segunda-feira, 31 de março de 2008
Após a terceira dose
O insistente
Nego-me!
Dizia ele
Todo curvado pela pesada gramática que conduzia
Nego-me!
Bradava ele
Todo amuado pela razão que não lhe pertencia
Nego-me!
Resmungava ele
Todo perdido pela metamorfose do líder
Canso-me!
Respondi a ele
Bar é poesia - Mario Quintana

Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
os deuses, por trás das suas máscaras,
ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
La cruel 'justicia' del 'narco' brasileño - El País - link (aqui)
Los traficantes imponen su propia ley en las favelas mediante 'tribunales' que castigan a los ladrones con torturas y ejecuciones sumarias
JUAN ARIAS - Río de Janeiro - 31/03/2008
Los traficantes de droga que actúan en las favelas de la ciudad brasileña de Río de Janeiro (unas 700, con más de un millón de habitantes) son muy severos con los jóvenes ladrones que habitan en esas comunidades de marginales, donde los narcos imponen sus propias leyes y en las que el Estado no se atreve a actuar. Así lo revela un impresionante reportaje publicado ayer por el diario O Globo. Según el periódico, existen en las favelas tribunales que imponen sentencias sumarias a los que sorprenden robando. Y todo, porque a los narcotraficantes les interesa tener una buena reputación dentro de las favelas para hacerse pasar por los benefactores de sus habitantes.
La pasada semana, el tribunal de los narcos sometió a un juicio sumario a un joven de 15 años que había robado a uno de los moradores de la favela. Capturado durante la madrugada, el joven fue esposado y torturado por un grupo de nueve traficantes armados con ametralladoras y fusiles. Llevaron al joven al punto más alto de la favela y allí fue torturado: primero, con choques eléctricos en los genitales; después, rompieron botellas de vidrio en su cabeza, mientras le colocaban esparadrapos en la boca y nariz para impedirle respirar. Por fin, le dieron una cuchillada en la espalda.
Momentos antes de la ejecución intervino el pastor protestantes Marcos Pereira para que commutasen la pena de muerte por la del exilio de la favela: “Mi corazón se quedó helado. A ellos los narcotraficantes] les gusta matar a estos jóvenes ladrones frente a mucha gente para que sirva a otros de escarmiento. Me puse muy nervioso, porque vi la sed que tenían de matar”, narró el pastor. Tras varias horas de torturas y con un arma apuntándole a la sien, el joven ajusticiado exclamó: “Matadme ya, no aguanto más sufrir tanto”. El pastor Pereira intervino de nuevo para rezar una oración. “No pongas la mano en mi cabeza”, le dijo el traficante que mantenía la pistola sobre la sien del muchacho. “Vas a ver cómo te mato ante los ojos del pastor”, le dijo otro de los torturadores. Por fin, el pastor se impuso y logró salvar la vida del muchacho. Sin embargo, el religioso admite que no siempre es así y los ladrones son ejecutados a pesar de sus plegarias. “Yo vivo en la franja de Gaza”, afirma.
Cuenta que los tribunales de los narcos imitan a los del Estado. Sólo que el juez, en lugar de llevar una maza, porta una ametralladora. Son juicios sin apelación, sin abogados defensores, sin que nadie pueda intervenir, ni siquiera las madres de los condenados. Una de ellas se lamentaba: “Ni siquiera puedo pedir el cuerpo de mi hijo, porque no tengo dinero para enterrarlo”. En esos casos, los traficantes queman los cadáveres con cal viva o en una pira con neumáticos viejos.
Planalto agora admite que dossiê existe e culpa 'alguém de dentro que resolveu fazer o mal' - O Globo online - link (aqui)
Nova versão
Publicada em 30/03/2008 às 23h01m
O Globo Online; Ana Paula de Carvalho - especial para O GloboBRASÍLIA, CURITIBA e RIO - O Palácio do Planalto apresentou neste domingo nova versão sobre o suposto dossiê com gastos de contas B do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. É o que mostra reportagem de Gerson Camarotti e Isabel Braga, publicada na edição desta segunda-feira do jornal "O Globo". Segundo a reportagem, o governo admitiu, pela primeira vez, a elaboração do dossiê, mas alega que o documento foi montado sem autorização por alguém com o objetivo de atingir a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e enfraquecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de acirrar os ânimos entre governo e oposição. ( Leia a íntegra da reportagem no Globo Digital - só para assinantes )
- Usaram o banco de dados com o intuito de fazer mal ao governo, e fizeram. Está claro que o relatório foi tirado do banco de dados. Alguém de dentro do Planalto resolveu fazer o mal. Esses dados foram vazados por alguém do governo. O banco de dados estava sendo montado caso a CPI precisasse. Mas esse banco de dados não era direcionado. O governo agora está procurando saber quem foi que fez isso - disse o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.
A reportagem mostra que esta é a terceira versão apresentada pelo Planalto em uma semana. A primeira foi a de que os dados foram solicitados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), tese abandonada e depois retomada por Dilma, no sábado. Num segundo momento, o governo alegou que fazia um levantamento preventivo para fornecer à CPI do Cartão Corporativo. Agora, admite que informações foram pinçadas do banco de dados.
Citados pela ministra para justificar a devassa nos gastos de FH, a auditoria e o acórdão do TCU aprovados em 2006 não fazem ressalva ao período do governo passado nem pedem investigação. Ao contrário, apontam pagamentos em duplicidade na gestão do presidente Lula.
Em minoria na CPI do Cartão Corporativo, a oposição já estuda novas estratégias para tentar obrigar Dilma a dar explicações sobre o suposto dossiê. A principal alternativa em análise é a apresentação de um novo requerimento de convocação da ministra - desta vez, para ser votado no plenário do Senado. Neste domingo, parlamentares do PSDB e do DEM reagiram com indignação às críticas de Dilma à CPI e à afirmação da ministra de que "tem mais a fazer" do que depor sobre o uso dos cartões e o vazamento de despesas do governo tucano. ( Conheça os integrantes da CPI )
" Dilma não respeita o Congresso. Ela revelou mais uma vez seu autoritarismo "
- A ministra Dilma não respeita o Congresso, acha que a CPI não tem importância. Ela revelou mais uma vez seu autoritarismo e falta de apreço pelas instituições democráticas - atacou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Outra alternativa em estudo para obrigar Dilma a depor é a apresentação de requerimentos nas comissões permanentes do Senado. Se esses planos falharem, restaria ressuscitar a idéia de uma CPI exclusiva, sem a participação dos deputados e com uma correlação de forças mais equilibrada.
- Já temos as assinaturas necessárias. Continuaríamos em minoria, mas a discussão seria travada em outro nível, com gente que tem biografia a preservar - afirmou.
Futuro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes classificou neste domingo como "covardia" o vazamento de informações sigilosas do suposto dossiê.
- Fazer vazamentos aproveitando-se de uma posição funcional ocasional parece-me realmente de uma covardia constitucional lamentável. Qualquer cultura de dossiê é uma cultura antidemocrática. Se, de fato, se pratica essa política de levantamentos indevidos de dados para vazar, com esse intuito de dossiê, é lamentável - disse Gilmar Mendes, que no dia 23 de abril assume a presidência do STF.
O ministro afirmou que, se for confirmada a prática, caracteriza a quebra de regras do Estado de direito.
- Se amanhã um servidor de banco usa da sua prerrogativa para vazar informação, se um servidor da Receita Federal, da Policia federal ou se qualquer outro agente público o faz, temos uma prática lamentável e uma quebra de regras muito clara do Estado de direito - criticou.
Ricardo Noblat - Blog do Noblat - link (aqui)
Dilma é mãe duas vezes
Lula, o problema é o seguinte, meu filho: seu primeiro governo foi salpicado de escândalos. Mal começou o segundo e já tem escândalo novo na praça: o do dossiê montado na Casa Civil da presidência da República para chantagear a oposição e impedir que a CPI Mista do Cartão Corporativo cumpra com o seu dever. Assim não dá. Resolve sua crise.
Sem essa de apresentar a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, como coitadinha, vítima de “fogo amigo” disparado pelos que se opõem à sua candidatura à sucessão de Lula. Sem essa de que ela possa ter sido traída por seu braço direito no ministério, a secretária-executiva Erenice Guerra, a quem delegou a tarefa de montar um “banco de dados” a respeito de despesas do governo com cartão feitas de 2002 para cá.
Por conta própria, Erenice teria recuado no tempo para acrescentar despesas do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. E produzido um dossiê de 13 páginas com informações pinçadas sob medida para constranger Fernando Henrique e a ex-primeira-dama Ruth Cardoso, intimidar a oposição interessada em investigar as chamadas contas sigilosas do período Lula, e esvaziar a CPI do Cartão.
De fato, Dilma é mãe duas vezes. Do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), conforme escolha de Lula, e do dossiê que lista entre outras coisas a compra de 144 lixas de unha, 30 toucas de banho, 24 sabonetes infantis, bacalhau e vinhos finos, além do aluguel de carros e o valor do salário da ex-chef da cozinha do Palácio da Alvorada, Roberta Sudbrack. Por ora não se sabe quem é o pai do dossiê.
Sabe-se que a primeira pista pública sobre a disposição do governo de se defender atacando foi dada pelo ministro Franklins Martins, da Comunicação Social, no dia 6 de fevereiro último. Ele disse: “Ninguém colocará o governo nas cordas. Vamos abrir o suprimento de fundos desde lá atrás". Foi uma advertência que pode ser traduzida assim: se querem apurar o que fizemos vamos apurar o que se fez no governo passado.
Criado em 1998, o cartão corporativo para uso em serviço de autoridades da administração federal foi implementado pelo decreto 3.892 de agosto de 2001. Antes dele existia um fundo que bancava despesas sigilosas do governo. Foi a esse fundo que se referiu Martins. Somente a partir de 2003 permitiu-se o uso do cartão para saques em dinheiro vivo. A ministra da Igualdade Racial perdeu o emprego por causa de um desses saques.
Os gastos com cartão se multiplicaram desde o primeiro ano do governo Lula. Foram de R$ 8,7 milhões em 2003; R$ 13 milhões em 2004; R$ 20,9 milhões em 2005; R$ 34,6 milhões em 2006; e R$ 78 milhões em 2007. Quer dizer: em cinco anos os gastos com cartões cresceram quase 900%. Dos R$ 78 milhões gastos no ano passado, R$ 58 milhões foram sacados na boca do caixa por cerca de 11.500 funcionários. Uma farra. Que deu em CPI.
Ela, que parecia mortinha, ganhou sobrevida com a história do dossiê. Ainda haverá muito barulho por lá. Mas a folgada maioria de votos da base aliada impedirá a aprovação pela CPI de qualquer requerimento capaz de causar danos mais graves ao governo. Convocação de Dilma para depor? Esqueça. Dilma anunciou que tem mais o que fazer do que perder tempo respondendo a senadores e deputados.
Quem manda o Congresso desfrutar da confiança de apenas 0,5% dos brasileiros, segundo a mais recente pesquisa do Instituto Sensus? Mesmo assim, se quiser, e por maioria simples de votos,o Senado poderá convocar Dilma para depor. Ela deve explicações à beça. Uma delas: por que em 20 de fevereiro passado disse a 30 industriais paulistas que o governo levantava informações sobre gastos com cartão na Era FHC? Outra: por que atribuiu ao Tribunal de Contas da União a paternidade do levantamento? O tribunal negou.
Se necessário Lula sairá em defesa de Dilma, como saiu em defesa de José Dirceu e de Antonio Palocci, abatidos no rastro de outros escândalos. Mas se surgirem novos fatos que a incriminem, tchau e benção para ela, que Lula não é de ir para o inferno com ninguém.
Plano B para a sucessão de Lula - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Com a chancela do Planalto, acordo fechado por Tarso Genro põe Sérgio Cabral no jogo em 2010
BRASÍLIA E RIO - O apoio do governador Sérgio Cabral ao candidato do PT à Prefeitura do Rio, Alessandro Molon, ultrapassa as fronteiras da disputa municipal e embute uma estratégia planejada para o cenário pós-Lula. Com a chancela do Palácio do Planalto, o acordo foi fechado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e põe Cabral, do PMDB, no jogo da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.
Apesar de figurar como candidato natural à reeleição, daqui a dois anos e meio, Cabral fortaleceu-se, nos últimos tempos, como uma das opções de Lula para compor a chapa presidencial na condição de vice de um concorrente do PT.
O assunto é tratado com discrição no Planalto, no momento em que o governo tenta proteger a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - preferida de Lula para sua própria sucessão -, dos ataques da oposição e do fogo amigo petista em meio à CPI dos Cartões Corporativos.
Articulador do acordo no Rio, o gaúcho Tarso também procura se credenciar para a disputa de 2010, embora sua entrada no páreo não conte com o entusiasmo de Lula, que prefere vê-lo como candidato ao Senado. "Eu nunca conversei com Dilma sobre a candidatura do PT em 2010, até porque ela não está integrada a nenhuma corrente do partido, e me sinto à vontade para me mover na cena política, independentemente da questão sucessória", afirma.
Na prática, porém, ao assumir o vácuo na articulação política do governo, o ministro da Justiça tenta construir uma alternativa para deslocar o eixo da política café-com-leite, protagonizada por São Paulo e Minas. De quebra, a atuação de Tarso tem o objetivo de anabolizar seu grupo, Mensagem ao Partido, na disputa interna do PT.
A meta é avançar sobre o território do antigo Campo Majoritário, que sempre ditou a linha de ação da legenda sob a batuta do ex-ministro José Dirceu, hoje seu arquiinimigo. Detalhe: Alessandro Molon é da Mensagem ao Partido. "Esse movimento do Cabral, apoiando um candidato do PT à Prefeitura do Rio, muda o processo político no País em direção a 2010, hoje determinado pelos acontecimentos de São Paulo e Belo Horizonte", diz Tarso.
"O governador se torna uma referência incontestável para ocupar espaço em qualquer chapa nacional e o Rio deixa de ser uma cidade de contendas paroquiais para interferir no projeto futuro, porque surgirão outros acordos baseados na relação entre o PT e o PMDB".
O governo avalia que, quanto mais parcerias fechar agora com o PMDB, vai tirar dividendos do racha tucano não só nas eleições municipais de outubro como na disputa presidencial de 2010. Nesse jogo pragmático, vale tudo. Em São Paulo, por exemplo, o PT negocia com o antigo desafeto Orestes Quércia - a quem acusou de corrupção num passado não muito distante - para obter apoio do PMDB à candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy, à prefeitura.
Em Belo Horizonte, Lula procura uma saída para unir a base aliada, dividida depois do polêmico namoro entre o PT do prefeito Fernando Pimentel e o PSDB do governador Aécio Neves, que querem se unir na eleição da capital mineira.
Na avaliação de Tarso, porém, o acordo para a prefeitura do Rio indica que Cabral vai influir no projeto pós-Lula "tanto como Aécio e o governador de São Paulo, José Serra". Para fechar a dobradinha entre o PT e o PMDB no Rio, Cabral engavetou a pré-candidatura de seu secretário de Esportes, Eduardo Paes.
Até a véspera do anúncio do apoio a Molon, há uma semana, Paes era tido como candidato inamovível. Cabral se encontrara com José Dirceu, que estava no Rio, e chegou a pedir apoio ao petista para seu secretário, num eventual segundo turno contra o senador Marcelo Crivella (PRB), líder das pesquisas.
'Candidatura de Dilma em 2010 está morta', diz analista - Estadão online - link (aqui)
Marco Antonio Villa diz que ministra ficou enfraquecida e que agora virou a 'madrasta do dossiê'
Andréia Sadi, do estadao.com.br
Villa lembrou a impunidade nos escândalos do governo e disse que, sem apuração, aparecerão ainda "inúmeros dossiês". "Existe uma verdadeira central de fabricação de dossiês na Casa Civil , afinal são dezenas de assessores que não tem o que fazer, e querem chantagear a oposição. Mas acho que nada será apurado e teremos inúmeros dossiês, o que é um enorme desserviço a sociedade, porque despolitiza a sociedade", criticou.
O analista diz ser possível que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa vir a se candidatar em 2010 e não tenha que transferir seus votos a algum candidato. No entanto,não acredita em uma mudança constitucional.
"Pode ser que ele não transfira os votos em 2010, pode ser que ele mesmo seja o candidato. Depende muito da situação eleitoral até o fim deste ano. Acho difícil ele propor uma alteração constitucional, mas não acho impossível. Isso vai depender como os candidatos o desempenho.Mas é claro que vai influenciar as eleições (de 2010)", disse.
Para Villa, o presidente terá dois candidatos, um do PT e outro dos partidos de sustentação. " Tudo indica que o governo terá mais de um candidato e colocará toda máquina a favor do candidato", disse.
Renata Lo Prete - Painel - Folha de São Paulo - link (aqui)
Temporada de caça
É numa lista restrita, formada por não mais de seis nomes, que a Casa Civil está procurando o responsável pelo vazamento de informações sobre despesas da Presidência de Fernando Henrique Cardoso -em nada relacionadas ao material requisitado pela CPI dos Cartões Corporativos ou ao pedido de registros feito pelo Tribunal de Contas da União. Alega-se que, por questões funcionais, não haveria mais gente do que isso com acesso à papelada no estágio em que ela chegou ao conhecimento da imprensa.
Enquanto repisa publicamente a tecla de que "nunca existiu" dossiê, o Palácio do Planalto concentra o esforço interno na identificação desse funcionário.
Rotineiro. No Planalto, a ordem é demonstrar situação de tranqüilidade. Tanto que a reunião de coordenação política, que normalmente acontece às segundas-feiras, foi adiada para amanhã, graças a mais uma viagem de Lula.
É tudo seu. A CPI começa a receber amanhã as cópias dos registros de despesas com cartões corporativos e contas tipo B feitas pelos ministérios desde 1998. Só o Planejamento, cuja papelada nem é das mais volumosas da Esplanada, enviará cem caixas à presidente da comissão, Marisa Serrano (PSDB-MS).
Bedel. Em reunião no Planalto com secretários-executivos dos ministérios, o número dois do Planejamento, João Bernardo Bringel, disse que seria obrigado a notificar Marisa Serrano caso algum dos presentes demorasse a entregar sua parte no trabalho.
Ficção. A parcela da oposição que ainda aposta alguma ficha na CPI dos Cartões se esforçará para obter cópias de notas fiscais apresentadas para justificar despesas. Dizem que há casos de falsificações grosseiras de datas e valores.
Valdo Cruz - Folha de São paulo - link (aqui)
Perguntar não ofende
Documento que lista gastos anódinos e exóticos da época de Fernando Henrique Cardoso no Planalto, vários deles relacionados a "dona Ruth", assim descrita naquilo que o governo Lula classifica de banco de dados.
Será que a Casa Civil remeteria oficialmente um texto que, de repente, grafa em maiúsculas a compra de CERVEJA CERPA, UNHA FÁCIL, DESODORANTE ROLL-ON e ÓLEO PARA O CORPO? Meio assim que, diríamos, para dar destaque especial àqueles gastos.
Ou que, num campo chamado observações, informa que foram adquiridas 70 garrafas de vinho para atender viagens presidenciais do tucano? Documento que claramente foi criado a partir de três arquivos diferentes. Basta conferir a digitação do dossiê, quer dizer, banco de dados.
Alguém, pelo visto, criou lá no Planalto uma pequena degustação daquilo que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) chama de banco de dados com 20 mil vezes mais informações, montado para ser encaminhado à CPI caso necessário. A pedido de quem? Endereçada ao paladar de quem?
Elaborada nas dependências da Casa Civil, seu ordenador foi alguém lotado por ali. Só isso já cheira mal. Um trabalho mais republicano deveria se limitar a compilar dados, tal como eles são, sem interpretações e destaques.
Como desabafava um governista, o problema é que a amostra do "banco de dados" vazou. Era para ficar sigilosa, como munição para amedrontar a oposição.
Afinal, se algo for enviado oficialmente à CPI dos Cartões, aquelas 13 páginas seguramente não estarão na remessa -só pra responder a perguntinha lá de cima.
fernando de Barros e Silva - Folha de São paulo - link (aqui)
SÃO PAULO - Para quem, há menos de uma semana, chupava sorvete de tapioca em plena CPI, não há como negar que a oposição progrediu nos últimos dias. Sua situação hoje, miserável que ainda seja, faz recordar um verso famoso de Carlos Drummond: "Mas tens um cão".
Chame-se o vira-lata pelo apelido oficial -"banco de dados"-, como quer a ministra Rousseff, ou pelo nome próprio -"dossiê"-, o fato é que ele ameaça morder, pela primeira vez, os calcanhares da todo-poderosa. Mesmo que nada mais lhe aconteça, Dilma já ficou de repente mais parecida com Zé Dirceu. O episódio aproxima sua imagem do lado sombrio da Casa Civil.
É pouco provável, porém, que este escândalo -mais um para o museu do governo Lula- venha ter maiores conseqüências, além de provocar rosnados e latidos éticos.
É triste, mas a oposição é incapaz de ir além dos perdigotos cívicos disparados a esmo pelo senador Arthur Virgílio, essa miniatura amazônica do lacerdismo tardio.
Mais sério, no entanto, é o descaso prepotente da ministra, que deu uma banana à CPI: "Temos mais o que fazer". Rousseff invoca uma suposta trabalheira do cargo para justificar certo desdém pelo jogo democrático. Faz o cidadão de idiota.
Não é preciso muito para perceber que esse e outros abusos estão escorados na popularidade celestial de Lula, digna de um régulo asiático. O lulismo promove a consagração perversa da máxima vocalizada pela "Ópera dos Três Vinténs" (1928), de Brecht: "Primeiro vem o estômago, depois a moral".
O governo usa o êxito de público e a satisfação da clientela que formou na base da distribuição de esmolas para se desobrigar eticamente.
Como quem se vê além do bem e do mal, Lula faz graça para Severino e homenageia em público Renan, o bom companheiro. Empresta seu prestígio ao atraso, de quem se fez sócio, enquanto seu governo cuida da gestão "moderna" da miséria, sem mexer com os poderosos. A alguns pode até parecer teatro épico. Mas é a velha chanchada brasileira.
Sinopse dos principais jornais - link (aqui)

Jornal do Brasil - Hospitais de guerra abrem hoje no Rio
Folha de São Paulo - Serra mantém favoritismo para 2010
O Estado de São Paulo - CPI dos cartões terá dados que complicam ministros
O Globo - Tribunais do tráfico desafiam sociedade
Gazeta Mercantil - Está na baixa renda a maior oportunidade para os bancos
Correio Brasiliense - Câmara paga até enxoval para imóveis funcionais
Valor Econômico - Captação no exterior se mantém, mas custo sobe















