quarta-feira, 11 de abril de 2012

E por falar em vazamentos e cachoeiras....


Deu no blog do Fernando Rodrigues (aqui)

Site divulga íntegra de inquérito de Cachoeira


O site Lei dos Homens colocou no ar o que diz ser a íntegra do inquérito contra Carlos Cachoeira, da Operação Monte Carlo.
Eis a explicação do site: “No total, aproximadamente 1 gigabyte de arquivos estão disponíveis. Muitos deles estão em segredo de Justiça e contêm autorizações judiciais para interceptações telefônicas, quebras de sigilos bancários, fiscais e de e-mails e degravações de diálogos entre os suspeitos. A divulgação da íntegra de todo o conteúdo, sem tratamentos ou filtros, se dá com base no princípio constitucional da liberdade de informação”.
Para ir diretamente aos arquivos, clique aqui.
O site Lei dos Homens é coordenado, entre outros, pelo deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ).

Johnny Horton - North to Alaska



The Marcels-Blue Moon



On The Rebound - Floyd Cramer ( 1961 )



Del Shannon - Runaway



The Highwaymen | Michael (Row the boat ashore) 1961



Bar é fotografia - Igor Amelkovich



Igor Amelkovich

"Mysterious river"

Protógenes, tal qual Demóstenes

Deu no Estadão online (aqui)

estadão.com.br
São Paulo, 11 - O deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP) foi flagrado em pelo menos seis conversas suspeitas com Idalberto Matias Araújo, conhecido como Dadá, um dos mais atuantes membros do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Os diálogos revelam o empenho do deputado em orientar Dadá na investigação aberta contra ele próprio, no ano passado.
Os grampos foram realizados durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal, a mesma que identificou a participação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e de deputados estaduais.
A ligação entre o contraventor e os parlamentares pode ser alvo de CPI no Congresso.

Os diálogos revelam o empenho do deputado em orientar Dadá na investigação aberta contra ele próprio, no ano passado.
Os grampos foram realizados durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal, a mesma que identificou a participação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e de deputados estaduais.
A ligação entre o contraventor e os parlamentares pode ser alvo de CPI no Congresso.


Ouça os diálogos entre Protógenes e integrante do grupo de Cachoeira



Grampos revelam elos de Protógenes com citados no esquema de Cachoeira

Escutas da PF na Operação Monte Carlo, que culminou na prisão do contraventor, flagram deputado do PC do B, delegado, em conversas com araponga acusado de cooptar policiais e agentes públicos da máfia dos caça-níqueis

10 de abril de 2012 | 23h 59
 
Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Autor do requerimento de criação de uma CPI para investigar a ligação de políticos com Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais no País, o deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP) foi flagrado em pelo menos seis conversas suspeitas com um dos mais atuantes integrantes do esquema do bicheiro goiano: Idalberto Matias Araújo, o Dadá. Os grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, revelam a proximidade do parlamentar com um possível alvo da CPI que deverá ser instalada no Congresso Nacional.
 
André Dusek/AE - 21.12.2011
Protógenes passou orientações a faz-tudo de Cachoeira

Espécie de faz-tudo do esquema e conhecido araponga de dossiês políticos, Dadá esteve a serviço de Protógenes na Operação Satiagraha e, nas conversas, recebe orientações do ex-delegado sobre como agir para embaraçar a investigação aberta pela corregedoria da PF sobre desvios no comando da operação que culminou com a prisão do banqueiro Daniel Dantas - a Satiagraha.
A ligação de Protógenes com Dadá permite questionamentos sobre sua autoridade para integrar a CPI. Os diálogos revelam o empenho do deputado, delegado licenciado da PF, em orientar Dadá na investigação aberta contra ele próprio, no ano passado.
Numa das conversas, Protógenes lembra ao araponga para só falar em juízo. "E aí, é aquela orientação, entendeu?, diz ele, antes do depoimento de Dadá. As ligações foram feitas para o celular do deputado. Fica evidente a preocupação de Protógenes em não ser visto ao lado de Dadá. Eles sempre combinam encontros em locais distantes do hotel onde mora o deputado, como postos de gasolina e aeroportos.
Procurado pelo Estado por três vezes em seu gabinete ontem, Protógenes não foi localizado e também não respondeu às ligações para seu celular.
Dadá foi identificado na Operação Monte Carlo - que o levou e ao bicheiro Cachoeira à prisão, em fevereiro -, como o encarregado de cooptar policiais e agentes públicos corruptos, de obter dados sigilosos para a quadrilha e de identificar e coordenar a derrubada de operações de grupos concorrentes. Ele está preso desde o mês passado, acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e exploração de máquinas caça-níqueis.
Em agosto do ano passado, Dadá tratou de seu depoimento no inquérito da Satiagraha com o próprio Protógenes, com o advogado Genuino Lopes Pereira e com o escrivão da Polícia Federal Alan, lotado na Coordenação de Assuntos Internos da PF(Coain-Coger), uma subdivisão da Corregedoria-Geral. O assunto é o mesmo: Dadá e Jairo Martins, outro araponga ligado a Cachoeira e que esteve informalmente sob o comando de Protógenes na Satiagraha, só deveriam se manifestar em juízo.Se integrar a CPI contra Cachoeira, Protógenes investigará dois de seus colaboradores, como indicam os grampos obtidos pelo Estado.
O advogado Genuino Pereira afirmou que não conhece Protógenes e negou que seus clientes tenham combinado a versão que dariam em depoimento à PF. Alega que eles se comportaram daquela forma por coincidência. Alan não foi encontrado no local de trabalho.
Xerife. Com uma imagem de quem se tornaria o "xerife" da Câmara, Protógenes foi eleito graças à carona que pegou nos 1,3 milhão de votos do palhaço Tiririca (PR-SP) para preencher o total de votos exigidos pelo quociente eleitoral de São Paulo. A iniciativa de criar uma CPI para investigar Cachoeira e seus colegas é, até agora, o auge de sua promessa de campanha.
Nos áudios da Monte Carlo, Dadá trata o deputado por "professor" e "presidente". Uma das interceptações mostra Protógenes sugerindo a Dadá que o encontre num novo hotel. "Não tô mais naquele não", avisa, num sinal de que os encontros são constantes. No grampo de 11 de agosto de 2011, acertam o local da conversa, mas se desencontram. "Tá onde?", pergunta. Dadá responde: "Em frente da loja da Fiat", ao que o deputado constata: "Ah, tá. Estou no posto de gasolina". "No primeiro?", indaga Dadá. "Isso", confirma o deputado.

Saiba por que o Cachoeira desaguou na CPI da Unanimidade, provocando o tsunami de cinismo - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)

11/04/2012 - 6:05




Brasília nunca esteve tão surrealista quanto neste início de semana. Produziu-se na Capital um fato raro, sem precedentes. Todos os partidos com representação no Congresso passaram a apoiar a abertura de uma CPI. O Palácio do Planalto também ficou a favor. Repetindo: não se ouviu uma mísera voz contrária.
Quando um grupo de congressistas consegue abrir uma CPI, você sabe que está diante de uma roda de cínicos. Quando a CPI nasce de uma unanimidade assim, tão assustadoramente densa, você percebe que está às voltas com uma crise semântica. Tudo perdeu o significado.
O que está em jogo nos desdobramentos do caso do proto-bicheiro Carlinhos Cachoeira é a instalação de uma ‘CPI do Cinismo’. Ela decerto receberá outro nome. Mas é essa a matéria prima de que está sendo feita.
Experimente perguntar aos seus botões: se o Congresso é o mesmo, se o escândalo traz as mesmas delinquências de sempre, se o governo é o mesmo, o que mudou para que o descaso de sempre virasse essa fúria investigativa?
A explicação para o súbito fim do pouco-caso está no fato de que Cachoeira revelou-se demônio conveniente. Um demônio que, por suprapartidário, iguala os partidos em perversão, eximindo-os de todo tipo de exame. A começar do auto-exame.
Se quisesse, o governo poderia apagar o fogo de CPI que Carlinhos Cachoeira ateou no Legislativo. Em viagem aos EUA, Dilma Rousseff foi consultada pelo telefone. Mandou que seus operadores deixassem a coisa rolar.
Ideli Salvatti, a coordenadora política da Presidência, informou aos líderes do condomínio que Dilma não se envolveria na encrenca. Eduardo Braga, líder do governo no Senado, foi mais explícito: o governo apoia a CPI, disse a um grupo de senadores.
Por que Dilma joga lenha na fogueira? A resposta está nos índices das pesquisas de opinião pública. Há 40 dias, o Senado desfeiteara Dilma rejeitando-lhe o nome da agência reguladora dos transportes. Ela dera o troco. E a Câmara fizera doce para aprovar a Lei da Copa, condicionando-a ao agendamento da batalha do Código Florestal. A popularidade de Dilma foi às nuvens. E ela se deu conta de que a ruína do Legislativo faz-lhe bem à alma.
Enquanto os partidos estiverem jogando lama um no outro, Dilma chegará cedo ao Planalto, cuidará do expediente e irá para o Alvorada fazer pose de zeladora do PIB e de mantenedora da higidez da economia diante do espelho. Verá potencializar-se a lua de mel que vive com seus travesseiros.
Desde que chegou ao poder, em 2003, o PT atravessa uma metamorfose às avessas. De borboleta, tornou-se casulo. No novo papel, notabilizou-se como empata-CPIs. Por mal dos pecados, não conseguiu abafar a dos Correios. O escândalo era demasiado escandaloso. Deu no mensalão.
O ex-PT adaptou-se às más companhias e passsou a tolerar os seus corruptos, tratando-os com indulgência. Há sete anos o petismo procura um demônio para lhe devolver a culpa e a custódia dos seus crimes. De repente, surge o Cachoeira. Demóstenes Torres, o ‘demo’ que posava de vestal, foi pilhado em diálogos vadios. Melhor: o calcanhar do tucano Marconi Perillo ficou exposto.
Logo o Perillo, personagem que desafiou o lero-lero do “não sabia” ao trombetear, em 2005, a informação de que alertara o ex-soberano sobre a existência do mensalão. Liberado por Dilma e estimulado por Lula, o ex-PT marcha sobre o governo de Goiás com sede de vingança.
A hora não poderia ser mais propícia. O STF prepara-se para julgar os mensaleiros. Para completar, os grampos da Polícia Federal insinuam uma parceria do aparato de bisbilhotagem do bicheiro com jornalistas. O suficiente para propiciar a construção de uma versão marota: a tese segundo a qual Cachoeira ajudou a armar os flagrantes que deixaram mal o governo Lula. Entre eles a cena do funcionário dos Correios recebendo propina.
A esperteza não apaga os fatos. O funcionário existiu. Estava a serviço do PTB. Recebeu dinheiro por baixo da mesa. Emboscado, Roberto Jefferson levou às manchetes o “carequinha”. Seguiu-se o Delúbio. Por mais que se esforce, o petismo não fará da tempestade uma bonança. Reputação é como virgindade. Uma vez violada, violada está. Mas quem se importa? No momento, interessa provar que há mais virgens no bordel.
Despejado numa CPI, o Cachoeira vai engolfar nacos do PT. Pelo menos um deputado federal goiano molhou a mão na cachoeira. O governador Agnelo Queiroz e Cia. encontram-se na parede. Paciência. Não se pode ter tudo na vida. Para afogar os antagonistas, igualando-os em perversão, o preço parece módico.
Levada pela correnteza, não restou à oposição senão nadar no ritmo das águas. As transgressões de Demóstenes como que intimaram o DEM a aderir à CPI. Apesar de Perillo, o PSDB apressou-se em imitar o gesto. Não ficaria bem ser levado às manchetes como um sub-DEM. Resta torcer para que vozes de autoridades do governo soem nos grampos ainda ocultos.
De resto, a geoplítica do escândalo, por ora concentrado no eixo Goiás-Brasília, propiciou a unanimidade. Há no Congresso mais de uma centena de candidatos a prefeito. É gente que não parece disposta a carregar para os palanques montados em outros pedaços do mapa as delinquências do Centro-Oeste.
Nesta terça (10), realizaram-se no Legislativo duas reuniões sintomáticas. Numa, Marco Maia discutiu a CPI com os líderes da Câmara. Noutra, José Sarney tratou do mesmo tema com os líderes do Senado. Em ambas, formou-se um inacreditável consenso pró-CPI. Coisa nunca antes vista na história desse país.
O Congresso pode mudar? Dificilmente. A mudança pode ser radical? Impossível. Então, pergunte de novo aos seus botões se algum dia eles imaginaram que Brasília estaria fazendo esse coro em favor de uma investigação séria, profunda, e generalizada. Você talvez conclua que não, bobagem, isso jamais aconteceria.
Para não dizer que Legislativo e Executivo renderam-se ao cinismo deve-se deduzir que os Poderes da República são vítimas da confusão semântica. Simulação agora é sinônimo de investigação. É tão bem-sucedido o sistema de conveniências que domina os partidos que a anunciada CPI, em vez de animar, intriga. Por que a rotina passaria a ser tratada como escandalosa?
Claro, às vezes a pantomima descamba para o insondável. Há gente séria no meio da encenação. Ninguém pode garantir que, puxando-se um fio de meada aqui, arrancado-se um véu acolá, a autodefesa do sistema não desmorone. Mas o hábito de descrer, já tão disseminado entre os brasileiros, não recomenda o otimismo. 
Entre os cínicos e os revolucionários da semântica, o papel reservado a você, observador atento, é o de bobo.

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