quarta-feira, 30 de maio de 2012

The Beatles - Paperback Writer [Legendado/HD]



The Beatles - Happiness is a warm gun ( legendado)



The Beatles - Love Me Do [Legendado/HD]



Oh! Darling - The Beatles (Legendado)



Humor em tempo de Lula



Deu no Blog do Augusto Nunes (aqui)

Reynaldo-BH reconstitui a reunião que pariu a nota concebida para assassinar a verdade


REYNALDO ROCHA
Resumo de reunião dos assessores de Lula. Marqueteiros, advogados e jornalistas chapa-branca. O próprio não está presente. Discute-se como formular uma resposta à imprensa sobre os fatos envolvendo o ex-presidente e o Ministro Gilmar Mendes.
Ambiente tenso. Televisores ligadas nos canais noticiosos. Tablets e computadores em permanente pesquisa nos blogs de colunistas e dos jornais e revistas. Lula recusa-se a participar da reunião, esperando o resultado final, que virá do conselho de próceres reunido.
A primeira questão é colocada em discussão. Lula deve dar uma entrevista? Se sim, a qual veículo de comunicação? Com qual teor?
A decisão é unânime. Lula tem que permanecer calado. Alguém, para ter certeza da decisão tomada, resolve consultar Lula por telefone. E sugere ─ como teste ─ o pronunciamento esclarecedor. Ouve um palavrão como resposta. Todos já sabem que Lula não falará.
A tensão cresce. As análises de jornalistas isentos e imparciais (os tais da dita grande imprensa) são demolidoras. Vão da revolta à vergonha. A esgotofesra não consegue conter a enxurrada de indignação. Estão, todos, sem argumentos. Esperam alguma orientação ─ como bons blogueiros de aluguel ─ para saber o que escrever.
Chegam a um acordo. Uma nota oficial.
Um ex-ministro da Justiça, atarefado com a defesa de bicheiros e bandidos do mesmo quilate, adverte para o risco de Lula declarar algo que possa ser desmentido posteriormente, até mesmo na esfera judicial.
Novo impasse. O homem não irá falar. E não dá para assinar uma nota oficial. Volta-se à estaca zero. Enfim aparece a solução! A nota será assinada pelo Instituto Lula. Pessoa jurídica que não mente por absoluta incapacidade (factual e legal) para tanto: empresas nunca mentem, só seus dirigentes. Se der problema, será coisa do administrador do Instituto. Que não é Lula.
Resolvido o detalhe da assinatura da nota (mais ou menos) oficial, passa-se ao texto.
O PARTO DO MONSTRENGO
A tensão está no limite. Todos têm na cabeça a mesma pergunta que ninguém tem coragem de expressar: alguém vai acreditar? Pior que todos sabem a resposta.
Depois de dez rascunhos e centenas de hesitações, a nota finalmente encontra um início.
“Sobre a reportagem da revista ‘Veja’ publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF Gilmar Mendes sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:”
Alguém lembra que Nelson Jobim, o estuprador de Constituições, já havia dito que não esteve presente em todos os momentos da conversa. Assim, a nota começa com o desmentido do desmentido. Ninguém se entende na sala. Afinal, o que seria melhor? Obrigar Jobim a desmentir o que disse ─ agora afirmando ter presenciado toda a conversa, o que era a única verdade ─ ou insistir na tese da ausência nos momentos cruciais da negociação/chantagem? Acabam decidindo que, se alguém ficar com a pecha de mentiroso, melhor que seja Jobim. Ele haveria de entender.
Mas como qualificar o fato? Reunião? Audiência? Conversa? Mais discussões. Melhor “encontro”, palavra suficientemente vaga para ser aplicada ao enlace do casal de amantes num motel ou à festa de fim de ano das ex-alunas do Colégio Sion.
Restam os fatos. Como tocar no assunto? Já estão todos de acordo quanto à citação expressa da revista VEJA. Lula não admitiria deixá-la de fora. Como foi citada (pior, foi ela quem divulgou a matéria),  então os fatos teriam de ser rebatizados de …versão! Suspiro de alívio. O monstrengo está tomando forma. Um mais esclarecido lembrou-se: versão do jornalista? Desta vez não dava para culpar o Policarpo. Versão do Cachoeira? De novo, problemas à vista. Ainda está preso. Versão da direita raivosa? Embora esteja sempre por trás de tudo, ela não compareceu ao “encontro”. A versão teria que ser do ministro!
Nova rodada de água com Lexotan. É suspensa a distribuição de cafés e chás de qualquer espécie. O homem é um ministro do Supremo! Solução: a versão é da revista VEJA, que a atribuiu ao ministro.
Mas a revista não afirmou que o ministro havia confirmado o teor do “encontro”?, pergunta alguém, imediatamente expulso do recinto para aprender a não tumultuar os trabalhos com meros detalhes. Não há tempo a perder com miudezas. Gilmar Mendes, afinal, há de entender o momento delicado urdido pelas oposições com vistas a derrubar Lula…derrubar Dilma … derrubar os avanços do governo mais popular da história deste país!
O ARGUMENTO QUE FALTAVA
Continua a confecção da nota quase oficial.
“1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. ‘Meu sentimento é de indignação’, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.”
Este trecho ─ todos concordam ─ é o cerne da nota oficiosa. A resposta. A porrada nas acusações mentirosas. O argumento que faltava aos blogs progressistas. Portanto, é necessário cuidado! Discute-se de início se seria razoável admitir que houvera (ou não) o “encontro”. Não dá para negar. Motoristas, ascensoristas, copeiros e serviçais (essa gente que gosta de aparecer em CPI’S) acabariam confirmando a presença de Lula e Gilmar no escritório de Jobim. A discussão esquenta. O “encontro” virou reunião.
Já que a reunião (o revisor será demitido amanhã pela manhã!) aconteceu, restam as alternativas de sempre. Lula não sabia! O problema é que desta vez não há o que “não saber”. Não sabia que não podia tentar corromper um ministro? Ou intimidar um juiz? Ou, ainda, chantagear um dos julgadores do mensalão? Não, definitivamente não é caso para outro “não sabia”.
Desta feita, o argumento sempre disponível não cabe. O pânico se espalha entre os escribas de aluguel. Algum gênio da linhagen frankliniana sugere a alternativa já largamente utilizada: “é algo que todo mundo faz”. Não, não é. Uma pesquisa no Google informa que não existe um único episódio na história do Brasil que possa sustentar o argumento do “sou, mas quem não é?” Nada. Desta vez – todos os arquitetos do lulopetismo admitem constrangidos – Lula foi longe demais. Inovou perigosamente.
Resta desmentir. Peremptoriamente. De modo cabal. Mas ─ alerta outro marqueteiro presente ─ não seria perigoso desmentir um ministro do Supremo Tribunal Federal?
Nova pausa para consultas e avaliações. Consulta-se o advogado ─ que interrompe de novo o esforço para livrar da cadeia o cliente de R$ 15.00.000,00 ─ em busca de (mais) uma saída. Até por ser caro e estar habituado a clientes com perfil de bandidos, o advogado alerta: não dá. É arriscado demais acusar de mentiroso ─ ou criminoso ─ um juiz do STF.
Então a coisa ficará assim, sem desmentido? Isso jamais! A versão passa a ser da revista VEJA. Não do ministro (ok, ok, vamos esquecer que o ministro, na mesma entrevista, confirmou o teor da reunião). Caso surjam problemas, Lula nunca disse que o ministro mentiu. A desmentida foi a revista, que publicou uma versão.
Em frente! Liberado o cigarro na sala. Alguém pergunta se a “porra da cachaça do Lula” ainda está na gaveta debaixo da escrivaninha.
Pronto! Dada a resposta. O resto será completado com declarações de princípios, uma das quais reafirmará que nunca antes neste país um presidente teve em tão alta conta o Poder Judiciário.
Por telefone, Lula ouve a leitura da nota oficiosa. Outro esporro. Quer dizer que o grupo reunido por mais de 6 horas não preparou sequer um discurso de “autoria” do chefe?
Voltam todos para o término da missão. Há que se colocar, na nota, uma declaração definitiva do próprio Lula. Mais 2 horas de intensas elucubrações sobre o momento doloroso que Lula enfrentava, frente à “versão da VEJA” sobre o “encontro”.
COMEMORAÇÃO PRECIPITADA
O resultado do esforço coletivo finalmente aparece: “Estou indignado!”. A declaração mais sucinta da história política do planeta. O poder de síntese levado ao extremo! O gênio da raça em seu momento mais glorioso. O bichinho palanqueiro resumindo numa frase outro episódio de mau-caratismo explícito de opositores.
E basta! Mais um é convidado a retirar-se da sala por ter proferido a inconveniência: “Gente, quem fica indignado se indigna com algo! Com que ou com quem Lula está indignado? Com Gilmar? Jobim? Com a VEJA? Com a vida? Com Obama?”
“2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria-Geral da República em relação a ação penal do chamado mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.”
“Ação penal do chamado mensalão”? Como assim? O correto não seria “ação penal derivada da FARSA do mensalão!”. A besta do revisor deixou passar….Como prudência e caldo de galinha nunca fazem mal, melhor limitar o prazo aos OITO anos de presidência. Depois, bem , depois destes anos a nota não tem nada a dizer.
“3. “O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.”
Lula fica possesso ao saber que a nota já fora enviada aos jornais com a referência ao procurador Antonio Fernando. Quem foi o desavisado que esqueceu de lembrar a FARSA criada pelo ex-procurador? Parece até que Lula concorda com a denúncia! Tem motivos para comentar o escorregão com voz alterada.
“4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.”
Mais um deslize que só depois da publicação da nota oficiosa foi notado: a acusação de agir FORA da Presidência como agiu quando a exercia.
Fim da reunião. Todos respiram aliviados. O texto já está em circulação. Comemora-se mais uma crise vencida. A verdade oficial está apresentada. Lula não se expôs a nenhum processo. Nem precisou assinar a nota. Os participantes da reunião se preparam para a retirada quando Gilmar Mendes aparece na TV para reafirmar o que disse. Não foi uma versão da revista; foram fatos. Não foi uma reunião; foi uma cobrança recheada de ameaças. Jobim a tudo ouviu e até tentou ajudar Lula na argumentação, usando o suspeitíssimo Protógenes, o suplente de palhaço. E ainda acrescentou detalhes.
Faz-se um profundo silêncio na sala do Instituto Lula. Até que alguém se levanta e desliga a televisão. Alguém comenta: “Amanhã vai chover…” Todos vão embora.
Pano rápido.
Ficção? Certamente…
Nenhum autor conseguiria escrever um roteiro tão cheio de erros quanto este. Pleno de dubiedades. Um texto que começa e termina sem afirmar nada. Uma peça assim teria que ter, necessariamente, uma plateia de idiotas e imbecis.
Só gente assim acreditaria na verossimilhança do teatro de horrores, onde a ignorância faz par com a ofensa. Ignorância do autor que ofende a inteligência dos espectadores.
Melhor devolver o valor do ingresso.

No caso Lula-Mendes-Jobim, os fatos começam a falar por si. Já as versões...



Deu na Tribuna da Internet (aqui)

Carlos Newton

Está cada vez mais empolgante essa polêmica entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, apimentada pela interferência do ministro aposentado Nelson Jobim. Agora que a poeira está baixando, podemos tirar as primeiras conclusões dos fatos, não apenas das versões. Isso é importante, porque fatos não podem ser contestados:
FATO 1 - Lula pediu a Jobim que marcasse um encontro dele com Mendes no escritório de advocacia. E Jobim atendeu.
FATO 2 - Jobim mentiu, porque primeiro disse que está fazendo um trabalho com Mendes sobre a Constituição de 88, o ministro está sempre em seu escritório, houve uma coincidência e os dois se encontraram casualmente: “O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá”, disse Jobim ao Estadão. Simples assim. Agora sabe-se, com certeza, que não houve coincidência alguma. O próprio Jobim disse ao repórter Jorge Bastos Moreno, de O Globo, que o encontro foi marcado com três dias de antecedência.
FATO 3 - Jobim mentiu nas declarações ao Estadão, quando disse que esteve o tempo todo com os dois e em nenhum momento o assunto mensalão foi tocado. Depois, esqueceu deste detalhe fundamental e declarou a O Globo: “Quem tocou no assunto Mensalão fui eu, no meio da conversa, fazendo a seguinte pergunta: Vem cá, essa coisa do Mensalão vai ser votada quando?
FATO 4 – Ficou demonstrado que, além de armar o encontro Lula-Mendes, o servil Jobim ainda foi capaz de provocar o assunto.
FATO 5 – Jobim estava atrapalhando tanto a defesa de Lula que não aceita mais falar no assunto.


FATO 6 - Através de seus assessores, Lula diz que não tocou no mensalão com Mendes, mas não soube informar qual era o assunto que tanto lhe interessava, a ponto de fazê-lo pedir o encontro com o ministro do Supremo.
FATO 7 – Surge a informação do jornalista Fábio Pannunzio de que Gilmar Mendes só deu a entrevista à Veja porque estava sendo difamado por Lula, e por causa disso o ministro do Supremo havia procurado por duas importantes repórteres de Brasília.
FATO 8 – Lula não pode desmentir Pannunzio. Se o fizer, o jornalista revelará o nome das duas jornalistas que foram informadas por Lula sobre supostas irregularidades de Gilmar Mendes. Vejam o que o ministro declarou hoje ao jornal Zero Hora: “Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso”.
FATO 9 - Lula está acuado pelos fatos. Por isso, até agora não deu entrevista, não fala nada. E isso é mais um fato, ou não?
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AS VERSÕES DE JOBIM
Em seu Blog, o jornalista Jorge Bastos Moreno ironiza as contradições de Jobim e reproduz o diálogo que teve a respeito dele com o ministro Gilomar Mendes, nos seguintes termos:
Gilmar me disse:
— Ele falou isso?! Não, não! Quando eu comecei a ficar intrigado, querendo sair onde o Lula iria chegar, foi o próprio Jobim que tentou interpretar o que o Lula queria dizer. Ele não só ouviu, como participou da conversa.
Eu saí em socorro do Jobim, dizendo a Gilmar:
— Por questão de justiça, devo esclarecerer que quando o Jobim me disse ter negado tudo ao repórter do Estadão, ele próprio ponderou que não tinha ainda lido a Veja, que estava se baseando na informação do repórter. Certamente, qdo ler a revista, com o senhor confirmando tudo, ele não terá motivo mais para negar.
Gilmar comentou aliviado:
— Ah, então ele está desmentindo sem ter lido a revista! Quando ler, certamente vai confirmar”.

Sebastião Nery - O poderoso compadre de Lula

 
 
Deu na Tribuna da Internet (aqui)
 
quarta-feira, 30 de maio de 2012 | 03:29
 
Sebastião Nery

Três coronéis, todos compadres, mandavam em Patos, na Paraíba: Miguel Sátiro, pai de Ernani Sátiro, que era o governador do Estado, Capitão Roldão Meira de Vasconcelos, que comandava a oposição, e João Olinto de Mello e Silva, pai de Drault Ernani, banqueiro, Bivar Olinto, deputado, e Adelgilson, empresário – os irmãos Mello e Silva.
Todas as manhãs, bem cedo, os três compadres se encontravam para um papo, para conversarem as coisas da cidade. Um dia, um filho do Capitão Roldão, o Manduquinha, engravidou a negra Sebastiana, menina levada que toda a cidade conhecia. Era só no que Patos falava. De manhã cedo, os três chegaram:
- Bom dia, compadre.
- Bom dia. O que é que há de novo?
- E há alguma coisa de novo? Que eu saiba, não. Os compadres sabem?
- Eu também não sei.
- Nem eu.
E os três, convenientes e astuciosos, saíram, cada um para sua casa.
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TARSO VENCESLAU
O governo de Lula foi um governo de compadres. Ninguém nunca sabe de nada: – “Que eu saiba, não há nada de novo. Eu também não sei. Nem eu”. E todos, a começar por Lula, sempre sabendo de tudo. Mas, entre os compadres, há um supercompadre, o poderoso compadre Roberto Teixeira.
E os escândalos ficaram tão naturais no governo de Lula, o governo dos compadres, que em janeiro de 2006 a imprensa publicou sem destaque o depoimento do economista Paulo de Tarso Venceslau, ex-secretário de Finanças da prefeitura de São José dos Campos, do PT, na CPI dos Bingos, como se fosse mais um escândalo.
Basta ler a íntegra da gravação da sessão para ver que é um documento gravíssimo, irrespondível, jamais contestado, o retrato de compadre inteiro, que é Lula e o governo do PT. A autoridade de quem falou é incontestável. Paulo de Tarso não é qualquer um. Guerrilheiro de verdade e não de butique, um dos braços direitos de Marighella, enfrentando a ditadura de armas na mão, preso, barbaramente torturado, fundador do PT e por todos respeitado.
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ROBERTO TEIXEIRA
1. – “Os dirigentes do PT em São Paulo sabiam, desde 1995, como funcionava o esquema de arrecadação para o Caixa 2 do PT. A empresa CPEM, ligada ao compadre de Lula, Roberto Teixeira, agia nas prefeituras administradas pelo partido. A CPEM era contratada sem licitação para fazer um trabalho com base em notas falsas, rasuradas. Em troca, cobrava comissão de 20%. Era apresentada como empresa amiga e que poderia ajudar nosso partido, como a Caravana da Cidadania, da campanha de Lula pelo País”.
2. – “Tentei levar a informação para dentro do partido, procurei todas as instâncias, mas não consegui ser ouvido. Registrei uma carta em cartório com a denúncia e mandei para Lula, então presidente do PT. Tirei uma cópia e entreguei na mão de Mercadante, Suplicy, Genoino, Chinaglia, Greenhalgh”.
3. – “O Mercadante ficou chocadíssimo, disse que era nitroglicerina pura, mas não fez nada. Genoino disse que sabia da denúncia, que era tudo verdade, mas não podia fazer nada. Chinaglia falou que já tinha ouvido falar do esquema paralelo. Frei Beto declarou: – Se o Lula souber que alguém está conversando com você, ele jura que a pessoa vai ser decapitada do partido”.
4. – “Ninguém teve coragem de ficar ao meu lado. Roberto Teixeira foi torturador do delegado Fleury e hoje é o primeiro compadre de Lula. Foi o primeiro convidado para a posse dele. Lula morou de graça na casa dele”.
Venceslau foi expulso do PT e o poderoso Teixeira continua a ser o primeiro compadre.

PT e PMDB racham e a CPI já foge do ‘controle’



Deu no Blog do Josias (aqui)



Expressa no plano de trabalho do relator petista Odair Cunha, a estratégia do bloco governista começou a fazer água na CPI do Cachoeira. A tática original escorre por uma trinca aberta nas relações dos dois maiores partidos do condomínio oficial. PT e PMDB bateram cabeça na sessão desta terça (29).
Encontrava-se sobre a mesa, desde a semana passada, um requerimento de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da matriz da Delta Construções. Veneno puro. Na noite da véspera, em negociações que entraram pela madrugada, a caciquia do PT negociara com morubixabas do PMDB a fórmula do antídoto.
A toque de caixa, redigiu-se um requerimento alternativo. Propunha o caminho inverso. Em vez do rompimento indiscriminado dos sigilos da empreiteira, seriam abertas apenas as contas que pingaram recursos nas empresas de fachada da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Assinaram a peça 12 membros da CPI.
Caberia ao relator Odair executar diante das câmeras a manobra urdida à sombra. Ele tentou. Sugeriu que a CPI debatesse os dois requerimentos e optasse por um deles. Insinuou preferência pelo documento restritivo. Onyx Lorenzoni (DEM-RS) saltou da cadeira. Miro Teixeira (PDT-RJ) também pulou.
Recordou-se ao presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), que ele empenhara a palavra uma semana antes. Comprometera-se a levar a voto o pedido de devassa na Delta. Introduzir no caminho um requerimento que nem constava da pauta seria uma violência ao rito previsto no regimento.
Constrangido, Vital viu-se compelido a honrar o compromisso. Majoritário, o bloco governista dispunha de votos para rejeitar a encrenca. Deu chabu. Abriram-se inscrições para que quatro congressistas fossem ao microfone. Dois falariam a favor do requerimento tóxico, dois contra. Não houve uma mísera voz que se animasse a arrostar, sob holofotes, o desgaste de defender o biombo para a Delta.
Submetido ao cheiro de queimado, Vital abriu a votação. Chamada nominal. Os dois primeiros votantes eram petistas: José Pimentel (CE) e Humberto Costa (PE). Disseram “sim” à razia na Delta. Estabeleceu-se uma atmosfera de liberou geral. Seguiu-se uma cachoeira de votos a favor.
Na sua vez de opinar, o relator Odair jogou a toalha: “Se ninguém falou contra, eu também voto a favor.” Contados os votos, registrou-se uma lavada: 28 a 1. Apenas o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), um dos signatários do requerimento alternativo preparado na noite anterior, disse “não”. Deixaram-no falando sozinho.
O apagão governista mandou às calendas o plano original de represar a apuração, limitando-a aos escritórios da Delta no Centro-Oeste. A CPI aproximou-se das arcas do PAC de Dilma Rousseff, que tem na Delta nacional sua principal tocadora de obras. Foram à zona de tiro também o governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e a turma do guardanapo, dada a confraternizações parisienses com Fernando Cavendish, o ex-presidente da Delta.
Como se fosse pouco, o PT viu malograr, na mesma sessão, o plano de aprovar a convocação do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. Sobreveio uma surpresa. Gladson Cameli (PP-AC), um deputado que exerce na comissão o papel de mudo, decidiu falar. Levantou uma “questão de ordem”. Tropeçando nas palavras, leu um arrazoado segundo o qual a CPI não tem poderes para intimar governadores de Estado.
O senador Pedro Taques (PDT-MT) contraditou. Afirmou que até juízes podem convocar governadores para depor como testemunhas. A CPI, que dispõe de amparo constitucional para funcionar como instância judidiciária, também pode. Com a velocidade de um raio, o presidente Vital do Rêgo atalhou o debate.
Avocando a encrenca para si, Vital suspendeu a votação dos pedidos de oitiva de governadores. Informou que encomendaria um estudo à sua assessoria jurídica e devolveria o tema à pauta oportunamente. Além de Perillo, aguardavam na fila da convocação o pemedebê Sérgio Cabral e o petê Agnelo Queiroz. No plano do PT, só o primeiro desceria à grelha.
Em privado, o petismo enxergou as digitais do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), na extemporânea “questão de ordem” do ex-mudo Gladson Cameli. Pior: para o PT, há bicos tucanos por trás do movimento. Odair tentou atenuar o prejuízo. Sugeriu que fosse a voto outro requerimento. Prevê a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Perillo.
O tucanato esboçou uma reação. Mas nem precisou gastar todo o latim. Àquela altura, já havia sido aberta no plenário do Senado a “ordem do dia”. E o regimento obriga as comissões a interromper suas atividades depois que a fornalha do plenário geral é ligada. Vital encerrou a sessão.
Em aparição triunfal, deu as caras na CPI ninguém menos que Marconi Perillo. Sorriso aberto, desfilou por entre os membros da comissão. Distribuiu tapinhas nas costas e apertos de mão. Entregou a Vital um pedido escrito para que seja convocado. Fez pose de destemido. Queria ser ouvido ali mesmo, de bate-pronto, sem mais delongas. Sabia que não seria atendido. Mas demarcou o terreno.
A encenação de Perillo instilou dúvidas na infantaria do PT. O partido de Lula passou a cogitar a hipótese de retardar a convocação do tucano. Receia oferecer-lhe um palco político. Trama-se agora privilegiar a quebra dos sigilos.
Pedro Taques, um governista da ala independente, espécie de estraga-acordos da CPI, afiava o discurso na noite passada. Quer saber qual vai ser a resposta de Vital do Rego à preliminar sobre os poderes da CPI para intimar governadores. Favorável à convocação de todos, Taques vai às lanças se a resposta for negativa.
“Vão querer aprovar o afastamento dos sigilos do Perillo. Apenas dele. Eu pergunto: se o entendimento for o de que a CPI não pode ouvir governadores, como justificar a quebra dos sigilos. Ora, se pode uma coisa, também pode a outra. O que não pode é a CPI trabalhar na base do absurdo.”
Concebida por Lula como palco de suplício de oposicionistas, a CPI vai se tornando, aos pouquinhos, um touro difícil de agarrar pelo chifre. O condomínio oficial imaginou que seria possível tocá-la por controle remoto, a partir de acordos celebrados longe da sala de sessões. Nesta terça, o caldo entornou.
Reconciliando-se, PT e PMDB ainda podem reposicionar o caldeirão. Mas já estão dentro dele os dados bancários da matriz da Delta. A fronteira da investigação deixou de ser o Centro-Oeste. Pode não resultar em nada. Mas também pode levar ao insondável. Alvíssaras!

Charge do dia





Erlich - El País, es