sábado, 2 de janeiro de 2010
Após a terceira dose - Bar é poesia
A orquídea e as tias
(luiz alfredo motta fontana)
insiste em florir
na época
fora dela
a cada dia
despudorada, que só vendo
ela testemunha
não houve crime
não houve dano
paga-se o preço
apaga-se o abraço
já o sorriso
a cada florada
uma nova risada
apesar de tantas tias
tantas estrias
e nenhuma esperança
Mônica Bergamo - Folha de São Paulo - link (aqui)
INVESTIGAÇÃO
"Falhas mecânicas causaram acidentes aéreos"
Assessorado por uma equipe cujas investigações já renderam indenizações milionárias a famílias de vítimas de acidentes aéreos, o advogado americano Steven Marks, do escritório Podhurst Orseck, diz estar convicto de que falhas mecânicas levaram aos dois últimos casos de repercussão nacional: o do voo 3054, da TAM, em Congonhas em 2007, e o do voo 447, da Air France, que caiu no Atlântico em 2009. Contratado por parentes de vítimas do voo 447, ele recebeu a repórter Denise Menchen no escritório BPGM Advogados, no Rio, ao qual está associado neste caso.

FOLHA - Qual sua conclusão sobre o acidente da Air France?
STEVEN MARKS - Não há nada conclusivo ainda. Mas estamos certos de que houve algum tipo de problema mecânico catastrófico. Antes da queda, foram enviadas muitas mensagens de alerta. Foi um problema em cascata que estava impedindo a aeronave de voar. As informações de que dispomos até agora indicam que foi um problema de fabricação. Os pilotos não fizeram nada para induzir isso.
FOLHA - O senhor atuou também na defesa de parentes das vítimas da TAM em 2007. A Aeronáutica concluiu as investigações sem apontar de quem foi a culpa. Como avalia esse resultado?
MARKS - As autoridades brasileiras não chegaram nem perto de ter as informações que temos. Um ano antes do acidente da TAM, houve um acidente na Rússia, com a Sibir Airways.
Foi quase uma imagem espelhada do que aconteceu aqui. Os pilotos estavam se aproximando, [a pista] era pequena, estava molhada, e eles tinham um reverso inoperante. Os pilotos, e essa é uma reação natural, quando viram que não iam parar a tempo, acionaram o reverso. Mas, no que não estava funcionando, houve um impulso para a frente e, no que estava funcionando, um impulso reverso, o que fez a aeronave sair da pista. E a Airbus sabia que tinha problemas com o reverso. Mas não alertou os operadores sobre os perigos.
FOLHA - As autoridades brasileiras dizem que pode ter havido erro dos pilotos...
MARKS - Os manetes do reverso são conectados, escravos. Você move um e ambos vão para frente ou para trás. Mas, quando você percebe que está na pista e não vai ter tempo para parar, você tem tempo para desunir os manetes. A Airbus nem mesmo treinou os pilotos para fazer isso. O fabricante sabia há anos desse perigo e não fez nada. Os pilotos estavam lidando com uma situação de emergência, tomando decisões em frações de segundos.
FOLHA - E os aviões continuam voando nessas condições?
MARKS - Não depois da TAM. A Airbus lançou um novo sistema que automaticamente desengata os manetes e previne esse problema. Eles já tinham isso à disposição. Só não usaram.
Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)
Sobre verdades e venenos
Episódio de envenenamento de opositores à ditadura de Augusto Pinochet no Chile tem pista brasileira revelada |
O argumento mais popular, a julgar pelo Painel do Leitor de ontem desta Folha, é o de que a proposta quer investigar os abusos de um lado (o dos militares) e ignorar os do outro (os militantes da esquerda armada). Ou é desinformação ou má-fé.
Todos os abusos da esquerda armada foram punidos. Alguns, na forma da lei. Outros, muitos, à margem da lei, por meio de assassinatos, torturas, exílio, banimento, desaparecimentos.
Já os abusos praticados pelo aparato repressivo não foram nem investigados, com pouquíssimas exceções.
Para ficar apenas no âmbito mais próprio para este espaço, o internacional, está mais do que na hora de buscar a verdade sobre a Operação Condor, o mecanismo repressivo multinacional armado pelas ditaduras militares do Cone Sul, nos anos 70/80.
Deve haver, escondido em algum arquivo bem protegido, um documento assinado por chefes militares da época anulando a soberania de cada país para que militantes da oposição às ditaduras pudessem ser caçados livremente.
Eu mesmo andei atrás desse papel, quando estava para cair a ditadura boliviana da época (começo dos 80), a primeira brecha que se abriria para ter acesso a arquivos oficiais. Um coronel, que fazia a ligação entre o candidato presidencial Hernán Siles Zuazo e as Forças Armadas, me disse que teria, sim, que haver um documento oficializando, digamos assim, a Operação Condor.
Pena que um novo golpe adiou a vitória de Siles, e perdi a pista.
Ainda nesse terreno de repressão internacional, a nova comissão poderia procurar a verdade sobre o envenenamento de opositores à ditadura de Augusto Pinochet. No domingo, o jornal espanhol "El País" fez um belo levantamento sobre a morte, por aparente envenenamento, do ex-presidente Eduardo Frei Montalva, pai de Eduardo Frei Ruiz-Tagle, também ex-presidente e hoje candidato de novo.
A investigação indica que Frei foi assassinado com três doses de mostarda sulfúrica, tálio e um fármaco não identificado.
No percurso para chegar a essa suspeita surgiu o caso de quatro militantes políticos presos em uma cadeia de segurança máxima em Santiago. Todos foram também envenenados, juntamente com quatro presos comuns, mas Ricardo Aguilera, então com 28 anos, sobreviveu.






