sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Dilma de terça-feira garante que a Dilma de quinta agiu contra os interesses do país - Blog do Augusto Nunes - link (aqui)



30/06/2011
às 17:28
No meio do almoço com nove senadores de partidos governistas, Dilma Rousseff jurou que resistiria à rebelião dos alugados. “Em benefício dos interesses nacionais”, avisou a presidente com fama de durona, não toparia prorrogar por três meses, como exigiam os deputados federais, o prazo para pagamento de emendas aprovadas em 2009, relativas a obras já iniciadas. A promessa formulada no começo da tarde de terça-feira começou a ser engavetada na noite de quarta. “A ministra Ideli acabou de me ligar para dizer que o decreto vai ser prorrogado até setembro”, revelou o deputado Lincoln Portela, líder da bancada do PR. “Ela conversou com a presidente Dilma, que se sentiu sensibilizada especialmente com a situação dos pequenos municípios”.
“A prorrogação sai amanhã”, foi mais preciso o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves. Nesta quinta-feira,  como informa o site de VEJA, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, oficializou a capitulação sem luta. Escalada por Dilma para a missão vergonhosa, Ideli Salvatti tentou primeiro repassá-la para a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que devolveu a bola quadrada. “Não trato desses assuntos”, avisou. Sobrou para Mantega, que cumpriu a tarefa em três minutos, num encontro com jornalistas impedidos de fazer perguntas. Não faltava tempo ao ministro. Faltavam respostas.
No curtíssimo pronunciamento, Mantega disse, por exemplo, que “isso não afeta o resultado fiscal do governo, que continuará implementando o corte de 50 bilhões de reais e o superávit primário ficará acima de 3% até o final do ano”. Conversa fiada. No almoço com os senadores, a própria presidente da República garantiu que o desembolso dos R$4,6 bilhões necessários ao pagamento das emendas configuraria a revogação do ajuste fiscal. Disse muito mais, comprovou o Globo na edição de quarta-feira. À senadora Vanessa Grazziotin, por exemplo, contou  por que se sentia obrigada a sufocar a rebelião.
“Não tenho outro caminho”, explicou. “Se flexibilizar agora, será um péssimo sinal. A mensagem negativa do afrouxamento virá carregada do simbolismo de que o governo está abrindo mão do ajuste fiscal, que é um preceito fundamental para a credibilidade do governo, controle inflacionário e estabilidade econômica”. Mantega disse o contrário. Um dos dois mentiu. Surpreendentemente, desta vez Dilma disse a verdade. Na hora da sobremesa, a anfitriã reiterou o elogio da sobriedade. “Tenho um compromisso com o país e com a austeridade fiscal”, declamou. “Tivemos muito trabalho para conquistar isso e não podemos agora dar um sinal de fragilidade”.
Ao ceder às pressões dos extorsionários de estimação, portanto, a presidente prejudicou os interesses nacionais, emitiu sinais de raquitismo político, reforçou a suspeita de que o governo é frouxo, abriu mão do ajuste fiscal, colocou em risco a estabilidade econômica e afagou o monstro inflacionário. Tudo somado, a Dilma da terça-feira garante que a Dilma de quinta mandou às favas os compromissos assumidos com o Brasil.

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