quarta-feira, 1 de julho de 2009

7 dos 12 senadores do PT querem licença de Sarney - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)

Ag.Senado

Planalto exige do petismo o apoio ao ‘aliado estratégico’

Em telefonemas a senadores, Dirceu reforçou o pedido

Renan ameaça apoiar o tucano Perillo, desafeto de Lula

Diante do placar adverso, PT adiou decisão para esta 4ª


Convocada pelo líder Aloizio Mercadante, a bancada do PT reuniu-se na noite passada. Esperava-se que divulgasse nota de apoio a José Sarney. Deu chabu.

Dos 12 senadores petistas, onze compareceram. Mercê de um compromisso assumido anteriormente, Delcídio Amaral (MS) não deu as caras.

Mercadante franqueou a palavra aos presentes. Numa primeira rodada, todos falaram. Alguns sentiram a necessidade de fazer uma segunda intervenção.

A conversa foi tensa. Terminou no final da noite desta terça (30). Discutiu-se abertamente a hipótese de afastamento de Sarney.

Não houve uma votação formal. Mas ao final, considerando-se o que disse cada um, verificou-se que o PT não tinha como entregar o que o Planalto exigira.

Sete dos 11 senadores presentes manifestaram-se a favor do afastamento de Sarney, ainda que temporariamente, por meio de um pedido licença.

Só quatro defenderam a permanência de Sarney no cargo. Ainda que o ausente Delcídio se unisse a esse grupo, o placar adverso seria de sete a cinco.

Diante desse quadro, o petismo decidiu não decidir. O partido achou melhor ouvir Sarney antes de se pronunciar em termos definitivos.

A bancada delegou a Mercadante e a Ideli Salvatti, líder de Lula, a tarefa de levar ao presidente do Senado os seus humores e receios.

A dupla vai expor a Sarney uma proposta semelhante à que foi produzida num encontro da bancada do PSDB.

Vão sugerir a constituição de um grupo suprapartidário de senadores que, reforçado por servidores, construa um projeto de soerguimento do Senado.

A maioria do PT condiciona seu apoio a uma resposta positiva de Sarney. Marcou-se para o meio-dia desta quarta (1º) uma nova reunião da bancada.

A hesitação dos senadores do PT falou mais alto do que os apelos de Lula. Sobrepôs-se também a pedidos feitos pelo ex-ministro e deputado cassado José Dirceu.

Pelo telefone, Dirceu lembrou a senadores do PT das conveniências do apoio a Sarney, um aliado estratégico de 2010.

Ideli Salvatti foi brindada com um dos telefonemas. Animou-se a subir à tribuna, na sessão vespertina.

Pronunciou uma defesa enfática de Sarney. Criticou a "tendência de se personalizar ou partidarizar" a crise.

Disse que os problemas são antigos e de responsabilidade coletiva. Não vê sentido na estratégia de “forçar determinada pessoa a se afastar”.

Na mesma sessão, pronunciaram-se a favor da licença de Sarney o DEM, o PSDB e o PDT. Juntos, somam 32 senadores.

Somando-se a Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon, dissidentes do PMDB, chega-se a 34.

Adicionando-se Garibaldi Alves, peemedebista que aderiu à tese da licença, chega-se a 35.

Incluindo-se na conta o único representante do PSOL no Senado, José Nery, que defende abertamente a renúncia de Sarney, vai-se a 36.

Num universo de 81 senadores, não é pouca coisa. A atmosfera envenenada levou um dos senadores do PT a fazer uma observação sensata na reunião noturna.

Disse que Sarney, por moribundo, poderia renunciar a qualquer momento.

Antes de arrostar o desgaste de apoiá-lo, conviria ao PT pelo menos checar se estava afastada a hipótese de uma fuga voluntária do presidente do Senado.

Outro senador realçou um detalhe: até o DEM, um dos responsáveis pela eleição de Sarney, já havia saltado do barco.

Por que o PT, que comparecera à disputa com candidato próprio (Tião Viana), deveria agora dar suporte incondicional a quem o derrotou?

Daí a decisão de ouvir Sarney antes de deliberar sobre a posição a ser adotada.

Por volta de 10h30, chegou às mãos de Mercadante, uma notícia recolhida na internet.

Informava que, naquele exato momento, estavam reunidos com Sarney: a ministra Dilma Rousseff, Gilbeto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, e o próprio Mercadante.

Ouviram-se risos. Embora imprecisa, a notícia não era inteiramente despropositada. A pedido de Lula, Dilma de fato contactara Sarney.

Em nome do chefe, que se encontra no exterior, a ministra pediu a Sarney que não tome nenhuma decisão sobre ficar ou sair do cargo antes do retorno de Lula.

Curiosamente, a posição a ser adotada pela bancada do PT pode precipitar as coisas.

Ainda que Mercadante consiga arrancar de seus liderados uma posição pró-Sarney, o encontro da noite passada deixou claro que há sete petistas com o pé atrás.

Considerando-se os outros 36 que torcem o nariz para a permanência de Sarney, chega-se a uma aversão acachapante: 43 senadores.

Entre perplexo e apavorado, Renan Calheiros fez chegar ao petismo uma ameaça.

Inviabilizando-se Sarney, acena com a hipótese de usar os votos de seus liderados para fazer do tucano Marconi Perillo, hoje vice-presidente, o novo presidente do Senado.

Perillo é desafeto de Lula. Está na origem da denúncia que desaguou no mensalão, em 2005. Renan também não o suporta. Mas, bem ao seu estilo, serve-se da ameaça.

Para não açular a animosidade do PMDB de Renan, os senadores do PT firmaram um pacto de silêncio. Acertaram que ninguém divulgaria detalhes da reunião.

Funcinou. Mas só até certo ponto. O ponto de interrogação que assedia o PT.

Escrito por Josias de Souza às 06h06

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