segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Bar é reflexão
O bom da gente ser pobre, triste, feio, velho e doente, é que nada pior nos pode acontecer (Millôr Fernandes)
Bar é arte

Nu Sous Un Parasol ( Nude under a Parasol )
Pastel on canvas ( 1890 )
Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Os bilhões, de onde estão saindo?
BRASÍLIA - Nas últimas duas semanas o governo anunciou a aplicação de pelo menos 120 bilhões de reais para irrigar a economia privada diante da crise econômica mundial. Certos números chegam a bater cabeça com outros, mas pode-se relacionar 5 bilhões para pequenas e médias empresas, 10 bilhões para grandes empresas, 30 bilhões para os bancos sustentarem o crédito, 20 bilhões para socorrer bancos, 40 bilhões para o setor produtivo, sem falar nos 21 bilhões que durante dez dias por mês deixarão de entrar nos cofres públicos. Mesmo se admitindo a mágica da multiplicação dos bilhões, e tendo-se a evidência de que esses recursos não são liberados todos de uma vez, a verdade é que de algum lugar eles saem. Haveria uma fonte secreta nos porões do Banco Central, um depósito clandestino no andar de cima do Banco do Brasil? E se tanto dinheiro assim existia escondido, porque não o utilizaram nas obras do PAC, na ampliação de escolas e hospitais, no reaparelhamento das forças armadas e em tantas outras necessidades prementes? É claro que não é nada disso, e a pergunta continua: de onde estão vindo os bilhões? Só tem uma explicação: vem das nossas reservas em dólares, lá fora, que até pouco somavam 200 bilhões de dólares e hoje ninguém sabe a quanto vão. Não deixa de ser perigoso, se a essas reservas se acrescentar à evasão de pelo menos 500 bilhões de reais do capital especulativo que já se escafederam do Brasil depois de caracterizada a crise. O risco é, da noite para o dia, cairmos na bancarrota. Apesar de o governo informar que os bilhões de auxílio à economia servem para que tudo continue funcionando, a conseqüência será a diminuição dos investimentos, os cortes orçamentários, os contingenciamentos, o aumento no custo de vida, as demissões e, last but not least, a sombra da inflação. Decidida que está à disposição do presidente Lula de não mergulhar a fundo na questão da presidência do Senado, ou seja, preferindo Tião Viana, mas engolindo José Sarney, a pergunta que se faz é se alguém acredita no líder Romero Jucá, para quem só em fevereiro os senadores tomarão posição. Já tomaram, em maioria, rejeitando a candidatura Tião Viana. A bancada do PT, não toda, pode estrilar e bufar, mas o PMDB já tem o apoio do PSDB e do DEM para eleger o sucessor de Garibaldi Alves. Desde que o candidato seja o ex-presidente Sarney. A história lembra o comportamento daquele luso cidadão que apregoava ser a sua filha livre para casar-se com quem quisesse. Desde que fosse o Joaquim... Sarney na cabeça
Ruy Castro - Folha de São Paulo - link (aqui)
RIO DE JANEIRO - Cartola, o compositor de obras-primas como "Acontece", "As Rosas Não Falam", "O Mundo é um Moinho" e tantas mais, teria completado 100 anos no dia 11 de outubro último. Rádios e TVs produziram programas, jornais lhe dedicaram suplementos, gravadoras soltaram discos e, durante breve temporada, ouviu-se mais Cartola do que de costume. Mas é pouco. Como muitos autores do cancioneiro brasileiro, Cartola deveria ser tocado o ano todo, sem depender de efemérides.
As comemorações destacaram que o sambista, já uma lenda na Mangueira e sendo gravado nos anos 30 pelos bambambãs Francisco Alves, Carmen Miranda e Sylvio Caldas, foi maior ainda em sua segunda carreira, iniciada em 1963 com a saga do restaurante Zicartola, na rua da Carioca, quando Cartola foi descoberto pelos jovens.
Eu recuaria o começo dessa carreira temporã a 1960, quando o já cinqüentão Cartola conheceu o garoto Elton Medeiros, 22 anos mais novo, e os dois iniciaram uma parceria que produziu, de saída, "O Sol Nascerá" ("A Sorrir..."). E que continuaria pelos anos seguintes, com "A Mesma História", "Peito Vazio" e várias outras, das quais duas jóias: "Injúria" e "Sofreguidão".
A morte de Cartola em 1980 deixou uma quantidade de parcerias inacabadas entre ele e Elton -sambas ainda em gestação e outros que só precisavam de um toque ou de um retoque. O centenário do mestre seria um ótimo pretexto para que Elton terminasse esses sambas e os lançasse, quem sabe, num grande disco de "inéditos" -legítimos Cartolas recém-saídos do forno. Renderia até um dinheirinho.
Mas Elton não fez isso, nem fará. Aos amigos, como eu, que lhe perguntam o que falta para ele completar os sambas, sua resposta é sempre a mesma: "Falta o principal
-o Cartola".
Maria Rita - "Último Desejo"
Composição: Noel Rosa
Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o
seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,
sem luar, sem violão
Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo
você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você
lhe diga
Se você me quer ou não, diga que você
me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não
presto
Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim





