domingo, 7 de março de 2010

Video Clipe - Rapte-me Camaleoa

Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)






domingo, 07 de março de 2010 | 07:11

O ministro Mantega anunciou: “Em janeiro, o governo pagou de juros da dívida interna, 12 BILHÕES E 200 MILHÕES de reais. Como sempre, chama a isso de ECONOMIA

É a palavra do ministro da Fazenda, está bem, não por ele, mas pelo cargo. Todo satisfeito, aparecendo na televisão, divulgou esses números que estão no título, referentes ao primeiro mês de 2010.

Como ninguém tem a menor dúvida que essa dívida, estabelecida através da fixação dos juros, não diminuirá de forma alguma, é a coisa mais fácil estabelecer o que será pago em 12 meses, com o dinheiro retirado dos impostos.

Multiplicando esses 12 BILHÕES E 200 MILHÕES, pagos em apenas 1 mês, não é necessário nem maquininha de calcular, para chegar ao total que o governo terá pago neste malogrado, tumultuado e complicado ano de 2010.

Multiplicando esses mais de 12 BILHÕES anunciados e referendados pelo ministro da Fazenda, pelos 12 meses do ano, a constatação: terão sido pagos a banqueiros, seguradoras e empresas globalizantes, exatamente 146 BILHÕES E 400 MILHÕES de reais.

Isso com o juro de 8,75%, que já se tem certeza de que não ficará nesse nível. É praticamente certo, que esses 8,75% em duas ou três vezes serão elevados para 10 por cento.

Como a “dívida” está em 1 TRILHÃO E 600 BILHÕES, quando chegar a 10%, será mais fácil e mais criminoso, concluir que o que chamam de amortização, mas não amortiza nada, estará em 160 BILHÕES ANUAIS.

O ministro só falou sobre o primeiro mês de 2010, porque não queria se exceder em palavras. (Para ele, chega o excesso de juros e de pagamentos). Mas se quisesse falar sobre 2009, Mantega teria que constatar: no ano passado os juros passaram dos 150 BILHÕES, pois os juros pagos só chegaram nesse mínimo de 8,75%, durante uma parte do ano.

Não quero fazer considerações a respeito do que poderia ser realizado com essa ROUBALHEIRA, investida no que o Brasil mais precisa, principalmente em infraestrutura. E a verdade calamitosa não para por aí, e os recursos de que se vale o governo para exibir a “MENOS” verdade, escondendo do cidadão-contribuinte-eleitor a realidade lancinante.

Iludindo a opinião pública, o governo (os governos, incluindo o de FHC) chama o dinheiro necessário a esses pagamentos, de ECONOMIA. Pois em 2009, só conseguiram ECONOMIZAR 90 BILHÕES para a “amortização” de no mínimo 150 BILHÕES. Então, como realizar essa mágica de pagar 150 BILHÕES, tendo apenas 90 BILHÕES?

Muito simples: os credores, (Deus me perdoe a palavra) são compreensíveis, generosos e desprendidos. Então recebem esses 90 e “jogam os outros 60, em cima do total”. Assim, até Mantega e os “terroristas de esquerda”, são capazes de entender: essa DÍVIDA jamais acabará.

Assim, mesmo que algum dia os juros caiam para 5 POR CENTO, e como a dívida não diminui, sobre esse 1 TRILHÃO E 600 BILHÕES, estaremos PAGANDO ANUALMENTE, 80 BILHÕES.

***

PS – Não esqueço que no governo FHC, os juros pagos a esses sanguessugas chegaram a 44 por cento. Depois, diminuiu alguma coisa, entregou essa DÍVIDA a Lula com juros de 25 por cento.

PS2 – FHC terá que ser julgado formal ou historicamente por isso. E mais grave: pelos 4 OU 5 trilhões que retirou do patrimônio nacional. Com as privatizações criminosas, entregava empresas prósperas, e recebia MOEDAS PODRES.

PS3 – Essas MOEDAS PODRES, valiam abaixo de 50% ou até 100 por cento do valor de face. Essa Comissão de Desestatização devia ser DEVASSADA. O que condeno em Luiz Inácio Lula da Silva foi não ter feito nada para RECUPERAR O PATRIMÔNIO NACIONAL.

PS4 – Aceitou tudo, como se fosse o mais comum. Combati essa PRIVATIZAÇÃO durante todo o governo FHC.

Louis armstrong & Ella Fitzgerald - Cheek to Cheek

Louis Armstrong - Cabaret

Doris Day - Dream A Little Dream of Me

Doris Day - You Are My Sunshine

Elvis Presley - That's All Right Mama

Elvis Presley Blue Moon

I left my heart in San Francisco - Frank Sinatra

Julie London-Misty

Julie London "Black Coffee"

Connie Francis - Gone With The Wind

CONNIE FRANCIS - OVER THE RAINBOW

Kay Starr Side By Side

Kay Starr - Rock and Roll Waltz

Fran Warren - A Corset Can Do A Lot For A Lady

Bar é poesia - Alyne Costa


Alyne Costa



Samba de Encomenda




(Alyne Costa)










Se duvidar eu te faço um samba, amor

Como aqueles de Noel

Com endereço e rumo certo

Com letra bordada no papel.

Te faço um samba já que não sei sambar...

Limpo seu uniforme

Te vejo desfilar...

Preparo sobremesa para após o jantar.

Te dou até a malandragem que restou

Na alma da poeta que não desanimou

E se me prometeres qualquer carinho

Eu faço um samba alegre, com jeitinho

De cabocla ouriçada que aprende a sambar

Para até mais tarde contigo ficar

Pelas alamedas da boêmia

E encomendo sobras de alegria

Nem mesmo há motivo para chorar

Se ainda duvidas te acordo com um samba

Daqueles de carteira de gente bamba

E se não tenho roupa para ir contigo

Alugo com a grana de qualquer amigo

Uma fantasia de passista

Que sacode um samba que dorme na alma

Feito de encomenda e de desafio

De puro amor, loucura e desvario.

O bar e os acessórios




Diego Dolcini


Sandalo piatto con listini in pelle e vernice multicolor.


(Source - LeiWeb, it)

"Efeitos" especiais

L'attrice americana Kate Hudson, figlia della famosa Goldie Hawn

Foto: Emmevi, AP, Kika



Kate Hudson immortalata al "naturale"

Foto: Emmevi, AP, Kika


(Source - LeiWeb, it)

Comercial antigo - Colgate com Mickey Mouse

Charge do dia



Myrris - A Crítica - Manaus, AM

Angelina Jolie y Penélope Cruz: belleza vs elegancia - Vanitatis, es - link (aqui)



Esther Sanz (Europa Press) - 07/03/2010


Angelina Jolie y Penélope Cruz no sólo han conquistado la meca del cine y a millones de fans, sino también a los medios de comunicación del mundo entero. Mientras la protagonista de El intercambio encabeza el ranking de las más guapas de la revista alemana TvMovie, nuestra actriz más internacional, que esta noche podría ganar un Oscar y tener así a la parejita, es la más elegante de los últimos veinte años de los Oscar, según el portal Entertainment Weekly.

Angelina ha encontrado la estabilidad junto a Brad Pitt y es madre de seis hijos, pero eso no le resta ni un ápice de belleza. Al contrario, su faceta familiar y su compromiso social la hacen todavía más atractiva, no sólo para sus seguidores sino también para TvMovie. Su larga melena morena, sus ojos verdes rasgados y sus sensuales labios mantienen a la intérprete en lo alto de las más guapas del mundo. Ni siquiera chicas esculturales como Megan Fox o Scarlett Johansson, que aparecen en el puesto 6 y 16, respectivamente, pueden arrebatarle el número 1. Las treintañeras e incluso las 'cuarentañeras' están de moda. De hecho, la misma Jennifer Aniston, de 41 años, ocupa el segundo lugar en la lista de la publicación alemana por su "dulce sonrisa" y su gran "naturalidad".

Por su parte, Penélope Cruz ha desbancado en elegancia a estrellas de la talla de Julia Roberts o Nicole Kidman. El vestido de Versace que la protagonista de Los abrazos rotos lució en los Oscar de 2007 causó sensación en su momento y sigue siendo recordado como uno de los más 'glamourosos' y elegantes. Gracias a este modelo, en la retina de todos por su espectacular cola de volantes, la web Entertainment Weekly considera a 'Pe' como la mujer mejor vestida de las dos últimas décadas de la ceremonia. Sin embargo, curiosamente, parece que la actriz tenía pensado llevar un diseño de John Galliano para Dior. Unos problemas con la cremallera hicieron que se decantara a última hora por el Versace, uno de los grandes aciertos de la alfombra roja de la historia de los Oscar.

Quien no acudirá este año a la más importante de las galas del cine es Robert Pattinson, debido a su apretadísima agenda. Al vampiro de la saga Crepúsculo no le gusta mucho acaparar la atención de la prensa, pero hubo un tiempo en que no paraba de presumir de su profesión. El propio Pattinson ha confesado que en el colegio se comportaba como un chulo por ser actor, lo que hizo que sus compañeros le pegaran en más de una ocasión después de las clases. "Era un poco idiota. Había empezado a actuar y me gustaba comportarme como un actor... o lo que yo pensaba que era un actor. Eso provocaba que mucha gente viniera a golpearme", ha reconocido el joven, según recoge Showbiz Spy. Como algunas cosas nunca cambian, Pattinson todavía tiene que salir corriendo, pero ahora para huir del cariño excesivo de sus fans.

Elige tu trench - Yo Dona, El Mundo, es - link (aqui)

La modelo Gisele Bundchen posa para la campaña 'London Fog'.
Elizabeth Reaser lo lleva a modo de vestido, dejando al descubierto las piernas.
Elle Macpherson imprime un tono satinado a su 'trench' azulón.
Victoria Beckham, dueña y señora de este tendencia, con 'trench' de volantes.
Blake Lively, siempre tan moderna, con uno metalizado.
Eva Longoria posa con un 'trench' blanco, también para London Fog.



Temporada tras temporada, el 'trench' no pierde su vigencia y puede incluso resultar una de las prendas más sexys de nuestro fondo de armario; aunque, cuidado, porque también puede llegar a caer en la monotonía. Las 'celebs' no dudan en devanarse el cerebro para sorprender con los patronajes más originales. (Fotos: Gtresonline)

La rubia que devalúa a las otras rubias - El País, es - link (aqui)



Un anuncio de Paris Hilton, censurado por el Gobierno de Lula que lo tachó de sexista

EL PAÍS 07/03/2010


Todo lo que toca Paris Hilton provoca polémica. Esta vez, la culpa la tiene el anuncio de alto contenido sexual, de una cerveza, protagonizado por la millonaria heredera. Son 60 segundos tachados de sexistas e irrespetuosos por los consumidores y por la Secretaría Especial de Políticas para las Mujeres, vinculada al Gobierno de Luiz Inácio Lula da Silva. "Es un anuncio que devalúa a la mujer y, en particular, a las rubias", argumentaron varias asociaciones de mujeres en Brasil.

Las quejas fueron tantas y de tono tan elevado que tuvo que intervenir el Consejo Nacional de Autorreglamentación Publicitaria (Conar) que decidió prohibir el anuncio.

En la campaña Devassa Bem Loura (Devassa Bien Rubia), de Shincariol, Paris Hilton bailaba con un sugestivo vestido negro desde un balcón de un edificio mientras un hombre intentaba hacerle fotos desde otro. Tras las protestas, la nueva versión convierte a la cerveza en la protagonista y relega a Paris a un papel secundario. "El vídeo de la cerveza Devassa con Paris Hilton ha sido retirado", explica el nuevo anuncio. "A quien se sintió ofendido le ofrecemos un nuevo vídeo. A quienes no se ofendieron les invitamos a ver el antiguo en Internet".

En el nuevo, aparece un botellín que se inclina, un vaso se llena de cerveza y Paris Hilton, sin ningún componente erótico, que saca una lata de la nevera. "Devassa, producto destinado a adultos", concluye con ironía una voz en off.

El presidente de la agencia responsable de la campaña, Augusto Cruz, reconoció que había una buena dosis de humor en la nueva publicidad. "Pero también estoy seguro de que no había nada malo en la anterior", afirmó Cruz al diario O Estado de São Paulo. La inversión en la campaña asciende a casi 60 millones de dólares (unos 44 millones de euros). Y nadie duda de que la polémica ha aumentado la rentabilidad del lanzamiento. Tanto la primera versión del anuncio como la segunda están arrasando en YouTube.

De toda esta polémica, Paris Hilton ha hablado poco en Twitter donde se ha convertido en una estrella. La millonaria prefiere relatar cada día sus "agotadoras" jornadas de compras y sus idas y venidas de fiesta en fiesta. Paris cuenta con más de un millón de seguidores. A ellos sólo le dijo: "Adoro Brasil", después de asistir al carnaval de Rio y presentar el anuncio.



Bullock recoge su Razzie, los antioscar - El Pais, es - link (aqui)

Sandra Bullock se lleva el Razzie a la peor actriz del añoSandra Bullock y Bradley Cooper en la presentación en Estados Unidos de la película 'All About Steve', en agosto de 2009- REUTERS



Transformers 2' recibe los premios a la peor película, peor guión y peor director

GREGORIO BELINCHÓN | Los Ángeles 07/03/2010


El milagro se produjo y Sandra Bullock apareció en el teatro de Hollywood donde se han celebrado los Razzies -los antioscars- a recoger el premio a peor actriz del año. Con una carreta llena de DVD de Alocada obsesión, la película que le ha dado tamaño galardón, Bullock se defendió: "Vedla, vedla con vuestros propios ojos y decidid si merezco este premio. Me daréis la razón y el año que viene volveré a devolverlo". Los Razzies, los antioscars que se entregan anualmente por parte de un puñado de cinéfilos desde hace 30 años, no sólo entregaban sus premios habituales, sino que también dieron caña a lo peor de la década. Pero dio igual: el triunfo de la noche fue para Bullock, que dio muestras de un gran sentido del humor y de un aguante a prueba de bombas. En un fin de semana que puede ser el que la corone reina de Hollywood -si se lleva el Oscar-, Bullock logró poner el teatro en pie con su presencia y su discurso. Si obtiene el premio serio, sería la primera persona en la historia en ganar el mismo año el Razzie y el Oscar.

El resto de los premios se repartieron entre Transformers 2 (película, dirección y guión), los tres Jonas Brothers (peor actor), Sienna Miller (peor actriz secundaria con G. I. Joe), Billy Ray Cyrus (peor secundario con Hannah Montana, la película), Sandra Bullock y Bradley Cooper (peor pareja por Alocada obsesión) y La tierra de los perdidos (peor secuela o remake).

En cuanto a los premios de la década, uno de los guionistas de Campo de batalla: la Tierra -filme de ciencia ficción que John Travolta produjo y protagonizó basándose en un libro del fundador de la Cienciología- recogió el galardón y leyó en su discurso un montón de críticas sobre su trabajo, incluida una frase de su madre. Campo de batalla: la Tierra fue candidata a diez razzies en 2000, ganó 8 y además le dieron el premio al Peor drama de nuestros primeros 25 años. La peor actriz de la década fue Paris Hilton, y el peor actor, Eddie Murphy. Justas decisiones.

Los Razzies, como los Independent, han cambiado de ubicación -se han venido a Hollywood- y de día -ahora se entregan la noche antes de los Oscar. Pero siguen manteniendo un guión fresco, en una gala con aire a obra de instituto amateur. En todo caso, Bullock esta noche se ha llevado el cariño de sus votantes, como hizo Halle Berry cuando recogió su galardón por Catwoman con el mismo vestido y dio el mismo discurso que el año anterior había hecho en su oscar por Monster's ball.


Penélope Cruz: "Estoy convencidísima ahora de no ganar" - El País, es - link (aqui)

La actriz española ha hablado con los periodistas la víspera a la ceremonia de los Oscar.- EFE



La actriz española asegura que el año pasado no disfrutó de su Oscar "por el nivel de cansancio y de estrés"

GREGORIO BELINCHÓN | Los Ángeles 07/03/2010



La última en comparecer ante la prensa latina de los cuatro candidatos fue Penélope Cruz. La madrileña llegó directa del ensayo de la gala, y la cita con la prensa le impidió disfrutar de su pasión por la fotografía. "El ensayo es especial. La gente está tan nerviosa como tú. Hay mucha energía en los pasillos. Es la quinta vez que voy y siempre me quedo un poco más, haciendo fotos". Con su tercera candidatura, la que parece a priori más alejada de recibir la estatuilla, la actriz está disfrutando de sensaciones que no recuerda de 2009, cuando ganó con Vicky Cristina Barcelona. "Es cierto. El año pasado no lo disfruté por el nivel de cansancio y de estrés. Ni me enteré de la cuarta parte. La tensión no me dejó disfrutar de recibir el premio. Lloré media hora, me tomé una cerveza y recuerdo poco más recuerdo. Este año estoy convencidísima de no ganar". Ahora la estatuilla descansa en casa. "La primera época sí que lo paseé. Luego lo dejé y mis amigos entonces lo adoptaron como un niño". ¿Es normal una racha así, cuatro candidaturas en tres años? "A mí también... Reconozco que me pasan cosas muy buenas. Lo más importante es disfrutar estas cosas con tu gente. Tanto en general como la misma gala. Iré muy arropada con mi gente".

Cruz, elegante y muy guapa, tranquila, recordó cómo preparó su papel en Nine, las horas de cansancio, de ensayos y a la vez de felicidad. "A mí me encanta la película, y me encanta haber trabajo con Daniel Day Lewis y un increíble equipo de actrices. La gente dejó los egos en casa, y nos apoyamos. Muchos, los que no habíamos hecho musicales, teníamos miedo. Fue un rodaje duro pero muy satisfactorio, y sí, me duele que no estén compañeras mías en estos premios".

Por cierto, Cruz confirmó que supo tarde su candidatura: "Me pilló durmiendo. Me enteré una hora más tarde. Es una cosa que no te deja de emocionar. Que sea la tercera vez hace que lo valores más, desde luego". Como siempre, Cruz estuvo profesional, sonriente y respondió todo tipo de preguntas, eludiendo hábilmente temas más escabrosos como la presencia mañana en la alfombra de Javier Bardem. Calificó a Banderas de "tío encantador, generoso, libre, listo como él sólo", y recordó que no deja que se le suba nada a la cabeza. "Me exijo seguir manteniendo el miedo sano que acompaña a un actor. Eso no lo cambian los premios. Busco material que me convenza para estar con ese personaje. Mira, el año pasado acabé Nine en febrero y no he hecho nada hasta que este verano ruede Piratas del Caribe IV. Soy consciente de que soy una privilegiada". La duda metafísica: ¿de qué irá vestida? "El tema del vestido, bueno... Siempre lo dejo para el último momento".

Luz sobre o Haiti - Estadão online - link (aqui)


Em entrevista exclusiva, a premiada autora haitiana Edwidge Danticat fala do seu livro de memórias, lançado agora no Brasil, em que o lirismo não anestesia a indignação

Lúcia Guimarães


Diante do título Adeus, Haiti (Agir, 232 págs., R$ 39,90, tradução de Geraldo Galvão Ferraz) - estampado na capa da edição brasileira do livro de memórias da haitiana Edwidge Danticat, que chega às livrarias esta semana - é quase impossível não pensar em desesperança no país trágico. No original em inglês, o título da premiada obra é tirado de um de seus capítulos: Irmão, Estou Morrendo. Nele, Edwidge, de 41 anos, relata duas vidas - ou talvez fosse melhor dizer duas mortes? - que tiveram grande influência sobre ela: a do tio Joseph e a do pai, Mira. Joseph criou a escritora até que ela completasse 12 anos de idade e morreu em 2004 (quando pediu asilo temporário em Miami e agentes da Imigração lhe recusaram assistência médica, provocando, de fato, sua morte). Mira se juntou a Edwidge no bairro nova-iorquino do Brooklyn, em 1981. Ele foi diagnosticado com fibrose pulmonar terminal no mesmo ano da morte de Joseph - "Irmão, estou morrendo". Ao mesmo tempo, a escritora se descobria grávida de sua primeira filha. A menina ganharia o nome do avô.

O terremoto de janeiro jogou um olhar intenso sobre o país mais pobre do hemisfério ocidental, onde não há acordo ainda sobre o número de mortos, apenas a informação do governo de que 200 mil pessoas foram enterradas. Se a voz do grande romancista transforma o particular em universal, o que faz o escritor diante da enormidade da devastação? No começo de fevereiro, num comovente ensaio publicado na revista New Yorker, Edwidge lembrou a morte do primo Maxo, soterrado pela casa onde ela se hospedava em Porto Príncipe, e mais uma vez demonstrou seu poder de descrever o indescritível com um lirismo que não anestesia a indignação.

A negociação para esta entrevista exclusiva de Edwidge Danticat ao Estado foi conduzida no escritório de uma agência literária em Nova York. Edwidge retornara havia pouco da primeira viagem à sua Porto Príncipe em ruínas. Segundo o agente literário, diante do enorme assédio da mídia para ouvir a romancista que plantou o Haiti no mapa da literatura contemporânea, ele só se comunicava com ela por e-mail. A escritora - que ganhou em 2009 a prestigiada e sobretudo vultosa "bolsa para gênios" da Fundação MacArthur, no valor de US$ 500 mil - mora em Miami com o marido e duas filhas (uma de 5 anos e a outra de 18 meses). Quando recebi a mensagem para discar o número de Edwidge, esperei o pior. Sem contato pessoal, como conversar com fluidez sobre o presente dilacerante de seu país e ao mesmo tempo falar de suas memórias pré-terremoto? Do outro lado da linha, a autora logo me ajudou a entender por que tive a sensação de estar falando com uma conhecida. Contar histórias, lembrou Edwidge Danticat, é um rito de passagem do luto para o que o poeta descreveu como a ordem de viver. Acompanhe, a seguir, os principais trechos da conversa.

Quantos parentes seus morreram no terremoto?

Perdi quatro pessoas. Meu primo e a filha dele, mais dois parentes em Léogâne, a cidade de onde vem a minha família. Mas tanta gente perdeu tantos parentes que oscilamos entre variações de perda. Formamos esta ligação com estranhos no luto comum. Toda morte é devastadora, claro. Aí você pensa: alguém perdeu 20 parentes? Ah, então eu tive mais sorte. Até agora, ainda há gente tendo mais notícias de morte de parentes ou amigos. Ao menos, os meus mortos tiveram um enterro digno. É tudo tão triste. Pior ainda porque precisamos nos mover rapidamente do drama dos mortos para o drama dos sobreviventes. Outro dia, a minha prima, que tem 22 anos e é muito bonita - nós a apelidamos de Naomi Campbell -, me mandou um torpedo no meio da noite, depois de um tremor. Ela diz que não consegue parar de tremer. "Não sabemos ainda se vamos viver ou morrer", ela escreveu. Então, há muita incerteza. Vai chegar a estação das chuvas e com ela o medo das enchentes.

Quando você visitou o Haiti depois do terremoto, o que achou dos esforços de socorro dos outros países?

Percebi que muitas ONGs fizeram um grande trabalho, especialmente os voluntários médicos. Mas se você se afasta de Porto Príncipe, vê que chega bem menos ajuda. Hoje falei com um amigo lá e ele estava desconsolado; perguntou: se mandaram dezenas de milhões de dólares para cá, não dava para comprar barracas para todos os desabrigados? Há uma consequência desses desastres que é a chegada de companhias estrangeiras para aproveitar oportunidades de reconstrução. Mas é preciso entender que reconstruir os haitianos é tão importante quanto reconstruir prédios. Já morreram tantos professores, profissionais necessários. E se houver uma emigração em massa dos haitianos educados?

Escrever Adeus, Haiti ajudou a aplacar a dor das suas memórias?

Com certeza. O livro foi como um processo de cicatrização. Ele trata de um tempo de tanta tristeza e confusão... Eu ficava desesperada; simultaneamente triste e raivosa. Foi mesmo como uma terapia. Pude revisitar meu pai e meu tio e organizar as lembranças para passar às minhas filhas. É o problema que todo imigrante enfrenta. Você parte deixando o passado físico para trás. Sua ligação com as pessoas que ficaram é um elo forte na terra nova. Mas quando essas pessoas começam a morrer, parece que estão cortando as raízes sob os seus pés. Assim, eu pude criar algumas raízes para minhas filhas. Há este problema de, hoje em dia, os netos não falarem a língua dos avós. Nós ganhamos muito e perdemos muito quando emigramos.

Você enfrenta essa experiência comum ao imigrante - o país que levamos passa a evoluir dentro de nós e, quando voltamos, há um certo choque entre quem partiu e quem ficou?

É claro. Cada um de nós continua processando o país longe de casa. Cada vez que volto ao Haiti, tomo cuidado para não reduzir a experiência às minhas expectativas. Tento não idealizar ou romancear, mas o fato é que vivo num Haiti e ele é diferente do país que encontro lá. Por isso, quando dizem que a minha escrita representa o Haiti, eu aviso logo: é o meu Haiti pessoal. Mas você deve ter essa mesma sensação. Quando a gente volta, fica tudo muito intenso. Meus parentes riem porque eu insisto em curtir pequenas coisas que têm significado especial para mim.


''Não posso ficar relaxando em casa''

Para Edwidge Danticat, os artistas que saem de um país como o dela têm a obrigação social de ir a campo e produzir sempre

Lúcia Guimarães


Neste trecho da entrevista, a escritora Edwidge Danticat trata do preconceito contra os haitianos, da literatura de língua inglesa produzida por imigrantes como ela e da responsabilidade de quem trabalha com arte.

Os críticos americanos destacam o seu estilo sereno para descrever horrores sem alienar o leitor. Essa qualidade tem origem na sua infância tão rica em narrativas?

Eu acho que sim. A intimidade com a narrativa oral é parte importante da nossa experiência. Há esse senso de comunidade. Eu cresci sabendo que as pessoas à minha volta haviam passado por tanta coisa... Contar as histórias ajudava a aliviar o peso. E isso é uma característica forte do caráter haitiano. Agora, depois do terremoto, o restante do mundo é testemunha dessa qualidade. O povo reza, canta, dança suas histórias. A alegria, que aqui pode ser esperada como algo corriqueiro, lá é mais rara.

A morte trágica do seu tio Joseph, depois de ser detido pela Imigração, nunca lhe provocou um momento de ódio ao país que adotou?

Nunca tive esse momento. Porque sabia que a responsabilidade pelo que aconteceu não era de todo o país. Já havia me envolvido nessa questão da imigração anos antes. Perto dos 25 anos, quando trabalhei em documentário com o diretor Jonathan Demme, nós tentamos atrair apoio para ajudar a situação de imigrantes. Eu conhecia bem o sistema. Depois do 11 de Setembro, as coisas ficaram fora de controle aqui. Todo mundo era suspeito. Houve uma erosão das liberdades civis com o Ato Patriótico. Não culpei o país todo, mas para o meu pai, quando conversamos, ele viu a morte do meu tio como um ato de rejeição total. Ficou muito machucado. Acho que a imigração deve ser um processo de integração gradual, quando você pertence mais e mais. Com a morte do meu tio, eu questionei se pertencia tanto a este país quanto pensava. Concluí que não. Mas eu nunca tive o impulso de generalizar a minha indignação contra o Serviço de Imigração americano. Sei que o comportamento deles refletiu o momento. De repente, todo mundo era "o outro".

O que acha do uso frequente da palavra "vodu" nos Estados Unidos para descrever a cultura haitiana?

Ah, isso nos incomoda muito. Você não usaria uma palavra chula para se referir casualmente ao catolicismo. A gente reclama, escreve cartas para os jornais: por que vocês não usam outra palavra? E virou uma muleta verbal - vodu economics, vodu politics. Até jornais importantes como o New York Times caem nesse padrão de linguagem. E eu digo, lutem contra o spell checker, pelo menos soletrem a palavra direito: é vodu. Acho que há uma resistência cultural para reconhecer o que é uma prática religiosa. Quando o tele-evangelista Pat Robertson atribuiu o terremoto a uma maldição contra o Haiti, ele estava expressando um estereótipo terrível. O meu amigo Richard Morse, o gerente do hotel Oloffson em Porto Príncipe, perguntou pelo Twitter, depois do último terremoto: será que vão encontrar vodu no Chile e no Japão? Acho que as pessoas esperam por uma oportunidade para confirmar preconceitos.

Sua carreira literária coincidiu com a emergência de vozes imigrantes na literatura de língua inglesa. Ruth Franklin, editora da revista New Republic, fez um balanço da última década e disse que o conceito de literatura americana foi transformado por autores como você, o dominicano Junot Diaz e a inglesa de origem indiana Jhumpa Lahiri.

Não quero soar como oportunista e dizer que fui beneficiada por uma onda de um gênero de ficção! Mas veja, não somos a primeira geração. Outros, como a mexicana Julia Alvarez, e Jamaica Kincaid, de Antígua, vieram antes. Este momento está sendo construído há algum tempo. Acho que Amy Tan, autora de O Clube da Felicidade e da Sorte, de 1989, foi um marco de sucesso da nova literatura em língua inglesa sobre a experiência imigrante. Então, outros abriram caminho para nós. Mesmo se levamos em conta, no meu caso, que há mais de 1 milhão de haitianos vivendo nos Estados Unidos, existe também esta grande oportunidade de sermos lidos pelo mainstream da cultura americana. Não havia isso 20 anos atrás. E sinto também muita alegria de ser lida por pessoas da geração seguinte. Temos, aqui, a geração de imigrantes que não lê em creole nem em francês. Porém, quando encontro a garotada nas universidades, detecto tanto orgulho... Eles formam clubes de leitura, grupos de identificação cultural. E isso é um fenômeno dos anos de universidade; há esse despertar. Os estudantes aprendem sobre outras culturas e dizem: "Espere aí, de onde eu venho há muito o que reconhecer e celebrar." Não estou segura de que eles vão preservar a cultura. Depois do terremoto, já fui falar em duas universidades e existe um sentimento forte de preservação. Afinal, agora, há enorme destruição física, de modo que o sentimento coletivo de perda aumentou muito.

Quando você ganhou a chamada "bolsa para gênios" da Fundação MacArthur, em 2009, sua reação foi considerar a honraria um instrumento de liberdade.

Eu sempre quis ampliar os horizontes da escrita. Explorar literatura infantil, outros gêneros. Em setembro, sairá uma coleção minha de ensaios que estou escrevendo há vários anos. O último vai ser sobre o terremoto de janeiro no Haiti. O título é Create Dangerously: The Immigrant Artist at Work. O título alude à famosa palestra do Camus sobre os riscos enfrentados na criatividade. O livro lida com a premissa de ser artista e com a relação das pessoas com a sua origem. Quando se vem de um lugar como o Haiti, depois de testemunhar tanta devastação, a decisão de ser artista vem com a obrigação de ser produtiva. Não posso ficar relaxando em casa e me bastando com a convicção de ser artista.


Outras Palavras


Além de Adeus, Haiti, Edwidge Danticat escreveu os seguintes livros:

BREATH, EYES, MEMORY (1994)
O romance de estreia da autora foi inicialmente sua dissertação para o mestrado de Escrita Criativa da Universidade de Brown. Assim como Edwidge, a heroina Sophie emigra do Haiti para os Estados Unidos aos 12 anos. O livro anunciou o estilo lírico e econômico de Danticat para narrar os horrores do Haiti sob a ditadura Duvalier.

KRIK? KRAK! (1995)
O título se refere à expressão coloquial entre haitianos, quando uma pessoa pergunta se a outra quer ouvir uma história. Krik? Krak! é uma coleção de dez histórias que ainda examina o Haiti de Duvalier. Personagens femininas fortes não recebem tratamento preferencial.

THE FARMING OF BONES (1999)
O segundo romance de Edwidge Danticat cruza a fronteira para a vizinha República Dominicana. Uma órfã haitiana é empregada doméstica da mulher de um coronel. Ela se apaixona por outro imigrante haitiano, Sebastien. O casal enfrenta o preconceito e a repressão brutal do regime do generalíssimo Rafael Trujillo.

THE DEW BREAKER (2005)
Um imigrante haitiano que vive no Brooklyn com a mulher e a filha esconde seu passado de Tonton Macoute, a aterradora polícia do regime Duvalier. O título é uma referência à chegada dos policiais para prender opositores de manhã cedo, quando as folhas ainda estavam cheias de orvalho. O romance trata de remorso e redenção e da impossibilidade de proteger a vida privada dos tormentos políticos.

CREATE DANGEROUSLY: THE IMMIGRANT ARTIST AT WORK (SETEMBRO DE 2010)
Coleção de ensaios que refletem sobre a arte e a imigração. O livro será concluído com um capítulo sobre o terremoto que devastou o Haiti em janeiro.

Gushiken ofereceu Eletronet para operadoras privadas de telefonia - Estadão online - link (aqui)



Governo sondou Telefônica para comprar empresa de Nelson dos Santos, cujo controle havia sido adquirido por R$ 1

Renato Cruz


NEGÓCIO - ''Fiquei sabendo do pessoal que tinha comprado a Eletronet por R$ 1, mas ninguém tinha clareza do impacto legal'', disse Gushiken





O governo ofereceu a Eletronet para operadoras privadas, depois de o empresário Nelson dos Santos, que tem negócios com o ex-ministro José Dirceu, comprar o controle da companhia por R$ 1. Fernando Xavier Ferreira, que comandava o Grupo Telefônica no Brasil, teve um encontro em Brasília com Luiz Gushiken, então responsável pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da presidência da República.

Em seu blog, o ex-ministro José Dirceu confirmou na semana passada ter recebido R$ 620 mil pelo pagamento de uma consultoria à empresa Adne, do empresário Nelson dos Santos, entre março de 2007 e setembro de 2009. Ele argumentou que, quando Nelson dos Santos adquiriu 51% da Eletronet, em 2005, nem conhecia o empresário. Se Gushiken tivesse obtido sucesso em negociar a Eletronet com alguma empresa privada, acabaria beneficiando Nelson dos Santos.

Ferreira afirma que, na reunião com Gushiken, foi consultado se queria comprar a Eletronet. "Realmente, houve um momento em que foi colocada essa questão, do interesse nosso em avaliar a Eletronet, mas, na ocasião, comunicamos que não tínhamos interesse na avaliação", diz Ferreira.

Antes de comandar a NAE, Gushiken foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação. Ele admite ter conversado com empresas para saber se tinham interesse na Eletronet, incluindo a Telefônica. "Na época, fiz reunião com muita gente", afirma o ex-ministro, que deixou o cargo em 2006. "Mas nunca apresentei um modelo pronto e acabado. Cheguei a sondar muita gente, sobre como viam essa rede, e sondava com toda a cautela que merece uma coisa desse tipo. Eu articulei esse assunto por muito tempo. E não passou pelo José Dirceu como a imprensa vem falando."

Gushiken nega ter tido qualquer contato com Nelson dos Santos, sócio privado da Eletronet e cliente de José Dirceu. "Nem sei quem é", diz o ex-ministro, apesar de admitir que tinha informações sobre a mudança de controle na época em que procurava uma saída para a empresa. "Fiquei sabendo no meio do caminho desse pessoal que tinha comprado a Eletronet por R$ 1 da AES, mas ninguém tinha clareza de qual impacto legal poderia ter a medida que foi tomada por esse empresário."

No fim do ano passado, o governo retomou na Justiça do Rio a posse das fibras ópticas que não estão sendo usadas pela Eletronet, e pertencem às distribuidoras de energia. Para isso, teve de fazer um depósito judicial de R$ 270 milhões para garantir o ressarcimento dos credores, se o tribunal assim o decidir. A Eletronet está em processo de falência, e tem dívidas de cerca de R$ 800 milhões. Os maiores credores são as fabricantes Furukawa e Alcatel Lucent, que forneceram os equipamentos e os cabos para a Eletronet. A Eletrobrás tem 49% da Eletronet.

BANDA LARGA

A Eletronet controla uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas, presente em 18 Estados brasileiros. O governo planeja usá-la no Plano Nacional de Banda Larga que propõe, entre outras medidas, ressuscitar a Telebrás. A proposta seria usar a infraestrutura de fibras ópticas para oferecer internet rápida de baixo custo.

Segundo Gushiken, essa ideia começou quando ele ainda estava no governo. "A gente não tinha um formato jurídico adequado para isso, mas chegamos a pensar na Telebrás, chegamos a pensar no Serpro, e cheguei a pensar também numa estrutura em que tivesse o setor privado participando minoritariamente", diz o ex-ministro. "Não podíamos pensar numa rede puramente estatal, porque iria tirar um volume de recursos que estava no setor privado, o que poderia criar algum constrangimento."

Apesar de Gushiken falar em participação minoritária do setor privado, na reunião com o ex-presidente da Telefônica, a consulta foi sobre o interesse da empresa em comprar toda a Eletronet. Ferreira explica que o grupo espanhol já tinha avaliado a empresa quando foi chamado pelo governo. "O assunto Eletronet já havia sido trazido à Telefônica pelos próprios credores, interessados em achar uma solução para o problema deles", diz. "Já tínhamos feito uma análise e chegado à conclusão de que não se tratava de algo interessante para a Telefônica."

FALTA DE INTERESSE

O ex-presidente da Telefônica explica que havia vários motivos para não querer comprar a Eletronet, como a distância da rede da companhia dos centros onde estão os consumidores e o fato de a companhia ter somente o direito de uso das fibras, que continuavam de propriedade das empresas de energia. "Havia questões tecnológicas, mercadológicas e regulatórias que, para a Telefônica, não faziam com que ela fosse de maior interesse", diz Ferreira.

Na visão de Gushiken, o valor da rede da Eletronet era, e continua sendo, alto. "É uma coisa tão importante para o Brasil oferecer banda larga para o povo, usar uma rede em que o setor privado também vai ter participação, porque vai ter que dar a última milha (conexão que chega até o usuário)", diz o ex-ministro. "A utilização da infraestrutura instalada pode beneficiar milhões de pessoas, levando acesso para lugares como escolas e prefeituras."

Gushiken afirma que, pouco antes de deixar o governo, passou o assunto para Silas Rondeau, então ministro de Minas e Energia. "Depois que eu vi que as coisas tinham de caminhar junto às elétricas, achei melhor que o ministro da área tomasse a iniciativa", explica, ressaltando que, até então, o assunto estava sob sua responsabilidade. "Faço questão de dizer que o José Dirceu não tinha a mínima noção disso. Estão tentando vitimizar (sic) o José Dirceu numa coisa que não tem sentido."

O candidato clandestino - Editorial - Estadão online - link (aqui)



Domingo, 07 de Março de 2010


Diz o noticiário que o governador José Serra ficou "sem jeito" ao ouvir o coro "Aécio presidente" na bem ensaiada inauguração da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, a nova sede do governo mineiro, em Belo Horizonte, na quinta-feira. É natural essa reação, embora muito provavelmente Serra não tenha sido surpreendido pela manifestação. Afinal, não é pequeno o ressentimento dos partidários do governador Aécio Neves ? detentor, de resto, de índices quase lulistas de popularidade em Minas ? por não ter prosperado no PSDB a sua candidatura ao Planalto este ano. Nos bastidores do partido, Serra manobrou para afirmar a sua primazia sobre o rival, respaldado pelas pesquisas eleitorais que invariavelmente apontavam o paulista como o mais competitivo presidenciável tucano. Além disso, pesou a seu favor o princípio de que política tem fila ? e desde o dia em que assumiu o Palácio dos Bandeirantes, o adversário de Lula em 2002 tornou-se o candidato natural da oposição para este ano.

Na véspera de fazê-lo de viva voz, o aecismo deu-lhe o troco por escrito, sob a forma do editorial Minas, a reboque não!, do governista Estado de Minas. O jornal investe contra "a arrogância de lideranças políticas" (José Serra e Fernando Henrique) que pressionam Aécio para aceitar a vice na chapa tucana. O mineiro, candidato declarado ao Senado, recusa a oferta dia sim, o outro também, mas admitiu que, "em um determinado momento", poderá reavaliar a sua decisão. O prazo final para o registro das chapas é 30 de junho. Julgue-se como se queira a "indignação" assumida pelo diário, o texto traz um argumento dificilmente refutável. Já que o PSDB se recusou a manter acesa a disputa interna, aponta, "que pelo menos colocassem na rua a candidatura de Serra e dessem a ela capacidade de aglutinar outras forças políticas, como fez o Palácio do Planalto com a sua escolhida, muito antes de o PT confirmar a opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva".

Estivesse a sua candidatura na rua, o coro "Aécio presidente" ecoaria do mesmo modo na festa mineira. Mas o fato decerto teria menos destaque no noticiário do evento, sem falar que Serra estaria mais à vontade para encarar o contratempo com filosófica resignação, na expectativa de que o tempo e as realidades políticas acabarão induzindo o aparato aecista a se engajar na sua campanha, contando com os frutos da mobilização, se vitoriosa.

A propósito, o próprio Aécio, com característica leveza, fez a primeira cobrança do gênero em um almoço naquele mesmo dia, na presença dos dirigentes dos partidos e de oposição e do mineiro Nilson Naves, ministro do Superior Tribunal de Justiça: "Serra, quando você for presidente, indique uma meia dúzia de ministros mineiros para os tribunais." É sabido que Serra quer ser presidente desde criancinha. Mas a relutância em assumir a sua legítima aspiração, pela qual trabalha em surdina, já faz com que se diga que ele não tem medo do poder ? tem medo do voto.

Como o recruta da marcha que acha que todos os outros estão no passo errado, Serra deve estar convencido de que sua estratégia dará certo. Talvez dê, mas por enquanto não há quem entenda o que ele tem a ganhar se comportando como candidato clandestino ? que apenas em conversas reservadas admite a candidatura, revelando aos privilegiados interlocutores o mais clamoroso segredo de polichinelo da sucessão presidencial.

E isso porque os números da nova pesquisa do Datafolha, mostrando Dilma Rousseff cada vez mais no seu encalço, obrigaram os tucanos a voar atrás do prejuízo. O contraste entre a desenvoltura de longa data da operação Dilma e o tardio despertar da oposição para o imperativo de tirar Serra do lusco-fusco em que escolheu permanecer serviram até agora para debilitar eleitoralmente o governador.

A errática conduta de Serra também alimentou até bem pouco as especulações sobre uma possível reviravolta nos seus planos ? ele desistiria da Presidência da República pela reeleição em São Paulo, supostamente a salvo de turbulências. Essa hipótese é desonrosa para o governador. A esta altura, ou ele disputa o Planalto ou sai da vida pública. Como a sua escolha está feita, já passou da hora de ser coerente com ela. A oposição precisa de um candidato que vá para a batalha pela porta da frente.

Plano do PT prevê Dilma à frente de Serra até julho - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)




07/03/2010

Lula Marques/Folha

O PT enganchou sua estratégia de campanha a uma meta: deseja que Dilma Rousseff ultrapasse José Serra nas pesquisas antes de 1º de julho.

Pelo calendário da Justiça Eleitoral, é nesse dia que começa a propaganda eleitoral eletrônica. Os candidatos levarão a cara à TV e a voz ao rádio.

Animado com o Datafolha que acomodou Dilma a quatro pontos dos calcanhares de Serra, o petismo passou a cultivar uma “certeza”.

Além de chegar à vitrine eletrônica na frente de Serra, Dilma vai ao ar com ares de "favorita".

Um favoritismo tonificado pelo flerte do eleitor com a tese da “continuidade”.

Para converter pretensão em realidade, o PT ajusta sua tática. Nos próximos meses, planeja, por exemplo, intensificar as viagens de sua candidata a São Paulo.

Nesse ponto, o plano do partido coincide com a vontade de Lula. Também ele avalia que o jogo da sucessão será jogado no Sudeste, com peso em São Paulo.

Tomado pela leitura que o governo faz da conjuntura, o tucanato joga suas fichas em São Paulo e Minas. Daí a pressão para que Aécio Neves aceite ser vice.

Enxerga-se lógica na movimentação do rival. O PSDB tenta compensar nos dois maiores colégios eleitorais a dianteira de Dilma nas regiões Nordeste e Norte.

Lula e o PT farão o que puder para atrapalhar. Além dos seus próprios esforços, contam com um desgaste "natural" de Serra.

Afora o estrago provocado pelas enchentes, estima-se que o PSDB está na bica de enfiar na coligação de Serra duas encrencas: Roberto Jefferson e Joaquim Roriz.

Para tonificar o tempo de TV de Serra, menor que o de Dilma, o tucanato negocia a adesão do PTB de Jefferson e do PSC de Roriz.

O petismo solta fogos. Acha que os dois novos aliados do adversário não serão digeridos pelo eleitor de classe média, simpático a Serra.

Estima, de resto, que, de mãos dadas com Orestes Quércia (PMDB), Jefferson e Roriz, Serra perde as condições de se enrolar na bandeira da ética.

O zero a zero no placar das perversões empurraria a disputa, segundo a visão de integrantes da cúpula do PT, para o campo programático.

Nesse quesito, o PT acredita que Dilma tende a prevalecer de goleada. Por quê? Ela seria a única contendora com legitimidade para dizer que manterá Lula, aprofundando-o.

Para o PT, Dilma tem a era Lula para apresentar. E Serra teria dificuldades para contrapor sua gestão paulista aos “feitos” de Brasília, de amplitude nacional.

Imagina-se também que será fácil colar a imagem do ex-ministro Serra à de FHC, um ex-presidente que frequenta as pesquisas com semblante de rejeitado.

Embora Serra ainda não tenha retirado a candidatura do armário, o PT já o tem como adversário. Mais: descrê da hipótese de Aécio virar vice.

Torce para que o companheiro de chapa de Serra venha das fileiras do DEM. Algo que, mercê dos panetone$ do DF, lhe furtaria de vez o discurso da ética.

Na prancheta, a estratégia do PT é infalível. Submetido ao acaso, personagem invisível e caprichoso, o plano terá de vencer o imprevisível.

De concreto, apenas uma previsão é, por ora, infalível: pode até acontecer que a Dilma ganhe, na hipótese de que não perca.

Escrito por Josias de Souza às 06h02

Mônica Bergamo - Folha de São Paulo - link (aqui)






bergamo@folhasp.com.br


Elas carregam o fardão

Rafael Andrade/Folha Imagem

Edia Van Steen segura o fardão da ABL ao lado do marido, o imortal Sábato Magaldi

Elas são a "retaguarda" dos imortais da Academia Brasileira de Letras. Estão sempre na casa pois, afinal, "uma coisa é muito importante: a presença da esposa"

Sábato Magaldi, 82, está na sala do apartamento com vista para o calçadão e a praia de Copacabana, no Rio. Quando o senhor entrou na Academia Brasileira de Letras? "Hum... Ô, Edla, você lembra quando eu..." Do quarto, a mulher com quem é casado há 32 anos, Edla Van Steen, 73, não espera o fim da pergunta: "Em 94!" Ele sorri: "Ela entende muito mais do que eu", diz ele à repórter Audrey Furlaneto. Entende de quê? "De tudo, de tudo."


Na cobertura do apartamento com o mar de Ipanema ao lado, Ruth Niskier, 65, senta-se em frente a uma das telas de Di Cavalcanti que tem em casa e tece elogios ao marido, Arnaldo Niskier, 74, membro da ABL há 26 anos: "Ele é o astro, eu fico só na retaguarda. Não... Retaguarda, não. Ao lado, caminhando junto".


Da biblioteca de 8.000 livros do apartamento em Copacabana, Rejane Godoy, 58, vai para a ABL de carona com o motorista que o marido, o imortal Domício Proença Filho, 73, tem à disposição. "Viver atrás de um homem não é uma coisa banal", diz. "O marido é imortal, mas a mulher dele é deste tempo. Está por trás, como suporte."


As mulheres dos imortais (dos homens, só dois são solteiros) acompanham os maridos no famoso chá das quintas, vão às palestras e conferências, conhecem grandes escritores e palpitam no voto. Com uma cadeira vaga na academia, a de José Mindlin, morto na semana passada, elas incluíram em sua rotina o ritual de receber os telegramas e administrar os telefonemas de candidatos. Mas não têm obrigações e possuem um só direito: terão o funeral e o enterro, no mausoléu da academia, pagos pela ABL.


"Sinceramente? Não é nada demais", diz Edla Van Steen, que, além de "levar o Sábato, esperar e voltar", é autora de 27 livros (de contos, romances, peças de teatro) e dirige oito coleções literárias. Nem todas, no entanto, são "acadêmicas".


Rejane Godoy, por exemplo, exerceu o magistério durante 20 anos, conheceu Domício Proença num curso e abandonou o doutorado em Porto Alegre para viver com ele no Rio. Hoje, colabora com pesquisas para os livros do marido e controla para que "as pessoas que limpam a casa não passem o aspirador de pó quando ele está no escritório". "Eu tinha umas desligadas que entravam com aquele bicho lá. Imagina?"
"Somos o casal mais banal do mundo", completa. "As pessoas perguntam: "Mas o que vocês falam no café da manhã?" Nós falamos as coisas mais banais. Essas coisas de intelectualidade rolam em outro espaço." Na ABL, ela já viu "coisas pitorescas". "Um sujeito disse para outro: "Olha, sua mulher estava falando muito alto hoje. Todo mundo estava vendo". Ele virou e falou assim: "Minha mulher é maior de idade. O senhor vá lá e fale para ela". Não vou dizer o nome, mas foram duas figuras conhecidíssimas."


A jornalista e escritora Cecília Costa, 58, casada com o imortal Ivan Junqueira, 75, revela: "No começo, era só gente dizendo: "Cecília, senta! Cecília, fala baixo!" E eu sou meio libertária". Cai na risada. "Não pode rir, acredita? [mais risos] Tinha uma conferência e alguém falou algo muito engraçado, e eu ri. Saiu até no jornal", lembra. As broncas são o menor problema: Cecília ganhou um prêmio da ABL (no valor de R$ 75 mil), com o livro "A Dama de Copas", quando seu marido presidia a academia. Foi demitida do jornal "O Globo", onde estava havia 28 anos, e recusou a bolada.


Na ABL, Cecília gosta é da possibilidade de "realizar a feminilidade". "Você tem que se arrumar um pouco mais, pode botar um cintilante. Mas tem de tudo: a que comprou roupa de "haute couture" e as que, como eu, são simples. Sou jornalista, né? Não vou de Chanel!"


É exatamente para os "frufrus" que Barbara Freitag, 68, não tem paciência. Nascida na Alemanha, veio para cá com sete anos e voltou ao país natal para a faculdade. Estudou com Adorno, expoente da Escola de Frankfurt, e chegou a dar aula na mesma universidade que ele. De volta, conheceu o diplomata Sergio Paulo Rouanet, 76. Se apaixonou. A cada mudança de posto dele, ia junto. Foram 18 travessias do Atlântico em 30 anos. E nada de "clubinho de mulheres de diplomatas".


"Talvez o meu convívio com o Rouanet imortal seja, eu diria, uma espécie de nota de pé de página. A vida da mulher de diplomata é bem mais complicada. Muita mulher se perde, vai para todos os chazinhos e festinhas. Uma amiga avisou: "Se você for a primeira vez, não se livra do assédio das mulheres". Elas fazem clubinho para levar filhos à escola, para ir a museu, fazer compras e não sei o quê." À ABL, Barbara vai pouco. "Às vezes, para aproveitar a carona, eu vou ao chazinho, dou "oi" para todo mundo que conheço." Ruth Niskier, que trabalha organizando palestras na joalheria H. Stern, não perde nada. "Coloco em primeiro lugar. Uma coisa é muito importante: a presença da esposa. Não tem essa coisa de: "Ah, eu vou estar reunida com amiguinhas"."


Beatriz Lajta, 72, mulher de Carlos Heitor Cony, 83, está "sempre correndo". "Em posses, solenidades, me dizem: "Você está sumida! Apareça!" Não sou exatamente uma mulher que, como eu vou dizer... Não faz parte do meu cotidiano aquela coisa: de tarde, ter aquele chá com amigas. De dondoca, eu não tenho nada", diz ela, que "administra" a vida de Cony.


Todas cuidam do fardão, bordado em ouro, de seu marido imortal (que custa entre R$ 35 mil e R$ 50 mil). "Coloco no closet um desumidificador. De vez em quando, boto no sol ao contrário, por causa do ouro", diz Ivelise Ferreira, 49, mulher do cineasta Nelson Pereira dos Santos, 81. "Os acadêmicos e as senhoras são inteligentes, irônicos. No início, eu dizia: "Ai, Nelson, achava que ia ser melhor você não entrar para a ABL". Pensava: "Nossa, como é que eu vou conversar com essas pessoas?'" Ivelise, então, descobriu que se conversa sobre tudo -exceto política. Edla Van Steen explica: "Tem acadêmico político... Presta atenção: o Sarney é acadêmico, e ele tá todo enrolado. É normal que não se toque no assunto. Vai falar o quê? Você já pensou?".


"É um clube de velhinhos, mas que é legal. Por que não?", continua Edla. "E as mulheres têm que se dar umas com as outras. Porque, se tiver uma louca lá, enchendo o saco, não vai dar. Se a mulher for um horror, pesa e muito."

Danusa Leão - Folha de São Paulo - link (aqui)




A felicidade dura pouco


Com alguém ao lado falando num celular, lendo os e-mails, não se pode nem ao menos pensar. É a solidão total


HÁ MUITOS, muitos anos, havia uma musica de Zé Rodrix que nos emocionava. Os primeiros versos diziam "eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais"; e continuava dizendo coisas lindas, como "eu quero a esperança de óculos e um filho de cuca legal, eu quero plantar e colher com as mãos a pimenta e o sal". Era com isso que sonhávamos, mesmo sem saber, ou era o que gostaríamos de querer; belos tempos.
Os anos passaram, e os sonhos, no lugar de se ampliarem, encolheram.
O que é que se quer hoje em dia? Menos, acredite, pois querer um celular novo que faz coisas que até Deus duvida é querer pouco da vida. Meu maior sonho é bem modesto.
Nada me daria mais felicidade do que um celular que não fizesse nada, além de receber e fazer ligações. Os gênios dessa indústria ainda não perceberam que existe um imenso nicho a ser explorado: o das pessoas que, apesar de conseguirem sobreviver no mundo da tecnologia, têm uma alma simples.
As duas mais dramáticas novidades trazidas pelos celular foram as odiosas maquininhas fotográficas e a impossibilidade de uma conversa a dois. Quando duas pessoas saem para jantar, é inevitável: um deles põe o celular -às vezes dois- em cima da mesa. O outro só tem uma solução: engolir, mesmo sem água, um tranquilizante tarja preta.
No meio de uma conversa palpitante, o telefone toca, e a pessoa faz um gesto de "é só um minuto". Não é, claro. Vira um grande bate-papo, e não existe solidão maior do que estar ao lado de alguém que te larga -abandona, a bem dizer- para conversar com outra pessoa. No meio de um deserto, inteiramente sós, estamos acompanhados por nossos pensamentos. Com alguém ao lado falando num celular, lendo os e-mails ou checando as mensagens, não se pode nem ao menos pensar. É a solidão total, pois nem se está só nem se está acompanhado. Tão trágico quanto, é estar falando com alguém que tem um telefone com duas linhas; no meio do maior papo, ele diz "aguenta aí que vou atender a outra linha" e frequentemente volta e diz "te ligo já" -e aí você não pode usar seu próprio telefone, já que ele vai ligar já (e às vezes não liga). Não dá.
Raros são os que atendem e dizem "estou com uma amiga, depois te ligo" -nem precisavam atender, já que o número de quem chama aparece no visor, e as pessoas têm todos eles de cor na cabeça, como eu não sei.
Eu juro que tentei, já troquei de celular três vezes, mas desisti. Recebia contas que não entendia, entrei, de idiota, num "plano", e quase enlouqueci quando quis sair. Hoje tenho um que praticamente não uso, mas é pré-pago, e só umas quatro pessoas conhecem; ponho 20 reais de crédito, se não usar não vou à falência, mas pelo menos não recebo aquelas contas falando de torpedos e SMS, coisas que prefiro nem saber que existem. Ah, e meus telefones fixos são com fio.
Do carro já me livrei: há cinco anos não procuro vaga, não faço vistoria, não pago IPVA, nem seguro, e sou louca por um táxi. Até ontem me considerava uma mulher feliz, mas sempre soube que a felicidade dura pouco: hoje ganhei um iPod. Uma quase tragédia, eu diria.


PS - Lula não resistiu e foi fazer campanha no Chile. Michelle Bachelet teve que largar o que estava fazendo para recebê-lo no aeroporto, e como se fosse pouco, ainda ouvir um discurso. Nele, Lula disse essa pérola: "graças a Deus, não houve vítimas entre os brasileiros". A presidente, com a expressão devastada pelos 800 mortos perdidos no terremoto, só fez olhar para o chão.

Promotor pede quebra de sigilo de Vaccari - Folha de São Paulo - link (aqui)



Tesoureiro do PT é investigado pelo Ministério Público de SP por atuação à frente da cooperativa habitacional Bancoop

Documentos mostram que ao menos R$ 31 mi foram sacados na boca do caixa, o que torna difícil rastrear o dinheiro; advogado nega as acusações e vê fim eleitoral

LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público do Estado de São Paulo, pediu anteontem a quebra do sigilo bancário e fiscal do novo tesoureiro do PT, o sindicalista João Vaccari Neto, investigado por supostos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e apropriação indébita no comando da Bancoop, cooperativa habitacional dos bancários.
Blat, que abriu o inquérito criminal contra a Bancoop em 2007, solicitou ainda ao Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais), do Tribunal de Justiça de São Paulo, o bloqueio da conta bancária da cooperativa e a oitiva urgente de Vaccari, que se licenciou da presidência da cooperativa em fevereiro.
O promotor estima que pelo menos 47 empreendimentos da Bancoop não saíram do papel, o que prejudicou cerca de 3.000 famílias. Há desde casas pagas e não entregues a valores que foram majorados acima da estimativa original. O rombo nas contas da cooperativa chegaria a R$ 100 milhões.
Em reportagem da edição desta semana, a revista "Veja" relata que, na última segunda-feira, o promotor começou a receber o primeiro lote de documentos com a quebra do sigilo bancário da cooperativa, que havia sido solicitada por ele em março do ano passado. São cerca de 8 mil páginas com transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008.
Segundo o promotor, cerca de R$ 31 milhões em cheques da cooperativa, assinados por Vaccari e por outros diretores, foram sacados em dinheiro em nome da Bancoop, o que dificulta rastrear o beneficiário.
"Outro fato que impressiona é que, entre 2005 e 2006, quando muitas obras estavam paradas e a cooperativa já enfrentava muitos problemas, a Bancoop pagou cerca de R$ 1,5 milhão à empresa de segurança de Freud Godoy", afirma Blat.
Freud, ex-segurança das campanhas de Lula é, ao lado de Vaccari, investigado no caso da compra de falso dossiê contra tucanos na eleição de 2006.
Para o promotor, dinheiro do grupo ajudou a financiar campanhas eleitorais petistas. "A Bancoop é uma organização criminosa com fins político-partidários", afirmou.

Outro lado
O advogado da Bancoop, Pedro Abreu Dallari, disse ontem que a investigação não tem "pé nem cabeça". "É um completo absurdo. Essa investigação começou em 2007 e não tem nenhuma medida judicial."
Segundo Dallari, não existe saque em dinheiro, mas movimentações interbancárias entre contas da própria Bancoop, já que, cada empreendimento tem um conta bancária própria. "Isso é registrado como saque, mas é movimentação interbancária." Para o advogado, o caso da Bancoop voltou à tona para alimentar o pedido do PSDB de CPI na Assembleia paulista. "É a única explicação que encontro para tantas leviandades."

Eliuo Gaspari - Folha de São Paulo - link (aqui)




As masmorras de Hartung aparecerão na ONU


O economista bem educado governa no ES um sistema prisional que envergonharia o soba do Uzbequistão


NA PRÓXIMA segunda-feira, dia 15, o governador Paulo Hartung (PMDB-ES) tem um encontro marcado com o infortúnio. Depois de anos de negaças, o caso das "masmorras capixabas" será discutido em Genebra, num painel paralelo à reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Hartung tem 52 anos, um diploma de economista e a biografia de um novo tipo de político. Esteve entre os reorganizadores do movimento estudantil no ocaso da ditadura. Filiou-se ao PSDB, ocupou uma diretoria do BNDES, elegeu-se deputado estadual, federal, e senador.
Na reunião de Genebra estará disponível um "dossiê sobre a situação prisional do Espírito Santo". Tem umas 30 páginas e oito fotografias que ficarão cravadas na história da administração de Hartung. Elas mostram os corpos esquartejados de três presos. Um, numa lata. Outro em caixas e uma cabeça dentro de um saco de plástico. Todos esses crimes ocorreram durante sua administração. Desde a denúncia da fervura de presos no Uzbequistão o mundo não vê coisa parecida.
As "masmorras capixabas" são antigas, mas a denúncia teve que ser levada à ONU porque as organizações de defesa dos direitos humanos não conseguem providências do governo do Espírito Santo, nem do comissariado de eventos de Nosso Guia. Sérgio Salomão Checaira, presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, demitiu-se em agosto do ano passado porque não teve apoio do Ministério da Justiça para reverter o quadro das prisões de Hartung. Há um mês, uma comitiva que visitava o presídio feminino de Tucum (630 presas numa instituição onde há 150 vagas) foi convidada a deixar o prédio. Se quisessem, poderiam conversar com as prisioneiras pelas janelas.
O Espírito Santo tem 7.000 presos espalhados em 26 cadeias, com uma superlotação de 1.800 pessoas. Há detentos guardados em contêineres sem banheiro (equipamento apelidado de "micro-ondas"). Celas projetadas para 36 presos são ocupadas por 235 desgraçados. Alguns deles ficam algemados pelos pés em salas e corredores.
Os governantes tendem a achar que os problemas vêm de seus antecessores, que as soluções demoram e que, em certos casos, não há o que fazer. Esquecem-se que têm biografias.
O relatório com fotos dos esquartejados está no seguinte endereço:
http://www.estadao.com.br/especiais/
2009/11/crimesnobrasil_if_es.pdf

Aviso: é barra muito, muito pesada.

A TEORIA NEGREIRA DO DEM SAIU DO ARMÁRIO
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é uma espécie de líder parlamentar da oposição às cotas para estimular a entrada de negros nas universidades públicas. O principal argumento contra essa iniciativa contesta sua legalidade, e o caso está no Supremo Tribunal Federal, onde realizaram-se audiências públicas destinadas a enriquecer o debate.
Na quarta-feira o senador Demóstenes foi ao STF, argumentou contra as cotas e disse o seguinte:
"[Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. Gilberto Freyre, que hoje é renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual".
O senador precisa definir o que vem a ser "forma muito mais consensual" numa relação sexual entre um homem e uma mulher que, pela lei, podia ser açoitada, vendida e até mesmo separada dos filhos.
Gilberto Freyre escreveu o seguinte:
"Não há escravidão sem depravação sexual. É da essência mesma do regime".
"O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com a sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do sinhô-moço. Desejo, não: ordem."
"Não eram as negras que iam esfregar-se pelas pernas dos adolescentes louros: estes é que no sul dos Estados Unidos, como nos engenhos de cana do Brasil, os filhos dos senhores, criavam-se desde pequenos para garanhões. (...) Imagine-se um país com os meninos armados de faca de ponta! Pois foi assim o Brasil do tempo da escravidão."
Demóstenes Torres disse mais:
"Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (...) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da economia africana".
Nós, quem, cara-pálida? Ao longo de três séculos, algo entre 9 milhões e 12 milhões de africanos foram tirados de suas terras e trazidos para a América. O tráfico negreiro foi um empreendimento das metrópoles europeias e de suas colônias americanas. Se a instituição fosse africana, os filhos brasileiros dos escravos seriam trabalhadores livres.
No início do século 20 os escravos não eram o principal "item de exportação da economia africana". Àquela altura o tráfico tornara-se economicamente irrelevante. Ademais, não existia "economia africana", pois o continente fora partilhado pelas potências europeias. Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário José Roberto Arruda.
O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas.

ACEITA OU DESCE
Na banda do alto tucanato inquieta com o silêncio de José Serra em relação à sua candidatura, admite-se a possibilidade de ele vir a ser confrontado com um ultimato público.
Se o governador quiser disputar, tudo bem. Se não quiser, precisa avisar, porque o PSDB poderá ser surpreendido pelo desinteresse de Aécio Neves de substituir o mestre-sala numa escola de samba atravessada.

INTERVENTOR
O nome do controlador-geral da União, Jorge Hage, passou a ser uma hipótese para o lugar de interventor federal em Brasília, encarregado de limpar a metástase de suas instituições.

FALA, ARRUDA
Na cadeia, José Roberto Arruda deu-se conta de que as ameaças feitas aos seus comparsas não tiveram efeito. Ele sabe que sua carreira política acabou. A biografia pública oferece-lhe dois caminhos: o silêncio, acompanhado pelo vilipêndio, inclusive por coisas que não fez sozinho, ou a abertura do arquivo de sua memória. Só assim terá a "alma lavada".

ELEFANTE VOADOR
Em política, elefante voa. Mesmo assim, é mais fácil elefante voar do que o senador Tasso Jereissati vir a aceitar a Vice-Presidência na chapa de José Serra.

OS PATOS
Karl Rove, o principal conselheiro de George Bush, escreveu um livro de memórias e contou que seu chefe não teria invadido o Iraque se soubesse que lá não havia armas de destruição em massa. Essa conta acabará no colo dos jornalistas que escreviam a respeito do arsenal de Saddam Hussein.