sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ruy Castro - Folha de São Paulo - link (aqui)




Folias de 2010


RIO DE JANEIRO - Em 2010, teremos os cem anos do nascimento de Noel Rosa, Miguel Reale, Rachel de Queiroz, Patricia ("Pagu") Galvão, Chico Xavier, Adoniran Barbosa e Jacques-Yves Cousteau. E da morte de Joaquim Nabuco, Mark Twain, Leon Tolstoi, William James, Florence Nightingale e do pioneiro da caricatura no Brasil, Angelo Agostini. Entre muitos.
Serão também os 50 anos da morte de Albert Camus, Oswaldo Aranha, Clark Gable, Boris Pasternak e, especialmente cruel, aos 33 anos, do pianista e compositor Newton Mendonça, um dos pais da bossa nova, co-autor (com Tom Jobim) de "Desafinado" e "Samba de Uma Nota Só". Aliás, serão também os 50 anos do show "A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor", na antiga Faculdade de Arquitetura, no Rio -o último espetáculo amador da bossa nova, e em que até João Gilberto se apresentou.
Sempre no quesito bossa nova, 2010 marcará os 50 anos de "Corcovado", "O Pato", "Meditação" e outros clássicos do gênero. Serão ainda os 50 anos de filmes como "Psicose", "A Doce Vida", "Acossado", "A Aventura", "Se Meu Apartamento Falasse" e, com Zé Trindade e Dercy Gonçalves, "Entrei de Gaiato". E serão os 50 anos da inauguração de Brasília -tempo suficiente para que o Brasiliense, time da nova capital, se tornasse o mais popular do país, o que ainda não aconteceu.
Sem falar nos 30 anos da morte de Nelson Rodrigues, Vinicius de Moraes, Jean-Paul Sartre, Helio Oiticica, John Lennon, Roland Barthes, Cartola, Steve McQueen, Henry Miller, Marshall McLuhan, Jean Piaget. Enfim, muitas datas redondas a lembrar. Como em todos os anos.
Resta ver com que olhos, daqui a 30, 50 ou 100 anos, o futuro avaliará os vexames que estamos produzindo hoje e se ele acreditará que, por incrível que pareça, queríamos ser levados a sério.

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