domingo, 4 de maio de 2008

Bar é arte


John Willian Godward ( 1861 - 1922 )

The Tambourine Girl - Oil on canvas ( 1906 )

Lute - Hoje em dia - Belo Horizonte (MG)

Dora Kramer - Estadão online - link (aqui)


Intenção e gesto

Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso na semana passada pela primeira vez foi veemente na manifestação de apoio à postulação de Geraldo Alckmin para prefeito de São Paulo.

"Ele não vai abrir mão da candidatura, e eu estou com ele", afirmou FH, justamente no momento em tese mais impróprio para dizer o que não havia dito até então.

O governador José Serra e o ex-senador Jorge Bornhausen haviam conseguido atrair Orestes Quércia, e com isso o PMDB, para uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab, num reforço de peso à candidatura que Fernando Henrique já dissera ser a sua predileta.

Todo mundo notou que a idéia era esvaziar politicamente a postulação de Alckmin e levá-lo espontaneamente à desistência.

Todo mundo viu também que Alckmin resistiu, anunciando para segunda-feira a confirmação de seu nome na disputa.

Afora os ativistas mais vistosos de sua causa, ninguém no PSDB se manifestou convictamente em seu favor. No plano nacional, só o senador Tasso Jereissati, que não perde uma oportunidade para marcar suas diferenças com o governador Serra.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, ficou discreto, o governador de Minas, Aécio Neves, nem levantou os olhos de seus afazeres aliancistas em Belo Horizonte e as bancadas tucanas no Congresso caladas estavam, caladas ficaram.

Nem parece que há um candidato do partido sendo tacitamente assediado a desistir em favor de um candidato de outra legenda. Ao contrário: o que se ouviu foram as vozes de vereadores e secretários municipais tucanos reforçando a tese da aliança com Kassab na cabeça.

Então, por que logo Fernando Henrique, um adepto da programação Serra presidente, Kassab prefeito e Alckmin governador em 2010, pede a palavra para ir contra a maré de maneira tão assertiva quanto isolada?

Talvez porque na atividade política, mais do que em qualquer outra, em geral a fala expressa o avesso do que vai à alma do autor, naquele cantinho onde repousam suas verdadeiras intenções.

Note-se, por exemplo, a firmeza das negativas verbais do presidente Lula em relação à possibilidade de continuar no poder, vis-à-vis a frouxidão dos gestos efetivos para levar os correligionários a enterrar de vez o tema.

E o que dizer das atuais mesuras da oposição aos partidos aliados de Lula, em contraposição aos discursos no Parlamento, classificando a base governista com insultos tais como vendida?

Pois é a essa categoria de assimetria entre as intenções e os gestos que parece pertencer a fala de Fernando Henrique. "Estou com Alckmin", diz.

Não está. Mas, na impossibilidade de fazer a luta livre, joga xadrez. Cerca o "lourenço" de gentilezas táticas, valoriza seu passe, prestigia a candidatura, mas, de concreto, é só.

Onde a movimentação de tucanos de alta patente para demonstrar real apoio à candidatura de Geraldo Alckmin? Em lugar nenhum. O que se observa mesmo é uma torcida para a composição na undécima hora, mas nas bases pretendidas por José Serra, com Alckmin fora da disputa.

Na mesma entrevista, Fernando Henrique manifesta "confiança" na rejeição do presidente Lula ao terceiro mandato. "O presidente tem declarado que é contra, e confio nele", diz. Não confia, mas no momento é o que convém dizer.

Não interessa à oposição banalizar ainda mais o tema, que já está perdendo a condição de tabu, como demonstram os 50% favoráveis à idéia registrados na última pesquisa CNT/Sensus, quando eram 65% os que a rejeitavam na pesquisa Datafolha de dezembro último.

Quando o presidente de honra do PSDB diz que "está" com Alckmin, mas isso não corresponde a uma demonstração robusta de apoio partidário, só há duas conclusões possíveis: ou está em marcha a dita saída honrosa ou a candidatura é mesmo "irreversível" como afirma FH, e a intenção é caracterizar a rendição diante do que não tem remédio e, portanto, remediado está.

O teste de tal apoio se dará mais à frente, quando será possível observar se o grau de engajamento do PSDB, FH à frente, na campanha de Geraldo Alckmin em 2008 será maior ou menor que o empenho tucano na campanha presidencial de José Serra em 2002.

Boa lembrança

Leitor da capital paulista escreve para sugerir à Força Sindical que faça a gentileza de informar de onde sai tanto dinheiro para patrocinar as festas de 1º de Maio com shows de artistas caros, sorteios de casas e apartamentos.

Os filiados aos sindicatos da central certamente nada têm a opor, pois devem esperar o ano todo pela chance de ganhar um dos preciosos prêmios.

Mas, considerando o trânsito de verbas oriundas dos bolsos de todos na contabilidade das centrais, mediante convênios e agora o repasse de parcela do imposto sindical - sem fiscalização do Tribunal de Contas, diga-se -, o assunto é do interesse, mas talvez não seja do agrado público.

Clayton - Jornal O Povo - Fortaleza (CE)

Riscos mais à frente - Folha de São Paulo - link (aqui)



O grau de investimento leva euforia a mercados, mas crescimento de passivo externo exige atenção de autoridades

OS INVESTIDORES domésticos e internacionais correram às compras de papéis brasileiros. Esse foi o efeito imediato e previsível da decisão da Standard & Poor's que elevou a grau de investimento sua classificação de risco acerca da dívida pública brasileira. A Bovespa atingiu recordes de valorização.
O selo de investimento seguro estimula a entrada de recursos externos e, assim, tende a facilitar o financiamento da dívida pública e do investimento privado. Espera-se, em médio prazo, redução dos juros domésticos e sua convergência com os praticados no exterior.
Esses fatores favoráveis, contudo, devem ser matizados. No curto prazo, juros domésticos ainda elevados podem atrair um fluxo de capitais especulativos e desencadear um novo ciclo de valorização do real. Se a ascensão da moeda nacional favorece o controle da inflação, reduz a competitividade da economia brasileira, com repercussões deletérias nas contas externas.
Impulsionado pela forte queda da diferença entre exportações e importações, o saldo em transações correntes com o restante do mundo se deteriora em velocidade surpreendente. No primeiro trimestre registrou déficit de US$ 10,7 bilhões.
Segundo o Iedi ("think tank" ligado à indústria), o superávit comercial do setor fabril, que caiu de US$ 29,8 bilhões em 2006 para US$ 18,8 bilhões em 2007, vem sendo obtido graças a exportações de baixa intensidade tecnológica. No segmento de alta tecnologia houve déficit de US$ 14,8 bilhões em 2007, ao passo que o setor de média-alta tecnologia (em que está o complexo automobilístico) ficou negativo em US$ 10,3 bilhões.
O financiamento imediato do déficit em transações correntes não parece problemático. Pode ser realizado com o fluxo de investimento direto, a entrada de capital de curto prazo destinado à compra de ações na Bovespa e de títulos públicos, e a contratação de novas dívidas. Mas é preciso atentar para a evolução, a médio prazo, dos estoques de ativos internos e externos do país.
A dívida externa total do país voltou a subir. Aumentou de US$ 215,5 bilhões em março de 2007 para US$ 254 bilhões em março de 2008, acréscimo de quase US$ 40 bilhões. Essa dívida responde, porém, apenas por uma parte do passivo externo da economia brasileira -ou seja, do conjunto de compromissos em moeda estrangeira. Este monta a US$ 885,2 bilhões, de acordo com o dado mais recente divulgado pelo BC, de setembro de 2007. O ativo externo (os investimentos de brasileiros no exterior, incluindo reservas internacionais) alcança US$ 342,1 bilhões. O resultado é um passivo externo líquido de US$ 543,1 bilhões.
Obter moeda estrangeira em escala e velocidade suficientes para arcar com essa posição externa negativa será crucial para evitar, no futuro, rupturas dramáticas como as que vivenciamos reiteradas vezes nas últimas décadas. Isso requer atenção para o patamar da taxa de câmbio, bem como políticas agressivas de fomento às exportações.

Charge do dia


Aroeira - O Dia - Rio de Janeiro (RJ)

Comercial antigo - Kibon com Lídia Brondi e Angelina Muniz - 1981

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - O poderoso Meirelles

Folha de São Paulo - Violência é o principal medo dos paulistanos

O Estado de São Paulo - Governo analisa restrição à entrada de dólar especulativo

O Globo - Eleições terão recorde de impugnações no Rio

Correio Brasiliense - Papeleiras mudam a paisagem gaúcha