domingo, 2 de novembro de 2008

CLUSTER S K Y . F M - Bossa Nova Jazz - link (aqui) - dica do blogbar do fontana


Uma estação de rádio para quem gosta de Bossa Nova

Edith Piaf - "L'Hymne à l'amour"

"Stardust" - Nat King Cole

Bar é arte


Giuseppe de Nittis ( 1846 - 1884 )

Nudo con le Calze Rosse

Pastel on paper ( 1879 )

Após a terceira dose - bar é poesia




Um leve aceno

(luiz alfredo motta fontana)


Pouco ou nada sei

Talvez comemore hoje

talvez antecipe

leva consigo

um tradicional perdido olhar

além do óbvio

aquém do esperado

com certeza caminha

por certo compreende

o não palpável

Quiçá seja feliz

Márcia - "Eu e a Brisa"

Charge do dia



Tacho - Correio do Povo - Porto Alegre, RS

Taxa zero de juro nos EUA? - Estadão online - link (aqui)


Edmund L. Andrews *

Uma taxa de juros zero faz pensar em dinheiro de graça ou em alguma promoção da General Motors para a compra de carros. Mas será possível que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) chegue a isso?

Neste momento, já está bem perto. Na quarta-feira, o banco central americano baixou sua taxa dos fundos federais - que os bancos cobram entre si para empréstimos de curtíssimo prazo - de 1,5% para 1%.

Mas, na prática, a taxa flutua ligeiramente em torno de sua meta, enquanto o Fed realiza operações de open market nos mercados financeiros. E, como bancos e instituições financeiras ficaram tão apavorados com o problema dos empréstimos no mês passado, a taxa real dos fundos federais esteve abaixo de 1% nas duas últimas semanas. Na terça-feira, sua média chegou a apenas 0,67%.

Os analistas agora acham que a economia está tão fraca que o Fed terá de reduzir sua meta oficial para zero, se quiser ajudar a economia a sair da crise.

O banco central do Japão baixou a zero sua taxa de juros de referência por cinco anos, de 2001 a 2006. E o fez principalmente para combater um caso persistente de deflação e para reativar o crescimento econômico.

Para alguns analistas, já há indicações de que os Estados Unidos enfrentam ameaça semelhante. Os bancos americanos, como os do Japão, foram tão castigados pelos prejuízos no setor imobiliário que são incapazes ou não querem retomar as operações normais de empréstimos. E, como os preços do petróleo e de muitas outras commodities despencaram nas duas últimas semanas, alguns analistas agora advertem que a deflação poderá ser mais uma ameaça.

Enquanto a taxa dos fundos federais já chegou a 1%, e em muitos dias abaixo mesmo de 1%, o banco central aproxima-se rapidamente do que os economistas definem como "limite zero".

Se a taxa cair mesmo a zero, não significará que o dinheiro deixará de ter custo para consumidores ou empresas. A taxa zero se aplicará somente às reservas que os bancos são obrigados a manter e emprestam entre si. Os clientes ainda terão de pagar algum juro, mas as taxas poderão ser muito baixas para algumas empresas.

A questão concreta para os estrategistas é o que fazer se chegarem à taxa zero e ainda quiserem recuperar a economia. Autoridades do Fed estudaram profundamente a questão. O chairman do Fed, Ben S. Bernanke, fez um discurso que se tornou famoso sobre o tema, em 2002.

Naquele discurso, ele descreveu várias opções. A mais simples seria que o Fed começasse a comprar títulos do Tesouro com vencimentos mais longos. A compra desses títulos contribuiria para puxar os preços para cima e para baixar as taxas de juros de prazo mais longo.

Se isso não funcionar, o Fed poderia começar a comprar títulos da dívida de colocação privada, como bônus corporativos. Na realidade, o Fed imprimiria mais dinheiro e o injetaria na economia. Um excesso de dinheiro provocaria nova rodada de inflação e talvez mais uma bolha de ativos. Mas a inflação japonesa nunca deslanchou.

Depois de cinco anos, o Banco do Japão elevou cautelosamente a sua taxa para 0,5%. Na semana passada, ela foi reduzida a 0,3%.

*Edmund L. Andrews é colunista do The New York Times

Elio Gaspari - Folha de São Paulo - link (aqui)



O juiz Oliveira ouve, mas não se faz ouvir


Itaguaí tem 95 mil habitantes e sua Vara Criminal expediu 2.147 grampos telefônicos


O PRESIDENTE do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, quer disciplinar os grampos telefônicos, mas uma perfídia da burocracia botou no colo do Judiciário uma estatística intrigante. O Estado do Rio de Janeiro tem 81 comarcas e em 2007 seus magistrados autorizaram 7.145 interceptações telefônicas. O juiz Rafael de Oliveira, da comarca de Itaguaí, ficou com 2.147 desses grampos, ou três por dia. À operadora Claro ele pediu 874 interceptações, equivalentes a um terço do total encaminhado à empresa no Estado.
Foi em Itaguaí que Machado de Assis instalou o médico Simão Bacamarte. Estudando os malucos do lugar, convenceu-se de que a loucura não era "uma ilha perdida no oceano da razão", mas "um continente". O doutor fundou um hospício e nele trancou tanta gente que provocou uma rebelião. Quando pediram-lhe explicações, afirmou: "Não dou razão dos meus atos de alienista a ninguém, salvo aos mestres e a Deus".
O deputado Marcelo Itagiba, presidente da CPI dos Grampos, convocou o doutor Oliveira para explicar a ciência interceptadora de sua comarca, mas ele argumentou que "não é dado ao juiz manifestar-se sobre processos em que funcione, muito menos naqueles que estejam acobertados pelo sigilo"". Sendo assim, o magistrado recorreu ao Pretório Excelso de Brasília e, no último dia 21, lá obteve um habeas corpus desobrigando-se da oitiva.
Em seu recurso ao Supremo Tribunal, o magistrado informou que encaminhara ao corregedor-geral de Justiça do Rio um expediente "esclarecendo pormenorizadamente, sem prejuízo do sigilo, acerca dos procedimentos cautelares deferidos por mim". Ele argumentou que o comparecimento a uma audiência pública colocaria em risco sua segurança, bem como a de seus familiares. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, doutor Airton Valadares Pires, endossou o cuidado, pois, segundo ele, os atos do juiz expuseram "de forma direta e precisa o quadro preocupante vivenciado pela Comarca de Itaguaí". (Se todas as interceptações estivessem relacionadas com o quadro de Itaguaí, sua população de 95 mil habitantes vivenciaria um grampo para cada 44 bípedes.)
Entendem-se e respeitam-se todos os amparos que a ciência jurídica e a devida proteção aos servidores da coisa pública dão ao doutor Oliveira. É essa a boa forma de funcionamento do Estado e dos seus súditos, mas ficaria tudo mais simples se a patuléia tivesse acesso a qualquer migalha de explicação racional para a dosagem da medicação eletrônica de Itaguaí.




PRESENTE
Faltam dois dias para se saber o nome do sucessor de George Bush. Quem quiser, pode pegar na internet relógios contando os dias, horas e segundos para a partida do pior presidente da história americana. Hoje, faltam 78 dias.
Há vários modelos. Basta passar "Bush countdown clock" no Google.

A CONTA
Não se sabe o que Bush pretende fazer da vida, mas perderá muito tempo explicando-se.
Charlotte Dennett, uma advogada do Vermont pretende processá-lo pelas mentiras que contou para invadir o Iraque. Até aí, nada demais porque sempre há um alguém batalhando por 15 minutos de fama. O caso agravou-se porque o promotor Vincent Bugliosi associou-se à senhora.
Bugliosi vive na Califórnia e ganhou 105 dos 106 casos em que litigou. Pediu 21 penas de morte e ganhou todas. Ele escreveu "O Processo contra George Bush por Assassinato"", livro boicotado pela imprensa americana, levado às listas de mais vendidos por emissoras de rádio e pela internet.
Antes que ele seja confundido com um aventureiro, vale lembrar que seu trabalho anterior, "Resgatando a História", com 1.612 páginas e outras tantas num CD de notas, é a melhor reconstituição do assassinato do presidente John Kennedy. A conclusão: o crime foi cometido por Lee Oswald sozinho, e o resto é conversa fiada.

BANCA TÓXICA
Antiga lição do professor Delfim Netto:
"Em época de crise, se você ouvir dois banqueiros juntos, eles mentem. Se você ouvir um de cada vez, eles choram".

AVISO AMIGO
Quem trabalha na padaria financeira metendo a mão na massa garante que, apesar do teatro da turma do balcão, até hoje não chegou um só ceitil às cabeceiras da economia real. Os doutores do governo acreditam que dinheiro anda sozinho.

PRESUNTO DE MICO
Os sábios da banca que emprestaram mais de US$ 2,4 bilhões à Sadia com a cláusula tóxica da aposta contra o dólar tiveram o cuidado de eleger a cidade de Nova York como foro para eventuais litígios. (O empréstimo foi para uma subsidiária da empresa, chamada Wellax Food Logistics, com sede no paraíso fiscal da ilha da Madeira.) Tudo bem. A Sadia precisou renegociar o empréstimo e só agora os banqueiros se deram conta de que ela não tem nem sequer um frango na jurisdição dos juízes de Nova York. Isso não significa que nesses casos os calotes fiquem impunes. Globalização, quando é demais, come o dono.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é idiota e convenceu-se disso ao tentar vender à PM paulista uma escada capaz de permitir a passagem de um policial pela janela do segundo andar de um prédio. Na operação tabajara que terminou com o assassinato da jovem Eloá Cristina, um dos soldados que entraram no apartamento perdeu cerca de 15 segundos escalando o parapeito, pois a escada era curta. A idéia de Eremildo era oferecer escadas mais compridas aos ilustres coronéis do Batalhão de Choque da PM paulista. Enganou-se. Não faltou equipamento. A escada usada era extensível e de tamanho adequado. Bastava que a tivessem espichado direito. Eremildo entendeu. Afinal, é um idiota.



DE CARLOSLACERDA@EDU PARA EDUARDOPAES@GOV

Caro prefeito,
Começo testando-o: qual a marca do meu governo no Rio, que foi de 1960 a 1965? Se você respondeu que é o aterro do Flamengo, logrei-o. Meu grande trabalho foi a adutora do Guandu, que regularizou o fornecimento de água à cidade. No aterro eu só botei as plantas. Quem moveu a terra foi o Juscelino. Digo isso para demonstrar o poder das idéias num governo. Quem me convenceu a fazer um parque naquele aterro foi a adorável maluca Lota Macedo Soares. (Lembra dela? É a personagem da peça da Marta Goes.)
Você promete revitalizar a área portuária do Rio. Quem fizer isso recriará a cidade, como eu e o Pereira Passos.
Faça com a zona portuária o que fizeram com Barcelona e Buenos Aires. Chute a burocracia. Chame os doidos e os mandões (a Lota mandava em mim), convoque arquitetos de todo o mundo para projetar a mudança e papeleiros de todas as praias para equacionar as contas. Mantenha os políticos longe da obra e, pelo amor de Deus, não crie grupos de estudo ou comissões (em todos os sentidos).
Por amor ao Rio,
Carlos Lacerda

Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)



O pato, a manada e as reservas

SÃO PAULO - Dois econometristas saem para caçar patos. O primeiro atira e erra por meio metro à direita. O segundo dispara, erra por meio metro à esquerda e grita, eufórico: "Acertamos".
Seria engraçado, não fosse o fato de que os jornalistas passamos anos acreditando que, de fato, os dois haviam acertado. Reproduzimos passivamente previsões atrás de previsões sobre tudo (juros, câmbio, crescimento, inflação etc.), mesmo quando os "previsores" erram ano após ano.
Desprezamos um ensinamento básico, o de que a atividade econômica é, no fim das contas, o produto de decisões e atitudes de milhões (ou bilhões) de seres humanos, o que, por definição, torna prevê-las tarefa para oráculos -não para economistas, mesmo para os que se acham oráculos.
Comportamo-nos como manada ao repetir dia após dia, para citar só um exemplo, que os US$ 200 bilhões de reservas blindavam a economia. Só agora entra na agenda a dúvida, exposta aliás separada, mas coincidentemente por dois acadêmicos de extremos ideológicos opostos.
Escreve Cesar Benjamin, que foi candidato a vice-presidente pelo PSOL: "A maior parte dessas reservas foi formada com capital externo de curto prazo, atraído ao Brasil pelos juros altos e aqui distribuídos em ativos dotados de elevada liquidez. As reservas brasileiras são a contrapartida de um passivo líquido que, ao se mover, pode reduzi-las a pó".
Ecoa Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Febraban, no mais recente boletim Fipe: "Preocupa o anúncio de que "US$ 200 bilhões de reservas blindam a economia" sem ressalvar que o volume de capital externo de curto prazo é quase o triplo desse valor".
Pode ser que ambos errem. Mas já engolimos tantos "acertamos" errados que não custa pelo menos parar para pensar.