Em discurso semanal, presidente se diz pronto para lutar contra lobistas e afirma que trabalha "para o povo americano"
Democrata se ampara no grande apoio com que ainda conta para conseguir ver aprovado seu programa de gastos com tintas sociais
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
Num dos pronunciamentos mais contundentes desde que assumiu a Casa Branca, há 40 dias, o presidente Barack Obama defendeu seu Orçamento atacando os que já se manifestaram contra o tamanho e as tintas sociais do programa de gastos do governo para os próximos anos, apresentado por ele na última quinta-feira.
"Sei que essas medidas não vão cair bem com os [grupos de] interesses e os lobistas que investiram na velha forma de conduzir os negócios e eu sei que neste momento eles estão se preparando para lutar", disse o democrata em seu pronunciamento semanal por internet ontem. "Minha mensagem a eles é essa: eu também estou."
Em tom abertamente populista e amparado nas pesquisas de opinião que ainda lhe dão cerca de dois terços de avaliação positiva, o presidente afirmou que o sistema atual "pode funcionar para os interesses poderosos e bem conectados que têm comandado Washington por muito tempo, mas não funcionam para mim: eu trabalho para o povo americano".
A proposta, enviada ao Congresso na semana passada, é sua peça de legislação mais ousada até agora e a que causa mais polêmica. Pede gastos de US$ 3,55 trilhões para o ano fiscal de 2010, que começa em outubro, e prevê um déficit de US$ 1,75 trilhão para o de 2009.
O primeiro valor bate nos 27% do PIB do país, e o segundo passa dos 12%, ambos recordes históricos de gasto e de dívida, não alcançados desde os anos 30. Mas a maior revolução para os padrões americanos é de onde virá o dinheiro -mais imposto para a fatia mais rica da população e as empresas poluidoras, menos subsídios para fazendeiros- e para onde irá -programas sociais como sistema universal de saúde e ações de energia alternativa.
A iniciativa foi comparada ao "New Deal" de Franklin Roosevelt, em 1932, o conjunto de políticas que reformou o sistema financeiro, estimulou a economia e lançou a rede de amparo social que manteria os democratas no poder por décadas; à Grande Sociedade de Lyndon Johnson, de 1965, que combatia a pobreza e o racismo; e às iniciativas contra o excesso de governo de Ronald Reagan, de 1981 (leia texto à pág. A20).
A crise dos dois últimos anos deixou o terreno fértil para que Obama tentasse essa mudança de paradigma, disse William Galston, do Instituto Brookings. Para o expert em estudos de governabilidade, ele "tem agora a chance de defender sua tese de um enfoque fundamentalmente diferente".
Além disso, Obama conta com maioria nas duas Casas do Congresso, e a porção fundamental do Orçamento tem de ser aprovada por metade dos votos mais um. Ou seja: o apoio de republicanos será necessário para as reformas mais profundas, mas não indispensável para fazer o dinheiro começar a rolar. Daí o tom de ontem.
"Sei que essas medidas não vão cair bem com os [grupos de] interesses e os lobistas que investiram na velha forma de conduzir os negócios e eu sei que neste momento eles estão se preparando para lutar", disse o democrata em seu pronunciamento semanal por internet ontem. "Minha mensagem a eles é essa: eu também estou."
Em tom abertamente populista e amparado nas pesquisas de opinião que ainda lhe dão cerca de dois terços de avaliação positiva, o presidente afirmou que o sistema atual "pode funcionar para os interesses poderosos e bem conectados que têm comandado Washington por muito tempo, mas não funcionam para mim: eu trabalho para o povo americano".
A proposta, enviada ao Congresso na semana passada, é sua peça de legislação mais ousada até agora e a que causa mais polêmica. Pede gastos de US$ 3,55 trilhões para o ano fiscal de 2010, que começa em outubro, e prevê um déficit de US$ 1,75 trilhão para o de 2009.
O primeiro valor bate nos 27% do PIB do país, e o segundo passa dos 12%, ambos recordes históricos de gasto e de dívida, não alcançados desde os anos 30. Mas a maior revolução para os padrões americanos é de onde virá o dinheiro -mais imposto para a fatia mais rica da população e as empresas poluidoras, menos subsídios para fazendeiros- e para onde irá -programas sociais como sistema universal de saúde e ações de energia alternativa.
A iniciativa foi comparada ao "New Deal" de Franklin Roosevelt, em 1932, o conjunto de políticas que reformou o sistema financeiro, estimulou a economia e lançou a rede de amparo social que manteria os democratas no poder por décadas; à Grande Sociedade de Lyndon Johnson, de 1965, que combatia a pobreza e o racismo; e às iniciativas contra o excesso de governo de Ronald Reagan, de 1981 (leia texto à pág. A20).
A crise dos dois últimos anos deixou o terreno fértil para que Obama tentasse essa mudança de paradigma, disse William Galston, do Instituto Brookings. Para o expert em estudos de governabilidade, ele "tem agora a chance de defender sua tese de um enfoque fundamentalmente diferente".
Além disso, Obama conta com maioria nas duas Casas do Congresso, e a porção fundamental do Orçamento tem de ser aprovada por metade dos votos mais um. Ou seja: o apoio de republicanos será necessário para as reformas mais profundas, mas não indispensável para fazer o dinheiro começar a rolar. Daí o tom de ontem.




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