quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sinais de fumaça



Primeiro sinal:


Deu na Coluna do Cláudio Humberto (aqui)

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Ex-ministro teme
que Dilma não conclua mandato

O ex-ministro José Dirceu manteve em Brasília conversas reservadas com dirigentes e políticos aliados, como o senador José Sarney, além de lideres partidários. Para um dos senadores do PMDB com quem conversou, Dirceu está “apavorado” com erros da presidenta Dilma no relacionamento com partidos e o Congresso. O ex-ministro deixou claro aos interlocutores o seu temor: que Dilma não conclua o mandato.

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Segundo sinal:

Pedro Simon, em meio à ordem do dia, na sessão do senado federal, interpelou Sarney para que o mesmo desmentisse Dirceu, ao que o senador atendeu negando conversa a respeito com José Dirceu.


Delicado / Percy Faith and his orchestra

 
 

Lawrence Welk - Calcutta

 
 

Rise - Herb Alpert (1979)



Morris Stoloff - Moonglow & Theme From "Picnic" (Original Stereo)

 
 

JERSEY BOUNCE by Earl Hines and his Orchestra 1941

 
 

Billy Vaughn & His Orchestra - Lisbon Antigua

 
 

Leroy Anderson - "BLUE TANGO"

 
 

Glenn Miller Orchestra - Moonlight Cocktail (Original)

 
 

Dilma se opõe ao reajuste do Judiciário e irrita o STF - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)



10/08/2011

Roberto Stuckert Filho/PR


Já às voltas com dificuldades para assegurar a fidelidade de seus aliados no Congresso, Dilma Rousseff comprou uma briga com o Poder Judiciário.
Em reunião com os comandantes dos partidos do condomínio governista, Dilma pediu que evitem aprovar no Legislativo propostas que elevem os gastos públicos.
Mencionou especificamente o pedido de reajuste salarial dos magistrados e servidores do Judiciário, uma demanda do STF.
O blog ouviu dois ministros do Supremo sobre a recomendação da presidente aos partidos. Ambos reagiram com indisfarçável irritação.
Falando para os líderes e presidentes de legendas que integram o conselho político do governo, Dilma evocou a crise econômica.
Disse que o país está preparado para enfrentá-la sem permitir que haja recessão. Mas ressaltou que nada será feito sem sacrifícios.
Declarou que os “Três Poderes precisam colaborar.” Foi nesse ponto que Dilma injetou o Judiciário na conversa. Foi peremptória ao desrecomendar o reajuste salarial.
Afirmou que a concessão do aumento de 14,8% reivindicado pelo Supremo provocaria um indesejável efeito cascata.
Segundo o relato de polítcos presentes ao encontro, a presidente disse que, historicamente, a elevação das despesas salariais do Estado “começam pelo Judiciário.”
Um dos ministros do STF ouvidos pelo repórter afirmou: “A presidente não está agindo de boa fé. Ela sabe que não estamos pedindo reajuste...”
“...Nossa demanda é pela reposição de perdas impostas pela inflação. Uma inflação que o governo dela não vem conseguindo debelar como deveria.”
O outro ministro ironizou: “Com tantos casos de corrupção, parece até brincadeira. O que atrapalha a gestão das finanças não é a folha salarial, mas os ralos.”
Os ministros do Supremo acabam de aprovar, em reunião administrativa, a proposta de orçamento do tribunal para 2012. Prevê gastos de R$ 614 milhões.
A cifra inclui o pagamento de salários reajustados. No caso dos ministros, se o Congresso deixar, o contracheque vai dos atuais R$ 26.723 para R$ 30.675 mensais.
No encontro com os políticos, Dilma foi ecoada pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). Também ele rogou aos congressistas que se abstenham de criar despesas novas.
Mantega pregou contra a chamada PEC 300, a proposta de emenda constitucional que cria um piso salarial para bombeiros e PMs de todo país.
De acordo com a reprodução feita por líderes que estiveram no encontro, o ministro soou em timbre próximo do apocalíptico.
Disse que a aprovação da emenda reivindicada por bombeiros e policiais militares empurraria o Brasil para “dentro da crise internacional.”
Mantega repisou algo que dissera na véspera, no plenário da Câmara: a crise iniciada nos EUA e na Europa deve ser duradoura. Emendou: “Não gastem, não gastem.”
Na contramão do discurso da parcimônia, um par de líderes lembrou a Dilma que a demora do governo em liberar as verbas de emendas parlamentares conspurca o ambiente no Congresso.
Presente à reunião, a ministra Ideli Salvatti, gestora do balcão, lembrou que já obteve da Fazenda o compromisso de liberar uma parte.
Dias atrás, Ideli falara em R$ 1 bilhão em emendas, R$ 150 milhões dos quais imediatamente.
Os aliados do governo desejam mais, muito mais. Exigem do Planalto a liberação de algo entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões.
Para não azedar a reunião além do necessário, evitou-se mencionar a sucessão de denúncias que eletrificam a Esplanada dos Ministérios.
Tampouco foi citada a operação deflagrada na véspera pela Polícia Federal, que resultou na prisão de integantes da cúpula do Ministério do Turismo.

Escrito por Josias de Souza às 23h03

Dona Marta vai ao banheiro...

 

Deu no Estadão online (aqui)

'Fui porque havia uma necessidade de ir ao banheiro', diz Marta

Senadora se disse indignada com o tratamento dado pela imprensa ao episódio

10 de agosto de 2011 | 19h 33


http://www.estadao.com.br/fotos/Marta_BetoBarataAE10082011_288x212.jpg
Beto Barata/AE

Rosa Costa, da Agência Estado
BRASÍLIA - A senadora Marta Suplicy (PT-SP) disse nesta quarta-feira, 10, da tribuna que se sentiu "indignada" pela maneira como a imprensa tratou a forma como ela agiu para não comentar a prisão de seu ex-chefe de gabinete e assessor de campanha, Mário Moyses, com outros 34 servidores do Ministério do Turismo.

Ela negou que tenha saído da mesa do plenário para o banheiro para se esconder dos repórteres. "Fui porque havia uma necessidade de ir ao banheiro", alegou. "Quando saí, havia 10 jornalistas, para minha surpresa e eu simplesmente disse que não iria mais falar sobre o assunto, porque já havia me manifestado e não sabia do que se tratava".
A senadora omitiu em seu discurso a forma inédita como deixou o plenário: ela "escapuliu" pela saída que dá acesso à taquigrafia, chamado de buraco da taquigrafia, contrariando policiais que haviam vetado a ideia porque o local está em obras. Dali, foi para o estacionamento lateral, onde era aguardada pelo seu carro.
Marta deixou claro neta quarta-feira que está em campanha para a Prefeitura de São Paulo. Depois de explicitar sua "indignação", falou sobre os benefícios que criou para os idosos quando era prefeita. Ela lamentou a redução de benfeitorias iniciadas na sua gestão, prometendo recuperá-las se assumir a Prefeitura novamente.
"Então, quanto à questão do idoso, há uma gama gigantesca em que nós podemos fazer intervenção, não só nas áreas em que os próprios ministérios podem se posicionar e podem ajudar essa comunidade", prometeu. "Sei que o governo federal tem tido essa preocupação, mas nós devemos ampliar essa preocupação também para o governo federal poder ajudar prefeituras que estejam interessadas", acrescentou, procurando evidenciar a sua proximidade com a presidente Dilma Rousseff.

Com o loteamento dos ministérios, a aliança governista criou o mensalão que substitui doações em dinheiro pela entrega do cofre - Augusto Nunes - link (aqui)



10/08/2011
às 18:07
Até os mendigos e os travestis que fazem ponto nas esquinas do Flamengo imaginaram que a pauta da reunião do diretório nacional do PT, realizada neste 5 de agosto no Hotel Novo Mundo, no Rio de Janeiro, seria quase inteiramente absorvida pelo tsunami de bandalheiras que varre a Esplanada dos Ministérios. O que acharam os Altos Companheiros, por exemplo, do despejo da quadrilha do PR em ação no mundo dos transportes? O que pensam das bandidagens no Ministério da Agricultura, arrendado ao PMDB? A faxina prometida pela presidente Dilma Rousseff deve ser ampla e irrestrita ou é melhor parar enquanto é tempo? Enfim, o que o partido tem a dizer sobre a corrupção endêmica que Lula plantou e Dilma adubou?
Nada, informam as 201 linhas do documento que relata o que foi tratado e decidido no conclave dos cardeais que caíram na vida. Sob o título geral “O Brasil frente à crise atual do capitalismo: novos desafios”, o papelório debita todos os pecados na conta do “ideário neoliberal”, cujos defensores são “setores da oposição, da mídia e do grande capital, especialmente o financeiro”. Num dos capítulos mais candentes, “o PT expressa sua solidariedade aos jovens, aos trabalhadores, aos migrantes e a todos os setores que combatem o neoliberalismo e repudia o nacionalismo de extrema direita, que mostrou sua verdadeira face no atentado ocorrido recentemente na Noruega”.
Resolvidos os problemas do planeta, a seita festeja a inauguração do Brasil Maravilha pelo chefe Lula e registra os retoques que faltam para torná-lo mais que perfeito. “Vem aí o debate sobre o novo marco regulatório dos meios de comunicação”, avisa o parágrafo que louva o “controle social da mídia”, como foi rebatizada a censura na novilíngua companheira. “Para o PT e para os movimentos sociais, a democratização dos meios de comunicação no país é tema relevante”. Num editorial publicado nesta quarta-feira, o Estadão foi à réplica: “O PT precisa é de um marco regulatório para a corrupção no partido”. No documento, a roubalheira colossal foi confinada em duas linhas: “O Diretório Nacional manifesta seu apoio às medidas que o governo Dilma ─ dando continuidade ao governo Lula ─ adota contra a corrupção”. Só.
LICENÇA PARA ROUBAR
Se cinismo desse cadeia, o Hotel Novo Mundo teria sido prontamente cercado por camburões e interditado pela polícia. Como a mentira foi transformada por Lula em virtude eleitoreira, o presidente do partido, Rui Falcão, prolongou o espetáculo do farisaísmo com uma apresentação individual. “O PT sempre foi muito cioso da defesa da aplicação correta dos recursos públicos e do combate à corrupção”, recitou o dirigente que promoveu a volta ao lar de Delúbio Soares. Falcão deu azar. No mesmo dia, VEJA divulgou os espantos mais recentes nas catacumbas do Ministério da Agricultura, entre os quais apareceu até mesmo um lobista que já foi preso por tráfico de drogas e agora se dedica a agredir fisicamente jornalistas independentes.
Nesta terça-feira, constatou-se que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, esqueceu de comunicar a instituições subordinadas à pasta que faxina tem hora. Liberada para engaiolar delinquentes, a Polícia Federal prendeu 35 dos 38 gatunos em ação no Ministério do Turismo. A presença de petistas graúdos no bando que viajou na traseira do camburão ajuda a entender por que o documento do diretório nacional fugiu da ética como o diabo da cruz: é impossível ser, ao mesmo tempo, decente e desonesto. A “base aliada” não se ampara num programa político, mas num projeto financeiro: todos querem ficar mais ricos. É por isso que, como reafirmou a devassa no ministério controlado pelo PT e por José Sarney, o mensalão nunca deixou de existir.
O que mudou foi a metodologia. Até meados de 2005, o Planalto e o PT centralizavam a arrecadação e o repasse dos milhões de reais que garantiam o entusiasmo dos companheiros e a lealdade dos parceiros. Agora, já não é preciso forjar empréstimos bancários ou extorquir estatais, nem irrigar contas bancárias ou entregar malas de dólares. Em vez de doações em dinheiro, os partidos da aliança governista ganham ministérios ─ cofres e verbas incluídos ─, além da licença para roubar. O loteamento do primeiro escalão é o  mensalão sem intermediários. Em 2002, por exemplo, o PL de Valdemar Costa Neto embolsou R$ 10 milhões para descobrir que Lula era o cara. Em 2010, para enxergar em Dilma Rousseff a sucessora dos sonhos do PL com novo nome ,  o PR de Valdemar Costa Neto ganhou o Ministério dos Transportes.
Além de mais lucrativa, a fórmula modernizada aumenta exponencialmente o lucro, amplia a capilaridade das quadrilhas e democratiza a ladroagem. Antes, a repartição das boladas se limitava ao alto comando dos partidos. Agora, até prefeitos e vereadores entram na divisão do produto do roubo. A soma das evidências explica a tibieza exibida por Dilma desde que a vassoura tropeçou no lixo do PMDB. A presidente descobriu que herdou o um legado que ajudou a construir. Mas também descobriu que a opinião pública existe. É bem menor que o eleitorado, mas o poder de pressão é maior. Não se contenta com uma bolsa família, não acredita em fantasias e está cansada de sustentar larápios.
A imprensa livre seguirá noticiando fatos e enxergando as coisas como as coisas são. A Polícia Federal e o Ministério Público não podem recuar. Dilma terá de decidir se a faxina para ou continua. Na primeira hipótese, a presidente topará com o monstro que ajudou a parir. Na segunda, o governo, o PT e seus comparsas estarão proibidos para sempre de falar em combate à corrupção. Mesmo que em duas míseras linhas.

Grampo: secretário-geral do Turismo orienta a fraude - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)


  Sérgio Lima/Folha

No dia em que o governo mostrou-se incomodado com o uso de algemas na prisão de servidores do Turismo, começaram a soar os grampos da Polícia Federal.
Numa das escutas telefônicas, o secretário-executivo do ministério, Frederico da Costa (na foto), dá orientações a um dos faudadores.
Chama-se Fábio de Mello. É dono de uma das empresas de fachada que receberam repasses do Ibrasi, o instituto em cujas arcas o dinheiro publico aportou.
Gravado com autorização da Justiça, o diálogo vadio foi veiculado pela TV Globo. Pode ser ouvido também aqui.
Aqui, uma transcrição ampliada da conversa. Frederico, o número 2 do Turismo, pede ao “empresário” Fábio que capriche na “fachada”:
- Frederico: Escuta, aquela sede ali, dentro do que tá vindo para cima, não atende, nós temos que fazer um negócio de imediatíssimo, um aluguel de dois, três meses, colocar uma baita placa e mudar o endereço no site urgente, porque possivelmente alguém vai bater foto lá.
- Fábio: Tá bom! Até sexta-feira, combinado isso?
- Frederico: Combinado, mas pega um negócio ai pra chamar a atenção, assim, de porte, por três meses.
- Fábio: Tá bom, mesmo se for por um ano a gente segura, não tem problema não!
- Frederico: Mas é pra ontem! Que se alguém aparecer para tirar uma foto lá nos próximos dois dias, as chances são altas.
- Fábio: Tá! Então vou correr com isso aqui. ()
- Frederico: Pega um prédio moderno aí, meio andar, diz que tá com uma sede que está em construção, mas por enquanto
- Fábio: A gente tem um prédio de três andares, grande ().
- Frederico: Mas o importante é a fachada e tem que ser uma coisa moderna que inspira confiança em relação ao tamanho das coisas que vocês estão fazendo.
- Fábio: Tá bom, tranquilo.
- Frederico: Um abraço.
A dupla integra o grupo de 36 presos da Operação Voucher. Os dois já foram ouvidos pela PF e pelo Ministério Público em Macapá (AP).
Fábio foi liberado após a inquirição. Frederico continua preso. Receia-se que, solto, interfira nas investigações, prejudicando-as.
A defesa de Frederico alega que o diálogo divulgado está fora de contexto e não se refere ao convênio objeto da investigação, no valor de R$ 4,45 milhões.
O Ibrasi, de fato, beliscou outros convênios na pasta do Turismo. No total, amealhou algo como R$ 17 milhões desde 2009.
Frederico aportou no ministério em 2003, no alvorecer do primeiro mandato de Lula. Atravessou as gestões de três ministros, em diferentes cargos.
Nomeado por Walfrido dos Mares Guia (à época no PTB), Frederico foi mantido por Marta Suplicy (PT) e pelo sucessor dela na pasta, Luiz Barretto (PT).
Sob o ministro Pedro Novais (PMDB), ministro de Dilma, Frederico foi alçado ao segundo posto na hierarquia do ministério. Com os aplausos do petismo.
Como se vê, Dilma Rousseff tem motivos de sobra para estender suas preocupações para além do problema do uso de algemas. 
Sob pena de a platéia dar razão a Frederico: "O importante é a fachada." 

Escrito por Josias de Souza às 04h31

Sebastião Nery - Tribuna da Internet - link (aqui)

 
 
quinta-feira, 11 de agosto de 2011 | 03:46

O vício da vice

Sebastião Nery

O Brasil tem o vicio da vice. Brigaram pela vice de Dilma, depois brigaram pela vice de Serra. Meu saudoso amigo Odin Andrade, jornalista e mineiro, tinha uma tese muito sábia sobre o vice:
- Eu trato bem o vice. Qualquer vice. O vice é um carente, um desprotegido. Está sempre esperando, esperando, como o Pedro Pedreiro de Chico Buarque esperando o trem. Quando chega a sua chance, o vice fica úmido de gratidão. E você está bem com ele.
A Republica já começou com um vice, Floriano Peixoto, derrubando o titular, Deodoro das Fonseca (1891-94). Depois, veio Nilo Peçanha (1909-10) em lugar de Afonso Pena, morto na presidência. E Delfim Moreira (1918-19) com a morte de Rodrigues Alves.
***
CELSO MACHADO

Outros nem chance têm de assumir. Eles é que morrem. Celso Machado, mineiro ilustre, culto, jornalista, deputado estadual, constituinte de 1934 e 1946, era um dos cardeais do PSD, secretário do Interior de Benedito Valadares e dos governos de Bias Fortes e Israel Pinheiro.
Quando Médici nomeou Rondon Pacheco, da velha UDN, governador de Minas, era preciso encontrar, para vice, um pessedista que não atrapalhasse, não ameaçasse o udenista Rondon. Era Celso Machado.
Como não gostava de encontros sociais, Rondon encarregava Celso Machado que, mais de 70 anos, ia aos coquetéis e recepções oficiais.
Seis anos de governo, não resistiu. Causa mortis: vice.
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JANGO E ALCKMIN

Janio renunciou em 1961 para obrigar as Forças Armadas a negarem posse ao vice João Goulart e ele voltar por cima da carne seca do Congresso. Jango acabou tomando posse e Janio tomando porres.
No golpe de 64, vice não valia, era enfeite. Castelo, primeiro ditador, e Luís Viana, da Casa Civil, passavam pelo Túnel Novo, em Copacabana, um caminhão desgovernado quase foi em cima do carro da Presidencia. O presidente, pálido, olhou para Luís Viana, ainda mais pálido:
- Em que é que o senhor pensou, Dr. Luís?
- Pensei no Alkmin (vice de Castelo).
Que não poderia assumir. Como Pedro Aleixo não assumiu, quando Costa e Silva derramou.
***
AURELIANO

Marco Maciel, Guilherme Palmeira e Jorge Bornhausen, senadores do PDS, começaram a reunir-se em 1984 para organizar a Frente Liberal, uma dissidência do PDS destinada a apoiar a candidatura de Tancredo Neves a presidente da República no Colégio Eleitoral, contra Paulo Maluf.
Aureliano Chaves, vice brigado com Figueiredo, logo assumiu a liderança do grupo. Marcaram uma reunião com Ulysses Guimarães para discutirem a formação da Ação Democrática, a aliança do PMDB com a Frente Liberal. Quando Ulysses chegou, tomou um susto. Aureliano tinha levado um gravador e posto sobre a mesa, ligado. Era o Juruna mineiro.
Mais no fim do ano, antes de o Colégio Eleitoral reunir-se em janeiro, a Frente Liberal, já formada, fez uma reunião para acertar quem iriam propor a Tancredo como vice-presidente. Marco Maciel, o primeiro sugerido pelo grupo, dizia que não queria ser vice. Não convencia muito. Sarney, o segundo, também dizia, mas não convencia nada.
***
SARNEY

Resolveram tratar antes dos ministérios. Marco Maciel propôs o da Educação. Sarney foi contra. Era “um abacaxi, professores reivindicando e estudantes fazendo greves”.Preferia o da Previdência, que “tinha recursos”.
Marco não concordava. Sarney saiu para ir ao banheiro. Palmeira foi atrás. Enquanto Sarney fazia xixi, ele, encostado na porta, catequizava:
- Sarney, o Marco quer a Educação para ele, é o sonho dele. E é a única maneira de você ser o vice.
Sarney voltou rápido e defendeu o ministério da Educação para Marco Maciel. E a vice caiu sobre a cabeça de Sarney como uma tontura. Sarney saiu para vice, Marco Maciel para a Educação e Aureliano para Minas e Energia. Sarney foi feito vice-presidente em um xixi do PFL.
***
ITAMAR

Apesar do empenho dos amigos Hélio Costa, Renan Calheiros e outros, Itamar Franco só decidiu ser vice de Collor numa madrugada, no gabinete do ministro da Cultura, José Aparecido. Depois de horas de discussão, Aparecido o convenceu assim (vi e ouvi):
- “Se você se eleger vice de Brizola, não muda nada na política de Minas. Brizola não entra em Minas. E, se perder, você fica mal. Mas se se eleger vice de Collor, você comanda Minas. E, se perder, não perde nada.”
A entrada de Itamar no PRN e o registro da candidatura no cartório de Juiz de Fora, no último minuto, foi uma operação de desespero. Depois, Itamar foi a Minas com Collor para um debate na Federação das Indústrias. Quando descemos na Pampulha, estava lá, aflito, o Odin Andrade:
- ”Nery, preciso te falar. O Collor não pode cometer a loucura de ter Itamar como vice. O Itamar tem uma estrela maior do que aquela do nascimento de Jesus Cristo. Se ele for o vice, Collor não acaba o mandato e ele vai ser presidente. Diz ao Collor que Itamar é um raio”.
Na volta para Brasília (Itamar ficou em Belo Horizonte), contei a conversa a Collor. Deu uma gargalhada. Riu da verdade. E deu no que deu.

Comercial antigo - Cigarros Continental



Charge do dia




Charge do dia 10/08/2011



Miguel - Jornal do Commercio - Recife, PE