domingo, 23 de maio de 2010

Bach - Brandenburg Concerto No. 3 in G BWV1048

Performed by Concerto Italiano
Conducted by Rinaldo Alessandrini



Bach / Art of fugue - Contrapunctus01 / Glenn Gould

J.S.Bach-Toccata e Fuga BWV 565-Karl Richter

Bar é arte - Gerard Byrne

http://www.londonart.co.uk/images/resizer.asp?path=5912\77215&width=800


Gerard Byrne

"Pink Lilies on the Coffee Table"

Oil on canvas ( 2009 )

Após a terceira dose - Bar é poesia





Na preguiça do domingo





(luiz alfredo motta fontana)





além do jornal

além da manhã

além do desalento



fogão de lenha

café coado

conversa fiada



que bom resistir

ainda que

na preguiça do domingo

Bar é arte - Olga Gouskova

http://www.londonart.co.uk/images/resizer.asp?path=1213\28910&width=800


Olga Gouskova

"Pomegranate"

Acryl on canvas ( 2001 )

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)







domingo, 23 de maio de 2010 | 07:00



A agonia do neoliberalismo


Vale, por um dia, começar além da política nacional, arriscando um mergulho lá fora. O que está acontecendo na França, onde carros, escolas, hospitais e residências comuns estão sendo queimados e saqueados? Qual a razão de multidões de jovens irem para as ruas, enfrentando a polícia e depredando tudo o que encontram pela frente? Tornando impossível a vida do cidadão comum, não apenas em Paris, mas em muitas cidades francesas, onde instaurou-se o caos. Por que?

É preciso notar que o protesto vem das massas, começando pelas massas excluídas, de negros, árabes, turcos e demais minorias que buscaram na Europa a saída para a fome, a miséria e a doença onde viviam, mas frustraram-se, cada vez mais segregados, humilhados e abandonados. Exatamente como em seus países de origem.

Não dá mais para dizer que essa monumental revolta é outra solerte manobra do comunismo ateu e malvado. O comunismo acabou. Saiu pelo ralo. A causa do que vai ocorrendo repousa precisamente no extremo oposto: trata-se do resultado do neoliberalismo. Da consequência de um pérfido modelo econômico e político que privilegia as elites e os ricos, países e pessoas, relegando os demais ao desespero e à barbárie.

Fica evidente não se poder concordar com a violência que grassa na França. Jamais justificá-la. Mas explicá-la, é possível. Povos de nações e até de continentes largados ao embuste da livre concorrência, explorados pelos mais fortes, tiveram como primeira opção emigrar para os países ricos. Encontrar emprego, trabalho ou meio de sobrevivência. Invadiram a Europa como invadem os Estados Unidos, onde o número de latino-americanos cresce a ponto de os candidatos a postos eletivos obrigarem-se a falar espanhol, sob pena de derrota nas urnas.

Preparem-se os neoliberais. Os protestos não demoram a atingir outras nações ricas. Depois, atingirão os ricos das nações pobres. O que fica impossível é empurrar por mais tempo com a barriga a divisão do planeta entre inferno e paraíso, entre cidadãos de primeira e de segunda classe. Segunda? Última classe, diria o bom senso.

Como refrear a multidão de jovens sem esperança, também de homens feitos e até de idosos, relegados à situação de trogloditas em pleno século XXI? Estabelecendo a ditadura, corolário mais do que certo do neoliberalismo em agonia? Não vai dar, à medida em que a miséria se multiplica e a riqueza se acumula. Explodirá tudo.

Fica difícil não trazer esse raciocínio para o Brasil. Hoje, 55 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, sobrevivendo com a metade desse obsceno salário mínimo de 300 reais. O governo Lula, eleito precisamente para mudar, manteve e até piorou a situação. Os bancos lucram bilhões a cada trimestre, enquanto cai o poder aquisitivo dos salários. Isso para quem consegue mantê-los, porque, apesar da propaganda oficial, o desemprego cresceu. São 18 milhões de desempregados em todo o país, ou seja, gente que já trabalhou com dignidade e hoje vive de biscates, ou, no reverso da medalha, jovens que todos os anos entram no mercado sem nunca ter trabalhado.

Alguns ingênuos imaginam que o bolsa-família e sucedâneos resolvem a questão, mas o assistencialismo só faz aumentar as diferenças de classe. É crueldade afirmar que a livre competição resolverá tudo, que um determinado cidadão era pobre e agora ficou rico. São exemplos da exceção, jamais justificando a regra de que, para cada um que obtém sucesso, milhões continuam na miséria.

Seria bom o governo Lula olhar para a França. O rastilho pegou e não será a polícia francesa que vai apagá-lo. Ainda que consiga, reacenderá maior e mais forte pouco depois. Na Europa, nos Estados Unidos e sucedâneos. Ainda agora assistimos um furacão destruir Nova Orleans, com os ricos e os remediados fugindo, mas com a população pobre, majoritária, submetida às intempéries, à morte e à revolta.

A globalização tem, pelo menos, esse mérito: informa em tempo real ao mundo que a saída deixada às massas encontra-se na rebelião. Os que nada tem a perder já eram maioria, só que agora estão adquirindo consciência, não só de suas perdas, mas da capacidade de recuperá-las através do grito de “basta”, “chega”, “não dá mais para continuar”.

Não devemos descrer da possibilidade de reconstrução. O passado não está aí para que o neguemos, senão para que o integremos. O passado é o nosso maior tesouro, na medida em que não nos dirá o que fazer, mas precisamente o contrário. O passado nos dirá sempre o que evitar.

Evitar, por exemplo, salvadores da pátria que de tempos em tempos aparecem como detentores das verdades absolutas, donos de todas a soluções e proprietários de todas as promessas.

Comercial antigo - Beatles Marlboro Cigarette Commercial

Charge do dia

http://www.bonde.com.br/folha/imgsistema/2010/05/img_1591.jpg


Jacobsen - Folha de Londrina - Londrina, PR

"Cuando ruedo, me olvido de Juliette Binoche" - el País, es - link (aqui)



ENTREVISTA: 63º Festival de Cannes JULIETTE BINOCHE Actriz


BORJA HERMOSO (ENVIADO ESPECIAL) - Cannes - 23/05/2010


Juliette Binoche


Juliette Binoche, esta semana en Cannes.
- AFP






Innegociablemente poliédrica en la manifestación de sus inquietudes artísticas, La Binoche hace cine y teatro, baila, pinta, diseña carteles de sus propias películas, escribe poesía y quizá alguna vez se decida a ponerse detrás de una cámara ("Me temo que ocurrirá un día", reconoce). En 1996 ganó el Oscar a la mejor actriz de reparto por su soberbia interpretación en El paciente inglés, pero para entonces ya había rodado a las órdenes de gente como Krzysztof Kieslowski (Azul), Louis Malle (Herida), André Téchiné (La cita) o Jean-Luc Godard (Yo te saludo, María). Supo que se había convertido en una estrella cuando en 1993 el presidente de la República, François Mitterrand, la invitó a cenar con él en el Elíseo. Rechazó la invitación. Todavía no era la actriz francesa mejor pagada de la historia aunque ya era la novia de Francia. La entrevista tiene lugar en una de las playas privadas de Cannes, donde Juliette Binoche (París, 1964) acaba de promocionar la película de Abbas Kiarostami Copie conforme: atención a un posible premio de interpretación en el palmarés de esta noche.

Pregunta. ¿Cómo se encuentra en un lugar tan mastodóntico como el Festival de Cannes? ¿No se siente, digamos, sobreexpuesta?

Respuesta. Sobreexpuesta... ¿por qué, ante qué?

P. Entrevistas, ruedas de prensa, cócteles, fiestas, comidas, cenas, promoción, promoción, pro-moción...

R. Es que cuando vengo procuro hacer lo mínimo, ¿sabe? Esta vez he hecho lo estrictamente necesario: pasé por la alfombra roja en la sesión de gala de mi película, Copie conforme, he dado unas pocas entrevistas, y ya está. El festival ha ido creciendo, eso sí, hay muchas fiestas, bueno, la verdad es que siempre las hubo... Pero sí creo que Cannes tiene que encontrar un equilibrio entre el comercio y el talento, entre el cine más comercial y el de directores llenos de talento y originalidad.

P. ¿Qué define a Cannes en relación a otros festivales? ¿Cuál es la diferencia, si la hay?

R. Que abre la mano para que el cine de autor pueda existir de verdad, y para que pueda ser vendido en todo el mundo. No hay muchos festivales que permitan eso. Cannes lo hace. Su apuesta tiene el mérito de no dirigirse precisamente al cine más fácilmente vendible, ¿sabe?

P. Cine en 3D, cine estrenado en Internet a la vez que en festivales, cine en el teléfono móvil... Da la sensación de que el cine se busca a sí mismo.

R. No, es el hombre el que se busca a sí mismo, no confundamos. No el cine, sino las personas que hacen el cine. Y es normal, el hombre no hace otra cosa que buscar y rebuscar, y lo hará hasta el final de los tiempos. No somos más que exploradores de nosotros mismos. No sabemos quiénes somos, no sabemos cuál es nuestro origen, podemos imaginarlo, tratar de adivinarlo, pero no lo conocemos. Y eso es lo apasionante del arte. Y del cine.

P. ¿Qué cosa?

R. Que nos permiten entrar en relación con otros yo distintos a los habituales.

P. Además de interpretar en el cine, usted baila, pinta y escribe poesía. ¿Lo hace porque esas facetas le permiten expresarse de una forma que el cine no le deja?

R. No sé. Sí sé que el arte solo vale cuando nos permite olvidarnos de nosotros mismos. Si cuando uno crea algo no logra olvidarse, no está en el buen camino.

P. ¿Le ocurre cuando rueda? ¿Se olvida de Juliette Binoche?

R. Claro que sí, cuando ruedo me olvido de ella y no sé lo que va a pasar. Y ese misterio y ese olvido de mí misma me apasionan.

P. Debe de resultar placentero olvidar que uno es uno. ¿Lo es para usted, le encuentra placer?

R. Sííí... Bueno, cuidado, es muy, muy placentero cuando de repente, en medio de una toma, tocas algo mágico dentro de ti que no conocías e intuyes que lo has logrado, que has triunfado. Pero cuando te das cuenta de que fracasas es tremendo, muy humillante.

P. Aquí mismo Javier Bardem dijo que su trabajo consistía en "ser" más que en "ser actor", aunque eso era tremendamente difícil. ¿Coincide con él?

R. [Risa nerviosa]. Claro, claro.

P. ¿Y? En su papel de Copie conforme, de Abbas Kiarostami, ¿ha conseguido usted ser?

R. Eso me lo tendrá que decir usted.

P. Yo no puedo saberlo. Usted ha rodado con grandes cineastas, Kieslowski, Godard, Téchiné, Malle, Haneke, Boorman, Minghella... ¿Qué tiene Kiarostami de especial, si lo tiene?

R. Bueno, esta película nació de una amistad. La verdad es que yo no sabía si iba a acabar rodando con él: él es iraní, yo francesa; él solo habla farsi, yo no lo hablo... Me resultaba bastante improbable trabajar con él, aunque adoraba sus películas y además le había conocido precisamente en Cannes, a través de Jean-Claude Carrière. Abbas me pidió que fuera a Teherán, y fui, y comprobé por mí misma, no a través de los medios de comunicación, cómo es ese país, lo hospitalarios que son los iraníes, cómo les apasiona el arte, cómo están llenos de alegría de vivir... ¡En eso se parecen mucho a los italianos! Durante mi visita, se me acercaron tres mujeres que vestían burka, todo de negro de la cabeza a los pies, ¡y se me acercaron y me empezaron a tocar y a pedir autógrafos y a gritarme: "Hemos visto sus películas"!

P. ¿Quizá por eso Kiarostami decidió rodar en la Toscana su primera película fuera de Irán?

R. Abbas se encuentra muy cómodo en Italia, se siente un poco en casa, es el país europeo en el que mejor se siente.

P. En Copie conforme nada es lo que parece, los personajes se mueven entre verdad y mentira, entre apariencia y realidad... Un poco como en la vida, siempre entre dos orillas, ¿no?

R. Eso es. Nosotros también mentimos. Aunque la mentira tenga ese componente de culpa tan grande. Sin embargo, fíjese, los niños no le dan tanta importancia a esas diferencias entre crear y contar, entre inventar cosas y decir las verdades. El niño establece la relación entre esos dos mundos de forma natural. Pero perdemos muy pronto esa capacidad, por culpa de nuestra educación, de lo que es malo y lo que es bueno.

P. Usted es madre de dos niños. ¿Cree que la infancia es el estado puro de la verdad y que luego, con la edad adulta, llega irremisiblemente la mentira?

R. A mí me gusta esa frase que dice "el amor te hace virgen". O sea, que la verdad no tiene que ver con el tiempo, sino con nuestro estado interior.



En el euro se decide el destino de la UE - El País, es - link (aqui)







JÜRGEN HABERMAS
23/05/2010



Merkel, a la  salida del Parlamento alemán


Merkel, a la salida del Parlamento alemán tras el debate sobre el rescate del euro.- AP



El filósofo alemán Jürgen Habermas exige a los Estados una mayor implicación política para defender a la UE de los ataques financieros y muestra que la Alemania actual no está en el mejor momento para asumir el liderazgo


Días decisivos: Occidente celebra el 8 de mayo y Rusia el 9 de mayo la victoria sobre la Alemania nacionalsocialista; también aquí, en Alemania, se habla de día de la liberación. Este año, las fuerzas de la alianza que lucharon contra Alemania (con la participación de una unidad polaca) celebraron conjuntamente un desfile de la victoria. En la Plaza Roja de Moscú Angela Merkel estaba justo al lado de Vladímir Putin. Su presencia confirmaba el espíritu de aquella nueva Alemania surgida en la posguerra, cuyas distintas generaciones no han olvidado que también fueron liberadas, a costa de los mayores sacrificios, por el Ejército ruso.

La canciller llegó desde Bruselas, donde había tratado de una derrota de un tipo completamente distinto. La imagen de la conferencia de prensa en la que se anunció la decisión de los jefes de Gobierno de la UE sobre el fondo de rescate común para contrarrestar los ataques al euro traicionaba la convulsa mentalidad no de aquella nueva Alemania, sino de la Alemania de hoy. La chirriante foto muestra las caras petrificadas de Merkel y Nicolas Sarkozy: unos jefes de Gobierno exhaustos que ya no tienen nada que decirse. ¿Acabará siendo esa foto el referente iconográfico del fracaso de una manera de ver Europa que ha marcado su historia durante más de medio siglo?

Mientras que en Moscú Merkel estaba a la sombra de la tradición de la antigua República Federal, este 8 de mayo pasado, en Bruselas, la canciller dejaba tras sí algo distinto: la lucha de semanas de una empedernida defensora de los intereses nacionales del Estado económicamente más poderoso de la UE. Apelando al ejemplo de la disciplina presupuestaria alemana, había bloqueado una acción conjunta de la Unión que habría respaldado a tiempo la credibilidad de Grecia frente a una especulación que buscaba la quiebra del Estado. Una serie de declaraciones de intenciones ineficaces había impedido una acción preventiva conjunta. Grecia como un caso aislado.

Hasta que no se ha producido la última conmoción bursátil, la canciller no ha cedido, ablandada por el masaje anímico colectivo del presidente de Estados Unidos, del Fondo Monetario Internacional y del Banco Central Europeo. Por temor a las armas de destrucción masiva de la prensa amarillista parecía haber perdido de vista la potencia de las armas de destrucción masiva de los mercados financieros. No quería de ninguna manera una eurozona sobre la que el presidente de la Comisión Europea, José Manuel Barroso, pudiera decir al día siguiente: quien no quiera la unificación de las políticas económicas, debe olvidarse también de la Unión Monetaria.

La cesura. Desde entonces, todos los afectados empiezan a vislumbrar el alcance de la decisión que se tomó el 8 de mayo de 2010 en Bruselas. Las medidas de emergencia sobre el euro adoptadas de la noche a la mañana han tenido consecuencias distintas de las de todos los bail outs habidos hasta la fecha. Como ahora es la Comisión quien suscribe los créditos en los mercados representando a la Unión Europea en su conjunto, este mecanismo de crisis se ha convertido en un instrumento de comunidad que transforma las bases económicas de la Unión Europea.

El hecho de que a partir de ahora los contribuyentes de la zona euro avalen solidariamente los riesgos presupuestarios del resto de los Estados miembros supone un cambio de paradigma. Se ha tomado conciencia así de un problema reprimido desde hacía mucho tiempo. La crisis financiera, amplificada a crisis de Estado, nos trae el recuerdo de los errores originales de una Unión Política incompleta que se ha quedado a mitad de camino. En un espacio económico de dimensiones continentales, sumamente poblado, surgió un Mercado Común con una moneda parcialmente común, sin que al mismo tiempo se introdujeran competencias que sirvieran para coordinar eficazmente las políticas económicas de los Estados miembros.

Hoy ya nadie puede rechazar de plano, calificándola de irrazonable, la exigencia formulada por el presidente del Fondo Monetario Internacional de un "gobierno económico europeo". Los modelos de una política económica "conforme a las reglas" y de un presupuesto "disciplinado", según lo establecido en el Pacto de Estabilidad, no están a la altura de los desafíos de una adaptación flexible a constelaciones políticas en rápida transformación. Claro que hay que sanear los presupuestos nacionales. Pero no se trata únicamente de las trapacerías griegas o de las ilusiones de bienestar españolas, sino de una equiparación político-económica de los niveles de desarrollo dentro de un espacio monetario con economías nacionales heterogéneas. El pacto de Estabilidad, que precisamente Francia y Alemania tuvieron que dejar en suspenso en 2005, se ha convertido en un fetiche. No bastará con endurecer las sanciones para equilibrar las consecuencias no deseadas de la deseada asimetría entre la completa unificación económica de Europa y su incompleta unificación política.

Incluso la sección de Economía del Frankfurter Allgemeine Zeitung considera que "la unión monetaria está en la encrucijada". El periódico atiza con un escenario de horror la nostalgia por el marco alemán en contra de los "países con monedas débiles", mientras que una amoldable canciller habla repentinamente de que los europeos deben buscar "una mayor integración económica y financiera". Pero no hay, a lo ancho y a lo largo, huella alguna de la conciencia de una profunda cesura. Unos confunden la conexión causal entre la crisis del euro y la crisis bancaria y apuntan exclusivamente el desastre a la falta de disciplina presupuestaria. Otros se afanan denodadamente en reducir el problema de la falta de coordinación entre las políticas económicas nacionales a una mera cuestión de mejora de la gestión.

La Comisión Europea quiere que el fondo de rescate, de duración limitada, se mantenga a largo plazo, además de inspeccionar los planes presupuestarios nacionales, incluso antes de que estos se hayan sometido a los parlamentos nacionales. No es que estas propuestas sean descabelladas. Pero es una falta de vergüenza sugerir que semejante intervención de la Comisión en el derecho presupuestario de los parlamentos no tocaría los tratados y no aumentaría de forma inaudita el déficit democrático que se arrastra desde hace tanto tiempo. Una coordinación eficaz de las políticas económicas debe conllevar un reforzamiento de las competencias del Parlamento de Estrasburgo; también planteará, en otros ámbitos políticos, la necesidad de una mejor coordinación.

Los países de la zona euro se enfrentan a la alternativa entre una profundización de la cooperación europea y la renuncia al euro. No se trata de la "vigilancia recíproca de las políticas económicas" (Trichet), sino de una actuación común. Y la política alemana está mal preparada para esto.

Cambio generacional y nueva indiferencia. Tras el Holocausto, hicieron falta esfuerzos de décadas -desde Adenauer y Heinemann, pasando por Brandt y Helmut Schmidt, hasta Weizsäcker y Kohl- para el retorno de la República Federal al círculo de las naciones civilizadas. No bastaba con la astuta táctica marcada por el ministro de Exteriores, Hans Dietrich Genscher, de orientarse a Occidente por razones de oportunidad. Era precisa una transformación, infinitamente trabajosa, de la mentalidad de toda la población. Lo que acabó por propiciar un talante conciliador en nuestros vecinos europeos fueron, en primer término, la transformación de las convicciones normativas y el cosmopolitismo de las generaciones más jóvenes, crecidas en la República Federal. Y, naturalmente, en la actividad diplomática marcaron la pauta las convicciones creíbles de los políticos en activo durante aquella época.

El manifiesto interés de los alemanes por una unificación europea pacífica no era suficiente para desactivar la desconfianza hacia ellos, históricamente fundamentada. Los alemanes occidentales parecían conformarse con la división nacional. A ellos, con el recuerdo de sus excesos nacionalistas, no habría de resultarles difícil renunciar a la reivindicación de sus derechos de soberanía, asumir en Europa el papel del principal contribuyente neto y, si hacía falta, adelantar créditos que, en cualquier caso, redundaban en beneficio de la República Federal. El compromiso alemán, para ser convincente, tenía que tener un arraigo normativo. Jean-Claude Juncker ha descrito bien esa prueba de esfuerzo cuando, en alusión al frío cálculo de intereses de Angela Merkel, echaba en falta la disposición a "aceptar riesgos en la política interna en pro de Europa".

La nueva intransigencia alemana tiene raíces profundas. Ya con la reunificación se transformó la perspectiva de una Alemania que había crecido y se ocupaba de sus propios problemas. Más importante fue la quiebra de las mentalidades que se produjo tras la marcha de Helmut Kohl. Con la excepción de un Joschka Fischer prematuramente agotado, desde la toma de posesión de Gerhard Schröder gobierna una generación normativamente desarmada que permite que una sociedad cada vez más compleja le imponga un trato cortoplacista con los problemas del día a día. Consciente de la reducción de los márgenes de juego político, renuncia a fines y a intenciones de transformación política, por no hablar de un proyecto como la unificación de Europa.

Hoy las élites alemanas disfrutan de una recuperada normalidad nacional estatal. Al final de un largo camino hacia Occidente han adquirido su certificado de madurez democrática y pueden volver a ser como los demás. Ha desaparecido aquella nerviosa disposición a acomodarse con mayor prontitud a la constelación posnacional de un pueblo vencido también moralmente y obligado a la autocrítica. En un mundo globalizado todos deben aprender a incorporar a la propia perspectiva la de los otros, en vez de retraerse a la mezcla egocéntrica de esteticismo y optimización del beneficio. Un síntoma político del retroceso de la disposición a aprender son las sentencias sobre los tratados de Maastricht y Lisboa del Tribunal Constitucional alemán, que se aferran a superados dogmatismos jurídicos relativos a la soberanía. La mentalidad del ensimismado coloso centroeuropeo, que gira en torno a sí misma y que carece de ambición normativa, ya no es ni siquiera garantía de que la Unión Europea se mantendrá en su tambaleante status quo.

La adormecida conciencia de crisis. Cambiar de mentalidad no es razón alguna para hacer reproches; pero la nueva indiferencia tiene consecuencias para la percepción política del desafío actual. ¿Quién está realmente dispuesto a sacar de la crisis bancaria aquellas conclusiones que la cumbre del G-20 de Londres plasmó en bellas declaraciones de intenciones... y a luchar por ellas?

Por lo que respecta a la doma del asilvestrado capitalismo financiero, nadie puede engañarse sobre la voluntad mayoritaria de las poblaciones. Por primera vez en la historia del capitalismo, en el otoño de 2008 sólo pudo salvarse la columna vertebral del sistema económico mundial, impulsado por los mercados financieros, gracias a las garantías de los contribuyentes. Y este hecho -que el capitalismo no pueda ya reproducirse por sus solas fuerzas- se ha fijado desde entonces en las conciencias de los ciudadanos que, como ciudadanos-contribuyentes, tuvieron que salir fiadores del fracaso del sistema.

Las exigencias de los expertos están sobre la mesa. Se está hablando sobre el aumento de los fondos propios de los bancos, una mayor transparencia para las actuaciones de los fondos especulativos de inversión, la mejora de los controles de las bolsas y las agencias de calificación de riesgos financieros, la prohibición de instrumentos especulativos llenos de imaginación pero dañinos para las economías nacionales, la imposición de una tasa a las transacciones financieras, el reforzamiento de las provisiones bancarias, la separación de la banca de inversión y comercial o la disgregación preventiva de los complejos bancarios demasiados grandes para caer. En la cara de Josef Ackermann, presidente del Deutsche Bank y astuto lobbista mayor de la banca alemana, se reflejaba un cierto nerviosismo cuando la periodista televisiva Maybrit Illner le daba a elegir entre algunos de estos "instrumentos de tortura" de los legisladores.

No es que la regulación de los mercados financieros sea tarea sencilla. Para llevarla a cabo también se requiere, sin duda, el conocimiento especializado de los banqueros más taimados. Pero las buenas intenciones fracasan no tanto por la complejidad de los mercados como por la pusilanimidad y falta de independencia de los Gobiernos nacionales. Fracasan por una apresurada renuncia a una cooperación internacional que se ponga como fin el desarrollo de las capacidades de actuación políticas de las que se carece... y ello en todo el mundo, en la Unión Europea y en primerísimo lugar dentro de la zona euro. En el asunto de la ayuda a Grecia, los negociantes y especuladores en divisas creyeron antes el hábil derrotismo empresarial de Ackermann que la tibia aprobación de Merkel al fondo de rescate del euro; realmente, no tienen confianza alguna en la decidida disposición a cooperar de los países de la zona euro. ¿Cómo podrían ser de otra manera las cosas en una Unión que derrocha sus energías en peleas de gallos para llevar a las figuras más grises a los cargos más influyentes?

En épocas de crisis, incluso los individuos pueden hacer historia. Nuestra enervada élite política, que prefiere seguir los titulares del Bildzeitung, no puede convencerse a sí misma de que son las poblaciones quienes impiden una unificación europea más profunda. Saben perfectamente que el retrato demoscópico de la opinión de la gente no es lo mismo que el resultado de la formación de una voluntad democrática deliberativamente constituida de los ciudadanos. Hasta hora, no ha habido en país alguno una sola elección europea o un solo referéndum en el que se haya decidido sobre algo que no sean temas y listas electorales nacionales. Sin mencionar siquiera la miopía nacional-estatal de la izquierda (y aquí no hablo sólo del partido alemán La Izquierda), hasta este momento todos los partidos políticos nos deben el intento de conformar políticamente la opinión pública mediante una Ilustración a la ofensiva.

Con un poco de nervio político, la crisis de la moneda común puede acabar produciendo aquello que algunos esperaron en tiempos de la política exterior común europea: la conciencia, por encima de las fronteras nacionales, de compartir un destino europeo común.

Jürgen Habermas es filósofo alemán, ganador del Premio Príncipe de Asturias de Ciencias Sociales 2003. © 2010, Jürgen Habermas, Die Zeit. Traducción de Jesús Alborés Rey.


O cachorro - Folha de São Paulo - link (aqui)




IVAN TURGUÊNIEV
tradução RUBENS FIGUEIREDO

Nós dois no quarto: meu cachorro e eu. Lá fora, a tempestade uiva, desenfreada, assustadora.

O cachorro está sentado à minha frente -e me olha direto nos olhos.

Eu também olho para os olhos dele.

Parece que quer me dizer alguma coisa. É mudo, sem fala, nem entende a si mesmo -mas eu o entendo.

Entendo que neste instante, nele e em mim, vive o mesmo sentimento e entre nós não existe a menor diferença. Somos idênticos; em cada um, arde e brilha a mesma chama, pequena e trêmula.

A morte virá voando, vai abanar sobre essa chama suas asas frias e largas...

E fim!

Depois, quem poderá distinguir que chama ardeu em cada um de nós?

Não! Não são um animal e um homem que se olham...

São dois pares de olhos idênticos, concentrados um no outro.

E em cada par de olhos, no animal e no homem, a mesma vida assustada tenta se agarrar no outro.

CD reúne parceria estelar de Jobim e Sinatra - Folha de São Paulo - link (aqui)





Com gravações consagradas e raridades do fim dos anos 1960, disco soa pouco atual, mas estabeleceu padrões


RONALDO EVANGELISTA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

No United Western Recorders Studio One, Califórnia, Tom Jobim se inclina para o microfone. Seus cabelos estão desarrumados, penteados com os dedos. Canta mexendo a mandíbula com precisão, movendo os lábios como quem assina cheque de mais de US$1.000. Dom Um Romão, o baterista, está alerta.
Entre os "takes", para se esquentar do frio do inverno americano, coloca os dedos sob as axilas. Claus Ogerman, o arranjador, de suéter azul abotoado, dá instruções com sotaque germânico. No centro de tudo, Frank Sinatra brinca: "Não canto tão suave desde que tive laringite".
Em 1967 e em 1969, Francis Albert Sinatra e Antonio Carlos Jobim se encontraram para gravar juntos. A primeira gravação (dez músicas, sete de Tom, arranjos de Ogerman) foi lançada com toda a pompa e sucesso, orgulhosamente estampando o nome composto de ambos na capa.
A segunda (mais dez músicas, todas de Tom, arranjos de Eumir Deodato) foi planejada como continuação, mas o disco foi abortado, com apenas sete faixas lançadas em "Sinatra & Company". Agora, todas as 20 faixas da estelar parceria saem pela primeira vez compiladas em um CD, "Sinatra/Jobim: The Complete Reprise Recordings", edição brasileira programada para junho. Além de faixas remasterizadas e raras imagens, o CD traz versão ampliada do texto de contracapa do primeiro álbum, de onde saíram todas as descrições dos primeiros parágrafos.

CRIANDO OS PADRÕES
Sinatra com 50 anos. Tom, 40. A bossa nova era um fenômeno pop desde pelo menos 1964, quando "Girl from Ipanema"estourou. E Frank Sinatra vinha do pop de "Strangers in the Night", de 1966. O encontro de Sinatra e Jobim foi uma apresentação da bossa nova em versão de gala, criando o padrão para tantos songbooks dedicados a Tom nos Estados Unidos.
Algo careta, certamente. Ruim, longe disso.
As canções são de Tom Jobim; a voz é de Frank Sinatra. Sinatra canta sem esforço, colocando a voz com autoridade sobre os sons que Tom imaginava quando assumia a influência de George Gershwin. Se, apesar de tão bonito, hoje soa pouco novo, é porque criou os padrões. Da música brasileira, da americana e do encontro de ambas.


SINATRA/JOBIM: THE COMPLETE REPRISE RECORDINGS ARTISTA

Frank Sinatra e Tom Jobim

GRAVADORA Concord/Universal
QUANTO a definir
AVALIAÇÃO ótimo







Mônica Bergamo - Folha de São Paulo - link (aqui)






bergamo@folhasp.com.br


As mil faces de Ana

Cecilia Acioli/Folha Imagem

Ana Paula Arósio nas gravações do seriado "Na Forma da Lei"

De volta às telas, Ana Paula Arósio viverá uma promotora na série "Na Forma da Lei", da Globo, e uma lésbica no longa "Como esquecer", com cenas de masturbação e carinho entre mulheres. Longe dos holofotes, é empresária rural e faz orações "tipo valeu, tá tudo legal"



"Ela é uma mulher muito honesta, correta. Tem uma determinação que vem um pouco de um vazio na vida. É muito solitária, muito frágil em alguns momentos, apesar de aparentar toda essa fortaleza." Ana Paula Arósio segue discorrendo sobre a tal mulher. "Ela perde o grande amor da vida. E não é marcada pelo trauma. Ela é marcada por ela mesma. É uma pessoa densa, centrada."



Ela é Ana? Quase. A atriz tem características e história bastante parecidas com as da personagem que vai interpretar em "Na Forma da Lei", série policial que estreia no dia 15 de junho, na TV Globo. Aos 34 anos, Ana Paula Arósio é centrada, aparenta ser uma fortaleza e também perdeu um grande amor (o empresário Luiz Tjurs, de quem estava noiva, suicidou-se na frente dela, em 1996).



Para viver a promotora de Justiça da minissérie da Globo, Ana precisou aprender a manusear um revólver. Num batalhão da Polícia Militar, fez aulas de tiro, mas diz que o fato não reacendeu seu trauma. "É uma coisa que eu já trabalhei bastante e que agora ta tranquilo", resume.



Ela está de volta à TV depois de dois anos de pausa. Neste ano, também retorna ao cinema. Em outubro, com o longa "Como Esquecer", será vista nas telas como a professora Júlia - lésbica, ela sofre depois de perder a namorada e se envolve com outra mulher. Ana surgirá em cenas de masturbação e de carinhos com a personagem vivida por Arieta Corrêa.



Ana costuma escolher os papéis. Sua carreira, que começou cedo - aos 12, modelo, já estampava 250 capas de revistas pelo mundo -, não é mesmo tão recheada de trabalhos na TV e no cinema: são cinco novelas da Globo, três do SBT, quatro séries como protagonista e menos de dez filmes. "Não é que eu dispense papéis... [gargalhada] Talvez eu tenha feito a pessoa entender que não era eu a pessoa para fazer aquilo, não era para mim."



E o que não serve para Ana? "Uai...Uma coisa muito específica ou que exija que eu abandone completamente meus outros trabalhos." Por outros trabalhos, entenda-se as carreiras como criadora de cavalos, nova empresária rural e paisagista - esta última fica "para o caso de todas as outras darem errado". E solta uma gargalhada.



Dona de uma fazenda de 40 alqueires no interior de SP, ela é também produtora de feno. "Tudo começou quando eu passei a ter cavalos [tem 15 animais]. Na época da seca, as pessoas ficam desesperadas procurando feno de qualidade. E quem tem cobra o olho da cara. É minha coisa meio Scarlett O'Hara: 'Meus cavalos nunca mais passarão fome!'."



Bolsa cara, roupa de grife? "Ah, minha filha, você acha que eu sou maluca?! Aí é que tá: eu acho uma coisa cara [uma bolsa]. E tem tratores de R$ 200 mil, R$ 300 mil, e, se você for ver, é barato", diz. "Meu sonho de consumo é ter um trator desses."



Os bons amigos de Ana são os funcionários da fazenda: Carlão, Zétão, seu Milton e Reis. "Tenho uma relação de posse e de ciúme com eles! É muito difícil montar uma boa equipe rural", diz. Já demitiu muitos funcionários? "Os necessários." Já com o namorado, o arquiteto Henrique Pinheiro, "se fizer tudo direitinho, não sou exigente, não!". Tem uma troca, diz. "É complicado, né? Eu trabalho pra caramba, e isso às vezes me leva para lugares afastados. A pessoa tem que ter um joguinho de cintura."



"O amorrrr [força o sotaque paulista]? É difícil de definir. É quase um estado de espírito, uma coisa que transforma. Mas é difícil definir, porque você pode amar hoje e não amar amanhã. É muito complicado. E cada um ama de um jeito", afirma. "Como é que eu amo? Amando! Não sei [gargalhadas]." "Mulher sem crise é utopia. Eu tenho as de todo mundo: insegurança, carência. Sabe quando você chega em casa e não tem um recadinho? Dá um pouquinho de 'Ai, meu Deus do céu!'."



Eles, os filhos, não cabem nas muitas carreiras de Ana. "Olha, eu já pensei, já 'despensei'. Filho, para mulher moderna, é quase encaixe de agenda. 'Ai, deixa eu ver quando é que eu não vou trabalhar.' E depois tem que cuidar da criança! Minha impressão é a de que não vou enfrentar muito bem deixar meu filho com uma babá."



No fim de semana, depois de gravar na Globo, é ainda à fazenda que a atriz deve voltar. "Tenho que plantar umas mudas de pinheiro que chegaram, sabe?", diz. "E vai ter uma capela que a gente vai levantar. Não sou católica fervorosa, não.Mas faço as minhas orações e tudo. Antes de dormir, na hora em que acordo, só em agradecimento. Não é 'Ave Maria', 'Pai Nosso'. É tipo 'Valeu, ta tudo legal'."

Reportagem AUDREY FURLANETO