segunda-feira, 30 de junho de 2008

John Coltrane Quartet- Afro Blue

Dave Brubeck - Take Five

Woody Herman Big Band 1963

Dizzy Gillespie Big Band 1968

Stanley Jordan - Amazing Guitar Tapping (jazz) on letterman



Sinfrônio - Diário do Nordeste - Fortaleza (CE)

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Fingiram o que não eram

Do fundo da memória (7)

BRASÍLIA - Durante alguns anos, depois de deixar o poder, se não passou incólume, o general Ernesto Geisel parecia destinado a inscrever-se na crônica como um presidente da República que acertou mais do que errou. Afinal, tanto faz os motivos que o inspiraram, mas levantou a censura na imprensa escrita.

Iniciou o processo de abertura política e, até mesmo, nos últimos três meses de seu governo, revogou o Ato Institucional número 5. Na coluna do "haver", também pesam em seu crédito a sustentação da soberania nacional, quando bateu de frente com os Estados Unidos. A tentativa de inscrever o Brasil no clube nuclear. Uma política energética


nacionalista.

E mais a tomada pública de posição contra a tortura institucionalizada, depois do assassinato do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho nos porões do II Exército, em São Paulo. Um general de quatro estrelas foi demitido, tivesse ou não conhecimento dos horrores praticados à sua sombra. De quebra, Geisel livrou o movimento militar do general Silvio Frota, que despontava como presidenciável e era a encarnação do ditador irascível e truculento. O então ministro do Exército foi demitido numa verdadeira operação de guerra.

É claro que na coluna do "deve" muita coisa pesou. Censura à imprensa nos dois primeiros anos de seu governo, cassações de mandatos, decretação do recesso do Congresso, "pacote de abril", com abomináveis casuísmos políticos destinados à preservação do poder em mãos de um regime que já fazia água.

Sem falar na imposição do sucessor, general João Figueiredo, sem consulta a ninguém, nem mesmo ao Alto Comando do Exército. Até hoje há quem duvide de ter sido coincidência a morte, num espaço de nove meses, dos três principais adversários em condições de derrotar nas urnas futuras o sistema militar: Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda.

O diabo, para Geisel é que depois de sua morte surgiu a denúncia do jornalista Elio Gaspari, aliás, seu amigo pessoal, através da divulgação, em livro, de uma gravação. Nela, em conversa como o general Dale Coutinho, o presidente da abertura defendia a eliminação física de adversários do governo, por agentes do governo. Quer dizer, justificou assassinato puro e simples daqueles que tentavam derrubar o regime, seja lá porque método fosse.

O ídolo foi mostrado com os pés de barro. Se não surgirem, como não surgiram até agora, contraditórios ou desmentidos eficazes, vai para o espaço a imagem do penúltimo general-presidente.

João Figueiredo, o último, foi uma espécie de Macunaíma do sistema militar. Espertíssimo, tanto que serviu a todos os antecessores, inimigos entre si. Coronel chefe da Agência Central do SNI no governo Castelo Branco, general chefe do Estado-Maior de Garrastazu Médici no comando do III Exército, no governo Costa e Silva, chefe do Gabinete Militar do presidente Médici, chefe do SNI do presidente Geisel, o último general-presidente era competente. Tríplice coroado, quer dizer, primeiro aluno em todos os cursos castrenses de que participou, buscava transmitir uma imagem antiintelectual, antes e depois de assumir o poder. Preferia cheiro de cavalo a cheiro de povo. Fingia-se de grosso, adepto dos palavrões.

Mas logo que instalado no palácio do Planalto, levantou a censura no rádio, na televisão e nas publicações que faltavam. Mandou ao Congresso projeto de anistia aos cassados e estimulou a volta de todos os exilados. "Lugar de brasileiro é no Brasil", afirmou ao assistir pela televisão o retorno de Leonel Brizola, Luis Carlos Prestes, Miguel Arraes e mais um monte de exilados, dos que se opunham retoricamente e dos que pegaram em armas para mudar as instituições.

Ia tudo dando certo quando a direita mostrou outra vez a pata. Atentados a bancas de jornal e a livrarias que passaram a vender literatura de esquerda; bombas em automóveis e residências de líderes da oposição; cartas-bomba enviadas à Ordem dos Advogados do Brasil. À Associação Brasileira de Imprensa e à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Finalmente, a tentativa de explosão do Rio Centro, durante a realização de um show de música popular organizado por artistas de nítida postura oposicionista. Teria sido um massacre de centenas de jovens, não fosse a certeza de que Deus é mesmo brasileiro. Um dos petardos explodiu por antecipação, no colo de um capitão e de um sargento do Exército, no carro em que tentavam armá-lo. Um morreu, outro sobreviveu ambos integrantes do famigerado CIEX, núcleo do terrorismo de estado.

Foi o divisor de águas, responsável até pela demissão, a pedido, do general Golbery do Couto e Silva, chefe do gabinete Civil, que exigia a apuração e a punição dos responsáveis, do capitão aos generais. Figueiredo hesitou e cedeu. Como expor seus companheiros, que governavam com ele? De que maneira arriscar-se a punir seus ministros, porque a linha de apuração dos fatos chegaria até eles? Engendrou-se uma farsa, atribuindo-se aos comunistas aquilo que o sistema fazia. Agora, com a conivência do chefe...

Do Rio Centro ao final do seu mandato, atingido por grave enfarte e mil outras somatizações da impotência política, João Figueiredo transformou-se na sombra daquilo que uma vez pretendeu ser e quase conseguiu: o general-presidente responsável pela devolução da democracia do Brasil. Com a eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney, encerrava-se o ciclo militar iniciado há quarenta anos.



Lute - Jornal Hoje em Dia - Belo Horizonte (MG)

Mendes foi alvo de doleiro - Estadão online - link (aqui)


Suspeito de intermediar propinas teve empresa processada

Eduardo Reina

A Techpar Engenharia e Participações, uma das empresas do principal suspeito de negociação de propina com a Alstom, Claudio Luiz Petrechen Mendes, teve seus bens arrestados por determinação da Justiça de São Paulo por causa de ação movida pelo doleiro Abidão Melhem Bouchabki Neto, em 1996.

Bouchabki, que cobrava uma dívida de Mendes, já foi denunciado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal por crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. A ação penal está em fase final.

O Ministério Público brasileiro procura as ligações entre as empresas de Mendes e Bouchabki - que também foi investigado pela CPI do Banestado. O doleiro, segundo investigação conjunta do Ministério Público e da Polícia Federal, com o apoio do Departamento de Segurança Interno de Newark (EUA), do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), da Interpol e da Procuradoria dos EUA, movimentou milhares de dólares em contas no Merchants Bank, em Nova York.

Mendes é investigado pelo Ministério Público brasileiro - e também na Suíça e na França - por suposta participação em esquema de pagamento de propina a integrantes do governo paulista pela multinacional francesa Alstom, fabricante de equipamentos para o setor elétrico, de trens e metrô. Na quinta-feira, o Estado mostrou que o empresário omitiu informações sobre sua participação em empresas de consultoria, importação e exportação durante depoimento ao Ministério Público Estadual. Não citou a Techpar e a Inter Empresarial Comercial Importação e Exportação. As empresas podem ter sido utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro e pagamentos de propinas por eventuais serviços fictícios prestados à multinacional francesa.

Ao Ministério Público Estadual, Mendes negou participação no esquema de suborno. Procurado em vários endereços seus na capital paulista, não foi localizado. Bouckabki preferiu ficar calado. "Não te conheço, prefiro não falar", disse.

A liderança do PT na Assembléia Legislativa enviou representação ao Ministério Público com base na reportagem do Estado sobre o caso e em documentação das empresas de Mendes. Foi pedida a quebra de sigilo fiscal e bancário do empresário, de seus sócios e das empresas, além de abertura de ação para apurar eventual prática de falso testemunho.

Novaes - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro (RJ)

Sergio Costa - Folha de São Paulo - link (aqui)



Providência diabólica

RIO DE JANEIRO - No lançamento da candidatura de Marcelo Crivella à prefeitura, o presidente em exercício, José Alencar, admitiu ao repórter Raphael Gomide que interveio politicamente para viabilizar obra do senador na Providência. Embargado pela Justiça Eleitoral, o projeto começou sem autorização do Congresso e contra parecer do Comando Militar do Leste, que não queria patrulhar favela. Esse rolo data do fim do ano passado. A obra se arrasta desde então.
Apenas 30 casas foram reformadas no período -cinco por mês-, para um total previsto de 782 residências. A licitação para conclusão da maior parte do projeto só foi realizada nestas últimas duas semanas em que o morro da Providência andou freqüentando manchetes nobres. O Exército estava na favela havia uns seis meses.
Isso quer dizer que o auge do projeto Cimento Social dar-se-ia em plena reta final da disputa pela prefeitura. Uma vitrine eleitoreira que incluiria a imagem de moradias populares dignas, protegidas pelo braço forte e a mão amiga do Exército. José Alencar disse no sábado que a candidatura do "ex-bispo" não será afetada pelos incidentes na Providência porque ficou "demonstrado esforço de Crivella para levar benefício à população".
O fato é que se jovens militares não tivessem se estranhado com funkeiros jovens como eles, e a coisa não degringolasse em assassinato, chamando a atenção para todo tipo de irregularidade -inclusive as eleitorais que suspenderam a temporada-, o teatrinho seria mantido até o grande final em outubro. A tragédia da Providência desnudou seus atores: do presidente ao preto pobre e favelado, todo mundo fez lambança em algum ato. Com graves conseqüências. Bem Brasil.

Charge do dia


Humberto - Jornal do Commercio - Recife (PE)

Comercial antigo - Azeite Gallo

Sinopse dos jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Rio tem 10 candidatos a prefeito, 7 deles com chances

Folha de São Paulo - Apagão do gás freia expansão industrial

O Estado de São Paulo - EUA tentam barrar a especulação do petróleo

O Globo - Procuradoria investigará assassinato de estudante