segunda-feira, 14 de julho de 2008



Sinovaldo - Jornal NH - Novo Hamburgo (RS)

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Verdades a repor

BRASÍLIA - Celso Daniel, prefeito de Santo André, não foi assassinado, muito menos insurgiu-se contra um falso esquema de corrupção armado dentro de sua administração. Morreu de ataque cardíaco, entoando loas ao Padre Eterno e à Santíssima Trindade.

Delúbio Soares não carregou mala alguma cheia de dinheiro, jamais coordenou a distribuição de recursos irregulares para deputados do PT e partidos aliados do governo. Homem de missa e comunhão diária, para o exterior, o máximo que enviou foram votos de felicidade ao novo papa.

Marcos Valério não era sócio de agências de propaganda, nunca facilitou entendimentos entre dirigentes de bancos e o chefe da Casa Civil, José Dirceu. Viajou para Portugal, sim, mas não ficou em Lisboa: preferiu o Santuário de Fátima, onde permaneceu dois dias em vigília, acompanhado pelo tesoureiro informal do PTB. Em momento algum Valério distribuiu milhões para parlamentares e partidos políticos, nem avalizou empréstimos para o PT.

Só contribuiu para a Congregação Mariana do bairro do Calafate, em Belo Horizonte. Condena-se ao fogo eterno quem levantar o falso testemunho de que o simpático carequinha dava festas de arromba em Brasília. O máximo que fazia era reunir deputados do PT e partidos afins para rezarem o rosário, ajudados por freirinhas pudicas e santificadas.

Duda Mendonça nem participou da campanha do candidato Lula. À época dedicava-se a recolher donativos para as 365 igrejas de Salvador. Quanto mais teria recebido vultosos contratos de publicidade das principais empresas públicas... Trabalhou de graça para a Nunciatura Apostólica e nunca teve conta no exterior, exceção para enviar cem dólares por ano às Missões, em Uganda. Do PT, ganhou apenas convites para as novenas semanais realizadas na Granja do Torto.

Valdomiro Diniz em momento algum achacou bicheiros para enviar recursos ao PT e adjacências. O máximo que fez foi jogar uma vez no bicho, durante uma procissão em que se cantava o tradicional "Ave, Ave, Ave Maria". Não se conteve. A comadre da frente perguntou o resultado e ouviu dele um piedoso "Ave, Ave, Avestruz..." Ganhou e doou o prêmio à Cúria Metropolitana, conforme as verdadeiras gravações agora vindas a público.

O Banco Rural e o BMG não fizeram empréstimos ao PT ou a políticos. Só trabalham com o Banco do Vaticano. Seus dirigentes não conhecem Brasília, preferem Aparecida.

Nenhum partido político, em especial o PT, dispôs de caixa dois ou utilizou recursos não declarados para saldar gastos de campanhas anteriores ou preparar campanhas futuras. Todas as contas petistas estão abertas na internet.

José Dirceu nunca ouviu falar em Marcos Valério, Delúbio Soares ou Silvio Pereira, muito pelo contrário. Ao lado de seu gabinete, no Palácio do Planalto, havia reservado uma sala, mas para cultuar a memória da Irmã Dulce e promover a leitura do Evangelho pelas beatas lotadas na Casa Civil. Nunca soube da existência de mensalões, não chefiou esquema algum de compra de votos parlamentares. Comprar, só terços, nas quermesses realizadas em Passa Quatro, para distribuir pelo Diretório Nacional petista.

É mentira, também, que um filho do presidente Lula tenha fundado uma empresa de joguinhos eletrônicos e que alguma telefônica tenha entrado de sócia, adquirindo 5 milhões de reais em ações sem direito a voto. Esse filho do presidente prepara-se para entrar no seminário.

Como imaginar alguma verdade na renúncia de Waldemar da Costa Neto e do bispo Rodrigues, a não ser por terem decidido ingressar num mosteiro recomendado por Carlinhos Cachoeira, dedicando-se todos exclusivamente a orações.

O único a sofrer a cassação foi mesmo Roberto Jefferson, mas não por haver denunciado mentirosos escândalos no governo, no PT e no Congresso. A história verdadeira é de que, durante algumas semanas, empregou-se como secretário do cardeal do Rio de Janeiro. Toda manhã ia aos aposentos cardinalícios para acordar Sua Eminência Reverendíssima, sempre com o mesmo aviso: "São sete horas, está um dia lindo e aqui está o seu café."

O cardeal, por gentileza e santidade, respondia na hora: "Eu sei, meu filho, porque os anjos me contaram." Um dia, disposto a desmoralizar a previsão dos anjos, entrou, disse as mesmas palavras, ouviu a mesma resposta, mas rebateu: "Pois então se arrebentou! São oito horas, isto aqui é chocolate e está chovendo como o diabo, lá fora!" Perdeu o mandato...

Não há fundamento, também, na existência de 4 mil cartões corporativos postos à disposição de altos e baixos funcionários do governo, cujas despesas de seus superiores e familiares seriam pagas pelos cofres públicos. Os poucos cartões corporativos usados pelo Palácio do Planalto são para contribuir com óbulos, todos os domingos e dias santos, nas igrejas da capital federal.

Em suma, nessa imprescindível negativa de fatos inventados pela imprensa, solerte e deletéria, um derradeiro esclarecimento: o presidente Lula, definitivamente, não será candidato à reeleição. Está de olho na saúde de Bento XVI, mas reza por um milagre, porque um certo sociólogo já encomendou até uma batina branca.

(O texto acima foi publicado no final de 2005, mas, numa espécie de vaticínio de horror, o que aconteceu de lá para cá? Apenas a multiplicação dos escândalos e o aumento do número de seus participantes, no governo e fora do governo. O Congresso renovou-se, os governadores são outros, exceções dos reeleitos, o presidente da República é o mesmo. Daniel Dantas já atuava, naqueles idos, assim como Naji Nahas e Celso Pitta. Que injustiça estarem sendo processados e até presos, ainda que de forma intermitente...)


Tacho - Jornal NH - Novo Hamburgo (RS)

Sábias palavras




Quando eu era garoto, minha avó dizia: "Banana prende, mamão solta". Depois virou peça de Maria Clara Machado, com esse título. E minha avó nem sabia o que era Judiciário.
(Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa)

Iotti - Zero Hora - Porto Alegre (RS)

Greenhalgh recebeu R$ 650 mil - Estadão online - link (aqui)



Luiz Eduardo Greenhalgh ou "Gomes"



PF relaciona dinheiro a Dantas e vê indícios de 'proventos do crime'

Fausto Macedo, Marcelo Godoy e Rodrigo Pereira

O advogado e ex-deputado do PT Luiz Eduardo Greenhalgh recebeu R$ 650 mil que a Polícia Federal relaciona à organização criminosa liderada pelo banqueiro Daniel Dantas. Em conversa interceptada às 12h13 do dia 4 de abril, o petista discute com um homem identificado como Carlos Amarante como investir seu dinheiro. Em seguida, ele revela, segundo os federais, que recebeu "honorários de R$ 650 mil". Amarante fornece uma conta no HBS Pactual para que a quantia seja depositada.

"Há indícios de que esses valores sejam, na verdade, proventos do crime", afirma o relatório da operação assinado pelo delegado Protógenes Queiroz.

As interceptações feitas pela PF mostram que, desde dezembro de 2007, pelo menos, Greenhalgh já fazia lobby para Dantas dentro do governo federal e de outras administrações petistas, como o governo estadual do Pará.

No dia 12 de dezembro, o banqueiro conversa com sua irmã Verônica Dantas sobre possíveis ações contra o Opportunity. No diálogo, eles revelam que o petista contou a Guilherme Henrique Sodré, o Guiga, sócio da empresa GLT Comunicações, que "estão armando contra".

Na conversa, Dantas e Verônica demonstram confiar nas informações do advogado. Eles chamam Greenhalgh pelo seu codinome no grupo, segundo a PF: Gomes. De acordo com Dantas, "Gomes não é alarmista".

Além de Greenhalgh, outro ex-deputado do PT, Sigmaringa Seixas, também foi mobilizado para ajudar o banqueiro.

É o que provam, aponta a PF, as conversas entre os dois petistas. No dia 16 de maio, às 11h55, Greenhalgh telefonou para Seixas e disse: "Estou convencido: para o que eles querem, você é o melhor, pelo menos pra conversar, pra sentir, pra ver uma estratégia de aproximação."

Mais adiante, Greenhalgh revela suas intenções em relação ao sócio-fundador do Opportunity. Ele demonstra querer "reabilitar" Dantas dentro do governo e do PT.

A conversa ocorreu pouco depois de o banqueiro fechar a venda de sua parte na Brasil Telecom (R$ 985 milhões) à Oi. "Porque o cara agora vai pegar o que ele vendeu e vai cantar noutro lugar", diz o petista. "Ele tá começando outra vida. Vamos ver. Se fosse na época da União Soviética, tinha que reabilitar esse cara", afirma. Greenhalgh conclui, no entanto, que seu desejo dificilmente se realizará e explica o motivo: "Ele (Dantas) faz muita bobagem, mas, se a gente puder evitar que ele seja constrangido e tal, a solução é essa."

Para o delegado Protógenes, não há dúvidas de que os serviços prestados por Greenhalgh passam longe da assessoria jurídica. "Em verdade, no contexto geral, ele seria o homem de ligação entre pessoas do Poder Executivo Federal, empresas estatais e Daniel Dantas", afirma.

Além disso, o grupo tentou "enfiar" uma emenda no meio da Medida Provisória 412, que tratava da prorrogação do Reporto, o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária. O grupo de Dantas tem empresas na área portuária por meio da Santos Brasil S.A.

Em 2003, o banqueiro foi beneficiado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que ignorou ordem do Ministério dos Transportes para suspender a concessão de portos no País. A decisão abriu caminho para a Santos Brasil assumir operações de área de 180 mil metros quadrados do porto.

A conversa sobre o Reporto ocorreu entre Greenhalgh e o publicitário Sodré, o Guiga, que é o responsável por contatos de Dantas com parlamentares, de acordo com a polícia.

Jacobsen - Folha de Londrina - Londrina (PR)

PF diz que Dantas fez lobby dentro do Planalto por ''negócios ilícitos'' - Estadão online - link (aqui)


De telefone do palácio, funcionária ligou para marcar encontro entre Greenhalgh e o ex-ministro José Dirceu

Fausto Macedo, Marcelo Godoy e Rodrigo Pereira

O grupo liderado pelo banqueiro Daniel Dantas buscou apoio no Palácio do Planalto "para negócios ilícitos". É o que sustenta relatório da Polícia Federal. Além de procurar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, apontado como lobista do grupo de Dantas, foi atrás do ex-ministro e ex-deputado José Dirceu para auxiliá-lo na tarefa.
De Dilma, Greenhalgh queria o aval à fusão entre a Brasil Telecom e a Oi, uma operação que rendeu R$ 985 milhões ao banqueiro do Opportunity, e de Carvalho, a promessa de ajuda na busca por informações sigilosas que ajudassem Dantas, conforme mostrou o Estado.

link Entenda o esquema criminoso especial

Dois telefonemas interceptados pela PF revelam que o encontro entre Dirceu e Greenhalgh ocorreu em um hangar da TAM. A tarefa de Greenhalgh foi facilitada por uma integrante da Secretaria da Administração da Presidência identificada nas conversas como Evanise. Seria a coordenadora de relações públicas do órgão, Evanise Maria da Costa Santos. Namorada de Dirceu, ela ocupa uma sala no 2º andar do Palácio do Planalto.

Evanise telefonou a Greenhalgh às 13h23 de 9 de maio, duas semanas após a informação sobre a investigação contra o banqueiro ter sido vazada. "O seu amigo está chegando entre 4 e 5 horas", avisa Evanise. A PF não tem dúvida de que se trata de Dirceu. Evanise conta que o "amigo" ainda não lhe disse se o encontro com Greenhalgh será no "hangar ou no hotel". "Talvez no hangar fique até melhor porque dali você já vai", referindo-se à viagem de volta de Greenhalgh de Brasília para São Paulo.

Em seguida, Evanise revela que está falando de dentro do Palácio do Planalto. "Esse é seu telefone?", pergunta Greenhalgh. "Não... esse é o PABX aqui do palácio." Em seguida, ela passa ao advogado um número de celular, que, segundo a PF, está cadastrado "em nome da Secretaria da Administração da Presidência da República".

A certeza de que se tratava de um encontro com Dirceu foi dada por telefonema recebido por Greenhalgh, três horas depois. Uma pessoa que se identificou como "Willian, funcionário do senhor José Dirceu", liga e o ex-deputado atende. Willian diz o motivo do telefonema: "É só pra dizer que o... ele está chegando agora às 16h30 no aeroporto." Greenhalgh pergunta se o encontro vai ser no "hangar da TAM" e Willian confirma.

REDE

Para a PF, a seqüência de diálogos entre integrantes e ex-integrantes do governo depois que o grupo de Dantas passou a usar os serviços de Greenhalgh demonstra a existência de uma rede de tráfico de influência em benefício "dos negócios ilícitos da organização criminosa". Segundo relatório da inteligência da PF, o ex-deputado, identificado pelo codinome de Gomes, foi contratado para "transitar nos subterrâneos dos gabinetes dos ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STF (Supremo Tribunal Federal) em busca de decisões favoráveis".

Além disso, diz a PF, na condição de ex-deputado federal e membro do Partido dos Trabalhadores, ele "freqüenta a ante-sala do gabinete da Presidência da República, notadamente o gabinete da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e (é) intimamente ligado ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu".

O delegado afirma ainda que Greenhalgh teve participação "fundamental na criação da supertele (a companhia resultante da fusão entre a Brasil Telecom e a Oi), gentilmente elogiada pelo cabeça da organização, D. Dantas".

Um dia antes dos telefonemas sobre a reunião de Greenhalgh com Dirceu, a PF flagrou outra conversa. Dessa vez, o executivo Braz telefona a um homem identificado como Gilberto. O delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, desconfia que se trate de Gilberto Carvalho. No diálogo, Braz afirma: "Ficou acertado que, se, por acaso, você tiver com ele ou qualquer coisa que valha, é o seguinte: tá decidido aqui fazer, em duas vezes a consultoria dele lá... conta-curral." Em seguida, diz: "50% já e 50% na hora que for aprovado lá no meio ambiente." Em 29 de maio, Greenhalgh conversou com Gilberto Carvalho, que lhe prometeu ajuda para obter informações sigilosas na PF sobre o inquérito contra Dantas. Carvalho, Greenhalgh e Dirceu negaram o tráfico de influência.

AUTORIDADES

No relatório em que pediu a prisão de 24 pessoas na Satiagraha - entre elas Dantas e o investidor Naji Nahas -, o delegado Protógenes submeteu à apreciação do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, o comportamento de "tais autoridades". Ao juiz, ele diz que as condutas serão apuradas "em instrumento próprio (um novo inquérito), caso assim entenda Vossa Excelência". De Sanctis não se manifestou sobre isso no despacho em que decretou as prisões.

Deflagrada na semana passada, a Operação Satiagraha tinha como alvo supostas organizações criminosas chefiadas por Dantas e Nahas. O ex-prefeito Celso Pitta também foi preso. Hoje, só um dos investigados continua detido - Hugo Chicaroni, acusado de oferecer, a mando de Dantas, US$ 1 milhão a um delegado para livrar o chefe. A Justiça se negou a decretar a prisão de Greenhalgh. Dantas foi preso duas vezes e duas vezes solto pelo STF.

Willy - Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro (RJ)

Mônica Bergamo - Folha de São Paulo - link (aqui)


SUZANA DE CAMARGO GOMES
Desembargadora Federal - Tribunal Regional Federal da 3ª Região






DOIS LADOS

A revelação de que a desembargadora Suzana Camargo, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, informou Gilmar Mendes de que seu gabinete na presidência do STF foi monitorado pela polícia a pedido do juiz Fausto De Sanctis deixou o juiz perplexo. É que, no dia em que isso ocorreu, ela deu vários telefonemas a Sanctis. Queria informações sobre a nova prisão do banqueiro Daniel Dantas, determinada por ele. "E se mostrava solidária", diz uma fonte da 6ª Vara Federal, onde Sanctis despacha. Ele nega que tenha pedido monitoramento do Supremo.

ME ESQUEÇAM
Suzana Camargo já foi candidata a uma vaga no STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília. "Vai ver ela quis agradar ao ministro Gilmar", opina a mesma fonte. À coluna, Suzana disse: "Eu estou numa situação muito desconfortável. Eu tenho amizade com o ministro e amizade com esse juiz. Reconheço o trabalho de ambos e não quero estar numa dividida". Questionada sobre se e quais informações repassou ao ministro, ela pediu: "Esqueçam de mim".

Sinais particulares
Gilmar Mendes, presidente do STF

Leo Martins - O Estado de São Paulo - São Paulo (SP)

Mendes já mandou soltar presos em ação da PF; Sanctis contrariou STF em caso MSI - Folha de São Paulo - link (aqui)

ANA FLOR
DA REPORTAGEM LOCAL

Muito antes dos dois pedidos de prisão e dos subseqüentes habeas corpus libertando o banqueiro Daniel Dantas, tanto o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, quanto o juiz federal Fausto Martin De Sanctis protagonizaram episódios polêmicos no meio jurídico.
Mendes entrou na vida pública no governo Fernando Collor (1990-1992), mas foi nos dois mandatos de Fernando Henrique (1995-2002) que ganhou destaque. Atuou como subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência e advogado-geral da União. À época, chegou a ser atacado por sua defesa às privatizações, em especial a do Banespa.
No STF, onde chegou indicado por FHC, Mendes criou fama por desconstruir acusações e prisões com origem em operações da Polícia Federal ou no Ministério Público Federal. Mandou soltar 13 acusados da Operação Navalha em um único final de semana, liberou presos da Operação Hurricane e frustrou, com semelhantes canetadas polêmicas, prisões da Operação Anaconda.
Contrariando juízes e procuradores, disse que soltaria réus sempre que a PF e o Ministério Público Federal fossem "incompetentes". Chegou a criticar Tribunais Regionais Federais e o Superior Tribunal de Justiça por manter denúncias "ineptas e aventureiras".
O presidente do STF também brigou com colegas de corte. Em 2007, protagonizou uma discussão acalorada em plenário com o colega Joaquim Barbosa. Barbosa disse que Mendes tentava dar um "jeitinho" para mudar o resultado de um julgamento. Mendes retrucou que o colega não tinha "condições" de "dar lição de moral".
Já a fama do juiz federal Fausto Martin De Sanctis é a de altercar com integrantes da mais alta corte judicial do país.
Antes de ser acusado pelo próprio Mendes de tê-lo desrespeitado, Sanctis teve um embate com outro ministro do STF, Celso de Mello, num processo contra o russo Boris Berezovski, acusado de ser o investidor oculto da empresa MSI no Corinthians. Os investimentos, diz a denúncia, foram feitos com dinheiro ilegal.
Sanctis havia acatado uma denúncia feita contra empresários brasileiros e estrangeiros, entre eles Berezovski. No ano passado, decretou sua prisão -apesar de o russo morar no Reino Unido. Ao julgar um pedido de habeas corpus dos advogados do investidor, o ministro do STF Celso de Mello determinou que as investigações fossem suspensas.
Sanctis não teria suspendido o braço internacional da investigação. O fato chegou a irritar o ministro, que teria ratificado a decisão para a primeira instância, "repreendendo" o juiz.
Sanctis é especializado em julgar crimes financeiros e de lavagem. Antes de mandar prender Dantas, condenou o doleiro Toninho da Barcelona e distribuiu a museus obras de arte do banqueiro Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos.

Benett - Gazeta do Povo - Curitiba (PR)

Juíza pede apuração sobre origem de grampo - Folha de São Paulo - link (aqui)



Desembargadora do TRF quer saber se houve interceptação de conversa telefônica entre ela e advogado de Daniel Dantas

Em diálogo transcrito pela PF, Machado diz que Maria Cecília de Mello considerou grave assunto do inquérito; juíza nega irregularidade


DA REPORTAGEM LOCAL

A desembargadora do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região (São Paulo e Mato Grosso do Sul) Maria Cecília Pereira de Mello vai pedir hoje ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ao Ministério Público Federal e ao superintendente da Polícia Federal em São Paulo a apuração da origem de um diálogo que cita seu nome, transcrito em relatório da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. A juíza também mandou um ofício ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.
A desembargadora quer saber se telefones do tribunal ou do advogado Nélio Machado, que defende Dantas, foram interceptados por ordem judicial.
Em diálogo transcrito em relatório da Satiagraha, ao qual a juíza disse ter tido acesso, o advogado Nélio Machado aparece dizendo a Humberto Braz, homem de confiança de Dantas e ex-diretor da Brasil Telecom Participações, que a juíza, a quem chama de "amiga", teria lido "o inquérito" -suposta referência à Satiagraha- e considerado o assunto "gravíssimo".
Em outro momento, Machado informou a Braz que a juíza pedira a todas as varas federais da primeira instância de São Paulo que confirmassem ou não a existência de uma nova investigação contra Dantas.
Os diálogos ocorreram entre final de abril e início de maio. Naquele momento, os advogados de Dantas corriam atrás da confirmação da reportagem da Folha publicada dias antes, que informara a existência de um novo inquérito da PF sobre Dantas. A reportagem também dizia que esse novo inquérito inspecionava o disco rígido do Opportunity, apreendido em 2004 pela Operação Chacal, que investigou espionagem encomendada à empresa Kroll pela Brasil Telecom.
Após recurso dos advogados de Dantas, a análise do HD foi impedida de imediato. Depois acabou liberada, também pelo TRF, mas só em parte do material, e sob acompanhamento.
Com a Operação Satiagraha, o HD passou a ser analisado por peritos da PF de Brasília, também com ordem judicial.
A desembargadora é a relatora, no TRF, do processo originado da Operação Chacal.
Segundo a desembargadora, os advogados de Dantas, ao lerem na Folha, em abril, a história do novo inquérito, acreditaram que ele tramitava no TRF, e por isso procuraram a juíza.
Para a desembargadora, Nélio Machado suspeitava que a interdição do uso do disco rígido do Opportunity tivesse sido desrespeitada de alguma forma, por isso a procurou.
O advogado Nélio Machado não foi localizado ontem.
A juíza confirmou à Folha ter mantido conversas com Machado e outra advogada do banco, Ilana Müller, mas negou irregularidade na sua conduta. Também negou ter tido acesso ao inquérito da Satiagraha.
A juíza disse que o Opportunity perdeu "90%" dos recursos que ela avaliou no TRF e que "atende a todos os advogados, os famosos e os não famosos, os procuradores, os defensores dativos". Ela disse que os "10%" de decisões favoráveis ao Opportunity "prendem-se a aspectos formais do processo, nunca sobre o mérito".
A juíza confirmou ter solicitado informação às varas federais, mas disse que logo voltou atrás e cancelou a primeira decisão. "Quando do retorno de uma dessas informações, me dei conta que não havia evidências com o caso Kroll/Telecom Italia e que poderia não estar preventa [judicialmente apta] para julgá-lo e não ser a relatora do caso. Considerando que a prevenção pode ser verificada a qualquer tempo, revi a minha decisão, tornei sem efeito os pedidos de informações", disse a juíza, por e-mail. A juíza disse que os réus "têm direito" de tomar conhecimento de investigações cujo sigilo acaba após divulgação pela imprensa.
No início da noite, a desembargadora distribuiu nota à imprensa, por meio da assessoria da Justiça Federal. Maria Cecília disse que desconhecia a Satiagraha. "Falei diversas vezes pessoalmente com Nélio Machado e Ilana sobre o caso e algumas por telefone, da mesma forma como mantenho contato com todos os advogados que atuam em processos que estão no meu gabinete e que assim solicitam", disse a juíza.
(RUBENS VALENTE)

Tiago Recchia - Gazeta do Povo - Curitiba (PR)

Dantas omitiu do governo operações suspeitas, diz PF - Folha de São Paulo - link (aqui)





Laudo aponta que movimentações "atípicas" não foram comunicadas ao Coaf

Relatório policial diz que Banco Central detectou problemas "gravíssimos" em contas ligadas a banqueiro; defesa não foi localizada

RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Laudo do INC (Instituto Nacional de Criminalística) da Polícia Federal, em Brasília, que integra a Operação Satiagraha, acusa o banqueiro Daniel Dantas de não comunicar ao Coaf (órgão de inteligência financeira do governo federal) movimentações financeiras suspeitas realizadas no banco Opportunity em nome do banqueiro, de familiares e de funcionários das empresas do grupo.
"Tem-se que o banco Opportunity operacionaliza as movimentações financeiras e atua para dificultar e até inviabilizar eventuais fiscalizações pelos órgãos competentes e auditorias, impedindo a detecção das operações suspeitas pelos sistemas de prevenção à lavagem de dinheiro", diz o laudo dos peritos da PF Everaldo Parangaba e Evaldo Oliveira de Assis.
Por lei, os bancos devem comunicar ao Coaf movimentações consideradas atípicas nas contas dos clientes, como créditos muito acima dos ganhos declarados pelo correntista à Receita. Segundo o laudo, o Opportunity não fez as devidas comunicações, "impossibilitando ações governamentais no combate à lavagem de dinheiro nas operações do grupo".
O laudo cita levantamento do Banco Central que teria apontado "irregularidades gravíssimas em nome de sócios, funcionários e parentes de pessoas supostamente ligadas ao grupo Opportunity e operacionalizadas pelo banco Opportunity".
Trechos do laudo, transcritos no relatório do delegado Protógenes Queiroz entregue à Justiça Federal no final de junho, listam 16 pessoas e empresas "envolvidas em movimentações financeiras suspeitas".
Nélio Machado, advogado de Dantas, e a assessoria do banco não foram localizados ontem.
A PF e o BC descobriram que o próprio diretor do banco Opportunity responsável pelo cumprimento da carta circular do BC 2.826/98, Itamar Benigno Filho, atuava como procurador de pessoas físicas e jurídicas e movimentava ao mesmo tempo 18 contas bancárias. Ele foi também eleito diretor da empresa XX Novembro Securitizadora de Créditos Imobiliários. A conta da empresa, que não declarou renda no ano anterior, segundo a PF, recebeu R$ 24,4 milhões em créditos entre 2005 e 2006.
A carta do Bacen lista as movimentações consideradas atípicas e que devem ser comunicadas pelos bancos, como "movimentação incompatível com patrimônio, atividade econômica e ocupação profissional".
O laudo detectou ainda que um funcionário do banco movimentava 28 contas diferentes.
Segundo os peritos, o Bacen descobriu "triangulação de recursos (...) envolvendo diretamente o senhor Daniel Valente Dantas, operação característica de procedimento de lavagem de dinheiro que deveria ter sido comunicada ao Coaf".
No seu relatório, o delegado Protógenes Queiroz volta suas baterias também contra a mulher de Dantas, Maria Alice Carvalho Dantas. "Em menos de um ano, Maria Alice movimentou mais de R$ 21 milhões em sua conta de pessoa física no banco Opportunity, sendo que não teria fonte de renda para tanto, de onde podemos concluir a utilização dessa conta para lavagem de valores em favor do grupo, uma vez que ela já é usada como laranja para abertura de empresas", escreveu o delegado.
Da análise de e-mails escritos por Alice, os policiais escreveram que "fortalece a suspeita de desvio de recursos das instituições financeiras do grupo para utilização em benefício particular por parte dos membros que compõem o alto escalão do banco".

Renata Lo Prete - Folha de São Paulo - link (aqui)


Luiz Eduardo Greenhalgh

Codinome Gomes



Isola o Gomes

Aconteça o que acontecer a Daniel Dantas em conseqüência da Operação Satiagraha, o Planalto avalia que o relatório do delegado Protógenes Queiroz é devastador para o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, que aparece no grampo apertando todos os botões possíveis -a começar pelos do palácio- para fazer valer os interesses do banqueiro no governo.
"Gomes", como o chamam os demais colaboradores de Dantas, não é personagem fácil de atirar ao mar, dadas suas relações históricas com pessoas como o chefe-de-gabinete Gilberto Carvalho e o próprio Lula. Mas a instalação do cordão sanitário já começou. Petistas antes próximos agora ponderam que LEG, embora faça parte do diretório nacional, está afastado da vida partidária, mais ocupado em "tocar sua banca".



Sigiloso 1. Entre os funcionários do Planalto que tiveram conversas com Greenhalgh grampeadas está Evanise Santos, namorada de José Dirceu. Cuidadosa com as palavras, ela avisa ao ex-deputado que "seu amigo está chegando entre quatro e cinco horas" e expressa uma dúvida sobre o encontro que ambos terão em seguida: "tô só esperando a resposta se é melhor fazer no hangar ou no hotel".

Sigiloso 2. Pouco depois, liga para Greenhalgh William, que se identifica como "funcionário do senhor José Dirceu" e avisa que o encontro vai ser "lá no hangar da TAM" no aeroporto de Brasília.

Mãozinha. Não se sabe por que o pessoal de Daniel Dantas resolveu apelidar Greenhalgh de "Gomes", mas há quem veja semelhança entre o ex-deputado e o pai da cinematográfica família Adams.

Novaes - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro (RJ)

Valdo Cruz - Folha de São Paulo - link (aqui)



As razões da paixão

BRASÍLIA - Não me recordo na história recente de uma personagem da vida político-empresarial ter despertado tanto amor e ódio como o banqueiro Daniel Dantas, criando zonas de conflitos no Executivo, Judiciário e Legislativo.
Empresário de estilo agressivo e métodos controversos, Daniel Dantas levou ao campo de batalha figuras como Gilmar Mendes, Tarso Genro, juízes, policiais federais, procuradores e parlamentares de todos os partidos.
Com uma ou outra exceção, defesas e ataques à ação da PF e do juiz Fausto de Sanctis, que prenderam o banqueiro, se manifestaram em estilo apaixonado, muitas vezes sem a sobriedade exigida a julgamentos imparciais. Diria que principalmente os ataques.
Criou-se, com esse estilo estridente e belicoso, o risco de perdermos o foco no essencial. O resultado, considerado até aqui eficiente e bem-sucedido, das investigações da PF sobre um esquema fraudulento.
Clima que interessa a muita gente. Começando pelo próprio Daniel Dantas, indo até aqueles que participavam de seu círculo de relacionamentos, temerosos de que surjam novas revelações, como doações irregulares para campanhas políticas e aplicações ilegais de dinheiro no exterior.
Não há como escapar da conclusão de que o clima de paixão, em muitos casos, foi calculado. Uma tática diversionista para usar o lateral e contaminar o núcleo, evitando assim o aparecimento de novos escândalos ligados ao principal. Há mais interesses em jogo do que se possa imaginar.
Chefe da PF, o ministro Tarso Genro parece ciente desse risco. Se faz reparos e condena o modo de montagem e execução da operação, não deixa de elogiar a competência do mesmo delegado responsável pelos deslizes, como os que permitiram cenas de um Celso Pitta sendo preso de pijamas.
Sinaliza assim que os trabalhos seguirão. Mesmo a contragosto de alguns aliados e amigos.

Sinfrônio - Diário do nordeste - Fortaleza (CE)

Fernando de Barros e Silva - Folha de São Paulo - link (aqui)



Mocinhos e bandidos

SÃO PAULO - As operações da Polícia Federal ganharam corpo no governo Lula e logo se tornaram encenações midiáticas de justiçamento, uma espécie de teatro instantâneo para a TV cujo clímax reside na imagem da pessoa poderosa algemada e presa por algumas horas.
Esse ritual de humilhação e execração pública -pelo qual o acusado fica exposto como se lhe gravassem com ferro em brasa na testa LADRÃO!- tem sido a verdadeira condenação das vítimas endinheiradas da PF. Na Justiça e ao cabo, todos sabem que vão se safar.
A PF parece ter descoberto a fórmula mágica capaz de saciar o apetite das massas, fazendo do espetáculo das prisões uma compensação para a quase certeza da impunidade no final. E dá-lhe grampo! -como nunca antes neste país.
O delegado Protógenes Queiroz trouxe agora uma novidade à cultura policial da era Lula. As 245 páginas de seu inquérito são produto de uma cabeça messiânica em estado de êxtase. Além de grampear o idioma, o homem da lei se atribui a missão de salvar o país e combater obstinadamente os males do capitalismo. Protógenes é uma mistura de Eliot Ness com Sassá Mutema.
Esse contrabando místico-ideológico que contamina o inquérito serve, na prática, para justificar barbaridades, como o pedido de prisão da jornalista Andréa Michael. Lendo a peça do delegado entende-se por que sua equipe invadiu o consultório de um dentista acreditando prender um doleiro.
A inépcia, os atropelos e a megalomania da PF beneficiarão os culpados, a começar pelo "bad boy" das privatizações, o neomeliante que espelha a face delinqüente do moderno capitalismo brasileiro inaugurado com Fernando Collor.
Daniel Dantas é um vilão de novela, uma raposa de desenho animado. Todo mundo sabe que ele é o que é. Que "gênio do mal" é esse, tão transparente, tão trapalhão, sempre aprontando e sempre em apuros? Protógenes corre o risco de tê-lo transformado numa vítima de sua ambição insana de livrar o mundo de todos os seus pecados.

Charge do dia


Fernando - Jornal da Cidade - Bauru (SP)

Comercial antigo - Araldite

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Candidatos usam centros sociais para atrair eleitores

Folha de São Paulo - PF acusa Opportunity de driblar fiscalização

O Estado de São Paulo - Dantas fez lobby para negócios ilícitos no Planalto, afirma PF

O Globo - Relação de Daniel Dantas com governo preocupa Lula

Correio Brasiliense - PF investiga lobby de Dantas no Congresso