quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Comercial antigo - Ellus Jeans "Mania de você"

Charge do dia


Erlich - El País, es

Wall Street affonda, giù anche l'Europa - New York a -4,73%. continua a calare il prezzo del petrolio - Corriere Della Sera, it



(12, novembre, 2008)

Il Mibtel chiude a -2,24%, spinto in basso dai titoli bancari

(ad eccezione di Unicredit) ed energetici. Male anche Fiat

(Ansa)
(Ansa)
MILANO - Dopo un avvio in positivo, le Borse europee declinano in territorio negativo, sulla scia delle piazze asiatiche e di Wall Street. A Milano il Mibtel ha chiuso a -2,24% lo S&P/Mib a -2,33%. Chiusura in forte ribasso anche per la Borsa di New York, con il Dow Jones a -4,73%, il Nasdaq che cede il 5,17% e lo S&P 500 il 5,19%. Al termine delle contrattazioni l'euro è scambiato a 1,2477 dollari.

MALE BANCHE E FIAT - Ennesimo tonfo dunque per Piazza Affari, che, al pari della altre Borse europee ha scontato lo scivolone di Wall Street, partita subito male con un calo degli indici pari al 2%. Sotto pressione ancora una volta il comparto bancario, ad eccezione di Unicredit, che ha diffuso dati trimestrali migliori delle attese. Tensione anche sull'energia e su Fiat. La seduta ha bocciato nuovamente Intesa Sanpaolo (-6,86%), reduce dallo scivolone della vigilia dopo i dati dei 9 mesi. Giù anche Bpm (-5,58%), mentre i dati dei primi 9 mesi hanno pesato su Fondiaria-Sai (-4,71%). In rosso i titoli dell'energia, con Eni (-3,24%), Enel (-2,64%) e Saipem (-2,92%), che scontano l'andamento delle quotazioni del greggio. Non si arresta la corsa al ribasso di Fiat che ha ceduto il 3,99%.

IN EUROPA - In Europa i listini sono appesantiti dai timori di una recessione più lunga del previsto e dalle ripercussioni della crisi sui risultati di bilancio delle maggiori società mondiali. Il Cac40 di Parigi ha chiuso in calo del 3,07%, il Dax di Francoforte del 2,96% e il Ftse100 di Londra dell’1,52%. La seduta era iniziata bene per i mercati europei, che in apertura hanno tentato il rimbalzo rispetto ai pesanti cali di martedì e alle chiusure negative delle piazze asiatiche. Le Borse hanno invertito la tendenza nel primo pomeriggio, sulla scia dell’andamento negativo dei futures sui listini americani e hanno poi accentuato le perdite dopo l’apertura in rosso di Wall Street, per finire in forte calo. Le vendite hanno interessato soprattutto le banche, tra i settori più colpiti dalla crisi finanziaria. Sotto pressione anche le materie prime e le auto.

NEW YORK - Nella giornata che registra il rally di General Motors sulla scia di un possibile salvataggio pubblico, la Borsa statunitense paga dazio al segretario al Tesoro Henry Paulson, che ha fatto marcia indietro sulla possibilità di ritirare gli asset cosidetti "tossici" nell'ambito del maxi-piano da 700 miliardi di dollari. A condizionare negativamente la seduta anche le indicazioni assai poco rassicuranti venute dalla catena di elettrodomestici Best Buy, a pochi giorni dalla bancarotta della rivale Circuit City. In calo anche Google che chiude a -6,57% (291 dollari). È la prima volta che le azioni del primo motore di ricerca al mondo chiudono sotto i 300 dollari. A pesare sono le previsioni di Citigroup, secondo cui la pubblicità online rallenterà.

ASIA IN CALO - La Borsa di Tokyo continua la serie negativa sulla scia del crollo delle piazze europee (trascinate al ribasso dal tonfo delle banche) e della chiusura in negativo di Wall Street (-2%). Dopo il -3% di martedì, il Nikkei termina gli scambi in ribasso dell'1,29% e si porta a 8.695,51 punti, 113,79 in meno della chiusura di martedì, scontando le perdite di Wall Street e le quotazioni elevate dello yen verso dollaro ed euro.

PETROLIO, NUOVI MINIMI - Prezzo del petrolio sempre più in calo, con il barile sotto i 57 dollari. Negli scambi sul mercato delle materie prime di New York, il Nymex, il barile di West Texas Intermediate ha toccato un minimo a 56,41 dollari. Successivamente i futures in prima scadenza risultano in calo di 2,45 dollari, con il Wti a 56,88 dollari. A Londra il barile di Brent, il petrolio estratto dal Mare del Nord, è calato di 2,52 dollari a a quota 53,19. Sul calo dei prezzi stanno giungendo nuovi commenti allarmati dai paesi dell’Opec, i cui recenti consistenti tagli dell’offerta non sono riusciti a bloccare le flessioni. Il 17 dicembre l’Opec terrà un nuovo vertice, in Algeria.

Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Meus louvores a Jarbas Passarinho

O MAIOR TERRORISTA DA HISTÓRIA DA REPÚBLICA

Não faço nenhum favor com o título destas notas, dando a Jarbas Passarinho a condição de maior terrorista da República. É bem verdade que ele foi um terrorista retardado, pela condição de ter feito carreira militar sem brilho, sem destaque e sem qualquer importância. Por isso, em 1964, com 44 anos, ainda era major. (E passou para a reserva como major, mas como existiam duas leis que promoviam os que iam para a reserva Passarinho passou a tenente-coronel e a coronel).

Até 1962, o único ato de terrorismo, não de Passarinho, mas do presidente João Goulart, foi o de nomeá-lo superintendente da Petrobras na Amazônia. Exibicionista nato, se julgando intelectual pelo fato de pertencer à Academia do Pará. (Apesar de ter nascido no Acre, em 1920).

Em 1964, precisamente no dia 31 de março (nem esperou o dia 1º de abril, podiam pensar que era brincadeira), invadiu o palácio, mandou prender o governador, se empossou na mesma hora. Nomeando prefeito de Belém o compadre capitão, com quem romperia tempos depois.

Foi "governador" por pouco mais de 1 ano, sua ambição total era o plano nacional. Não admitia ficar em Belém, tão longe de tudo. Abandonou então o cargo de "governador" para utilizar toda e qualquer forma de terrorismo, e ir subindo na escala civil, da forma que não conseguira na carreira militar.

Passarinho começou fazendo terrorismo contra a palavra escrita. Era "governador", exigia que o chamassem de governador (sem aspas) e alguns foram presos por escrever "governador", que era a sua condição.

Como o terrorismo é obsessivo e objetivo, Passarinho não parou mais. Se nomeou "senador", intimando e intimidando a população. Novamente as aspas, ficou com horror a elas. Era "senador" e condenava quem o considerava senador. Ficou pouco tempo, foi nomeado "ministro" por um "presidente" que tinha mais aspas e paetês do que ele. Era "ministro" do Trabalho, Costa e Silva morreu, veio outro "presidente", Medici, que transferiu Passarinho, fê-lo "ministro" da Educação.

Em 1967, se julgando mais importante do que todos dentro da quartelada, resolveu acumular arbítrio, um só era muito pouco. Então praticou contra este repórter 3 crimes ao mesmo tempo.

Terrorismo
Seqüestro
Desterro.

Todos crimes de lesa-pátria, inconstitucionais e autoritários. Como TERRORISTA, se colocou acima da lei, e como alguns não concordavam com a violência, sugeriu: "Temos que mandar o jornalista Helio Fernandes, o Exército quer matá-lo". Aí praticava TERRORISMO contra o próprio Exército, acusando-o de querer matar um cidadão que escrevia.

Praticou SEQÜESTRO, pois mandou me tirar de casa, me colocar num avião e me jogar em Fernando de Noronha. E acumulou o crime de DESTERRO, me obrigando a permanecer num lugar (Fernando de Noronha, depois Pirassununga e mais tarde Campo Grande, hoje capital do Mato Grosso do Sul).

Praticando o
TERRORISMO
SEQÜESTRO
DESTERRO,
não parou mais. Logo no ano seguinte, 1968, houve movimento para que ENDURECESSEM violentamente o regime. Quem defendeu a maior violência? Jarbas Passarinho. Ficou famosa a sua declaração quando alguns hesitavam em assinar o monstruoso AI-5, o maior TERRORISMO praticado: "Às favas com a consciência". Ganhou a admiração do trêfego "ministro" da Justiça, Gama e Silva. Esse, demitido logo a seguir, exigiu ser "embaixador" em Portugal. Por ser monoglota e garantir que queriam matá-lo. Quem perderia tempo?

Passarinho continuou sua carreira, sempre "ministro" ou "senador". Uma coisa é certa: NÃO ROUBAVA. Mas em 1986 a eleição passou a ser verdadeira, ele sabia que o TERRORISMO acabara, foi ao presidente Sarney, e disse: "Presidente, só você pode me salvar. O governador Jader Barbalho vai ficar no cargo, se ele me apoiar estou eleito". Sarney perguntou o que podia fazer, o TERRORISTA Passarinho: "Se Jader me apoiar e eu for eleito, você dá a ele o Ministério da Previdência, já conversei com ele".

PS - Passarinho foi eleito por um CORRUPTO que foi ministro da Previdência e depois da Reforma Agrária.

PS 2 - Agora, Passarinho está sempre dando entrevistas na TV Câmara e na TV Senado, dizendo: "Queriam que eu fosse presidente, jamais aceitei". Ha! Ha! Ha!

PS 3 - Aí, pratica o TERRORISMO da inverdade.

José Serra
Agora que os FILANTRÓPICOS estão sendo anistiados, os PILANTRÓPICOS também devem ser. Entre eles, Serra, royalties para o senador Ornellas.

Descobriram (só agora?) que os chamados FILANTRÓPICOS deram rombos de BILHÕES sonegando impostos. Foram imediatamente PERDOADOS através de uma medida provisória. E ainda mais inacreditável: todos esses FILANTRÓPICOS, mesmo culpados sem qualquer dúvida, assim que pedirem a renovação, terão que ser atendidos i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e. Sem qualquer exame ou restrição. É o surrealismo brasileiro.

Só para não esquecer ou para lembrar: José Serra era senador, tinha um desses movimentos intitulados de FILANTRÓPICOS. O senador Ornellas, num discurso no Senado, revelou: "O senhor José Serra não é FILANTRÓPICO e sim PILANTRÓPICO".

Ficou por isso mesmo, não houve protesto nem resposta. O então senador, por complacência, se adotou como PILANTRÓPICO.

Os governos federais e estaduais estão correndo e socorrendo as montadoras, lógico, de automóveis.

Todas elas têm bancos, "inventaram" as vendas com financiamentos até mesmo acima de 60 meses. (5 anos).

Passaram a ganhar mais com o financiamento do que com a produção. Muita gente que precisava de carro (até para trabalhar) "fez as contas", pagou o que elas cobravam.

Agora não podem pagar, o governo vai ESTATIZAR o crédito a essas montadoras, que ganham fortunas no Brasil há 50 anos. Quando saíram de Detroit para o mundo. (Inclusive para cá, com tudo de graça).

Dona Marta, em vez de candidata deveria ter um time de futebol. Quase 1 mês depois de ter perdido no primeiro e no segundo turno, quer cassar o mandato do prefeito Kassab.

A ex-prefeita (derrotada mesmo quando estava no cargo) deve estar querendo repetir o que fizeram com o governador Ivo Cassol.

Não sei se é culpado ou inocente, mas cassado depois de 2 anos de governo é um absurdo. E já marcaram até outra eleição.

E há o caso de Cunha Lima, governador da Paraíba, cassado no ano passado e que continua no cargo como se nada tivese acontecido.

Absurdo ou surrealismo: querem que a REFORMA POLÍTICA (que chamam de PARTIDÁRIA) comece e termine unicamente com o fim da fidelidade (ou infidelidade) dos parlamentares.

Os doutos ministros do TSE afirmam: "Os mandatos pertencem aos partidos". Que partidos? Estes não existem, o que há é CÚPULA que decide tudo.

Os doutos ministros deveriam examinar apenas este exemplo: há 2 anos, o senhor Michel Temer DECIDIU que seria presidente da Câmara, cargo que já exerceu. Quem REFERENDOU sua eleição?

A propósito: no dia 18 de outubro, noticiei: mesmo sem a sua intervenção, José Sarney será presidente do Senado. Todos os fatos caminham para confirmar a minha informação.

Alguns membros do PT-PT fingem que querem a eleição de Tião Viana para presidir o Senado. Mas o próprio Planalto-Alvorada prefere Sarney presidindo o Senado, e Tião Viana governando o Acre. Isso se ganhar de Dona Marina.

A Vale não falha. Vai instalar usina a carvão. Na Amazônia. Além do mais, carvão importado da Colômbia. Por que isso? O carvão é o maior poluidor do mundo. Quem estaria por trás?

Dentro da nova realidade mundial (o CAPITALISMO-SOCIALISTA), a Vale deveria ser REESTATIZADA. E teria que indenizar tudo o que ROUBOU do cidadão. E a intermediária, Merril Lynch, também.

O Brasil, cada vez mais surrealista. Numa entrevista à repórter Sheila D'Amorim, publicada hoje (ontem) na Folha de São Paulo, Fabio Barbosa (ex-secretário do Tesouro Nacional no início do governo FHC, hoje presidente do Santander e da Federação Brasileira de Bancos), afirma que é apenas lenda o que dizem que os bancos particulares ganham com a compra de títulos do governo.

Ora, eles lastreiam a dívida interna de 1 trilhão e 298 bilhões de reais. Se não ganhassem, não absorveriam os papéis.

Outra coisa. O saldo das cadernetas de poupança está em torno de 230 a 240 bilhões. Para os clientes, as aplicações são diferentes. Para os bancos, as mesmas. Os 230 bilhões das contas de poupança estão nos fundos de investimento.

Só que enquanto as cadernetas giram com 0,6 por cento ao mês (no máximo), os fundos com 0,9 por cento no mesmo período. A diferença é de 0,3 por cento. Em cima de 230 bilhões, dá em torno de 700 milhões mensais.

Confiram. E quem fica com essa DIFERENÇA de 700 MILHÕES? Lógico, D-I-V-I-D-I-D-A.
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O Banco do Brasil não quis comprar o Unibanco, essa era a intenção do governo.

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Agora o BB entra no mercado comprando, e fazendo propostas (tentadoras) a vários bancos pequenos. A direção do BB já fez contatos com o Banco do Piauí, o Banrisul (Rio Grande do Sul), Nossa Caixa (essa bem maior), Bando de Brasília e até o Votorantim, da família (e das empresas) Votorantim, dos Ermirios de Moraes.

Curiosamente, o BB, que não queria ser comprador, agora quer crescer "em massa", a qualquer preço. Então por que não comprou o Unibanco, "que nem parece banco?" Essa nova orientação (?) do BB será um obstáculo enorme no caminho do Bradesco, que pretendia comprar exatamente esses bancos, e já começara a conversar.

Não existe a menor dúvida de que os bancos "compráveis" serão beneficiados, com a existência de dois grupos compradores. O Bradesco pode fazer proposta e cumpri-la. Não é a mesma situação do BB, que não tem autonomia para isso. Tem que consultar (e atender?) muita gente. O mercado ficará atraente.

Sebastião Nery - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


O revólver do almirante

Alto, desengonçado, mal ajeitado, um dos melhores repórteres da história da imprensa mineira, Felipe Henriot Drummond chegou à porta da suíte presidencial do Hotel Financial, em Belo Horizonte. Dois seguranças de preto e mal encarados pediram os documentos. Felipe mostrou a carteira do "Estado de Minas". Aprovada. Tocou a campainha.

A porta abriu e lá de dentro uma voz esganiçada gritou: "Entre"! Felipe entrou. Não viu ninguém. Atrás da porta, um homem baixinho, fardado, apontava um revólver para as costas dele:
- Sente-se ali. Por que chegou antes, se a entrevista é às 12 horas?

Felipe não sabia se dava uma risada ou ia embora. Daí a pouco, fomos chegando nós, outros jornalistas, para a entrevista coletiva do almirante Penna Botto, presidente da Cruzada Brasileira Anticomunista, que foi a Minas fazer campanha contra a posse de Juscelino e João Goulart na presidência da República, eleitos dias antes, em 3 de outubro de 55.

Penna Boto

Logo no dia 5, Penna Boto tinha dado entrevista ao "Globo":

"É indispensável impedir que Juscelino e Goulart tomem posse dos cargos para que foram indevidamente eleitos".

A entrevista a nós foi uma palhaçada. O atarracado almirante queria nos convencer de que o Partido Comunista estava criando um "soviet" no Triângulo Mineiro, que iria instalar-se logo que JK tomasse posse.

Não houve "soviet", mas por pouco não houve a posse. Nas redações, passávamos madrugadas agarrados às rádios do Rio, que transmitiam a crise ininterruptamente. Até que o presidente Café Filho teve (ou fingiu) um infarto, passou o governo para o presidente da Câmara, Carlos Luz, víbora gorda do PSD mineiro, que, no dia 10 de novembro, demitiu do Ministério da Guerra o marechal Lott, vermelhão, olho azul, mais Caxias do que Caxias, e o substituiu pelo general udenista-golpista Fiúza de Castro, numa ação articulada para impedir a posse de Juscelino e Jango.

Juscelino

De madrugada, Lott e Denis, comandante do 1º Exército, fizeram o "11 de novembro" (terça fez 53 anos), "retorno aos quadros constitucionais vigentes": puseram os tanques na rua, a Câmara votou o impeachment de Carlos Luz e entregou o governo ao presidente do Senado, Nereu Ramos.

Em Minas, quando a noticia chegou ao amanhecer, corremos para o Palácio da Liberdade. Juscelino, presidente eleito, já estava lá, trancado com seu vice, o governador Clovis Salgado, e o comandante da região, general Jaime de Almeida. Os dois tentaram de todo jeito segurar Juscelino, mas ele resolveu ir de qualquer forma para o Rio. Abre-se a porta e ele sai:

- Bom-dia, vocês já aqui? Vou agora mesmo para o Rio.
- Mas, presidente, há notícias de que a Aeronáutica está ao lado de Carlos Luz, que foi para Santos com Lacerda no "Tamandaré", comandado pelo Penna Boto, e o brigadeiro Eduardo Gomes já chegou lá para tentar a resistência com a cobertura do governador Jânio Quadros. Como é que o senhor vai descer no Santos Dumont ou no Galeão? Derrubam o avião.
- Já discutimos tudo, eu, o governador e o general. Eles estão contra, mas a decisão é minha e já a tomei. Vou a qualquer risco.

Carlos Luz

Entrou em um carro e disparou para o aeroporto. Fomos atrás, repórteres e fotógrafos. Lá, uma cena dramática. Juscelino dava ordens, aos gritos, a João Milton Prates e outro piloto, queridos amigos seus, para levantarem vôo em um pequeno avião particular. Mas havia uma ordem definitiva da Aeronáutica: ninguém podia decolar.

Impedido, encostou os dois cotovelos no balcão do aeroporto, cobriu o rosto com as mãos trêmulas e chorou de sacudir. Era o choro da audácia impotente: "Meu Deus, isso não pode acontecer. Preciso assumir"!

Foi no dia seguinte. Em 31 de janeiro, o presidente era JK. Assumiu, mas só depois de Café Filho sumir, também empichado. O cruzador "Tamandaré", comandado pelo pequenininho Penna Boto, levou três tiros de festim do Forte de Copacabana e seguiu para São Paulo, onde Jânio não quis nada com eles e voltou de rabo (popa e proa) entre as pernas.

Lacerda foi direto para a embaixada de Cuba, asilado pelo ditador Fulgencio Batista. A tentativa de golpe não conseguira apagar os milhões de votos de Juscelino. Mais uma vez o golpe de 50, 54 e 55 fora adiado para 64. Terça, "O Globo" informava que "o Instituto Histórico e Geográfico homenageou (sic) o almirante Penna Boto pelos 53 anos do bombardeio (sic) sofrido pelo cruzador Tamandaré, em 55, ao tentar sair da Baía de Guanabara".

Galeonata

O governador itinerante Sergio Cabral continua insistindo em "vender" o aeroporto Tom Jobim, o Galeão. Ninguém sabe ainda qual é a "carga" dessa decolagem. Mas o presidente da Infraero, Sergio Gaudenzi, em almoço com jornalistas, segunda-feira, no Santos Dumont, abriu o jogo:

- O Brasil tem mais de 60 aeroportos. Só 10 dão lucro: Congonhas, Santos Dumont, Guarulhos, Campinas, Confins, Manaus, Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre. Os demais são deficitários. Mas o País precisa de aeroportos de norte a sul, por necessidade de comunicação e de segurança nacional. Quem vai querer os deficitários? Quem vai ficar com Tefé?

Já avisei ao ministro Jobim. Sou a favor de abrir o capital da Infraero até 49%, como a Petrobras. Mas, se quiserem privatizar, vender, chamem outro.


Sonia Racy - Direto da Fonte - Estadão online - link (aqui)


Direto da fonte


Pasta, vinho e recaída


Em jantar com empresários italianos, anteontem, em Roma, Lula voltou às origens. Não chegou a reprisar o "Fora FMI" dos velhos tempos, mas criticou duramente o comportamento do Fundo, que, para ele, não deu bons conselhos para se evitar a crise financeira nem representa mais os interesses dos países.

Mas teve de ouvir também queixas dos empresários italianos, como o presidente da Illycaffe, Andrea Illy. Ele reclamou que não tem conseguido mandar café da Colômbia para elaborar, no Brasil, um blend com o café brasileiro, a fim de exportar para o resto do mundo. "Deve ser lobby do pessoal no Brasil", reagiu Lula. E prometeu cuidar do caso.

Tudo na presença de Miguel Jorge, Dilma Rousseff, Paulo Skaf e Emma Marcegaglia, da Confindustria italiana.

Silvio vem aí

No final da visita, Silvio Berlusconi avisou ao presidente brasileiro que estará no Brasil em fevereiro. Aproveita para dar um pulo na Amazônia - e, emenda, depois, com discussão sobre o formato do G-14.

Quem sobe...

A mineradora canadense Kin Ross acaba de concluir projeto de US$ 570 milhões para expandir a mina de ouro do rio Paracatu, em MG.

A produção subirá de 5 para 18 toneladas de ouro por ano. É, apenas, a maior mina de ouro do Brasil.

... e quem desce

A tal de crise fez sua primeira vítima no setor sucroalcooleiro: a Usina Albertina, de Sertãozinho, entrou com pedido de recuperação judicial anteontem.

Celso Ming - Estadão online - link (aqui)


Maldades e bondades

A discussão da hora é se o governo deve ou não adotar políticas anticíclicas.

Trata-se de decisões de política econômica contra a paradeira da economia. A idéia é: se tudo vai bem, é melhor aplicar políticas de austeridade para equilibrar as finanças públicas. Se vai mal, é preciso gastar mais para ajudar na recuperação do sistema produtivo.

O Fundo Monetário Internacional, que sempre se bateu pelo rigor fiscal, agora recomenda o aumento das despesas públicas para ajudar a enfrentar a recessão que vem vindo braba.

Aqui essas políticas são mais conhecidas como sacos de maldades ou de bondades. O que se pede agora é que o governo despeje o conteúdo de sacos de bondades. Essas coisas estão chegando mais com propósitos eleitorais do que técnicos. O horizonte das manobras são as eleições presidenciais de 2010. E o quadro de fundo é o de que o presidente Lula não tem candidato vendável ao eleitor enquanto a oposição tem pelo menos dois nomes.

Isso posto, o governo Lula mandou que a Caixa Econômica Federal despejasse R$ 3 bilhões para reforçar o capital de giro das imobiliárias e que o Banco do Brasil (BB) enfiasse outros R$ 4 bilhões no crédito para compra de veículos.

Mas tanto o governador de São Paulo, José Serra, como o de Minas, Aécio Neves, ambos do PSDB, estão empenhados em mostrar serviço em escala nacional. As bondades de Serra prevêem R$ 4 bilhões da Nossa Caixa para financiar veículos.

E aí vai um lance especial de esperteza de Serra, que faz cumprimentos com chapéu alheio. Se o dinheiro é da Nossa Caixa, que será repassada ao BB, fica óbvio que os financiamentos acabarão sendo ativos do BB, com prazo de vencimento superior a dois anos.

O pacote de Aécio é mais modesto, de R$ 470 milhões, a serem distribuídos pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais para ajudar o setor produtivo a enfrentar a crise.

Boa pergunta consiste em saber se a paradeira das vendas da indústria automobilística é devida à falta de financiamento ou a certo esgotamento do mercado. Há boas razões para acreditar que é falta de mercado.

Em 2007, as vendas de automóveis cresceram 28% e, neste ano até outubro, 23%, avanços tão fantásticos como insustentáveis. Na maior parte desse período, os financiamentos foram feitos por mais de 36 meses. No início do ano, chegaram a ultrapassar 90 meses, o que levou o ministro Mantega a anunciar a intenção de intervir para reduzir os prazos. Isso significa que uma larga fatia do mercado parece atendida. O consumidor ainda está pagando seu carro e não pretende voltar tão cedo à concessionária.

Além disso, o estancamento do crédito ocorrido há cerca de um mês não se deveu a problemas nos bancos, como aconteceu no exterior. Apareceu com o estouro das operações com derivativos de câmbio, que lançaram dúvidas sobre a capacidade de pagamento de muitas empresas. Como o problema já está equacionado, o fluxo do crédito começa a ser restabelecido.

Dentro de algumas semanas saberemos até que ponto mais crédito à compra de veículos será suficiente para a retomada da produção. E, se for para combater a recessão que vem vindo aí, convém perguntar se o segmento a ser atendido prioritariamente é o de veículos.

Confira

Erro de foco - Vai ser difícil para o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, livrar-se da pecha de incompetente.

Há menos de um mês, praticamente chantageou o Congresso para que aprovasse o pacote de US$ 750 bilhões, mas ontem reconheceu que o pacote não está funcionando. Ele quer agora mudar o foco e passar a financiar o consumo.

O problema é que as demandas estão aumentando: é o resgate das hipotecas, o socorro à indústria de veículos, a capitalização dos bancos, a recessão fazendo estrago... E o governo Bush com sua credibilidade quase zero.

Janio de Freitas - Folha de São Paulo - link (aqui)



Os familiares

A maior quantidade de anos do governo Lula só aumenta a sua identificação com o governo Fernando Henrique

PARECEM números de estatísticas e de valores em reais. Quando postos lado a lado, compõem retratos com a peculiaridade de mostrar como são idênticas, apesar de tão diferentes nos milhares de suas fotos convencionais, estas quatro pessoas: Fernando Henrique e Lula, Pedro Malan e Henrique Meirelles.
Parte do retrato veio das Nações Unidas, no Relatório sobre a Situação da População Mundial em 2008, com uma estimativa simples e direta: o Brasil figura como o terceiro maior concentrador de mortalidade infantil na América do Sul. A cada 1.000 crianças vindas ao mundo com vida, 23 estão mortas antes de chegar a um ano. Índices piores, só os das misérias vastas de Bolívia e Paraguai.
Antes que cheguem aos cinco anos, são 56 as crianças brasileiras que morrem a cada 1.000, em total outra vez só ultrapassado pela fome e as doenças piores da Bolívia e do Paraguai.
Para a montagem do quadro, o próprio governo brasileiro, por intermédio do sério Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, proporciona as peças do "puzzle" a serem combinadas com as da ONU. São estas:
- valor destinado aos portadores de títulos governamentais (ou dívida pública) de 2000 a 2007: R$ 1, 268 TRILHÃO;
- valor destinado à saúde no mesmo período: R$ 310,9 BILHÕES, cerca de um quarto do montante transferido aos donos de títulos da dívida pública;
- valor destinado à educação no mesmo período: R$ 149,9 BILHÕES, ou seja, para cada real aplicado em educação, mais de oito foram remunerar os compradores de títulos da dívida.
Essa monstruosidade brasileira tem duas faces. Em uma, exibe o verdadeiro grau de importância dada às tão propagandeadas preocupações e políticas de educação e de saúde. Na outra, a calamidade da altitude, determinada pelo próprio governo, dos juros pagos aos títulos da dívida governamental.
Mas a referência ao período 2000-2007 contém uma deformação histórica. Poupa Fernando Henrique da inclusão de seu primeiro mandato e do início desastrado do segundo. Para o que mais importa, porém, não faz diferença: a maior quantidade de anos do governo Lula só aumenta a sua identificação com o governo Fernando Henrique. E, portanto, a identificação dos quatro realizadores, nos dois governos, de obras idênticas -como se fora um só conservador neoliberal.

Carlos Heitor Cony - Folha de São Paulo - link (aqui)



Campanhas de hoje e de ontem

RIO DE JANEIRO - Muito boa a coluna de Plínio Fraga neste mesmo espaço na edição de ontem. Ele comentou o "microtargeting", recurso tecnológico que abastece políticos para apresentar projetos de governo. Ao visitar cada reduto eleitoral, o candidato recebe microalvos, baseados em modelos matemáticos e computadores. São levantamentos atualizados da região a ser visitada, criando um cenário favorável à campanha.
A opinião geral é que Barack Obama usou com seriedade este instrumento tecnológico. Até mesmo o seu sorriso poderia ter sido uma exigência do marketing eletrônico. De qualquer forma, não chega a ser novidade. Em campanhas pré-internet, as equipes de apoio providenciavam levantamentos das regiões visitadas -é bem verdade que na base de releases nem sempre confiáveis.
Em 1993, acompanhei como jornalista a campanha dos presidenciáveis daquele ano, inclusive a de Lula, em suas andanças pelo Rio e por São Paulo. Havia um enorme e confortável ônibus, com ar refrigerado e vídeos que mostravam a próxima etapa a ser trabalhada. O recurso impedia gafes e municiava o candidato com informações sobre a comunidade local.
Dou um salto no tempo e relembro a campanha de JK para a Presidência, em 1955. O avião da comitiva teve um problema e fez uma escala imprevista em Jataí (Goiás). Aproveitando a espera, foi providenciado um comício-relâmpago para alguns poucos que por acaso estavam nas imediações da pista. Um deles perguntou se o candidato cumpriria a Constituição (1946), que previa a construção de uma nova capital naquela região.
Surpreendido, JK disse que sim. Ele já tinha um programa de 30 metas elaborado por sua equipe técnica. Acrescentou mais uma, a que chamou de "meta síntese": Brasília.

Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)



Dinheiro, sim; controles, não

SÃO PAULO - O velho sábio que habitava esta Folha ficava indignado com os freqüentes pedidos de "papai, mande dinheiro", como ele designava os apelos do empresariado para que o governo os socorresse nos momentos de dificuldade (e, a bem da verdade, até nos momentos de facilidade).
Não tivesse morrido, estaria estupefato ante a quantidade de "filhos" que pedem dinheiro a "papai-Estado". E mais ainda ante a facilidade com que o Estado abre os cofres, de que dão prova, apenas a mais recente, os governadores José Serra e Aécio Neves.
O pior é que os "filhos" (no caso, os bancos) não se arrependem nem um tiquinho da overdose de ativos tóxicos que ingeriram e os levaram ao coma (e ao apelo a "papai").
Ao contrário. Comunicado do Instituto de Finanças Internacionais, que reúne cerca de 350 dos maiores bancos do mundo, louva os pacotes oficiais de auxílio ao setor , mas afirma, em seguida, que tais pacotes "não devem dar margem a um papel mais amplo e permanente do setor público no sistema financeiro internacional".
Tampouco querem uma regulação que lhes impeça de beber demais, porque "ameaçaria as perspectivas de reativar o crescimento da produção e dos empregos, ao estender ineficiências nos mercados globais".
É uma desfaçatez fora do normal, porque deixa de lado que foi o excesso de desregulação -e não o excesso de regulação- que causou a presente "ineficiência" (quase colapso) dos mercados globais.
A propósito, meu cardiologista -na verdade o médico da família, o napolitano Giuseppe Dioguardi- perguntava se depois de tanta doação de dinheiro público os governos ainda teriam coragem de negar dinheiro para a saúde, como fazem sistematicamente.
Ah, Beppe, santa ingenuidade. Esse "filho", a saúde, não financia campanhas eleitorais.

Reação chinesa - Editorial - Folha de São Paulo - link (aqui)




A ECONOMIA da China manteve taxas anuais de crescimento acima de 10% entre 2003 e 2007 e, com isso, respondeu por 25% da expansão mundial. Sob o impacto da crise deflagrada nos EUA, contudo, o dinamismo chinês começou a arrefecer. Projeções sobre a alta do PIB apontam para taxa de 9,4% em 2008 e 7,9% em 2009.
Na tentativa de evitar desaceleração acentuada, Pequim acaba de lançar um pacote de estímulo fiscal de US$ 586 bilhões para os próximos dois anos. A intervenção, destinada basicamente a projetos de infra-estrutura, equivale a 14% do PIB chinês, um volume bastante elevado.
Com o pacote, a China tenta mudar rapidamente o perfil de seu crescimento, aumentando o peso do mercado doméstico à custa do comércio exterior. Em 2007, a soma de exportações e importações na China correspondeu a 66% do PIB -contra apenas 21% no Brasil.
As importações chinesas impulsionam diversos elos nas cadeias globais de suprimento: máquinas e equipamentos, matérias-primas agrícolas e industriais, petróleo. Já suas exportações, concentradas nos países desenvolvidos, sofrem com mais força o impacto da crise.
No que diz respeito ao Brasil, é provável que haja redução nos volumes exportados para a China, com queda nos preços das commodities, mas manutenção das importações de manufaturados. Por conta disso, nosso déficit comercial com o país da Ásia, que deve fechar 2008 em US$ 2 bilhões, pode dobrar em 2009.
O pacote chinês, portanto, é bem-vindo. Uma perda abrupta de ímpeto na atividade econômica da China prejudicaria em especial os países em desenvolvimento. As autoridades brasileiras, contudo, precisam estar atentas para barrar quaisquer práticas agressivas e desleais de comércio que venham a ser adotadas por Pequim a pretexto de incentivar a sua economia.