quinta-feira, 29 de abril de 2010

GAL COSTA - ASSUM PRETO (ENSAIO 1970)

Assum Branco - Gal Costa.wmv

Gal Costa - Vapor Barato (Voz & Violão - 2006)

Gal Costa - Vatapá (Voz & Violão - 2006)

Gal Costa - Folhetim (Voz & Violão - 2006)

Gal Costa - Meu bem, Meu Mal (Voz & Violão - 2006)

Gal Costa - Samba do Grande Amor (Voz & Violão - 2006)

Gal Costa - Eu Vim da Bahia - (Voz & Violão - 2006)

Gal Costa - Pra Machucar Meu Coração (Voz & Violão - 2006)

rouxinol - Gilberto Gil

Saudade da Bahia (Dorival Caymmi) - Gilberto Gil

expresso2222 - Gilberto Gil

a_raca_humana. - Gilberto Gil

Triste Bahia (Caetano Veloso)

It´s a Long Way

Caetano Veloso - Os Argonautas

Caetano Veloso- Alegria Alegria

Bar é fotografia - Waldemar Wienchol

http://gallery.photo.net/photo/9671347-lg.jpg



Waldemar Wienchol

Untitled

Após a terceira dose - Bar é poesia




O gato





(luiz alfredo motta fontana)









testemunha

um gato rente ao muro

o luar entreabria a cena

a mesma rua, o mesmo portão

a cumplicidade das 3:10 da manhã

tudo era igual

ou quase...

até pela simples razão

que teu dormir

agora é solitário

e o gato

já esgueira em novo jardim

Bar é fotografia - Jean-Pierre Potez

http://www.j3p.net/imgcol/imgcol_4/_00013.jpg



Jean-Pierre Potez

Untitled

Comercial antigo - KIBON conta a história do sorvete - comercial (anos 50)

Charge do dia

http://www.bonde.com.br/folha/imgsistema/2010/04/img_2061.jpg


Jacobsen - Folha de Londrina - Londrina, PR

''Sarney'' aparece em caixa 2 de Arruda - Estadão online - link (aqui)



Operação Caixa de Pandora. Documento de contabilidade paralela registra a anotação de um valor e quanto teria sido de fato pago - '250/150 PG' -, mas apontamento isolado do nome não permite indicar a quem da família do senador supostamente se refere

29 de abril de 2010 | 0h 00

Leandro Colon / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Um documento da contabilidade de caixa 2 da campanha do ex-governador José Roberto Arruda lista o nome "Sarney". A anotação manuscrita foi feita pelo próprio Arruda, como comprova perícia feita a pedido do Estado. À frente do nome "Sarney", o documento registra a anotação de uma quantia e quanto teria sido efetivamente pago: "250/150 PG".

O apontamento isolado do nome "Sarney" não permite indicar a quem da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), supostamente se refere. Segundo a perícia, as letras "PG" foram escritas pelo tucano Márcio Machado, um dos arrecadadores do caixa 2 do governador cassado que, depois de vencida a eleição, virou secretário de Obras do Distrito Federal.

Em janeiro de 2007, no mês em que Arruda (ex-DEM, hoje sem partido) tomou posse, o secretário Márcio Machado esqueceu em cima da mesa de uma emissora de televisão, em Brasília, duas planilhas. A primeira, publicada pelo Estado no dia 4 de dezembro do ano passado, continha os nomes de 41 empresas que teriam doado para o esquema de caixa 2 da campanha de 2006 do então candidato do DEM ao governo do Distrito Federal. Machado admitiu que era o autor das anotações.

A segunda planilha, com nove nomes, é que foi submetida ao laboratório de perícia de Ricardo Molina. O perito afirma que foi escrita pela mão do ex-governador Arruda a relação de cinco desses nove nomes onde, na quinta anotação, aparece "Sarney - 250/150 PG". Para chegar a essa conclusão, Molina comparou o documento da contabilidade do caixa 2 com uma carta escrita recentemente por Arruda, também de próprio punho, no dia 11 de fevereiro. A carta, com horário registrado das 17 horas e intitulada "Aos amigos do GDF", foi escrita minutos depois de Arruda ter a prisão decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"Conclusões seguras". A análise da perícia técnica diz que os trechos escritos "permitem conclusões seguras" sobre os nomes listados nesta ordem: "1-Izalci-300/200-OK", "2-Chico Floresta-80-OK", 3-Ronaldo-Via-OK-500/2x200-1x150", "4-J.Edmar-1.000/100PG+120+800" e "5-Sarney-200/150PG". E acrescenta: "Os nomes listados nos números de 1 a 5 foram certamente produzidos pelo punho escritor do governador Arruda." O trabalho da perícia, assinada no dia 7 de abril, concluiu de maneira categórica: "Acima de qualquer dúvida razoável, podemos afirmar que a escrita cursiva emanou do punho do governador José Roberto Arruda."

Em dezembro do ano passado, quando o Estado publicou a primeira reportagem sobre as anotações do caixa 2 de Arruda, Márcio Machado admitiu a autoria da tabela com os nomes das 41 empresas, mas disse que não saberia dizer quem era o responsável pelo documento que menciona "Sarney". Agora, o perito Ricardo Molina desfaz a dúvida: "Existe, portanto, uma conexão de fato entre os dois documentos questionados."

Anotação. Comparando os "PGs" da planilha de Machado, a perícia concluiu que a anotação "PG" à frente dos valores ligados a "Sarney" também é do arrecadador de Arruda que virou secretário de Obras. Por causa do escândalo do "mensalão do DEM", o PSDB exigiu a saída do tucano do governo e da presidência regional do partido no DF.

Em dezembro, Machado disse ao Estado, por meio de seu advogado, que a planilha era uma projeção de doações que seriam solicitadas às empresas por meio do tesoureiro oficial da campanha, José Eustáquio Oliveira. O tucano diz que não se recorda dos números nem acompanhou essas doações. Os dois documentos - o de Arruda e o de Machado - estão em poder do Ministério Público.

PARA LEMBRAR
Arruda foi cassado em março

O ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido) é acusado de comandar um suposto esquema de corrupção no Distrito Federal, que ficou conhecido como "mensalão do DEM". O esquema foi revelado pela Polícia Federal em novembro de 2009. Arruda teve de se desfiliar do DEM e foi preso em fevereiro acusado de coagir uma testemunha. Em março, teve o mandato cassado.

O Ciro Gomes conturbado. O Ciro Gomes perturbado. O Ciro Gomes desprezado. O Ciro Gomes abandonado. O Ciro Gomes revoltado.





Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link
(aqui)



quinta-feira, 29 de abril de 2010 | 07:10


Todas essas palavras cabem perfeitamente no previsível-imprevisível político do Ceará. Aos 53 anos, ex-governador e ex-ministro da Fazenda, (que já foi o cargo mais importante do País, Souza Costa ficou 12 anos seguidos na ditadura de Vargas, Delfim Netto ficou 12 anos e 6 meses intercalados na ditadura dos generais), tem uma biografia e uma trajetória, altamente registrável.

Se a biografia é plenamente reconhecida, por que fica “voando” em círculos, não atinge o principal objetivo que é a chegada ao Planalto-Alvorada? Sua primeira tentativa foi em 2002, com 45 anos, já tendo ganho no voto a prefeitura de Fortaleza e o governo do estado.

Em 2202 chegou a liderar as pesquisas, estava na frente até mesmo de Luiz Inacio Lula da Silva, tão experiente que já disputava a quarta presidência seguida, o que não aconteceu em nenhum país ocidental.

Podem dizer que apesar da falta de credibilidade das pesquisas, principalmente feitas com tanta antecedência, a liderança de Ciro era surpreendente, provocava comentários gerais, repercutia no país inteiro.

Inesperadamente surgia o Ciro inexplicável, incompreensível, praticamente irresponsável, que jogava tudo fora, de uma hora para outra, sem que ninguém entendesse. A surpresa do Ciro Gomes líder das pesquisas, se repetiu no sentido contrário. Foi caindo, passou para o segundo lugar, “disparou para trás”, não foi nem para o segundo turno.

Terminou 2002 no ostracismo completo, ele mesmo se encarregou de dar um realce espantoso a essa posição. Não se falou nele até 2006, não apareceu nessa nova sucessão. Mas quando se abriram as urnas (ou contados os que apertaram os botões eletrônicos), o Ciro Gomes desaparecido do plano nacional, surgia deputado federal com votação estrondosa.

Esses votos acumulados não serviram para nada nos primeiros 2 anos e meio de mandato, que já era inadequado e desajeitado para o figurino dele. Silencioso, ausente da Câmara, todos comentavam: “Para que o Ciro quis esse mandato opulento?” Mostraria logo a seguir.

No meio de 2009 começou a se movimentar. Lembrou que havia nascido em São Paulo, fez a mudança sensacional do domicílio eleitoral. Naturalmente, surgiram diversas interpretações, novamente aparecia a indagação: “Ciro Gomes se mudando para São Paulo, qual o objetivo e a intenção?”

Silencioso, foi alimentando as versões. Governador de São Paulo? Presidente da República? E a mais ridícula de todas: deputado federal? Ora, se quisesse ser deputado, não sairia do Ceará. Fortalecida ficou a expectativa enclausurada nas duas opções maiores.

Parecia que uma das duas candidatura se concretizaria, quando o cenário mudou com a revelação: Ciro transferira o domicílio a pedido (leia-se: ordem) de Lula. Consolidada a versão, faltou a explicação: o que Lula daria a Ciro como compensação ou reciprocidade pela retirada do que o próprio Ciro proclamava: “Minha candidatura ajuda a Dilma, assim ela vai certamente para o segundo turno”.

Só que o próprio Ciro não confirmava a posição de candidato “linha auxiliar” de Dona Dilma, o que passou a irritar e aborrecer o onipotente e arrogante presidente Lula. Que pressionou e intimidou o PSB, EXIGINDO QUE NÃO DESSE LEGENDA A CIRO COMO POSSÍVEL PRESIDENCIÁVEL.

***

PS – Acovardado, o PSB puxou o palanque de Ciro Gomes, explicando pelo absurdo: “Não podemos ter candidato a presidente, isso prejudicará a legenda”. Ha!Ha!Ha! Para favorecer um partido que não existe, como o PSB, nada melhor do que um presidenciável, e com a coragem, a audácia e a agressividade de Ciro.

PS2 – Repudiado torpemente, Ciro reagiu violentamente, comprovando as 4 palavras que estão no título dessas notas, com o acréscimo de mais uma: E-S-T-A-B-A-N-A-D-O.

PS3 – Como ninguém no PSB (e até fora dele) tem coragem de enfrentar Ciro, apelaram para o irmão, governador do Ceará.

PS4 – Cid, já reeeleito, recusou, respondeu: “O Ciro é indomável”. É mesmo, qualquer que seja o sentido que coloquem na palavra. Acontece que terão que suportar esse homem INDOMÁVEL. Alguém poderá DOMÁ-LO usando medo e covardia? Aguardemos.

Vergonha da América - Folha de São Paulo - link (aqui)







No romance "Invisível", Paul Auster mergulha nos anos 60 e desconcerta puritanismo dos EUA ao narrar caso de incesto entre dois irmãos


Jean-Christian Bourcart - 5.out.05/Getty Images

Paul Auster, no jardim de casa em Nova York, em 2005

FABIO VICTOR
DA REPORTAGEM LOCAL

O incesto entre um jovem e sua irmã está no centro do enredo de "Invisível", novo romance de Paul Auster (Companhia das Letras).
Embora um dos pontos altos do livro, a relação pouco foi abordada pelos americanos, segundo o autor. "Acharam tão difícil que ignoraram", diz Auster em entrevista à Folha, na qual relata o constrangimento causado em estudantes de uma universidade do país pela leitura de um trecho com a descrição do caso amoroso.
A terra da liberdade, reino da indústria pornô, convive com o puritanismo porque, afirma ele, "somos um lugar dividido, um país esquizofrênico".
"Invisível" é o 15º romance de Auster. Depois de seguidas histórias sobre velhice, protagonizadas por moribundos, ele usa agora como argumento a memória juvenil de um universitário nos anos 60.
A história de Adam Walker, estudante de letras atormentado entre o desejo pela irmã e pela mulher de um professor com quem manterá uma relação doentia, se interpõe nas quatro partes dos livros. Em cada uma delas, Auster muda os narradores e tempos verbais e, seu brinquedo favorito, cria livros dentro do livro.


ENTREVISTA PAUL AUSTER

Desde o Vietnã o país não ficava tão dividido

Eleitor de Obama, escritor elogia o presidente e suas medidas, mas diz que a virulência dos ataques da oposição gerou nação partida e período "muito, muito maluco"

DA REPORTAGEM LOCAL

Paul Auster, 63, diz que lhe faz mal ler resenhas de seus livros, pois "raramente se consegue algo intermediário, é amor ou ódio". Com "Invisível", houve entre a crítica de língua inglesa mais amor do que ódio (o "New York Times" considerou-o seu melhor romance; na Inglaterra teve objeção e elogio). O maniqueísmo que marca a crítica também domina hoje a política dos EUA, avalia. A oposição conservadora ao governo Obama, que o escritor apoia e elogia, gerou, segundo ele, um país "terrivelmente dividido". Auster falou à Folha por telefone, de sua casa em Nova York. (FABIO VICTOR)

FOLHA - Uma das subtramas do livro é a relação incestuosa entre irmãos. Como foi escrevê-la? E como foi a reação nos EUA?
AUSTER
- Foi difícil, porque queria fazer algo honesto, verdadeiro, convincente sobre o prazer estético quando se está nos braços de alguém que se ama, detalhes de intimidade física. É muito difícil de escrever. Eu não leio resenhas, então não posso dar uma resposta detalhada. Meu editor me diz o que escreveram. E, de maneira geral, a crítica americana ignorou este assunto [risos]. Acharam tão difícil que ignoraram. Mencionaram, mas com poucos detalhes. [A resenha do "New York Times" trata das páginas "belas e perturbadoras" sobre incesto; na que está no site do "Washington Post", a relação não é citada].

FOLHA - Li que, durante uma leitura do livro numa universidade, ocorreu algo curioso a esse respeito...
AUSTER
- Isso, foi muito interessante. Um ano atrás, antes de o livro ser publicado, eu e minha mulher fizemos uma leitura na Universidade Brown, em Rhode Island. Li a parte da "grande experiência", quando eles tinham 14 e 15 anos [uma noite de beijos e carícias entre os irmãos]. No início alguns alunos deram risinhos nervosos, ao perceberem o que acontecia. De repente todos ficaram calados. E, quando a leitura terminou, disseram "muito interessante", mas ninguém conseguiu falar nem perguntar nada.

FOLHA - É curioso, pois ao mesmo tempo os EUA são a terra da indústria pornô, da liberalidade.
AUSTER
- Sim, é verdade, somos um lugar dividido, um país esquizofrênico. A pornografia é enorme e, ainda assim, o puritanismo continua.

FOLHA - Depois de vários livros sobre a velhice, sobre moribundos, "Invisível" fala mais sobre a juventude. Por quê?
AUSTER
- Não queria continuar a falar sobre homens se desintegrando. E, em 2006 e 2007, houve vários aniversários de 40 anos de eventos dos anos 60, o que trouxe de volta este período para mim. E pensei: quero voltar, quero explorar 40 anos atrás. Mas quero escrever sobre tudo, jovens, velhos, gente de meia-idade, crianças.

FOLHA - Embora você não leia resenhas, eu queria...
AUSTER
- Eu me educo para não lê-las.

FOLHA - Pediria que comentasse trechos de duas: 1) "A prosa é o melhor da literatura americana contemporânea: clara, elegante, ágil. É o melhor romance já escrito por Paul Auster" [publicada no "New York Times"]. 2) "O romance fica piruetando em torno de totens culturais, e os personagens são desvendados pela lista de autores, compositores, pintores de que gostam. O resultado (...) [é] como ouvir um pós-graduado tentando impressionar calouras do primeiro ano. (...) Os diferentes pós-modernismos de Auster parecem estratégias de evasão. É assim que todo o livro parece: evasivo" [publicada no britânico "The Observer"].
AUSTER
- É por isso que não leio essas coisas. Porque tenho quem ame o que faço e quem odeie o que faço. E não me faz nenhum bem lê-las. Obviamente discordo da segunda, que é britânica. Os britânicos são muito hostis com certo tipo de literatura moderna, são muito convencionais.

FOLHA - Como em outras obras suas, "Invisível" está cheio de aforismos [leia abaixo]. Qual é o papel deste recurso em seu trabalho?
AUSTER
- Ah, é uma pergunta engraçada, porque nunca pensei em mim mesmo como um escritor aforístico. Essas declarações possivelmente condensam algo mais geral.

FOLHA - Como democrata e eleitor de Obama, como analisa os primeiros passos do governo dele?
AUSTER
- Continuo apoiando Obama, acho-o provavelmente um dos mais inteligentes e capazes presidentes que tivemos. O problema é que o país está terrivelmente dividido. A facção anti-Obama é muito grande e barulhenta, falando, atacando. É notável a serenidade que ele mantém, enquanto avança com suas leis. A reforma do sistema de saúde foi um passo importante, acho que o salvou. Se tivesse perdido, estaria em dificuldade. É um momento muito, muito maluco nos EUA. Dificilmente lembro de algo semelhante, pelo menos desde a Guerra do Vietnã, em que o país tenha ficado tão dividido.

FOLHA ONLINE
Leia a íntegra da entrevista e um trecho de "Invisível"
www.folha.com.br/101182


INVISÍVEL

Autor: Paul Auster
Tradução: Rubens Figueiredo
Editora: Companhia das Letras
Quanto: R$ 47,50 (280 págs.)

Mônica Bergamo - Folha de São Paulo - link (aqui)





bergamo@folhasp.com.br


STOKLOS DE CORES
Patrícia Araújo/Folha Imagem

Filha da atriz e diretora Denise Stoklos, Thais Stoklos optou pelas artes plásticas. Sua primeira exposição de desenhos, "As Fulaninhas", uma homenagem às mulheres brasileiras, pode ser vista na estação Clínicas do metrô até o dia 7 de maio. No dia 10, as obras da mostra se dividirão em dois endereços: as estações Tucuruvi e São Bento.

Anac fecha postos de atendimento

A Anac, agência que fiscaliza o setor aéreo, está fechando os postos de atendimento ao viajante que mantinha em dezenas de aeroportos do país. As reclamações contra as empresas aéreas, que eram feitas pessoalmente pelo usuário, terão que ser enviadas pela internet ou registradas por telefone, no 0800 do órgão. Já foram desativadas, por exemplo, unidades dos aeroportos de Belém, Natal, São Luís, Teresina e João Pessoa. Só dez postos serão mantidos (em Brasília, Guarulhos, Congonhas, Galeão, Curitiba, Porto Alegre, Confins, Salvador, Recife e Fortaleza).

DEVAGAR E SEMPRE
A desativação, gradual, já está gerando reclamações à própria Anac. A agência diz que o custo de manutenção de funcionários nos postos não compensa, diante da baixa demanda de alguns aeroportos. Afirma ainda acreditar que o desconforto dos passageiros será temporário. E compara as reações às que a clientela de bancos teve quando os caixas das agências foram substituídos por serviços eletrônicos. Demora - mas depois as pessoas se acostumam.

QUESTÃO DE SEGUNDOS
O comando da campanha de Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo de SP já comemora, como "grande vitória", a possibilidade de o PTB não fechar aliança formal com Geraldo Alckmin, do PSDB. O importante, de acordo com um dirigente do PT, não são os votos dos petebistas -mas sim o tempo de TV que deixariam de emprestar ao tucano.

QUESTÃO DE LEALDADE
O deputado Campos Machado, presidente do PTB de SP e antigo aliado de Alckmin, admite que, mesmo contra a sua vontade, a possibilidade existe " por causa de alguns dirigentes tucanos que não sabem o que é lealdade". O partido quer lançar Romeu Tuma (PTB-SP) para o Senado na chapa de Alckmin. Até agora, sem sucesso.

ASSINATURA
O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) anuncia hoje sua adesão ao projeto Ficha Limpa. Ele diz que apoia a proposta -que não o afeta, já que Cunha, embora responda ao processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), nunca foi condenado pela Justiça.



Ele afirma que dará detalhes da posição hoje, em sua página no Twitter.

BANDINHA LARGA
O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) obteve liminar ontem na 6ª Vara Cível de SP que obriga a Telefônica, a NET São Paulo, a Brasil Telecom e a Telemar Norte Leste a veicularem em suas publicidades de internet banda larga a ressalva de que a velocidade anunciada de acesso e tráfego "é nominal máxima". Ou seja, ela pode sofrer variações decorrentes de fatores externos, ficando mais lenta. A advertência deverá constar em todas as peças publicitárias e terá que ficar legível durante o tempo de veiculação na TV. As empresas que não cumprirem a decisão poderão ter a publicidade e o serviço suspensos, sob pena de multa diária de R$ 5.000.

EM ANÁLISE
A Telefônica diz que só se manifestará depois de analisar o processo. A NET e a Oi, empresa que controla a Brasil Telecom e a Telemar, não se manifestaram.

LONGO PRAZO
E o fim da validade dos cartões pré-pagos dos celulares será discutido hoje entre Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, e o ministro Luiz Paulo Barreto, da Justiça. Amanhã, o ministro se reúne com Eduardo Levy, diretor da Sinditelebrasil, que representa as operadoras de celulares -contrárias à proposta.

FOFINHO
Rodrigo Santoro terá que engordar dez quilos para viver Heleno, jogador de futebol e personagem principal do longa de José Henrique Fonseca.

BARBUDINHO
Também em nome do personagem, Fábio Assunção vai mudar o visual. Ele está deixando a barba crescer para viver um padre em "Amor Sujo", de Paulo Caldas, que começa a ser rodado no Recife na próxima semana. Enquanto isso, o ator passa uns dias de folga no exterior, ao lado da namorada.

CURTO-CIRCUITO
A ASSOCIAÇÃO DOS PROCURADORES do Estado de SP, presidida por Márcia Maria Gomes, oferece amanhã, às 20h30, jantar comemorativo da posse da nova diretoria e dos conselhos da entidade para o biênio 2010/2012, no Buffet França.
WALTER SALLES exibe hoje no San Francisco Film Festival, nos Estados Unidos, trechos do documentário que prepara sobre Jack Kerouac e o livro "On the Road".
O SHOPPING CIDADE JARDIM promove desfiles de moda hoje, a partir das 14h, durante a inauguração de sua nova ala de lojas.
A CANTORA Maria Gadú apresenta o show "Shimbalaiê" no dia 15 de maio, às 22h, no Credicard Hall. Classificação: 12 anos.
A JOALHERIA Cartier promove jantar hoje, às 20h, no Rodeio, para o lançamento de um novo relógio.
A VINÍCOLA Masciarelli promove jantar harmonizado com vinhos hoje, às 20h30, no restaurante Arola Vintetres.

com DIÓGENES CAMPANHA, LEANDRO NOMURA e LÍGIA MESQUITA

Projeto pode ferir liberdade na internet, dizem entidades - Folha de São Paulo - link (aqui)



Associações veem risco em anteprojeto de marco civil proposto pelo governo

Para especialistas, ideia de facilitar retirada de dados do ar pode levar a censura; governo diz que objetivo é definir responsabilidades

DA REPORTAGEM LOCAL

Entidades do setor de mídia apontam que a atual proposta de regulamentação da internet elaborada pelo Ministério da Justiça traz regras que configuram um tipo de censura à liberdade de expressão e de imprensa no ambiente da web.
O alerta das associações é para os artigos da minuta do projeto do marco civil da internet (lei com os direitos e deveres relativos à web) que criam um mecanismo de notificação eletrônica para que as pessoas que se sintam atingidas por publicações na rede possam requerer o bloqueio dos conteúdos.
Se um provedor não tomar providências após receber uma notificação para retirada de uma publicação na internet, passa a ser o responsável pelos prejuízos que ela causar a terceiros, de acordo com o texto.
A presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Judith Brito, afirma que não é aceitável a ideia de que informações devam ser retiradas da internet toda vez que alguém se julgue prejudicado por elas.
Para Brito, as disposições da minuta sobre a remoção de conteúdo configuram um tipo de censura e violam o princípio constitucional da liberdade de expressão. "A esta altura do desenvolvimento e penetração das mídias digitais, já deveria estar claro para todos que valem para a internet os mesmos princípios e critérios aplicáveis a todos os meios de comunicação", diz a presidente da ANJ.
Eduardo Parajo, presidente da Abranet (Associação Brasileira de Internet), entidade representativa dos provedores no país, diz que as propostas de regras sobre bloqueio de conteúdo na rede criam um risco para as empresas do setor.
"Podemos cair no problema de ferir a liberdade de expressão das pessoas. Não temos o papel de ficar julgando ou tomando posição em favor de A ou B. Se alguém se sentir ofendido com determinado conteúdo, tem mecanismos legais para buscar as medidas contra a ofensa. Não devemos ser os juízes desse jogo", diz.
O secretário interino de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Felipe de Paula, afirma que o objetivo das regras é permitir a definição de responsabilidades pelos conteúdos veiculados na web, uma vez que, após uma notificação, o autor da publicação pode pedir o retorno do conteúdo à web, caso assuma a "paternidade" da publicação para fins legais.
"Nosso objetivo não é identificar todo mundo na rede, mas estabelecer um mecanismo de identificação quando houver um conflito", diz o secretário.
O aumento das janelas para a retirada de conteúdos considerados ilegais, como mensagens racistas ou de apologia ao racismo, é apontada por Celso Augusto Schröder, coordenador-executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, como uma das principais qualidades do anteprojeto.
Schröder concorda que o atual texto do marco civil pode gerar constrangimentos à liberdade de expressão na web, mas afirma que tal efeito negativo pode ser evitado com a edição de leis específicas sobre as publicações de imprensa na rede. "Os conteúdos de mídia na internet precisam ser submetidos às regras de mídia", diz.
O anteprojeto do marco civil está disponível para discussão pública no site www.culturadigital.br/marcocivil.
A fase de debate na internet vai até 23 de maio. Após essa data, o Ministério da Justiça pretende preparar a redação final do projeto de lei e encaminhá-lo ao Congresso. Se for aprovado, o texto entra em vigor como lei ordinária.
(FLÁVIO FERREIRA)


INTERNET: BRASIL É LÍDER EM SOLICITAÇÕES DE RETIRADA DE INFORMAÇÕES DO GOOGLE

O Brasil é o líder no ranking dos países que mais pedem a retirada de conteúdos ou informações sobre usuários da ferramenta de buscas na internet Google. Até a sexta-feira, a página www.google.com/governmentrequests indicava 291 requerimentos de remoção de publicações e 3.663 pedidos de dados sobre clientes de serviços ou produtos da ferramenta de procura na web.

Janio de Freitas - Folha de São Paulo - link (aqui)




Entre Lula e Ciro

Lula simplesmente preferiu nem conversar com Ciro e estimulou o bota-fora de sua candidatura pelo PSB



A RETIRADA DE CIRO Gomes da disputa pela Presidência obteve a repercussão que faltou à entrada, mas o que se passou entre os dois extremos, e determinou o desfecho, não ficou esclarecido. Apesar das indicações de que a relação política e pessoal entre Lula e Ciro acompanhou o percurso da candidatura pretendida, o que sugeria haver no caso mais do que uma ambição individual. Algo relativo ao próprio processo sucessório.
Algumas partes desse algo já se oferecem como esclarecimento preliminar. Partes que se iniciam com o propósito de Lula de ver Ciro Gomes -"um companheiro em quem tenho absoluta confiança"- com seu domicílio eleitoral transferido para São Paulo e candidato ao governo paulista. Ciro não aderiu com entusiasmo à perspectiva paulista, embora natural de São Paulo, mas fez a transferência de domicílio. A ideia não se restringia forçosamente a essa candidatura.
Lula entrara no processo sucessório com dois problemas ásperos. Se, no PT, parecia-lhe só haver Dilma Rousseff para atender às condições de sua preferência, também lhe faltava alternativa para a eventualidade de que ela, por qualquer motivo, não se adequasse à candidatura ou à campanha. Além disso, havia (e ainda há) a problemática escolha do vice, cuja destinação natural para o PMDB não era (e não é) do agrado de Lula. Também aí seria conveniente dispor de alternativa.
Ciro Gomes tem um potencial eleitoral interessante, quase misterioso. Mesmo desaparecido do noticiário e de eventos políticos por mais de três anos, desde as primeiras pesquisas públicas, nessa nova sucessão, figurou com bons percentuais. Ocupou o segundo lugar antes que Lula acelerasse a exposição de Dilma como candidata insinuada. No terceiro lugar, e ainda sem fazer "pré"-campanha, seus percentuais expressaram numerosa quantidade de votos. As pesquisas anteriores do governo não deixariam de indicar a Lula o potencial do seu ex-ministro.
As menções de Lula à candidatura de Ciro ao governo de São Paulo já prestavam o serviço, muito necessário àquela altura, de desanuviar as desconfianças quanto a seus reais projetos para a sucessão e, em particular, quanto à candidatura de Dilma. O bom entendimento de Lula e Ciro, tantas vezes citado e exibido em encontros periódicos, abria uma das frentes da desconfiança. E, no caso de efetivar-se, a candidatura paulista de Ciro lhe ofereceria uma projeção muito útil, para a eventualidade de se tornar candidato à sucessão presidencial. Com o serviço adicional de resolver os embaraços de Lula entre os petistas pretendentes a suceder José Serra.
A partir dessa altura, dois fatos se misturaram em um só resultado. Quando Aloizio Mercadante fez de público sua renúncia ética à liderança do governo no Senado, Lula salvou-se desse fato desmoralizador com o que o próprio Mercadante, no seu recuo, disse ser "um apelo a que não podia recusar". Não se esclareceu o que Lula lhe disse, mas consta, com imensa probabilidade de acerto, haver sido a necessidade de tê-lo como candidato ao governo de São Paulo. O que Mercadante sempre quis e Lula jamais quis. Cada qual abriu mão de si mesmo. E Ciro, de sua parte, informado ou não da concessão feita por Lula para contornar o desastre, fixou-se na ideia da candidatura à Presidência como compatível com as diferentes perspectivas anteriores.
Do ponto de vista de Ciro Gomes, Dilma Rousseff não é uma candidatura consolidada. Continuar candidato, e trabalhando como tal, seria a tática correta para acompanhar o encaminhamento, em qualquer sentido, da disputa sucessória. Mas o PSB tem seu lado de PMDB, com o governador pernambucano querendo aderir logo ao bloco de Lula, e outros dirigentes de olho nos altos cargos atuais e futuros. Lula, por sua vez, simplesmente preferiu nem conversar com Ciro e, também consta, estimulou o bota-fora de sua candidatura pelos dirigentes do PSB.
Não é muito certo que o episódio termine aí, mas já houve o bastante para explicar parte da ira de Ciro Gomes.

Relator é contra rever Lei da Anistia para punir torturador - Folha de São Paulo - link (aqui)




Para Eros Grau, pacto político foi "bilateral" e permitiu redemocratização do país

STF retoma hoje julgamento de ação da OAB que pede mudança na legislação para que ex-agentes da ditadura possam responder por crime



Luiz Adams, advogado-geral da União, no STF; ao fundo, Eros Grau, Britto e Celso de Mello

FELIPE SELIGMAN
LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Eros Grau, relator da ação que questiona a Lei da Anistia, votou ontem contra a ação que pede que a lei seja revista para que agentes de Estado acusados de torturar opositores na ditadura militar (1964-85) sejam punidos.
A sessão, contudo, foi interrompida após o voto do relator, que durou quase três horas. O julgamento será retomado hoje à tarde. Oito ministros ainda precisam votar. Ontem à noite os membros da corte teriam jantar com o presidente Lula.
Segundo Eros Grau, ele próprio uma das vítimas da ditadura -foi preso e torturado durante os anos 1970-, a lei foi "bilateral", beneficiando todos os lados no período. Ainda de acordo com ele, a anistia foi um grande pacto político que serviu como ponte para a redemocratização e só não foi tão ampla porque, à época, não se contemplou os já condenados por crimes como terrorismo.
"Nem mesmo o Supremo Tribunal Federal está autorizado a reescrever leis de anistia. Só o Congresso Nacional poderia fazer isso", disse o ministro, que revisitou todas as anistias já editadas no Brasil, além de casos semelhantes em países da América Latina.
Mesmo afirmando que os crimes estão perdoados, Eros Grau, que deixa o tribunal em agosto, quando se aposenta, afirmou que "eles não devem ser esquecidos". "É necessário dizer, vigorosa e reiteradamente, que a decisão (...) não exclui o repúdio a todas as modalidades de tortura, de ontem e de hoje, civis ou militares".
Ao final, o presidente do STF, Cezar Peluso, e os ministros Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes elogiaram o voto do relator, que chegou a se emocionar ao concluir sua argumentação. A tendência do tribunal é seguir a posição apresentada ontem. Não participam do caso os ministros Joaquim Barbosa, de licença médica, e José Antonio Dias Toffoli, impedido por ter atuado no processo como advogado-geral da União.
A sessão de ontem marcou a estreia de Peluso na presidência do tribunal. Ele substituiu o colega Gilmar Mendes, que voltou à bancada dos ministros.
A ação que pede a revisão da Lei da Anistia foi proposta pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entidade que apoiou a elaboração da lei, em 1979, mas que em 2008 questionou na corte a sua extensão e passou a defender a possibilidade de punir militares que praticaram atos de tortura.

Racha
A polêmica sobre a Lei da Anistia causou um racha no governo Lula. O assunto vem sendo discutido desde 2007.
A AGU (Advocacia-Geral da União) e ministérios como Defesa e Itamaraty são contrários à mudança. Por outro lado, Casa Civil, Ministério da Justiça e Secretaria de Direitos Humanos defendem a responsabilização dos torturadores.
Nelson Jobim (Defesa) defendeu que a lei trouxe "conciliação e pacificação" e foi essencial para restabelecer a democracia. O outro lado, encabeçado pelo ex-ministro da Justiça Tarso Genro e Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) diz que a lei protege torturadores. Ontem, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, argumentou que a anistia foi um pacto que não pode ser revisto.
A decisão do STF não esgotará a discussão. Nos dias 20 e 21 de maio, a Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) poderá condenar o Brasil por sua legislação. O julgamento será específico sobre a guerrilha do Araguaia, mas a Lei da Anistia brasileira também será analisada.

Renata Lo Prete - Folha de São Paulo - link (aqui)







RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br


Aqui e ali

Ouvido pela rádio Gaúcha, Fernando Pimentel, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, prescreveu para a candidata "respostas mais objetivas e curtas, sob pena de terminar uma entrevista sem conseguir passar o recado inteiro". Sua fala nada teve de alarmista, descrevendo o momento atual como preparação para que "em julho ela esteja em ponto de bala". Ainda assim, foi o primeiro reconhecimento público da necessidade de ajustes -que petistas sem voz ativa na campanha reivindicam há quase um mês.
Também ontem, Ricardo Kotscho, ex-secretário de Imprensa de Lula, escreveu em seu blog que "Dilma começou a campanha com tropeços verbais, agenda errática, coordenação inchada e mau uso da estrutura de internet, que mais atrapalha do que ajuda".



Contexto 1. Duda Mendonça, que recomendou em palestra na terça "deixar Dilma ser como ela é", tentou em janeiro oferecer seus serviços à candidata do PT -assim como já havia tentado se aproximar de José Serra (PSDB). O movimento foi abortado por Lula, que impôs João Santana na comunicação.

Contexto 2. O marqueteiro do mensalão, segundo quem "com Serra ou Dilma a gente está bem servido", tem contas tanto no governo federal quanto no de São Paulo.

Solidário. De Aécio Neves, que recebeu Serra ontem em Minas Gerais: "Ciro Gomes tem três grandes qualidades: é probo, preparado e pensa o Brasil. Sua saída da disputa presidencial empobrece o debate. Espero que ainda tenhamos a oportunidade de construir coisas juntos".

#prontofalei. Surpreendido com as falas enxutas (não mais do que dois minutos cada) de Rodrigo Maia (DEM) e Roberto Freire (PPS) em Uberlândia, Serra brincou: "Esses dois aprenderam a fazer discurso-Twitter".

Chá verde. Presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Kátia Abreu (DEM-TO) convidou Marina Silva (PV-AC) para um encontro. Quer ouvir a opinião da colega de Senado e candidata ao Planalto sobre o projeto Bioma, resultado de parceria da entidade do agronegócio com a Embrapa.

Estica... Opção única de palanque para Serra em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) avisou aos tucanos que não topa disputar o governo. Reclamou da dificuldade em engajar prefeitos, que não querem se opor ao governador Eduardo Campos (PSB). E ainda alfinetou Sérgio Guerra, coordenador da campanha tucana, por resistir à ideia de buscar novo mandato no Senado, uma das exigências de Jarbas para concorrer.

...e puxa. Depois de uma conversa tensa, os tucanos conseguiram empurrar a decisão de Jarbas para a semana que vem com um único objetivo: que Serra entre em campo para tentar convencê-lo.

Acertos. A engenharia que levou o governador Paulo Hartung (PMDB) a rifar Ricardo Ferraço (PMDB) e apoiar Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo tem como pano de fundo, além do receio de fiasco eleitoral, os ajustes entre PSB e PT. O acordo capixaba prevê que os petistas indicarão o vice, à espera de reciprocidade em outras praças, como São Paulo.

Sombra. O deputado Augusto Farias, irmão de PC, é um dos petebistas cotados para vice de Ronaldo Lessa (PDT) ao governo de Alagoas. O outro nome em discussão é do ex-deputado João Lyra.

Tintas. Relatório do senador ACM Júnior (DEM-BA) na Comissão de Constituição e Justiça sobre o projeto de capitalização da Petrobras, considerado pelo governo o mais importante do pré-sal, recomenda a rejeição da proposta por suposta inconstitucionalidade. O texto ficou pronto depois de o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), ter afirmado que "vai para o pau" contra a oposição.


com SILVIO NAVARRO e ANDREZA MATAIS

Tiroteio

O Serra parece o gênio da lâmpada: promete tudo. Daqui a pouco, vai prometer o céu e a lua embrulhados em papel de presente.
De VANESSA GRAZZIOTIN (AM), líder do PC do B na Câmara, sobre a proposta do tucano de tornar perene a Zona Franca de Manaus.


Contraponto

Toma lá, dá cá Em recente discurso na reserva Raposa-Serra do Sol, Lula reprovou "aqueles que ainda dizem ter pouco índio para muita terra" e criticou os arrozeiros que ocupavam a região. De repente, o presidente se deu conta de que, tão logo terminasse de falar, teria uma reunião a portas fechadas com o conselho indígena. Ele então interrompeu o discurso, olhou para os representantes das diferentes etnias e comentou, despertando gargalhada geral:
-A gente começa a descobrir que os índios estão muito mais sabidos do que a gente pensa... Eles me entregaram com uma mão um documento agradecendo e com a outra mais 20 documentos reivindicando...

Kenneth Maxwell - Folha de São Paulo - link (aqui)




As eleições britânicas

NA PRÓXIMA quinta-feira, os britânicos irão às urnas para uma eleição geral. A campanha foi curta. Pelos padrões norte-americanos, ou até brasileiros, também foi relativamente barata.
Não há, por exemplo, comerciais pagos de televisão, embora os partidos recebam horários para propaganda eleitoral gratuita. A batalha pelo voto é disputada distrito a distrito, por candidatos locais, e vence em cada distrito o candidato mais votado, mesmo que não obtenha mais de 50% dos votos.
Pesquisas de opinião são notoriamente ineficientes na previsão dos resultados. O Partido Trabalhista tradicionalmente conquista mais assentos no Parlamento com menos votos que os conservadores, e os liberais-democratas tendem a eleger apenas metade do número de parlamentares que seus números nas pesquisas nacionais parecem indicar.
Na mais recente eleição geral, os trabalhistas conquistaram 32,5% dos votos, mas 55% dos assentos parlamentares; os conservadores, com 32,4% dos votos, obtiveram 31% dos assentos; os liberais-democratas, com 22% dos votos, ficaram com apenas 10% dos assentos.
Neste ano, o resultado é ainda mais incerto do que em qualquer momento desde a metade dos anos 70. Isso vem de dois fatores. O primeiro é o impacto dos primeiros debates televisivos entre líderes partidários na história britânica.
Os debates na televisão opuseram o primeiro-ministro, Gordon Brown, e o líder do Partido Conservador, David Cameron, a Nick Clegg, o ágil e atraente líder dos sociais-democratas.
Nick Clegg, para grande surpresa de todos, fez com que Gordon Brown parecesse cansado e David Cameron parecesse inexperiente.
Também promoveu uma mudança mais sutil no tom da discussão. É evidente que ele não se apega tanto a muitas das velhas fórmulas da política britânica. Clegg se sente confortável quanto à integração com a Europa e é casado com uma advogada espanhola.
Como isso se traduzirá em resultados eleitorais é questão que resta decidir. As pesquisas de opinião desta segunda-feira mostravam 32% para os conservadores, 31% para os liberais-democratas e 28% para os trabalhistas nas intenções de voto.
Esse equilíbrio estreito provocou debates acalorados, já que negaria a qualquer dos três grandes partidos maioria clara na Câmara dos Comuns e produziria um Parlamento "empatado", no qual negociações seriam inevitáveis.
Os liberais-democratas sempre defenderam uma grande reforma do sistema, de modo a permitir que as preferências dos eleitores fossem representadas de maneira mais justa na composição do Parlamento.



Tradução de PAULO MIGLIACCI

Carlos Heitor Cony - Folha de São Paulo - link (aqui)





O frágil lenho


RIO DE JANEIRO - Costumo dizer, sem nenhuma originalidade, que a era do computador ainda está na Pré-História. Nossos equipamentos, por mais sofisticados que sejam, são equivalentes aos dinossauros que habitavam a Terra antes do Dilúvio. O que vem por aí não se sabe.
A tecnologia tem disso, o elemento surpresa, que nem sempre é bom -dependendo do uso que dele se faz. A indústria nuclear, por exemplo, é um osso atravessado na garganta da humanidade, mais especificamente da ciência. Mesmo nos avanços mais inocentes, há sempre um velho do Restelo para amaldiçoar aquele que por primeiro colocou uma vela em frágil lenho -para citarmos Camões.
A cena é conhecida. A esquadra de Vasco da Gama preparava-se para zarpar rumo ao desconhecido quando um velho apareceu no cais, amaldiçoando a expedição, na qual tantos morreriam. O velho condenou quem teve a ideia de colocar uma vela de pano num barco de frágil lenho.
Pois tudo se resume a isso: alguém cisma de botar um pedaço de pano num troço feito de madeira e pronto, a era das navegações estava começando, com os fenícios, depois com portugueses, espanhóis, venezianos. E tivemos Marco Polo, Colombo, Américo Vespúcio e o mundo novo.
Qualquer barca que faz o percurso Rio-Niterói, tecnologicamente dá um banho nos navios mais sofisticados daquela época. A informática é comparada a um tipo de navegação. Navegar na internet é expressão aceita universalmente. E ainda estamos no estágio da vela de pano em frágil lenho.
Nossa geração, inclusive as crianças que agora estão nascendo, poderão repetir o espanto de dom Pedro 2º quando experimentou pela primeira vez o telefone. Assustado, o imperador pediu que tirassem "aquele homenzinho" que estava falando dentro do aparelho.

Eliane Cantanhêde - Folha de São Paulo - link (aqui)




"Encheção de linguiça"


BRASÍLIA - Os jornalistas brasileiros formularam ontem para Hugo Chávez uma pergunta que os colegas venezuelanos não têm como fazer a ele: "O presidente Lula completa dois mandatos com cerca de 80% de popularidade e sai do governo em janeiro de 2011. E o sr., quando entrega o cargo a um sucessor?".
Chávez fez cara de susto, Lula e seus ministros e assessores esconderam risinhos, e o venezuelano desatou a falar, falar, sem dizer nada, até confessar que não pretende largar o osso: "Não sei. Sei lá".
E, por falar em encher linguiça, foi exatamente isso que Brasil e Venezuela fizeram ontem, no Itamaraty, na assinatura de 21 atos. Um é importante, na área de energia. Alguns outros, mais ou menos. O resto é só para "dar volume", como admitiu um dos envolvidos diretos. Misturaram de orquestras a azeite, carne e embutidos -o que deu sentido literal à expressão "encheção de linguiça". E não faltou "o milho da Ponta do Boi". Um burocrata tinha escrito carne, e um ministro estranhou: "O que é isso?". Foi assim que a carne voltou a ser milho.
A agenda atrasou e estourou umas quatro horas, mas o que importou mesmo foi a conversa a sós entre Lula e Chávez, com dezenas de pessoas do lado de fora. Curiosas estavam, curiosas vão continuar.
No mais, não houve surpresa: Lula aproveitou para mais um discurso de campanha contra FHC e José Serra e deu mais um fora: ao falar de democracia, condenou os militares golpistas de outrora. Esqueceu que Chávez era coronel da ativa em 1992, quando tentou derrubar o presidente civil e legitimamente eleito da Venezuela?
O troco veio ao fim da solenidade e antes do almoço. Eram 16h15. Famoso por seus discursos intermináveis, à la Fidel, Chávez provocou Lula: "Tu hablas mucho!". Resumiu bem. Foi pouco ato para muito blablablá. Típica "encheção de linguiça", enquanto uma explosiva combinação de Farc, PCC e "Exército do Povo" sacode o Paraguai.

elianec@uol.com.br

Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)





A guerra que o Brasil deve travar


SÃO PAULO - Se o Brasil quer de fato tornar-se ator relevante no cenário global, tem a obrigação de envolver-se já na guerra que verdadeiramente moldará o futuro imediato do planeta, que não é a do Irã nem a do Oriente Médio. É a guerra governo x mercados.
O que a tragédia da Grécia põe em dramática evidência é a necessidade de deixar perfeitamente claro quem manda na economia. Se os governos, com a legitimidade que lhes dá a democracia, a melhor forma de organização até agora inventada, ou se os mercados, com a legitimidade que lhes dá o fato de serem a menos imperfeita forma de alocação de recursos, desde que -e a ressalva é absolutamente essencial- regulados pelo poder público.
Deixados soltos, os mercados tornam-se inexoravelmente "corsários fraudulentos", expressão ouvida anteontem no Senado dos EUA durante investigação sobre a Goldman Sachs, e que o leitor da Folha leu antes, incontáveis vezes, neste espaço ou no caderno Mundo.
Para essa guerra, há até um corpo de combate estabelecido, o G20, do qual o Brasil é parte -e parte relevante, ao contrário do que acontece em outros combates, em que implora por uma participação.
No G20, o Brasil, com outros emergentes, conseguiu a perspectiva de aumentar o peso de sua voz e de seus votos no FMI e no Banco Mundial. Mas, agora, o que fazer do FMI e do próprio G20?
Deveriam transformar-se em força de intervenção rápida, no caso grego, por exemplo, assim como o foram quando o setor privado começou a derreter na crise. Puseram uma catarata de dinheiro para amortecer a queda e salvar bancos, entre outras empresas.
Nada contra. Mas não é ainda mais relevante salvar países, quando acossados pelos "corsários fraudulentos", e, tão logo seja possível, subjugar as naus piratas antes que completem o saqueio?

crossi@uol.com.br

Chávez: ‘Quando deixar o poder? Não está previsto’ - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)




29/04/2010

De passagem por Brasília, Hugo Chávez foi submetido a uma pergunta que não está habituado a ouvir na Venezuela.

Quando pretende passar a presidência a um sucessor? Eis a resposta de Chávez:

"Quando vou entregar a meu sucessor? Não está previsto. Não tenho sucessor neste momento à vista. Não está prevista sucessão no curto prazo na Venezuela...”

“...Não está prevista na Constituição. Por quê? Porque é a vontade do povo. Quando vou entregar? Não sei".

Ao lado do companheiro eterno, Lula, ministros e assessores sorriram amarelo. Chavez prosseguiu:

"Me chamam de ditador, de tirano, mas fizemos 11 eleições em 10 anos e estamos nos preparando para a 12ª em setembro..."

Comparou a Venezuela à ex-colônia: "A Espanha é governada por um rei vitalício e um primeiro-ministro que pode se reeleger quantas vezes o povo queira".

Pediu respeito: "Temos de respeitar o princípio da soberania popular e dos Estados e a particularidade de cada país".

Antes, ao deixar o hotel, Chávez aproveitara a presença de repórteres para repisar seu apoio a Dilma Rousseff.

“Meu coração está aqui”, disse ele. Em seguida, pronunciou o nome de Dilma e lançou no ar um beijo.

Instado a dizer meia dúzia de palavras sobre o tucano José Serra, Chávez saiu de banda. Disse que não se imiscuiria em “assuntos internos do Brasil”.

Antes de embarcar para Brasília, Chávez pendurara uma mensagem inaugural no twitter. Mencionou o Brasil. E encerrou com um enigmático “venceremos”:

"Ôpa, como estão? Apareci como disse: à meia-noite. Vou ao Brasil. E muito contente por trabalhar pela Venezuela. Venceremos!!"

Mais cedo, falando à TV estatal da Venezuela, Chávez avisara que aderiria ao microblog à meia-noite.

Recomendou atenção aos venezuelanos: “Ali é que eu me solto”. Imagine você o que vem por aí.


Escrito por Josias de Souza às 06h11