quarta-feira, 6 de julho de 2011

Em vídeo, Nascimento troca verbas por filiação ao PR - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)


06/07/2011

Reprodução IstoÉ



Foi à web um vídeo com cenas constrangedoras para Alfredo Nascimento (PR-AM), afastado nesta quarta (6) do cargo de ministro dos Transportes. Gravadas no gabinete ministerial em 24 de junho de 2009, as imagens foram trazidas à tona pelos repórteres Lúcio Vaz e Sérgio Pardellas.
A dupla redigiu notícia veiculada em edição antecipada da revista IstoÉ (Aqui, a reportagem). O video mostra uma reunião de Nascimento, à época ministro dos Transpoirtes de Lula, com o deputado maranhense Davi Alves da Silva Júnior.
Além das vozes de Nascimento e de Silva Júnior, soa ao fundo o deputado Valdemar Costa Neto, secretário-geral do PR. Produziu-se na reunião uma negociata política. Nascimento liberou R$ 1,5 milhão do orçamento dos Transportes para uma obra rodoviária de interesse de Silva Júnior.
E o deputado, que havia sido eleito pelo PDT do Maranhão, transferiu-se para o PR, a legenda presidida por Nascimento. A alturas tantas, Nascimento diz ao deputado: “Rapaz, tu não tá nem no partido e já tá conseguindo arrancar as coisas daqui, imagina quando estiver no partido!”
De fato, depois de consumada a migração de Silva Júnior para o PR, as portas do orçamento dos Transportes se abriram para ele. A gravação engrossou o caldeirão de denúncias que levou à queda do ministro e de quatro integrantes do seu staff.
Nascimento foi ao olho da rua nas pegadas da notícia de que mostrara-se sob ele um esquema de cobrança de propinas que variavam entre 4% e 5%. Por trás do esquema, o deputado Costa Neto. O mesmo que renunciara ao mandato, em 2005, depois de ter sido pilhado no mensalão.
Abaixo, a transcrição de trecho do diálogo filmado na sala de Alfredo Nascimento. Cuidava-se da liberação de verbas para a rodovia BR-010:
- Alfredo Nascimento: Já vou logo copiar aqui o pedido dele... Davi Alves da Silva Júnior, BR- 010, construção da travessia urbana...
- Valdemar Costa Neto:
... de Imperatriz.
- Davi Alves da Silva Júnior: Imperatriz, acesso a Davinópolis.
- Costa Neto: Já começou o projeto,
não é, Davi?
- Davi Júnior: Já.
- Costa Neto: Já estão contratando, já está na fase final, viu, Alfredo?... Por isso que ele [deputado Davi Júnior] veio aqui te agradecer.
- Nascimento: Ah!... É aquele negócio que tu me pediste?
- Costa Neto: É, é...
- Nascimento: Pra ele? [referindo-se ao deputado Davi Alves].
- Costa Neto: É...
- Nascimento: Rapaz, tu não tá nem no partido e já tá conseguindo arrancar as coisas daqui, imagina quando estiver no partido! [risos].
Na sequência da conversa, o ministro lê o texto do documento que libera R$ 1,5 milhão para a obra. Assina o texto indicado por Costa Neto, que conduz a reunião.
- Nascimento: [lendo o documento] Informo que está sendo liberado nesta data limite adicional para movimentação do empenho, no valor de um milhão e meio de reais...
- Costa Neto: Um milhão e meio, você que liberou.
- Nascimento: [ainda lendo o documento] ...Ação... Estudo de viabilidade e projeto de infra-estrutura de transporte, travessia urbana, na divisa das cidades de Divinópolis e Imperatriz.
- Davi Júnior: Davinópolis [corrigindo o nome da cidade maranhanse].
[…]
- Nascimento: É Davi ou Divinópolis?
- Davi Júnior: É Davi... Ah, que botaram Divinópolis aqui [olhando para o documento, é Davi... é Davi mesmo.
- Nascimento: Porra, você dono
 da cidade?
- Costa Neto: É Davi, por causa do nome dele, por causa do pai dele, o pai dele que fez a cidade, o pai dele era deputado federal, Alfredo.

Escrito por Josias de Souza às 17h35

Cai o Ministro dos Transportes e por tabela o tal João Pedro



O Senador Magno Malta, líder do PR no Senado, acaba de comunicar o pedido de exoneração do Ministro Alfredo Nascimento.

Como, benfajezo e imediato, efeito colateral, estamos livres do suplente João Pedro (PT-Amazonas), que agora, recolhe-se à condição de mero amigo pessoal de Lula.


Aqui a nota do Ministério dos Transportes:



"ESCLARECIMENTO
Brasília, 6 de julho de 2011.
O Ministro de Estado dos Transportes, senador Alfredo Nascimento, decidiu deixar o governo. Há pouco, ele encaminhou à presidenta Dilma Rousseff seu pedido de demissão em caráter irrevogável.
Com a determinação de colaborar espontaneamente para o esclarecimento cabal das suspeitas levantadas em torno da atuação do Ministério dos Transportes, Alfredo Nascimento também decidiu encaminhar requerimento à Procuradoria-Geral da República pedindo a abertura de investigação e autorizando a quebra dos seus sigilos bancário e fiscal. O senador está à disposição da PGR para prestar a colaboração que for necessária à elucidação dos fatos.
Alfredo Nascimento reassumirá sua cadeira no Senado Federal e a presidência nacional do Partido da República (PR) coloca-se à disposição de seus pares para participar ativa e pessoalmente de quaisquer procedimentos investigativos que venham a ser deflagrados naquela Casa para elucidar os fatos em tela."

O blogbar acrescenta:

- Adeus João Pedro!

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Sobre o pedido de exoneração, destaque-se o artigo de Carlos Newton, Tribuna da Internet (aqui):


"O corruptíssimo ministro Alfredo Nascimento já vai tarde. Só esqueceu de anunciar a criação de um “Código de Conduta Ética” no âmbito dos transportes.

Carlos Newton
Não deu para entender a estratégia da presidente Dilma Rousseff no escândalo do Ministério dos Transportes. As sucessivas denúncias do senador Mario Couto (PSDB-PA) sobre o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) estavam incomodando o governo. A presidente mandou apurar, a revista “Veja” se adiantou e fez uma matéria a respeito, sem maiores detalhes, e imediatamente, no sábado mesmo, quatro integrantes da cúpula do ministério foram afastados por determinação do Planalto.
Como se sabe, as suspeitas de corrupção no Ministério dos Transportes, no Dnit e na Valec incluem um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina que beneficiaria o PR. O partido controla a pasta desde o governo Lula e é um dos principais integrantes da base aliada.
Ao invés de se livrar logo do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que obviamente era o chefe da quadrilha, estranhamente a presidente decidiu manter Nascimento no cargo. Como no caso de Antonio Palocci a demissão foi um parto que durou duas semanas, parecia se confirmar que a estratégia de Dilma Rousseff é deixar o ministro apodrecendo, até cair do galho e se espatifar no chão.
Com Palocci a coisa funcionou, o prestígio da presidente nem chegou a ser muito atingido. Mas insistir nessa estranha política do imobilismo pode ser uma tática altamente perigosa, por demonstrar conivência com a corrupção.
O mais incrível é que a presidente mandou até divulgar uma nota oficial ratificando “a confiança total em Nascimento”, vejam a que ponto chegamos. O ministro, todo pimpão e se julgando detentor de uma espécie de “habeas corpus preventivo”, achou que ia escapar ileso e só faltou anunciar a criação de um “Código de Conduta Ética” no âmbito dos transportes. Imediatamente alardeou a abertura de uma sindicância interna na pasta (o que não significa absolutamente nada, vejam o exemplo de Erenice Guerra na Casa Civil) e prometeu prestar esclarecimentos à Câmara e ao Senado sobre o caso, numa enrolação danada, logo apoiada entusiasticamente. Por quem? Ora, por José Sarney.
O presidente do Senado disse que Nascimento não podia ser exonerado “apenas por uma acusação publicada”. E acrescentou:”Acho que a presidente tomou medidas imediatas que foram muito saneadoras e, em seguida, entregou ao ministro a condução da apuração dessas irregularidades todas”, afirmou Sarney, de que não se espera mesmo nada.
Era óbvio que a imprensa logo iria esmiuçar a corrupção que o senador Mario Couto tanto denunciou da tribuna, só não se esperava que o desfecho acontecesse tão rápido. E O Globo surpreendeu a todos, ao publicar hoje a estarrecedora notícia de que o ministro dos Transportes tinha uma espécie de Palocci dentro de casa, o filho de 27 anos, Gustavo Morais Pereira. Uma das empresas de Gustavo, a Forma Construções, apenas dois anos após ser criada, com um capital social de modestos R$ 60 mil, conseguiu acumular um patrimônio de mais de R$ 50 milhões, com crescimento de 86.500%, um desempenho de deixar espantado até o consultor Palocci.
Uma notícia dessas já seria suficiente para demitir até o Papa, quanto mais o ministro dos Transportes. Mesmo assim, a presidente Dilma Rousseff continuou protelando. O desenlace fatal só veio a ocorrer no  final da tarde, com o ministro agonizando em público o dia inteiro. E assim a tão esperada reforma do Ministério começa a acontecer. Mas aos pouquinhos. Em doses homeopáticas, infelizmente."

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Wes Montgomery - California Dreaming

 
 

Wes Montgomery - Stranger in Paradise.wmv

 
 

Wes Montgomery - Canadian Sunset

 
 

Wes Montgomery Besame Mucho

 
 

Wes Montgomery - Round Midnight

 
 

Wes Montgomery - Windy



Bar é fotografia - Vernon Trent

 


http://www.xoverip.info/pb/images/20090327104557_cc_mg_5196-x.jpg


Vernon Trent

Untitled

Gritar sem demitir só humilha, não resolve - José Nêumanne - O Estado de S.Paulo - link (aqui)



06 de julho de 2011 | 0h 00

Nossa Constituição foi preparada para atender à tendência parlamentarista de seus autores. Mas na última hora, por obra e graça de um espírito pelintra baixado do Planalto na gestão Sarney, tornou-se presidencialista a muque, instituindo um sistema de governo de coalizão que atormenta os chefes do Poder Executivo e trai a vontade do cidadão.
Eleito duas vezes seguidas logo no primeiro turno, montado no alazão do Plano Real, que promoveu a maior revolução social da História do Brasil, o tucano Fernando Henrique Cardoso - é verdade - compôs um complicado bloco de apoio que não sabotou em nenhum instante sua autoridade de chefe de governo. Mas também é fato que, ao longo de seu segundo mandato, o desgaste a que foi submetido o tornou alvo favorito dos adversários oposicionistas e companhia incômoda dos aliados. Malandro, manhoso e esperto, o petista Luiz Inácio Lula da Silva entrou para a galeria dos grandes conciliadores de nossa História rompendo com a intransigência de origem de seus partidários para acolher à sombra do poder a rafameia da politicalha nacional, que tanto execrava antes. Tudo em nome da governabilidade.
Até hoje não parecem suficientemente claras as intenções do ex-presidente ao indicar Dilma Rousseff para o posto-chave da chefia da Casa Civil e, em seguida, fazê-la sucessora. Sejam quais tenham sido, é certo que não foi pelas semelhanças entre seus estilos. Lula, negociador habilidoso, treinado na luta sindical, e Dilma, ex-guerrilheira e burocrata com fama de "gerentona" implacável, têm abordagens opostas em relação aos políticos. O ex sempre proclamou seu desapreço, beirando a náusea, por ademanes e maracutaias (o termo é de sua preferência) da política clássica, com suas chalaças, negaças e traições, mas praticou-os como poucos o fizeram "antes na História deste país". A atual atribuiu-se, além do estilo "faz sem falar" que adotou desde a candidatura, interesse pela articulação política, mas a prática tem revelado os limites de suas habilidades para essa arte, que exige de quem a pratica estômago de avestruz e paciência de monge. Sem vocação para irmã Dulce, ela atravessou o primeiro semestre de sua gestão entre tapas dirigidos a aliados recalcitrantes e beijos destinados a antigos desafetos de sua grei e demônios de suas crenças.
O primeiro exemplo de seu esforço para assoprar foi a carta elogiosa ao ex-presidente Fernando Henrique por ocasião de seu 80.º aniversário, espécie de senha para os salamaleques subsequentes de correligionários, como o presidente da Câmara, Marcos Maia, e subordinados, como o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O empenho de morder revelou-se em permanentes crises com a base aliada do governo no Congresso, que desaguaram na aprovação de um Código Florestal infiel aos cânones oficiais, e no boxe sem luvas da ocupação dos cargos na máquina pública pelos aliados, que desperta os apetites mais vorazes e vulgares destes. O presidencialismo de ocasião e coalizão propicia a prática da fritura depois do banho-maria, que faria o florentino Maquiavel corar.
Nunca Lula apunhalou sem antes anestesiar a vítima com muita saliva. Dilma revela preferência pelo tranco como método de persuasão. Por isso alguns analistas interpretaram a citação da metamorfose dos idiotas apud Nelson Rodrigues, no discurso do xará Jobim do "anjo pornográfico" no primeiro escalão, como uma diatribe dirigida a colegas de Esplanada, com direito a queixa sibilina ao estilo de terraplenagem imposto à relação com subordinados pela chefe, insinuada nos elogios à delicadeza do ex-chefe.
Não parecia ainda ter sido absorvida a cusparada do ministro da Defesa quando nova crise surgiu com notícias de reclamações intramuros de Dilma contra seu ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, presidente nacional do PR, um partidinho aliado. O mal-estar foi revelado pela Veja que circula esta semana, dando conta da insatisfação de Dilma com a maneira heterodoxa como o subordinado disporia de verbas orçamentárias destinadas à maior parcela de obras incluídas no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). Segundo a revista, haveria na pasta um esquema de cobrança de propinas de 4% de empreiteiras e de 5% de empresas de consultoria relacionadas com obras em rodovias e ferrovias. Chegou a ser anunciado que os quatro principais burocratas envolvidos no escândalo tinham sido demitidos, mas isso não foi confirmado: um tirou férias e de outro não se sabe bem. Um vexame!
Vexame maior foi que a cabeça do presidente da sigla aliada foi mantida sobre o pescoço, com o bônus do apoio público da própria Dilma, que se limitou a determinar que Alfredo Nascimento apure as denúncias com rigor, seguindo a praxe lulista de dar ao réu poderes de juiz sobre si mesmo. Se fosse técnico de futebol, poder-se-ia dizer que ele foi "prestigiado", mesmo após ter seu time levado quatro gols no jogo. O episódio demonstra claramente as limitações da chefia do governo no regime de coalizão vigente no Brasil. Se Lula lambia o local da ferida antes de apunhalar, Dilma grita, mas nem sempre demite. Ou seja, a dependência dos votos das bancadas situacionistas nos embates do Congresso mantém a presidente refém dos interesses subalternos dos aliados.
Isso é trágico para o Estado Democrático de Direito, pois Dilma foi eleita pela maioria do eleitorado para exercer plenamente o Poder Executivo e isso não ocorre pelas dificuldades da chamada governabilidade. Pode-se argumentar que, tendo herdado essa situação de dois governantes habilidosos, sem contar com idêntica prática em manhas e mumunhas, o máximo que ela pode fazer é tentar forçar um pedido de demissão pela técnica mal-educada da humilhação testemunhada. Se a prática prospera, o espírito republicano tenderá a definhar até morrer, se é que ainda não morreu. Ou Dilma reage e resolve, ou poderá naufragar e levar junto a estabilidade.

Firma de filho de ministro ‘cresceu’ 86.500% em 2 anos - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)



06/07/2011

Shutter Stock


O arquiteto Gustavo Morais Pereira, 27, filho do ministro Alfredo Nascimento (Transportes), é alvo de investigação do Ministério Público Federal.
Apura-se a suspeita de enriquecimento ilícito. No miolo do processo, está a Forma Construções, uma das empresas de Gustavo.
Em dois anos de funcionamento, de 2005 a 2007, a Forma foi submetida a um inusitado regime de engorda.
Nascida com um capital social de R$ 60 mil, a firma do filho do ministro amealhou patrimônio de mais de R$ 52,3 milhões. Cresceu 86.500%.
Deve-se a informação aos repórteres Jailton de Carvalho e Gerson Camarotti. Em notícia veiculada nesta quarta (6), a dupla relata:
1. A investigação da Procuradoria foi aberta no Amazonas, ano passado. Nasceu de um negócio celebrado entre Gustavo e a firma SC Carvalho Transportes e Construções.
2. Beneficiária de verbas do ministério gerido pelo pai de Gustavo, a SC Carvalho repassou à empresa do filho do ministro R$ 450 mil.
3. A transação ocorreu em 2007. No mesmo ano, a SC Carvalho recebeu R$ 3 milhões do Fundo da Marinha Mercante, gerido pela pasta dos Transportes.
4. Em 2008, a empresa foi aquinhoada com mais R$ 4,2 milhões do mesmo fundo. Apura-se o conflito de interesses.
5. A SC Carvalho está registrada em nome Marcílio Carvalho e Claudomiro Picanço Carvalho.
6. Em 2006, um ano antes de sua empresa começar a receber verbas da pasta dos Transportes, Picanço borrifou R$ 100 mil nas arcas eleitorais de Nascimento.
7. O empresário figura nos registros do TSE como principal doador da campanha do ministro ao Senado. Doou também R$ 12 mil ao PR, à época ainda chamado de PL.
8. Marcílio Carvalho, sócio de Picanço na SC, é marido de Auxiliadora Carvalho, nomeada por Nascimento para chefiar o escritório que administra o Dnit no Amazonas e em Roraima.
9. Ouvido pelo Ministério Público, Gustavo disse que os R$ 450 mil que recebeu da SC Carvalho referem-se à venda de um imóvel. Não convenceu.
10. Chamou a atenção da Procuradoria o crescimento meteórico da empresa do filho de Nascimento.
11. Gustavo tinha 21 anos em 2005, quando inaugurou, com outros dois sócios, a Forma Construções.
12. No ano seguinte, a empresa já somava ativos de R$ 17,7 milhões. Em 2007, declarou à Receita Federal patrimônio de notáveis R$ 52,3 milhões.
13. Procurado, o ministro manifestou-se por e-mail. Ecoando o filho, disse que o depósito da SC Carvalho em favor da firma de Gustavo é fruto da venda de um imóvel.
14. De resto, Alfredo Nascimento negou que mantenha relações com os proprietaries da SC Carvalho.
15. Em outra notícia, assinada pela repórter Mariângela Gallucci, fica-se sabendo de um detalhe curioso sobre a escrituração da campanha eleitoral de Nascimento.
16. Nada menos que 91,32% das verbas doadas ao ministro no ano passado, quando disputou o governo do Amazonas, ingressaram no caixa de forma oculta.
17. Significa dizer que o dinheiro entrou pelo caixa geral ou pelos diretórios estadual e nacional do PR, o partido de Nascimento.
18. Quando isso ocorre, o candidato não é obrigado a fornecer os nomes dos doadores à Justiça Eleitoral.
19. De acordo com os dados levados por Nascimento aos arquivos do TSE, sua campanha custou pouco mais de R$ 10,8 milhões.
20. Desse total, R$ 8,8 milhões vieram do comitê financeiro único do PR; R$ 626,8 mil, do diretório estadual da legenda; e R$ 450 mil, do diretório nacional.
21. A assessoria de Nascimento informou: "Os recursos arrecadados na disputa eleitoral foram todos distribuídos pelo partido". As contas foram aprovadas pela Justiça.

Escrito por Josias de Souza às 03h58

Sebastião Nery - Tribuna da Internet - link (aqui)

 
 
quarta-feira, 06 de julho de 2011 | 03:43

Adeus a Itamar

Sebastião Nery
JUIZ DE FORA – Ele sempre foi Forrest Gump. Mesmo quando fazia  errado, dava certo. Mineiro de Juiz de Fora, mas nasceu em Salvador, na Bahia, em 28 de junho de 1931, chegando de navio. Chamava-se Itamar Augusto Cautieiro Franco, não se sabe se “pedra (ita) no mar” ou “navio (ita) no mar”. Pela estrela, devia ser navio. Pedra afunda.
Presidente do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia de Juiz de Fora, comandava seis votos (dois da Engenharia, dois da  Enfermagem, dois da Assistência Social) e era um sufoco arrancar a decisão dele antes de cada eleição da nossa UEE, União Estadual dos Estudantes (eleição indireta, dois votos por Faculdade). Até nos prendia.
Em 1953, Peralva Miranda Delgado, líder na Faculdade de Direito de Juiz de Fora, vereador do PTB eleito pelos comunistas (depois vice-reitor da Universidade Gama Filho, no Rio), iria com Itamar pegar-me na estação para discutirmos a eleição da UEE. Peralva não foi, nem Itamar. Desci sozinho e um investigador de Belo Horizonte, que estava no trem e me conhecia do “Jornal do Povo”, do Partido Comunista, levou-me para o xadrez. Cadeia siberiana. Um frio de lascar, a noite inteira sentado em um banquinho. Até que Peralva e Itamar me descobriram no dia seguinte. Mas Itamar não falhava conosco. Votava sempre com a esquerda;
***
PREFEITO
Em 1954, 23 anos, antes da formatura, candidato a vereador pelo PTB, perdeu. Em 58, candidato a vice-prefeito, sempre pelo PTB, perdeu novamente. Veio o golpe de 1964 e cassou o PTB inteiro de Juiz de Fora, a começar por Clodismith Riani, presidente Nacional da CGT. Menos Itamar. Era amigo do governador Magalhães Pinto, que o protegeu.
O comando da UDN de Juiz de Fora era de Pedro Aleixo. Através de José Aparecido, amigo de Itamar, Magalhães fazia política em Juiz de Fora aliado ao PTB, que o apoiou contra Tancredo Neves em 60.
Em 1966, fundador do MDB, era o único petebista importante de Juiz de Fora não cassado. Disputou a prefeitura e ganhou com 75% dos votos. Em 1972, voltou à prefeitura. Em 74, Tancredo, o candidato natural, não acreditou na eleição para senador. Matando os assessores de angustia, Itamar deixou a prefeitura no derradeiro minuto. Saiu para ganhar.
***
SENADOR
Candidato da ARENA, José Augusto, ex-presidente da Assembléia, instituição do PSD, desafiado por Itamar para um debate, não aceitou. Esperou Itamar viajar para o interior, pôs uma cadeira vazia no programa da ARENA na televisão e dizia que o estava esperando para o debate.
Itamar voltou sem dizer nada, entrou no estúdio (os programas eram ao vivo), sentou na cadeira e desafiou: “Cadê o Zé Augusto? Chamou e correu”. O velho jantava em um restaurante próximo, pegou um porrete, foi para a televisão e entrou no estúdio para quebrar Itamar. Os câmeras não deixaram. Minas inteira viu, foi um escândalo. Itamar ganhou.
***
COLLOR
Presidente da Comissão de Corrupção do governo Sarney no Senado, em 89 Itamar pensava em ser vice de Brizola. Disse-me que ele ia ganhar. Hélio Garcia, governador, também queria ser vice de Brizola. Brizola sabia e nunca ligou para nenhum dos dois.Dizia que mineiro iria conspirar contra ele. A paranóia de Brizola achava que ele era Getúlio e ganharia sozinho.
Itamar foi vice de Collor. Apesar do empenho dos amigos Hélio Costa, Renan Calheiros, eu e outros, só decidiu mesmo numa quase madrugada, no gabinete do Ministério da Cultura, depois de horas de discussão com José Aparecido, que o convenceu assim (vi e ouvi):
- Se você se eleger vice de Brizola, não muda nada na política de Minas. Brizola não entra em Minas. E, se perder, fica mal. Mas se você se eleger vice de Collor, você comanda Minas. E, se perder, não perde nada.
A entrada de Itamar no PRN e o registro da candidatura no cartório de Juiz de Fora, no último minuto, foi uma operação de desespero.
***
A ESTRELA
Dias depois, Itamar foi pela primeira vez a Minas com Fernando Collor, para um debate na Federação das Industrias. Quando descemos no aeroporto da Pampulha, estava lá, aflito, o jornalista Odin Andrade, querido companheiro de velhos tempos da imprensa mineira:
- Nery, o Collor não pode cometer a loucura de ter o Itamar como vice. O Itamar tem uma estrela maior do que a do nascimento de Jesus Cristo. Se ele for o vice, Collor não acaba o mandato e ele vai ser o presidente. Diz ao Collor para tirar o Itamar e pôr outro. Ele é um raio.
Na volta para Brasília (Itamar ficou em Belo Horizonte), contei a conversa a Collor. Deu uma gargalhada. Riu da verdade. E deu no que deu.
***
“A NUVEM”
Em 2 de dezembro, fui lançar “A Nuvem” em Brasília. Itamar ligou:
- “Nery, não vou poder ir ao lançamento de seu livro. Estou indo a Juiz de Fora. É uma pena.  Nossa geração mineira de 1930 (ele de 31, eu de 32), de Zé de Castro a Zé Aparecido, está indo embora. Sucesso e se cuide”.
Domingo, aqui em Juiz de Fora, vi mais uma vez quanto Minas o queria.

Comercial antigo - VARIG: viagem ao japão

 
 

Charge do dia

Charge do dia 06/07/2011


Humberto - Jornal do Commercio - Recife, PE