sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

25 de janeiro de 1.927


Antonio Carlos Brasileiro Jobim

Tom e Elis - Águas de Março

Tom Jobim et Vinicius de Moraes


Bar é história - 1935: Surge a cerveja em lata - DW "Deutsche Welle" - link (aqui)

Nos Estados Unidos, a cerveja em lata começou a ser produzida no dia 24 de janeiro de 1935. De fácil transporte e descartável, não exigindo caução pelo vasilhame, a nova embalagem logo se impôs entre os americanos.

Antes da introdução do pagamento de depósito para bebidas em embalagens descartáveis, cerca de seis bilhões de bebidas em lata chegaram a ser consumidas anualmente pelos alemães, aumentando a enorme montanha de lixo da sociedade moderna.

Testes provaramm que a embalagem de metal em nada modifica o gosto da bebida e, além disto, a mesma marca de cerveja é mais barata em lata do que em garrafa. Assim, aumentou cada vez mais o número de adeptos da bebida enlatada. O perfil do seu consumidor é claro: ele pensa de forma prática e procura economizar nas suas compras.

Cultura subversiva

Jürgen Kron, autor de um livro sobre cerveja enlatada, afirma: "A cerveja em lata é coisa para as pessoas que têm uma concepção cultural subversiva. A lata é odiada pelos ecologistas e adorada pelas pessoas que ainda têm uma estreita ligação com a própria juventude, com a cultura proletária, com um clube popular de futebol como o Schalke 04, com a rebelião e que sempre tiveram atritos com os pais."

Ele estudou muitos consumidores de cerveja em lata e chegou à conclusão de que, sem a bebida enlatada, seria impensável um dos grandes movimentos socioculturais do século 20: desde o começo, a lata de cerveja foi um dos pilares de sustentação da cultura dos motoqueiros. Ela é leve, pequena, facilmente descartável e não traz o risco de ferimento com cacos de vidro. Nenhuma revolução púbere contra as regras de bom-tom à mesa tem muita graça sem a bebida enlatada.

Forma de protesto

Cultura underground, subversão e literatura – estes conceitos levam diretamente ao autor americano Charles Bukowski: "Tudo na minha mão, que empunha a lata de cerveja, é triste, até mesmo a sujeira debaixo das minhas unhas; esta mão rígida com a mão de uma máquina. Mas não: a pressão mágica com que ela se fecha em torno da lata de cerveja é a mesma que parte das raízes e empurra um gladíolo da terra, em direção à luz e ao sol, e que faz a cerveja fluir para dentro de mim."

Este texto lírico da literatura underground seria impensável sem a invenção do fabricante americano de cerveja George Newman. No dia 24 de janeiro de 1935, ele lançou ao mercado a primeira cerveja enlatada, em Richmond, no Estado de Virginia. Em pouco tempo, a demanda superou as suas previsões mais otimistas. Na Alemanha, a firma Schmalbach-Lubeca produziu a sua primeira cerveja em lata no ano de 1937.

Na época, as latas ainda eram abertas da mesma maneira como as garrafas: arrancando a tampinha de metal com uma chave. Ainda tardaria a invenção da argola (ring pull) que é puxada, abrindo a lata sem uso de ferramenta adicional.

Como diria o Meirelles


El Roto - El País (EP)

A visão do Tio Sam - The New York Times - link (aqui)



O consumidor americano como combustível que move a economia global


Peter S. Goodman

Há não muito tempo, muitos especialistas estavam convencidos de que uma economia mundial vibrante impediria uma recessão americana. Mesmo se o consumidor americano em dificuldades repentinamente fechasse o bolso, eles raciocinavam, o consumo saudável em outros lugares supostamente sustentaria a expansão.

Mas agora, com a turbulência nos mercados financeiros repercutindo ao redor do mundo, estes mesmos especialistas vêem sinais de que o crescimento econômico no exterior provavelmente não é forte o bastante para impedir que os Estados Unidos entrem em recessão.

De fato, a própria interligação global que muitos imaginavam que pouparia os Estados Unidos agora parece estar funcionando ao contrário: os consumidores americanos suspenderão seus gastos exuberantes, esfriando a demanda por bens de todo o mundo, arrastando para baixo a economia global. Isto por sua vez reduziria a demanda por bens americanos no exterior.

"As exportações eram vistas como um setor forte da economia americana", disse Alan Ruskin, estrategista chefe internacional da RBS Greenwich Capital. "Agora há uma sensação de que o contágio americano está se espalhando para o exterior."

Apesar de toda atividade econômica furiosa na China e na Índia, a recente turbulência é um lembrete de que o consumidor americano continua sendo o motor central da economia global, o principal apetite por bens e serviços que mantém as fábricas funcionando, as minas em produção total e os depósitos de carga cheios de produtos.

Mas nas últimas semanas, vários sinais surgiram sugerindo uma desaceleração por toda a economia global. O preço do petróleo, após atingir US$ 100 o barril, recuou, refletindo uma queda esperada na demanda por energia.

O preço de importantes commodities como carvão, minério de ferro e cereais caiu acentuadamente nas últimas três semanas, apesar de ainda permanecerem muito altos segundo as medidas tradicionais, como indica o Baltic Exchange Dry Index, um índice de preços muito acompanhado que é considerado um indicador da demanda global. E na Ásia, de empresas de vestuário chinesas a fabricantes de equipamentos japoneses, os exportadores estão informando uma menor demanda dos Estados Unidos.

Tudo isso sugere que ainda não há substituto para o consumidor americano. Sim, a China e a Índia estão se desenvolvendo rapidamente, adicionando milhões de novas pessoas de classe média ávidas por bens como fronhas de travesseiro e computadores laptop. A América Latina e a Austrália estão prosperando com a oferta de matérias-primas para as fábricas da Ásia e do Leste Europeu. A Rússia e o Oriente Médio estão vendendo energia a preços recordes, gastando os lucros em mercadorias mundiais.

As empresas americanas poderiam certamente explorar este crescimento, em teoria. Mesmo se os consumidores em casa entrassem em hibernação, graças ao aumento do desemprego e a desvalorização dos imóveis, as empresas ainda poderiam contar com fortes vendas ao exterior.

Grande parte desta narrativa ainda poderá se mostrar verdadeira, mas com a queda das bolsas em Xangai, Londres e Nova York em uma onda de pânico de venda nesta semana, ela repentinamente parecia uma solução inadequada para o que aflige a economia.

Os gastos do consumidor representam cerca de 70% da economia americana de US$ 14 trilhões. Este fluxo de dinheiro comprou nos últimos anos uma parcela cada vez maior de produtos importados -eletrônicos e têxteis da Ásia; carros e bens de luxo da Europa; energia de qualquer lugar onde pudesse ser encontrada.

Empresas americanas astutas exploraram esta realidade. Enquanto empresas coreanas montavam os celulares para as prateleiras americanas, elas usavam chips projetados e fabricados nos Estados Unidos. A Caterpillar, a empresa de equipamento de construção com sede em Peoria, Illinois, vende escavadeiras usadas para extrair minério de ferro do oeste da Austrália, que é enviado para as siderúrgicas da China. As empresas americanas vendem equipamento de prospecção de petróleo que é usado em lugares como Arábia Saudita e Indonésia.

Toda esta atividade se apoiava de forma considerável na disposição dos americanos de comprar. Repetidas vezes, tal força provou ser espetacularmente resistente. Mesmo quando as empresas pontocom se desintegraram e a economia mergulhou em recessão há sete anos, os consumidores americanos continuaram comprando. Mesmo enquanto os preços dos imóveis residenciais caiam e o endividamento aumentava, os americano continuavam indo aos shopping centers.

Mas os mais recentes indicadores apontam um desaquecimento do consumo. Isto, dizem os economistas, é o principal motivo para o recuo dos mercados ao redor do mundo.

Várias artérias de riqueza que davam aos consumidores a disposição de gastar estão rapidamente secando. Durante os anos do boom imobiliário, os americanos extraíam mais de US$ 800 bilhões por ano de seus lares por meio do refinanciamento de hipotecas, venda de casas e linhas de crédito de home equity. A desvalorização dos imóveis residenciais encolheu drasticamente tal fonte de lucro. A desaceleração do mercado de trabalho privou os consumidores de meios para comprar.

Agora, novos dados mostram que os americanos estão usando agressivamente seus cartões de crédito, ao mesmo tempo em que estão aumentando os atrasos de pagamento.

"À medida que aumentam o uso de seu crédito disponível, eles não têm outra fonte de gasto", disse Ellen Zentner, uma macroeconomista americana do Bank of Tokyo-Mitsubishi em Nova York. "Os cartões de crédito são seu último recurso de financiamento."

Do final de 2005 até o terceiro trimestre de 2007, o percentual de inadimplência de dívida de cartão de crédito aumentou de cerca de 3,5% para 4,3%, segundo dados do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Do início de 2006 ao final do ano passado, o aumento do uso de cartões de crédito pelos consumidores passou de 2,6% para 7,4% em termos anuais.

Outras formas de crédito ao consumidor têm encolhido drasticamente, segundo uma análise de Zentner. O "pool" de crédito inutilizado -predominantemente linhas de empréstimo de home equity, empréstimos bancários e cartões de crédito- ainda estava crescendo em quase 15% ao ano até o final de 2006. Agora, com o aumento do endividamento, a desvalorização dos imóveis e a desaceleração do crescimento da oferta de emprego, tal "pool" está diminuindo em uma taxa de 8% ao ano.

"Para o consumidor, esta é uma situação realmente insustentável", disse Robert J. Barbera, economista chefe da firma de pesquisa ITG. "Nós passamos de dinheiro de refinanciamento de imóvel para cartões de crédito para o ponto atual, em que os consumidores terão que mudar sua trajetória de gastos."

Se a idéia de uma nova frugalidade americana ajudou a assustar os mercados mundiais nesta semana, também contribuíram as preocupações com a extensão das perdas dos bancos com a crise hipotecária. Aqui, também, o que antes era visto como uma força moderadora de interligação global agora se tornou maligna.

Quando os preços dos imóveis residenciais estava em alta e os bancos estavam concedendo hipotecas agressivamente, eles espalharam seus riscos ao venderem seus empréstimos para investidores de todo o mundo. Isto antes era uma fonte de conforto; agora, isto significa que os prejuízos podem estar escondidos em qualquer parte. Bilhões de dólares que ainda podem ser riscados dos balancetes antes do final de um ajuste provavelmente aparecerão em múltiplos continentes.

"Há muita incerteza sobre onde se encontram os riscos", disse Zentner. "Lembra muito a crise financeira asiática, quando havia rumores de uma grande redução do valor contábil dos ativos de um banco chinês."

A história alimentou temores maiores de que bancos em todo mundo relutariam em emprestar, sufocando o crescimento econômico, mesmo com as taxas de juros extremamente baixas do Fed. Se ninguém consegue calcular com confiança quão grande serão as perdas com hipotecas, então ninguém realmente sabe quanto dinheiro deve ser reservado para cobrir empréstimos ruins. Ninguém sabe dizer se as perspectivas de negócios continuarão azedando, o que torna os bancos conservadores com seus fundos.

"O verdadeiro temor é de que haja algum colapso total do sistema", disse Michael Darda, economista chefe da MKM Partners. "Há uma verdadeira sensação de que a situação apenas se deteriorará daqui em diante e mergulhará cada vez mais no abismo."

Segundo o ponto de vista de Darda, o temor se tornou o próprio veneno: ele acha que os mercados mundiais reagiram de forma exagerada à desaceleração nos Estados Unidos, apontando para as recentes quedas em pedidos de seguro desemprego para argumentar que o mercado de trabalho está na verdade muito mais saudável do que muitos acreditam.

Novos empregos, ele disse, serão mais importantes do que os cartões de crédito ou empréstimos imobiliários. Se isto estiver correto, poderá ser confortador. Mas significará que a economia global ainda está apoiada nas costas do consumidor americano.

Enfrentando a crise


Tom Toles Cartoons - Washington Post




Turbulência global ameaça o crescimento da América Latina - Financial Times - link (aqui)



Richard Lapper e Jonathan Wheatley

Ao longo da última meia década, poucas regiões confundiram tanto as expectativas quanto a América Latina. A alta dos preços dos commodities, a liquidez abundante nos mercados financeiros e a expansão dos mercados exportadores ajudaram a transformar países amplamente considerados como sendo incorrigíveis, no início da década, em paraísos de estabilidade econômica, marcados por baixa inflação, redução da dívida e crescimento constante.

Mas os desdobramentos nos mercados globais neste ano sugerem que a América Latina poderá perder seu brilho. As bolsas de toda a região caíram mais rapidamente do que a maioria do restante do mundo, com um declínio médio de quase 16% desde o início do ano.

Há temores de que uma recessão americana e uma queda de preços de commodities industriais possam minar o crescimento. Como o banco central argentino colocou na quarta-feira: "Para nosso país, este é primeiro teste de estresse desde a crise de 2001 e 2002".

Muitos dizem que o pessimismo é exagerado. Os Estados Unidos podem estar passando por um declínio, mas a robustez de outros mercados emergentes, especialmente a China, ajudará a América Latina a suportar a tempestade, eles dizem.

A longo prazo os mercados da região estão "correlacionados negativamente" em relação à Europa e aos Estados Unidos, disse Jerome Booth, chefe de pesquisa da Ashmore Investment Management, em Londres. "Eu não chamaria exatamente de 'descolamento'. Mas os mercados emergentes estão mais resistentes."

Ele cita o fluxo contínuo de fundos para títulos em moedas locais e outros investimentos de renda fixa. Como medido pelo EMBI -um índice desenvolvido pelo JP Morgan- os preços dos títulos dos mercados emergentes atingiram sua maior alta na semana passada.

Muitos argumentam que a maioria dos países latino-americanos está melhor preparada para enfrentar a instabilidade financeira global do que no passado. A política fiscal geralmente é mais conservadora, a demanda doméstica está crescendo e vários anos de superávits em conta corrente permitiram aos governos formar reservas significativas de moeda estrangeira.

Guillermo Ortiz, o presidente do banco central do México, disse nesta semana para uma platéia no Fórum Econômico Mundial em Davos: "A América Latina atual, do ponto de vista macroeconômico, nunca esteve tão sólida -pelo menos ao longo da minha vida".

Mas nem todos estão tão confiantes. É verdade, houve uma diminuição da dependência dos Estados Unidos, que atualmente absorvem menos de 20% das exportações do Brasil, Argentina, Chile e Peru. Mas muitos mercados para os quais a América Latina se diversificou serão duramente atingidos por uma desaceleração americana. Os preços dos commodities industriais provavelmente cairão.

Muitos críticos também dizem que os governos não tiraram proveito das condições internacionais favoráveis para promover as reformas que aumentariam a produtividade e a perspectiva de crescimento a longo prazo. A Venezuela e o Equador usaram a maior receita do petróleo para aumentar os gastos sociais. O Brasil também aumentou seus gastos. Pouco foi feito para reformar um sistema previdenciário deficitário e a carga tributária aumentou.

Muitos citam o rápido crescimento doméstico do Brasil como evidência de sua dependência reduzida de mercados externos. Mas Christian Stracke da CreditSights, uma firma de pesquisa, disse que o crescimento é alimentado pela exploração da liquidez global por parte dos bancos locais.

Ele acrescentou que muitos mercados emergentes estão particularmente vulneráveis, já que a quantidade de dinheiro que atraíram para portfólios de investimento nunca esteve tão alta quanto desde logo após a crise asiática de 1998. A fuga de capital poderia se tornar uma torrente caso o sentimento permaneça ruim, ele previu.

Walter Molano, da BCP Securities, disse que o crédito está se tornando menos abundante no Brasil. As taxas de juros de mercado aumentaram nos últimos meses, enquanto as condições para empréstimos para compra de carros -o primeiro boom dos últimos anos- foram endurecidas neste ano. "Não há como a região escapar do que está acontecendo internacionalmente. Há um amortecimento, mas ele desaparecerá."

Onde anda Temporão? - Ainda choramingando a perda da CPMF? ,- Já são 10 os mortos pela febre amarela


Miguel - Jornal do Commercio - Recife (PE)

Villas-Bôas Côrrea - A Voz da Serra - Nova Friburgo (RJ) - link (aqui)


Quem dá mais pelos lotes do Lobão?


Na sua celebrada modéstia, o presidente Lula tem os seus momentos em que costuma abrir a guarda e transitar pela exaltação dos feitos do seu governo, sempre qualificado como os maiores do mundo e em todos os tempos.
Pois foi um desses instantes de euforia, na oficialização do acordo com o PMDB – parceiro perfeito para as previsíveis dificuldades de um ano eleitoral – que o nosso iluminado dirigente viveu na posse do novo ministro de Minas e Energia, o experiente, sensato e conciliador senador maranhense Edison Lobão.
Posse de arromba, com a cúpula peemedebista em peso, não apenas presente, mais participante, na excitação dos diálogos que giraram sobre o rateio de um ministério de cutucar a inveja de legendas menores, que disputam as sobras de fim de feira.
Ninguém mais desembaraçado e à vontade, como mestre-sala em desfile de rancho, que o senador Waldir Raupp, líder da bancada no Senado. Falante e efusivo, comemorava o lucro do partido que está levando uma pasta que gerencia bilhões e, com porteiras abertas ou cerradas, está conseguindo abocanhar as mais cobiçadas fatias do bolo: o controle da Eletrobrás e da Eletronorte ao modesto custo da entrega da Eletrosul para a senadora Ideli Salvati, líder do PT. Afinal, não era possível deixar o PT fora do glorioso período que se abre para o PMDB, afinal parceiro do governo, na plena fidelidade aos seus princípios e à sua história.
Mas na festa do PMDB o presidente não é um convidado, mas a principal figura e com um desempenho que fez justiça à sua badalada esperteza.
Enquanto o senador Waldir Raupp detalhava a cota partidária, com destaque para o quinhão de uma diretoria da Eletrosul reservado para o ex-governador de Santa Catarina, Paulo Afonso, Lula assumiu a tribuna e enquadrou o novo ministro, enfim nomeado depois de longa espera e de sobressaltos, com a exuberância de elogios que apagam as marcas das intrigas e da insônia das dúvidas. Fez um cafuné que raspou na imprudência ao desmentir que “ficara chateado com a sua indicação, diante da série de denúncias envolvendo o seu filho Edison Lobão Filho e as empresas da família”.
Certamente que a ministra Dilma Rousseff, com toda a malícia feminina e a segurança de quem sabe onde pisa, estava à vontade e achando uma imensa graça nos destemperos oratórios do desfile da festa.
No discurso escrito e no arranque do improviso, o ministro Edison Lobão achou jeito de colocar alguns pingos nas intrigas que “a todo instante tentou-se fazer entre ele e ela”. Ela é a sorridente ministra Dilma Rousseff, a candidata preferencial de Lula para sucedê-lo. Voltamos ao orador: “A ministra Dilma jamais indicou ou vetou nomes para o ministério”. Passou da conta no embalo: ”Dizem que ela está tutelando o ministério, mas eu digo que ninguém tutela o ministro das Minas e Energia, a não ser o presidente Lula”.
Felizmente, a coisa parou por aí. Abraços, tapas nas costas, cumprimentos como em fim de transação em que todos acreditam que fizeram um bom negócio.
Convém parar um pouco para a avaliação crítica de tais exageros e do mergulho de cabeça do governo nas águas poluídas da barganha mais descarada e ostensiva de ministérios e autarquias, loteadas em troca da promessa de votos, sem qualquer cuidado na escolha dos responsáveis pela administração dos bilhões do Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC de tantas obras prometidas, empacadas e os riscos potenciais de escândalos de um novo festival de CPIs.
De o tiro sair pela culatra.

Lula I - Eu não sabia!



Lila - Jornal da Paraíba - João Pessoa (PB)

Fotos da Amazônia revelam 'mentira' de 'conquista' do Brasil, diz jornal - BBCBrasil - link (aqui)




As fotos aéreas da Amazônia revelaram a "mentira da recente 'grande conquista' brasileira em conter desmatamento da Amazônia", diz uma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal britânico The Guardian.

A destruição da floresta era “um desastre ecológico que, aparentemente, havia sido evitado”, afirma o jornal, citando o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto passado de que o desmatamento estava controlado.

“Ontem, no entanto, a boa notícia veio por água abaixo quando ministros admitiram que depois de três anos de queda o desmatamento está em alta de novo.”

Segundo o Guardian, a destruição da floresta vem sendo causada por uma combinação da ação de madeireiras, fazendeiros e criadores de gado nos últimos 40 anos. A reportagem cita ambientalistas, que afirmam que 20% da floresta já foi destruída e que outros 40% poderão ser perdidos até 2050, caso a tendência não seja revertida.

Ambientalistas já vinham alertando para o aumento do desmatamento, afirma o autor da matéria, o correspondente Tom Phillips, que sobrevoou o norte do Mato Grosso e o sul do Pará com um grupo de ativistas do Greenpeace em setembro passado.

“Nas duas regiões os sinais de aumento do desmatamento foram fáceis de identificar. No Mato Grosso, havia vastas áreas de terra mexida, abrindo o caminho para plantações de soja. A paisagem estava coberta de árvores caídas, queimadas como palitos de fósforo. No Pará uma teia de estradas de terra ilegais era visível, passando por áreas relativamente intactas da floresta em direção às áreas abertas recentemente.”

A notícia de que o desmatamento da Amazônia aumentou nos últimos meses de 2007 também foi destaque no Daily Telegraph, que cita algumas das medidas que o governo deverá tomar, entre elas, a criação de uma “lista negra” de proprietários e companhias que vêm violando leis ambientais e o congelamento na emissão de novas licenças para exploração madeireira nas áreas mais afetadas.

“Até a divulgação da nova descoberta, o presidente Lula e outros membros do governo brasileiro vinham dizendo, em várias reuniões internacionais, que o país estava conseguindo manter o desmatamento sob controle. “

“Se a tendência dos últimos cinco meses continuar, a taxa anual de desmatamento ainda vai ficar bem abaixo do pico de 27 mil km² de 2004, mas será um aumento substancial em relação ao ano anterior, e um constrangimento para o governo brasileiro, que busca ganhar reconhecimento internacional por sua contribuição para o clima conservando o que resta da Amazônia”, afirma o Telegraph.

O jeito PT/PSDB de governar



Chico - O Mossoroense - Mossoró (RN)

Rogério L. Furquim Werneck - Estadão online - link (aqui)


Abusando da sorte

Rogério L. Furquim Werneck*


A esta altura já está mais do que claro que, nos próximos meses, o governo vai ter de lidar, ao mesmo tempo, com dois grandes desafios. De um lado, terá de evitar que a escassez de energia comprometa o crescimento econômico do País. De outro, terá de enfrentar os desdobramentos da desestabilização dos mercados financeiros internacionais e da perda de dinamismo da economia mundial. O que preocupa é a leveza com que o governo se vem preparando para lidar com tais desafios.

Já faz parte do folclore político nacional a idéia de que Lula tem tido muita sorte. O próprio presidente costuma se gabar da sua boa estrela. E bem sabe que muito do que conseguiu nos últimos cinco anos não teria sido possível, tivesse sido aquinhoado com menos sorte. O que impressiona, no entanto, é que, agora, se defrontando com dificuldades tão sérias, Lula pareça pronto a pôr desnecessariamente em risco boa parte do que conquistou. Dirão seus detratores que não sabe dar o devido valor ao que amealhou de forma tão fácil. O mais provável, contudo, é que o presidente não esteja percebendo com a devida clareza o que estará de fato em jogo nos próximos meses.

Evitar que a escassez de energia ponha fim ao crescimento da economia é hoje o principal desafio com que se defronta o governo. O natural, portanto, seria que o governo mobilizasse o que o País tem de melhor para dar racionalidade às decisões que terão de ser tomadas nessa área. Não é o que vem ocorrendo. Tem sido motivo de compreensível espanto na mídia a tranqüilidade com que o governo, em meio à delicada crise que enfrenta na área, se dispôs a entregar ao PMDB o Ministério de Minas e Energia. Mas há outro aspecto da inconseqüência do governo nessa questão que tem recebido menos atenção. É preocupante que a alternativa à entrega do setor ao PMDB seja deixar a gestão da crise a cargo da mesma equipe que, liderada pela ministra Dilma Rousseff, montou, peça a peça, ao longo dos últimos cinco anos, o lamentável quadro que hoje se tem na área energética.

O agravamento da escassez de energia mostra como pode ser difícil a correção de rumo, quando o desastre a ser evitado advém de excesso de voluntarismo e insensatez. Políticas concebidas ao arrepio do bom senso e levadas teimosamente à frente, sob ampla e permanente barragem de críticas, deixam pouca margem para reconhecimento de falhas. À medida que se acumulam evidências de que a política foi de fato impensada, os responsáveis por sua concepção tendem a se entrincheirar em posições defensivas extremadas e a se entregar à mistificação, ao auto-engano e à procrastinação.

Lidar com o quadro de escassez de energia vai exigir gestão de risco complexa, fatalmente pautada por alto grau de subjetividade. Sobram razões para se temer que, nas difíceis decisões que terão de ser tomadas, uma equipe comprometida até o pescoço com os equívocos cometidos nos últimos anos e, portanto, empenhada em encobrir erros e salvar reputações não seja capaz de levar devidamente em conta os melhores interesses do País e do próprio governo.

Fatos concretos recentes bem ilustram essas dificuldades. Nos últimos meses, o governo atrasou, enquanto pôde, um manejo mais prudente dos reservatórios do sistema hidrelétrico, para tentar evitar a desgastante explicitação dos graves problemas no mercado de gás que o acionamento das térmicas implicaria. Agora, simplesmente para salvar as aparências, o Planalto resiste a todo custo ao lançamento de um programa ambicioso de racionalização preventiva da demanda de energia elétrica no País. Resta saber se o presidente tem consciência do que está de fato em jogo nas apostas arriscadas que decisões dessa natureza vêm implicando.

Por último, cabe breve menção à leveza com que o governo também se dispõe a enfrentar a turbulência externa. Em 2006, cansado das restrições que lhe impunha o doutor Palocci, Lula achou que já podia se permitir ter um ministro da Fazenda que jamais lhe dissesse não. Agora, quando o céu de brigadeiro afinal deu lugar à tempestade, se vê com uma equipe econômica frágil para enfrentar o intrincado quadro de incerteza e instabilidade que vai rapidamente ganhando força na economia mundial. Mas Lula parece não se importar. Confia na solidez das contas externas e, se necessário, na sua boa estrela.

*Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

Curta mais grossa - Nota da seção Curtas no Estadão online - link (aqui)





APOSTA LATINA
FHC vira consultor do Deutsche Bank

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fará parte do conselho latino-americano do Deutsche Bank, que apoiará administração e clientes do banco sobre tendências sociais e políticas na região. O Deutsche nomeou também Novis Botelho, Nicolas Eyzaguirre Guzman, Enrique Iglesias e Pedro Pablo Kuczynski.

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Comentário na mesa 4 do bar:


"Nada mais justo, afinal só faltava ele, até pela simples razão de que todos os dedicados meninos que comandaram a política econômica de FHC já estão arrumados!"

E a mesa conclui após nova rodada:

"O sistema financeiro internacional cumpre com suas obrigações de gratidão!"

Dora Kramer - O Estado de São Paulo - link (aqui)


Quando o carnaval passar

Dora Kramer

Assim que terminar o recesso no Parlamento, o governo tem agenda pronta: o ministro José Múcio Monteiro visita o Senado em missão de paz, o presidente Luiz Inácio da Silva promove uma reunião com os presidentes do Legislativo e do Judiciário para discutir os cortes no Orçamento, o Ministério da Fazenda libera a proposta de reforma tributária muitas vezes prometida e todas elas adiada e o governo como um todo concentrará energias na aprovação do pacote dos impostos.

Como não poderá contar com a ajuda da oposição, o Planalto usará seu cronograma de distribuição de cargos e liberação de emendas para, até junho, limpar a pauta no Congresso e depois se dedicar com afinco às eleições.

Tudo muito perfeito e organizado não fora uma discrepância de posições entre o que diz o governo e o que fazem poderosos governistas sobre a possível recriação da CPMF com alíquota de 0,20%, teoricamente reservada unicamente para a área da saúde.

Do ministro das Relações Institucionais, José Múcio, o homem da articulação no Congresso, só se ouve negativa a respeito. "O governo não tem nada a ver com isso. Não patrocina a proposta porque não podemos ser derrotados duas vezes", diz o ministro, muito realisticamente baseado na derrota de um mês atrás.

Não é, porém, o que se ouve de gente como o vice-presidente da República, José Alencar, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana, defensores entusiasmados da volta do imposto do cheque.

Fontana foi, inclusive, alertado dias atrás para não falar no assunto em público. Não adiantou: aproveitando o anúncio de que a reforma tributária seria mandada em fevereiro ao Congresso, informou que ele mesmo pretende incluir no projeto a CPMF.

De duas, uma: ou a desarticulação continua imperando nas hostes governistas, ou o disfarce está muito mal ajambrado. Talvez o mais acertado seja cravar as duas hipóteses. A desarrumação deixa exposto o mau disfarce.

Em princípio, parece hábil o governo se afastar do patrocínio da CPMF. Mas, sendo o líder do governo o porta-voz de sua volta e tendo como arautos da proposta o ministro da Saúde e o vice-presidente da República, francamente, trata-se de uma manobra de fancaria.

Isso tomando como verdadeiro o raciocínio do ministro da articulação de que, com a chancela do Planalto, a coisa não anda. Partindo do líder a iniciativa de inclusão na reforma tributária, como a oposição - ou qualquer cidadão alfabetizado - lerá a cena?

Exatamente como ela é: essa história de mandar a reforma tributária ao Congresso tem o único propósito de preparar terreno para a aprovação do tributo já rejeitado.

Se o quadro se desenha tão claro para qualquer pessoa, natural que assim parecesse também ao governo. Mas não parece. Ou pelo menos não parece para parte dele, já que gente com experiência de outros carnavais considera essa tentativa nada mais do que uma flor do recesso - falta de assunto, em português claro.

Os otimistas acham que podem contar com a chamada bancada da Saúde, composta por parlamentares de governo e oposição, e com a pressão do setor.

Considerando que essa pressão também foi feita quando da tentativa de prorrogar a CPMF, o otimismo deve estar mesmo baseado é na ordem unida em prol do fisiologismo dada na reunião ministerial de quarta-feira.

Recibo

Com o diagnóstico de que a derrota na prorrogação da CPMF se deveu ao atraso na distribuição de cargos, o governo carimba a base aliada como vendida e confessa que a idéia era comprar, mas não pagar.

Afinal, a cada aliado corresponde um petista a menos no cargo comissionado. Como disse o ex-tesoureiro Delúbio Soares quarta-feira, em seu depoimento na Justiça Federal de São Paulo, o dízimo é uma fonte essencial para a sustentação do PT.

Segundo ele, contraiu os empréstimos junto a Marcos Valério contando com o dinheiro da alta da arrecadação decorrente do aumento do número de petistas ocupantes de cargos federais a partir de 2

Para 'Economist', nomeação de Lobão sinaliza 'sobrevivência de clientelismo' - BBCBrasil - link (aqui)




A revista britânica The Economist classifica a nomeação de Edison Lobão para o cargo de ministro de Minas e Energia como exemplo da sobrevivência de "dinastias políticas feudais" no Brasil.

Em um artigo intitulado Wolf Pack – The survival of patronage politics (Bando de Lobos – a sobrevivência do clientelismo político, em tradução livre), a revista escreve que Lobão foi nomeado para a pasta "porque é protegido do senador José Sarney, um dos líderes dos Democratas, partido que o presidente Lula precisa para ter maioria no Senado".

Embora afirme que "essas dinastias políticas são menos comuns do que já foram no Brasil", a revista diz que "em locais com o Maranhão, os velhos hábitos sobrevivem".

"O clientelismo político é um fardo pesado para o contribuinte brasileiro. E se as luzes se apagarem neste ano, o seu custo vai ser ainda mais pesado", diz a Economist, em uma referência a uma das principais tarefas do novo ministro, a de garantir o suprimento normal de energia elétrica no país, ameaçado por causa da falta de chuvas.

Ironia

A revista afirma que dados indicam que as chances de um novo apagão no Brasil nos próximos dois anos são de 20% e que o país depende fortemente das chuvas na região Sudeste nos próximos três meses para manter as usinas hidroelétricas funcionando normalmente.

"A falta de conhecimento (de Lobão) sobre o assunto não deve ser um problema, já que ele assegurou ao público que já começou a ler a respeito", diz o artigo, em tom de ironia.

Ainda no mesmo tom, a revista lembra que o nome do ministro "parece ter sido feito sob medida para o cargo", em uma referência ao descobridor da eletricidade, Thomas Edison.

Fazendo uma análise da carreira do novo ministro, o The Economist afirma que, como jornalista durante a ditadura militar, "Lobão escreveu artigos tão favoráveis aos generais que governaram o Brasil que eles o tornaram um congressista de seu partido".

Para a revista, Lobão teria ainda outras "manchas em sua trajetória", como a indicação do próprio filho, que "está sendo investigado por evasão fiscal", para ser seu suplente no Senado.

Charge do dia


Novaes - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro (RJ)

Comercial Antigo - Brahma Tartaruga 2

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Políticos do Rio deram golpe de R$ 100 milhões

Folha de São Paulo - Governo suspende licença de desmatamento em 36 áreas

O Estado de São Paulo - Governo corta crédito em áreas desmatadas

O Globo - Governo se divide sobre causa de desmatamento

Gazeta Mercantil - Fornecedores de teles brigam porR$ 14 bi

Correio Brasiliense - Enfim, boas novas na economia

Estado de Minas - Caminho livre para a sucessão na PBH