sexta-feira, 26 de junho de 2009

DEM fixa condições para manter apoio a José Sarney - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)


Lula Marques/Folha
Dono da segunda maior bancada do Senado –14 cadeiras— o DEM rediscute o apoio incondicional que vinha oferecendo à presidência de José Sarney (PMDB-AP).

Em telefonemas trocados entre a manhã e a noite desta quinta-feira (25), a cúpula do partido decidiu fixar condições para se manter no barco de Sarney.

Deve-se o novo posicionamento do DEM à revelação de que um neto de Sarney opera como intermediário de empréstimos bancários a servidores do Senado.

O mais novo problema de Sarney é filho do deputado Zequinha (PV-MA), que aparece na foto ao lado beijando a testa do pai.

A tribo ‘demo’ considerou que o episódio deixou Sarney em posição tão incômoda quanto à do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi.

A exemplo de José Adriano Sarney, o neto do senador, um filho de Zoghbi fora pilhado intermediando empréstimos consignados no Senado.

Para o DEM, a nota divulgada por Sarney nesta quinta, além de não conter explicações convincentes, valeu-se de um argumento político “inaceitável”.

No texto, Sarney considerou-se vítima de uma “campanha midiática”. Atribuiu a suposta orquestração ao apoio que dá a Lula e ao governo dele.

Depois do PMDB, o DEM fora o principal pilar da aliança que permitira a Sarney prevalecer sobre o petista Tião Viana (AC) na disputa ocorrida em fevereiro.

A tribo ‘demo’ postara-se ao lado de Sarney sob o argumento de que seria inconcebível votar num candidato do PT. Eis o que disse um dos dirigentes do DEM ao blog na noite passada:

“Ao afirmar que é um homem perseguido por ser aliado de Lula, Sarney colocou-se automaticamente contra nós. O argumento que nos levou a apoiá-lo se esvaiu”.

O DEM decidiu reunir os 14 senadores de sua bancada na próxima terça-feira (30). Vai a debate o reposicionamento do partido diante da crise ética que rói o Senado.

O apoio a Sarney, antes incondicional, agora é condicionado ao oferecimento de explicações que soem convincentes. Sobretudo no caso do neto-empresário.

A eventual troca de lado do DEM representará para Sarney o início da erosão do muro partidário que o protege das investidas contra a sua presidência.

Confirmando-se a tendeência verificada nesta quinta, os ‘demos’ se reaproximarão do tucanato, que votara em Tião Viana na refrega de fevereiro.

Ecoando a nova linha do partido, Demóstenes Torres (DEM-GO) repisou nesta quinta a tese de que Sarney deve se abster de decidir sobre as pendências que assediam o Senado.

Acha que o presidente da Casa não dispõe de isenção para julgar a sindicância e o futuro processo administrativo que será aberto contra o amigo Agaciel Maia.

Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, vai na mesma direção. Nesta quinta, defendeu que Sarney se afaste das apurações.

Afirmou que ele precisa delegar a condução dos casos pendentes de deliberação ao vice-presidente do Senado, Marconi Perilo (PSDB-GO).

Até aqui, o movimento de contestação a Sarney é mais individual do que institucional.

Virgílio cobrara do presidente o rompimento com a “camarilha” de Agaciel Maia. Sob pena de ter contra si todo o PSDB.

Dissidente do PMDB, Pedro Simon (RS) vem pregando a renúncia de Sarney à presidência do Senado.

Cristovam Buarque (PDT-DF) diz que Sarney deveria ao menos se licenciar do cargo por 60 dias. Uma forma de desobstruir as apurações.

Ao flertar com a adesão ao coro dos descontentes, o DEM abre uma fenda no dique de contenção que Sarney julgava ter erguido.

Deu-se coisa semelhante no escândalo que empurrou, em 2007, Renan Calheiros para fora da cadeira de presidente do Senado.

Primeiro, as contestações individuais. Depois, uma representação do PSOL, também insinuada no caso de Sarney. Em seguida, as investidas dos partidos.

Renan, como se sabe, não foi cassado. Mas, para salvar o mandato, teve de bater em retirada da presidência.

Escrito por Josias de Souza às 03h51

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