sábado, 1 de outubro de 2011

Dona Marta e o botox tentam pegar carona...

 

Deu no Blog do Josias (aqui)

Artigo: Marta Suplicy entra na ‘polêmica’ sobre Gisele

Sérgio Lima/Folha



A senadora Marta Suplicy (PT-SP) utilizou seu artigo de sábado, na Folha, para enfiar a colher de especialista na polêmica da semana.
Discorreu sobre os comerciais de calcinhas e sutiãs estrelados por Gisele Bündchen.
Endossou a visão da ministra petista Iriny Lopes, que enxergou nas peças preconceito e discriminação contra as mulheres.
Ao longo do texto, Marta escora-se em argumentos que exibem o oco do vazio em que se meteram as inimigas dos comerciais.
A senadora reconhece: a polêmica fez “a propaganda ser mais vista e falada”. Prova-o seu próprio artigo, impresso em espaço nobre.
Noutro trecho, Marta anota que “Gisele pode pagar seu cartão de crédito e de quantos maridos tiver.”
Para ela, os autores dos comerciais “poderiam vender até mais calcinhas e sutiãs” se explorassem a imagem dessa Gisele independente e bem sucedida.
Marta pode ter razão. Ou não. Campanhas publicitárias do gênero só costumam ir ao ar após a realização de refinadas e exaustivas pesquisas mercadológicas.
A questão é outra: será que a mulher brasileira de hoje é imbecil a ponto de tomar o humor de um comercial como grave ofensa à evolução da espécie? Improvável.
Não será um par de peças publicitárias que fará a platéia esquecer o grau planetário de emancipação de Gisele.
Em proporção mais modesta, a biografia da própria Marta é exemplo do estágio emancipatório a que chegaram as saias brasileiras.
Rica e bem nascida, Marta foi criada para viver num mundo de donzelas burguesas, matriarcas austeras e machos opressivos.
Traçaram-lhe um destino de horizontes acanhados: estudaria em colégio de freiras, entregaria seus olhos azuis a um bom marido, teria filhos e administraria o lar.
Aproveitando-se das brechas de sua época, Marta saltou da armadilha. Estudou nos EUA numa fase em que jovens como ela se faziam notar queimando sutiãs em praças.
De volta ao Brasil ganhou fama na TV Globo. Em plena década de 80, invadia os lares no matinal "TV Mulher", falando de masturbação, orgasmo e homossexualismo.
Curioso que Marta venha agora aderir à tolice atiçada por peças publicitárias que, boas ou ruins, teriam passado em branco não fosse o pseudo-assombro do neofeminismo sem causa.
A mulher brasileira, por atilada, merece mais respeito. A maioria talvez se sentisse mais bem representada por uma senadora que não tomasse suas semelhantes por vítimas atoleimadas de um reles comercial de TV.
Vai abaixo o artigo de Marta Suplicy:
Por achar que o anúncio de lingerie com Gisele Bündchen é preconceituoso e discriminatório, a Secretaria de Políticas para as Mulheres pediu sua saída do ar. O Instituto Patrícia Galvão diz não passar de estratégia para criar constrangimento e a propaganda ser mais vista e falada, o que de fato já está acontecendo, como atesta esta coluna e outras.
De manhã, vi a foto de Gisele de biquíni. Minha reação imediata foi: ‘Que beleza!’. Pose natural, solta, sutiã e calcinha normais. Poderia estar na praia que estaria mais vestida que qualquer outra. Logo percebi que se tratava de algo mais. Uma polêmica. Fui ver na internet.
Vi Gisele com shortinho de ir ao supermercado e ela diz: ‘Amor, estourei meu cartão de crédito’. Carimbo de ‘Errado’. Com lingerie azul básica, mas com Gisele dentro nada é básico, declara: ‘Amor, estourei meu cartão de crédito e o seu também’. ‘Certo’. O texto varia em três tons, pregando a sensualidade como arma.
Em off, ouve-se: ‘Você é brasileira, use seu charme’. A crítica refere-se ao reforço dado ao estereótipo que todos combatemos: exploração da subserviência ligada à sexualidade.
Muitas são as formas femininas de se posicionar no mundo machista, nas diferentes áreas de trabalho e no privado. Existem as ‘armas femininas’, além da sensualidade, como a percepção mais sensível e perspicaz da vaidade, do medo, da intolerância que fazem frequentemente da mulher uma interlocutora mais hábil.
Por que ela não utilizaria, do jeito que as coisas são e enquanto durarem, uma das mil qualidades e possibilidades que tem? Quão bom seria se, em vez de propagandas que põem uma âncora no nosso pé, não utilizassem a imagem de Gisele, que é uma mulher independente, para mostrar o mundo novo e engraçado que essas mulheres estão criando.
Gisele pode pagar seu cartão de crédito e de quantos maridos tiver. Com a criatividade do quilate da peça em debate e sem estereótipos machistas, poderiam vender até mais calcinhas e sutiãs. O que certamente ajudaria a reforçar, cada vez mais, de forma positiva, esse gigantesco mercado feminino de consumo.
Falta um olhar para essa nova mulher, falta ousadia, falta ajudar a chegar no século 21.
Continuando, mude a Gisele para um bonitão. Vejamos: talvez na primeira cena ele teria de vir de bermuda mal ajambrada, com um copo de cerveja e, nesse momento, apareceria ‘Errado’.
Depois, ele apareceria como? Um bonitão, um cara de inteligente, de gentil/doce, de intelectual... Ih! A mulherada é bem mais complexa. Este novo comercial, no masculino, não daria certo. Preconceito?"

Escrito por Josias de Souza às 06h47

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