sábado, 12 de abril de 2008
Bar é arte

Before Her Appearance ( La Toillete )
Oil on canvas ( 1913 )
The Cummer Museum of Art and Gardens , Jacksonville, FL, USA
Vitor Hugo - Blog do Noblat - link (aqui)
Lenha na fogueira
O presidente da República fez esta semana uma manobra digna de bambas nos arriscados "pegas" de automóveis em cidades como Brasília e Salvador. Dirigindo em velocidade, ele pisou no breque e deu meia volta na pista quando já começavam a ganhar pressão os treinos de palanque da ministra Dilma Rousseff, um dos nomes do peito à sua sucessão. Lula pediu silêncio à ministra-chefe da Casa Civil e "mãe do PAC", em relação ao dossiê vazado do Planalto sobre gastos dos cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique, da ex-primeira dama Ruth e ex-ministros tucanos.
Com esse "cavalo de pau" estratégico, Lula tenta evitar que se amplie o desgaste da imagem de um dos quadros mais importantes do seu governo e do PT. Principalmente do flagrante insucesso da ministra - em palavras e gestos - na entrevista coletiva em que deveria oferecer respostas sobre o caso do "banco de dados" dos cartões, mas que praticamente se resumiu a uma tentativa desastrada de desqualificar matéria do jornal Folha de S. Paulo sobre o assunto, que somou interrogações graves ainda à espera de explicações convincentes e plausíveis.
Mas o recolhimento proposto a Dilma, ao lado de outras manobras como a entrevista do vice-presidente Zé Alencar propondo "em nome do povo" a permanência do presidente no poder além dos limites constitucionais de prazo do seu segundo mandato (2010), passa outra incômoda sensação: a de que, no fundo, o que se pretende mesmo é ocultar outro problema, de mais curto prazo, mas com o mesmo poder explosivo.
Segundo zumbidos entre paredes de gabinetes importantes próximos do palácio cheio de infiltrações e "gambiarras" - prestes a ser desocupado para obras de restauração -, é crescente uma preocupação extra nesta história intrincada. A de reforçar a barreira de proteção e evitar que olhares curiosos da imprensa e da oposição se voltem de novo - mais atentamente desta vez - para a personagem identificada na origem do furdunço do dossiê dos cartões: Erenice Alves Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, braço direito de Dilma.
Quem acompanhou, de olhos bem abertos, a movimentação de Erenice à sombra da ministra em episódios políticos e crises mais recentes - a convulsão nos aeroportos seguida da "fritura" impiedosa e do desembarque do Ministro da Defesa, Waldir Pires, do governo, por exemplo - sabe: a executiva instalada no Palácio do Planalto desde que Dilma Rousseff tomou posse do território antes ocupado pelo ex-ministro Jose Dirceu, faz jus ao sobrenome bélico.
Erenice Guerra vem de longe na administração pública ao lado da atual ministra-chefe da Casa Civil. Ela enfeixa nas mãos poder de sobra desde o tempo do setor elétrico, ampliado ultimamente por sua atuação em uma das áreas mais delicadas na estrutura e na estratégia de atuação do governo federal. E Erenice "não é mole" - a expressão é de gente que conhece de perto seu jeito e sua atuação.
Isso pode significar, garantem observadores mais antigos e atentos dos jogos de guerra palacianos no atual governo, desde a apontar o dedo ou gritar ameaçadora na cara de ministro, até conduzir a produção de "dossiê preventivo", para minar ou deixar fora de combate, reais ou imaginários adversários tidos como potencialmente mais difíceis, perigosos ou sem mais serventia para os insondáveis desígnios do poder.
Os sussurros escutados nesses últimos dias em Brasília, mas que começam a se propagar por outras áreas mais distantes do País, como a Bahia, indicam: se a secretária executiva da Casa Civil, braço direito da mais poderosa ministra do governo - até aqui preservada em redoma de silêncio - fosse levada a falar, poderia entornar de vez o caldo e os planos dos que almejam preservar a ministra Dilma Roussef como alternativa petista de peso e viabilidade à sucessão do presidente Lula.
Que Erenice fale e o quanto antes. Isto é tudo que oposicionistas - principalmente os do DEM - mais desejam abertamente. Muitos petistas rezam também para que isso aconteça: dissimulada, mas ardentemente, enquanto nos bastidores as facções de tudo quanto é lado - da Bahia ao Rio Grande do Sul, de São Paulo a Pernambuco - se batem e atiçam lenha na fogueira para desgastar e tornar o nome da ministra Dilma carta fora do baralho da sucessão logo em seus primeiros, precipitados e infelizes movimentos de rua e de palanque.
Brasília e o resto do País fervem com os lances mais recentes na guerra reavivada dos cartões corporativos. A chegada às bancas - e aos sites políticos - das grandes revistas semanais, acelera os batimentos na tomada de pulso em círculos do de pau" do presidente Lula na pista molhada escorregadia do Planalto, mais e maiores emoções parecem se insinuar no horizonte.
Ou não, como diria o baiano famoso da MPB.
Bar é poesia - Beni Soares
Duas meninas
(Beni Soares)
Uma é fina e delicada, outra é grossa abrutalhada
Uma é torre bem guardada outra é porta escancarada
Uma é um anjo de candura, outra é bisca endiabrada
Tenho cá duas meninas muito bem diferenciadas
Uma pede leite quente, outra quer pinga gelada
Uma lê livros sagrados, outra faz pornochanchadas
Uma dança minueto, outra só dança lambada
Tenho cá duas meninas muito bem diferenciadas
Uma toma guaraná, outra vive embriagada
Uma dorme de pijamas, outra só dorme pelada
Uma é musa inspiradora outra é gata debochada
Tenho cá duas meninas muito bem diferenciadas.
Observo todas duas procurando entender
E percebo finalmente pra desassossego meu:
Cada uma é metade de uma soma que sou Eu!
Bar é poesia - Carolina Vigna
Angústias de Uma Espera
(Carolina Vigna)
Deixei o telefone no máximo na esperança de você ligar.
Percorri bares, restaurantes, esquinas, lares.
Te escrevi dezenas de cartas que nunca entreguei.
Arrumei a casa.
Comprei roupa.
Fui aos lugares que você freqüenta.
Tentei largar o cigarro.
Me perfumei.
Me tornei feminina.
Mudei meu horário.
Emagreci.
Amei os teus.
Te liguei, disseram que tinha saído.
Te pedi, você não respondeu.
Fiz planos.
Comprei espartilho, cinta-liga e lingerie.
Te fiz cafuné.
Me fiz disponível.
Consertei a cama.
Comprei lençóis.
Fiz cópia da chave para o caso de você ficar.
Tomo pílulas para o caso de você querer.
Carrego sua foto na minha carteira.
Aprendi a andar no seu bairro.
Chorei por você.
Ri com você.
Ri de você.
Não me importei com seu atraso.
Inventei você ao meu lado.
Te convidei para entrar.
Te convidei para ficar.
Te contei tanto.
Te dei a chave.
Te desejei.
Te atrapalhei.
Te sufoquei.
Te matei.
E você nem percebeu.
As guloseimas secretas do Aerolula - Estadão online - link (aqui)
Foram US$ 80 só em chiclete na ida aos EUA
Reveladas pelo deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) e apresentadas à CPI dos Cartões, as despesas serão usadas agora pelos partidos de oposição como arma para abrir o sigilo dos gastos feitos pelos cartões de crédito corporativo da Presidência da República.
"Essas despesas com sorvetes e canapés deixam claro que o sigilo da Presidência esconde pagamentos que não deveriam ter nada de secreto", afirma o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
"Não tenho dúvida de que o sigilo que resguarda despesas que envolvem a segurança do presidente também protege gastos desnecessários. Essas despesas parecem explicar por que dentro do governo tem havido tantos gastos duvidosos, como compras em free shop", citou Maia, referindo-se às suspeitas levantadas contra a ex-ministra da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial Matilde Ribeiro que levaram à sua demissão.
O ministro-chefe do Gabinete da Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, criticou a revelação desses gastos secretos feitos na viagem de Lula aos EUA. E repetiu em seu depoimento à CPI dos Cartões que o sigilo desse tipo de gasto preserva a segurança do presidente.
Nas despesas com os cartões corporativos, a maioria dos gastos da Presidência tem seu conteúdo vedado. De acordo com dados obtidos no Portal da Transparência, apenas em 2007 a Secretaria da Presidência teve um total de gastos sigilosos de R$ 3.845.111,36. Incluída dentro da rubrica da Presidência da República, as despesas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também de conteúdo secreto, foram mais altas ainda no ano passado: R$ 11.556.642,08.
Diminutivamente
Dossiê é Dilma
Uma coleção de fatos havidos
Foi guerrilheira?
Foi brizolista?
Foi ...?
Encadernada com capa dura
Para rimar com ditadura
Mas...
Na mira dos holofotes
Gagueja, gesticula, e apequena
Dilma
Outrora Estela
Hoje um dossiê de ministra
Bar é poesia - Micheliny Verunschk

Premissa perdida de Paracelsus
(Micheliny Verunschk)
A alquimia das cozinhas
Se assemelha
À alquimia de escrever
E esta, por sua vez
À alquimia de pintar:
Digo do tempero ( A têmpera )
Das palavras,
Seus cheiros de orégano e coentro
E ainda das claras aquarelas
Batidas em neve
( Os conté, alvaiades e aguadas,
Seus doces e seus vinagres... )
Digo da transmutação
E também da mimésis camaleônica
Que tudo transforma,
Tudo com(funde):
Alimento,
Letra,
Tinta...
DDD - Dona Dilma Deprimida - Cláudio Humberto - Gazeta de alagoas - link (aqui)
CRISE DEIXA DILMA DEPRIMIDA
DANDO UMA FORÇA
ENVERGONHADA
‘EU NÃO SABIA’
TRAPALHADAS FRAGILIZAM FRANKLIN
IDÉIA DE JERICO
DEMISSÃO?
Sebastião Nery - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Amador, o governador
Quando Jânio Quadros, em 62, se candidatou pela segunda vez ao governo de São Paulo contra Ademar de Barros, seu vice era o brigadeiro Faria Lima. Laudo Natel saiu candidato sozinho, pelo PR, em faixa própria. No último mês da campanha, estava clara a vitória de Jânio.
Amador Aguiar, o homem do Bradesco, telefonou para o ex-presidente e marcou encontro na casa de um funcionário do banco. Jânio foi com José Aparecido. Amador queria que Jânio retirasse a candidatura Faria Lima para apoiar Laudo, diretor do Bradesco e presidente do SPFC:
- Dr. Jânio, sei que sua campanha está com muitas dificuldades financeiras. Poderia resolver o assunto e assim seriam eleitos o senhor e o Laudo, que eu trouxe comigo para o senhor conhecer pessoalmente.
- Meu caro, estou eleito. O povo já manifestou sua preferência. Mais uma vez, doutor Amador, vou ganhar em São Paulo e em todas as grandes cidades. Nem vou mais às pequenas, porque não precisa. Está na hora de ver quem é ou quem não é meu amigo, para não haver queixas depois.
- Mas, presidente, o Laudo está mais forte do que o Faria Lima. Juntos, daremos uma surra no Ademar.
- Não posso, meu caro. Não posso trair o Faria, que é meu amigo dileto. Dileto. Di-le-to, entendido?
Laudo Natel
Na ponta da mesa, pequenininho, baixinho, calado, Laudo não tugia nem mugia. Jânio chamou-o para sentar-se mais perto:
- Doutor Laudo, o senhor já foi candidato antes a alguma coisa?
- Não, presidente. Não gosto de política. Foi seu Amador quem mandou. Abaixo de Deus, é o pai que eu conheci.
- Mas de futebol o senhor gosta. É presidente do São Paulo.
- Também não gostava. Foi o seu Amador que mandou. Abaixo de Deus, foi o pai que conheci. O senhor não imagina o homem bom que ele é.
O acordo não foi feito. Jânio perdeu por 123 mil votos (das pequenas cidades, que menosprezou). E Laudo (quer dizer, seu Amador, o pai) ganhou.
Paulo Egydio
Estranha, misteriosa a imprensa paulista. Paulo Egydio, ex-ministro, ex-governador de São Paulo, dos mais importantes líderes do estado no último meio século, fez um longo, minucioso, forte e histórico depoimento, de 45 horas gravadas, a uma consagrada equipe de pesquisadores do Cpdoc da Fundação Getulio Vargas (Verena Alberti, Ignez Cordeiro de Farias e Dora Rocha), editado em um livro de 600 páginas: "Paulo Egydio conta".
Os jornalões paulistas, a quem Paulo Egydio sempre foi tão ligado, esnobaram o livro e não lhe deram a repercussão que merece, certamente pela maneira corajosa e precisa de contar histórias de que eles talvez se envergonhem, como a forma humilhante com que os militares tratavam o orgulhoso estado e a brutalidade das violências e torturas da ditadura.
Quando, há 40 anos, no fim da década de 60, contei essa história do Jânio com Laudo Natel e Amador Aguiar, alguém escreveu que não podia ser verdade. E eu estava impedido de citar a fonte, que era o Zé Aparecido. Agora, vem o Paulo Egydio e confirma tudo, citando situações piores.
Ademar
1 - "Sábado (5.6.66), às 9 da manhã, fui ao palácio (das Laranjeiras, no Rio) e recebi (era ministro da Indústria e Comércio) a comunicação da cassação de Ademar. Castelo me recebeu, expôs a razão e disse que estava estudando o nome de um interventor, porque o vice-governador, Laudo Natel, segundo informações, não merecia confiança para assumir o cargo.
- Presidente, o senhor não faça isso, porque São Paulo ainda está extremamente sensível à intervenção do Getulio em 30. Se o senhor fizer isso, vai unir São Paulo contra seu governo.
- Mas as informações que eu tenho não são boas.
- Presidente, embora não conheça muito bem o Laudo Natel, não vejo muito problema. Mas chamo sua atenção para o lado político, porque é muito sério o que estou lhe dizendo".
Castelo
2 - "Aí, ele mandou chamar Golbery (chefe do SNI) e Geisel (chefe da Casa Militar). A reunião passou a contar com a presença dos dois. Voltei a expor que achava um erro muito sério intervir no estado e impedir que o vice assumisse. Afinal, Castelo interrompeu a reunião e disse:
- O senhor está trazendo um fato novo, que vamos ter que repensar. Quero que o senhor permaneça aqui no palácio até uma nova convocação".
3 - "À tarde, mandou me chamar, na presença de Golbery e Geisel:
- Ministro, estivemos ponderando suas objeções e decidimos acatá-las. Aceitamos a substituição do governador Ademar pelo vice Natel. Mas com condições, e o senhor vai ficar encarregado de fazer com que elas sejam cumpridas. Primeiro: nós vamos indicar quem vai ser o secretário da Fazenda (foi Delfim). Segundo: nós vamos indicar quem vai ser o secretário de Segurança (foi o general Fragoso). Terceiro: quem vai assumir o comando da Polícia Militar é o coronel João Batista Figueiredo".
4 - "Amador Aguiar era um excêntrico para todos nós. A presença dele na minha primeira reunião com o Laudo me causou certa estranheza. Mas todas as minhas reuniões com o Laudo contaram com a presença dele. Em algumas ocasiões, Laudo reagiu ao recado que eu trazia e o elemento de equilíbrio sempre foi o Amador". (Termina terça, inclusive mostrando erros.)
Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Três enormes problemas que devoram o Brasil
Amazônia, "DÍVIDA" interna e externa, falta de investimento em infra-estrutura
Apesar da euforia que surge de setores não muito bem esclarecidos, a verdade é que os problemas brasileiros vão se agravando de forma assustadora. Enquanto os institutos de pesquisa (todos sem exceção) colocam a popularidade do presidente lá no alto, o governo está longe de acompanhá-lo. O Brasil vive um momento de completa contradição, como esse de um presidente em ascensão e de um governo (que ele chefia) omisso ou até mesmo em retrocesso visível e decepcionante.
Começa pelo ministério com 37 senhores ministros, o que torna impossível qualquer providência direta do presidente. Como conversar, orientar, influenciar 37 ministros? O presidente logicamente não tem tempo disponível, os ministros em muitos casos nem sabem o que estão fazendo, o que deveriam ou poderiam fazer. Absurdo total.
Os ministérios deveriam ser apenas aqueles que têm no nome a finalidade e objetivo. Ministério da Saúde, Educação, Habitação, Ferrovia, Hidrografia, Rodovia, acabando com o inútil (e falsamente abrangente) Ministério dos Transportes. Esse ministro da Igualdade Racial (que era secretaria, passou a ministério para o titular não perder o mandato), qual é o seu objetivo?
O presidente Lula tem se destacado no plano externo acumulando ou conquistando um prestígio inegável e precioso, mas no plano interno é apenas gozador ou bravateiro, não tem realmente vitórias para festejar. Seguidamente, com ar de quem está tripudiando, Lula costuma perguntar: "E a dívida externa, ninguém fala mais nela?". Não demora, vai fazer a mesma pergunta sobre a "dívida" interna, dois cancros que devoram o País.
Na área econômica e financeira, inicialmente deveria acabar o inútil Ministério do Planejamento, já que não há planejamento algum. Não houve no passado, não há no presente. Deveria criar 3 ministérios: o dos Investimentos Novos, da Dívida Externa e da Dívida Interna. O primeiro regularia a entrada de capitais verdadeiros (e antecipados) para investimento e desenvolvimento, em vez desse capital-motel que não serve para coisa alguma.
O Ministério da DÍVIDA EXTERNA explicaria ao cidadão que essa "dívida" não diminuiu, apenas trocou de lugar. Como os juros da DÍVIDA Interna são muito mais saborosos, os "prestamistas" liquidam a parcela externa, ficam com a interna. O Ministério da DÍVIDA INTERNA mostraria ao cidadão que esses 90 BILHÕES que o governo diz que ECONOMIZA todo ano são apenas uma parte surrupiada para pagar juros. Como esses juros estão em 150 BILHÕES por ano, uma parte ENORME continua aumentando a DÍVIDA, descalabro.
Um ministério imediato e prioritário: o da Amazônia. De preferência ocupado por um general da ativa, como é o caso do general Heleno Augusto, comandante da própria Amazônia, mas sem Poderes. Esse ministério seria indispensável, principalmente no momento em que a ONU pretende criar 216 PAÍSES só na Amazônia. E o próprio general Heleno Augusto já declarou que as tropas da Amazônia "não têm equipamento, só sucata da Segunda Guerra Mundial".
Depois da descoberta de 7 mil quilômetros quadrados desmatados, o almirante Gama e Silva (um dos maiores conhecedores da Amazônia) me disse: "Helio, a Amazônia é maior do que a Índia e o Paquistão juntos". E acrescentou: "Só falam na Amazônia legal, que é uma ficção". Não fizeram nada, índios fecham estradas de 6 da tarde às 6 da manhã, ninguém passa. Madeireiros fazem a mesma coisa, apanhados em flagrante, ARMAM milhares de pessoas, ficam absolutos. Sem falar nos plantadores e exportadores de soja. A terra é deles e não do povo.
PS - Enquanto abandona a riqueza maravilhosa da Amazônia, o governo finge que pagou a "DÍVIDA" externa, de 182 BILHÕES. Não pagou nada, "guardou" exatamente 182 BILHÕES de impostos para "remunerar" os assaltantes multinacionais-globalizantes.
PS 2 - Saldanha Marinho, em 1891: "Esta, realmente, não é a República dos nossos sonhos". 115 anos depois, continua não sendo.
Lula escala publicitário João Santana para orientar Dilma - Estadão online - link (aqui)
Presidente tenta preservar ministra da Casa Civil na guerra que se abriu no Planalto por causa do dossiê
Vera Rosa
"Não sei qual o incômodo que as pessoas podem ter com a Dilma", afirmou o presidente, ontem, durante entrevista em Haia, na Holanda. Ao ser questionado se a chefe da Casa Civil ainda está forte, Lula respondeu com outra pergunta: "E qual a razão para ela não estar forte?" Com um discurso recheado de elogios à ministra, o presidente insistiu em que Dilma é "extremamente importante", além de "coordenadora excepcional", com "função primordial" no governo. "É a mulher que faz o PAC acontecer 24 horas por dia, e por isso eu disse que ela é a mãe do PAC."
Lula sabe, porém, que o episódio do dossiê - chamado no Planalto de "banco de dados" - causou grande desgaste à imagem da ministra, que, apesar da turbulência, continua sua favorita para disputar a sucessão presidencial de 2010. Foi para blindá-la que ele pediu a assessoria de Santana. O marqueteiro dá orientações a Dilma desde o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro de 2007. A crise do dossiê, porém, aproximou ainda mais os dois.
Santana aconselhou Dilma a sair da defensiva e enfrentar a oposição: ontem mesmo, a ministra mandou ofício à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, aceitando prestar esclarecimentos sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte e as obras do PAC. O publicitário também orientou a chefe da Casa Civil a manter sua agenda administrativa como gerente do PAC.
Vestindo esse figurino, Dilma participará da abertura do encontro de prefeitos do PT, na segunda-feira, em Brasília. Três dias depois, acompanhará Lula na viagem a Belo Horizonte para inaugurar novo lote de obras do PAC.
Mesmo assim, o governo vai tirar Dilma da vitrine eleitoral até a temperatura da CPI dos Cartões baixar. "Dilma exerce uma função primordial no governo como coordenadora da administração, das execuções dos projetos, e faz isso com uma competência que, eu diria, poucas pessoas são capazes de fazer", argumentou Lula. Ao destacar que a ministra continua forte, ele também fez uma deferência a Dilma, bastante diferente daquela prestada ao ex-poderoso ministro José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005. Motivo: lembrou que sempre dizia não existir ministro forte no regime presidencialista.
O vazamento de dados secretos do governo FHC agravou a briga de grupos no Planalto, como revelou o Estado ontem. Em conversas reservadas, servidores ligados a Dirceu afirmam que Dilma berra, humilha e distribuiu broncas na Casa Civil. Segundo eles, os ataques de nervos atingem não apenas funcionários como importantes secretários e ministros. Sustentam, ainda, que a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, cumpriu ordem de Dilma para montar o dossiê antitucano e repassou a determinação aos subordinados.
Na outra ponta, funcionários mais afinados com Dilma querem jogar a crise no colo do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), levado para o cargo por Dirceu em janeiro de 2003.
Em mais um dia sem dar entrevistas, sob alegação de que só falará depois de concluída a investigação da Polícia Federal sobre o vazamento do "banco de dados", Dilma viajou ontem para Porto Alegre, enquanto a agenda divulgada à imprensa garantia que ela passaria o dia em "despachos internos".
Supremo pode reduzir extensão da reserva Raposa Serra do Sol em RR - Estadão online - link (aqui)
Tribunal terá de decidir entre manter demarcação contínua ou dividir área em ilhas, o que diminuiria o tamanho
Luciana Nunes Leal
A expulsão dos arrozeiros foi suspensa pelo STF, em caráter liminar, a pedido do governo de Roraima. Antes disso, a Polícia Federal havia enviado cerca de 500 agentes para o Estado, o que acirrou o ambiente de conflito. Protestos de agricultores resultaram em bloqueio de estradas e até em destruição de pontes.
Na última quinta-feira, o relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, disse que o Supremo terá de decidir entre a permanência da demarcação contínua, definida pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva em 2005, ou a divisão da reserva em "ilhas", áreas menores e não coligadas, como pedem na Justiça prefeituras e donos de propriedades da região.
A demarcação fracionada implicaria a diminuição do tamanho total da reserva.
"São muitos os temas que se agitam nessa discussão. Nós vamos ter a oportunidade, quando do julgamento do mérito, de equacioná-los. São temas delicados que se contrapõem", declarou o relator, sem dar pistas sobre o parecer. Segundo a assessoria de imprensa do STF, há 33 ações em curso sobre a Raposa Serra do Sol.
Na batalha judicial em torno da reserva, chamou a atenção dos ministros a constatação do governador de Roraima, José de Anchieta Junior, de que 46% do território do Estado é formado por reservas indígenas, o que significa que está sob a guarda da União.
Há um entendimento de que as dimensões são exageradas, o que prejudica o Estado.
INTERVENÇÃO BRANCA
O futuro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, lembrou que o atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, quando ocupou o Ministério da Justiça, no governo Fernando Henrique Cardoso, recomendou o modelo de ilhas em vez da faixa contínua.
"A demarcação contínua é algo inusitado, jamais visto neste País", afirmou Gilmar Mendes. "É claro que daria ensejo a esse tipo de resistência", completou.
O ministro Celso de Mello fala em "desestadualização de Roraima". O relator Ayres Britto vê um retorno à condição de território. "Nos perguntamos se não significaria intervenção branca. Um terrritório transformado em Estado agora regride à situação de território na medida que a União caminha para se apossar de metade da área de Roraima", diz Ayres Britto.
PRAZO
Integrante do Supremo desde 2004, o ministro Eros Grau diz que é o processo de maior conflito social que já analisou no tribunal.
"A situação é delicada. Fico perplexo diante desses fatos. Desde que estou aqui, este talvez seja um dos processos mais complexos do ponto de vista das tensões sociais. É preciso resolver esta questão definitivamente o quanto antes", disse Eros Grau.
A promessa de Gilmar Mendes é o mérito esteja julgado até o fim deste primeiro semestre.
Ruy Castro - Folha de São Paulo - link (aqui)
Pela primeira vez
RIO DE JANEIRO - Em 1962, Vinicius de Moraes estreou em livro como cronista, com a publicação de "Para Viver um Grande Amor". Os que já o adoravam como poeta sentiram que, se quisesse, ele sustentaria um mano a mano com os então bambas do gênero: seus amigos Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Elsie Lessa.
Foi também em 1962 que Vinicius escreveu suas últimas canções com Tom Jobim -"Ela é Carioca", "Só Danço Samba", "Garota de Ipanema" -e as primeiras com Baden Powell: "O Astronauta", "Consolação", "Samba da Bênção". E em que produziu belezas em série com Carlos Lyra, como "Primavera", "Minha Namorada", "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas" e outras.
Idem, em agosto daquele ano Vinicius subiu pela primeira vez a um palco para cantar: o da boate Bon Gourmet, em Copacabana, no show "O Encontro", com Jobim, João Gilberto e Os Cariocas. Semanas antes, aplacando uma velha paixão pelo cinema, ele dirigira um filme, "Azul e Branco", um curta-metragem sobre os azulejos de Portinari no Ministério da Educação, no Rio.
Sempre em 1962, Vinicius juntou-se a dois de seus heróis na música brasileira: Ary Barroso, com quem compôs "Rancho das Namoradas", e Pixinguinha, de quem foi parceiro em doze canções para o filme "Sol sob a Lama", de Alex Vianny, entre elas o choro "Lamento" e o samba "Mundo Melhor". E, quase na virada para 1963, gravou seu primeiro LP como cantor: "Vinicius & Odette Lara", inaugurando o selo Elenco. Grande ano de estréias para Vinicius.
Mas o destino não deixa barato. Ao ir embora, 1962 marcou também o fim de seu casamento com a mulher que, segundo dizem, ele mais amou: a bela, culta e fina Maria Lucia Proença, musa de "Para Viver um Grande Amor". Tristeza não tem fim, felicidade, sim.
Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)
Fim de papo?
HAIA - O mundo inteiro está assustado com o aumento da inflação, especialmente com os preços da comida. Tão assustado que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, está até propondo que o G7, o clubão dos sete países mais ricos do mundo, prepare algum pacote para enfrentar o fenômeno.
Todo mundo assustado, menos Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo segundo dia consecutivo, em sua visita oficial à Holanda, o presidente brasileiro insistiu numa tese que, embora essencialmente correta, deixa de lado alguns detalhes absolutamente relevantes.
A tese é esta: a alta de preços dos alimentos se deve ao fato de que "tem mais gente comendo mais". É verdade. No mundo inteiro. Logo, quando à maior demanda não corresponde aumento da oferta, sobem os preços. É um teorema mais antigo que o mundo.
A resposta ao fenômeno, segundo Lula, é produzir mais. Diz que o Brasil vai procurar a auto-suficiência no trigo e deve produzir mais arroz e mais milho. Ótimo, mas, enquanto não aumenta a produção, o que fazer? Lula não responde, a não ser com a tese de que a inflação é motivo de "alegria", porque há mais gente comendo mais. Alegria boba. Para ser genuína, o certo seria mais gente comendo mais sem fazer disparar a inflação. O que está ocorrendo em inúmeros países muito pobres é o contrário. A alta de preços fez cair o consumo.
Segundo problema: Lula propõe que países ricos unam-se a países como o Brasil, grande produtor agrícola e de avançada tecnologia na área, para aumentar a produção nos países mais pobres. É uma proposta tão generosa quanto impraticável em um mundo em que predomina o egoísmo, inclusive entre lideranças políticas.
Não é culpa de Lula, mas o Brasil certamente tem mais a oferecer, nesse tipo de tema, do que uma fuga para a alegria.
Sinopse dos principais jornais - link (aqui)

Jornal do Brasil - Cidade da Música: R$ 1 milhão todo mês
Folha de São Paulo - Lula dá aval a aumento de juros
O Estado de São Paulo - STF pode reduzir extensão de reserva indígenade Roraima
O Globo - Lula já admite que taxa de juros volte a subir
Correio Brasiliense - Crônica de um crime que o país inteiro julga, mesmo sem provas
















