domingo, 5 de setembro de 2010

Caldonia / Louis Jordan

Louis Jordan ---Blue Lite Boogie

Anne Shelton - Fools Rush In

ANNE SHELTON ~ BLUES IN THE NIGHT ~ 1942 .

ANNE SHELTON ~ THE GREAT PRETENDER ~ 1956

Bob Bain - Night train

Bob Bain - The Stroll

Cow Cow Boogie - Freddie Slack & Ella Mae Morse (1943)

COUNT BASIE Swingin' the Blues, 1941 HOT big band swing jazz

Count Basie Orchestra - One O' Clock Jump

The Powers Girl - Benny Goodman

Benny Goodman and Peggy Lee - Why Don't You Do Right

'Sing, Sing, Sing' - Benny Goodman

Gene Krupa - Let me off uptown - with Anita O'Day

ANITA O`DAY ~ KICK IT ~ 1941 ~ GENE KRUPA

"Boogie Ride" Anita O'day - Gene Krupa

Gene Krupa opus one

Jane Froman Sings "I'll Walk Alone"

JANE FROMAN 'WITH A SONG IN MY HEART'

CHARLIE BARNET 'SO FAR SO GOOD'

CHARLIE BARNET 'NIGHT AND DAY'

Washington Whirligig by Charlie Barnet (c1942)

Bar é fotografia - Bojan Ramadanovic

http://gallery.photo.net/photo/6666657-lg.jpg



Bojan Ramadanovic

"Alone on friday night"

Após a terceira dose - Bar é poesia




gelo opaco





(luiz alfredo motta fontana)







Quando a noite atravessa

a mesa é desconforto

e o gelo opaco

amarga o malte




quando

"o de sempre"

tem gosto

de "não quero mais"



é hora

de retornar

ao banho e à cama

adiando o tango

remoendo boleros

e assoviando samba-canções

Bar é fotografia - Flor Garduño

http://www.adhikara.com/flor-garduno/Vestido-elegante.jpg



Flor Garduño

"Vestido elegante"

Bar é poesia - Ada Menéndez

http://3.bp.blogspot.com/_ywSvQZuuiEw/Sy5ZRtD0CtI/AAAAAAAAZ44/shtGi6AwYIQ/s400/Ada+Men%C3%A9ndez+en+el+Bukowski.jpg


Ada Menéndez





SÉ QUE QUIERES JUGAR






(Ada Menéndez)







Sé que quieres jugar

a que no me ves

a encontrarme escondida tras las sábanas

sé porque te conozco

que inventas este juego

sólo para fastidiarme

y sentirte más fuerte

más hombre

sé que deseas meterme en tu sorteo

que sobresalga mi rostro

entre los números de otras

para hacerte el loco

cuando te diga te quiero

sé qué tipo de jugador eres

que soy pelota de baloncesto

sin canasta

sé todo lo que tengo que saber sobre ti



que tú eres el apostante

y yo

la rueda de tu infortunio

Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)






domingo, 05 de setembro de 2010 | 07:10

1967, O PODER MILITAR NO BRASIL: análise, exame da situação, conclusão apenas temporária. Os civis sempre se submeteram aos militares, até que a partir de 1964, perderam o comando mas mantiveram as mordomias

Foi o general Góes Monteiro (com quem fiz a minha primeira entrevista assinada, lá se vão 20 anos), que classificou o Exército como o “grande mudo”. Góes Monteiro, que era um dos intelectuais formados pela famosa Missão Gamelin (o mesmo general que por incompreensão de métodos e por não perceber que o tempo passa inexorável e torna obsoletas até as armas e as técnicas da guerra, levou a França à melancólica derrota diante dos Exércitos modernos de Hitler) era irreverente, autoritário, mas inegavelmente inteligente, e sabia o que dizia.

E por ser sempre o “grande mudo”, o Exército brasileiro continua iludido por alguns militares que falam demais ou almejam demais, e que falam pelo Exército, sem procuração e muitas das vezes sem títulos para isso.

Mas se formos pesquisar na História brasileira, sem precisar ir muito longe, veremos que na maioria das vezes, esses que falam pelo Exército (alguns mais pomposos ou mais ambiciosos chegam a falar pelas Forças Armadas) não passam de blefadores, de aproveitadores, e algumas vezes de ingênuos que pensam mesmo que representam o Exército, e que o que estão dizendo reproduz mesmo o pensamento da maioria dos seus camaradas.

Em 1930, quando Getulio Vargas, Osvaldo Aranha e seus companheiros desceram do Rio Grande numa revolução que nem eles mesmos sabiam a projeção que alcançaria e as vitórias e as frustrações que seriam semeadas igualmente no seu caminho, o general Sezefredo Passos, Ministro da Guerra de Washington Luiz, entregou ao presidente um relatório oficial (portanto, uma informação e não um informe) dizendo que o Exército estava coeso em torno do seu chefe, que não havia a menor discrepância nem descontentamento, e que “a unidade do Exército não se abalaria com inconsciência de um grupo de jovens imaturos”.

Antes de travar a primeira batalha séria, Washington Luiz já estava deposto e a caminho do exterior, os revolucionários instalados no Catete, e o relatório oficial sobre “a unidade do Exército em torno do Presidente”, um papel sem a menor importância, sepultado em algum arquivo empoeirado.

Muitas vezes esses relatórios e essas conclusões sobre a unidade do Exército como um bloco monolítico, são feitos até com a maior boa fé.

Mas o problema é que os homens que fazem esse levantamento, têm também as suas fragilidades e fraquezas, sofrem as deformações profissionais do meio, têm que enfrentar a rigidez natural de uma profissão onde o superior pode tudo e o inferior obedece ou é punido, mesmo que essa obediência se faça com constrangimento e debaixo da mais completa inibição.

Em suma: esses relatórios valem apenas o que vale o poder de observação de quem os faz, a sua capacidade de conhecer e sentir os homens, e até a autonomia que lhe dão para se movimentar dentro de um meio que é condicionado por tantas coisas, sendo principais delas, a disciplina, a hierarquia e o respeito quase místico ou medieval ao superior.

Um só exemplo: quando mais ativa era a disputa militar entre o presidente Castelo Branco e o seu ministro da Guerra Costa e Silva, o primeiro despachou observadores para vários pontos do país, para saber se, no caso de uma rutura do sistema, com quem ficaria o Exército. Um dos observadores foi o então coronel Reinaldo de Almeida (hoje general, filho do grande José Américo, uma das maiores figuras da vida pública brasileira), que voltou eufórico e com informações inteiramente favoráveis ao presidente Castelo Branco.

Quando no dia 5 de outubro de 1965, finalmente houve o choque de bastidores entre o dispositivo Castelo e o dispositivo Costa e Silva, toda aquela região visitada pelo então coronel Reinaldo de Almeida, foi uma das mais firmes e categóricas a favor de Costa e Silva. É lógico que, sendo castelista ferrenho, as suas informações e informes era sinceras e corretas, mas apenas do seu ponto de vista pessoal de observador. Não representavam verdades matemáticas, mas sim observações recolhidas mais um menos precariamente, que as circunstâncias ou as necessidades do momento elevavam até inconscientemente à categoria de verdades irrevogáveis.

A campanha da FEB na Itália exerceu uma influência enorme sobre o Exército brasileiro, renovando-o, reformulando-o, livrando-o da influência perniciosa das Missões Francesas. Antes da FEB, o Exército brasileiro vivia exclusivamente em função de dois fatores: ordem unida pela manhã, e depois do almoço, o monótono e inútil esforço de montar e desmontar um antiquado fuzil FM.

A FEB modificou tudo isso, impôs uma nova mentalidade, modernizou (tanto quanto era possível) seus armamentos, seu fardamento (então estupidamente inadequado para um país tropical), introduziu novas formas de comportamento. Mas mesmo a FEB, não pôde livrar o Exército brasileiro da insegurança psicológica natural de um Exército de país subdesenvolvido. Essa segurança material e psicológica, só a independência econômica pode trazer.

E tudo isso influía e influi muito ainda hoje (talvez ligeiramente menos) no comportamento dos militares em relação a eles mesmos e em relação aos civis. Há uma desconfiança surda entre eles, há uma disputa tremenda em torno da marcação de pontos para a promoção por merecimento, e aí, concordo, é o sistema, erradíssimo, que estimula essa concorrência.

Por exemplo: um oficial que sirva em Cáceres, na Clevelandia, em Fernando de Noronha e em outros lugares como esses marca mais pontos do que os companheiros que sirvam em lugares não tão distantes nem tão desertos. E que mérito pode ter o fato de servir num lugar desses? Por que um oficial há de ser promovido na frente de outro apenas porque acumulou pontos dessa maneira inútil e sem nenhum valor?

Nos Exércitos dos paises subdesenvolvidos, onde durante gerações e gerações não acontece uma só guerra, a frustração é muito grande, pois a profissão de militar é a guerra, e não fazê-la equivale à inutilidade quase total. Daí o derivativo para a vida civil, as ambições, o desaguar para a política, que é pelo menos uma forma de realização.

Além do episódio citado acima, de Washington Luiz, a História brasileira está cheia de outros episódios semelhantes. Em 1945, quando já estava praticamente deposto, Getulio ainda falava “na unidade do Exército, que está firme comigo”. Foi preciso que o general Cordeiro de Farias, então seu amigo e um homem que manteve a lucidez que fez dele general aos 40 anos, tendo permanecido na ativa como general durante 24 anos (ambos os fatos rigorosamente inéditos no Exército Brasileiro) lhe dissesse: “Presidente, o senhor já está deposto, todos os generais estão contra o senhor”. Foi só então que Getulio compreendeu que estava abandonado por todos e que teria que voltar para São Borja.

Mas foi novamente a ingenuidade dos principais chefes do Exército, que transformou essa deposição numa ligeira viagem não somente de ida, mas com volta triunfal apenas 33 dias depois, pois deposto a 29 de outubro, Getulio, em 2 de dezembro se elegia deputado por 7 estados e senador pelo Rio Grande do Sul.

Os políticos ligados a Getulio, (todos os Interventores também depostos no 29 de outubro se elegeram governadores, deputados ou senadores, sem nenhuma exceção) tinham iludido mais uma vez os líderes militares e haviam ficado com o Poder, fingindo apenas terem concordado com a deposição de Vargas.

Ficam 33 dias no ostracismo, e com a matreirice, a habilidade e a tradicional falta de escrúpulos, acrescentaram inconscientemente (o hábil é sempre inconsciente em relação ao futuro, só sabe ver e preservar o presente) mais uma gota no copo que iria transbordar finalmente em 1964.

O golpe não teria sido feito se o Sr. Jango Goulart tivesse atrás de si, enfileirados, e não apenas no papel como simples e duvidosos dados estatísticos, os 95% do Exército que Assis Brasil e os outros conselheiros diziam que ele tinha. Só olhando para trás e vendo não apenas meia dúzia de generais e de coronéis, mas todo o Exército formado a perder de vista e pronto para lhe dar apoio e segurança, aí então, e só então, é possível que o Sr. João Goulart pudesse cometer as loucuras que cometeu. Mesmo assim, eu pessoalmente ainda acharia discutível, porque conhecendo a História como conheço, sei que pelo menos depois da implantação da República, só uma vez o Exército deu um cheque em branco a alguém: foi em 1937 a Getulio Vargas, para implantar a ditadura.

Mas aí, era a situação internacional de pré-guerra que dominava os acontecimentos, e pouco mais de 1 ano depois a guerra estourava mesmo, só terminaria em 1945. E tão certas estavam as Forças Armadas nesse episódio, que terminada a guerra, dias depois do regresso da FEB, o Exército retirava o apoio dado a Getulio e ele tinha que voltar melancolicamente para São Borja.

A derrubada de Getulio em 1945 é obra exclusiva do Exército, ajudado logicamente por alguns civis corajosos. Agora, acontece exatamente o contrário: alguns civis apavorados e subservientes amedrontam o Exército, em nome do combate ao comunismo, agradam e servem aos americanos.

Em 1961, foi a vez de um frívolo peralta se enganar com o Exército: o Sr. Janio Quadros. Eleito com a maior votação já obtida por um candidato, esperança de um povo e um país, mas dominado por sonhos loucos e ambições desvairadas, fingiu que renunciava para que as Forças Armadas o carregassem no colo, e o recolocassem no governo com os poderes discricionários que ambicionava.

Num abrir e fechar e olhos, os políticos envolveram o Exército, e o sr. Janio Quadros, que havia sido eleito legitimamente, viu-se de uma hora para outra mergulhado no ostracismo do qual não se livrará nunca mais, pois a decepção que os homens provocam no povo está exatamente na proporção da esperança que despertam. E poucas vezes na História brasileira um homem provocou tanta esperança quanto Janio Quadros.

O ex-presidente foi outra vítima dos péssimos observadores, que depois de conversarem com três ou quatro generais, depois de percorrerem 5 ou 6 regiões militares, chegam e dizem para o governante, sigilosamente: “Olha, Presidente, 95% do Exército está com o senhor…”

O último que acreditou nesses levantamentos feitos às vezes na melhor das intenções, foi o Sr. João Goulart. Quando Assis Brasil, Osvino, Albino Silva, Jair Dantas Ribeiro e outros, lhe diziam que “95% do Exército está conosco”, e Jango acreditava, era mais um passo que ele dava para o ostracismo, para o caos, para a derrubada do regime dito democrático.

Quando ele achava que o Exército estava a seus pés, pronto a apoiar todas as suas maluquices, foi derrubado, e nossa História se “enriqueceu” com uma nova frase que a posteridade guardará para sempre: “Quer dizer, Assis Brasil, que 95% do Exército estava comigo?”

Era um amargo e amargurado desabafo, era uma censura, mas era também uma constatação, e uma advertência para futuros ocupantes do Poder: o Exército não dá cheque em branco a ninguém, sejam civis ou militares os ocupantes do Poder.

Mas as lições da História pouco frutificam, principalmente no Brasil, e não se passará muito tempo antes que novos dispositivos, que no papel se mostram invencíveis e monolíticos, sejam destroçados pelos acontecimentos que têm mais força do que qualquer prognóstico.

O maior e mais formidável Exército já formado nos tempos modernos (a Werhmacht de Hitler) estacou diante de Stalingrado e de Moscou, paralisado por obstáculos que nenhum general poderia prever. Quando a capital russa já estava à vista, quando os poderosos Exércitos de Hitler estavam a 45 km de Moscou e já enxergavam as altas torres do Kremlin, um punhado de heróis cismou de não entregar as duas cidades, e todos os planos minuciosamente estudados e reestudados pelos cérebros da OKM, esbarraram em detalhes que ninguém podia não só prever como sequer imaginar. E isso na guerra, que é uma arte mais comum aos militares do que a política. (Embora eu esteja convencido, depois de ler e reler cuidadosamente as autobiografias de Rommell e de Guderian, que a guerra é muito mais complexa e difícil até mesmo do que imaginam os mais famosos generais).

A rigor, que eu saiba, só um homem nos últimos 40 anos no Brasil, acertou no julgamento que fez sobre a força do dispositivo militar que o apoiava e a extensão desse dispositivo: foi o então Ministro da Guerra Arthur da Costa e Silva. Tão seguro era o seu julgamento, que podendo depor o Sr. Humberto de Alencar Castelo Branco na madrugada de 5 para 6 de outubro de 1965, esperou um ano, convencido da invencibilidade do seu dispositivo militar.

Podendo ficar com o Poder na hora, como ditador, preferiu dar um ultimatum para que o Poder lhe fosse entregue um ano depois, e foi para casa dormir, que afinal já eram 5 horas da manhã e ele passara a noite acalmando seus camaradas, que não só queriam como até exigiam que ele ficasse com o Poder na mesma hora.

Costa e Silva acertou em cheio, e nesse particular temos que render as nossas homenagens à capacidade de previsão e à paciência (uma ligada à outra) do ex-Ministro da Guerra. E um ano depois, por mais que esperneasse, por mais que manobrasse, por mais que exercitasse o seu reconhecido gênio político, o então “presidente” Castelo Branco teve que se contentar em ser sucedido por Costa e Silva, sabidamente a última coisa que desejava.

Agora, curiosamente (a História tem dessas coisas), o então Ministro da Guerra é “presidente” da República, e novamente se fazem cálculos sobre a força do dispositivo militar que o sustenta. Eu diria a S. Exa, que não deixasse de atentar para um “detalhe” precioso: um Ministro da Guerra pode ser sustentado por um dispositivo militar, mas um Presidente da República não. Por mais canhões e tanques e metralhadoras que tenha um Presidente, ele não se sustenta se não tiver o apoio popular. Mesmo nas ditaduras declaradas, os ditadores não desprezam o contato e o diálogo com o povo.

Portanto, em vez de se dedicar à tarefa de contar efetivos militares para saber se tem maior ou menor apoio, o que o “presidente” da República deveria fazer com urgência era promover a união do Exército com o povo, restabelecendo um diálogo que é indispensável, que está dentro da melhor tradição brasileira, vem desde o Império.

S. Exa. tem condições excepcionais para isso, se não se deixar levar (como no episódio do meu desterro, que acabou causando uma comoção nacional, e no controvertido e nada lisonjeiro confinamento do Sr. Juscelino) por observadores que não sabem observar, e por conselheiros, que estão mais interessados na discórdia do que na união geral.

Só existem duas espécies de poder: o militar e o civil. Se o “presidente” quer ficar tutelado pelo Poder militar, faça logo a opção, instale a ditadura no Brasil (pois Poder militar é sinônimo de ditadura) e veja onde vai acabar. Ms se quiser fazer a abertura legítima e indispensável para o Poder civil, precisa primeiro se convencer que governar não é uma arte solitária, que governar exige diálogo, que diálogo exige partidos, opinião pública, oposição organizada validamente, em suma, redemocratização do país, não nas bases antigas, não em forma de revanchismo, mas para que exista um governo politicamente forte, consciente, objetivo, sabendo o que quer.

Para terminar: tenha o dispositivo militar que tiver (e quem é que tem capacidade para avaliar a sua extensão, a sua solidez e em que direção ele caminha?), o “presidente” não irá muito longe se tentar consolidar o seu governo apenas em bases militares. Ao contrário, se caminhar na direção do povo, se formar um governo política e civilmente válido, o dispositivo militar terá que acompanhá-lo, haja o que houver.

Esta é a opção que se oferece ao Sr. Costa e Silva. Mas como tentar convencê-lo disso, se ele parece querer fazer tudo ao mesmo tempo (e portanto não fará nada), cercou-se do vazio em matéria de inteligência e lucidez, parece convencido da eficácia do exercício solitário do Poder? Ao cercar-se do vazio, ao desprezar a inteligência, logo no início do seu último governo, em 1951, Getulio Vargas ditou a sua própria sorte política. A História parece que se repete, 16 anos depois.

Comercial antigo - TV Commercial - Flair Pens (1967)

Charge do dia

http://www.elpais.com/recorte/20100905elpepuvin_1/XLCO/Ges/20100905elpepuvin_1.jpg



Erlich - El País, es

Casa de "Mães Joanas"



Um dia... José Serra está um poço de mágoa com Guido Mantega. Semanas atrás, quando a filha do ministro da Fazenda foi envolvida numa guerra de dossiês, o tucano, para desgosto de muitos correligionários, veio a público dizer que Mantega "é um homem correto".

...depois do outro O ministro, que chegou a ligar para Serra descartando a possibilidade de quebra de sigilo fiscal da filha do candidato, não voltou a procurá-lo quando a violação ficou caracterizada. Na sexta, Mantega afirmou em entrevista que essas coisas acontecem.


Não é... Há um buraco na narrativa segundo a qual a situação "casa da mãe Joana" da Receita Federal se deve ao aparelhamento promovido no órgão pelo PT.

...o que parece Para se viabilizar como substituto de Lina Vieira, uma das providências tomadas por Otacílio Cartaxo foi pedir a bênção de Everardo Maciel. Hoje, o poderoso secretário da era tucana tem gente sua instalada em postos-chave da Receita.


Renata Lo Prete - Coluna Painel, Folha de São Paulo (aqui)

Eduardo Jorge teve dados fiscais violados dez vezes em Formiga, interior de Minas - Estadão online - link (aqui)


Seis meses antes da série de quebra de sigilos de tucanos em SP, vice-presidente do PSDB teve IR consultado ilegalmente

04 de setembro de 2010 | 17h 06

Rui Nogueira e Renato Andrade, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Seis meses antes de começar a série de violações de sigilos fiscais de dirigentes tucanos e familiares em Mauá e Santo André, municípios de São Paulo, um analista tributário do interior de Minas Gerais acessou dez vezes, em um único dia, os dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge.

Documento mostra série de acessos ao IR de Eduardo Jorge; CPF é do vice-presidente do PSDB


De acordo com levantamento feito pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), e obtido com exclusividade pelo Estado, os acessos foram feitos no dia 3 de abril de 2009, por um analista que trabalha na agência da Receita Federal em Formiga, 210 quilômetros de Belo Horizonte (MG).

O levantamento, feito a pedido da Corregedoria da Receita, responsável pelas investigações sobre as violações e vazamento de informações, mostra que o analista mineiro não foi a única pessoa no País que acessou os dados de Eduardo Jorge no primeiro semestre do ano passado.

Segundos. Todos os acessos feitos pelo analista aconteceram em questão de segundos. De acordo com o documento obtido pelo Estado, o primeiro acesso aos dados de Eduardo Jorge aconteceu às 16h32m18s. O último ocorreu às 16h32m59s. Todas as consultas foram feitas pelo mesmo usuário, a partir de um único computador.

Eduardo Jorge, que tem domicílio fiscal no Rio de Janeiro, não tem nem negócios nem imóveis na cidade de Formiga, o que reforça o caráter de violação dos dados fiscais do tucano.

As invasões para consulta dos dados fiscais do vice-presidente do PSDB foram detectadas por meio de uma "Apuração Especial". Esse tipo de investigação é pedida ao Serpro sob encomenda da Receita. Neste caso, a corregedoria pediu ao Serviço Federal de Processamento de Dados que relacionasse todas consultas envolvendo o CPF de Eduardo Jorge no período entre 2 de janeiro e 19 de junho de 2009.

A "Apuração Especial" do Serpro informou que foram detectadas "consultas" aos dados armazenados com o CPF de Eduardo Jorge feitas pelo Banco Central, a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República. Mas nenhuma dessas instituições acessou tantas vezes os dados quanto o analista de Formiga, que entrou dez vezes no CPF de EJ.

Outras violações. O período da consulta feito ao Serpro antecede, portanto, o início da violação do sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato tucano ao Planalto, José Serra, que aconteceu no dia 30 de setembro de 2009, na delegacia da Receita de Santo André. Na sequência, foram violados, em 8 de outubro, os sigilos fiscais do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, de Gregorio Marin Preciado (empresário casado com uma prima de Serra), do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio (no governo FHC) e Eduardo Jorge.




Elio Gaspari - Correio do Povo - link (aqui)

ANO 115 Nº 340 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 5 DE SETEMBRO DE 2010

http://multimidia.correiodopovo.com.br/thumb.aspx?Caminho=multimidia/2010/09/04/106362.JPG&Tamanho=480&HW=1

Crédito: Cruz / especial / cp


CRIARAM O COMISSARIADO DA RECEITA


O controle da Receita Federal pelo comissariado do Planalto ficou exposto quando o repórter Leandro Colon descobriu que durante 20 horas o Ministério da Fazenda e os companheiros do Fisco sustentaram que as declarações de Imposto de Renda da filha de José Serra haviam sido solicitadas por ela. Desde as 13h42min de terça-feira, a Corregedoria sabia que o contador que apresentara a "procuração" da empresária tinha quatro CPFs. Enquanto puderam, omitiram esse fato, fazendo de bobos a quem lhes deu crédito.

As violações dos sigilos fiscais de tucanos revelaram que os controles da Receita são ineptos (as operadoras de cartão de crédito avisam ao freguês quando ocorrem transações esquisitas com seu plástico) e inimputáveis (um servidor passa suas senhas a outro e continua no emprego). Essa é a porta do supermercado, mostrada em junho pelo repórter Leonardo Souza.

Há outra, para os atacadistas. É a da centralização dos programas de fiscalizações. Até dezembro passado, esse serviço era capilar, e as delegacias da Receita, em torno de cem, planejavam suas fiscalizações. Com a portaria 3.324, alterada em junho pela 1.317, cada unidade deve mandar a lista de sua programação relacionada com grandes contribuintes a Brasília, de onde descerá outra, para ser cumprida. Nessa malha entram empresas com mais de R$ 20 milhões de faturamento ou folha superior a R$ 3 milhões e pessoas com renda anual acima de R$ 1 milhão. Assim, a delegacia de Araçatuba programa fiscalizar Guido, Otacílio e Henrique, mas pode receber de volta uma lista dizendo-lhe que deve fiscalizar Henrique, Guido e Armínio. Até 30 de setembro, as delegacias devem mandar a Brasília os nomes das vítimas de 2011.

Outra portaria, a 1.338, determinou que todos os trabalhos "concluídos ou em andamento" relacionados a pessoas físicas com renda anual superior a R$ 1 milhão sejam enviados para a Equipe do Programação de Maiores Contribuintes, o Epmac, o BigMac do comissariado. Ficará tudo na mão de um grupo de, no máximo, dez servidores.

Sabendo-se o que se sabe, cada pessoa pode avaliar o que essa centralização provoca:

1) Melhora a fiscalização dos gatos gordos, colocando-os sob a vigilância de uma equipe especializada.

2) Cria uma butique da Receita, onde os gatos gordos receberão atendimento VIP.

3) Entrega ao comissariado o poder de incluir, excluir, aporrinhar ou seduzir gatos gordos.



Ato falho?

Lula anunciou que tem toda a confiança nas investigações da Polícia Federal e da Receita para descobrir por que e como violaram os sigilos fiscais dos tucanos.

Convém que o pessoal da PF e da Receita não se esqueça de que aquele casal que está no outro lado da calçada não está passeando. São procuradores do Ministério Público. Nosso Guia se esqueceu deles.



A lágrima de Blair

Em janeiro passado, o governador Sérgio Cabral convidou o ex-primeiro-ministro inglês Tony Blair para prestar serviços de consultoria ao Rio de Janeiro na preparação das Olimpíadas. Seria o tipo do dinheirinho fácil pelo qual Blair adquiriu gosto.

Talvez Cabral deva reavaliar o convite. Blair acaba de publicar um livro de memórias e nele diz o seguinte:

"No dia 22 de julho tivemos a morte trágica do estudante brasileiro Jean Charles de Menezes, que se revelou um terrível erro, no qual eu também fiquei profundamente entristecido pelos policiais que estavam agindo de boa-fé, tentando garantir a segurança do país".

O sujeito sai de casa, entra num vagão de metrô, toma sete tiros na cabeça, sem que lhe tenham feito uma só pergunta, e o consultor do governo do Rio está mais preocupado com o constrangimento dos assassinos.



Registro

Sabe-se de casos de empresários que foram procurados por sindicalistas com reivindicações de natureza política, acompanhadas de ameaças de "chamar o pessoal da Receita e da fiscalização".

Fica apenas o registro do receio das vítimas de denunciar publicamente a chantagem.



Boa notícia, empresários amparam estudantes

Há um mês, um grande empresário decidiu contribuir para formar quatro brasileiros admitidos numa prestigiosa universidade privada (caríssima). Todos tinham bom desempenho escolar e vinham de famílias às vezes dissolvidas, sempre pobres. O filantropo fez questão de proteger todas as identidades do episódio.

Publicada a notícia, veio a boa novidade. Outro empresário resolveu acompanhar o exemplo e replicou a iniciativa, inclusive no anonimato. Pagará as anuidades de outros quatro jovens, que receberão pequenas ajudas em dinheiro e um laptop. Na primeira doação, a conta ficou em cerca de R$ 130 mil anuais.

Todos são bons alunos, dois vivem em favelas e um mora a três horas de distância da faculdade. A renda familiar das quatro famílias vai de R$ 1.900 a R$ 2.200. Dois foram criados pela mãe. Um não tem memória do pai. São filhos de garçom, motorista de ônibus, auxiliares de cozinha e de serviços gerais e vendedora de produtos de beleza. Uma das famílias está sob ameaça de despejo da casa onde vive. Graças aos próprios esforços e com a ajuda do empresário, em pouco tempo estarão diplomados em Direito, Engenharia, Ciências Sociais e Jornalismo.



O e-mail

De Richard.Nixon@inferno.org, a quem interessar possa:

"Eu não perdi a Presidência dos Estados Unidos por ter mandado grampear o escritório dos democratas no Edifício Watergate. Dancei porque tentei atrapalhar as investigações.

Outra coisa: logo que aqueles dois cabeludos do Washington Post começaram a publicar coisas que eu julgava blindadas, desconfiamos do Mark Felt, que ocupara o segundo lugar na hierarquia da Polícia Federal. Depois que eu cheguei aqui, é que soube que ele era o ''Deep Throat''.

Só aqui fui descobrir que, antes do Felt, o chefe da Polícia Federal, Patrick Gray, traiu-me e deu uma pista para um repórter do The New York Times. Ele ia entrar em férias, passou a informação para a chefia, e ela frangou. Bem feito".



Madame Natasha

Madame Natasha tem um fraco por novidades eletrônicas e pelas palavras que elas incorporam ao vocabulário. Adora o termo "laptop" e encantou-se com "iPod". Ela aceita até importações inexplicáveis. Quando alguém fala em "deletar" um texto, bem que poderia dizer "apagar", mas deve-se reconhecer que o novo termo enriquece o vocabulário, incorporando ao português o "delete" do inglês. Tudo bem.

O que Natasha não entende é por que, com uma tabuleta nas mãos, alguém diz que aquilo é um "tablet". A palavra foi pirateada pelos ingleses, que capturaram a "tablete" no patrimônio vocabular francês, um diminutivo da "tabula" latina. Não faz sentido que uma palavra existente no vocabulário português seja importada com uma nova grafia e pronúncia. Desse jeito, acabarão chamando Pindorama de "Brazil".

FHC e fisco: ‘desfaçatez’ oficial faz o povo de ‘parvo’ - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)



05/09/2010

Sob Lula, a democracia virou uma ‘casa vazia por dentro’

‘Devassa fiscal de tucanos mostra a vacuidade das leis’

‘Altos funcionários tentam elidir do caso questão política’

‘Proclamam que não foi nada não, foi apenas um balcão’

‘É como se estivessem tratando com um povo de parvos’

‘O que houve com o dossiê contra mim e minha mulher?’

A onda de ‘desrespeito ocorre sob a batuta presidencial’

‘Chefe da nação virou o chefe de uma facção em guerra’

Alan Marques/Folha
Como faz todo primeiro domingo do mês, Fernando Henrique Cardoso veicula neste domingo (5) mais um de seus artigos. Foi impresso em vários jornais do país. No texto, diz que o Brasil vive “uma fase de democracia virtual”.

Não no sentido que o termo adquiriu na era da internet. Socorrendo-se do Aurélio, FHC explica que o “virtual” a que se refere é “algo que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual”. Ele esmiúça o raciocínio:

“O edifício da democracia, e mesmo o de muitas instituições econômicas e sociais, está feito no Brasil. A arquitetura é bela, mas, quando alguém bate à porta, a monumentalidade das formas institucionais desfaz-se em um eco que indica estar a casa vazia por dentro”.

O FHC do artigo é bem diferente do FHC que passou a faixa presidencial para Lula, sob a atmosfera amistosa, em 2003. Decorridos oito anos e nove meses, o novo FHC acha que o eco do vazio é tonificado pela “devassa da privacidade fiscal de tucanos e de outras pessoas”.

Um caso que “mostra a vacuidade das leis diante da prática cotidiana”. Faz alusão à entrevista conjunta do secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, e do corregedor do órgão, Antonio Carlos Costa D’Ávila:

“Com a maior desfaçatez do mundo, altos funcionários, tentando elidir a questão política –como se estivessem tratando com um povo de parvos–, proclamam que ‘não foi nada não; apenas um balcão de venda de dados’. E fica o dito pelo não dito, [...] até que o tempo passe e nada aconteça”.

Como exemplo da ação amnésica do tempo, FHC recorda uma passagem que o envolveu na época em que Dilma Rousseff ainda respondia pela Casa Civil: “O que aconteceu com o ‘dossiê’ contra mim e minha mulher feito na Casa Civil da Presidência, misturando dados para fazer crer que também nós nos fartávamos em usar recursos públicos para fins privados?”

Ele próprio responde: De prático, não aconteceu “nada”. Irônico, anota: “Estamos todos felizes no embalo de uma sensação de bonança que deriva de uma boa conjuntura econômica e da solidez das reformas do governo anterior”.

A certa altura, FHC mira diretamente em Lula: “No momento do exercício máximo da soberania popular, o desrespeito ocorre sob a batuta presidencial”. Considera “lógico e saudável que os presidentes e altos dirigentes eleitos tomem partido e se manifestem em eleições”. Porém...

Porém, classifica de “escandalosa a reiteração diária de posturas político-partidárias, dando ao povo a impressão de que o chefe da nação é chefe de uma facção em guerra para arrasar as outras correntes políticas”.

Enxerga “um abismo entre o legítimo apoio aos partidários e o abuso da utilização do prestígio do presidente, que além de pessoal é também institucional, na pugna política diária”. E reitera o discurso do medo, encontradiço nos lábios oposicionistas:

“Na marcha em que vamos, na hipótese de vitória governista –que ainda dá para evitar– incorremos no risco futuro de vivermos uma simulação política ao estilo do PRI mexicano –se o PT conseguir a proeza de ser ‘hegemônico’– ou do peronismo, se mais do que a força de um partido preponderar a figura do líder”.

Acha que “está em jogo nas eleições de outubro” a forma de democracia que o país terá no futuro. Pode ser “oca por dentro ou plena de conteúdo”. Sem mencionar o nome de José Serra, FHC critica a estratégia eleitoral de seu candidato. Para atenuar a reprimenda, expressa-se num plural genérico: “Pode ter havido erros de marketing nas campanhas oposicionistas”.

A seguir, queixa-se, dessa vez em timbre peremptório, da ausência de defesa do legado de sua gestão: “É certo que a oposição se opôs menos do que deveria à usurpação de seus próprios feitos pelos atuais ocupantes do poder”.

A despeito da mudança de tom que o caso da Receita operou na propaganda eleitoral de Serra, FHC escreve como se considerasse que ainda falta tônus à oposição: “Esperneou menos diante dos pequenos assassinatos às instituições que vêm sendo perpetrados há muito tempo, como no caso das quebras reiteradas de sigilos”.

A despeito das pesquisas que antecipam o triunfo iminente da candidata de Lula, FHC acha que “é preciso tentar impedir que os recursos financeiros, políticos e simbólicos reunidos no Grupão do Poder em formação tenham força para destruir não apenas candidaturas, mas um estilo de atuação política que repudia o personalismo”.

Considera “inaceitável” a absorção da tese de que a “vontade geral” possa ser “encapsulada na figura do líder”. Do contrário “não haveria por que criticar Mussolini em seus tempos de glória, ou o Getúlio do Estado Novo”. No último parágrafo, FHC volta a esgrimir o discurso do medo:

“[...] Estamos decidindo se queremos correr o risco de um retrocesso democrático em nome do personalismo paternal (e, amanhã, quem sabe, maternal)”. Avalia que “o governismo, tal como está posto, representa um passo atrás no caminho da institucionalização democrática”. A 30 dias da eleição, crê que “há tempo ainda para derrotá-lo”.

- Serviço: Aqui, a íntegra do artigo de FHC, disponível na versãoeletrônica do Diário Catarinense.


Escrito por Josias de Souza às 04h44