terça-feira, 20 de setembro de 2011

Frank Sinatra - I've Got You Under My Skin - 1956

 
 

FRANK SINATRA - THERE'S NO YOU 1957

 
 

Frank Sinatra - Come Rain Or Come Shine



Frank Sinatra - Only the Lonely - 1958

 
 

Frank Sinatra - My Foolish Heart (Reprise® Recordings 1988)

 
 

Frank Sinatra - They All Laughed (Reprise® Recordings 1979)

 
 

Frank Sinatra - Good Thing Going (Reprise® Recordings 1981)

 
 

Frank Sinatra "I Can't Believe I'm Losing You"

 
 

Frank Sinatra I've got you under my skin



Bar é fotografia - Cambon Jean Louis



Cambon Jean Louis

"Dentelle"

Celso Arnaldo captura Dilma em Nova York: a calamidade que virou dinamite - Coluna do Augusto Nunes - link (aqui)


Celso Arnaldo Araújo
O carro da presidente estaciona à porta do hotel Waldorf Astoria, na Park Avenue. Dilma está chegando da Reunião de Alto Nível sobre Doenças Crônicas Não-Transmissíveis, seu primeiro compromisso em Nova York, onde quarta-feira abrirá a Assembleia Geral da ONU.
Ao descer do carro com um tailleurzinho azul, os carregadores de bolsas e malas do Planalto se apressam em aliviar Dilma do peso extra, deixando-a só com uma pasta de plástico debaixo do braço – talvez cópia do discurso histórico que fará na ONU, que precisa ser passado e repassado até quarta-feira, porque o mundo vai estar de olho.
Os repórteres que a esperam à porta do hotel devem ter sido informados por seus colegas que, no caminho, ela dera uma parada numa livraria – programa obrigatório para a insaciável devoradora de livros que, antes de degustá-los, se deleita com seus aromas, como uma enófila/bibliófila. Se para Vinícius de Moraes o uísque era o cachorro engarrafado, tal a fidelidade canina que tinha para com o scotch, para Dilma os livros são o Nego impresso em papel.
– Presidenta, dá uma palavrinha aqui com a gente, grita uma jornalista.
Não estava no protocolo, mas, sob o ponto de vista do “meu chinelo de minha humildade” que ela declarou calçar antes daquela célebre entrevista em que defendeu a convocação de Neymar e Ganso para a Copa de 2010, o que custa um pit stop para a grande estrela da AG da ONU, capa da última edição da revista Newsweek, onde foi chamada de “Dilma Dinamite” (Dynamite Dilma)?
A passagem pela livraria é o assunto que abre a palavrinha à imprensa. O que fez Dilma desviar-se de seu trajeto de volta ao hotel? Naturalmente um livro muito importante, seminal – se bem que, no caso de Dilma, mais de cabeceira do que de cabeça.
– Que livro a senhora comprou?, vai indagando uma repórter antes mesmo de a presidente chegar ao spot da imprensa.
A presidente ganha um ar meio assustado, mas logo se recupera do impacto da pergunta. Naquela caminhada de metros, a passos propositalmente lentos, antes de responder à pergunta inesperada, de sopetão, o pesadelo de um ano atrás deve ter passado por sua cabeça: ainda na campanha, Marcelo Branco, o guru virtual, a fez gravar um vídeo onde uma falsa repórter da equipe digital perguntava à candidata intelectual, contraponto do apedeuta Lula, acerca do último livro que tinha lido. Dilma disfarçou, dizendo que estava pensando na novela das 8 para tentar lembrar o nome do livro, até que uma assessora lhe soprou ao ouvido, mas ela não entendeu direito. Ainda levou alguns segundos para processar: “As, as, as, as brasas!” E ainda puseram o vídeo no You tube!!.
“Agora, eles não me pegam”, deve ter pensado Dilma, à porta do Waldorf:
— Não comprei livro, não. Eu comprei um CD…
O problema é que ela também não lembra o nome do CD comprado há minutos. A sorte é que CD, ao contrário de livros, não precisa ser citado com título e autor. Basta o autor. Mas nem isso… Meu Deus, vai começar tudo de novo:
– Cumé que chama a moça do meu CD?, indaga Dilma aos atônitos assessores, incluindo dois ministros, Fernando Pimentel e Antonio Patriota.
– Seu CD que você comprou lá?, indaga ao fundo uma voz que parece a do embaixador Patriota, especialista em colocar algodão entre louças e salvar a pátria
– Ô, já esqueci, viu, o nome do CD – lamenta Dilma
– Tem um CD que tá aqui, sugere Pimentel.
E Dilma, durona, como sempre:
– Não, o seu é esse. O meu não é o seu – conclui a presidente, com a mesma lógica irrepreensível que pretende levar à Assembleia Geral da ONU para reafirmar que o Brasil é um país assertivo, seja lá o que isso seja.
Alguém – parece Patriota de novo – enfim elucida o enigma sobre “a moça do meu CD”;
– Stacey Kent
– Stacey Kent, repete Dilma, triunfal, mas sem esclarecer, mesmo porque não lhe foi perguntado, como conseguiu localizar, escolher e comprar esse CD, especificamente, sem saber o nome da moça, aliás uma bela cantora de jazz da nova geração.
Sorte é que nenhum repórter quis saber que CD de Stacey Kent ela tinha comprado. Se fosse “Breakfast On The Morning Tram” (indicado ao Grammy em 2007), possivelmente Dilma perderia a reunião de quarta-feira tentando lembrar e depois pronunciar o título.
Ok, deixa o CD para lá. O assunto agora é a capa da Newsweek
– A revista a senhora já leu?
– Agora que eu vou olhá, tá?
Note-se: ler, não; olhar.
– O que a senhora achou daquela manchete “Dilma Dinamite”
– Eu acho assim que lembra muito filme do velho oeste, né?
De novo, pede ajuda aos universitários:
– Cumé que chamava?
Patriota é mesmo um patriota, sempre com a mão estendida para salvar a presidente:
– Calamity Jane
Dilma cai em si: não era bem isso o que pensou.
– Calâmity, Dilâmity, ri, nervosamente
Bem, Jane é o segundo nome de dona Dilma, a Primeira-Mãe. Pelo menos estamos em casa.
– Mas a sra. gostou?
– Eu achei muito boa a capa
A entrevista-relâmpago, sob o ponto de vista desta coluna, já estava plenamente encerrada. Mas, no minuto restante, os repórteres, imaginem, ainda quiseram saber de coisas sérias, como o discurso de quarta-feira:
- Acho que essa é uma expectativa grande, porque de fato é uma honra sê a primeira mulher a discursá na Assembleia Geral da ONU…
Como lembrou Reinaldo Azevedo num post ontem, ela é a primeira mulher porque é a primeira mulher presidente do Brasil. Seria o primeiro Saci-pererê se o Saci-pererê tivesse sido eleito presidente.
Mas a imprensa, curiosa que só ela, quer saber mais sobre os temas do discurso:
– Aí cês esperam, né, porque senão vou fazê meu discurso da ONU aqui.
Mas, presidente, mesmo a senhora sendo durona, não dá um friozinho na barriga falar na ONU?
– Olha, sempre dá, sempre qualquer pessoa que vai falá né, para um público que seja mais do que algumas poucas pessoas, fica emocionada até porque é o momento que cê tem de representá aquilo que você ali está fazendo,eu tenho de representá o Brasil, concluiu ela, tranquilizando os que pensavam que ele fosse representar a Tanzânia na quarta-feira.
Fim de papo. Agora, é banhinho e olhá a Newsweek da mulher-dinamite.
– Brrigada, viu, brigada mesmo – despede-se a presidente.
Não importa o que Dilma vá ler na ONU quarta-feira, para “um público que seja mais do que algumas poucas pessoas”, como ela tão bem definiu esse momento glorioso.
O apelido da Newsweek vai pegar, na versão Dilma – Calamidade Pública Número 1.


Sobre o Jucá, as arcas e a grana que nasce em moita - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)



20/09/2011

Ag.Senado



Aportou no STF uma ação judicial que cuida de um dos mais inusitados casos da cruzada eleitoral de 2010.
Envolve as arcas de campanha do senador Romero Jucá (PMDB-RR), o eterno líder de todos os governos.
Chama-se Amarildo da Rocha Freitas o personagem central do inquérito. Empresário, atuou como colaborador da campanha de Jucá.
Às vésperas do primeiro turno da eleição, Amarildo foi ao escritório de campanha de Jucá. Na saída, carregava um envelope. Entrou no carro, virou a chave e saiu.
De repente, Amarildo notou que a uma equipe da Polícia Federal o seguia. Lançou o envelope pela janela do carro.
Os agentes da PF recolheram o refugo num matagal. Dentro, havia R$ 100 mil. Repetindo: o colaborador de Jucá jogou R$ 100 mil pela janela.
Inquirido, Amarildo confirmou que recebera a grana de Jucá. Livrou-se da grana, segundo disse, ficou “assustado” com o cerco policial.
Na época, Jucá reagiu assim: “Não entreguei dinheiro a ninguém, não é dinheiro meu, não é dinheiro de campanha, todo o nosso dinheiro está declarado.”
Agora, reconduzido ao Senado, Jucá diz que desconhece o processo. Alega não ter sido notificado. A contabilidade da campanha foi aprovada, ele sustenta.
A existência humana, como se sabe, gira ao redor do dinheiro. O pobre sua a camisa para ganhá-lo. O rico multiplica-o…
…O falsário falsifica-o. O ministro desonesto desvia-o. O ladrão rouba-o. Todo mundo ambiciona o dinheiro.
Maluco que arremessa pacote de dinheiro pela janela é jabuticaba jamais vista. Só brota nas adubadas cercanias nasce de Romero Jucá.
Os R$ 100 mil do matagal permanecem retidos. Por ora, ninguém se animou a reinvindicar o numerário. Espanto (!), pasmo (!!), estupefação (!!!).
Torça-se para que o STF autorize a continuidade das apurações.
Do contrário, ficará entendido que, em Roraima, dinheiro dá em moita. Não haverá quem segure a migração.

Escrito por Josias de Souza às 07h30

Sebastião Nery - Tribuna da Internet - link (aqui)

 
 
terça-feira, 20 de setembro de 2011 | 03:10

O diálogo da chibata

Sebastião Nery
Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, vulgo Princesa Isabel, recebeu do conselheiro João Alfredo Correia, chefe do governo, a lei que “abolia a escravidão sem indenização” e sancionou, no dia 13 de maio de 1888, uma bela data da historia do Brasil.
Era a “Lei Áurea”. Por causa dela, o Papa Leão XIII a condecorou com a Rosa de Ouro, entregue em 28 de setembro de 1888 pelo Núncio Apostólico, com discurso do bispo baiano Dom Macedo Costa.
E a partir de então todo brasileiro passou a abominar a escravidão? Nem todos. Os barões da terra, da cana, do café, por motivos óbvios. Perdiam o trabalho escravo. E os barões da alma pela perpetua malignidade de grande parte do bicho homem, que só os séculos vão curando.
***
MARINHA
Para espanto e repulsa, ainda há muitos que pensam que escravizar era justo. No dia 9 de março de 2008, já 120 anos depois, na “Folha de S. Paulo”, Marcelo Beraba publicou uma nota do comando da Marinha dizendo que a revolta de 1910 (contra espancamentos e mortes de marinheiros nos navios da Marinha) “foi um triste episódio da história, uma rebelião ilegal (sic), sem qualquer amparo moral ou legítimo (sic), que não pode ser considerado como ato de bravura ou de caráter humanitário”.
Dizia a estapafurdia nota da Marinha que “a reivindicação do fim dos castigos corporais deveria ter sido encaminhada por meio do exercício da argumentação e sobretudo do diálogo (sic) entre as partes”.
Queriam o “diálogo” do carrasco com a vítima, da chibata com o lombo, do porrete com a cabeça, da guilhotina com o pescoço. Ridiculo alegar que não sabiam o que acontecia nos dantescos porões dos navios.
***
RUI
Os fatos já pertencem à historia, os documentos estão ai, nas próprias gavetas da Marinha, para quem quiser rever, conferir, comprovar. É só ler. Rui Barbosa denunciava da tribuna do Senado:
- “Extinguimos a escravidão sobre a raça negra, mantemos porém a escravidão da raça branca entre os servidores da Pátria”.
Na Câmara, o alagoano Aureliano Candido Tavares Bastos, meu patrono (dos ex-seminaristas), jornalista no Rio (escrevia “Cartas do Solitário” no “Correio Mercantil”), deputado (o mais jovem da legislatura de 1861), oficial da Secretario da Marinha, “um dos grandes pensadores políticos brasileiros, escritor e publicista de visão” (Enciclopédia Britânica), interpelou na Câmara o ministro da Marinha:
- “E o emprego dos castigos corporais? Não será possível acabar gradualmente com esses castigos lamentáveis e vergonhosos”?
***
TORTURA

Gastão Penalva escritor e antigo oficial da Marinha, contou:
-“Um castigado suportou com bravura mais de cem pancadas, com violação da lei que previa somente 25. Depois, não pôde mais. Atirou-se de chofre no convés chorando como um perdido. Esperneava como animal peado. Estrebuchava, ao uivar, de olhos vidrados para o céu sem nuvens. O severo oficial comandante ordenou:
- Recolha-o à enfermaria.”
“Embora no segundo dia da República o decreto nº 3 de 16 de novembro de 1889 declarasse abolido o açoite na Armada, havia um mestre nesse desumano sistema de tortura, Alípio, o carrasco do “Minas Gerais”:
- “O bandido apanhava uma corda de linho, atravessava-a de pequenas agulhas de aço, das mais resistentes e, para inchar a corda, punha-a de molho para aparecerem apenas as pontas das agulhas. O comandante, depois do toque de silêncio, lia uma proclamação. Tiravam as algemas das mãos do infeliz e o suspendiam nu da cintura para cima.E Alípio começava a aplicar os golpes. O sangue escorria. O paciente gemia, suplicava, mas o facínora prosseguia carniceiramente o seu mister degradante. Os tambores, batidos com furor, sufocavam os gritos. Muitos oficiais voltavam o rosto para o lado. Todos estavam de luvas e armados de suas espadas. A marinheirada, com repulsa e indignação murmurava: – “Isso vai acabar”!
***
COVARDIA
E acabou. Era esse o “dialogo” que alguns continuam defendendo. “O marinheiro cearense Marcelino Menezes recebeu 250 chibatadas aos olhos de toda a tripulação, formada no convés do “Minas Gerais”. Em meio ao flagelo desmaiou, mas o açoite continuou. Era 22 de novembro de 1910. 2.300 marinheiros se rebelaram e assumiram os navios, sob o comando do marinheiro João Candido:
- “Um marinheiro formidavel, escreveu Gilberto Amado, testemunha. Não bombardeou nem teve um gesto de vingança”.
O Congresso interveio, houve anistia. Veio a vingança covarde, “o massacre da Ilha das Cobras, com dezenas de cadáveres de marinheiros e fuzileiros, a morte por asfixia a cal de quase duas dezenas de aprisionados em suas masmorras, e a tragedia do navio “Satélite”: fuzilamentos sumários, das costas de Pernambuco ao Amazonas, de 400 infelizes”.
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EDMAR MOREL
Essa historia toda está no livro clássico de Edmar Morel, um dos maiores jornalistas brasileiros de todos os tempos, “A Revolta da Chibata”, cuja 5ª edição, documentada, ampliada com as memórias de João Candido, foi  lançada por seu neto, o brilhante historiador Marco Morel, com prefacio de Evaristo de Moraes Filho, em bela edição da “Paz e Terra”, comemorativa dos 50 anos da primeira, em 1959. Imperdível.

Comercial antigo - Ponto Frio (Hebe Camargo)

 
 

Charge do dia

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Erlich - El País, es