segunda-feira, 12 de maio de 2008

Nana Caymmi canta Ponta de Areia - 1985


Frank - Folha do Espírito Santo - Cachoeiro do Itapemerim (ES)

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Vazou, mas quem mandou?

BRASÍLIA - Passou o fim de semana e a pergunta não foi respondida: quem vazou o dossiê sobre os gastos do governo Fernando Henrique com cartões corporativos foi o secretário de Controle Interno da Casa Civil, mas quem mandou? Nessa estranha lógica que comanda a ilegalidade em todo o País, deve-se buscar para baixo e não para cima. Terá sido o contínuo que serve cafezinho no quarto andar do Palácio do Planalto? Algum motorista de alguma autoridade desconhecida?

Não temos poupado aqui, há tempos, o ex-ministro José Dirceu, por todas as lambanças que fez. Mas é piada centralizar o noticiário no fato de que José Aparecido Nunes Pires foi nomeado para a função pelo ex-chefe da Casa Civil. Há quantos anos ele deixou o cargo? Quem foi responsável pela manutenção do indigitado funcionário? A quem ele respondia, em especial quando se decidiu organizar o tal banco de dados a respeito dos gastos do governo anterior?

Não duraram 24 horas o estado de euforia que cercou o depoimento de Dilma Rousseff no Senado. De novo, ela volta ao olho do furacão, porque se determinou ou se concordou com o vazamento, o fato só não será pior do que se não soubesse de nada. Ignorar o que se passa à sua volta é prerrogativa do chefe maior, e, se ela segue seu exemplo, pior para todos.

A gente fica pensando se tivéssemos mesmo oposição no País, onde estariam hoje as instituições? Certamente em frangalhos, caso encontrássemos Carlos Lacerda ou, mesmo, o PT dos velhos tempos, empenhados em elucidar a mais nova trapalhada dos tempos modernos.

Sustentável para quem?

Um dia depois do lançamento pelo presidente Lula do programa Amazônia Sustentável, simples reunião dos planos há décadas lá executados, prepara-se o senador Pedro Simon para fulminar as ilusões governamentais. Sustentável para quem, a Amazônia? Só se for para os estrangeiros, porque eles continuam adquirindo imensas glebas na floresta. E autorizados por lei sancionada pelo presidente Lula, no início de seu primeiro governo.

Qualquer gringo pode candidatar-se à posse de até 90 mil hectares amazônicos por 40 anos, renováveis por mais 40, lá se tornando verdadeiros reizinhos, podendo explorar madeira, ou seja, queimar a região, além de poderem prospectar e retirar do subsolo o que bem entenderem, sem falar na manipulação medicinal da flora para patentear suas riquezas além de nossas fronteiras.

Além disso, para obter empréstimos em bancos estatais, oferecerão como garantia as terras arrendadas até a terceira geração. O grave, dirá Pedro Simon num contundente discurso programado para amanhã, é que tudo acontece sob a égide do governo Lula, com o aval dos companheiros.

São todas governamentais

Para confirmar a farsa da existência das ONGs que se dizem não governamentais, mas mamam nas tetas do governo, eclodiu a crise envolvendo o deputado Paulo Pereira da Silva, do PDT. A pergunta que não quer calar é sobre a reação de Leonel Brizola se estivesse entre nós. Porque a lambança promovida pelas ONGs fajutas, em muito maior número do que as sérias, transformaram-se num meio de vida para os parasitas agarrados ao poder.

E olhem que o número de ONGs conduzidas pelo PDT é infinitamente inferior ao daquelas funcionando sob os auspícios do PT. Tem gente ganhando dinheiro aos montes, o que faz parte do sistema capitalista, mas dinheiro do governo, o que caracteriza corrupção da grossa, em especial quando se trata de entidades-fantasma, que nem serviços prestam à população.

Fôssemos um país sério e o Congresso já teria votado lei determinando que nenhuma ONG, direta ou indiretamente, poderia receber recursos do poder público, mesmo através de entidades financeiras ou empresariais dirigidas pelo governo. Nem Banco do Brasil, nem Petrobras, nem Caixa Econômica e, muito menos, nem o BNDES. Constituem-se empresas não governamentais, que vão buscar doações na iniciativa privada.

O problema é que em maioria as ONGs têm sido fundadas e são geridas por companheiros e penduricalhos, estes encontrados em todos os partidos da base de apoio oficial. Trata-se de expediente mais simples do que sair atrás de nomeações para o serviço público, feitas aos montes, porém mais complicadas. As ONGs sequer estão obrigadas a prestar contas do dinheiro que recebem do governo. Negócio melhor que o dos cartões corporativos.

Reorganização

Em linguagem militar existe uma situação denominada "parada para reajustamento de dispositivo". Ela acontece quando a tropa acaba de avançar e conquistar terreno adversário, em meio à natural confusão da conquista. Mas também ocorre no sentido oposto, ou seja, depois de um recuo ou de uma retirada tática necessária. É preciso reorganizar os pelotões, companhias e batalhões dispersos para que se contem as baixas e se tenha a relação do material bélico perdido ou aproveitável.

Assim estão as oposições, postas a correr depois do recente depoimento de Dilma Rousseff no Senado. Mesmo atirando, depois de conhecido o autor do vazamento do dossiê, não há como negar que os oposicionistas estão perdendo a batalha. Assim, necessitam de tempo para se recompor. Está sendo organizado um conciliábulo, de preferência secreto, com a participação dos principais líderes do PSDB, DEM e legendas menores, sem esquecer os dissidentes do PMDB. Torna-se necessário rever planos e revisar táticas, para manter viva a estratégia capaz de conduzir as oposições à vitória em 2010. Fora daí, será preferível a rendição, para poupar vidas.



Marco Aurélio - Zero Hora - Porto Alegre (RS)

Oposição anuncia nova ofensiva para levar Dilma à CPI - Estadão online - link (aqui)


Deputado cita 'fatos novos' na investigação do dossiê e promete apresentar amanhã pedido de convocação

Luciana Nunes Leal e Marcelo de Moraes

A oposição vai apresentar amanhã à CPI dos Cartões um novo requerimento para que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deponha na comissão. O deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) afirmou ontem que, apesar de a CPI já ter rejeitado a convocação de Dilma uma vez, agora "há fatos novos" na investigação do dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O deputado referia-se à sindicância interna da Casa Civil que apontou como responsável pelo vazamento de informações o secretário de Controle Interno, José Aparecido Nunes Pires.

"É um subordinado da ministra envolvido. Não há como ela não ir à CPI", disse Vic Pires. A oposição também vai pedir a convocação da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, braço direito de Dilma e apontada como operadora da coleta de dados para o dossiê.

Na avaliação dos oposicionistas, a vida política de Dilma vai se complicar porque a sindicância, se apontou o suposto responsável pelo vazamento, também revelou que ela mentiu ao depor, na quarta-feira, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. A ministra insistiu na tese de que ninguém produzira um dossiê e havia apenas um banco de dados em formação. Mas desde segunda-feira passada, dois dias antes de depor no Senado, ela já sabia que havia um dossiê repassado por Aparecido a André Eduardo da Silva Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Oposicionistas consideram que isso vai comprometer a condição de Dilma como pré-candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de aprofundar as dificuldades de relacionamento político na base aliada. Consideram ainda que ao depor no Senado, Dilma exagerou nas informações sobre o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para esconder as informações sobre o dossiê e José Aparecido.

Se a CPI dos Cartões não conseguir convocar a ministra e ficar apenas com os depoimentos de funcionários de segundo e terceiro escalões, os trabalhos tendem a definhar.

Pires disse ao Estado que também vai requerer a convocação de Fernandes para depor. O assessor confirmou quinta-feira ter recebido o e-mail de Aparecido com o dossiê anexado.

A CPI já tem um requerimento de convocação do secretário de Controle Interno na fila de votação. Antes da conclusão da sindicância interna, Vic Pires tinha pedido o comparecimento de Aparecido para esclarecer dúvidas sobre informações do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Casa Civil - o secretário é funcionário de carreira do tribunal cedido à Casa Civil. "Se não for aprovado esse primeiro requerimento de convocação, vou apresentar um segundo, diante desses novos fatos", afirmou o deputado.

RESISTÊNCIA

Apesar do desempenho de Dilma na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, enfrentando abertamente PSDB e DEM, Lula sabe que não arrefeceu a queixa básica contra a ministra entre os partidos da base aliada - a de que ela ainda precisa aprender a fazer política. Até mesmo no caso do dossiê ela tem sido considerada excessivamente voluntariosa, tomando decisões sem consultar assessores.

Até agora, quando faz política Dilma fica longe de ser uma unanimidade entre os aliados. No mês passado, ela influiu nas articulações para atrair partidos da base para a candidatura da deputada Maria do Rosário (PT-RS) à Prefeitura de Porto Alegre. Ao fazer isso, ajudou a desmontar parte do arco de alianças que estava sendo formado pela deputada Manuela D?Ávila (PC do B), que também quer concorrer ao cargo.

A direção do PC do B tinha justamente definido a campanha de Porto Alegre como uma de suas prioridades, e não escondeu o aborrecimento pelo que considerou como interferência indevida da ministra.

A base governista também torce o nariz para o jeito como a ministra encara os pleitos de aliados, tanto de indicações para cargos como de liberação de recursos. Dentro do PMDB, essas arestas são fortes. Dirigentes do partido não esquecem as dificuldades impostas por Dilma às indicações para cargos no setor elétrico, depois que o senador Edison Lobão (PMDB-MA) assumiu o comando do Ministério de Minas e Energia.

Dilma não foi atingida diretamente pela oposição em seu depoimento no Senado, mas continuar incólume e manter-se como pré-candidata a presidente dependerá dos desdobramentos do caso do dossiê. Ela sabe que, quando começou a aproveitar lançamentos de obras para apresentá-la como "a mãe do PAC", Lula queria testar sua receptividade entre a população e avaliar a viabilidade política de sua eventual candidatura.

Mas, segundo aliados diretos do presidente, essa disposição era mais uma espécie de desejo do que uma aposta concreta, dada a resistência à ministra entre aliados. Lula sabe dos riscos e, por conta disso, não suspendeu a estratégia de alimentar as esperanças de outros petistas que sonham em sucedê-lo. É o caso dos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Marta Suplicy (Turismo), Tarso Genro (Justiça) e Fernando Haddad (Educação). E também de aliados de outros partidos, como o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro (RJ)

Renata Lo Prete - Painel - Folha de São Paulo - link (aqui)


Por dentro de tudo

A preocupação do governo com o "vazador" José Aparecido Nunes Pires não se restringe às revelações que o funcionário possa vir a fazer, se contrariado, sobre a cadeia de comando que resultou no dossiê de gastos de Fernando Henrique e Ruth Cardoso.
Como se o dossiê não fosse encrenca suficiente, existe o fato de que a Secretaria de Controle Interno da Casa Civil, ocupada desde o início do governo Lula por José Aparecido, é, na prática, a CGU do Palácio do Planalto e de todas as secretarias especiais a ele subordinadas. Ou seja: sabe de tudo o que diz respeito a despesas. Inclusive as do gabinete presidencial.



No preço. No Planalto, já se ouve a avaliação de que, ainda que José Aparecido não surte na CPI, será difícil salvar o braço direito de Dilma Rousseff, Erenice Guerra.

Esquisitão. Finda a era Dirceu, José Aparecido "foi ficando", mas as desavenças com a tropa de Dilma vêm de longe. Um palaciano define seu estilo como "conspirativo".

Charge do dia




Cláudio - Tribuna do Norte - Natal (RN)

Comercial Antigo 1970 - Opala

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - País paga caro por alcoolismo

Folha de São Paulo - Universidade privada não respeita lei de pesquisa

O Estado de São Paulo - Política industrial apóia exportação de software

O Globo - Consumo do Nordeste passa o do Sul e já é 2º do país

Correio Brasiliense - Bancos reduzem oferta de crédito consignado

Valor Econômico - BC perdeu US$ 4 bi com a queda de títulos dos EUA