sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Coluna do Cláudio Humberto - Gazeta de Alagoas - link (aqui)
Ministro “detona” carne nacional
A desastrada declaração do ministro Reinhold Stephanes (Agricultura), afirmando que a carne brasileira tem sido exportada sem observar os cuidados necessários, caiu como uma bomba no mercado internacional. Stephanes conseguiu o que os maiores rivais do Brasil, no mercado internacional, há anos tentam sem sucesso: desacreditar o produto nacional. Há o temor do cancelamento em massa de encomendas.
Ficou maluco?
Reinhold Stephanes deixou mal tanto o produtor e o exportador de carne. O que pode fazer o País perder o posto de maior exportador do mundo.
Investigação, já
O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, Péricles Salazar, defende profunda investigação, para preservar os empresários honestos.
E nós, aqui?
Pergunta que não quer calar, após a grave acusação do ministro contra os exportadores: que tipo de carne os brasileiros estão consumindo?
Vaca maluca
Como em janeiro, quando a Suíça acusou o Brasil da doença da “vaca louca”, a assessoria do ministro reage como se estivesse com a própria.
Divergência sobre preço de ações prejudica negociações da Vale com a Xstrata - Financial Times - link (aqui)
A Vale (ex-CVRD, Companhia Vale do Rio Doce) e a Xstrata estão em sérias discussões sobre uma potencial aquisição de US$ 90 bilhões em dinheiro e ações há mais de duas semanas, mas as duas mineradoras parecem ter chegado a um impasse. O grupo brasileiro acredita que a Xstrata vale entre 40 e 42 libras (entre R$ 138 e R$ 142) por ação, enquanto a Xstrata e sua principal acionista, a Glencore, acreditam que as discussões sobre o preço devem ficar entre 45 e 48 libras (R$ 155 e R$ 165,50) por ação.
Como a Vale provavelmente pagará até dois terços do valor do negócio em ações, a significativa divergência sobre o preço das ações das duas mineradoras nas últimas semanas tornou-se um problema. "Isto tem a ver com avaliação relativa, e não avaliação absoluta", disse uma pessoa próxima às negociações. "Evidentemente há uma opinião diferente sobre o preço entre as duas companhias no momento."
Desde que a Xstrata confirmou ao mercado de ações que estava negociando "com diversas partes" a consolidação da indústria, em 11 de dezembro, o preço das ações da Vale, que estava em R$ 53,80 na véspera do anúncio, caiu mais de 11%. Enquanto isso, as ações da Xstrata, que estavam avaliadas em cerca 36,56 libras (cerca de R$ 126) no mesmo dia, subiram quase 6% desde então.
Complicando ainda mais a questão da avaliação há o fato de que a Vale tem dois tipos de ações em jogo. Suas ações com direito a voto, que são propriedade majoritária de um pequeno grupo de investidores brasileiros, na verdade controlam a companhia. A segunda classe de ações preferenciais não tem direito a voto e é negociada com desconto sobre as ações ordinárias.
No entanto, se o grupo brasileiro abandonar as negociações agora a Xstrata provavelmente verá o preço de sua ação cair. "O boom das matérias-primas acabou e o valor da moeda da Xstrata cairá se a Vale decidir não prosseguir com a aquisição", disse uma pessoa familiar com a situação.
Analistas do UBS estimaram que as ações da Xstrata poderão cair até 20% se a Vale não decidir fazer uma oferta formal pelo grupo anglo-suíço. No entanto, a Vale, a Xstrata e a Glencore, que possui 35% da Xstrata, estariam de acordo sobre a estrutura do negócio, que envolveria uma aquisição direta da Xstrata e deixaria apenas uma companhia listada em Bolsa.
A Vale teria inicialmente considerado uma estrutura mais complexa, que envolveria a criação de uma companhia listada em Londres, que deteria todos os ativos existentes da Xstrata, juntamente com os ativos de cobre, níquel e alumínio da Vale. Essa companhia, por sua vez, teria participação em uma nova companhia fechada brasileira que deteria os ativos de minério de ferro da Vale.
Deverá haver poucas barreiras antitruste se um acordo for alcançado. Qualquer revisão deverá se concentrar nos ativos de níquel, assim como em algumas negociações de contratos de minério de ferro e carvão, mas estas provavelmente não levarão mais que seis a nove meses para serem decididas.
O maior ativo que terá de ser disposto é a refinaria Nikkelverk em Kristiansand, na Noruega que a Xstrata adquiriu como parte de sua aquisição da Falconbridge em 2006.
A Glencore também só concordará com o negócio se conseguir uma participação no capital da nova companhia, assim como garantir os direitos de comercialização altamente lucrativos de uma parte significativa da produção de matérias-primas dos grupos combinados.
Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
A vitória de Anibal sobre Serra pode ter um significado
Menos um presidenciável em 2010
José Serra não pode esquecer a frustração e a decepção com a escolha de José Anibal para líder do PSDB na Câmara. Nem pode esconder a repercussão negativa em relação a seu proclamado futuro. A eleição de um líder na Câmara não teria tanta repercussão se não fosse o próprio governador de São Paulo, que deu ao fato, antecipadamente, a repercussão que está tendo e terá cada vez mais.
Em primeiro lugar, Serra fracassou como analista. Desde os últimos meses de 2007, ao se aproximar a eleição para a liderança, Serra se jogou inteiro na campanha contra José Anibal, apregoando que iria derrotá-lo facilmente.
A candidatura de José Anibal era natural e automática. O veto do governador, insensato e sem a menor explicação. Anibal é um homem de partido, o mesmo de Serra, PSDB, não tinha sentido ou explicação. Serra não conhece nem tentou conhecer a lição de grandes estrategistas: "Se não puder derrotar o inimigo, junte-se a ele".
Anibal não era inimigo, e me fartei de publicar informações de deputados do PSDB que garantiam que ele não perderia. Se tivesse feito uma boa análise, Serra teria apoiado Anibal e dividido a vitória com ele. E com isso, teria bloqueada qualquer possível ação do deputado contra ele. Serra amarga a derrota, e que derrota.
O PSDB tem 58 deputados. Ninguém desconhece o Poder dos governadores sobre as bancadas. Apesar disso e com a agravante de Serra ter feito secretários deputados voltarem à Câmara, não conseguiu nada. (Serra fez como os generais da ditadura em 1968. Trocaram todos os membros da Comissão de Justiça, e assim mesmo foram derrotados). Serra não é tão democrata quanto finge ou tenta parecer.
Enfraquecido por si mesmo e pela leviandade, Serra parte para a segunda derrota seguida, sem qualquer chance de sair vitorioso: a indicação do candidato do PSDB a prefeito de SP. Nem por brincadeira ou exercício de surrealismo alguém pode admitir que o escolhido não seja Geraldo Alckmin.
Tirando os "anos dourados" de FHC, quando Serra era mais importante do que o próprio presidente, Geraldo Alckmin tem mais credenciais do que Serra. Ambos perderam para Lula, mas Alckmin resistiu muito mais e perdeu por menos, apesar da má vontade do PSDB.
Conhecendo Serra como o País conhece, já se tem noção do que vem por aí: Serra aplicará o mesmo retrocesso de FHC ("80 anos em 8") e tentará desobstruir o caminho de Alckmin para a prefeitura. Vai apoiá-lo e mais do que isso: lutará vigorosamente pela sua eleição, pois se Alckmin perder ninguém acreditará no pretenso ou pseudo-esforço de Serra.
Tido e havido por ele mesmo como franco favorito para 2010, Serra começa a descer a ladeira do desespero numa velocidade desesperada. E como Serra pode ser franco favorito, se não conhece nem os adversários? Tendo sido derrotado dentro do próprio PSDB, como o governador pode garantir que terá a legenda presidencial para 2010?
PS - O sinal da antipatia que Serra acumula foi dado pela manifestação de toda a Câmara a José Anibal, assim que ele chegou aos 30 votos. Nem esperaram o final.
PS 2 - Mas Serra continua controlando os espaços jornalísticos (?). Ninguém sequer noticiou a vitória de Anibal, fato importantíssimo.
Eu ??? - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Governo e oposição têm a mesma intenção
BRASÍLIA - Bem antes de o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), recusar, por problemas burocráticos, os termos do requerimento que criava a CPI mista dos Cartões Corporativos, ontem à tarde, obrigando os interessados a uma nova coleta de assinaturas, o líder do governo na Casa, senador Romero Jucá (PMDB-RR), já se movimentava como se a CPI não existisse.
Como não convenceu os colegas da base aliada a dividir com a oposição o comando da comissão composta por deputados e senadores, o líder deu um passo adiante e começou a negociar a CPI exclusiva do Senado que os adversários do governo ameaçavam criar. Foi este o tema do encontro de Jucá com o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), na noite de quarta-feira.
"Se o PSDB recusar a presidência da CPI do Senado, o Democratas aceita?", perguntou Jucá a Agripino. "Aceitamos, sim", respondeu o líder do DEM, sem titubear. Apesar da orientação do Palácio do Planalto para manter a presidência e a relatoria nas mãos de aliados, o líder do governo se recusou a alimentar o confronto que, a seu ver, acabaria inviabilizando o inquérito misto.
Preferiu investir no passo seguinte - a CPI do Senado -, negociando a presidência com a oposição. Não por acaso, procurou o DEM, e não o PSDB com quem o governo costuma conversar. Aliados e adversários do governo avaliavam ontem que setores expressivos do PSDB estavam fazendo "corpo mole" e, no bastidor, trabalhavam contra a CPI mista, torcendo para que o governo lhes desse um pretexto para não participar do "inquérito chapa-branca".
O líder procurou Agripino por entender que, a esta altura, "abortar" a CPI seria uma péssima saída para o governo. A solução encerraria o diálogo com os adversários, azedaria de vez o clima político no Senado e dificultaria a aprovação dos interesses do governo por conta da obstrução aos trabalhos que os oposicionistas ameaçam promover.
Sem falar na péssima repercussão junto à opinião pública. Um senador tucano que faz parte deste grupo explicou que a CPI mista seria ruim para o PSDB, porque nascera sob a suspeição de um acordo com o governo para deixar as famílias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, fora da investigação.
Na tentativa de remediar o estrago, FHC escreveu uma carta aos companheiros, dizendo que "não há motivo para preocupação", no que se refere a seus gastos pessoais e de seus familiares e reafirmando seu desejo de que a CPI seja instalada e apure eventuais irregularidades.
Mas boa parte da bancada ainda tinha a certeza de que seria impossível evitar desgaste e fazer com que o presidente tucano se saísse bem na CPI. Em uma série de conversas reservadas, a conclusão foi a de que o cargo de presidente deixaria qualquer senador da bancada "no fio da navalha".
Em conversa reservada com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) foi uma das que ponderou a inconveniência da CPI mista. "Não vejo nenhuma vantagem para o PSDB nesta CPI. Se o presidente (da CPI) for radical na oposição, o governo passa o trator; se ele for responsável e comedido, será acusado de participar do acordão", resumiu.
Preocupados, o presidente do PPS, Roberto Freire, e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) procuraram Guerra de manhã. Os dois apelaram ao tucano para que encerrasse a polêmica da CPI mista, fortemente dominada pelo governo, e se concentrasse na recriação da CPI do Senado. "Não há razão para não fazermos a CPI do Senado, a não ser a de não querer uma investigação para valer", protestou Jarbas no plenário.
CPI ??? - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
PT trabalha nos bastidores para abortar CPI
BRASÍLIA - Deputados do PT trabalham nos bastidores para enterrar a CPI dos Cartões Corporativos. Na contramão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o grupo faz de tudo para impedir a investigação no Congresso e já se mobiliza para iniciar uma operação especial na próxima semana: pressionar os colegas da base aliada a retirar as assinaturas do requerimento de instalação da CPI mista.
O movimento é coordenado pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que foi sondado para assumir a relatoria da CPI, mas não aceitou. Na prática, petistas que integram o núcleo anti-CPI aproveitam o impasse em que se transformou a abertura da comissão para embaralhar o jogo.
Nessa tarefa, contam com o apoio até da porção do PSDB que tenta poupar das investigações as famílias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Eu não concordei quando o líder do governo orientou a base para assinar o requerimento da CPI, pois isso é dizer que o governo não tem condições de investigar e colocá-lo em situação difícil", afirmou o deputado, numa crítica ao senador Jucá e ao deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo na Câmara.
Apesar das evidências, Vaccarezza negou que esteja à frente da manobra para retirar as assinaturas do requerimento de instalação da CPI. "Minhas energias estão voltadas para a comissão especial que vai definir o rito de tramitação das medidas provisórias (MPs)", desconversou o petista, que preside comissão, criada na quarta-feira, com o objetivo de impedir que as MPs tranquem a pauta de votações da Câmara 45 dias após o início de sua tramitação.
Até a iniciativa do líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE) - que à tarde indicou o deputado Luiz Sérgio (RJ) para relator de uma CPI Mista dos Cartões -, irritou o grupo. Integrantes da base governista argumentaram que Rands pôs "o carro adiante dos bois" antes de saber se a comissão conseguirá sobreviver ao bombardeio para derrubá-la.
Reflexo
O racha na bancada do PT reflete a divisão no Planalto. Embora ministros como José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Planejamento) digam que a CPI Mista dos Cartões servirá para tirar o governo da defensiva e mostrar que a administração de Fernando Henrique gastou mais, muitos auxiliares de Lula consideram que a iniciativa foi um erro político.
Diplomático, o líder do PT na Câmara não quis pôr mais lenha na fogueira: disse que quem age para enterrar a CPI é a oposição, e não a base aliada. "Fomos nós que passamos uma tarde toda à procura do requerimento da CPI para assiná-lo", provocou Rands. "A oposição está patinando e parece que só quer um pretexto para fazer a disputa política neste ano de eleições municipais".
Sonia Racy - Direto da fonte - Estadão online - link (aqui)
Pecuaristas querem mandar Stephanes para a UE
Desta vez, o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes pisou feio no tomate ao atrair os holofotes do mundo com sua declaração de que o Brasil vendeu carne sem controle para a Europa, em meio a um embargo imposto pela União Européia.
A exemplo da maior parte do setor produtivo e exportador, Nabhan Garcia, da UDR, acredita que o ministro prestou um desserviço a toda a cadeia produtiva da pecuária nacional, deixando patente o despreparo de quem nunca entendeu de produção agropecuária. "Seria mais interessante e proveitoso para nossa cadeia produtiva se o ministro pedisse demissão e procurasse emprego lá na Europa."
Garcia lembra, com razão, que o rebanho bovino brasileiro, predominantemente da raça zebu, é o mais sadio do mundo. "Nosso boi come capim e quando vai para o abate leva um atestado expedido por um órgão sanitário credenciado para tal. E dentro de qualquer frigorífico existe um veterinário do SIF, ou seja, do próprio Ministério da Agricultura."
A rastreabilidade imposta pela UE, para Garcia, nada mais é do que uma jogada comercial de baixo nível, um despropósito que serve somente para fazendeiro europeu dono de 11 vacas. "Eles sabem melhor do que ninguém sobre nossa qualidade. Essa pressão é meramente comercial." Para boi, ops, inglês dormir...
Dora Kramer - Estadão online - link (aqui)
Descontrole interno
Dora Kramer, dora.kramer@grupoestado.com.br
Dois altos funcionários, o ministro dos Portos, Pedro Brito, e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, trocaram de cargos, receberam auxílio para pagar as respectivas mudanças para seus Estados de origem, continuaram trabalhando em Brasília, embolsaram o dinheiro e, com o aval da administração pública, acham tudo muito natural.
Cumpre registrar a título de parênteses: ambos os remanejamentos ocorreram não por conta de aperfeiçoamentos administrativos, mas para abrir espaço à acomodação fisiológica de 2007 apelidada de reforma ministerial.
Brito cedeu o lugar na Integração Nacional ao PMDB e assumiu a indispensável pasta dos Portos, criada para atender à cota do PSB. Machado saiu da Previdência para abrir vaga ao presidente da CUT, Luiz Marinho, cuja realização mais vistosa até agora é conferir a invasores de terra o direito de contar tempo de aposentadoria.
Prossigamos. Nelson Machado cumpriu um interregno de 20 dias entre um cargo e outro passando, como ele diz, as "férias" em São Paulo. Recebeu por isso R$ 18 mil, porque a lei que lhe dá o direito a uma verba para as despesas de mudança para o Estado de origem.
Ele não mudou, mas ganhou o dinheiro, e se considera "convicto" da correção do ato. E ainda ensina: "É preciso esclarecer bem o conceito de mudança. A legislação diz que existe direito a ajuda de custo para mudança, transporte, viagens e etc. Isso eu fiz, fui embora daqui (de Brasília)".
Realmente, foi, mas o que ele chama de "mudança, transporte, viagens" resume-se ao pagamento de duas passagens de avião. Uma de ida, outra de volta. Coisa de R$ 1.000, na mais dispendiosa das hipóteses. E os outros R$ 17 mil? Embolsou.
É pouco? Pode até ser, mas a questão não é o quanto se gasta do dinheiro público, mas o uso que se faz dele e os métodos que caracterizam o abuso. É como a tapioca de R$ 8,30 paga pelo ministro dos Esportes com cartão corporativo: não é o valor, mas o sentido de apropriação privada de um bem público.
Passemos a Pedro Brito. Em março de 2007, deixou a Integração Nacional, voltou para Fortaleza e dois meses depois estava em Brasília de novo para assumir os Portos. Pediu R$ 8.300 de auxílio para cada mudança e não mudou. Como tem um flat em Brasília e a família mora no Ceará, limitou-se a transportar a si mesmo, gastando, no máximo, os mesmos R$ 1.000 do colega Machado. E os outros R$ 15.600? Gastou no táxi? Ou aplicou no sistema Matilde de locação de veículos?
O destino não importa. O problema está na origem e na facilidade com que sai dinheiro dos cofres oficiais sem a menor preocupação com controle.
Desse jeito, não há medida restritiva que dê jeito. Não se sabe se por falta de estrutura ou omissão proposital de orientação para que atuem com rigor, fato é que os instrumentos de fiscalização não funcionam.
O controle externo é exercido pela imprensa, mas o interno simplesmente não se dá a conhecer. Nesses e em outros tantos casos como, por exemplo, o de liberações irregulares de emendas parlamentares e frouxidão perniciosa na execução de convênios.
Casos assim ocorrem cotidianamente sem haja sinal de inquietação, a não ser enquanto estão sendo alvo do noticiário.
O governo fala de fechar portas arrombadas, mas não se mexe para mantê-las trancadas.
Melhor de três
De um ano para cá, o tucanato já patrocinou três acordos sobre os quais teve de se explicar. O primeiro, em janeiro de 2007, elegeu Arlindo Chinaglia presidente da Câmara. Deu certo.
O segundo, nos últimos meses do ano passado, quase resultou na aprovação da CPMF. Deu errado.
O terceiro, para a criação da CPI dos Cartões excluindo das investigações Lula e Fernando Henrique, desandou, desempatando o placar saia-justa para 2 tentativas e 1 gol contra.
Casa de lobby
O reitor Timothy Mulholland deixou a cobertura montada pela UnB. Pode devolver o dinheiro gasto, como exige o Ministério Público. Pode até continuar no cargo por conta da apatia de um movimento estudantil pelego como nunca se viu.
Mas o apartamento onde até lixo é de luxo continuará lá, servindo para "atividades de representação" da universidade, inaugurando, assim, o instituto da casa de lobby acadêmica.
A prática, outrora muito comum em Brasília, foi aos poucos sendo abandonada pelas grandes empresas. Ressuscitou com a República de Ribeirão Preto, derrubou um ministro, e agora eterniza-se como um monumento ao desperdício das verbas que deveriam ser destinadas à educação.
PF suspeita de espionagem na Petrobras - Folha de São Paulo - link (aqui)
Dois laptops e disco rígido foram levados de contêiner da empresa americana Halliburton, que presta serviço para estatal
Furto foi comunicado à PF na sexta de Carnaval, mas inquérito só foi aberto no dia 7; equipamento tinha dado de descoberta recente
PEDRO SOARES
SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
Os dados desaparecidos são referentes às recentes descobertas de reservas de óleo e gás da estatal. Estavam armazenados nos equipamentos da Halliburton, que os transportaram do porto de Santos para a base da Petrobras na bacia petrolífera de Campos, em Macaé.
Entre as descobertas, está a do campo de Tupi (bacia de Santos), a maior já realizada no país. Suas reservas (ainda dependentes da certificação final) são estimadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris. Ao todo, o Brasil tem hoje 14 bilhões de barris. As primeiras revelações sobre o furto foram divulgadas na internet na manhã de ontem pelo portal Terra.
A Petrobras foi informada do furto no dia 1º deste mês, quando a Halliburton percebeu que o contêiner havia sido violado. A estatal realizou uma investigação interna e, no mesmo dia, véspera do Carnaval, informou sobre o desaparecimento do material à Superintendência da PF no Rio. O inquérito só foi aberto no dia 7. Ficou a cargo da Delegacia da PF em Macaé, cujas investigações ainda não avançaram. A Petrobras também faz suas apurações.
A Folha apurou que a estatal não descarta a possibilidade de se tratar de espionagem industrial, suspeita também citada à Folha pela delegada Carla de Melo Dolinski, presidente do inquérito. "Nós temos duas linhas de investigação: se foi furto com intuito de obter informações sigilosas e estratégicas ou se foi com o intuito de obter simplesmente materiais de informática. Furto simples, comum, que acontece muito em contêineres", disse a delegada.
O que a PF sabe até agora, ainda de acordo com Melo Dolinski, é que o contêiner deixou o porto de Santos no dia 18 de janeiro, com passagem pelo Rio. No pátio da Halliburton em Macaé, o contêiner deu entrada no último dia 1º.
A Halliburton é uma das mais antigas prestadoras de serviço da estatal. Atua em várias áreas, com destaque em testes de vazão e pressão em reservatórios. Também foi responsável pela construção de duas plataformas (P-43 e P-48), cujos preços e prazos estouraram. O caso terminou numa corte arbitral.
Nos EUA, a Halliburton teve como presidente Dick Cheney, o atual vice-presidente do país, e teve forte atuação no Iraque.
"Só sei dizer que o contêiner saiu de Santos em 18 de janeiro e no dia 1º de fevereiro foi encontrado violado. Saiu de Santos, passou pelo Rio e veio para cá [Macaé]. Não sei em que momento esse contêiner foi furtado", disse a delegada.
Logo na chegada, os funcionários encarregados do transporte notaram que o lacre do contêiner tinha marcas de violação. A Petrobras foi chamada. Realizou uma vistoria e constatou que os laptops e o disco rígido tinham sumido. A Polícia Federal foi avisada em seguida.
Em nota, a Petrobras evitou referências à suspeita de que o furto foi cometido por pessoas interessadas em saber mais sobre os campos de petróleo do litoral brasileiro. A estatal informou apenas, no documento, que "houve um furto de equipamentos e materiais que continham informações importantes para a companhia, em instalações de empresa que presta serviços especializados".
A estatal acrescentou na nota possuir cópias da íntegra dos dados furtados. Mas não revelou qual é o conteúdo das informações nem sobre quais áreas se referem. Procurada pela Folha no Rio, a Halliburton informou que por enquanto não se pronunciará sobre o desaparecimento do material e que recebeu a orientação da Petrobras para que todas as questões a respeito do tema fossem encaminhadas à estatal.
"Nóis podemos, sumos cumpanheiro!" - Folha de São Paulo - link (aqui)
Tesoureiros do PT usam cartão corporativo
R$ 719 mil foram gastos por 46 petistas que ocupam também cargos de confiança em oito ministérios e na Presidência
No Amazonas, petista que tem cartão trabalha oito horas diárias no governo e uma no partido; não há ilegalidade em tal situação
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pelo menos mais sete integrantes de executivas ou diretórios petistas, além de um ex-prefeito e de três candidatos a deputado estadual em 2006, estão entre os encarregados por diversos ministérios de fazer saques e comprarem com os cartões. Um deles, candidato em Alagoas, sacou 41% do total do ano nas três semanas que antecederam a campanha.
Levantamento feito pela Folha com base em dados do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos do governo) pela assessoria de Orçamento do DEM identificou 46 petistas em cargos de confiança em oito ministérios e na Presidência que usaram cartões de 2005 a 2007. Neste período, gastaram R$ 719 mil -61,5% em compras e 38,5% em saques.
O uso dos cartões por pessoas comprometidas com a política partidária não é ilegal, mas pode dar margem a conflitos de interesse. Um exemplo ocorre no Amazonas, onde o superintendente estadual da Secretaria da Pesca, Estevam Ferreira da Costa, usa cartão corporativo para cuidar das finanças da pasta de segunda a sexta, das 9h às 17h. Encerrado o expediente, Costa, tesoureiro estadual desde 2001, dirige-se ao diretório do PT em Manaus onde, das 18h às 19h, trata do dinheiro do partido. "Passo uma hora por dia trabalhando para o PT", diz ele, que sacou R$ 8.900 com cartão em 2007. A maior parte, segundo ele, para comprar combustível para barcos.
Em Tocantins, o tesoureiro estadual do PT Leontino Pereira de Sousa usa intervalos no trabalho como delegado estadual do Ministério do Desenvolvimento Agrário para resolver problemas do partido. "Aproveito a hora do almoço para pagar contas do PT." Sousa gastou, em 2007, R$ 3.889 com cartão, 89% em saques.
Em Goiás, a tesoureira do PT até dezembro era Laisy Moriere, a principal responsável na Secretaria de Políticas para Mulheres por organizar as viagens da ministra Nilcéa Freire. É ela quem paga hotéis e restaurantes, com o cartão.
A dupla função é conseqüência do loteamento da administração federal. Conforme revelou a Folha no domingo, 44% dos cartões estão com funcionários comissionados, muitos deles, indicações políticas.
A maioria dos militantes petistas ocupa gerências estaduais da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, cujo titular, Altemir Gregolin, é um dos ministros que têm gastos com cartão investigados. Há também exemplos em Desenvolvimento Agrário, Minas e Energia, Trabalho, Agricultura, Integração Nacional e na Secretaria de Políticas para Mulheres.
Além dos tesoureiros, há petistas com cartão em cargos como secretário de Formação Política, de Organização, de Assuntos Sindicais e de Assuntos Agrários -todas posições estratégicas. Nas eleições de 2006, ao menos três petistas com cartão corporativo tentaram a sorte para Assembléias. Apenas um se elegeu.
Cândida figura - Folha de São Paulo - link (aqui)
Franklin afirma que vai devolver valor de diárias
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Martins diz que tomou conhecimento dos dois depósitos irregulares após ser procurado pela reportagem, e afirmou que irá devolver o dinheiro.
De acordo com ele, foram feitos por "falha administrativa" do organizador de viagens do Planalto, que desconsiderou o novo status ministerial da Secretaria de Comunicação do governo.
Também informado, o ministro da Previdência, Luiz Marinho, informou que irá devolver R$ 60 pagos a mais no auxílio-moradia. A falha foi na divisão pró-rata na transição entre os dois ministérios.
Contraponto -, Folha de São Paulo - link (aqui)
Pela tangente
Passadas seis horas, Suplicy ia encerrar o tiroteio quando foi interrompido por Heráclito Fortes (DEM-PI):
-Senador, a sessão não pode terminar sem que saibamos: afinal, o senhor é contra ou a favor da transposição?
Sorrindo amarelo, Suplicy respondeu:
-Como presidente não devo me manifestar, mas quero ir até a região de Barra para conhecer a realidade local...
O melífluo Marco Aurélio "top-top" Garcia estava lá
Muito embora a midia não tocasse em seu nome, excluindo das fotos sua expressão soturna, Marco Aurélio "top-top" Garcia estava presente, e atuante, na visita à bucólica Guiana, substituindo, como sempre, o Itamaraty, aquele órgão diplomático que Lula I, "o antes nunca visto", aposentou.
Assim, a desconfiança deste blog, de que Sarkozis, Lula, e Marco Auirélio negociam interesses das Farc, e por consequência a libertação de Bitencourt, continua fazendo sentido.
Tal presença é confirmada graças à revelação de Renata Loprete, Painel da Folha de São Paulo, que reproduzimos abaixo:
"Blockbuster. O assessor presidencial Marco Aurélio Garcia submeteu os convidados do Aerolula, na volta da Guiana, a uma hora e meia de documentário feito pela TV canadense sobre a política externa do governo petista."
Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)
O encontro dos caras-de-pau
SÃO PAULO - Quando comecei na Folha, há exatos 28 anos, Adilson Laranjeira era chefe de reportagem. Meu chefe, portanto.
Profissional competente, uma de suas funções era pôr a sua turma a trabalhar em textos de denúncia ou críticos a Paulo Salim Maluf.
Depois, o velho e bom Adilson mudou de lado. Passou a ser assessor de imprensa de Maluf. E, nessa função, faz o contrário do que fazia quando estava na Folha: manda cartas negando todas as acusações e críticas a seu chefe. É do jogo.
Essa rotina reapareceu, em parte, na edição de ontem desta Folha, em carta na qual Adilson diz que fui injusto ao comparar a farra dos "fuscas" com dinheiro público de Maluf com a farra dos cartões lulopetistas (e tucanos).
Mas há, na carta, um dado relevante: nos 23 anos decorridos até chegar ao poder, o PT fazia questão de vociferar que todos os demais partidos eram farinha do mesmo saco e que só ele era impoluto como a Virgem Maria.
Agora que a suposta virgem virou "organização criminosa", no dizer do procurador-geral da República, referendado em princípio pelo STF, é Maluf, a antiga Geni da política tupiniquim, quem fica injuriado ao ser posto no mesmo saco do lulopetismo.
Já os lulopetistas nem mandam cartas para fingir que são inocentes. Apenas esmolam para que os jornalistas digamos que os outros também não são.
Pedido, aliás, que apenas revela a cara-de-pau e má-fé da "quadrilha" e de sua matilha de hidrófobos-debilóides, posto que TODOS os escândalos dos anteriores governos, TODOS, foram expostos exatamente pela mídia hoje dita "golpista", da Ferrovia Norte-Sul, no governo Sarney, à privataria, passando pela compra de votos para a reeleição, no governo FHC, para nem mencionar todos os trambiques do governo Collor, aliás hoje aliado de Lula. Como Maluf. Como Sarney.
Flanco aberto - Folha de São Paulo - link (aqui)
Confissão de ministro sobre embarque de carne irregular revela falta de controle em exportações cruciais para o país
Trata-se de um vexame. Não bastou o mau jeito de enviar, há duas semanas, uma lista com 2.681 propriedades aptas a cumprir o rastreamento -informações sobre a origem de cada cabeça de gado. Os europeus haviam limitado o número a 300 fazendas, alegando incapacidade do Brasil de fiscalizar mais. Além disso, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admite tacitamente a inoperância de sua pasta na véspera da reabertura de negociações com a UE.
Stephanes não deu nomes aos bois, ou seja, a quem descumpriu regras de embarque anteriormente acordadas com o parceiro comercial. Para não lançar desconfiança sobre todo o setor, o ministro tem a obrigação de revelar qual o tamanho da fraude e quem a perpetrou.
O ministro acerta ao manter aberto o canal de negociação. Na origem do embargo europeu estão as razões protecionistas de sempre -pressões dos produtores locais, que não conseguem concorrer em igualdade de condições com os pecuaristas brasileiros. Denunciar a manobra em foros apropriados, como a OMC, é um recurso do qual o Brasil não deve abrir mão. Mas isso não diminui em nada, nem no curto nem no médio prazo, o prejuízo, estimado em US$ 5 milhões por dia, que o boicote europeu inflige aos produtores brasileiros.
O ânimo protecionista europeu tampouco redime o Brasil no que tange ao descaso com procedimentos -como a rastreabilidade do rebanho e os controles sanitários- que tornariam bem mais difícil encontrar pretextos para embargos contra a carne. Quem quer manter-se na posição de maior fornecedor mundial precisa ser obsessivo com controles de qualidade.
Tomara fosse essa a única mazela do agronegócio brasileiro. A rastreabilidade exigida pela UE não é a primeira nem será a última barreira levantada contra esse setor da nossa economia. Muito sensíveis também são as áreas social (casos isolados de trabalho infantil e similar à escravidão) e ambiental (destruição de florestas e outros habitats).
No segundo quesito, ao menos, desenha-se ameaça mais séria, em face da atenção mundial com a Amazônia. Não faltam estudos mostrando a pecuária como atividade mais comum nas áreas desmatadas (pastagens cobrem quase 80% delas). O rebanho amazônico cresce dez vezes mais depressa que no restante do país.
Engana-se quem pressupõe que produtos como soja, milho e álcool ficarão imunes a essa associação indesejável. E aqui, de novo, o governo federal patina.
Nem a óbvia providência do zoneamento econômico-ecológico foi finalizada. Quando vier, só será eficiente se for acompanhada de uma regularização fundiária para desbaratar as quadrilhas que se apossam de abundantes terras públicas na Amazônia.
A meta é um sistema amplo de controle de origem e certificação, na Amazônia e fora dela. Esse é um imperativo de competitividade. A julgar pelo caso da carne, o Brasil ainda precisa avançar muito, e depressa, a fim de preparar-se para essa guerra.
Sinopse dos principais jornais - link (aqui)

sala de leitura
Jornal do Brasil - O povo desafia o tráfico
Folha de São Paulo - PF investiga furto de dados estratégicos da Petrobrás
O Estado de São Paulo - PF investiga roubo de segredos da Petrobrás
O Globo - Informações sigilosas da Petrobrás são roubadas
Gazeta Mercantil - Reajuste de 5000% em Cumbica preocupa aéreas
Correio Brasiliense - Concursos ameaçados
Valor Econômico - Ganho com CSLL de bancos será menor que o previsto
Estado de Minas - Espionagem na Petrobrás
















