O empresário Abílio Diniz, do Pão de Açúcar, adicionou suspense à já misteriosa crônica da fusão com o grupo francês Carrefour.
Plugado ao twitter, Diniz anotou: “Tenho fé em Deus e acredito no meu trabalho. Tudo vai acabar bem e em breve contarei toda a história”.
Noutra mensagem, escreveu: “Estou sendo muito criticado, mas acredito que a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour será boa para o país e para os brasileiros”.
Em verdade, Diniz enfrenta algo mais além das críticas. Um de seus sócios, o também francês Casino, acusa-o de praticar um "golpe de Estado corporativo".
Deve-se a expressão ao advogado José Carlos Dias, que representa os interesses do Casino. Acusa Diniz de ter trançado a fusão às escuras.
Um acordo de acionistas firmado em 2005 anota que o Casino assumiria o controle do Pão de Açúcar a partir de 2012.
Algo que vai para o espaço caso se viabilize a fusão com o Carrefour, azeitada pelo BTG Pactual e pelo BNDES. Daí o linguajar apimentado do advogado:
"Não se pode aceitar o que eu chamo de golpe de Estado corporativo. Fizeram um acordo secreto e estão usando o BNDES para pressionar os franceses [do Casino]".
No dizer do advogado, o Brasil corre o risco de ser retratado de forma vexatória e humilhante. Um país que não respeita contratos.
Esboça-se uma milionária disputa judicial. Afora os contornos mercantis, a platéia assistirá a um embate de dois nomões do Direito, ambos ex-ministros da Justiça.
De um lado, José Carlos Dias, ex-ministro de FHC e advogado do Casino. Do outro, Márcio Thomaz Bstos, ex-ministro de Lula, que acaba de ser contratado por Diniz.
Em decisão no mínimo controversa, o governo empurrou o contribuinte brasileiro para dentro da encrenca.
O BNDES borrifará R$ 3,9 bilhões na fusão. Por ora, Brasília não foi capaz de prover uma boa justificativa para a entrada do bancão oficial no negócio.
A oposição arma-se para tentar arrastar a controvérsia para a arena política. Deseja-se esquadrinhar a operação no Congresso.
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) veio à boca do palco para dizer que está-se fazendo "tsunami em copo d'água".
Como assim? "Não existe nenhuma operação realizada ainda. Ela está sendo enquadrada pelo BNDES, o que significa que o banco aceitou examiná-la".
Defensor da fusão, Pimentel tentou argumentar que o negócio não passa pelo Tesouro Nacional:
"A fusão está sendo analisado pelo BNDESpar, que trabalha com recursos próprios, não com dinheiro público". Hummmm!
Perguntou-se ao ministro o que será feito do ‘S’ que injeta na sigla do BNDES a palavra “social”.
E ele: "A viabilização de um grupo internacional com maioria de capital na mão de brasileiros interessa ao país".
Na véspera, Pimentel dissera que o BNDES interessa-se pela operação porque as casas bancárias privadas se desinteressam.
Argumentara, de resto, que, viabilizando-se a fusão, seria aberta uma nova porta para a entrada de produtos brasileiros no estrangeiro.
Da tribuna do Senado, Demóstenes Torres (GO), líder do DEM, ironizou: “O papel higiênico brasileiro será vendido na França.”
Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, Abílio Diniz faria um inestimável favor à platéia se mudasse de idéia.
Deveria contar imediatamente “toda a história”, que promote para “breve”. O pagador de impostos tem o direito de saber onde está sendo metido.
Escrito por Josias de Souza às 20h18




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