terça-feira, 24 de junho de 2008

Connie Francis Canta en Español:

Lulu - To Sir With Love (rare clip)

Wild Horses (Ennio Morricone For a few dollars more)

Antonio Banderas - Cancion del Mariachi (Music Video)

Hair - Let the Sunshine In

The Guns Of Navarone theme music

A dissonância

Um Ministério vazio

As Forças Armadas pertinem ao Estado, não ao governo, e nem podem ser governo, essa lição foi muito cara à nação brasileira.

Por óbvio, o Ministério da Defesa deve ter comportamento de Estado, nunca de governo, e menos ainda partidário, quer da base, quer da oposição.

A simples consulta da lista de Ministros, empossados nessa pasta, desde sua criação, nos mostra, o deserto de estadistas, somente comprometidos com a Constituição e o Estado.

Resulta desse fato, a permanência acanhada das diretrizes e "inteligência" nos comandos das corporações.

Quando a própria gênese do Ministério era e deveria ser diversa, produzindo como efeito a total profissionalização das forças, que permaneceriam alheias à pressões de governos, sejam eles quais forem.

O acidente Providência, alerta para a necessidade de rever os critérios de nomeação e conduta dos ministros da área.


Ique - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro (RJ)

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


A legalidade das elites (Parte II)


BRASÍLIA - Hoje, dois terços da população falam por ouvir falar. Quando falam. Os que tinham idade suficiente para entender e até para viver aqueles idos de 1964 continuam divididos. Para uns, tratou-se de um golpe cruel vibrado nas instituições democráticas, ao qual se seguiram 21 anos de ditadura, tortura, censura à imprensa, supressão dos direitos humanos e prevalência do poder econômico sobre os anseios das massas.

Para outros, foi um basta à subversão e à corrupção, uma interrupção no processo de anarquia e de desagregação da sociedade ameaçada pelo perigo comunista expresso pelo próprio governo.

Contradiz-se também a farta literatura produzida de lá para cá a respeito do movimento dito militar. Tanto tempo depois, será preciso atentar para a importância de não dividir o Brasil de quarenta anos atrás entre mocinhos e bandidos, tanto faz a posição de onde se observam aqueles acontecimentos.

Nem as Forças Armadas foram às únicas responsáveis pela truculência verificada nas duas décadas seguintes, nem poderão apenas ser tidas como as mãos do gato, utilizadas pelas elites para retirar as castanhas do fogo. Tiveram sua responsabilidade explícita, exposta através dos governos de cinco generais-presidentes e de duas juntas militares, mas, no reverso da medalha, evitaram o quanto foi possível a transformação do Estado brasileiro em apêndice desimportante dos interesses políticos, econômico-financeiros e até culturais do conglomerado internacional que hoje nos domina, e ao planeta também.

Indaga-se como foi possível cair feito fruta madura um governo democrático, forjado na luta e na resistência de três anos antes em favor do cumprimento da Constituição e da posse do vice-presidente, após o histriônico episódio da renúncia do presidente Jânio Quadros.

João Goulart terá sido derrubado mais pelas suas virtudes do que por seus defeitos, mas estes foram imensos. Ingenuidade, em primeiro lugar, se imaginou que reformas sociais profundas poderiam ser conquistadas no grito, de uma só vez, com as elites conformando-se em abrir mão de seus privilégios sem organizar-se nem resistir.

Depois, ilusão de que as massas dispunham-se a respaldá-lo acima e além dos comícios e da retórica fácil. Acrescente-se a frágil concepção de que, por estar exercendo legitimamente o poder, contaria com a anuência das estruturas que buscava modificar e reformar. A favor delas, deixando as coisas como estavam, obteria sucesso, o que seria uma incongruência para quem pretendia passar à História como um reformador igual ao seu mestre, Getúlio Vargas.

Demonstrou-se, nos eventos de 31 de março e de 10 de abril, a precariedade do poder formal. O "esquema militar monolítico" que defenderia a legalidade só existia na cabeça dos áulicos palacianos. Quando precisou das Forças Armadas para garantir-lhe o direito de continuar governando, João Goulart percebeu havê-las perdido por inteiro.

Parte foi porque admitiu "reformá-las", prestigiando tentativas de quebra de hierarquia. Parte por conta da formidável movimentação das elites econômico-financeiras infensas a perder privilégios. Nesse aspecto, a mídia exerceu papel fundamental, inoculando na opinião civil e militar o germe da insegurança.

Organizada, com fartura de dólares e de pensadores, a direita dispunha de um objetivo claro: impedir quaisquer reformas capazes de arranhar-lhe os benefícios, mesmo que para isso se tornasse necessário desestabilizar, primeiro, e depor, em última instância, um governo constituído.

Já as esquerdas... As esquerdas dividiam-se entre a euforia inconseqüente da suposição de que já tinham conquistado o poder e alterado estruturas ainda imutáveis, de um lado, e, de outro, as eternas desavenças entre seus diversos grupos inconciliáveis. No meio delas, mesmo percebendo que a reação se avolumava, achava-se um presidente cuja única saída acabou sendo a fuga para frente. O diabo é que diante dele não se descortinava a avenida das reformas sociais, mas o precipício do retrocesso e do caos institucional.

É claro que as teorias cedem sempre, quando surgem os fatos. A dúvida dominava os dois lados. Os conspiradores ignoravam a facilidade com que o governo se dissolveria. Estavam preparados para a guerra civil, capaz de levar meses. Por isso, não se animavam ao primeiro gesto ostensivo.

Precisaram de um general meio doido botar precipitamente suas tropas na rua, em Juiz de Fora, mesmo sem saber se seria esmagado em poucas horas. Do Rio, os principais chefes da conspiração tentaram demovê-lo, exigindo que voltasse com os poucos tanques e canhões postos na estrada União e Indústria. Mourão Filho reagiu, não faltando em sua negativa às quixotescas afirmações que ali estava para "vencer ou morrer".

Não morreu, senão anos depois, de doença e de desânimo, porque quem venceu foram os outros. Numa questão de horas mudaram de lado as tropas ditas legalistas que subiram a Serra de Petrópolis para barrar a progressão dos revoltosos mineiros. Em São Paulo, no Nordeste, no resto do País, a mesma coisa.

João Goulart estava no Rio, negou-se a autorizar que uns poucos aviões da FAB ainda sob as ordens de seu ministro da Aeronáutica bombardeassem as tropas do general Mourão com napalm. "Vai matar muita gente, isso eu não permito!"

Para não ser preso, voou até Brasília, mas na capital, sua segurança revelou-se ainda mais precária. Buscou resistir no Rio Grande do Sul, imaginando a repetição dos episódios de 1961. Esqueceu-se de que a História só se repete como farsa.

Lá, o governador não era mais Brizola, porém Ildo Meneghetti, golpista. O general que ainda lhe era fiel, Ladário Pereira Telles, garantiu-lhe apenas por uma hora condições para conduzi-lo ao aeroporto e tomar o rumo do Uruguai. Aceitou. Ladário indagou de Leonel Brizola, também presente, se viajaria junto. Resposta: "Eu não me chamo João Goulart! Vou resistir!" (Continua amanhã).


Jacobsen - Folha de Londrina - Londrina (PR)

Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Na grande antecipação para 2010

São Paulo e Rio, PSDB e PMDB, escolhem nomes para prefeitos

Há mais de 4 meses, sempre que escrevo sobre a importantíssima eleição para prefeito de São Paulo, (a maior população de uma capital, e o terceiro orçamento da República) digo sem qualquer hesitação: "O candidato do PSDB será sem nenhuma dúvida, o ex-governador Geraldo Alckmin". Anteontem foi realizada a convenção, Alckmin ratificado, SEM ADVERSÁRIO, DE FORA OU DE DENTRO.

Adivinhei alguma coisa? Previ? Acertei? A indicação era tão óbvia, que se escrevesse o contrário seria suicídio jornalístico. Como José Serra tem a maior mídia do Brasil, muitos diziam o contrário.

Alckmin sabia disso, e embora o repórter jamais tivesse falado com ele, pessoalmente ou não, tinha certeza da sua convicção: insisti por saber que Serra faria todo o malabarismo do mundo, mas ficaria com ele.

Foi o que aconteceu. Quando digo que Alckmin não teve adversário de DENTRO ou de FORA, lógico, falo em Serra e Kassab. Pela primeira vez um partido tentou registrar candidato de outra legenda.

Um grupo "orientado" por Serra tentou "fazer" o prefeito do DEM, candidato do PSDB. Só não era loucura, por ser antes e acima de tudo, "jogada para a arquibancada". Serra não é burro.

Na quarta-feira, Serra telefonou para Sergio Guerra, presidente do PSDB, pedindo que ele fosse a São Paulo, "espontaneamente", para unificar a legenda, mas sem dizer que fora chamado. E que só fosse no sábado, "pois precisava de 72 horas para as últimas conversas".

Como presidente do partido e sabendo que marcaria pontos se "unificasse" São Paulo, cumpriu tudo que foi pedido. E no sábado, pontualmente, Sergio Guerra apareceu, Serra desistiu. Quer dizer: resolveu que Alckmin "seria candidato único do partido". Ha! Ha! Ha!

Como disse que Serra tem a maior mídia do Brasil (ou do mundo) já na segunda-feira, (ontem) o governador era ovacionado em jornais, rádios e televisões, "como o grande vitorioso".

Na verdade foi derrotadíssimo. E usando a palavra derrotadíssimo, ele tem que trabalhar intensamente para a vitória de Alckmin e sua eleição como prefeito. Se Alckmin ganhar, a vitória será dele. Se perder será de Serra. Quem duvida disso?

Essas duas prefeituras, de SP e do Rio, terão grande destaque para 2010. E na verdade, além de Alckmin, Dona Marta foi outra vencedora. Agora, eliminado Kassab, (que perdeu a máquina e até a simpatia do estado) o segundo turno será entre os dois, o PSDB e o PT-PT. Dona Marta não poderá mais reclamar, entrou definitivamente no jogo.

A convenção do PMDB foi estranha e se limitou a uma luta entre a cúpula e a militância. Semana passada, grande figura nacional do PMDB, me dizia, pedindo sigilo sobre seu nome: "Helio, governador não perde indicação para prefeito. Se perder não governa". Acertou.

Eduardo Paes teve apoio da cúpula (Cabral e Picciani) e dos parlamentares mais perto do Rio capital: deputados estaduais e vereadores. Toda a bancada federal, (10 deputados) estava com Marcelo Itagiba, "muitos nem sabiam que Eduardo Paes estava no PMDB".

O jurista Torquato Jardim, o ex-ministro do TSE, (Tribunal Superior Eleitoral) e a maior autoridade em questões eleitorais, confirmou o que eu disse desde o dia 6 de junho: "Eduardo Paes está INELEGÍVEL, saiu da secretaria, 48 horas depois do prazo, com um Diário Oficial com DATA TROCADA e que ninguém sabe se circulou".



Humberto - Jornal do Commercio - Recife (PE)

Sonia Racy - Estadão online - link (aqui)


Direto da fonte


Cada cabeça, múltiplas sentenças

Juízes brasileiros à beira de um ataque de nervos. Pudera. Sai hoje o primeiro Quadro de Produtividade dos Juízes Brasileiros, inventado pelo Conselho Nacional de Justiça. Isto mesmo. Os juízes foram avaliados pelo número de audiências, de sentenças e outras cositas más. Ouvidas, participaram 6.102 das 9.047 varas de primeiro grau de todo o País. Ou seja, 67% do total.

Nem bem o ranking foi divulgado e já causa polêmica. Dois ministros do Supremo Tribunal Federal e um integrante do próprio conselho temem injustiças e danos à imagem de alguns juízes, já que o chamado ranking compara coisas díspares, como a demanda de um Estado como São Paulo com a de outro como o Amapá.

Magistrados prometem recorrer à Justiça se se sentirem prejudicados na divisão da culpa pela histórica morosidade da Justiça. Torcendo, claro, para que a decisão seja rápida.

Roto ao esfarrapado

Geraldo Alckmin embarca para Bogotá, onde se encontra com o ex-prefeito Enrique Penalosa, criador da política de tolerância zero local e de um rodízio radical de carros na capital.

Não vai escapar de ser questionado sobre caso policial aberto em 2006, quando Penalosa teve seu laptop roubado durante um assalto em São Paulo.

Inimigo público de Gilberto Kassab, o empresário da noite Oscar Maroni, dono do Bahamas, foi uma das estrelas da convenção do... PSDB. Ele jura que a "visita" ao ninho tucano não foi uma provocação ao prefeito, de quem "não guarda mágoas".

Memória turva

Plantonista, no fim de semana, no Hospital Sírio-Libanês, onde acompanhou de perto a intervenção cardíaca de dona Ruth, FHC foi "reconhecido" por um faxineiro que varria o chão, sábado, de manhã: "O senhor não é o Paulo Maluf?". O ex-presidente esclareceu: "Não, não sou tão famoso quanto o Maluf. Mas... já fui presidente."

Desconfiado, o rapaz retrucou, enquanto continuava seu trabalho: "Sei."

Vai entender. Bandeiras do PSB, partido que está prestes a fechar com Marta Suplicy, tremularam na convenção do PSDB no domingo. Partido - diz a lenda - para o qual Alckmin balançou.

De penas pro ar

Conversa entre os tucanos Silvio Torres e Paulo Renato Souza, durante convenção do partido anteontem:

- Entre mortos e feridos...
- Alguns mais mortos que feridos.
- É, alguns perderam as plumas pelo caminho.
- Mas pelo menos o bico está mantido.

José Serra foi esperado até o último minuto no São Paulo Fashion Week. Em vão.

Encavalado

A CET, órgão da Prefeitura de Gilberto Kassab, colocou cavaletes por todos os lados ao redor da Assembléia, dificultando a chegada dos delegados tucanos ao local e impedindo o estacionamento dos carros.

Lula afirma ser 'injustificável' presença do Exército em obra


Presidente se reuniu com familiares dos três jovens que foram assassinados após serem entregues ao tráfico

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

RIO - Em meio ainda a um clima de consternação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma reunião de quase uma hora, no Palácio da Guanabara, com cinco familiares dos rapazes mortos pelo tráfico, após serem entregues a gangues inimigas por militares que tomavam conta das obras do Exército no Morro da Providência. Lula chegou a desabafar que considera "injustificável" a presença de homens do Exército em "uma obra terceirizada" , já que os trabalhadores ali empregados são da comunidades, e os únicos militares seriam dois engenheiros.

O presidente decidiu receber os familiares dos rapazes para ouvir o outro lado da história, já que tomou conhecimento da maior parte do caso apenas pelo Ministério da Defesa. Na avaliação do presidente, "são muito diferentes as versões" sobre a forma como os jovens foram abordados, presos e entregues para as facções rivais. Lula defendeu que o julgamento dos 11 envolvidos na morte dos jovens seja feito pela Justiça Civil, e não na Justiça Militar. O ministro Nelson Jobim endossa a mesma tese, o que é contrário ao entendimento dos militares.

Na conversa com as famílias, o presidente Lula reiterou a disposição do governo em pagar uma indenização aos familiares das vítimas. Mas, apesar do discurso aparentemente contrário à atuação das Forças Armadas no Morro da Providência, o presidente Lula concordou com o fato de o Ministério da Defesa ter pedido à Advocacia-Geral da União (AGU) para entrar com recurso na Justiça a fim de garantir que os militares permaneçam na favela, dando proteção ao pessoal que trabalha na obra e ao material. Até quinta-feira, a Justiça decide se a redução dos militares foi suficiente ou se devem deixar definitivamente o morro.

Nos questionamentos sobre a presença do Exército na área, o presidente Lula lembrou que "não tem policiamento ostensivo em nenhuma das obras do PAC". Com isso, na sua avaliação, não haveria motivos, também, para ter soldados do Exército fazendo segurança ostensiva naquela obra. As obras no Morro da Providência não estão incluídas no PAC - elas fazem parte do Projeto Cimento Social, fruto de acordo entre o Ministério das Cidades e o Comando do Exército para atender a uma emenda parlamentar do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que seria o candidato preferido de Lula à prefeitura do Rio. Nesta segunda, 23, pela primeira vez após o crime, o senador compareceu a uma solenidade de lançamento de apoio à candidatura do Rio para sede das Olimpíadas de 2016. Lula e Crivella saíram juntos da cerimônia.

Após a reunião com Lula, a servente Lilian Gonzaga, mãe de Wellington Gonzaga da Costa, de 19 anos, foi a única do grupo a conversar com jornalistas, mas disse apenas que agradeceu e pediu justiça.



Aroeira - O Dia - Rio de Janeiro (RJ)

Janio de Freitas - Folha de São Paulo - link (aqui)



Caminhos da Providência

Até agora, o relato das vítimas da soldadesca não resultou em novidade útil; a discussão sobre o Exército também não

ENQUANTO SE aguarda a investigação que levante a correta narrativa da prisão em quartel do Exército, tortura e morte dos três rapazes da Providência, o assunto deriva em dois rumos. Aos poucos, moradores daquele morro, inclusive não favelados, abrem-se a respeito de violências anteriores dos soldados do Exército, só por arbitrariedade e covardia, como se fossem inúmeros preparativos para o desfecho com os crimes de morte. De outra parte, o seguimento já tradicional de cada episódio mais chocante na criminalidade urbana: a discussão sobre a entrada do Exército, ou não, na busca da segurança pública.
Até agora, os relatos das vítimas da soldadesca não resultaram em novidade útil. A discussão sobre o Exército também não. Se o problema das vítimas não justifica otimismo, como demonstra a paralisia da queixa policial de um advogado agredido na Providência, o da participação do Exército nem tem cabimento.
É impossível saber se efetivos militares têm o que fazer na contenção da criminalidade porque não existe plano algum de ação decisiva contra o predomínio da bandidagem. Até hoje, simplesmente a polícia entra na favela atrás de bandidos, policiais e seus alvos matam-se uns aos outros, de um lado e de outro famílias ficam ao desamparo, a elas juntam-se as mães e os filhos alcançados por tiros errados -e só. Até que chegue o dia seguinte, igualzinho, em outra favela.
Foi nesse jogo sem vitórias que o Exército entrou, em passado momento agudo da insegurança pública no Rio. Os coronéis dos seus tantos estados-maiores, especialistas no planejamento de guerras hipotéticas, só bolaram contra as tropas bandidas a novidade de apontar tanques e canhões para as favelas. Quando seus soldados desceram o morro, lá deixaram histórias iguais ou piores que as de violência policial contra famílias inocentes.
Dessa expedição desastrosa vem agora uma idéia tipicamente brasileira. Repete-a, nas últimas semanas, o seu formulador, Nelson Jobim, ministro da Defesa: "É claro que as Forças Armadas têm obrigações com a segurança. Mas para isso é preciso mudar a lei. Da última vez que o Exército participou, ainda estão aí centenas de processos. É preciso prevenir isso. Até julho teremos o assunto estudado e uma nova lei até o fim do ano".
A idéia se traduz por mais um anteparo para ações ilegais, em especial a violência, nas participações de militares. "Centenas de processos" - por que não? Se houver motivos, e no caso citado houve até o de saque, justificam-se; se não, o Judiciário os extingue. A lei jobiniana não será ou seria lei, é intenção de privilégio. Com fundamento neste conceito que Nelson Jobim ofereceu como lição ao país, em entrevista quarta-feira na GloboNews: nossa conduta não tem que se orientar por princípios e convicções, mas pelo pragmatismo. O autor não suscita dúvida a respeito.
Até que surja, se surgir, um planejamento competente e exeqüível para substituir as rápidas investidas policiais que apenas substituem bandidos mortos por novos bandidos, lançar nas favelas os recrutas que vão passar meia dúzia de meses no Exército é, no mínimo, irresponsabilidade. Cujas conseqüências jamais recaem onde deveriam. Porque a praxe assegura soluções que tornaram dispensável a lei jobiniana. E o caso da Providência, até agora, mostra que continuam a dispensar.

Clayton - Jornal O Povo - Fortaleza (CE)

Eliane Cantanhêde - Folha de São Paulo - link (aqui)



Apertem os cintos, o general sumiu


BRASÍLIA - Desde os anos 1980 não se ouve gente xingando o Exército e jogando pedras em militares, coisa que o tenente Vinícius Ghidetti e seus dez comandados reavivaram agora no Rio ao entregarem três rapazes para traficantes e para a morte. E cadê o comandante Militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira Filho? Está de férias na Europa e só volta amanhã, quando tudo estiver serenando.
O Comando Militar do Leste (CML) é um dos quatro do país. Abrange Rio, Minas e Espírito Santo e, como é o que convive mais diretamente com a violência urbana, para lá se voltam holofotes e dúvidas quando se discute ampliar ou não a participação das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem. Seu general tinha o direito de tirar férias, como qualquer mortal, mas não de se manter a um oceano de distância da crise.
Quem deu as caras e emprestou a voz para falar pelo Exército no primeiro momento foi um coronel, para perplexidade de um punhado de generais. Como o CML tinha resistido à idéia de subir o morro, alertando para possíveis "efeitos colaterais" -como o risco de confronto com civis-, a ausência do general Cesário gerou uma dúvida: ele tinha sumido na base do "eu não avisei?", ou simplesmente não quis interromper as férias? Foi retaliação ou pura omissão?
O crime começou quando o tenente deu de ombros para a ordem do seu superior imediato, um capitão, de que soltasse os três presos. Em vez de soltar, entregou os rapazes às feras que os estraçalhariam. Se um tenente de 25 anos se sente à vontade para desobedecer a ordem de seu capitão; se o capitão dá ordens que um tenente de 25 anos desobedece; se há suspeitas de envolvimento de militares com o tráfico; se o comandante viajando estava e viajando continuou, há algo de podre no reino do Comando Militar do Leste. E, se é assim, o mais seguro é ficar bem longe dos morros. Lá no Haiti, por exemplo.


Angeli - Folha de São Paulo - São Paulo (SP)

PSDB dividido - (Editorial) - Folha de São Paulo - link (aqui)




Não existe uma diferença política substantiva entre serristas e alckmistas, mas só uma colisão entre projetos individuais

A INDECISÃO é um estigma que os adversários do PSDB conseguiram fixar no partido desde que este foi criado, duas décadas atrás, apesar dos reiterados protestos dos dirigentes tucanos contra tal qualificação. Contudo, o resultado da convenção de domingo evidenciou que essa marca convém a uma legenda que, tendo à sua disposição duas alternativas fortes para disputar a Prefeitura de São Paulo -o ex-governador Geraldo Alckmin e a continuidade da gestão Gilberto Kassab (DEM), apoiada pelo governador José Serra-, dificilmente chegará unida ao pleito.
Formalmente, o tucanato cerrou fileiras em torno do ex-governador; na realidade, porém, uma ala importante do partido deverá apoiar Kassab.
Inexistiam razões programáticas que justificassem duas candidaturas situacionistas na maior metrópole do país. Afinal, que divergências opõem o PSDB alckmista ao PSDB serrista? Alguma restrição ideológica em relação a uma coligação com um partido conservador como o DEM?
Pois foi essa mesma aliança que levou Fernando Henrique Cardoso à Presidência em 1994, Geraldo Alckmin ao governo estadual em 2002 e José Serra à prefeitura paulistana em 2004. Não se trata, portanto, de uma oposição política substantiva entre duas correntes do partido, mas sim de uma colisão entre projetos individuais.
Essa dissensão possui raízes nas origens do tucanato. Diferentemente de outras agremiações, criadas à sombra de um líder indiscutível -como Lula no PT e Leonel Brizola no PDT-, o PSDB consistiu, desde o início, em uma coalizão de parlamentares na qual nenhum deles predominava, o que permitia ao partido tomar suas decisões por consenso. Esse perfil -que tornava a legenda semelhante a um clube- não atrapalhou os tucanos quando Mário Covas ou Fernando Henrique Cardoso despontaram como candidatos naturais ao Planalto, mas se tornou crítico quando mais de um deles passou a reivindicar um lugar na chapa presidencial.
Esse problema já se manifestou na sucessão de FHC -quando Tasso Jereissati desistiu de disputar a indicação do partido com Serra- e reapareceu em 2006 -quando foi a vez de Serra recuar diante de Alckmin. Nos dois casos, a legenda escamoteou suas divisões em vez de resolvê-las, democraticamente, por meio de uma prévia ou de uma convenção. Sempre preferiu ostentar um consenso que já não possui e no qual não crêem nem sequer os tucanos mais ingênuos, hoje atarantados em meio a tantas rivalidades.
Tergiversando entre Alckmin e Serra, o PSDB parece querer deixar ao eleitor a tarefa de escolher seu tucano predileto. Corre o risco de nenhum ser escolhido.

Charge do dia


Tacho - Jornal NH - Novo Hamburgo (RS)

Comercial antigo - Sabonete GESSY


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Cai desigualdade de salários

Folha de São Paulo - Lula e Teixeira se reuniram seis vezes, admite Planalto

O Estado de São Paulo - Lula diz que presença do Exército em obra no Rio é injustificável

O Globo - País já prende por lei seca e Rio ainda nem fiscaliza