quarta-feira, 28 de maio de 2008



Ique - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro (RJ)

Brasil investiga a un empresario sueco asesor del primer ministro británico - El País (es) - link (aqui)


Eliasch es sospechoso de promocionar la compra de terrenos amazónicos

JUAN ARIAS / AGENCIAS - Río de Janeiro - 27/05/2008

Los servicios de inteligencia de Brasil investigan al empresario sueco Johan Eliasch, consultor del primer ministro británico, Gordon Brown, por una supuesta promoción de compra de 160.000 hectáreas de tierra en el Estado amazónico de Mato Grosso, según un informe reservado de la Agencia Brasileña de Inteligencia (Abin), revelado ayer por el diario O Globo.

El empresario sueco supuestamente celebró entre 2006 y 2007 varias reuniones con empresarios ingleses para animarles a comprar grandes extensiones de la selva amazónica. Incluso llegó a mencionar el precio total por el que se podría adquirir toda la Amazonia brasileña: 50.000 millones de dólares.

El flamante ministro de Medio Ambiente, Carlos Minc, que hoy toma posesión de su cargo, se declaró ayer "impresionado" con la noticia y ha prometido que su ministerio se va a unir al de Justicia en la investigación del caso.

La ONG Cool Hearth fue fundada en 2006 por el parlamentario laborista Frank Field, quien se asoció con el empresario multimillonario sueco Johan Eliasch, que hasta septiembre pasado militaba en el Partido Conservador y después pasó a ser asesor del primer ministro Brown.

El Gobierno brasileño ha demostrado en más de una ocasión su preocupación por las actividades de algunas ONG extranjeras que actúan en la Amazonia, en apariencia para su conservación, pero que en realidad suelen servirse de la libertad de que gozan para exportar especies autóctonas o para adquirir terrenos donde se sospecha que existen yacimientos de oro o diamantes.

Los servicios secretos brasileños alertan desde hace tiempo sobre la compra por parte de empresarios extranjeros de grandes parcelas de selva. Según dichos servicios secretos, los extranjeros tratan de colocar el tema de la preservación del medioambiente en la Amazonia por encima de la soberanía brasileña sobre ese territorio.

Precisamente a este asunto se refirió ayer el presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, al asegurar que el dueño soberano de la Amazonia es el pueblo brasileño y que así debe ser entendido por el resto del mundo.

El mandatario realizó estas declaraciones durante la inauguración de un foro en Río de Janeiro, donde añadió que el debate de los próximos años en Brasil será precisamente el desarrollo de la región amazónica.

Lula dijo que es "gracioso" que los países que más desean hablar sobre la conservación de la Amazonia sean los que están acusados de producir la mayor contaminación del mundo.

"El mundo necesita entender que la Amazonia brasileña tiene dueño y el dueño es el pueblo brasileño. Son los recolectores de caucho, pescadores y nosotros, que somos brasileños", subrayó.

La reciente dimisión de Marina Silva, una militante de la defensa de la selva amazónica, como ministra de Medio Ambiente provocó comentarios en varios países sobre la capacidad de Brasil de gestionar y cuidar por sí mismo la mayor selva del mundo.


André Macedo - Diário Popular - Pelotas (RS)

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)



O presidente dos Estados Unidos da América do Sul

BRASÍLIA - Uma dúvida paira sobre Brasília: partiu de Mangabeira Unger ou de Carlos Minc a estranha proposta feita pelo presidente Lula, segunda-feira, de um Banco Central único e de uma única moeda para todos os países da América do Sul?

Porque, com todo o respeito, idéia tão esdrúxula quanto inviável só pode mesmo ser da lavra de um desses dois ministros aloprados. É a velha história de que a velocidade do comboio é dada pelo navio mais vagaroso. Que tal subordinarmos nossa política monetária aos interesses do Suriname ou da Guiana? Quem sabe ao Paraguai ou a Bolívia?

Se for feita uma votação entre os doze países, imaginem qual a denominação que vencerá para designar a nova moeda? Ganha o "peso", de goleada. Passaremos a raciocinar em "pesos", mas qual será o seu valor diante do dólar e do euro? Haverá nivelamento completo ou teremos o "peso brasileiro" diante do "peso uruguaio"? A conversão das diversas moedas sul-americanas numa só contemplará os países mais endividados? E a inflação se refletirá em nossas dívidas pública e externa? Mais uma vez seremos bonzinhos com nossos vizinhos?

É bom tomar cuidado e encontrar uma forma de calar sugestões desse teor, porque a próxima, pela lógica, só poderá ser a criação dos Estados Unidos da América do Sul. Nessa hora, talvez prevaleça a importância política, territorial e econômica do Brasil. E quem será o primeiro presidente do novo país? Ora...

O colete à prova de balas

Aconteceu a posse de Carlos Minc no Ministério do Meio Ambiente. Dentro de suas peculiaridades, o sucessor de Marina Silva não deixou de comparecer usando um de seus significativos coletes, mas há quem suponha, diante da presença do ministro Mangabeira Unger, que foi um colete à prova de balas. O tiroteio entre os dois não parou nem vai parar tão cedo.

Desde que cogitado para ministro, Carlos Minc produziu propostas as mais inverossímeis e até hilariantes, quase todas mandadas para o espaço assim que anunciadas. Da transformação do Exército em Guarda Florestal à mudança da destinação da Amazônia, para se tornar um vasto jardim botânico, o ecologista de Ipanema vem surpreendendo, tanto quanto agredindo o bom senso.

Nada mudou, emergiu uma nova leva de idéias capazes de despertar tanto surpresas quanto aplausos, a menos que o ministro tenha submetido seu discurso ao crivo do presidente Lula, de lápis vermelho na mão.

Discutiu-se segunda-feira se a cerimônia no Palácio do Planalto deveria ou não ser aberta à imprensa, mas o sigilo valeu muito pouco, porque logo depois houve a transmissão do cargo, na Esplanada dos Ministérios. Parecia impossível isolar a mídia, como mais difícil ainda evitar a atração de Minc por microfones.

Esse novo capítulo da novela melhor ficaria se passado em Sucupira. Lances de drama e de comédia andam sobrepondo-se, não devendo faltar até mesmo as Irmãs Cajazeira.

O MST virou artigo de exportação

Os órgãos de inteligência já haviam detectado faz muito, mas, agora, a informação ganhou os jornais: o MST amplia sua ação e sua ideologia para países vizinhos. Primeiro foi na Bolívia, mas ninguém deu bola, tão estranha parecia a incursão nos meandros da política externa de Evo Morales. Agora o fenômeno acontece no Paraguai, onde acaba de intensificar-se a ação de nossos "hermanos" sem-terra, estimulados por consultores a serviço de João Pedro Stédile.

Vale de início a rotineira ressalva de todos os dias em que abordamos o MST. Trata-se do movimento social mais importante verificado entre nós em muitas décadas. Um exemplo de organização, como também um grito de justiça. Nada mais louvável do que a luta dos sem-terra por um pedaço de chão, em meio ao paraíso do latifúndio tantas vezes improdutivo.

É claro que abusos têm acontecido, como a invasão de fazendas produtivas e a ocupação de prédios urbanos, sem falar na interrupção do tráfego em rodovias e ferrovias, espaços insuficientes para neles realizar a reforma agrária.

Agora, é bom tomar cuidado quando o MST começa a dar filhotes, utilizando os mesmos processos injustificáveis aqui praticados. No Paraguai, o alvo está sendo a terra mais do que produtiva dos chamados "brasiguaios", gente que atravessou a fronteira, adquiriu fazendas, paga impostos e dedica-se à agricultura e à pecuária. Assim como os fazendeiros de cá, os de lá também estão se armando.

Qualquer dia acontecerá uma chacina em castelhano, igual às aqui verificadas em português. Será de menor importância saber quem começou, se os jagunços a serviço dos donos da terra ou se os sem-terra empenhados em atropelar a lei.

E com o agravante de que no Paraguai, como no Brasil, existem milhares de hectares improdutivos, cabendo aos respectivos poderes públicos fazer o que não fizeram até hoje: distribuir terras, dar assistência aos novos proprietários e integrá-los na sociedade que até agora os rejeitou. Só que não dá para começar invadindo fazendas onde se planta, se trabalha e se produz. Especialmente quando pertencem a brasileiros.

Banqueiros europeus anunciam roubo

Para quem duvidava das intenções de parte do mundo rico e desenvolvido, eis mais uma evidência: um certo banqueiro sueco travestido de inglês, Johan Eliasch, está reunindo potentados europeus para se valerem da abominável lei brasileira de gestão das florestas, adquirindo cada vez mais terras na Amazônia. Chegou a fazer contas, no que parece muito bom, e calculou que 50 bilhões de dólares bastam para comprar toda a região.

Só ele detém 160 mil hectares no Estado do Pará, e continua comprando. Vale-se da nossa legislação lesa-pátria que dá 40 anos, renováveis por mais 40, para o comprador e seus descendentes fazerem o que quiserem com a terra: retirar madeira, explorar a flora medicinal, extrair do solo os minerais que bem entenderem, exportando-os, e, quem sabe, de quebra, manter em cativeiro algumas araras.

Como mr. Eliasch exerce as funções de assessor especial do governo da Inglaterra, é bem provável que numa dessas viagens do primeiro-ministro à América do Sul acabe condecorado pelo Itamaraty.

Por certo que não se trata de uma declaração de guerra, esse convite para os banqueiros internacionais comprarem a Amazônia, mas no reverso da medalha não pode ser ignorada pelo governo brasileiro. É um bandido. Um pirata dos tempos da rainha Elizabeth I. Como reagiriam os ingleses se um banqueiro brasileiro começasse a juntar seus companheiros para adquirir o Big-Ben?


Aroeira - O Dia - Rio de Janeiro (RJ)

Dora Kramer - O Estado de São Paulo - link (aqui)


Desordem dos fatores


O intervalo de duas semanas entre a saída de Marina Silva e a entrada de Carlos Minc no Ministério do Meio Ambiente foi providencial: deu tempo para o presidente Luiz Inácio da Silva reescrever o episódio à sua moda e, assim, apresentá-lo ontem na solenidade de posse, no Palácio do Planalto.

Na prudente distância das homenagens a Marina e das críticas ao tratamento dado a ela pelo governo, Lula pôde inverter a ordem de todos os fatores e oferecer "à companheira" a proteção magnânima reservada aos ofendidos.

Marina Silva só não foi tão elogiada quanto alguns outros que não saíram por vontade própria, mas por ação de algum escândalo. Ainda assim, ouviu palavras de consolo por não ter merecido, "enquanto esteve no ministério", as referências positivas feitas na imprensa quando da repercussão de sua saída.

"Quero confessar: durante cinco anos vi poucas colunas falando bem da Marina", disse Lula, ressaltando o quanto a então ministra "apanhou" da imprensa que, por essa versão, quando não a difamava, se omitia.

"Quantas vezes ela me dizia que tinha dado entrevista, mas não saía nada nos jornais", relatou - sempre com a imagem de uma Marina serena e sisuda, sentada bem atrás dele -, sem esquecer de atribuir também a insatisfação final de Marina ao parco noticiário a respeito do lançamento do Programa Amazônia Sustentável.

Nem uma só palavra sobre a decisão dele, Lula, de entregar a coordenação do PAS ao professor Mangabeira Unger, coincidentemente ontem mesmo um confesso "ignorante" em matéria de Amazônia.

Todas as reclamações internas contra o radicalismo ambiental de Marina e sua equipe, responsabilizados abertamente pela paralisação de projetos de infra-estrutura, na solenidade transformaram-se em intrigas mediante as quais a imprensa, e não o governo quase todo, procurava desgastá-la.

Nem uma só referência, mesmo indireta, à série de embates, por vezes desmoralizantes, que terminaram por fazer Marina Silva no dia 13 de maio entregar o "pescoço" para preservar "o juízo", como avisara dois anos antes.

Nos revides e distorções, o presidente deixou-se trair sobre o que realmente o incomodou na saída da ministra: o noticiário favorável a ela e desfavorável ao governo dele.

Lula falou disso o tempo todo, com o sinal trocado. Quis fazer graça com Marina e Dilma Rousseff e, pretendendo desmentir divergências, confirmou. Apontou para as duas, sentadas lado a lado na cerimônia, que continuaram impassíveis. Dilma ainda ensaiou um sorriso, morto, porém, ao nascer.

E assim Lula foi tentando vencer a silenciosa supremacia de Marina aos trancos, até a metáfora futebolística final, completamente fora do lugar. Ao compará-la a Pelé, o presidente escolheu dois exemplos em que a substituição do craque se revelou um acerto do destino.

Se a idéia era enaltecedora, o resultado foi depreciativo. E revelador no quesito despeito do autor.

Brios seletivos

Uma senadora no exercício da presidência de uma comissão parlamentar de inquérito chama a principal ministra do governo de mentirosa e a ministra, com desdém, mal responde.

A despeito do inusitado da cena, não é o desapreço de Dilma Rousseff pelo Congresso o que chama atenção. Espanta é o repentino desapreço da ministra para com a credibilidade da própria palavra.

Instada a dizer a verdade na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, por uma muitíssimo infeliz comparação do senador Agripino Maia à conduta dela quando militante de esquerda, Dilma resguardou de imediato o seu passado com uma longa reprimenda ao incontinente.

Acusada pela senadora Marisa Serrano de mentir aos senadores em plena democracia, a ministra não exibiu a mesma altiva indignação. "Não respondo a isso", esquivou-se, sucinta.

Quando José Aparecido Nunes Pires a desmentiu, confirmando no Senado a existência do dossiê, a ministra Dilma tampouco se manifestou em defesa de sua palavra.

Calando, não apenas consentiu: mostrou que sua exaltação às virtudes da mentira não se prende a épocas; antes, diz respeito ao modo de ser fiel às causas.

Melhor dizendo

O PT não "vetou" a aliança entre o governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel, em Minas Gerais.

Na segunda-feira, a Executiva petista formalizou o gestual para acomodar as correntes internas mineiras de forma a não fechar desde já o jogo da sucessão estadual de 2010.

Até porque nada garante que daqui a dois anos vá de fato interessar ao PSDB abrir mão do segundo maior colégio eleitoral do País em honra ao compromisso do apoio de Aécio à candidatura de Pimentel.

A aliança para a eleição da Prefeitura de Belo Horizonte prosseguirá entre o PT e o PSB, sem a presença formal do PSDB. Como não há oponente competitivo, o tempo de televisão não faz a menor diferença.

Sinais Particulares - Paulinho da Força

Loredano - O Estado de São Paulo - São Paulo (SP)

Elio Gaspari - Folha de São Paulo - link (aqui)



O sindicalismo trocou de delegacia

O "poder das centrais", como a Caveira de Cristal do Museu Britânico, é uma fraude a serviço de uma lenda

ERA UMA VEZ um pelegaço chamado Joaquinzão (Joaquim dos Santos Andrade, 1926-1997). Ele presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo durante 22 anos, até 1987. Comprava e vendia greves, mas em janeiro de 1976 foi o único presidente de sindicato de metalúrgicos a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército. O sindicalismo do ABC, surgido nos anos 70, considerava-o ícone da corrupção sindical do entardecer da ditadura. Joaquinzão morreu pobre, numa modesta casa de repouso. Todos os seus sucessores, bem como os seus principais adversários, tornaram-se pessoas patrimonialmente prósperas e politicamente poderosas. (Quem quiser pode conferir: ele deixou um carro, uma pequena casa num bairro popular e um sítio.) Lula, seu jovem rival no século passado, preside hoje um contubérnio de sindicalistas com fundos estatais, corredores do Planalto e saletas do Ministério do Trabalho.
Joaquinzão vem ao caso porque ele pode ser considerado o avô do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, aliado parlamentar do Planalto. Joaquinzão entregou o Sindicato dos Metalúrgicos a Luiz Antônio de Medeiros e em dez anos seu sucessor produziu o "sindicalismo de resultados". Dele resultaram a Força Sindical, 11 condecorações civis e militares, dois mandatos de deputado federal e, atualmente, a Secretaria de Relações do Trabalho, na pasta do doutor Carlos Lupi. Assim como em 1986 houve um dia em que Medeiros e Joaquinzão tiveram uma conversa, é provável que em 1990 tenha havido outra, ao fim da qual Medeiros entregou o domínio a Paulo Pereira da Silva, que ficou com o sindicato e a Força Sindical.
Poucos devem ter sido os casos de países onde o movimento sindical passou da delegacia de ordem política à de defraudações no espaço de uma só geração. A julgar pela definição que Lula colou em Lech Walesa ("pelegão"), pode ser que tenha ocorrido algo parecido, em ponto menor, na Polônia. Paulinho da Força capturou a presidência do conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador, fez parcerias milionárias no BNDES, noves fora preciosas alianças eleitorais. Houve um tempo em que o PT colocou no mesmo Codefat um jovem promissor, chamava-se Delúbio Soares.
Fala-se muito no "poder das centrais sindicais". Tudo indica que, como a Caveira de Cristal do Museu Britânico, essa força é uma fraude a serviço de uma lenda. Até hoje, as centrais só conseguiram parar repartições públicas. O "poder das centrais", graças a Lula, será exercido na tunga dos salários dos trabalhadores e dos fundos dos contribuintes. Isso é que se pode chamar de sindicalismo de resultados. Avançam na patuléia e deixam os patrões em paz. Mordem a folha de salários dos trabalhadores, atravessam a rua e param os serviços médicos onde as mulheres dos operários buscam consultas para seus filhos.
Desde que a contabilidade de Paulo Pereira da Silva começou a ser estudada pela Polícia Federal percebe-se que há algo de novo na praça. Durante o collorato, a Força Sindical beliscava o patronato paulista.
Paulinho estatizou os beliscões. Podem acusá-lo de tudo, menos de ter incomodado patrão.

Dálcio - Correio Popular - Campinas (SP)

Melchiades Filho - Folha de São Paulo - link (aqui)



Goiabada de mangaba

BRASÍLIA - O ministro Mangabeira está certo quando afirma que a dicotomia motosserra x ambientalismo não traduz a realidade da Amazônia. Tome-se a largada das campanhas municipais na região.
Nem se insinua o debate ambiental que, em tese, deveria pegar fogo.
No reflexo, diz-se que os políticos caíram reféns dos grandes doadores e por isso ignoram a agenda verde. Ou que são todos farinha do mesmo saco, interessados em se locupletar à custa do agronegócio. Uma leitura menos superficial não deveria ser descartada, porém.
Se não há um governador, prefeito ou candidato de relevância que defenda a preservação incondicional da floresta, talvez seja porque esse tipo de compromisso não dê voto.
A inclusão por meio do consumo (ou a "inflação por demanda") não é um fenômeno restrito aos emergentes das metrópoles do Sudeste.
Por que a Amazônia não haveria de pressionar também por mais carros, cimento, televisores, iogurtes, material escolar e internet?
Ela pressiona, sim, e seus representantes na política também, convencidos de que a plataforma das ONGs (que jogam pelo como-está-fica e sobrevivem da crise) dificilmente atenderá a essas demandas. Nesta sexta, os governadores se reúnem com Lula para pedir mais obras e créditos. A mata? O verbo da moda é "manejar", não "conservar".
Mangabeira já havia se posicionado como ouvidor dos militares -para pendências administrativas (salários, equipamentos) e estratégicas (as Forças nem foram consultadas quando a Justiça demarcou a reserva Raposa/Serra do Sol).
Já tinha, também, se legitimado como canal dos ruralistas, insatisfeitos com o Ministério da Agricultura (frouxo, por exemplo, no caso do boicote da carne pela Europa).
Alçado ao papel de formulador para a Amazônia, ele se diz "ignorante", mas engata o primeiro discurso do governo Lula sintonizado com a sede de crescimento e integração da região. Bobo da corte?

Tiago Recchia - Gazeta do Povo - Curitiba (PR)

CPMF, a revanche - Folha de São Paulo - link (aqui)


Proposta de recriar imposto, promovida pela base de Lula na Câmara, é um acinte diante de tanta gordura tributária

A EMENDA que propunha a renovação do imposto do cheque foi derrubada em dezembro, numa decisão soberana do Senado. A arrancada na arrecadação federal no primeiro terço de 2008 -12% de alta acima da inflação, no mínimo o dobro do ritmo de avanço do PIB, a despeito do fim da cobrança da contribuição- lançou por terra todas as previsões catastrofistas do Planalto acerca dos efeitos do fim da CPMF no Orçamento da União.
Nadando em dinheiro, no primeiro bimestre o governo já abandonara o discurso de "cortar na veia mais uma vez", palavras presidenciais, a fim de custear despesas básicas. Aumentos salariais concedidos a vários setores do funcionalismo denunciaram a mudança dos ventos, no sentido da retomada do galope nos gastos, ditos correntes, com a máquina pública.
Outro dado eloqüente acerca da pujança da receita surgiu ontem, quando foi divulgada a sobra de caixa do governo federal de janeiro a abril. O chamado superávit primário atingiu 5,3% do PIB, acima da meta para todo o setor público (incluindo Estados e municípios), de 3,8%. O resultado está associado ao volume recorde recolhido pelos impostos, e não a um repentino surto de austeridade no Executivo.
Diante de tamanha gordura tributária, é acintosa a tentativa da base governista na Câmara, patrocinada pelo Planalto, de ressuscitar a CPMF, agora rebatizada de Contribuição Social para a Saúde (CSS), a uma alíquota de 0,1% -a da contribuição extinta em dezembro era 0,38%.
As vantagens da CPMF -tributo fácil de arrecadar e que auxilia no combate à sonegação- poderiam ser restauradas no bojo de uma reforma tributária que simplificasse o sistema, tornasse mais justa a arrecadação e diminuísse o peso dos impostos. Seria um modo de respeitar a decisão do Congresso, ancorada na ampla rejeição social ao nível absurdo da carga tributária.
Não é isso, contudo, o que a base governista na Câmara pretende com o projeto que recria a CPMF. Trata-se de resolver à moda clássica, debitando a fatura ao contribuinte e aumentando ainda mais o fardo dos impostos, uma necessidade de gasto novo e duradouro com a Saúde, criada no Senado sob o beneplácito de governistas e oposicionistas. Trata-se, igualmente, da tentativa do lulismo de ir à forra pela derrota sofrida em dezembro.
Esse revanchismo pueril atingiria, porém, outros alvos, o que os deputados deveriam levar em conta antes de corroborar a sandice. A proposta tripudia sobre o inconformismo da sociedade com o nível dos impostos, aumenta o engessamento da despesa pública, chancela a gastança na máquina estatal e retira do setor privado fôlego para investir.
Por tudo isso, a CSS deveria ser fulminada no nascedouro.

Charge do dia



Duke - O Tempo - Belo Horizonte (MG)

Comercial Antigo - Margarina Bonna

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Juro do cheque especial sufoca a classe média

Folha de São Paulo - Lula dá alívio recorde a agricultores

O Estado de São Paulo - Pedida a cassação de Paulinho

O Globo - Aliados dão nome novo para recriar velha CPMF

Gazeta Mercantil - Indústrias trocam produção nacional pela importada

Correio Brasiliense - Uma segunda chance

Valor Econômico - Dividendos crescem 705 e atingem R$ 12,7 bilhões