segunda-feira, 17 de março de 2008
Ricardo Noblat - Blog do Noblat - link (aqui)
Dilma, a campeã moral
Sabem qual é a missão da "mãe" do Programa de Aceleração do Crescimento, não sabem? Crescer nas pesquisas para ter condições de ser candidata à sucessão de Lula em 2010.
O PMDB emplacou quem quis no setor elétrico, driblando os vetos de Dilma e desalojando os técnicos que ela empregara quando foi ministra das Minas e Energia.
Edison Lobão (PMDB-MA), o novo ministro, deu-se até ao luxo de fazer Dilma lhe pedir um favor.
Lobão indicara José Antônio Muniz Lopes para a presidência da Eletrobrás. O presidente interino da empresa era Walter Cardeal, afilhado de Dilma.
- Muniz é um bom técnico - sustentou Lobão durante conversa com Dilma.
- Mas Cardeal também é - ela respondeu.
- A senhora ainda não havia pedido por ele. Vou mantê-lo como diretor - encerrou Lobão. E manteve.
Pois bem: outro dia, um senador amigo de Dilma ouviu-a dizer entusiasmada:
- Ganhei a parada. A mídia comprou a tese de que os cargos do setoe elétrico deveriam ser preenchidos com base no mérito dos indicados. Estou de bem com a opinião pública.
É campeã moral. Como foi a Seleção Brasileira de 1978, que saiu invicta da Copa do Mundo da Argentina. Ficou com o terceiro lugar.
A nova postura de Dilma é mais uma obra da administração do marqueteiro João Santana.
José Marcio Mendonça - Blog do José Marcio - link (aqui)
De olho no mundo
Todas as atenções estão voltadas para os Estados Unidos e sua crise. Semana a semana ela vem se agravando. O Banco Central de lá agiu novamente ontem, de surpresa, para tentar garantir mais fôlego para os bancos, cortando a taxa de juros para empréstimos ao sistema financeiro.
Como está em todos os jornais, a esperança é de que o Fed corte ainda um pouco mais também a taxa básica de juros, atualmente em 3%, na sua reunião de amanhã. A torcida geral é grande.
De qualquer modo, podemos apostar: vamos ter mais uma semana de "gangorra", como outras passadas e outras que ainda virão, no mercado financeiro internacional, no Brasil inclusive, mesmo com toda imunidade que adquirimos.
Já há efeitos outros sobre a economia real, não financeira, antes não esperados. Vejam um resumo de notícia na mídia hoje:
"Os problemas desencadeados pela crise do setor imobiliário americano têm provocado uma corrida em direção às commodities. Nos últimos meses, diante dos crescentes indícios de recessão nos Estados Unidos, muitos investidores preferiram se desfazer de ações de empresas e de títulos de dívida para se refugiar em ativos mais seguros, que ofereçam boa rentabilidade, como é o caso de várias commodities. Até o dia 11 de março, dados da Commodity Future Trading Commission, dos Estados Unidos, mostravam que esses investidores detinham 30 mil contratos de trigo na Chicago Board of Trade (Bolsa de Chicago); 291 mil contratos de milho e 104 mil de soja. Os números são bastante altos comparados ao volume tradicional, afirmam especialistas. Desde janeiro, o preço do cacau subiu mais de 40%; o café, 38%; gás natural, 34%; trigo, 29%; e alumínio, 28%. Só na semana passada, o petróleo teve alta de quase 5% e o ouro, de 3%."
Para o Brasil, no balanço geral, em princípio é positivo: nossas receitas com exportação desses produtos ficarão um pouquinho mais gordas. Mais tarde será ver o que se faz: se gera pressões inflacionárias e se o maior fluxo de dólares prejudica o câmbio num momento em que o governo age para desvalorizar um pouco o real.
A questão americana desvenda um dilema que vive o Palácio do Planalto e a divisão clara, já comentada aqui em nota anterior, entre os financistas e os desenvolvimentistas no governo. E até fora dele.
O dilema é do presidente. Lula festeja os movimentos positivos da economia, como o fez na semana passada com os dados do PIB de 2007. Ao mesmo tempo, porém, endossa implicitamente o alerta do Banco Cetral em sua última ata, quando deixou claro que pode subir os juros.
De outro lado, o BC é condenado abertamente pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, que está preparando, possivelmente para esta semana, medidas de política industrial com vistas ao setor exportador. É condenado também, com palavras duras, pelo presidente do Ipea, Marcio Porchman. O BC não está totalmente sozinho porque Lula teme - e vacila.
Esse vai-e-vem acaba deixando o setor empresarial confuso. Os investimentos estão andando, porém alguns especialistas acham que em algum momento pode haver um movimento de retração por causa dessa incerteza. E o mundo político reflete isso, ainda que indiretamente. Em ano eleitoral, ninguém quer freio - nem a oposição, acusada pelos governistas de querer o pior.
Podem anotar também: as orelhas do Banco Central vão arder muito esta semana. Meirelles e sua turma só terão um pouco de sossego se as coisas piorarem muito nos Estados Unidos. Aí, o medo...
Para completar, fiquem com a "definição" de dólar dada pelo polêmico economista Paul Krugman, professor de Princeton e articulista do "The New York Times":
"Folhas de papel verde portando retratos de presidentes mortos."
PS: Na nossa política, tudo é eleição. E nada mais.
_____________________________________________________________________Comentário:
17.03.08 @ 12:14José Marcio
Incrível tua capacidade, de, mesmo confessando estar visando a semana, abrir tanto o leque de assuntos, e sobretudo vertentes a serem observadas sobre eles.
Como bom tupiniquim, irresistível o prato "commodities".
Especialmente as agrícolas.
Aumentando o foco, destaca-se no artigo de Renée Pereira, no Estadão, que certamente foi levado em conta no post acima, o seguinte trecho:
'"Ao contrário do padrão histórico, a desaceleração da demanda doméstica americana não implicou desaceleração correspondente da demanda doméstica asiática (e chinesa)'', destaca o economista-chefe para a América Latina do Banco Real ABN Amro, Alexandre Schwartsman.
Segundo ele, o forte investimento nessa região tem mantido a demanda doméstica em alta e, conseqüentemente, as importações. ''No caso das commodities agrícolas, a demanda tem sido claramente impulsionada pela melhora na renda da população, que passou a consumir mais alimentos'', destaca o sócio da Paraty Investimentos, Marco Franklin. Junta-se a isso o fato de os Estados Unidos terem destinado um volume grande de milho para a produção de álcool no País.
Com preços elevados, a plantação de milho avançou sobre a produção de soja, diminuindo a oferta do grão. Para 2008, diz Franklin, a previsão era de manutenção dos preços, baseada no aumento da safra brasileira. Mas nenhuma dessas projeções contavam com o ataque especulativos dos fundos de investimentos no mercado de commodities."
Realmente, a surpresa é o movimento defensivo dos especuladores, na direção das commodities, em busca de alguma segurança, pelo menos temporária.
Aqui, começa a importunar a famosa pulga, que insiste em, muito de abuso, postar-se atrás da orelha.
Diante de duas verdades insofismáveis, ou sejam:
1- A economia brasileira, por seu porte, e pela pequena participação no mercado miundial não tem poder de alterá-lo a seu favor.
2- Ainda somos, e seremos, por mais que tentemos disfarçar, um país agrícola.
Pergunta-se:
Qual a razão de, contrariando a razoabilidade do bom senso, mantermmos essa enorme taxa de juros, que, fatalmente, continuará, por efeito colateral, valorizando artificialmente o real, projetando, como já admitem alguns, um dólar valendo a bagatela de R$ 1,40?
Com essa enorme e sufocante dívida pública interna, que deglute numa só bocada a escorchante ação do fisco.
E mais, a classe produtiva nacional, nesse setor agrícola, que desgraçadamente, não consegue representação lúcida no cenário político, posto que, o que se denomina "bancada ruralista", permanece perdendo seu tempo e energia no obsoleto e surreal combate às frentes populares do campo, insufladas, muito de esperteza por Lula e seus asseclas, deixando de cuidar do essencial.
Assim, os valores historicamente recordes das commodities agrícolas no mercado internacional, quando convertidos ao real supervalorizado, perdem sua essência.
Enfim, com caráter de "bolha", ou com qualidade de valores sustentáveis no tempo, a rentabilidade internacional das commodities agrícolas está sendo desperdiçada pela equivocada política monetária de Meirelles, sucessor de Armínio, e, como ele, teleguiado do sistema financeiro internacional.
Em tempo:
Aviso aos navegantes: nada de maniqueismo de "destra e sinistra" nesse comentário, apenas a economia.
Investidores migram para as commodities - Estadão online - link (aqui)
Com medo da recessão americana, fundos trocam aplicações em ações e títulos por trigo, soja e petróleo
Renée Pereira
Exemplo disso é que o número de contratos nas mãos de fundos de investimentos tem crescido diariamente. Até o dia 11 de março, dados da Commodity Future Trading Commission, dos Estados Unidos mostravam que esses investidores detinham 30 mil contratos de trigo, na Chicago Board of Trade ( Bolsa de Chicago); 291 mil contratos de milho; e 104 mil, de soja. Os números são bastante altos comparados ao volume tradicional, afirmam especialistas. ''De repente todas as commodities viraram ativos financeiros cobiçados pelos investidores'', destaca a economista da MB Associados, Tereza Fernandez.
Desde janeiro, o preço do cacau subiu mais de 40%; o café, 38%; gás natural, 34%; trigo, 29%; e alumínio 28%. Só na semana passada, o petróleo teve alta de quase 5% e o ouro, de 3%. ''Podemos perceber que esse comportamento esquizofrênico teve início com a posição mais firme do Fed (Federal Reserve, banco central americano) de cortar as taxas de juros para evitar uma recessão mais forte no País'', observa o economista da RC Consultores, Fábio Silveira.
É claro que a ação isolada dos investidores financeiros não teria força para elevar os preços a suas máximas históricas. O movimento foi um novo ingrediente num cenário cheio de pressões por todos os lados. O principal deles é a demanda asiática crescente por produtos básicos, seja para o desenvolvimento da infra-estrutura ou para alimentação.
''Ao contrário do padrão histórico, a desaceleração da demanda doméstica americana não implicou desaceleração correspondente da demanda doméstica asiática (e chinesa)'', destaca o economista-chefe para a América Latina do Banco Real ABN Amro, Alexandre Schwartsman.
Segundo ele, o forte investimento nessa região tem mantido a demanda doméstica em alta e, conseqüentemente, as importações. ''No caso das commodities agrícolas, a demanda tem sido claramente impulsionada pela melhora na renda da população, que passou a consumir mais alimentos'', destaca o sócio da Paraty Investimentos, Marco Franklin. Junta-se a isso o fato de os Estados Unidos terem destinado um volume grande de milho para a produção de álcool no País.
Com preços elevados, a plantação de milho avançou sobre a produção de soja, diminuindo a oferta do grão. Para 2008, diz Franklin, a previsão era de manutenção dos preços, baseada no aumento da safra brasileira. Mas nenhuma dessas projeções contavam com o ataque especulativos dos fundos de investimentos no mercado de commodities.
Outro fator de pressão sobre os preços internacionais está associado à desvalorização do dólar ante outras moedas mundiais. Na sexta-feira, o euro renovou recorde de US$ 1,5673 ante a moeda americana. Além disso, o dólar ficou abaixo de 100 ienes pela primeira vez em 13 anos. Isso provocou a alta do petróleo, na semana passada, que terminou em US$ 110,21.
Nesse caso, diz Franklin, a demanda também está crescendo mais que a oferta. ''Para cada 5 barris de petróleo consumido no mundo se descobre um. Além disso, algumas das reservas mais importantes no passado têm apresentado taxa de declínio na produção'', afirma ele.
Na opinião do representante para América Latina da Superfund, gestora de fundos austríaca, Lance Reinhardt, os dois principais fatores que estão guiando os preços das commodities são a questão da oferta e demanda e a especulação dos investidores financeiros. ''A demanda está sendo criada nos mercados emergentes e no BRIC (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China). A especulação me parece ser o principal condutor dos preços. Esses investidores são fundos de hedge com imenso capital.''
Apesar da alta exagerada dos últimos meses e da sobrevalorização de algumas commodities, Reinhardt não acredita que o movimento seja uma bolha. Isso porque, explica o executivo, uma bolha sugere forte correção nos mercados de commodities como um todo. ''Na verdade, acredito que as commodities continuarão em tendência de alta nos próximos 10 ou 15 anos. Durante esse tempo podem ocorrer algumas correções, embora acredite que a população mundial continuará a crescer e os países desenvolvidos, a enriquecer.''
O gerente de mesa financeira da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar, também defende a tese de um novo patamar de preços internacionais. ''Isso significa que teremos momentos de volatilidade, com altas e baixas das commodities. Mas as quedas não serão tão acentuadas para compensar a alta ocorrida até agora.''
Schwartsman, do ABN, também não acredita que a alta das commodities seja uma bolha, mas o reflexo de fundamentos da demanda por esses produtos. ''Há, sem dúvida, especulação com commodity e é possível que certos movimentos de preços sejam afetados pelo fluxo de recursos que, em busca de proteção contra a inflação, se direcionou a esse mercado.''
Ele destaca, porém, que algumas commodities podem ajudar a entender o quanto da alta é especulação e o quanto é demanda. O economista usa como exemplo o caso da Vale, que emplacou um reajuste de 65% do minério de ferro, quando a expectativa era 50%.
O minério de ferro não é transacionado em bolsas, mas negociado diretamente com produtores de aço. ''Acredito que as empresas que aceitaram pagar 65% mais pela sua principal matéria-prima devem ter uma noção muito clara de como está a demanda por aço.''
FRASES
Tereza Fernandez
Economista da MB Associados
"De repente, todas as commodities viraram ativos financeiros cobiçados pelos investidores"
Fábio Silveira
Economista da RC Consultores
"Esse comportamento esquizofrênico teve início com a posição mais firme do Fed de cortar os juros para evitar uma recessão mais forte no País"
Para historiador, militância enfraqueceu os estudantes - Folha de São Paulo - link (aqui)
Pesquisador da UFSCar tenta explicar declínio do movimento estudantil no país
Desconhecimento do que se passa nas universidades dura até hoje e é resultado do aparelhamento político das entidades, defende ele
MAURICIO PULS
DA REDAÇÃO
Na opinião do historiador Renato Cancian, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), o movimento estudantil sofreu uma inflexão nos anos 70, quando passou a ser liderado por militantes das organizações de esquerda que priorizavam as reivindicações políticas em detrimento das demandas educacionais. Essa subordinação à agenda política conduziu aos protestos de 1977 em defesa das liberdades democráticas, mas provocou um longo refluxo, que persiste até hoje, em razão do distanciamento da maioria dos alunos.
Autor de um livro sobre a "Comissão Justiça e Paz de São Paulo" (2005), Cancian começou a delinear sua tese de doutorado quando, ao estudar a invasão da PUC de São Paulo em 1977, notou um corte entre líderes e massa: "As lideranças do movimento estudantil tinham todas um vínculo político. Já quem apenas participava como massa estudantil não tinha nenhum vínculo".
Essa subordinação da militância estudantil à militância política teve conseqüências a longo prazo, que persistem: "Militar no movimento estudantil na condição de militante político tem um peso grande. O auge nos anos 70 foi dado por reivindicações políticas: as liberdades democráticas. Isso foi levado e conduzido por lideranças envolvidas politicamente. Fala-se muito que as organizações de esquerda cooptaram as lideranças. Não foi o que aconteceu: a biografia dos militantes estudantis indica que a militância política vem primeiro".
Nos anos 60, ao contrário, a politização do movimento não ocorreu desvinculada das reivindicações educacionais -em especial das críticas da UNE à reforma universitária prevista no acordo entre o MEC e a Usaid (United States Agency for International Development). "O que a gente percebe é uma dinâmica diferente. Na década de 60 o movimento começa com uma reivindicação educacional, que depois transborda para uma reforma universitária, que é uma grande questão e que mobiliza todos os estudantes. Aí você tem a radicalização. Na década de 70 ocorre totalmente diferente: o movimento já nasce com um eixo de uma reivindicação política: as liberdades democráticas".
Ocorre então uma subordinação completa da militância estudantil à militância política: "Na década de 60 isso não acontecia. Já na década de 70, as lideranças tachavam esse pessoal que se preocupava com questões educacionais de ignorantes políticos. O que acontece com o movimento estudantil hoje? O aparelhamento dessas organizações continuou. Aí o movimento perde importância relativa. Hoje as lideranças da UNE não sabem lidar com questões educacionais: estão tão voltadas para a política que esquecem delas".
"Essa partidarização continua até hoje. Só que isso tem uma conseqüência: você deixa o estudantado de lado e vai mobilizar de acordo com o interesse desses militantes políticos. Eles nem sabem o que está acontecendo com as universidades", explica Cancian.
Essa partidarização ainda pesa muito: "Quais são as propostas do movimento estudantil hoje? Às lideranças, perguntei qual era o objetivo de militar no movimento. A resposta de todas: ampliar influência, cooptar militantes e construir um partido, uma organização nacional. É certo que havia pessoas contrárias. Mas quem quisesse entrar precisava ter um posicionamento político".
Cancian ressalta que, sem essa militância, o movimento não teria alcançado a importância que teve: "Na década de 70 isso é claro: quem se envolvia eram justamente os militantes".
Essa subordinação do movimento estudantil à política: a mobilização nos anos 70 foi muito inferior à dos anos 60: "Em 1977, você tinha um milhão de estudantes, mas o movimento só conseguiu mobilizar, em maio, 50 mil. E depois nunca mais conseguiu mobilizar tantas pessoas".
Patrus perde, e PT está mais próximo de Aécio em Minas - Folha de São Paulo - link (aqui)
Ministro saiu derrotado de encontro, e partido caminha para aliança com PSDB
Já em São Paulo, encontro do PT com participação dos dirigentes nacionais atacou a possibilidade de o partido se aproximar dos tucanos
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Em reunião na capital mineira, os aliados do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, saíram derrotados após nem sequer ser votada a proposta de retardar, em pelo menos 15 dias, a escolha dos delegados e da posterior votação sobre a aliança com o PSDB do governador Aécio Neves.
Percebendo a iminente derrota, o grupo de Patrus retirou a proposta criticando a falta de diálogo. O grupo admite aliança com os tucanos para a eleição de outubro, desde que o candidato a prefeito seja um petista.
A proposta de Pimentel e do governador tucano é de um nome neutro, do PSB, liderando a chapa. Ambos trabalham nos bastidores para que o candidato seja o secretário de Desenvolvimento Econômico de Aécio, Márcio Lacerda.
Com a manutenção da agenda do diretório municipal, no próximo dia 30 os filiados escolherão, em votação, os cerca de 400 delegados que, uma semana depois, decidirão sobre as propostas -uma terceira exclui a aliança com o PSDB .
A intenção de Patrus era atrasar todo o processo para ampliar o diálogo e evitar um racha no partido.
Mesmo que o grupo de Patrus perca no voto, no entanto, ainda pode contar com eventuais impedimentos dos diretórios estadual e nacional.
O deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do PT-MG, diz ter sido um "erro" do diretório municipal não ter aceitado o adiamento. Ainda assim, segundo ele, a decisão, seja qual for, terá de ser avalizada pelo diretório estadual.
Em nota, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, dá a entender o mesmo, ao dizer que é preciso levar "em conta a articulação entre os aspectos locais com a dinâmica política estadual e nacional".
Mas Berzoini pondera. "Nenhuma decisão sobre tática eleitoral ou política de alianças para 2008 foi tomada pelo diretório nacional, inclusive com relação ao caso específico de Belo Horizonte."
Anteontem, Berzoini participou de um seminário realizado pelo diretório paulista do partido no qual o assunto -aproximação com os tucanos- foi debatido. Ele afirmou que a decisão sobre alianças sairá dia 24.
Para o senador Aloizio Mercadante (SP), a prioridade nas alianças deve ser repetir a coalização em torno de Lula.
Em uma das mesas de debates, o deputado estadual Rui Falcão (SP) atacou a possibilidade de o PT se aproximar dos tucanos e disse que o modelo de Minas Gerais é "aliança pontual", que não deve servir como base para os petistas.
"Há uma distinção clara de projetos entre os dois partidos. São como água e óleo, não se misturam e não podem se misturar", disse Falcão, para uma platéia de dirigentes. Segundo ele, o êxito do PT "depende da derrota dos tucanos, no campo moral, político e ideológico.
Renata Lo Prete - Painel - Folha de São Paulo - link (aqui)
Com quem será?
Namoro... Também com Kassab -dos três o mais necessitado da injeção de tempo televisivo- Quércia está em tratativas. Mas o prefeito é mais reticente quanto à indicação do seu vice. E ainda não surgiu em cena o único personagem em condições de avalizar a eventual aliança para o Senado: o tucano José Serra.
...ou amizade? Já Alckmin, líder nas pesquisas, tem a seu favor a perspectiva mais robusta de vitória. As conversas, porém, estão mais incipientes. Quércia não acredita que o ex-governador tenha força suficiente, dentro do PSDB paulista, para lhe garantir o apoio em 2010.
Miudezas. Um gesto do PSDB serrista que poderia ajudar Gilberto Kassab a concretizar a aliança seria a retirada do tucano Roberto Massafera da disputa em Araraquara, onde o quercista de todas as horas Marcelo Barbieri pretende concorrer à prefeitura. Mas a operação não é tão simples. As forças interessadas na candidatura de Massafera vão muito além do PSDB.
Vísceras. No DEM, há quem defenda encaminhamento radical para o impasse paulistano: forçar uma prévia no PSDB, na qual, acreditam os "demos", a tese do apoio a Kassab derrotaria a da candidatura Alckmin. Mas até os serristas mais ferrenhos acham que essa saída poderia arrebentar o partido.
Política primária - Folha de São Paulo - link (aqui)
Modelo dos EUA deveria inspirar avanço no sistema de escolha de candidatos a eleições majoritárias no Brasil
DOIS LÍDERES políticos brasileiros expressaram opiniões antagônicas sobre a realização de prévias partidárias para a escolha de candidatos em eleições majoritárias. O senador Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB, apóia o método. O deputado José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT, acha que ele deve ser o "último recurso".
A experiência do Partido Democrata dos EUA na campanha presidencial deste ano pode servir como referência ao debate. Até 1968, os dois grandes partidos americanos, o Democrata e o Republicano, escolhiam seus candidatos à Presidência em convenções nacionais.
Havia algumas eleições primárias, mas eram poucas e quase irrelevantes. Os grandes líderes do partido em cada Estado negociavam entre si e com os pré-candidatos o apoio de suas delegações a um dos aspirantes. Era comum ocorrerem vários escrutínios até se chegar a uma decisão. No intervalo entre eles, mais negociações em salas fechadas. Theodore White, no livro "Como Se Faz um Presidente", descreve com detalhes as muitas conversas e barganhas que levaram à formação da chapa John Kennedy-Lyndon Johnson em 1960, em Los Angeles, por exemplo.
Mas 1968 mudou toda a história, especialmente no caso do Partido Democrata. O clima político era muito tenso, com o assassinato de Robert Kennedy, o favorito para obter a indicação do partido, contra o desejo do presidente Johnson. A convenção nacional, em Chicago, acabou em pancadaria nas ruas e grandes tumultos no auditório.
A partir de 1972, o Partido Democrata resolveu dar cada vez mais importância à manifestação de seus filiados comuns por meio de eleições primárias e de "caucuses", reuniões ampliadas de diretórios regionais para discutir e decidir quem vai receber o apoio de cada distrito eleitoral.
Decerto o desejo de conferir máxima representatividade ao cidadão comum -e, ao mesmo tempo, completa autonomia a cada Estado e, às vezes, a cada distrito- complicou demais o processo. O sistema de prévias dos democratas é tão confuso que não se sabe ao certo até agora quantos delegados à convenção nacional estão comprometidos com cada pré-candidato.
Os democratas mantiveram espaço para os caciques nacionais e regionais, que têm o status de superdelegados: eles não precisam ser eleitos para ir à convenção. Como a disputa entre Hillary Clinton e Barack Obama está muito renhida, talvez caiba a esses superdelegados (20% do total) decidir o vencedor, com práticas similares às que prevaleciam antes de 1968.
Apesar de todos esses inconvenientes, o método de primárias e "caucuses" merece aplausos. Talvez como a democracia, na célebre definição de Winston Churchill, ele seja o pior que existe, exceto todos os demais.
Havia 13 aspirantes à Presidência no Partido Democrata. Foram reduzidos a dois após intensos debates públicos. Os dois agora lutam, diante de todos os interessados, pelos votos que lhes faltam para a indicação.
Com todos os seus defeitos, o sistema americano é superior às conversas de coxia e aos banquetes restritos em restaurantes de luxo que prevalecem no Brasil.
Sinopse dos principais jornais - link (aqui)

Jornal do Brasil - Barra adere ao boicote do IPTU
Folha de São Paulo - Receita veda elevação de tributo sobre cigarros
O Estado de São Paulo - Juizados de pequewnas causas vivem crise
O Globo - Operação salva banco para tentar conter crise nos EUA
Gazeta Mercantil - Juros a 11,25%podem levar o dólar apara R$ 1,40
Correio Brasiliense - Brasília na rota do tráfico internacional











