quarta-feira, 16 de julho de 2008

Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)



O presidente do Supremo vai ao Planalto conversar com o presidente

E A INDEPENDÊNCIA DOS PODERES?

A questão da prisão (duas vezes) e da libertação (duas vezes) de Daniel Dantas vai se aprofundando. E ganha aspectos que podem se transformar numa crise sem precedentes. Existem três Manifestos defendendo o juiz de primeira instância federal: dos juízes federais, do Ministério Público e da Associação dos Magistrados.

A favor de Gilmar Mendes, manifestação tímida e discreta, partida de alguns poucos causídicos. Mas o surpreendente é que foi o próprio Gilmar que trouxe a público uma palavra chave: IMPEACHMENT. Antes dele, não se falava nisso, muitos nem acreditavam que isso pudesse ou possa ocorrer.

Na sua fala (do trono?) Gilmar Mendes declarou impensadamente: "Cabe ao Supremo acertar ou errar por último". Com isso Gilmar Mendes deixou bem claro que considera que ninguém pode JULGAR O SUPREMO, ele seria, no próprio entendimento, ABSOLUTO, INTOCÁVEL, INDISCUTÍVEL, IRREFUTÁVEL, daria a última palavra em qualquer caso. Não existe isso, no regime democrático ninguém tem essa última palavra.

Se o próprio presidente da República, que é eleito pelo povo, pode perder o mandato conquistado nas ruas, por que um ministro do Supremo ficaria acima e além da Constituição? O ministro, ocasionalmente e por rodízio ocupando a presidência, antes de falar deveria ter consultado a Constituição.

O artigo 52, parágrafo II, diz: "Compete ao Senado processar e julgar os ministros do Supremo, nos crimes de responsabilidade". O Senado pode receber o pedido para votar o impeachement de Gilmar Mendes, provocado por qualquer associação ou até por um cidadão qualquer. O presidente Collor não sofreu impeachment? Por que um ministro do Supremo estaria acima do próprio presidente da República?

O ministro Gilmar Mendes até agora só acertou uma vez, quando afirmou: "O ministro da Justiça não tem COMPETÊNCIA para criticar um ministro do Supremo". Não tem mesmo. Só que o "braço direito" de Daniel Dantas, depondo na polícia, afirmou sobre a tentativa de subornar um delegado, funcionário público: "Agi por ordem de Daniel Dantas". Perfeito, por que agiria por conta própria? E como levaria 1 milhão de dólares para COMPRAR o delegado?

Gilmar Mendes, ao mandar libertar Daniel Dantas, deveria ter levado em consideração as provas exuberantes das conversas sobre o suborno e a estratégia do delegado, "fingindo" aceitar, tudo com autorização judicial. Aí, Gilmar Mendes começava a quebrar a hierarquia judicial, quebra que depois exagerou desautorizando duas vezes um juiz federal.

E por que o presidente do Supremo iria ao Planalto conversar com o presidente da República? Há quantos anos isso não acontece, a não ser em reuniões festivas e coletivas? A Constituição diz que os "Poderes são harmônicos e independentes entre si". Mas essa harmonia e essa independência pode ser exercida de longe, é muito melhor. O que teriam para conversar e o que conversaram?

Principalmente na véspera de um fato importante: o depoimento hoje de Daniel Dantas à polícia. Pelo passado e presente de Daniel Dantas, ele vai se complicar, mentir, praticar falsidade ou perjúrio. O Ministério Público pode pedir a prisão do indigitado banqueiro, o juiz acatar (e não DECRETAR, juiz não DECRETA nada) e mandar prendê-lo. O advogado milionário do cliente bilionário já estará com novo habeas-corpus pronto. E se Gilmar Mendes concedê-lo?

De qualquer maneira Gilmar Mendes não sofrerá impeachment. O desmoralizadíssimo Senado atual não terá coragem nem espírito público para examinar a questão. Seria o primeiro impeachment de um ministro do Supremo desde a implantação da República. O problema será no plenário do próprio Supremo, constrangimento total.

Gilmar perdeu as condições de presidir o Supremo, mas também não pode renunciar. Ficar vejetando no plenário até os 70 anos não pode acontecer. Mas presidir o órgão máximo da Justiça brasileira, depois de toda a controvérsia provocada pelo próprio Gilmar? Não faz sentido. Qual será a solução? Manter tudo como está, como se não tivesse acontecido?

PS - Independente do que possa acontecer da parte do Executivo (Lula), do Legisltivo (Senado) ou do Supremo (fim do recesso), foi o fato mais importante do ano. É a própria Justiça se hostilizando e colocando em perigo as Instituições.

Sonia Racy - Estadão online - link (aqui)


Direto da fonte

40 milhões de "escutados"
Em um cálculo rápido, fonte de uma empresa de telefonia concluiu que o universo de telefones "escutados", oficialmente, em 2007, foi de 40 milhões. No mínimo. Sem contar, claro, com a escuta extra-oficial que se sabe existente.

Para se chegar a esse número, a conta é mais ou menos simples. No ano passado, as operadoras receberam 2 milhões de requisições de grampo judicial. "Como isso não é feito em um só número, mas em três, na média, são 6 milhões de telefones grampeados", numera a fonte. É fato, pelas estatísticas das operadoras, que cada uma dessas pessoas interage diariamente com pelo menos oito outras via telefone. Chegando-se assim, facilmente, a 48 milhões. "Um absurdo", pondera a fonte.

E vai piorar. O executivo lembra que, em agosto, começa a funcionar o sistema de portabilidade de linha telefônica. Isto é, o usuário pode manter seu número e mudar de operadora. Portanto, para saber onde está "sediado" um certo telefone, a Justiça vai ter de consultar uma central nacional de localização. Com isso, entra mais um "boi na linha" no elenco da quebra de sigilo telefônico.

Em tempos de clima policialesco, o Senado aprovou projeto de lei para que todos os oficiais de Justiça tenham diploma de Direito.

Mercadante cobra Meirelles sobre omissão no Opportunity - Estadão online - link (aqui)


Para senador, ou houve exagero da Polícia Federal ou autoridades econômicas deixaram de fiscalizar Dantas

Ribamar Oliveira, BRASÍLIA

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, foi cobrado ontem, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, pelo fato de a instituição não ter atuado preventivamente junto ao Grupo Opportunity, identificando os ilícitos cometidos, antes da ação da Polícia Federal. "Ou houve exagero da Polícia Federal ou omissão do BC e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)", disparou o presidente da CAE, senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

"A opção não é tão simples assim, de ser uma coisa ou outra", respondeu Meirelles. Segundo ele, às vezes as atuações de pessoas físicas não têm nada a ver com a de uma instituição financeira. "É como o funcionário de um banco que comete um crime nas horas vagas", justificou. "Parece que é este o caso (do Opportunity)", arriscou.

Meirelles disse que cabe ao BC fiscalizar as ações que podem prejudicar a saúde financeira dos bancos, em decorrência de eventuais violações de procedimentos, e tomar medidas quando há risco para o sistema. Ele informou que cabe à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de acordo com a legislação atual, normatizar e fiscalizar os fundos de investimento. As supostas operações irregulares do fundo de investimento do Opportunity estão entre os principais focos da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

Quando o Banco Central detecta alguma irregularidade em uma instituição financeira, a instituição abre um processo administrativo, feito em sigilo, em suas instâncias iniciais. "Essas informações nem sequer chegam à diretoria do BC", explicou. A razão para o sigilo, de acordo com Meirelles, é a de não fomentar boatos que possam colocar em risco o funcionamento do sistema financeiro. "O BC não pode quebrar o sigilo bancário, que é garantido pela legislação", afirmou.

Quando o processo administrativo chega no Conselho Superior de Recursos do Sistema Financeiro, para julgamento, o BC publica as informações e a população, então, toma conhecimento. Em alguns casos específicos, disse Meirelles, a autoridade judicial determina a quebra do sigilo e o BC fornece as informações ao Judiciário, ao Ministério Público ou à Política Federal, conforme for o caso. "Mas aí há transferência de sigilo", explicou.

Para Mercadante, os clientes do Opportunity devem ter ficado surpresos com a notícia de que toda a diretoria da instituição financeira tinha sido presa. "Como é possível que isso tenha ocorrido sem que a fiscalização do Banco Central tenha tido qualquer tipo de informação a respeito?", questionou Mercadante. O senador perguntou ainda se não há sintonia entre as instituições no País.

O presidente do BC disse que há "perfeita sintonia" entre o BC e a PF e que todas as informações "que não estão sujeitas ao sigilo bancário" são repassadas. Quando há sigilo bancário, explicou, o BC entrega os dados à Polícia Federal após determinação judicial. Ao final da audiência pública, Mercadante disse que "a questão não ficou esclarecida".

Elio Gaspari - Folha de São Paulo - link (aqui)



Há algo de novo, e não é Daniel Dantas

Longe do governo, um grupo de profissionais brasileiros criou a maior empresa cervejeira do mundo

TALVEZ SEJA mais que uma coincidência: enquanto o povo de Pindorama acompanha enraivecido o ocaso do banqueiro Daniel Dantas, os empresários brasileiros que dirigem a InBev compraram a cervejeira americana Anheuser-Busch. Um negócio de US$ 52 bilhões que faz da empresa belgo-brasileira a maior companhia do setor, com 25% do mercado mundial.
A coincidência pode ser um sinal de que há uma troca de guarda, de métodos e de objetivos no capitalismo brasileiro. Certamente não será uma troca abrupta, mas se a novidade ainda não apareceu direito, o velho está aí, escancarado, à vista de todos. Daniel Dantas, um descendente do barão de Jeremoabo, foi considerado um gênio do seu tempo e encarnou o esplendor do papelório e da privataria tucana. Esteve um passo à frente do empresariado cartorial e, durante algum tempo, foi um Midas. Tomou o bonde errado quando se apoderou de concessionárias de serviços públicos juntando-se aos fundos de pensão de estatais. Associou-se por algum tempo a um ex-presidente do Banco Central (Pérsio Arida), fez do litígio judicial um apêndice dos seus interesses e deslizou para operações policiais, até acabar algemado. O Brasil de Jeremoabo deu-lhe a impressão de que se tornara poderoso. Nesse Brasil de Jeremoabo, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, circula pela controvérsia da libertação do banqueiro como se a chefia da magistratura fosse uma permanência na ilha de Caras, com entrevistas de calçada, adornadas com frases de efeito.
Quando Daniel Dantas chegou ao mercado, lá havia uma referência legendária. Chamava-se Jorge Paulo Lemman. Ele e sua turma compraram a Anheuser-Busch. Ao tempo do papelório, e até mesmo durante o tele-esplendor da privataria, Lemann ganhou todo o dinheiro a que tinha direito. Seu banco, o Garantia, entrou mal numa curva e, em 1988, foi vendido ao Credit Suisse.
Lemann celebrizou-se pela capacidade de juntar talento e trabalho, transformando funcionários em milionários. Três deles foram relevantes para a compra da cervejeira americana: Carlos Brito, Marcel Telles e Carlos Sicupira. Em 1980, quando o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh ajudou a fundar o PT, o patrimônio de Brito, Telles e Sicupira talvez fosse inferior aos R$ 650 mil que, segundo a Polícia Federal, o doutor recebera como honorários até abril.
Lemann e sua turma transferiram-se para a economia real arrematando empresas mal administradas. Em 1989, compraram a Brahma e depois engoliram a Antarctica, criando a AmBev. Em 2004, a empresa juntou-se com a cervejeira belga Interbrew, gerando a InBev. Hoje, 7 dos 12 principais executivos são brasileiros. Carlos Brito, de 48 anos, é seu presidente.
Daniel Dantas poderia ter criado uma AmBev, mas preferiu ficar no regaço do governo. A turma da InBev trata o mínimo possível com os Poderes. São profissionais agressivos e têm uma enorme capacidade de agradar os acionistas. Nos últimos anos, quem comprou ações de suas cervejarias ganhou muito mais dinheiro que a bancada dos títulos públicos.
Faz tempo que a garotada que entra no mercado de trabalho procura evitar atividades que dependam da palavra de burocratas. Numa mesma semana, Daniel Dantas e a turma da AmBev ensinaram que um dos caminhos inclui o risco da cadeia. O outro oferece o sucesso.

Cardozo, do PT, agiu por interesse de Dantas - Folha de São Paulo - link (aqui)



Mensagem entre executivos da BrT revela que José Eduardo Cardozo usou cargo de deputado para pedir ação favorável a banqueiro


Deputado pede ajuda a executivos da BrT e, 9 dias depois, empresa contrata advogado amigo de Dirceu, por R$ 5,3 mi, para o caso


ANDRÉA MICHAEL
LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Troca de correspondências entre executivos da Brasil Telecom na gestão do Opportunity mostra que o deputado federal José Eduardo Cardozo (SP), hoje secretário-geral do PT, usou prerrogativas de seu mandato para defender interesses do banqueiro Daniel Dantas.
Com o auxílio de executivos da companhia telefônica, Cardozo, na condição de deputado, solicitou ao Ministério Público Federal, em julho de 2003, que movesse ações contra a troca de controle da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações).
A representação do deputado partiu da mesma tese que Dantas passou defender publicamente em 2003, de que a BrT (Brasil Telecom) pagou um preço excessivo pela CRT (US$ 800 milhões), comprada da espanhola Telefónica em 2000, devido a pressões políticas no governo de Fernando Henrique Cardoso. Como a Telefónica havia entrado no mercado paulista nas privatizações de 1998, a lei do setor de telefonia não permitia que a empresa mantivesse suas operações no Rio Grande do Sul.
Um ano depois da representação, em agosto de 2004, diante da iminência de que o caso fosse arquivado, Cardozo pediu ajuda aos então executivos da BrT na condução dos procedimentos administrativos.
"O julgamento reinicia-se no dia 23 ou 30 (a confirmar). Há forte pressão pelo arquivamento. Zé pediu para reunir-se comigo, com brevidade, para definir postura/ações; ele entende que, sem fatos novos, será impossível reverter-se a decisão", escreveu a um executivo Sami Arap Sobrinho, então diretor jurídico da BrT, no dia 17 de agosto daquele ano.

Amigo de Dirceu
A mensagem foi detectada numa auditoria realizada na BrT após o final da gestão do Opportunity. O "Zé" citado no texto é o deputado petista. Nove dias depois do pedido de ajuda feito por Cardozo, a BrT contratou, no dia 26 daquele mês, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, por R$ 5,3 milhões, para prestar "serviços de assessoria jurídica na condução e acompanhamento" justamente nos procedimentos administrativos no Ministério Público iniciados a partir da solicitação do deputado petista.
Conforme a Folha publicou ontem, a auditoria na BrT não conseguiu localizar nenhum elemento concreto de que Kakay, amigo do ex-ministro José Dirceu (PT), tenha efetivamente prestado serviços nesse caso, muito menos que justificassem o recebimento de R$ 5,3 milhões. Dantas considera a auditoria enviesada.
A mensagem em que aparece o nome de Cardozo foi enviada por Sami Arap a Humberto José da Rocha Braz, na época diretor da BrT. Depois de cinco dias foragido, Braz se entregou no domingo à PF. Ele teve prisão decretada por ter sido flagrado tentando corromper um delegado em nome de Dantas.
À Folha, Cardozo admitiu ter tido a ajuda de advogados da BrT e de ter conversado com Sami Arap. Mas disse ter feito a representação em prol dos fundos de pensão estatais, entre os quais a Previ (Banco do Brasil), sócios da BrT. Afirma também que nunca conversou com Kakay sobre a representação ao Ministério Público.
"Se a representação que eu fiz serviu a interesses empresariais, não me importou nem me importa. Todo homem público que recebe uma denúncia fundamentada, como recebi, tem que tomar providências. Se não fizer isso, comete o crime de prevaricação", disse Cardozo.

Buraco
Há, contudo, um buraco na explicação. Os dirigentes dos fundos não contestaram a compra da CRT e declararam ao Ministério Público não ter tido prejuízos com o negócio. Segundo a Folha apurou, os dirigentes dos três grandes fundos estatais (Previ, Petros [Petrobras] e Funcef [Caixa Econômica Federal]), todos petistas, não pediram ajuda de Cardozo no assunto e sempre viram a atuação do deputado como algo em benefício do Opportunity.
Cardozo disse que inicialmente recebeu, em caráter anônimo, informações segundo as quais os fundos de pensão de estatais teriam adquirido a CRT em um negócio superfaturado em R$ 250 milhões, por pressão da Telecom Italia, também integrante da composição societária da BrT.
Agora ele diz ter certeza de que sua fonte anônima de informação sempre foram advogados da BrT, os quais posteriormente o procuraram e o ajudaram a alimentar sua ação no Ministério Público.
Cardozo requisitou abertura de investigação nas áreas cível e criminal. Na primeira, o caso foi arquivado em agosto de 2004, mesmo com a contratação de Kakay naquele mês. O Ministério Público entendeu que o assunto se limitava à esfera privada. A principal razão para o arquivamento foram os depoimentos dos dirigentes dos fundos. Na área criminal, a investigação foi aberta, mas corre em segredo de Justiça.
Na quinta-feira passada, Cardozo procurou o Painel, da Folha, para rebater nota publicada no dia anterior sobre sua proximidade com Dantas. "Qual é o fato que me liga a esse senhor? Estive num jantar com ele, a pedido do então ministro Márcio Thomaz Bastos", diz.
Em maio de 2006, o deputado foi a um jantar na casa do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), organizado a pedido de Dantas. O banqueiro queria negar ao ministro que tivesse partido dele uma lista publicada pela revista "Veja", com indícios claros de tratar-se de montagem, com supostas contas de autoridades petistas no exterior, entre as quais Bastos e o presidente Lula.

Renata Lo Prete - (Painel) - Folha de São Paulo -- link (aqui)




A bordo 1.
Luiz Eduardo Greenhalgh também atuou para favorecer Daniel Dantas articulando alterações no texto da MP 412, que prorrogou incentivos fiscais para o setor, o Reporto. O Opportunity detém capital da Santos Brasil, que opera no Porto de Santos. O presidente da empresa, Arthur Joaquim de Carvalho, foi preso na operação da PF. Verônica Dantas integra o Conselho de Administração.

A bordo 2. Em grampo mencionado no inquérito da PF, Greenhalgh ouve do lobista Guilherme Sodré que "eles [o grupo de Dantas] estão operando em turbina máxima" no caso, mas que "ainda não detectou nada dentro do Executivo" nem na Secretaria de Portos em relação à inclusão de emendas na MP, que foi aprovada no final de maio.

Acervo. Até se enrolar com a operação da PF, Greenhalgh mantinha um blog, hospedado no site do PT estadual, cuja atração é uma foto dele com o presidente Lula nos tempos de greve de metalúrgicos no ABC. "LEG" também alimentava seu site pessoal, sob o lema: "A luta faz a lei".

Igor Gielow - Folha de São Paulo - link (aqui)



A queda de Queiroz

BRASÍLIA - O afastamento do delegado Protógenes Queiroz do caso Daniel Dantas, cujas circunstâncias não estão claras ainda, está longe de ser casual. A desculpa oficial de que ele vai fazer um curso não cola, não menos porque a possibilidade de ele ser enquadrado devido ao seu comportamento na condução do caso já era amplamente discutida em Brasília.
Queiroz cometeu diversos erros e exageros. A leitura de seu caudaloso relatório transparece o trabalho de uma mente enevoada por um voluntarismo messiânico que fez lembrar os "bons tempos" do procurador Luiz Francisco de Souza -aquele cruzado contra os excessos tucanos que, curiosamente, amansou sob o governo Lula.
Não importa que ele não saiba escrever em português compreensível; assusta que ele acredite representar "o bem" em uma batalha. Isso é inaceitável na condução de uma função de Estado. As decorrências legais são as conhecidas: abusos e ilações paranóicas.
Mas não foi isso que derrubou Queiroz. Imerso em seu personagem quixotesco, ele ignorou superiores, para dizer o mínimo. Fez a investigação do jeito que achou melhor, e assim alienou o entorno policial de seus detalhes. De quebra, não é da patota que manda na PF hoje. Isso é fatal numa corporação tão dada a controle e ao poder das panelinhas.
Isso dito, a pergunta que resta agora é outra. Seu afastamento irá refrear as investigações sobre Daniel Dantas? A escandalosa tentativa de suborno de um delegado federal terá sua elucidação abafada? Toda a rede de influência do banqueiro em diversas esferas do poder brasileiro, ainda que apenas arranhadas de forma pouco convincente no inquérito, deixará de ser alvo de apuração?
A partir da resposta, saberemos a real extensão do medo que Dantas provoca no poder. A investigação tem que continuar.

Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)



Uma ilha de tranqüilidade

SÃO PAULO - Coleção das manchetes da manhã de ontem do jornal britânico "Financial Times", que não é exatamente o protótipo do tablóide sensacionalista:
1 - Sensação de mal-estar atinge o dólar e as ações globais. Conta a história da queda nos mercados por conta da desconfiança em relação à eficácia do socorro às empresas hipotecárias norte-americanas.
2 - Paramount forçada a suspender financiamento de US$ 450 milhões. Nem Hollywood escapa do sufoco creditício, como revela o fato de que esse estúdio emblemático teve que suspender a tentativa de levantar grana para filmes.
3 - TCI perde US$ 1 bilhão, no pior mês. TCI é um fundo de hedge (desses que tentam se proteger apostando em diferentes ativos). É um fundo politicamente correto (chama-se Fundo de Investimento em Crianças). Nem assim se salvou do mau humor nos mercados.
4 - Dólar atinge recorde de baixa em relação ao euro. É o incontrolável derretimento da moeda norte-americana, mesmo depois de George Walker Bush ter dito e repetido que é a favor do "dólar forte". Parece que ele não dá uma dentro.
5 - Petróleo e ouro sobem, enquanto o dólar afunda. Dispensa comentários.
6 - Bolsa britânica cai abaixo de 5.200 pontos (por conta principalmente da queda das ações das empresas financeiras).
7 - Bancos puxam para baixo as ações européias. É a generalização, para a Europa, do item anterior.
8 - Ações asiáticas protagonizam declínio generalizado. É igual aos itens 6 e 7, mas para a Ásia.
9 - Inflação no Reino Unido sobe para 3,8% em junho (é o dobro da meta do governo).
Enquanto isso, no Brasil, tudo deve estar no melhor dos mundos, posto que a única discussão, por aqui, é para decidir quem é o vilão do dia (ou do mês), se o ministro Gilmar Mendes ou o juiz Fausto De Sanctis.


Sinfrônio - Diário do Nordeste - Fortaleza (CE)

História das trevas - (Editorial) - Folha de São Paulo - link (aqui)



Governo que se afirma paladino da República no caso Dantas é o mesmo que, em surdina, facilita e conduz fusão de teles

O EX-DEPUTADO Luiz Eduardo Greenhalgh, candidato do Planalto na fatídica eleição de Severino Cavalcanti na Câmara, acaba de descer ao Hades do governo Lula. No mundo das sombras, o advogado vai ter com outras figuras que, como ele, já desfrutaram do prestígio presidencial, mas foram descartadas em nome da preservação do poder.
Greenhalgh, contratado pelo banqueiro Daniel Dantas, pediu um favor ao companheiro Gilberto Carvalho, assessor do presidente da República. Segundo Carvalho, o advogado mostrou-se preocupado com uma perseguição a um de seus clientes; queria saber se o perseguidor, que se dizia agente da Abin, pertencia mesmo ao quadro do Gabinete de Segurança Institucional, ligado à Presidência.
Na tentativa de evitar um seqüestro ou algo assim, Carvalho, sempre de acordo com a sua versão, foi pedir explicações no GSI. Confirmou para Greenhalgh que se tratava de um araponga legítimo. Mais não disse, porém, quando instado pelo advogado a fornecer detalhes da investigação. O cliente em questão era Humberto Braz, preso no domingo, que, segundo a PF, tentou corromper os agentes responsáveis pela Operação Satiagraha com US$ 1 milhão. O assessor de Lula afirma que, à época do favor, não sabia nada sobre Braz.
O advogado Greenhalgh também bateu à porta da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Foi recebido quatro vezes desde 2007 -dois desses encontros não constavam da agenda pública da ministra. A assessoria da Casa Civil diz que, quando Greenhalgh tentou transmitir um recado de Dantas, foi logo interrompido por Rousseff, que lhe recomendou que fosse tratar desse tema privado com os sócios do banqueiro na telefonia.
Os fatos narrados assim, da perspectiva do governo, pintam Greenhalgh como um ardiloso lobista a serviço de Dantas. Dilma Rousseff e Gilberto Carvalho são os herdeiros de Catão na defesa do interesse dos cidadãos contra a sanha dos saqueadores da república. É enredo adequado para histórias em quadrinhos, mas inverossímil na vida real.
Em silêncio, afinal, se desenrola nos corredores do governo federal um dos maiores negócios público-privados dos últimos tempos, a compra da Brasil Telecom -da qual Dantas foi controlador- pela Oi. A sintonia escandalosa entre o interesse privado e a ação do governo não poderia ser maior. O Executivo, além de controlar acionistas-chave para o processo (fundos de pensão e BNDES), vai subverter o modelo de concorrência na telefonia para acomodar o fato consumado empresarial.
O arremedo de prestação de contas ensaiado por assessores de Lula deveria ser substituído pela atitude, esta sim republicana, de lançar luz sobre todos os lances desse processo -quer sobre a atuação dos interesses de Dantas no governo, quer sobre a novela maior, a fusão das telefônicas. A história contada das trevas costuma reservar surpresas desagradáveis aos governantes.

Charge do dia



Pancho - Gazeta do Povo - Curitiba (PR)

Comercial antigo - Karman Guia

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Guerra na PF derruba o algoz de Daniel Dantas

Folha de São Paulo - Pressionado, delegado deixa caso Dantas

O Estado de São Paulo - PF afasta delegados do caso Dantas

O Globo - Delegados que investigaram Daniel Dantas deixam o caso

Correio Brasiliense - Senado arquiva trem da alegria