sexta-feira, 1 de abril de 2011

Que Francelino é esse?

 
 
Deu na Tribuna da Imprensa (aqui)
 
sexta-feira, 01 de abril de 2011 | 12:42

Ao lado do caixão de José Alencar, como papagaio de pirata, a surpreendente ressurreição de Francelino Pereira, autor do célebre desabafo “Que país é esse?”

Carlos Newton
Foi surpreendente vê-lo no velório de José Alencar, no Palácio da Liberdade, ao lado de Lula, Aécio Neves, Itamar Franco, Marco Maia, Antonio Anastasia e outros políticos. Pois não é que lá estava ele, Francelino Pereira, ex-deputado, ex-“governador” biônico e ex-senador de Minas Gerais, e inteiraço, em plena forma, embora já chegando aos 90 anos, que completará a 2 de julho.
Embora os mais jovens acreditem que a frase-desabafo “Que país é esse?” seja da autoria do grande músico e cantor Renato Russo, vocalista do grupo Legião Urbana, o verdadeiro criador da famosa pergunta foi mesmo Francelino Pereira. Ao compor “Que País É Esse”, Renato Russo apenas aproveitou a antiga deixa do ex-presidente da Arena.
Nascido na pequenina cidade de Angical do Piauí, com aquela cabeça grande e chata que caracteriza parte dos nordestinos (entre os quais me incluo, inteiramente, antes que comecem a encher o saco), Francelino Pereira dos Santos chegou menino em Belo Horizonte, para onde a família se mudara.
Formou-se em Direito e Contabilidade, entrou na política e foi eleito vereador na capital, depois deputado federal, sempre pela UDN. Aderiu ao regime militar e se reelegeu pela Arena. Era presidente do partido da ditadura, em 1976, quando pronunciou a famosa frase, numa crítica aos que duvidavam da disposição do presidente Geisel de promover a reabertura política. E as críticas estavam certas, pois Geisel não fez reabertura nenhuma, pelo contrário, fechou o Congresso em 1977, criou senadores e governadores biônicos.
Com a frase, Francelino entrou para o lado folclórico da História do Brasil e se deu bem. Geisel gostava tanto dele que o fez “governador” biônico de Minas Gerais , cumprindo “mandato” de 1979 a 1983. Até hoje, continua recebendo aposentadoria como governador e segue na ativa do nepotismo político, ganhando um salário extra como “conselheiro” da estatal Cemig.
E agora aparece bem juntinho de Lula, como papagaio de pirata no velório de José Alencar. Francelino parece ser mesmo indestrutível. Afinal, que país é esse?

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