Sebastião Nery
PARIS – Do outro lado do túnel, a França e Paris. Daquela vez, em 1992, eram o sonho de meio século: viver aqui. Não como antes, passando dias, semanas, meses e sair. Agora era chegar, ficar, trabalhar (Adido Cultural), morar, na mais mágica das minhas cidades encantadas: Jaguaquara, Salvador, Rio, Paris.
Não gosto de túneis. Embaixo do nevado Mont Blanc, a fronteira da Itália, Suíça e França. Quantos quilômetros tinha?
No hotel de Turim, onde dormi, um italiano e um suíço da recepção quase se atracaram discutindo o tamanho do túnel. Um dizia 60 quilometros, o outro 30. No restaurante quase na boca do tunel, a italiana gorda como uma macarronada disse que morava ali desde que nasceu: eram “só 20 quilometros”. E são apenas 12.
Acordei no dia seguinte, em Paris, no hotel Argentine, entre a Avenue Foch e o Arco do Triunfo, mandei bilhete à namorada:
“Veja meus olhos pulando da janela do hotel e caindo sobre as pontes do Sena. Paris é a melhor maneira de ser feliz”.
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GILBERTO AMADO
GILBERTO AMADO
Na primeira vez de Paris, em 1957, lembrava Gilberto Amado, sergipano de Estância e universal como todo gênio: – “Uma rua de Paris é um rio que vem da Grécia”. (Para mim, correu até Jaguaquara).
Paulo Ronai lembrou Hemingway: �
- “Se tens a sorte de teres vivido em Paris quando moço, por onde quer que andes o resto de tua vida ela estará contigo, porque Paris é uma festa móvel”.
- “Se tens a sorte de teres vivido em Paris quando moço, por onde quer que andes o resto de tua vida ela estará contigo, porque Paris é uma festa móvel”.
Goethe: – “Paris “é a cabeça do mundo. É o ponto de convergência da civilização”.
E o poeta Murilo Mendes teve medo durante a guerra: – “Bombardear Paris é destelhar a casa de meu pai”.
Cada um vê Paris com os olhos de sua alma. Meu amigo Antonio Carlos Vilaça falava dela como da primeira escola: – “Paris foi importante para minha geração, uma geração que lia autores franceses. Em Paris pensávamos, éramos”.
No livro “A Nuvem” tentei contar essa historia de magia.
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CAETANO
CAETANO
O talento de Caetano Veloso perguntou – “Que misterio tem Clarice”? Todos tambem perguntam : – Qual a magia de Paris? Por que há quase dois mil anos ela é “a rainha das cidades”? O mundo tem tantas, teve tantas ao longo de séculos, mas nenhuma durou tanto tempo como a mais fascinante de todas.
Não tem mar, não é a maior, não é a mais grandiosa, sequer é a mais rica. E no entanto é “Paris, a única”. Os romanos, Julio Cesar e Juliano, antes de Cristo, encontraram aquela pequena tribo, os “parisios”, vivendo numa ilhota de oito hectares no meio de um rio largo e a chamaram de “Lutecia”, depois “La Cité”.
Quando os reis dos mares, os vikings, desceram das geleiras da Escandinavia com seus fantásticos barcos de nariz longo, invadiram, arrasaram a ilha, os “parisios” a dividiram em duas para erguerem muralhas no meio e os impedirem de passar.
Varias vezes invadida, tantas vezes reconstruída. Julio Cesar, jornalista, general e imperador, derrotou Vercingetorix e Camulogenus no campo de batalha (“Veni, vidi, vici”) mas não acabou com a Lutecia nem com os parisios. Eles continuaram.
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PARIS
PARIS
Os chineses construíram a civilização dos mandarins. Assírios e Babilônios ergueram seus Jardins Suspensos. O Egito e Alexandria navegaram embalados pelo Nilo. A Grécia sangrou entre Atenas e Esparta. Roma espalhou o Império Romano pelo vasto e longo mundo de seu tempo, Cartago tentou resistir e não conseguiu, mas cada uma foi mudando, foi se transformando ao longo dos séculos, nascendo, sobrevivendo, às vezes morrendo.
Grandes impérios (Romano, Otomano, Austro-Hungaro, Tzarista, Ingles) chegaram, continuaram ou passaram. Mas só Paris resistiu a Pequim, Roma, Berlim, Londres, Nova York, como a cidade mais influente de seu tempo: quase dois mil anos.
Roma, Constantinopla, Londres, Berlim, Nova York, foram em algum tempo mais ricas, mais importantes e mais poderosas. Nenhuma como Paris dura tanto como “a casa da humanidade”.








