quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Rita Lee - Milton Nascimento -" Mania de Você" (live)

Agente da Abin diz que Paulo Lacerda teve acesso a grampos da Satiagraha - Folha online - link (aqui)




26/11/2008 - 17h37

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Marcio Seltz, disse nesta quarta-feira que Paulo Lacerda, diretor-geral afastado da agência, teve acesso ao conteúdo de parte dos grampos telefônicos realizados na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. O agente afirmou que entregou a Lacerda, durante reunião na sede da agência, áudios captados por escutas telefônicas de parte dos investigados pela PF.

"[Os áudios] falavam a respeito da imprensa. Entreguei cópia do arquivo [a Lacerda]", confirmou Seltz à CPI.

Lacerda negou à comissão, durante depoimento prestado em agosto deste ano, ter conhecimento de que a PF realizou grampos telefônicos durante a Satiagraha. A Abin foi acusada de ser responsável pelos grampos, mas a agência nega ter realizado escutas durante a operação por não ser sua prerrogativa legal.

Pela legislação brasileira, a agência é proibida de grampear telefones ou ter acesso a informações obtidas por meio de escutas, o que teria configurado ilegalidades na Satiagraha.

Seltz disse que recebeu do delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Satiagraha, um pen-drive com os áudios de investigados --nos quais comentavam a respeito de matérias publicadas pela imprensa sobre a Brasil Telecom no que diz respeito ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, investigado na operação.

O agente disse que, além de receber os dados do delegado, analisou e repassou as informações a Lacerda. Seltz teria encaminhado o pen-drive ao diretor-afastado da Abin durante reunião na agência --na qual também esteve presente o diretor-adjunto afastado da Abin, José Milton Campana.

"O delegado Protógenes me repassou alguns arquivos de áudio em que os investigados faziam referência à imprensa", disse Seltz.

O presidente da CPI das Escutas, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que as afirmações do agente complicam a situação de Lacerda. Itagiba defende o indiciamento do diretor-afastado da Abin por falso testemunho à comissão. "Não tenho dúvidas de que o Paulo Lacerda foi cabalmente desmentido", afirmou o deputado.

Participação

O agente disse que foi designado para "colaborar informalmente" na Operação Satiagraha a pedido de Campana. Seltz disse que, em um primeiro momento, seu trabalho na operação era fazer triagem de e-mails de investigados --para separar os de cunho pessoal daqueles que interessavam às investigações.

"Era atribuição simples: era um rol bastante grande de e-mails, minha função era identificar o que era de conteúdo pessoal, que deveria ser descartado, daquilo que seria de interesse do trabalho. Estes deveriam ser mantidos na pasta eletrônica para posterior análise", afirmou.

Posteriormente, Seltz disse que sua função era analisar matérias publicadas para a imprensa sobre a Brasil Telecom --quando teria recebido os áudios de Protógenes. "A instrução que recebi era de analisar as notícias no sentido de identificar as que fossem favoráveis, neutras e contrárias, uma espécie de interpretação de texto, um trabalho bastante simples", disse.

"Chão de Estrelas" - Maria Bethânia

D. Ivone Lara e Paula Toller -- "Nasci pra sonhar e cantar"

Maria Rita - "Tá perdoado"

Vanessa da Mata -- "Não Me Deixe Só" - Clipe Oficial

Adriana Calcanhotto -- "Mulher Sem Razão" - Clipe

Bar é arte


Louise Abbema ( 1858 - 1927 )

At the Piano

Oil on canvas

CASABLANCA - "As time goes by"

Após a terceira dose - bar é poesia



Carícia


(luiz alfredo motta fontana)



O dia fora longo

prazos cumpridos, caminhos percorridos

A noite era carícia

a brisa, o bem estar

no bar, o piano

dedilhado suavemente

A pianista

um toque de film noir

o aroma do carvalho seduzia

O irresistível

ela tocava As time goes bye

Bar é arte



Carl Vihelm Holsoe ( 1863- 1935 )

A Lady Playing The Piano

Oil on canvas

Gal Costa - "As Time Goes By"

Bar é arte


Éduard Manet ( 1832 - 1883 )

A Bar at the Folies-Bergere ( A Bar at the Crazy Sheperdess)

Oil on canvas ( 1881-1882 )

Courtald Institute Galleries, London

Após a terceira dose - bar é poesia



O bar


(luiz alfredo motta fontana)



O bar

a mesa

a música

os encantos

quase desencantos

os garçons

servem "agora vai"

ou caso queira

servem "agora sei"

o bar

intermezzo

o depois

di routine noto

Bar é arte


F. Coulis-Raymond

Rue De Paris

Oil on canvas ( 1907 )

Após a terceira dose - bar é poesia



Percorrer alamedas



(luiz alfredo motta fontana)



Percorrer alamedas

por vezes é

supreender-se com pisos descuidados

com abandonos injustificados

Percorrer alamedas

pode ser

surprender-se com cenas ocultas

com prazeres desperdiçados

Percorrer alamedas

para só depois

recolher-se em ninho seguro

Bar é arte


John Willian Godward ( 1861 - 1922 )

At the Thermae

Oil on canvas ( 1909 )

Collection of Martin R. Davies

Bar é poesia - Martha Medeiros


Martha Medeiros




Strip-tease


Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.

Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara:

"Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".


Então ela desfez-se da arrogância:

"Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."


Era o pudor sendo desabotoado:

"Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".


Retirava o medo:

"Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".


Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:

"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".


E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

Comercial antigo - Café Seleto (Feliz Natal)

Charge do dia


Erlich - El País, es

«Nous ne pouvons pas attendre» - Le Figaro, fr - link (aqui)


26/11/2008 | Mise à jour : 08:17
.
AFP PHOTO / ERIC FEFERBERG
AFP PHOTO / ERIC FEFERBERG

EXCLUSIF - La Chancelière Angela Merkel et le président Nicolas Sarkozy appellent à une mobilisation urgente contre la crise, car «une intervention publique rapide et décisive est nécessaire pour empêcher des dommages irréversibles à nos économies».

Il y a onze jours, nous étions à Washington avec les autres chefs d'État et de gouvernement du G20 pour organiser une réponse commune à la pire crise financière depuis des décennies. Après l'explosion de la bulle des « subprimes », la contagion a atteint toutes les économies du monde développé ou émergent. Cette crise mondiale appelait une réponse mondiale. Les dirigeants des vingt principales économies de la planète ont donc décidé de principes communs et d'un plan d'action. Nous avons ainsi jeté les bases d'une réforme fondamentale du système financier international, pour que les excès du passé ne se reproduisent plus. Nous voulons plus de transparence, plus de responsabilité et une surveillance renforcée de tous les acteurs. Nous avons demandé à nos ministres des Finances d'appliquer ce plan d'action avant le 31 mars prochain. Nous attendons d'eux la mise en œuvre dans leur intégralité des principes et des mesures décidés à Washington.

Tous les participants au sommet de Washington sont tombés d'accord sur « des mesures budgétaires rapides pour soutenir la demande intérieure ». Dans le même temps, ils se sont fermement engagés à garantir la « soutenabilité » de leurs finances publiques. Cela ne doit pas se faire en mettant en péril la stabilité économique et sociale de nos pays.

Or, nous traversons des circonstances réellement exceptionnelles. La crise bancaire internationale est la plus forte des soixante-dix dernières années. La plupart des économies européennes enregistreront leurs pires performances économiques depuis bien longtemps avec un à plusieurs trimestres de croissance négative. Certaines dépasseront le seuil des 3 % de déficit, ce qui est inévitable dans de telles circonstances.

Nous pensons que l'économie mondiale a les moyens de se rétablir en 2009 et de rebondir ensuite. Les économies de la zone euro en particulier restent fondamentalement saines. La dette des ménages est généralement faible. Les bilans des entreprises sont solides. Les tendances à la baisse des prix sont fortes, ce qui devrait améliorer le pouvoir d'achat de nos concitoyens et donner des marges de manœuvre à la politique monétaire.

Mais ce rebond n'ira pas de soi. En dépit du soutien massif apporté au secteur bancaire dans tous nos pays, le fonctionnement des marchés financiers reste très perturbé. Une forte incertitude prévaut aujourd'hui. Les projets d'investissement sont donc révisés ou reportés. La consommation est faible. La confiance s'est dangereusement dégradée.

Dans ce contexte, il est capital de prévenir et d'empêcher une spirale récessive dans nos pays. Nous appelons les banques et toutes les institutions financières à utiliser pleinement les facilités qui leur sont données pour maintenir et soutenir les crédits à l'économie.

L'examen des dernières crises bancaires nous enseigne aussi qu'une intervention publique rapide et décisive est nécessaire pour empêcher des dommages irréversibles à nos économies. La Chine a annoncé un programme important de relance. Les États-Unis se préparent à faire de même pour prendre le relais des mesures ponctuelles déjà prises au premier trimestre 2008.

L'Europe a montré sa capacité à agir. Le sommet de Washington s'est tenu à son initiative. Dans la déclaration de Paris le 12 octobre dernier, nous avons défini une feuille de route pour stabiliser notre système financier puis pour le réformer. De la même manière que nous avions alors mis au point une « boîte à outils européenne » pour le sauvetage du système bancaire, nous devons maintenant construire une approche commune de la relance économique.

Il n'existe en effet pas un modèle unique de plan de relance qui puisse être appliqué par vingt-sept États membres dont les situations économiques et budgétaires sont différentes. Nous croyons en revanche qu'une relance budgétaire coordonnée pourrait rétablir la confiance des consommateurs et des investisseurs et éviter les comportements opportunistes au sein d'un ensemble d'États qui partagent bien davantage que des institutions. Tout doit être entrepris pour soutenir nos économies dans cette période exceptionnelle.

Quelle pourrait être cette approche commune ?

- Les mesures envisagées devraient respecter trois critères : être fortes ; être temporaires ; être ciblées. Elles devraient donc aller au-delà du simple jeu des stabilisateurs automatiques.

- Ces mesures pourraient concerner le financement de l'investissement et des infrastructures, le soutien aux petites et moyennes entreprises et le soutien direct aux ménages. Il reviendrait à chaque pays de construire son propre plan et de décider son propre dosage, tout en privilégiant les mesures qui ont un impact aussi fort et aussi rapide que possible.

- Ces mesures devraient rester cohérentes avec la stratégie de Lisbonne parce que les réformes structurelles restent plus que jamais nécessaires à nos économies.

- Ces mesures devraient également être cohérentes avec notre objectif de « soutenabilité » budgétaire à long terme. C'est pourquoi il est essentiel que nos politiques s'inscrivent dans un cadre commun. Nous allons y travailler avec nos partenaires dans les jours qui viennent. Nos concitoyens doivent savoir que nous ne les laisserons pas seuls face au plus grand choc économique de ces dernières décennies. Ils doivent aussi être assurés que nous ne renoncerons pas à notre responsabilité budgétaire et à l'objectif de stabilité à moyen terme des finances publiques.

- Les institutions européennes devraient prendre leur part de la relance.

D'abord en permettant la concertation sur les mesures à prendre. Un point du produit intérieur brut européen est une bonne cible et les plans nationaux devront s'y adapter selon les circonstances. Nous n'avons besoin ni d'une approbation formelle ni d'une surveillance tatillonne, mais de lignes directrices que le Conseil européen des 11 et 12 décembre pourrait adopter. Certains pays ont déjà pris des mesures qui vont dans ce sens.

L'Union européenne devrait ensuite venir en complément des actions décidées dans chaque pays. L'industrie automobile et le secteur de l'énergie pourraient ainsi être soutenus en mobilisant de nouveaux moyens de la Banque européenne d'investissement. La mobilisation des fonds structurels devrait également être accélérée par le préfinancement de certains programmes, comme celui en faveur des économies d'énergie. Plus de souplesse, à titre temporaire, dans l'application des règles européennes sur les aides d'État et des objectifs plus ambitieux en matière d'infrastructures, par exemple dans le domaine du haut débit et des réseaux de transport et de distribution d'énergie, pourraient aussi être des sources de croissance supplémentaire. Enfin, le Pacte de stabilité et de croissance devrait être appliqué avec souplesse. Le débat pourrait être rapide sur ce point, puisque le Pacte prévoit des marges de manœuvre à court terme qu'il faut utiliser. Il sera bien temps de construire ensuite un véritable plan de rétablissement budgétaire.

Enfin, l'Union peut aider à une mise en œuvre rapide, parce que la vitesse de réaction est cruciale en matière de relance économique. Les États membres ne doivent pas être ralentis par les procédures communautaires dans la mise en œuvre de leurs plans de relance. De même, si des dépenses communautaires supplémentaires sont nécessaires, elles doivent être autorisées rapidement dans le respect des perspectives financières 2007-2013.

Nous nous engageons à tout faire pour accélérer la reprise. Nous le ferons en gardant en mémoire la nécessité de continuer les réformes structurelles et veiller à la consolidation des finances publiques.

Nous invitons les États membres de l'Union à adopter ces principes simples et forts lors du prochain Conseil européen pour constituer la contribution de l'Europe unie à l'appel du sommet de Washington en faveur de la relance économique.

US pumps another $800bn into mortgage and credit markets - The Guardian, uk - link (aqui)


Record house price fall overshadows attempt to free up lending

Henry Paulson

The US treasury secretary Henry Paulson. He admitted that millions of Americans could not borrow any money last month. Photograph: Shawn Thew/EPA


US authorities escalated their economic firefighting programme yesterday by pumping $800bn (£500bn) into the mortgage and consumer credit markets, amid further confirmation of a rapidly deteriorating outlook.

The latest move exceeds the $700bn troubled asset relief programme, or Tarp, that performed a taxpayer-backed rescue on the US banking system and, according to economists, underlines how the credit crisis has spread from the corporate to the consumer sphere.

US treasury secretary Henry Paulson announced plans to pump $200bn into the consumer credit market after admitting that millions of Americans could not borrow any money last month. The Federal Reserve, the US central bank, also announced that it will buy up to $600bn worth of mortgage-backed assets in an attempt to free up the mortgage lending market and, it hopes, bring down the cost of home loans. However, another wave of dire economic data overshadowed the news as house prices tumbled by a record 16.6% in the third quarter and it was revealed that the US economy had performed worse than expected over the same period.

Pledging that the $200bn infusion was just the "starting point", Paulson said: "The market essentially came to a halt in October. As a result millions of Americans could not find financing for their everyday needs." The $200bn will be aimed at the credit markets underpinning car loans, student loans, credit cards and loans to small businesses, which effectively dried up in October.

Paulson denied that the $600bn acquisition of mortgage-backed securities and debt owned by mortgage lenders showed that the nationalisation of the two biggest backers of home loans in the US, Fannie Mae and Freddie Mac, had failed. "It is aimed at getting [mortgage] rates lower and it is a great deal for the taxpayer."

US authorities expect lenders to use the money from the sale of toxic assets to fund new, cheaper mortgages. They also hope that lending $200bn to holders of securities backed by income from student, car and credit card debt will also bring down the cost of new loans.

The glut of government initiatives, which included a $326bn bail-out of Citigroup on Monday, is taking place against the backdrop of a worsening economic outlook. It was confirmed yesterday that the US economy performed worse than initial estimates in the third quarter. Gross domestic product in the three months to September fell 0.5%, said the commerce department, instead of the 0.3% decline in earlier forecasts. The decline in GDP is the fastest since the 9/11 attacks and included a downward revision in consumer spending, which generates two-thirds of US economic activity, from 3.1% to 3.7%.

The economy is expected to contract in the final quarter of the year and well into 2009, more than fulfilling the technical definition of a recession, which is two successive quarters of negative growth.

GDP will shrink by 4% in the final quarter of the year, according to some estimates, ratcheting up the pressure on President-elect Barack Obama to come up with a bold economic stimulus programme.

"The Obama administration is beginning to understand that the stimulus package has to be very, very big," said Nariman Behravesh, chief economist at economic forecaster Global Insight. "Estimates of about $500bn to $700bn are about right. Anything less than that is like a popgun."

Speaking yesterday, the president-in-waiting said it was "imperative" that wasteful spending be cut and that the federal budget reformed. "We cannot sustain a system that bleeds billions of taxpayer dollars on programmes that have outlived their usefulness, or exist solely because of the power of a politician, lobbyist or interest group."

The latest slump in US house prices underlined the depth of the economic trough and threatens to tip millions more home owners into the negative equity spiral that set off the credit crisis last year. The Standard & Poor's/Case-Shiller home price index fell by a record 16.6% in the third quarter, year on year. Prices are at levels not seen since the first part of 2004.

The Dow Jones lost early gains amid the sobering news. In London, the FTSE 100 closed up by 18 points at 4171 as the US data reined in a more positive start.

The Federal Reserve and US treasury yesterday launched a sister to the Tarp called the term asset-backed loans facility, or Talf. It will be funded by a $20bn contribution from the Tarp that will be leveraged by the Fed to create a $200bn facility. Talf cash will be offered to holders of securities backed by car loans, student debts and credit card borrowings who, it is hoped, will open their lending books again.

Economists said the government was attempting to jump-start a consumer loan market whose frozen state is threatening to exacerbate a looming recession.

John Silvia, chief economist at Wachovia Bank, said the "extraordinary" paralysis in consumer credit markets left the government with no choice other than direct intervention. "There is simply no lending going to the ultimate consumer. What we saw after September was no one knew what the counterparty risk was or where the economy was going," he said, referring to the aftermath of the collapse of Lehman Brothers. "You cannot expect to have lending in that environment. The Fed and the Treasury therefore thought they had to get involved."

Paulson said the treasury was examining how the $700bn Tarp fund could be used to prevent home foreclosures. So far $350bn of the fund has been spent on shoring up the balance sheets of banks including Citigroup and Morgan Stanley.

«Interventi a tappeto sulle banche Anche se non vogliono» - Corriere Della Sera, it - link (aqui)


Bini Smaghi: basta una mela marcia per ricreare la paralisi: Se le banche smettono di fare le banche si rischia implosione

DAL NOSTRO INVIATO
MADRID – Non occorre rispolverare Adam Smith, John Maynard Keynes o il prossimo busto nel museo di storia dell'economia. Bastano un paio di maestri del western: «John Ford o Sergio Leone ce l'hanno insegnato — ricorda Lorenzo Bini Smaghi —. Lo sceriffo non deve restare senza munizioni se non vuole finire accerchiato». Deve sparare il suo intervento pubblico nelle banche per tempo e a segno. Ma soprattutto, deve mirare a tutta la platea degli istituti: «Anche a quelli che non vogliono», sottolinea l'esponente dell'esecutivo della Banca centrale europea.

L'occasione per discutere di come battere l'epidemia della sfiducia arriva per Bini Smaghi con la terza edizione del Forum internazionale «Economia e società aperta» organizzato dalla Bocconi e dal «Corriere» ieri e oggi a Madrid. Assieme a lui ne parlano il presidente dell'università milanese Mario Monti e il ministro delle Politiche europee Andrea Ronchi. Ed è lo stesso Monti a ricordare come le precedenti tappe del Forum avessero puntato il dito in tempi non sospetti sui possibili rovesci dell'integrazione finanziaria globale. Stavolta Bini Smaghi concede ancora meno sconti: «E' in gioco la fiducia nel mercato — nota — ma quella nello Stato è rimasta alta, quindi per uscire dalla crisi occorre più Stato, per ricreare un mercato funzionante». Su come ciò si declini però non c'è accordo. Bini Smaghi ricorda ad esempio il paradosso dei tassi: quelli della Federal Reserve sono all'1% contro quelli al 3,25% della Bce, eppure gli interessi praticati dalle banche ai clienti sono spesso più bassi in Europa che in America. «L'efficacia delle politiche economiche è inficiata », accusa il banchiere europeo con una frecciata ai colleghi di Washington. È per questo che occorre che lo Stato ora colga nel segno, perché «se le banche smettono di fare le banche, cioè di prestare, si rischia l'implosione». Bini Smaghi ne trae un vademecum delle ricapitalizzazioni pubbliche, ormai le sole possibili: «Primo, devono essere abbondanti — elenca il banchiere — spingendo il capitale di prima qualità degli istituti su un rapporto a due cifre». Fino a ieri invece i cuscinetti di patrimonio delle banche italiane erano in regola, ma spesso sotto al 7%. Altrettanto duro il secondo punto del vad emecum: «L'intervento dev'essere a tappeto» perché «basta che resti una mela marcia per ricreare paralisi». Solo se tutti raccolgono denaro pubblico, incluso chi non lo chiede, la sfiducia può sciogliersi.

Ma è sul terzo punto che Bini Smaghi riserva una critica a Parigi e magari anche ad altri governi: «Sbagliato imporre rendimenti troppo alti del capitale pubblico, interventi a condizioni punitive penalizzano gli istituti e l'economia ». Ronchi richiama la proposta italiana di un piano europeo di investimenti. Ma è Monti a dar sfogo a tutta la sua vena di sarcasmo: «C'è un oggettivo ricatto della finanza: per chiudere la crisi vuole essere assistita — dice — ma questa è la fine dell'equità ». Magari, è solo la prova che le banche sono tossicodipendenti a cui non si può togliere la droga di colpo, riflette Bini Smaghi. «Lorenzo — interrompe Monti con la solita ironia — meglio se ti fermi qui».

Federico Fubini

El desembarco africano de Brasil - El País, es - link (aqui)


Brasilia ha decidido extender el negocio del etanol a escala planetaria

FRANCHO BARÓN - Río de Janeiro - 25/11/2008



El presidente brasileño, Luiz Inácio Lula da Silva, lanzó la semana pasada un nuevo órdago al establishment energético planetario. Fue durante la clausura de la I Conferencia Internacional sobre Biocombustibles celebrada en São Paulo, que concluyó que la producción mundial de etanol crecerá un 200% en los próximos seis años, comiéndole terreno a los combustibles fósiles. En el punto de mira brasileño está el continente africano, vasto en hectáreas de tierra baldía y generoso en sol y mano de obra, elementos esenciales para el cultivo de la caña de azúcar.

Discretamente y sin hacer ruido, hace dos años que Brasil desembarcó en África con el objetivo de dar un nuevo giro de tuerca en su estrategia para implantar mundialmente la energía verde, pero también para hacer negocios y consolidar su influencia en la región; todo ello en un momento en el que China también tiene su mirada puesta en las materias primas y la mano de obra del continente negro. El pulso está soterrado pero es real.

Brasil es el segundo productor mundial de etanol, sólo por detrás de Estados Unidos. También es el país que más conocimiento y experiencia atesora en la investigación de los biocombustibles. Siete de cada diez vehículos brasileños se mueven hoy con alcohol.

El interés de los brasileños por el desarrollo de esta fuente de energía verde se remonta a la crisis petrolífera de los setenta, cuando el país decidió usar sus excedentes de caña de azúcar para producir un combustible alternativo que disminuyese su dependencia del crudo. Hoy, varias empresas brasileñas, empezando por la propia petrolera estatal Petrobras, están en la vanguardia del mercado del etanol, y en Brasilia se piensa que ha llegado el momento de lanzar el negocio a escala planetaria. "Sólo habrá un mercado internacional de biocombustibles si muchos países producen y muchos países compran", comenta a EL PAÍS una alta fuente del ministerio brasileño de Relaciones Exteriores.

A lo anterior hay que sumar el ya consabido interés de Lula por crear un área de influencia estratégica brasileña en el continente africano, algo que se refleja claramente en la siete visitas oficiales que ya ha realizado a la región desde que es presidente. Más de una por año.

Buena fe de lo que se está fraguando entre Brasil y África da la reciente visita a Brasilia del presidente del Banco de Inversión y Desarrollo (BIDC) de la Comunidad Económica de los Estados de África Occidental (CEDEAO), Christian Adovelande. Las reuniones que se desarrollaron entre Adovelande y funcionarios de la Empresa Brasileña de Investigación Agropecuaria (EMBRAPA) pasaron desapercibidas, si bien en ellas está la clave de los movimientos económicos que se avecinan en estos países. Según declaró el director del BIDC, África está determina da a ayudar a Brasil en su pretensión de convertir el etanol en una materia prima de referencia mundial, como a día de hoy lo es el petróleo o el gas natural. A cambio, Brasil transferirá tecnología y creará puestos de trabajo en la región.

Desde Brasilia también se esgrimen argumentos de tintes humanitarios, como el combate a la escasez energética que aflige a no pocos países africanos. "Los países no se pueden desarrollar sin energía, y hoy en África la media de población que tiene acceso a ella es del 30%. En África del oeste esta media cae hasta el 4%", explica la fuente anteriormente citada. "Es importante que estos países adopten su propia lógica energética y el etanol es una buena alternativa. Ante los argumentos de que el etanol va en detrimento de la producción de alimentos hay que dejar clara una cosa: África ya dejó de producir alimentos hace mucho tiempo", concluye con contundencia.

Lula ya tiene quince países de su lado

De los quince países africanos que estarían dispuestos a producir etanol con tecnología y supervisión brasileña (Benín, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa de Marfil, Gambia, Ghana, Guinea, Guinea Bissau, Liberia, Mali, Níger, Nigeria, Senegal, Sierra Leona y Togo), en algunos de ellos ya se han iniciado las primeras inversiones de empresas de bandera brasileña. Es el ejemplo de Ghana, donde recientemente se ha inaugurado una delegación permanente de la EMBRAPA para supervisar los proyectos lanzados en la región. En este país que baña sus costas en el Golfo de Guinea, la constructora brasileña Constran ha invertido más de 300 millones de dólares en la infraestructura necesaria para procesar anualmente entre 150 y 180 millones de litros de etanol a partir de la caña que se recoja en 30.000 hectáreas cultivadas. ¿Quién será el último beneficiario del preciado combustible verde? La firma sueca Svenks Etanolkemi AB (Sekab) ya se ha comprometido a comprar la producción de etanol made in Ghana durante diez años.

En lo sucesivo, la lógica pretende ser la misma: la EMBRAPA tutelará emprendimientos entre empresas brasileñas y locales para la producción de etanol, financiados en parte con créditos blandos concedidos por el Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (BNDES) de Brasil. La idea es que el mercado de esta producción acabe situándose en la Unión Europea (UE), expandiendo de esta manera el consumo de etanol en una de las regiones más relevantes del globo. El negocio, por tanto, tiene varios frentes abiertos.

"Los estudios de que disponemos nos indican que las condiciones para la plantación de caña en algunos países africanos son excelentes. Son tierras que se asemejan mucho al cerrado brasileño", explica José Roberto Rodrigues, Director General de Transferencia Tecnológica de la EMBRAPA. Según Rodrigues, es evidente que junto al loable objetivo de estimular la soberanía alimentaria y energética de África, la implantación de proyectos en la región abre una nueva brecha a la industria brasileña del agronegocio para obtener pingües beneficios.

El viernes pasado Lula fue gráfico en un discurso dirigido claramente a los europeos: "Lo que nos gustaría es que los países ricos, al adentrarse en la era de los biocombustibles, cierren colaboraciones con los países pobres, sobre todo en África, para que allí puedan producirse parte de los biocombustibles que los países ricos desean. Es una forma de ayudar al desarrollo de África, es una forma de resolver el problema de la inmigración".

Malos índices para Latinoamérica - El País, es - link (aqui)


Un informe advierte de que se empieza a vislumbrar la recesión en la región

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ - Buenos Aires - 26/11/2008


Las esperanzas de un aterrizaje suave de las economías latinoamericanas en medio de la crisis mundial empiezan a desvanecerse. Lo que hasta hace unos meses se suponía que podría ser una desaceleración o un deterioro de las condiciones económicas se empieza a vislumbrar como un verdadero clima de recesión. Los últimos datos publicados por la fundación brasileña Getulio Vargas, en colaboración con el instituto alemán IFO, no dejan lugar a muchas especulaciones: el llamado Índice de Clima Económico (ICE), elaborado trimestralmente desde octubre de 1997, se ha colocado cerca del valor más bajo obtenido en diez años: 3,4 puntos.

El ICE estaba experimentando un declive continuado desde octubre de 2007, pero se combinaba con un Índice de Situación Actual todavía positivo y un Índice de Expectativas bajo, pero sostenido. En este nuevo estudio, todos los índices están por debajo de los promedios históricos en 10 años. El bajón en tres meses ha sido enorme: El ICE ha pasado de 4,6 a 3,4, pero la valoración de expectativas ha tocado fondo, pasando de 3,4 a sólo 2,5. La valoración de la situación actual, que se había mantenido invariablemente por encima de los 5 puntos, baja por primera vez a poco más de 4.

La percepción del clima económico de América Latina, asegura la encuesta, ha dejado de estar por encima de la media mundial. "El escenario se puede describir ya como tendencia recesiva mundial".

Realidades diferentes

El informe de la Fundación Getulio Vargas (creada en 1944 con el objetivo de incentivar la mejora de la administración pública y privada y el análisis y prospectiva económica y convertida en uno de los principales centros de investigación del país) refleja, sin embargo, realidades diferentes, según los países. En Argentina -explica- la situación sigue caracterizada por un muy desfavorable clima económico. Es cierto que el ICE aumentó de 2,7 a 3,2 en el último trimestre, pero partía de niveles muy bajos y además las expectativas siguen siendo "sumamente pesimistas" (1,7 puntos).

Los mejor situados parecen ser Uruguay, Perú y Brasil, que siguen teniendo un índice de clima económico ligeramente por encima del 5. Llama la atención el descenso de la valoración del ICE en México, donde ha pasado de 4 a 2,3 puntos, seguramente como resultado del empeoramiento de la crisis en Estados Unidos.

El problema de la inflación

La encuesta incluye un cuestionario sobre los problemas económicos que enfrentan los distintos países. Los analistas de la fundación señalan que predomina la preocupación por la inflación. Argentina, Bolivia, Ecuador y Venezuela la consideran el primer factor, junto a la falta de confianza en las políticas gubernamentales. "La inflación también se menciona en Chile, Colombia, México, Perú y Uruguay. Solamente en Brasil y Paraguay no se señala entre los dos temas principales".

Lo más significativo de la encuesta es su comparación con los datos del pasado mes de julio. El mundo estaba ya en fase recesiva, pero América Latina en general y Brasil en particular estaban solamente en una fase declinante de ciclo. En la encuesta hecha pública ahora, América Latina entra también en la fase recesiva y Brasil es el único que continua en la fase de descenso del ciclo, todavía no recesiva.

En el ranking por países del Índice de Clima Económico, las primeras posiciones son para Uruguay, Perú y Brasil, que lideran el ICE promedio de los cuatro últimos trimestres. Argentina y Ecuador siguen en las últimas posiciones. "El único cambio es el intercambio de posiciones entre Venezuela y México, en la octava y novena posición".

Perspectivas

Los datos de la Fundación Getulio Vargas han coincidido con nuevos análisis hechos públicos ayer martes por la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico (OCDE) y también relacionados con la economía latinoamericana. Según la OCDE, nuevas caídas en los precios de las materias primas y las presiones inflacionistas por la depreciación de las monedas, son los dos riesgos principales que afronta América Latina.

Para los expertos de la OCDE, Brasil crecerá sólo un 3% en 2009, pero empezará repuntar en 2010 (4,5%). México tiene perspectivas más difíciles: un crecimiento del PIB de únicamente un 0,4% el año próximo y de un 1,8% en 2010. Para Chile, el crecimiento oscilará entre un 2,6% en 2009 y un 3,1% en 2010.

La OCDE coincide en que la presión inflacionista seguirá siendo importante, porque aunque la actividad económica decae, la depreciación de las monedas aumenta la presión sobre los precios. "El Banco Central de Brasil probablemente tenga que reanudar su campaña de ajuste monetario". El real brasileño ha perdido ya un 24% de su valor frente al dólar en este año. El peso mexicano ha caído un 19% y el chileno, más del 26%. En Argentina, la industria local lucha por lograr una devaluación, pero el Gobierno de Fernández Kirchner intenta mantener el nivel de cambio entre 3,30 y 3,40 pesos por dólar.

Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Descobrindo a pólvora com a infidelidade partidária

O SUPREMO NEM PERCEBEU QUE ESTAVA MUITO LONGE DA SOLUÇÃO

Foram 15 horas de trabalho do Supremo. 6 na quarta-feira, 9 na quinta. Jamais assisti a um espetáculo tão brilhante e tão inútil. Até mesmo alguns ministros pelos quais tenho apreço e às vezes admiração desperdiçaram tempo, o de todos e os deles, e não explicaram coisa alguma.

Devem ser admiradores de Alfred Nobel, pois estava visível que "descobriam a pólvora". Só que no tumulto e na profusão das citações esqueceram do criador do prêmio Nobel. Mas todos os 11 mereciam essa láurea, coletiva ou individualmente.

Todos deixaram bem claro que ninguém pode ser candidato sem estar filiado a um partido. Descoberta sensacional. Mas que era tão óbvia e redundante que não houve nenhuma discordância. Concluíram que o cidadão precisa pertencer a um partido para se candidatar, só que os partidos não existem. São balcões de negócios, onde personagens de avental branco vendem, a bom preço, siglas que formam ou fundam exatamente para isso.

Na enxurrada de citações, esqueceram de uma, imprescindível: de Gilberto Amado, grande escritor, acadêmico e embaixador. No seu livro "Presença na política", faz esta observação irrecusável: "Antes de 1930, a eleição era falsa, mas a representatividade era verdadeira. Depois de 30 a eleição passou a ser verdadeira, mas a representatividade é falsa".

Ficamos tentando encontrar o caminho certo para identificar a representatividade, o pluralismo presidencialista é o estado a que chegamos. Até 1934, tínhamos o voto independente que permitiu as duas candidaturas presidenciais de Rui Barbosa. (Foram 3, mas em 1914 ele desistiu com um discurso violentíssimo, alvejando Pinheiro Machado, senador como ele e bem a sua frente).

Na eleição de 2 de dezembro de 1945 (depois de 15 anos de ditadura escondida ou ostensiva), fizemos grande modificação. Cada candidato na eleição proporcional podia disputar por 7 estados para deputado e a 1 para senador. Logicamente eleito por mais de uma vez faria a opção.

Vargas se elegeu deputado pelos 7 estados e senador pelo Rio Grande. Como era o seu estado e o mandato maior, ficou no Senado. (Era então de 6 anos, logo passaram para 8, outro equívoco.) Prestes se elegeu deputado por 5 estados e no então Distrito Federal foi eleito deputado e senador, também fez a opção maior. A Constituinte de 1946 faria outra experiência desastrosa: a eleição do vice, separado do presidente. O que "permitiria" em 1961 a renúncia de Jânio Quadros.

E por falar nesse personagem, devemos lembrar da sua carreira, acumulada com a falência dos partidos. Em quase 13 anos, de 19 de janeiro de 1947 a 3 de outubro de 1960, Jânio foi de vereador a presidente da República, usando partidos inexistentes ou sem identidade. E em 1989, Fernando Collor, que não era um nome nacional, se elegeu presidente por uma sigla que ninguém decompunha, PMN. O que seria isso?

11 ministros geniais não perceberam que a fidelidade ou a infidelidade partidária não tem a menor importância. Não estava em causa, mas o que valia o debate e a discussão por 15 horas era o presidencialismo-pluripartidário, fonte de toda a corrupção e dos "arranjos" condenáveis ou condenados. Pois o presidente se elege antes e sozinho, depois então tem que formar o governo, da forma que der.

No presidencialismo-bipartidário como nos EUA, o presidente se elege com o Parlamento, governa com maioria ou minoria, mas sem corromper os adversários. E finalmente o terceiro modelo, o pluripartidarismo-parlamentarista, quando o primeiro-ministro forma o governo antes da posse e então todos os acordes são válidos, legítimos e necessários.

Não tenho mais espaço, vou terminar com um exemplo positivo do presidencialismo-bipartidário. Lincoln se candidatou em 1860 à indicação pelo seu Partido Republicano. Obtida a "nomination", por tradição, tinha o direito de escolher o vice que bem entendesse. Só que escolheu Andrew Johnson, governador do Tennessee do Partido Democrata. Foi uma calamidade, mas o regime suportou. Porque era bipartidário e os dois queriam fundar outro partido.

Eu sei que o Supremo não podia fazer REFORMA POLÍTICA mas também não podia perder tempo acreditando que estava fazendo. O Supremo prefere líderes carcomidos, cúpulas apodrecidas, partidos presididos por cassados? E o País amordaçado por "fidelidade" a isso.

PS - A chamada "infidelidade" partidária é um "crime" inexistente, pois no Brasil não existem partidos. Ontem, mostrei 13 itens de uma reforma partidária e política imediata.

PS 2 - Um só desses 13 itens, o VOTO DISTRITAL, acaba com a mudança contínua e continuada de partidos.

Carlos Lessa
Podia ser presidente do BNDES até hoje. Revelou a Lula tudo o que acontecera, o presidente não fez nada. Foi embora.
Essa chamada "crise financeira" deu ontem o xeque-mate da improbidade, imoralidade, incredibilidade. As ações do Citigroup, desprezadas nos últimos dias, ontem abriram em alta de 10 por cento. Quem lucrou? Adivinhem? Lógico, os que negociavam, acionistas majoritários, ganharam para valer. Os minoritários perderam como sempre. E os fundos então foram estraçalhados, principalmente aqui, na filial. Que República.

Com a espantosa anistia e mais recursos para empresas ou ONGs ditas filantrópicas, reviveram a luta e a confusão entre Filantrópicos e Pilantrópicos.

O então senador José Serra (que praticamente só ocupou a senatoria no final, quando ia disputar cargo executivo) foi chamado da tribuna do Senado de Pilantrópico. Quem identificou-o assim? O também senador Jacques Ornelas, sem resposta.

A propósito e importantíssimo, podem se servir da constatação: José Serra, candidatíssimo a presidente, tem apenas 1 ano e 4 meses como governador de São Paulo, terá que sair em 31 de março.

Fica portanto 1 mês deste 2008, o ano de 2009 e 3 meses de 2010. Por isso o que chamei de jogada sensacional a venda da Nossa Caixa para o BB, logicamente, leia-se, Lula.

Se não vendesse, a Nossa Caixa continuaria como um banco comercial, "gerido" pelo ex-stalinista Alberto Goldman, ignorado e invisível vice no surrealismo brasileiro.

Inacreditável mas rigorosamente verdadeiro: vem aí um NOVO E GRANDE escândalo, ligado ao mensalão. Como o Banco do Brasil resolveu comprar a Nossa Caixa (que já era estatal), apoiei, mas não era nada fundamental.

Só que agora a direção do BB recebeu ordens diretas de COMPRAR O BANCO RURAL. Por que digo que isso será dos maiores escândalos? Por que o Banco Rural é a matriz e o CAIXA do M-E-N-S-A-L-Ã-O?

O Banco Rural vale pouco. Mas o valor extraordinário está nos seus arquivos, documentos, testemunhas presentes e invioláveis da acusação dos 40 que o Supremo acha que vai julgar. Que República.

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Vale repetir: vão entregar o poder ao Serra?

BRASÍLIA - Insistimos na pergunta: vão entregar o poder ao Serra? A referência é para o fato de que nem divulgadas vêm sendo as pesquisas encomendadas pelo Palácio do Planalto e adjacências a respeito das possibilidades de Dilma Rousseff eleger-se em 2010. A chefe da Casa Civil não passa de um dígito enquanto o governador de São Paulo vai além dos 40%.

As coisas podem mudar, ouve-se nos bastidores do governo, sendo o presidente Lula, por enquanto, o maior crédulo nas mudanças. O diabo é que, se as coisas não mudarem, como fica o sistema de poder hoje exercido pelo PT, PMDB e penduricalhos, beneficiados com nomeações, favores e facilidades de toda ordem?

Como ficarão as centrais sindicais, mesmo condenadas a um silêncio constrangedor, com a CUT à frente, mas felizes por conta da participação de seus dirigentes no banquete servido desde 2003? Nem se fala dos bancos e das financeiras, atendidos em suas mínimas necessidades ao primeiro sinal da crise mundial. Até os aquinhoados pelo bolsa-família começam a preocupar-se, ainda que pareça impossível José Serra retirar-lhes a esmola.

Todo esse complexo aglomerado de comensais anda acordando de pesadelos diante da simples hipótese de entrar em campo um novo time, provavelmente não menos ávido de ganhar as tetas do governo, dispostos que estão os tucanos a recuperar o tempo perdido.

Entregarão o poder ao Serra, sabendo todos das conseqüências para a vida de cada um, individualmente, além do estrago que poderá ser feito em suas corporações?

A partir da possibilidade de a candidatura da companheira não decolar, abrem-se mil esboços de estratégias. Por que não admitir outro nome do PT? A resposta é que o partido anda ralo de possibilidades, depois da queda de José Dirceu e de Antônio Palocci. Que tal buscar fora do PT, mas no governo, uma alternativa fiel?

Quem, sabendo-se que Henrique Meirelles não é do ramo e Nelson Jobim enfrenta sérios problemas de convivência no PMDB? Pinçar um candidato nos pequenos partidos afins, tipo Ciro Gomes? Também não dá, menos pelo sumiço do candidato duas vezes derrotado, mais por conta da ciumeira petista.

Esperar que Aécio Neves deixasse o ninho dos tucanos para lançar-se na aventura peemedebista? Ora, a legenda que antes pertenceu ao dr. Ulysses é hoje feudo de Lula, não propriamente entusiasmado pelo governador mineiro. Como se trata de um delírio esperar que o presidente manifeste qualquer simpatia pela candidatura do governador paulista, fica a equação à espera do principal fator: fazer o que para não entregar o poder a José Serra?

Quem quiser que conclua, partindo da premissa de não ser porque o termômetro registra altas temperaturas ser dele a culpa pela febre. O fato de há mais de dois anos estarmos alertando para o perigo do terceiro mandato ou similar não significa a sua defesa. Pelo contrário, exprime um alerta e uma denúncia.

Estão tramando a continuidade de Lula através de artifícios variados: se Fernando Henrique mudou despudoradamente as regras do jogo para conquistar o segundo mandato, por que Lula não poderia, "democraticamente", fazer o mesmo? Ou então, para evitar a confusão eleitoral de dois em dois anos, por que não estabelecer a coincidência de mandatos municipais, estaduais e federais em 2012, com a prorrogação por dois anos dos períodos presidenciais, governamentais e congressuais? Todos iriam adorar. Para concluir, mais uma repetição: vão entregar o poder ao Serra?

"Exército Brancaleone"?

Os três mosqueteiros viraram quatro quando Cristovam Buarque, Eduardo Suplicy e Fernando Gabeira admitiram Paulo Paim na caravana que nos próximos dias começa a percorrer o País sustentando a necessidade de uma nova candidatura presidencial fora do eixo Dilma-Serra. Pediram inscrição os senadores Mozarildo Cavalcanti e Mão Santa, esperando-se a próxima adesão do senador Pedro Simon. Também Artur Virgílio foi convocado.

Não demora muito deixará de caber numa Kombi a comitiva programada para fazer palestras em universidades diversas. Vão precisar de um ônibus, ainda que se parlamentares ricos forem cooptados, por certo providenciarão um vôo-charter.

Com todo o respeito pelos ideais e até pelo diagnóstico correto de tornar-se necessário um candidato do Brasil, não apenas de São Paulo ou do PAC, a verdade é que essa iniciativa lembra muito as aventuras do "Exército Brancaleone", inesquecível filme dos anos sessenta. Se não vão salvar Jerusalém das mãos dos infiéis, almejam ao menos oferecer ao País uma alternativa acima e além do ninho dos tucanos ou da estância dos companheiros.

Pode não dar em nada a empreitada, como tantas similares verificadas no passado. Será bom não esquecer, porém, que a campanha das "Diretas-Já" começou com um comício em Goiânia, com menos de quinhentas pessoas em praça pública aplaudindo o dr. Ulysses. A bola de neve cresceu, no final eram milhões, reunidos em torno dos maiores líderes nacionais, de Lula a Brizola, de Tancredo a Sobral Pinto, de Franco Montoro a Miguel Arraes. Fora alguns bicões que por caridade é bom não citar. Os de lá e os de cá...

Estado laico

Vamos deixar de fora o fato de que Cássio Cunha Lima perdeu o mandato de governador da Paraíba por haver feito no plano estadual aquilo que Lula cansou de fazer no plano federal, ou seja, tirar proveito de obras assistenciais realizadas em seu primeiro mandato para concorrer a um segundo. O jovem acabou fulminado pela Justiça Eleitoral, o torneiro-mecânico vai bem, obrigado.

O problema é que decisões judiciais não se discutem. Cumprem-se. Não dá para entender, assim, como o arcebispo de João Pessoa tenha comparecido ao palácio do governo não apenas para hipotecar solidariedade a Cássio Cunha Lima, um direito seu e até uma iniciativa louvável, mas para descer tacape e borduna no lombo do senador José Maranhão, que vai assumir o governo do estado. Duas vezes governador segundo colocado nas eleições de 2006, manda a lei que Maranhão ocupe o cargo. Por que diabos o arcebispo tinha de se meter em questões político-partidárias? O estado, no Brasil, continua laico...

A moda vinda do frio

Encontrou-se o presidente Lula, ontem, com o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev. Jantaram no Rio, deixando em aberto à indagação de ser verdade que os russos não entendem nada de protocolo, porque a obrigação de seu presidente era vir até Brasília, sede do poder federal, para as cerimônias de rotina.

Como George W. Bush já fez isso não faz muito, indo a São Paulo sem passar pela capital federal, é provável que a iniciativa russa tenha mais a ver com a disputa entre as duas potências do que propriamente com a intenção de nos desprestigiar. Como Lula engoliu mais um sapo na política internacional, deslocando-se para o Rio, o problema é dele. Ou dos caças Sukoi, que deixamos de comprar por pressão dos americanos, ainda que tenhamos adquirido uns tantos helicópteros russos de combate.

O que faz a gente pensar é sobre a conversa que mantiveram. Porque Medvedev acaba de ter seu mandato prorrogado, de quatro para seis anos. A Duma aprovou quase por unanimidade o casuísmo inexplicável, já que o representante das estepes foi eleito para quatro, não para seis anos. Qualquer mudança na legislação, pela lógica, deveria valer para o seu sucessor, não para ele. Será que a moda vinda do frio poderá nos contaminar?

Uma andorinha só não pára vôos de abutres - Estadão online - link (aqui)


José Nêumanne*


No universo de firulas e filustrias da política nacional, muita gente boa, e até bem-intencionada, perguntou por que o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), só contestou a malfadada medida provisória (MP) emanada do Planalto consagrando a "pilantropia" após ela ter sido acatada. Mandava a correção burocrática que a porta lhe fosse fechada antes de ela ser recebida e o gesto de coragem e ousadia cívica do chefe do Poder Legislativo parecia perder o valor num debate estéril sobre correção regimental. A boa notícia é que, ao contrário do que seria de esperar, a discussão a respeito da primazia do mérito sobre a oportunidade, ou vice-versa, não prosperou. E pôde a República, enfim, se orgulhar do desassombro de um de seus maiorais, que contrariou o hábito comezinho e ancestral da escalada carreirista dos representantes do povo no topo do poder pela mistura descarada de fisiologismo fantasiado de oportunismo e de pusilanimidade travestida de esperteza.

Apesar do prenome sugestivo, que não recebeu em homenagem ao hirsuto unificador da Itália, mas ao próprio pai, Garibaldi não tem o perfil do combatente temerário, menos ainda do revolucionário ardente. Pertence a uma oligarquia que não foi articulada na posse de latifúndios, mas no populismo assumido do fundador, Aluízio, jornalista de ofício cujo poder não foi consolidado por rebanhos pastoris, mas por currais de votos conquistados com talento, habilidade e capacidade de convencer e influenciar eleitores. Filho de Garibaldi, irmão do prócer, coube-lhe, por via indireta, seguir a trilha do tio, embora fossem os primos herdeiros óbvios na política clânica nordestina - o que já é a primeira surpresa. Governou um Estado pequeno - entre os menores da Federação, apesar do nome longo, Rio Grande do Norte - e assumiu a Câmara Alta numa hora da grande desmoralização do Poder Legislativo por culpa do escândalo protagonizado pelo antecessor, Renan Calheiros, como ele nordestino e do PMDB. Nada sugeria uma passagem de destaque: sem o porte apolíneo que se atribui aos senadores romanos e com uma dicção sofrível, à beira da dislexia, ele parecia fadado a construir uma imagem fugaz como o mandato-tampão que lhe havia sido destinado.

Mas quem esperava uma condução subserviente dos trabalhos do Senado aos desígnios do Planalto, à qual todos já estavam acostumados, principalmente no capítulo das medidas provisórias, teve uma grande surpresa e está tomando grandes e exemplares sustos: Garibaldi nunca perdeu uma oportunidade que fosse de usar a força simbólica do posto ao qual foi guindado, se não por acaso, no mínimo por falta de competidores à altura (as estrelas da Casa desdenharam a brevidade da função), para denunciar a desfaçatez com que o Executivo passou a legislar a pretexto da urgência e da necessidade. Mas também nunca deixou de reconhecer a quem fala - e entre seus ouvintes está o mais interessado de todos, Lula em pessoa - a responsabilidade do próprio Congresso pela situação esdrúxula: o Executivo legisla mais do que deve por excesso de apetite de poder, mas o Legislativo permite que isso ocorra por comodismo e esperteza.

A dois meses de entregar o cargo ao qual não pode concorrer por impedimento regimental (não se permite a reeleição no meio de uma legislatura), Garibaldi encontrou a oportunidade ideal para executar na prática o que sempre pregou, provando que não é disléxico, mas sincero, defeito talvez pior na parolice politiqueira tupiniquim. A MP com que o governo pretendia misturar joio com trigo, dando dinheiro do contribuinte a entidades filantrópicas sérias e a contrafações da caridade, representadas por entidades suspeitas de fraude ou comprovadamente fraudulentas, foi rejeitada com indignação geral. E essa repulsa ética encontrou eco na devolução pelo presidente do Senado - primeiro desafio aberto à desfaçatez com que o Executivo ata e desata no Legislativo.

A coragem do Garibaldi desengonçado pode ter até irritado o chefe do governo, mas este reagiu à altura e surpreendeu a platéia com um roque no xadrez proposto pelo aliado desabusado. Em vez de mandar seu líder na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com base na falha regimental aparente da decisão, Sua Excelência o instruiu a transformar a medida provisória em projeto de lei. Assim, Lula confessou de público que a proposta indecente não tinha necessidade nem urgência para tramitar como havia inicialmente encaminhado. E, num lance de sagacidade, esvaziou a discussão da sordidez do texto original ganhando tempo para dissolver a obviedade da amoralidade da MP e amenizando a ira dos mais ferozes críticos da desfaçatez.

A discussão do projeto do governo até deve melhorá-lo, mas ainda restam dúvidas de que a ousadia cívica de Garibaldi tenha depurado de vez os métodos pelos quais os senadores exercem o poder e se relacionam com o Executivo. A influência evidente, embora descabida, de seu antecessor, Renan Calheiros, na escolha do futuro presidente da Casa é prova cabal disso. Disposto, dizem, a se vingar do pretendente do PT, Tião Viana (AC), ou, o que é mais provável, a mostrar que ainda controla espaços significativos de poder na bancada de seu partido, que também é o do atual presidente, o alagoano age com a desenvoltura de quem tem voz de comando e, por isso, exige obediência dos demais. Para tanto conta com a cumplicidade silenciosa do Planalto, que manobrou para mantê-lo no mandato e agora se faz de desentendido para não desautorizá-lo. É triste que o Senado, que age como águia e bica o nariz do rei, exiba de forma tão inglória o próprio traseiro. Mas há pouco o que fazer quanto a isso: andorinha nenhuma, por mais alto que voe, conseguirá deter, sozinha, a revoada dos abutres.

*José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

Mônica Bergamo - Folha de São Paulo - link (aqui)

AGRADECIMENTO
"Caetaaaanooo, vai tomar no c*", disse Tom Zé no domingo, 23, diante da platéia que lotou o show que fez no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O músico anda falando mal de Caetano Veloso até em seu blog depois que ele o elogiou por causa do recém-lançado CD "Estudando a Bossa - Nordeste Plaza".

"Não, Caetano (...) eu não posso aceitar agora o seu colo e do grupo baiano, que durante todos esses anos me separaram até do que era meu, enquanto gozavam todo o prestígio e privilégios, talvez como ninguém mais neste país analfabeto."

RÉPLICA
Caetano respondeu ao cantor Tom Zé: "Eu não sou o grupo baiano. Eu sou eu. E você não precisa recusar um abraço meu para ser grato a quem o ajudou. Nos abraçamos muito nesses últimos anos. E quando o show do "Cê" pintou você escreveu sobre ele. Agora escrevi sobre seu disco porque toco esse blog de feitura do meu e nele escrevo sobre tudo. Por que me proibiria de escrever sobre você? Tá maluco? Eu gosto de você. Não precisamos desses surtos de ressentimento".

Ruy Castro - Folha de São Paulo - link (aqui)



Lévi-Strauss a dois

RIO DE JANEIRO - Claude Lévi-Strauss, o antropólogo francês, está fazendo 100 anos. Em 1935, ele era um jovem marxista com uma visão mecânica da vida, como tantos. Mas veio para o Brasil, embrenhou-se no mato com os nossos bororos e nambiquaras, comeu do cru e do cozido, e isso abalou suas certezas. Em 1955, a experiência rendeu-lhe um livro, "Tristes Trópicos".
Nos anos 50, Lévi-Strauss já acusava o homem de ser o vilão da ecologia, quando os dicionários ainda não tinham chegado a um acordo nem sobre o significado da palavra. Contrariando o espírito da época, também nunca aceitou a idéia de que, com a alfabetização em massa, o progresso da humanidade seria fatal -quem éramos nós para sair alfabetizando populações que viviam tão bem sem o alfabeto?
Por defender a necessidade de preservar as identidades étnicas e culturais, combateu a idéia da globalização ainda no berço. Para ele, a globalização conduziria à uniformização, à anulação das diferenças -e o fim das diferenças levaria à indiferença, que é uma das piores pragas que poderiam nos afligir. Pois é o que está acontecendo, e bem que ele avisou.
Minha geração tem vários motivos para ser grata a Lévi-Strauss. Em 1968, um pretexto infalível para um rapaz e uma moça se encontrarem era ler e discutir o último livro do autor da moda. Eram grandes noites, que, de fato, começavam pela leitura de um capítulo do livro, geralmente o primeiro. Mas nunca se chegava ao segundo.
Naquele ano, o campeão disparado de tais leituras era "Eros e Civilização", de Herbert Marcuse. Mas, então, "Tristes Trópicos" saiu no Brasil, e Lévi-Strauss tomou-lhe o lugar. Eu tinha 20 anos, morava no Solar da Fossa, em Botafogo, e era incrível como não se passava uma noite sem uma discussão a dois sobre Lévi-Strauss.

Fernando Rodrigues - Folha de São Paulo - link (aqui)



A crise, Lula e a realidade

BRASÍLIA - Enquanto Lula manda seus ministros dizerem que o Brasil vai crescer 4% em 2009, no mundo real fica cada vez mais claro como está distante o fim da atual crise. O salvamento do Citibank é a demonstração acabada sobre a gravidade do momento. Pela concordância tácita, também indica a intenção de Barack Obama de utilizar a mesmíssima política do atual ocupante da Casa Branca: despejar toneladas de dinheiro público na economia.
George W. Bush titubeou em setembro. Sua equipe econômica piscou na hora de salvar o Lehman Brothers da falência. O banco evaporou. Depois, a crise foi ladeira abaixo.
Engenheiros de obras feitas no Brasil -e nos Estados Unidos- criticaram a decisão da equipe de Bush. O Lehman era muito grande para quebrar, disseram. Alguns desses críticos eram os mesmos que antes reclamavam dos socorros estatais a bancos privados -como ocorrera no início do ano com o Bear Stearns.
Depois da vacilada, a política econômica ficou clara como nunca.
Haverá dinheiro estatal de sobra para salvar tantos quantos forem os bancos ou empresas em dificuldades por causa de barbeiragens com derivativos e outros ativos tóxicos.
A lógica toda será usar a confiança ainda existente na maior reserva de valor do planeta: o dólar. Mais adiante, quando a inflação brotar por causa da emissão de moeda sem lastro, assistiremos à pior parte da crise, com uma brutal alta dos juros.
No Planalto, mesmo vendo a degradação do cenário, Lula parece comandar um bloco do auto-engano. Repete um mantra sobre a solidez do país. Fará uma propaganda na TV a respeito. Ou o petista enxerga o que ninguém vê ou prepara o país para uma das maiores decepções recentes ao longo do ano de 2009. A ver.

Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)



Há mocinhos nessa história?

SÃO PAULO - O afastamento do delegado Protógenes Queiroz do Departamento de Inteligência da Polícia Federal deveria reativar uma pergunta que o ombudsman desta Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, tem feito com freqüência, mas que não encontrou resposta até agora. A saber, se Carlos Eduardo me permite a tradução livre de sua inquietação: qual é o jogo político em torno da tal Operação Satiagraha, talvez o mais confuso episódio dos muitos em que a Polícia Federal gerou manchetes?
A única coisa que parece clara até agora é que há uma disputa na PF, supostamente entre seu atual chefe, Luis Fernando Correia, e seu antecessor, Paulo Lacerda, diretor (afastado provisoriamente) da Agência Brasileira de Inteligência.
Qual é o fundo da divergência?
Ciúmes funcionais? Desacordo sobre métodos operacionais? Estranhamento político?
No meio do caminho ainda apareceu a divergência Abin-PF. Antes, aliás, as duas instituições cooperaram na tal Satiagraha, quando a investigação estava a cargo de Protógenes. Depois, entraram em rota de colisão, a ponto de a PF ter apreendido material da Abin, talvez sigiloso, talvez de interesse da segurança nacional, em episódio que torna sem graça a série de TV "Agente 86".
Qual é, afinal, o pecado de Protógenes? Num primeiro momento, chegou a ser aclamado como o vingador da moral e dos bons costumes, supostamente (ou realmente) ofendidos por Daniel Dantas, o banqueiro que, para fechar o círculo das dúvidas, diz estar seguro, no âmbito da Justiça, apenas nos tribunais superiores, que, aliás, de fato lhe deram não um, mas dois habeas corpus.
A imensa confusão armada em torno da Satiagraha exigiria que as autoridades, mais até que a mídia, aliás, viessem a público para explicar quem é mocinho e quem é bandido, sob pena de ficar a impressão de que não há mocinhos.