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Dilma reúne os partidos ‘aliados’ e não convida o PDT

Marcello Casal/ABr
Dilma Rousseff reservou o final da manhã desta quarta-feira (2) para uma conversa com lideranças políticas.
A agenda oficial da presidente anota que a reunião será às 11h. Vão à mesa os “líderes dos partidos da base aliada na Câmara”.
Por determinação de Dilma, o deputado Giovanni Queiroz (PA), líder do PDT, não foi convidado para o encontro.
Na votação do projeto do salário mínimo de R$ 545, apenas 16 dos 27 deputados que integram a bancada do PDT votaram com o governo.
A exclusão do partido deste primeiro encontro promovido por Dilma após a votação foi recebida como um gesto de retaliação.
Vem daí a elevação do tom do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.
Em entrevista à repórter Marcela Ramos, Paulinho utilizou linguagem rasteira ao referir-se ao PT. Mandou o partido de Dilma “se foder”.
Num artigo levado à página de sua central sindical na web, Paulinho investiu contra a própria Dilma:
“Os trabalhadores estão decepcionados com o valor do salário mínimo de R$ 545”, anotou Paulinho.
Escreveu que “Dilma Rousseff [...] jogou duro para derrotar a proposta formulada pela maioria das centrais sindicais”, que fixava o mínimo em R$ 560.
Paulinho queixou-se também do descaso com que Dilma tratou o sindicalismo depois da eleição de 2010:
“Também nos deixou contrariados o fato de a presidenta não ter dado pelo menos um telefonema paras as centrais logo após a sua eleição...”
“...Os presidentes de todas as centrais foram em várias assembléias nas empresas e nas fábricas de São Paulo, mas a Dilma não nos fez nenhuma ligação telefônica”.
Autoconvertido em porta-voz do baronato sindical, Paulinho anotou que, a despeito do desapontamento, “o movimento sindical não pretende romper” com Dilma.
Por quê? “Por acreditar que ela tem compromissos com os trabalhadores, assumidos ainda quando o presidente Lula governava o Brasil”.
No último parágrafo de seu texto, Paulinho avisa que pegará em lanças para “impedir a reforma na Previdência”.
Deseja a “extinção do fator previdenciário”. E não aceita que, em substituição ao mecanismo, o governo fixe idade mínima para a aposentadoria.
Ou seja: Paulinho tornou-se um aliado tóxico. E a ausência do PDT na reunião do Planalto indica que Dilma não parece disposta a tratar rebeldia com afagos.
A atmosfera envenenada deixa mal o ministro Carlos Lupi (Trabalho), presidente licenciado do PDT e representante da legenda na Esplanada.
Escrito por Josias de Souza às 22h16




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