sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bar é poesia - Martha Medeiros


Martha Medeiros




Quando chegar...


Martha Medeiros

quando chegar aos 30
serei uma mulher de verdade
nem Amélia nem ninguém
um belo futuro pela frente
e um pouco mais de calma talvez

e quando chegar aos 50
serei livre, linda e forte
terei gente boa ao lado
saberei um pouco mais do amor
e da vida quem sabe

e quando chegar aos 90
já sem força, sem futuro, sem idade
vou fazer uma festa de prazer
convidar todos que amei
registrar tudo que sei
e morrer de saudade

Bar é arte


Georges-Jules-Victor Clairin, Portrait de Sarah Bernhardt, 1876
© Petit Palais / Roger-Viollet

Após a terceira dose - bar é poesia



Dizem...


(luiz alfredo motta fontana)



Dizem que construímos mundos

Confortáveis, seguros, apreciados...

Cercados, por vezes floridos

Uma orquídea aqui, outra acolá




Depois, estremecemos

Passamos ao cuidar

Barreiras, muros altos, portas, sete chaves

E o mundo fica mundinho

aprisionando

Qual gaiola o Bem-te-vi




Dizem que existem outros

Descuidados, sem essas manhas

Sem jardins, afora as praças

Sem quadros na parede, até pela ausência delas

Sem criados, mesmo que mudos

Levam consigo apenas o olhar,

E no olhar, o já visto e o porvir

Dizem que diversos, quase que avessos, seguindo seus caminhos,

mesmo que paralelos, apartados




Uns

com o mapa feito, com o chegar já conhecido

Outros

levados pela brisa, com o pousar não previsto




Dizem...

É a forma que encontraram

Para carimbar o estranho




Mas...

e apesar do dito...

Valeram os breves momentos havidos

Quando a lua se fez cúmplice

Quando a carícia se vestiu de afago

Quando terno era o desejo

Que mesmo assim queimava como lume




Afora isso o aprendizado...

Melhor ter vivido

do que apenas

o sonho

ter mantido aprisonado

Paulinho da Viola -" Meu Mundo É Hoje" - Cápsula da Cultura

meu mundo é hoje
paulinho da viola
Composição: Wilson Batista

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim
Eu sou assim, assim morrerei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se agacham até o chão
Enganando a si mesmo por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte desse enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.

Swingle Singers - Insensatez (live in Catania)

Insensatez

Composição: Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai meu coração ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não
Pede perdão
Não é nunca perdoado

Para Viver Um Grande Amor - Vinícius de Moraes


Para Viver Um Grande Amor

(Vinícius de Moraes)


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

Para uma menina como uma flor - Vinícius de moraes



PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR

(vinícius de moraes)


Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nosasas malas seguiram
sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas
estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu
cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair
para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você
se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você
é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada",
a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche
de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobre tudo porque você é uma menina com uma flor.

Bar é poesia - Flora Figueiredo


Flora Figueiredo



Retirada
(Flora Figueiredo)


Respeite o silêncio
a omissão,
a ausência.
É meu movimento de deserção.
Abandonei o posto,
rompi a corda,
desacreditei de tudo.
Cansei de esperar que finalmente um dia,
minha fotografia
fizesse jus ao seu criado-mudo.

Bar é arte


Frank Duveneck ( 1848 - 1919 )

Nude Standing

Oil on canvas ( 1892 )

Joan Baez - "Where have All The Flowers Gone"

"Early Morning Rain" - Peter, Paul and Mary

Bar é poesia - Mario Quintana


Mario Quintana



Poeminho do Contra

(Mario Quintana)


Todos estes que aí estão

Atravancando meu caminho

Eles passarão

Eu passarinho

Bar é poesia - Fernando Pessoa


Fernando Pessoa





O que ouviu meus versos

(Alberto Caeiro)


O que ouviu meus versos disse-me: "Que tem isso de novo?

Todos sabem que uma flor é uma flor e uma árvore é uma árvore.

Mas eu respondi, nem todos, (?............ )

Porque todos amam as flores por serem belas, e eu sou diferente

E todos amam as árvores por serem verdes e darem sombra, mas eu não.

Eu amo as flores por serem flores, diretamente.

Eu amo as árvores por serem árvores, sem o meu pensamento.

Elvis Costello And The Attractions - "Radio Radio"

Paul McCartney - "A Day In The Life" (Live at Liverpool, 2008)

Bar é arte


Jules Marie Auguste Leroux - French Artist

The Mirror
- Oil on canvas (1871)

BIBIE - "TOUT DOUCEMENT"


1985 : premier grand succés pour Bibie avec "Tout Doucement" qu'elle interprète ici en live...L'année suivante c'est le titre "J'veux Pas Le Savoir" qui sera présent au TOP 50...

The Who - "the kids are alright"

video de The Who - The kids are alright en
hyde park

I don't mind other guys dancing with my girl
That's fine, I know them all pretty well
But I know sometimes I must get out in the light
Better leave her behind with the kids, they're alright
The kids are alright

Sometimes, I feel I gotta get away
Bells chime, I know I gotta get away
And I know if I don't, I'll go out of my mind
Better leave her behind with the kids, they're alright
The kids are alright

I know if I go things would be a lot better for her
I had things planned, but her folks wouldn't let her

I don't mind other guys dancing with my girl
That's fine, I know them all pretty well
But I know sometimes I must get out in the light
Better leave her behind with the kids, they're alright
The kids are alright

Sometimes, I feel I gotta get away
Bells chime, I know I gotta get away
And I know if I don't, I'll go out of my mind
Better leave her behind with the kids, they're alright
The kids are alright

por vezes, o bar se cala, e homenageia

VIAGEM NAS ASAS DA POESIA

Comercial antigo - Leite Ninho

Charge do dia


Pancho - Gazeta do Povo - Curitiba, PR

Le vendite di automobili nuove Nel mese di ottobre. In Europa soffre la Spagna (-40%) - Corriere Della Sera, it - link (aqui)


Auto, immatricolazioni in calo del 18,89%

È il secondo mese peggiore del 2008 dopo agosto. Fiat in calo del 13%. Ma la quota di mercato del Lingotto aumenta

MILANO - Continua ad attraversare un periodo buio il mercato dell'auto in Italia a ottobre. Le immatricolazioni, a due mesi dalla fine dell'anno, sono scese del 18,89%, a 167.940 unità, contro le 207.049 di un anno fa. Lo rende noto il ministero dei Trasporti. Un ottobre così magro non si registrava da 12 anni (144.248 targhe nel 1996). Si tratta inoltre del secondo mese peggiore del 2008 dopo agosto. A settembre il calo era stato del 5,5%. Nei primi dieci mesi dell'anno sono state immatricolate in Italia 1.879.165 unità, segnando una flessione dell'11,97% rispetto alle 2.134.755 dello stesso periodo del 2007.

FIAT - Le immatricolazioni in Italia di Fiat Group Automobiles sono scese a ottobre del 13,12%, a 55.129 unità, contro le 63.457 di ottobre 2007. A settembre le immatricolazioni del gruppo torinese erano calate del 5,99%, a 54.302 unità. Tuttavia il Lingotto si spinge al 32,8% di quota ad ottobre (+2,2 punti percentuali) e al 32% nel progressivo annuo (+0,7 punti percentuali). Crescono anche ad ottobre le quote di tutti i brand (+0,9 punti percentuali per Fiat, +0,8 per Lancia e +0,4 per Alfa Romeo). Ancora tutto Fiat il podio delle vetture più vendute nel mese. Al primo posto la Panda con oltre 13 mila immatricolazioni e una quota del 34,9 per cento nel segmento A. Al secondo posto la Punto con oltre 10 mila vendite e una quota del 21,4% nel suo segmento. Ottimo esordio - nota il Lingotto - per la Grande Punto Natural Power che, appena lanciata, ha già raccolto 5 mila ordini. La terza vettura più venduta in Italia a ottobre è stata la 500 (più di 8.600 immatricolazioni e una quota del 22,9% nel suo segmento). Sommando Panda e 500, il brand Fiat ha nel segmento A una quota di quasi il 59%.

SPAGNA - La flessione del mercato italiano rispecchia quella europea. In ottobre le immatricolazioni di auto nuove sono crollate del 40% in Spagna e sono scese del 7,3% in Francia. In Spagna le vendite di auto nuove in ottobre sono scese al livello più basso dal 1995 e in percentuale è il terzo più consistente registrato dal mercato. Lo comunica l'associazione dei costruttori spagnoli di auto (Anfac). Nei primi dieci mesi del 2008 il volume totale delle immatricolazioni è sceso del 23,8%.

FRANCIA - Difficoltà anche in Francia, dove le immatricolazioni di nuove auto a ottobre sono calate del 7,3% rispetto a un anno prima. Considerando i primi dieci mesi dell'anno, il bilancio è ancora positivo, ma si è ridotto all'1,2%. Per il gruppo Psa-Peugeot-Citroen il calo è stato del 4,7%, con il marchio Citroen sostanzialmente stabile e quello Peugeot in calo dell'8,6%. Per Renault il calo complessivo è stato del 9,8%, con un -13% relativo al marchio Renault compensato dall'aumento delle vendite della filiale romena Dacia. Bene invece il gruppo Fiat, che ha messo a segno un incremento del 33,9%.

Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)



Nem fusão nem compra ou venda, o

ITAÚ INCORPOROU O UNIBANCO

Impressionante a desinformação da mídia,, em relação à incorporação do Unibanco ao Itaú. Não houve fusão ou compra e venda, cada jornalão escolheu a forma de se posicionar. De acordo, lógico, com os poderosos interesses dos bancos e dos próprios jornalões.

Não houve fusão alguma. Nem compra ou venda. Houve incorporação do Unibanco pelo Itaú. Tanto assim que o Itaú ficou com a maioria das ações. Caso contrário, não teria o poder de comando. A incorporação, claro, atingirá o nível de emprego (desemprego) e de agências do novo banco que surge. Basta verificar o seguinte: em ruas, como a Visconde de Pirajá e a N.S. de Copacabana, não poderão existir agências lado a lado do mesmo banco.

Por sinal, quando assumiu o Nacional, a direção do Unibanco informou que manteria todas as agências do BN. Não houve nada disso. O Unibanco fechou quase todas. Não há condição de acontecer o contrário no capitalismo.

Com a operação, o Itaú manterá a rentabilidade total do compulsório pela Selic, nos termos da própria resolução do Banco Central. Isso de um lado. De outro, os colunistas amestrados estão enaltecendo a "fusão", esquecendo o passivo do Unibanco. Só focalizaram o ativo? E as dívidas? E as operações de risco de câmbio? Tudo isso tem que ser levantado pelas reportagens econômicas. Um tema fundamental.

A operação Itaú-Unibanco (na verdade mais uma incorporação do que fusão ou compra e venda) foi o aliciamento ou acumulação de dois bancos, que têm aspectos inacreditáveis.

1 - Assim que a notícia foi publicada, segunda-feira, a impressão geral era a seguinte: "O negócio começou a ser tratado na sexta-feira e terminou no domingo às 10 da noite". Fantástico.

Informação corretíssima: o acordo já vem sendo negociado há 13 meses, e muita gente sabia do que estava sendo tratado, conversado, desenvolvido.

2 - Só existiam duas pessoas interessadas na fusão. Roberto Setubal, do Itaú, e Pedro Moreira Salles. Este com mais três irmãos é o único que se interessa pelo banco. O Fernando tem duas obsessões e interesses maiores. A editora (Companhia das Letras, da qual tem 51 por cento) e a mineradora de nióbio de Araxá, uma das maiores do mundo, e da qual tem também 51 por cento.

Os outros dois irmãos, João e Waltinho, tidos como os intelectuais da família, não querem nem saber o que é que vai acontecer com o ex-Unibanco, qualquer que venha a ser o seu futuro nome. Pela aparição de horas na televisão, Pedro Moreira Salles merece também ser tido como "intelectual". Deu um show completo, só por causa disso Roberto Setubal deveria anular o negócio.

Apesar do patrimônio do Itaú ser 4 vezes maior do que o do Unibanco, na apresentação da televisão Pedro Moreira Salles deixou o Setubal em quinto plano.

No ranking distribuído às empresas por Wall Street, o Itaú-Unibanco (fundido ou vendido, tanto faz) aparece em 6º lugar na América Latina. Enquanto o Bradesco está em 8º. A partir de agora não existe banco que não interesse ao Bradesco.

Apesar de dizerem que "ninguém sabia de nada", o Bradesco trabalhou intensamente para que o governo fizesse o que está sendo feito nos EUA e na Europa: o Banco do Brasil comprar o Unibanco. Seria a concretização do novo CAPITALISMO-SOCIALISTA-MARXISTA. E quase o BB virou dono do Unibanco.

Podem colocar de 8 meses a 1 ano, para que as coisas se consolidem. E nesse tempo, o Bradesco fará todas as propostas, qualquer que seja o preço para comprar bancos menores. E existem vários à venda.

O único que realmente só soube na segunda-feira, pela televisão, foi o ministro da Fazenda. O presidente do BC, que comandou tudo, não contou nada a Mantega.

22 pessoas (quase todas Vilela, herdeiras de Olavo Egidio de Souza Aranha, fundador do Itaú) tiveram seus problemas resolvidos. Como eram apenas financeiros, nenhuma complicação.

O Unibanco, em situação desesperada, foi salvo pela incorporação. Se não fosse isso, não resistiria. Quando o Nacional faliu, o Unibanco percebeu a possibilidade de consolidação, não deu certo. Agora, tendo saído do jogo, o Unibanco pelo menos salvou a face. Finge que ainda está em cena, e deu ao simpático Pedro uma chance de se firmar como comentarista de televisão.

PS - Isto é apenas um esclarecimento inicial. O que houve: um acordo de acionistas, sem que ninguém movimentasse um real sequer. Toda a obsessão do Itaú era com o Bradesco. E os acionistas que não são Vilela, Setubal ou Moreira Salles?

PS 2 - Para os Moreira Salles, a mina mesmo é a de nióbio, que rende fortunas. Mas há tanta coisa escondida, que não dá para contar de uma vez.

A escolha da rainha - Estadão online - link (aqui)


Isabel Teixeira, como Mary Stuart, e Georgette Fadel, como Elizabeth I, revivem o afiado duelo sobre poder e liberdade proposto em peça de Schiller

Beth Néspoli

Tem tudo para dar certo. No palco, um duelo entre duas atrizes fortes, Isabel Teixeira e Georgette Fadel, premiadas, de talento reconhecido por quem quer que acompanhe a cena teatral paulistana. Na direção, outra artista premiada, Cibele Forjaz, diretora da Cia. Livre. Juntas, as três assinam o texto de Rainha(s) - Duas Atrizes em Busca de um Coração, livre adaptação de um clássico da dramaturgia de rara beleza, Mary Stuart, do alemão Friedrich Schiller (1759-1805).

A julgar pelo ensaio acompanhado na quarta-feira, a química funcionou. Estréia hoje no Sesc da Avenida Paulista um espetáculo com potência para proporcionar ao espectador alguns daqueles momentos indeléveis de sua memória teatral. Por si só, as personagens históricas que inspiraram Schiller têm uma trajetória de forte carga dramática: Elizabeth I da Inglaterra e sua prima Mary Stuart, soberana da Escócia.

Se hoje ainda se pode contar nos dedos de uma mão as mulheres que são chefes de Estado, não é difícil dimensionar o que representou - conquistas e custos - o reinado de 45 anos de Elizabeth I em pleno século 16. Entre as muitas decisões drásticas que tomou para manter o trono e a sua vida, sempre em risco, ela reteve em cárcere por pouco mais de 18 anos sua prima Mary Stuart, a quem por fim manda decapitar. Sobre esse duelo de rainhas, Schiller constrói sua peça. E cria uma cena densa, que jamais existiu na História, um encontro intenso e dramático entre as duas.

Peça de época, grande densidade, duelo de rainhas - logo o espectador teme deparar-se com uma cena impostada e cheia de arroubos estridentes. Não é o caso. Na delicadeza da abordagem está uma das virtudes desta encenação. Palco e platéia circulares deixam as duas atrizes e o público muito próximos. Em dois extremos opostos dessa arena, elas iniciam o espetáculo vestindo-se em seus camarins numa conversa aparentemente informal, cotidiana, mas como tudo no espetáculo, cuidadosamente preparada para aproximar o espectador do universo dessas rainhas de vidas intensas. E conseguem humanizá-las sem lhes tirar a majestade.

Schiller debruça-se sobre a vida dessas duas mulheres poderosas, aparentemente em situações opostas, também para revelar o que elas têm em comum: ambas são pouco senhoras de seu destino e vivem em constante temor pela própria vida. Sobre o paralelo entre essas soberanas e as mulheres dos dias de hoje essas três artistas fincam sua encenação. "Schiller calca sua peça no coração", diz Isabel Teixeira. Na livre adaptação da História feita por esse autor, Elizabeth hesita em matar Mary Stuart e não só por questões políticas, mas também humanas. "O soberano deve possuir forças e o meu coração é bem fraco", diz a rainha da Inglaterra. Não por acaso, logo de início há uma busca, no camarim, por um coração, supostamente um objeto de cena necessário para um futuro efeito numa cena de morte.

"Essa foi a primeira imagem que veio à minha mente quando pensei na montagem. Era só uma imagem. Mas essa busca por um coração virou a chave da peça", diz Isabel, intérprete de Mary Stuart. "É uma peça com muitas camadas de entendimento. Quando a gente a lê fica fascinado, quer fazer, mas ao pegá-la pra valer se dá conta de que é muito difícil", diz a diretora Cibele. Nessa montagem, talvez se percam do original as intrincadas questões políticas da época, o século 16, mas as atrizes preferiram centrar seu olhar sobre aspectos como paixão e liberdade.

"Elizabeth tenta convencer de que não tinha outra saída senão matar. Ela própria ficou presa numa torre. A cabeça dela também está sempre por um fio", diz Georgette, que vive a rainha inglesa. Mas nada é tão simples. Numa das cenas, ela circula pelo palco no papel da ?atriz atarefada? e vai aos poucos fazendo uma transição para a soberana Elizabeth com seus compromissos de rainha que aprisionam. "No fundo, tudo é busca de poder e medo da morte." diz ela. "Essa correria do dia-a-dia que não nos deixa tempo para saber onde está nosso coração. A necessidade de produzir, fazer coisas, sem tempo para os invernos da expressão.Vivemos num mundo masculino, que jorra para fora o tempo todo, e não o da gestação no silêncio."

Elizabeth optou pelo poder e abriu mão do coração. O tema da liberdade, tão caro a Schiller, está presente nessa montagem, nos espaços abertos à improvisação e na cena final, em que o público escolhe qual rainha vai morrer.


A disputa histórica que inspirou a obra de Schiller

Filhas de reis, as primas Elizabeth I e Mary Stuart viram-se muito jovens envolvidas numa luta pelo poder

Beth Néspoli

Na Europa do século 16, de estados nacionais ainda em sedimentação, as lutas internas pelo poder eram intensas e cruéis. Filha única de Jaime V, Mary Stuart (1542-1587) tornou-se rainha da Escócia aos seis dias de vida, com a morte de seu pai. Ao 5 anos foi mandada para a França, onde sua beleza chamava atenção. Gostava de poesia e música, falava vários idiomas, entre eles o grego. Casou-se aos 16 anos com o herdeiro do trono, que morre dois anos depois. Viúva, de volta à Escócia, casa com seu primo Henrique, o conde de Darnley, e tem um filho, o futuro Jaime VI da Escócia e Jaime I da Inglaterra.

Mais uma vez fica viúva em 1567 e três meses depois se casa com o conde de Bothwell. Mary Stuart é católica, porém enquanto viveu na França seu país se tornou oficialmente protestante. Em meio a disputas de poder surge a acusação, não comprovada historicamente, de ter assassinado Darnley. Poder e vida em risco, num rompante viaja para a Inglaterra para solicitar a parceria de sua prima Elizabeth. Ela abriria mão do direito ao trono inglês em troca de apoio para reinar na Escócia. Mas é encarcerada assim que cruza a fronteira e permanece detida numa torre até sua decapitação em 1587.

Elizabeth I (1533-1603) era filha de Henrique VIII e Ana Bolena, com quem seu pai se casou após anular seu primeiro casamento católico. Ainda não tinha 3 anos quando sua mãe foi assassinada pelo pai, e aos 8 foi a vez da madrasta. Passou boa parte da juventude aprisionada numa torre e assume o trono aos 25 anos, em 1558, depois da morte de sua irmã Mary I. Considerada bastarda, rainha ilegítima pelos católicos, seu reinado começa instável. Assim que assume o trono, o tio de Mary Stuart reivindica o poder para sua sobrinha, cuja avó era irmã de Henrique VIII. Tal direito lhe obrigará a decretar a prisão e morte da prima. A capacidade de articulação política sedimentará o poder de Elizabeth e de seu país na Europa. Ela governará por 45 anos, até sua morte.

Não ocorreu o encontro entre Elizabeth e Mary Stuart imaginado por Schiller, que rendeu algumas das mais belas páginas da literatura dramática. Comovente e plena de contradições essa cena por si só atrai, pelo desafio, o desejo de grandes atrizes. No Brasil, a dupla Elizabeth e Mary Stuart já foi vivida por Cleyde Yáconis e Cacilda Becker sob direção de Ziembinski, em 1955, e por Renata Sorrah e Xuxa Lopes, em 1996, sob direção de Gabriel Villela. Denise Stoklos criou em 1986 um solo que também transitava entre tempo histórico e presente, no qual encarnava as duas rainhas com fascinante gama de recursos expressivos. Mobilizador e potente, fez sucesso em dezenas de países.

BC acena com retomada do ciclo de alta dos juros - Estadão online - link (aqui)


Ata traz 3 alertas: descompasso entre oferta e demanda segue, BC quer inflação de 4,5% em 2009 e sinais de impactos da crise nos preços são contraditórios

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, BRASÍLIA


O aumento do grau de incerteza e as restrições ao crédito influíram na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de interromper o processo de alta dos juros na semana passada, mas não são elementos suficientes para descartar a possibilidade de, futuramente, o BC retomar as elevações da taxa Selic, mantida em 13,75%, segundo a ata da última reunião do colegiado na semana passada.

O documento, divulgado ontem, faz três alertas: ainda persiste o descompasso entre oferta e demanda, os sinais de impactos da crise financeira na inflação são contraditórios e o Banco Central mantém a decisão de trazer a inflação para 4,5%, o centro da meta definido para 2009. O IPC-A, índice oficial de inflação, está em 6,25% nos últimos 12 meses encerrados em setembro.

Na ata, o Copom não atenua o tamanho da crise externa e reconhece que ela pode desacelerar o ritmo da economia, sendo uma espécie de dose adicional de política monetária sem aplicação por parte do BC. Em tese, isto ajudaria no esforço antiinflacionário, já que o Copom entende que o nível de atividade interna não pode continuar no ritmo que está, sob pena de dar mais combustível à alta nos preços.

Por outro lado, a crise, sobretudo por causa da desvalorização do real, pode provocar maior pressão inflacionária no curto prazo, criando dificuldades adicionais para a gestão da política monetária.

A preocupação com a alta dos preços está expressa na ata quando a diretoria afirma que a "estratégia adotada pelo Copom visa trazer a inflação de volta à meta central de 4,5% tempestivamente, isto é, já em 2009''. Segundo o documento, a calibragem da taxa de juros pode ocorrer, " não necessariamente, de forma contínua", ou seja, a autoridade monetária poderá atuar "na medida em que o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer".

Para o economista-chefe da Ativa Corretora, Arthur Carvalho Filho, o BC foi cuidadoso na redação da ata porque conseguiu deixar aberta a possibilidade de manter o juro por mais tempo ou, eventualmente, retomar o aperto das taxas com novas altas da Selic. "Se o acesso ao crédito continuar restrito, a pressão para a inflação diminui, o que levaria o BC a manter a taxa estável por mais tempo. Mas caso os empréstimos voltem a crescer com força, o Copom pode voltar a subir o juro. Ele deixou as duas portas abertas", diz.

O Copom salienta que o potencial impacto do cenário externo sobre o futuro da economia brasileira continua contraditório e carregado de incerteza. De um lado, ele aponta para desaceleração econômica e redução dos preços das commodities, o que favorece a queda da inflação. De outro, eleva a aversão ao risco e reduz a demanda por produtos brasileiros, afetando negativamente a balança comercial.

O Copom também destaca que, nos países desenvolvidos, a crise tem um impacto negativo mais claro na atividade econômica. Por isso, permite que os bancos centrais dessas nações promovam agressivas reduções de juros sem perder o controle da inflação. Já nas economias emergentes, avalia o BC, o cenário é mais diversificado, já que a crise leva a desvalorização das moedas e, conseqüentemente, a maior pressão inflacionária.


TRADUZINDO A ATA

A demanda ainda cresce em ritmo maior que a oferta na economia, o que é um importante fator de risco inflacionário para o País

A desvalorização do real, em razão do aumento do risco e piora do cenário externo, pode elevar as pressão inflacionária a curto prazo

A crise internacional restringiu o crédito, o que pode conter a demanda. Essa conseqüência da crise se soma ao efeito das altas de juros, de conter a demanda, ajudando a reduzir a inflação

Nesse ambiente de incerteza, o Copom decidiu manter a Selic.

O Copom está atento à inflação e pode ajustar os juros, mesmo que de forma descontínua, para garantir o controle dos preços

O Copom trabalha para que inflação feche 2009 no centro da meta de 4,5%

O efeito da crise na atividade econômica dos países desenvolvidos é forte, por isso as políticas monetárias estão mais flexíveis. Nos emergentes, o impacto não é claro e há desvalorização cambial, com impacto na inflação, o que diversifica as políticas monetárias

A gasolina não deve subir este ano, mas a queda do petróleo pode se transmitir para economia; combustíveis, energia e telefones devem subir mais em 2009: 5,5%, ante 4,8% na previsão anterior

Dora Kramer - Estadão online - link (aqui)


Mestre-sala porta a bandeira

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, assustou um bocado de gente em sua última passagem por Brasília. Reuniu-se com a bancada de deputados federais do partido e, na saída, não fez por menos: "Será perverso para o Brasil (agüentar) mais quatro anos disso que está aí".

A saber: "Um governo extremamente perdulário"'', que empurrou "a ética para debaixo do tapete" e cujo presidente não tem condições políticas de manter unida a tropa de aliados na eleição de 2010 nem dispõe de dons eleitorais suficientes para "ungir alguém à cadeira presidencial".

Isso dito na quarta-feira, porque já há algumas semanas o governador vem mostrando os dentes. Entre o primeiro e o segundo turno das eleições municipais ele já defendia a caça aos aliados de Lula, apontava defeitos na conduta do presidente nos seis anos passados - "não arbitra nada, por isso não fez as reformas" - e afirmava que o PSDB poderia se apresentar como um contraponto de eficácia, principalmente "para gerenciar os efeitos da crise mundial".

Terminado o pleito, veio a público defender duas vezes - uma delas ao lado de José Serra - a realização de prévias para a definição do candidato ainda em 2009, a fim de não se repetir o desgaste da escolha de 2006.

Proposital ou involuntário, o uso da expressão "isso que está aí" - o bordão contra tudo e contra todos, consagrado pelo PT oposicionista - na denúncia da "perversidade" de um novo mandato petista não deixa de ser significativo como marco da atuação mais nítida do PSDB na oposição ao governo Luiz Inácio da Silva.

E por que Aécio Neves, o patrocinador da aliança entre os dois partidos que acabou de eleger o prefeito de Belo Horizonte, no papel de portador da voz e da bandeira dos tucanos para a batalha da sucessão presidencial?

Uma rápida consulta ao breviário dos ritos internos do PSDB sugere que justamente por ser conhecido como o mais ameno entre os moderados do partido, o governador de Minas tem o perfil ideal à ocasião.

Do ponto de vista externo sua posição gera impacto e, sob a ótica interna, lhe garante o espaço de pré-candidato à Presidência, evitando ficar numa posição subalterna em relação ao governador de São Paulo, José Serra, hoje em vantagem nas pesquisas, na percepção do mundo político e na estrutura do partido.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso trabalha para junto com a cúpula do tucanato, o comando do DEM, a direção do PPS e os agregados do PMDB em favor de uma chapa puro-sangue com Serra na cabeça e Aécio na vice.

Por isso mesmo, a todos eles interessa acima de tudo que Aécio Neves ocupe lugar de primeira grandeza. Com direito a rechaçar a proposta da chapa São Paulo-Minas até que o cenário se defina por aí ou tome outro rumo.

Quanto mais candidatos competitivos a oposição puder apresentar ao público, mais expectativa de poder criará, já que na seara governista por enquanto só existe uma tênue incerteza na figura da ministra Dilma Rousseff.

Turma do funil

O Supremo Tribunal Federal está preocupado com o que os novos prefeitos e vereadores farão com a Súmula 13, que proíbe o nepotismo no funcionalismo. Há ministros desconfiados de que os vereadores e prefeitos eleitos poderão fazer tábula rasa da regra logo após tomarem posse.

A julgar pela atitude de sete das 26 câmaras municipais das capitais dos Estados, que já aumentaram por conta os salários dos novos vereadores, os magistrados têm razão para desconfiar do espírito público das excelências recém-eleitas.

Mediante muita pressão, Câmara e Senado já demitiram 189 parentes e fizeram a sua parte. Ficam ainda devendo as respectivas listas de demissões as assembléias legislativas, as câmaras municipais e os Poderes Executivo e Judiciário em todos os níveis.

Gato comeu

Nunca mais se ouviu falar dos entendimentos entre o Legislativo e o Judiciário para aprovação de reajuste dos salários dos ministros do Supremo, de R$ 24,5 mil para R$ 25,7 mil.

O projeto dormia na gaveta dos guardados estratégicos, até que no final de agosto último a Câmara acenou ao STF com a possibilidade de pôr a proposta em votação. Isso, logo depois da proibição do nepotismo.

O presidente do STF, Gilmar Mendes, achou ótimo, o presidente da Câmara avisou que o aumento entraria na pauta em breve mas, de repente, o assunto morreu. Resta saber se morto ficará.

Coisa de pele

Pode demorar, mas o arrefecimento da simpatia de Lula pela figura (descontada a mítica) de Barack Obama é uma questão de tempo.

Obama é o tipo do intelectual que importuna o pragmatismo simplificado de Lula. Em termos de personalidade, é muito mais o jeitão de George Bush.

PF quebra sigilo telefônico sem autorização da Justiça - Folha de São Paulo - ,link (aqui)




Nextel dá à polícia números que podem identificar aparelhos usados por jornalistas

Pedido partiu de delegado que investiga se Protógenes vazou informações à Globo sobre Operação Satiagraha; Nextel nega irregularidades

LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

Na investigação aberta para apurar o vazamento de informação da Satiagraha, a Polícia Federal conseguiu, sem autorização judicial, a quebra do sigilo telefônico de dezenas de aparelhos da Nextel utilizados na madrugada em que a operação foi deflagrada. O objetivo foi identificar os aparelhos usados por jornalistas da TV Globo.
Segundo a Folha apurou, a PF queria descobrir se o delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, ou algum dos seus subordinados avisou os repórteres sobre a operação.
Questionada ontem sobre o fato, a Nextel emitiu uma nota lacônica: "A Nextel informa que, neste e em outros casos, tem seguido estritamente as determinações judiciais a ela requeridas".
A assessoria da TV Globo informou que não "se manifesta em questões sub judice".
As informações da Nextel à PF com os números dos telefones foram anexadas ao inquérito e serviram de base para as ordens de busca e apreensão autorizadas pelo juiz federal Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal, contra Protógenes -a PF vasculhou a casa do policial em Brasília, um quarto de hotel, em São Paulo, e o apartamento de um filho dele, no Rio.
Há no inquérito a relação de 10 a 12 aparelhos da Nextel, com os respectivos Cell ID -número de identificação e antenas, o que permite a localização física do usuário do aparelho. Constam ainda as horas em que as ligações foram feitas. Segundo a Folha apurou, a PF obteve também a lista de chamadas e ligações recebidas de cada aparelho, mas ainda não a anexou aos autos.
Não há a transcrição de conversas telefônicas.
Quando a Satiagraha foi deflagrada, na madrugada de 8 de julho, foram feitas buscas e apreensões contra 17 pessoas, entre elas o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta.

O pedido
No início da investigação sobre o vazamento, o delegado Amaro Vieira Ferreira, da Delegacia de Polícia Fazendária em São Paulo, indicado para a função pela Corregedoria da PF, enviou ofício diretamente à Nextel pedindo a relação completa de "todos" os celulares e antenas usadas nas imediações da sede paulista da PF e em três locais alvos de buscas durante a deflagração da Satiagraha.
Nos quatro locais havia equipes de jornalistas da TV Globo antes mesmo da chegada da PF. Um dos endereços é a casa do ex-prefeito Celso Pitta. A prisão dele, ainda de pijamas, por volta das 6h, foi filmada por uma equipe da TV da Globo.
A Folha apurou que outras autoridades do caso foram consultadas pela PF sobre a quebra de sigilo telefônico dos jornalistas que estavam nos locais de busca, e se opuseram ao pedido, entendendo que tal iniciativa violaria o direito constitucional de sigilo da fonte.
Mesmo assim, a PF encaminhou o ofício à Nextel sem autorização da Justiça.
Num primeiro momento, a empresa de telefonia informou que não poderia repassar os dados sem a autorização judicial. Depois, a Nextel, em outro documento, informou que, "em face de esclarecimento verbal prestado por um agente federal", disponibilizaria as informações. Os dois ofícios da Nextel estão nos autos.
O procurador da República Roberto Dassié, que atua no caso, se manifestou contra a intenção da PF de quebrar o sigilo dos jornalistas para tentar descobrir quem os avisou da operação. A posição de Dassié consta dos autos. Para ele, se o investigado era Protógenes, apenas os celulares dele deveriam ter o sigilo quebrado.
Na manifestação, o procurador pede ainda à PF que esclareça expressamente o objetivo da medida e que junte aos autos todos os documentos do caso, sob pena de cometer o crime do artigo 305 do Código Penal (subtração de documento de que não pode dispor).
A PF enviou ofício ainda ao Detran (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) e ao DSV (Departamento de Operação do Sistema Viário), da Prefeitura de São Paulo, para que informassem " todas" as multas aplicadas durante a madrugada do dia 8. O objetivo seria tentar rastrear o trajeto das equipes da Globo. Os pedidos estão nos autos, mas ainda não foram respondidos.

Polícia Federal
A assessoria de imprensa da PF de Brasília disse, sem se referir ao caso, que nenhum dado sigiloso é obtido de forma direta, sem a autorização da Justiça Federal. Às 17h20, a assessoria afirmou que o superintendente da PF de São Paulo, Leandro Coimbra, falaria sobre o episódio. Procurado, às 17h25, a assessoria da PF-SP disse que desconhecia a orientação da PF de Brasília e que o assessor de Coimbra não estava na sala.
Às 17h45, a reportagem ligou novamente e foi informada de que o superintendente já havia partido. O juiz Ali Mazloum não falou sobre o assunto.

Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)



Uma semana, passado remoto

SÃO PAULO - Era uma vez um tempo em que a gente discutia a conjuntura econômica, toda sexta-feira, nesta Folha. Tempos de conjuntura econômica tumultuada, ao contrário dos pacatos cinco ou seis anos que, no Brasil, terminaram agora.
Eu ouvia os economistas-editorialistas da casa (nenhum deles continua, o time mudou todo) dizerem, numa semana, que tudo ia no melhor dos mundos, para, na semana seguinte, traçarem um cenário um pouco pior que o inferno.
Um dia, perguntei como era possível haver tamanha mudança em meros sete dias. Um dos professores-doutores, com aquela paciência que os sábios às vezes exibem com os ignorantes, respondeu: "Ah, meu filho, economia é uma coisa muito dinâmica". Pensei, mas calei: "Vai ser dinâmica assim na..., bom deixa pra lá".
Não é que hoje, com uns 15 ou 20 anos de atraso, esse professor-doutor poderia dar a mesma resposta e, desta vez, acertaria em cheio? O mundo, não apenas a economia, ganhou uma aceleração nos tempos que é quase impraticável para o cérebro humano acompanhar.
Dado mais recente: a evolução da produção e vendas da indústria automobilística. Em setembro, o número de licenciamentos havia sido 9,7% superior ao de agosto. Em outubro, foi 15% inferior ao de setembro. Uma brutal inversão em apenas um mês, acompanhada, de resto, por férias coletivas em inúmeras montadoras, o que é a antecipação do que vem por aí.
O grave é que a aceleração dos tempos torna arcaicas decisões ou avaliações muito recentes. É o caso da ata do Banco Central sobre a reunião da semana passada, em que o medo da inflação parece ser praticamente igual ao da desaceleração, equilíbrio que os dados do setor de autos desmentem de maneira contundente.
Resumo: hoje é arriscado até prever o passado -ou o presente.