo nos gastos do pessoal de segurança de Lurian em Florianópolis. Antes de Fernandes, as despesas na capital catarinense eram listadas no cartão do servidor Jadir José Duarte. De fevereiro de 2006 a maio de 2007, ele gastou R$ 37,6 mil.
Após a troca de um pelo outro, a média mensal saltou de R$ 2.296 para R$ 6.097. Jadir não foi localizado pela Folha. "Eles fazem tudo. Quem trabalha lá faz tudo. Mas, além da segurança, tem um encarregado da parte administrativa, exatamente para ter centralização e controle", disse Félix. Fernandes se recusou a detalhar a natureza de seu trabalho.
Disse apenas que é "ecônomo" (funcionário que cuida de gastos) do escritório da Presidência em Florianópolis, mas se recusou a fornecer telefone da representação ou explicar onde gastou o dinheiro. A Secretaria de Imprensa do Planalto informou que não irá se manifestar sobre "temas relacionados à segurança do presidente ou seus familiares".
O uso do cartão, porém, segundo a CGU, deveria estar restrito principalmente a emergências e despesas de viagem (acomodação e refeições). Seu uso para outras finalidades pode ser irregular, já que seria necessário realizar processo licitatório para alguns gastos.
O uso irregular já derrubou Matilde Ribeiro, ex-ministra da Igualdade Racial. Ela realizou gastos de natureza pessoal, como compras em um free shop durante suas férias. O ministro Orlando Silva (Esportes) também anunciou que devolverá cerca de R$ 30 mil por gastos indevidos em seu cartão.
Padrão
As despesas dos cartões em Florianópolis seguem uma espécie de padrão, com poucos saques em dinheiro -esse tipo de gasto, impossível de ser identificado, responde por 75% dos R$ 75 milhões usados com cartões corporativos em 2007.
As mesmas lojas são usadas repetidas vezes, de forma preferencial, caso da Philippi Automóveis e Autopeças Badu. Nesta, a funcionária em serviço no sábado disse que não poderia dar informações sobre faturas emitidas para o governo.
Há gastos em supermercado, como na A Angeloni. E compras também são feitas regularmente na livraria e papelaria A Exata. Há ainda despesas expressivas em lojas de material de construção, como as ferragens Milium e Ferromil e a Compensandos Fernandes -que não teria ligação com o usuário do cartão, segundo uma funcionária contatada por telefone. Na Ferromil, foram gastos R$ 2.300 em apenas um dia -em 22 de agosto de 2007.
A lista também contém uma compra em uma loja de armas e munição, cujo nome fantasia é Sports Mens Ltda.
Fernando de Barros e Silva - Folha de São Paulo - link (aqui)
Matilde e o "companheiro cartão'
SÃO PAULO - Matilde Ribeiro caiu de forma humilhante e vexatória, incapaz de justificar os abusos com o cartão de crédito corporativo. Lula, desta vez, agiu rápido, o que parece suspeito. Seu gesto, de qualquer forma, não afasta o constrangimento nem atenua a gravidade do caso. Ainda resta muito para esclarecer.
O "erro administrativo" que a ex-ministra admitiu, mas sem arrependimentos, em português tem outro nome. Ou os neoaloprados também inventaram a sua própria língua?
Não é trivial nem deve passar batido que esse escândalo atinja a pasta da Igualdade Racial. Mas há evidências até em demasia de que o desvio envolve outros setores do governo, inclusive e sobretudo o Planalto. Ao que parece, criou-se um meio fácil para patrocinar mordomias privadas e baratos afins com o dinheiro público. Cerca de 75% dos R$ 75,6 milhões gastos em 2007 foram sacados em espécie. Algo em torno de R$ 58,7 milhões. Usados para quê?
Já conhecíamos a Lei de Gérson -o importante é levar vantagem em tudo, certo? O PT vem consagrar a Lei de Vavá: o sujeito chega à boca do caixa, aperta os botões e intima:
- Arruma dois pau pra eu!
Consta que o irmão de Lula voltava para casa de mãos vazias. Já a máquina obedece. O "companheiro cartão" tornou-se um instrumento eficaz do neopatrimonialismo petista.
E a Secretaria da Igualdade Racial, como fica? Ela era até aqui uma pasta simbólica, pouco mais que um slogan criado para afirmar um compromisso político. Slogan vazio, diga-se. Em 2007, do seu ridículo Orçamento de R$ 34 milhões, só conseguiu executar 38% (R$ 13 milhões), a maior parte com despesas burocráticas.
O assunto da pasta que foi de Matilde é muito sério, mas não o tratamento que o governo Lula lhe dispensa. Não bastou o mensalão; não bastaram os aloprados. Novamente tão à vontade no comércio com os aliados e no manejo da realpolitik, o "governo popular" -ainda não satisfeito- vem agora aviltar a pasta que deveria cuidar da nossa triste herança colonial e do racismo. Símbolos morrem. Lula deveria saber disso.
Sinopse dos principais jornais - link (aqui)

Jornal do Brasil - Chuva mata 9 em Itaipava
Folha de São Paulo - Chuva mata 6 mulheres e 3 crianças em serra do Rio
O Estado de São Paulo - Crédito imobiliário vai crescer 26% este ano
O Globo - Tragédia se repete e chuvas voltam a matar
Correio Brasiliense - Guerra e paz nas estradas











