sexta-feira, 14 de março de 2008

Liza Minelli - Cabaret - money


Bar é arte


Antonio Canova. "Le Grazie" (1813-1816), altezza 182 centimetri. San Pietroburgo. Museo dell'Ermitage.

Son Salvador - Estado de Minas - Belo Horizonte (MG)

José Marcio Mendonça - Blog do José Marcio Mendonça - link (aqui)

O estraga prazeres
por José Marcio Mendonça, Seção: Economia Política s 08:54:00.

Só mesmo o Banco Central para nublar uma semana particularmente gloriosa para o presidente Lula: economia em alta, Orçamento aprovado, TV Pública confirmada, base aliada devidamente enquadrada e muita, muita festa por onde ele passa.

E vem a turma de Henrique Meirelles, já execrada politicamente, contar que já em janeiro pensou em aumentar novamente os juros, obviamente para conter a euforia, limitar o crescimento e segurar uma inflação que o BC prevê que está vcindo por aí.

A turma do mercado, com a competência de quem sabe fatura em qualquer situação - com os juros subindo, com os juros caindo, com os juros parados - ontem mesmo já reajustou o preço futuro do dinheiro para cima.

Alguns analistas de viés financeiro, aplaudiram o BC e apoostam que a Selic sobe na próxima reunião do Copom, em aproximadamente 30 dias. De resto, de acordo com a maioria, o BC está equivocado: não há pressão inflacionária séria. Portanto, só serve para perturbar o bom ambiente econômico e talvez esfriar a economia mais do que ela esfriará naturalmente em função dos percalços americanos.

Uma das consequências, apontada entre outros pelo economista Luís Carlos Mendonça de Barros, pode ser a neutralização das medidas anunciadas para conter a valorização do real. Com os juros reais mais altos, a tendência é o aumento da entrada de dólares aqui ainda em maior volume. A conferir.

O Palácio do Planalto não vai fazer, pelo menos publicamente, uma única reclamação. Meirelles e seus comandados ainda têm um bom saldo credor, apontados que são como responsáveis por uma boa da vida saudável que a economia brasileira apresenta. O presidente do Banco Central têm ainda uma quase ilimitada confiança externa, o que é um bom antidoto nesses tempos de turbulência financeira.

Mas do mundo político - e do empresarial naturalmente - podemos esperar uma grande chiadeira. Os recados presidenciais, para evitar que o BC cumpra a ameaça quase explícita contida na última ata do Copom, serão passados por porta-vozes qualificados. Ontem mesmo, o ex-ministro e ex-deputado Delfim Neto, hoje um influente interlocutor do presidente Lula, já tratou os temores do Banco Central com ironia.

Delfim e o também economista Luiz Gonzaga Belluzo são apontados como os responsáveis diretos pela mexida proposta para conter a valorização do real. Foi depois de uma conversa com eles que Lula autorizou o ministro Guido Mantega a agir. Beluzzo, presença frequente na mídia, deve ser o próximo a bater no Banco Central.

A semana wque vem, mais curta por causa do feriado, vai começar com o Banco Central na defensiva. Mais um round de luta entre a turma das finanças e a turma do desenvolvimento.



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Comentário:


O pensamento único

Triste país.

Meirelles, executivo de Bank de Boston, deputado federal pelo PSDB, faz e desfaz na economia, utilizando a técnica, histórica, Rui Barbosa já a atilizou, quando Ministro da Economia, técnica essa que sempre triunfa frente ao despreparo do dirigente de plantão.

Assim, a monocórdica ameaça, ou sobem os juros, ou o dragão da maldade, a tal da inflação, que ronda a costa brasileira ataca!

O resultado ai está, lucros gigantescos dos bancos, transferência enorme de renda para o setor financeiro, e, por tabela, como diria o zagueiro atordoado, a valorização do real.

Lógico, com todas as garantias dadas por Meirelles, qual o investidor estrangeiro, que não fique tentado, a mandar uma parcela de seu capital volátil, para o país, lá fora, quando muito 3%, aqui 11,25%, com tendência de alta, assegurada pelo Copom..

E mais, o mesmo real que o investidor adquíri, na entrada, valoriza no correr da aplicação, o que lhe dá um plus na hora de sair.

Mas quem é o Copom?

Esses santos iluminados que determinam a sina do país.

Ninguém sabe, ninguém viu, até pelo simples fato de que as decisões econômicas do país já vêm prontas.

Ah!

Mas o Lula se reune com Delfim, e com Beluzzo.

Talvez a conversa seja agradável.

É só ler Delfim, hoje no Estadão, para ver que, esses "saraus", não produzem resultados.

Lá está a declaração do Delfim sobre a ata do Copom:

''Enérgica demais e quase terrorista''

Seria cômico, caso a tragédia já não estivesse tão adiantada.

Por sua vez, os articulistas econômicos recitam o mantra da ata do Copom.

E, pasmem, entrevistam executivos do sistema financeiro, para verificar a correção das medidas adotadas.

Verdadeiro crime de lesa pátria.

Ler o Delfim, aliás, sem entrar no mérito e na memória dos tempos do "garoto de ouro" da ditadura, como crítico, irônico, mas com a acuidade e lucidez que lhe são próprias, no caso presente, é recomendável.

Pena que Lula não entenda, ou simplesmente não pode entender.

Mas, como bom artista que é, utiliza esses "saraus" para posar de interessado.

Quanto às medidas para combater o derretimento do dólar, nem Lula, nem Mantega, nem Totonho Alegria, o engraxate da esquina, acreditam.

Virgílio cobra Garibaldi sobre ameaças - Estadão online - link (aqui)


Rosa Costa, BRASÍLIA


O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), pediu ontem ao presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que informe quais foram as "ameaças" e "recados" que disse ter recebido do presidente Lula. Virgílio pediu que Garibaldi revele, também, quem foram os portadores dessas mensagens.

Na quarta-feira, quando foi votado o Orçamento da União, Garibaldi disse: "Pretendo continuar a ser um presidente independente. Não vou submeter-me nem à exorbitância com que a oposição se comportou ontem, nem às ameaças e aos recados do presidente." Virgílio cobrou: "Ele é homem público, não tem segredo, tem de dizer que ameaças foram essas."

Charge - Correio Popular - Campinas (SP)

Dora Kramer - Estadão online - link (aqui)


Solidariedade de resultados

Dora Kramer, dora.kramer@grupoestado.com.br


A CPI dos Cartões Corporativos une o PT e o PSDB, mais uma vez, pelo pior dos motivos. Os dois partidos não são capazes de se entender sobre uma agenda de Estado, não têm o desprendimento necessário para executar uma operação de saneamento da política brasileira, juntando o que existe neles de melhor, isolando os anacronismos dos quais ambos foram, e são, reféns no exercício do poder.

Agora, quando se trata de acordos pontuais para o atendimento de interesses questionáveis, para não dizer espúrios, aí se acertam que é uma beleza. Sempre por baixo do pano, negando a existência de qualquer tipo de combinado, é claro.

Ocorreu durante o escândalo do mensalão, aconteceu no curso das investigações dos parlamentares sanguessugas, juntaram-se no silêncio sobre o caso do dossiê antitucano logo depois das eleições de 2006, deram-se as mãos em vários momentos da crise Renan Calheiros e agora começam a CPI dos Cartões Corporativos em clima de decisões café-com-leite, sem validade concreta.

Deputados e senadores de governo e oposição armaram-se com 149 requerimentos de convocações e quebras de sigilo, com a finalidade de ameaçarem uns aos outros e, assim, anularem mutuamente seus efeitos.

Da primeira reunião da CPI resultou o adiamento de votações de quebras de sigilo - a única ferramenta efetiva para investigações -, incluídas as contas da Presidência da República.

Os depoentes convocados são os três ministros pegos em irregularidades (Matilde Ribeiro, já ex-ministra, Orlando Silva e Altemir Gregolin), o diretor da Agência Brasileira de Informações, Paulo Lacerda, e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix.

Os três primeiros repetirão o que já disseram à exaustão no noticiário de todos conhecido e os outros dois se encarregarão de conferir atestado de "top secret" aos gastos do Planalto. Os próximos convocados também são ministros (da Controladoria-Geral da União e do Planejamento), cujas posições a respeito do tema já foram bastante divulgadas.

Dificilmente - os tucanos são os primeiros a reconhecer isso - se fará algo de útil ou se avançará para além da produção de peças de propaganda pessoal e partidária.

Claro que as coisas sempre podem fugir do controle. Mas, se acontecer, será por força do trabalho da imprensa. O original não prevê viravoltas no roteiro.

E para que não se diga que a união pragmática se dá apenas em assuntos legalmente desviantes, os dois partidos se preparam para liderar, logo depois das eleições municipais, a retomada do movimento em prol do fim da reeleição para presidente, governadores e prefeitos.

Em princípio, esse tema seria estranho ao rol dos "piores motivos" pelos quais de vez em quando se unem PT e PSDB. Trata-se de uma legítima negociação política em busca de uma também legítima alteração constitucional por intermédio da expressão da vontade da maioria no Congresso Nacional.

Só que a motivação de ambos não é alta. Formalmente, vão tratar do aperfeiçoamento do instituto da alternância de poder sob a alegação de que a reeleição desequilibra a correlação de forças em favor do governante do turno.

Objetivamente, porém, o que está em pauta é um acordo tácito entre tucanos e petistas com vistas a abrir os espaços de expectativa de poder em ambos os campos.

No PSDB, permite que José Serra e Aécio Neves organizem a fila por ordem de primazia etária e, no PT, dá a Lula a possibilidade de apresentar uma candidatura para cumprir tabela em 2010 enquanto prepara a volta em 2014. Ou 2015, se o mandato mudar de quatro para cinco anos.

Com reeleição, cada postulante precisaria, em tese, esperar oito anos pela vez. Sem a reeleição e com o mandato de cinco anos, o prazo é reduzido em três anos.

Ou seja, o objetivo não é melhorar coisa alguma - até porque se usa sobejamente a máquina administrativa, sendo o governante candidato ou não. É encurtar o tempo do rodízio para aquecer o movimentado mercado de candidaturas presidenciais.

Berlinda

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, cumpre junto ao PT a escrita segundo a qual o articulador político do governo, não sendo petista, é um alvo permanente do partido.

O antecessor, Walfrido Mares Guia, era bombardeado por inoperante. José Múcio é bombardeado por excesso de operacionalidade em favor "da base".

Está sendo chamado de presidente do sindicato dos deputados da coalizão.

Prioridades

Havia o Orçamento no fim do caminho, é verdade. Mas é fato que o esforço do governo em plenário para aprovar a medida provisória da TV Pública foi muito maior do que o empenho na aprovação da CPMF.

No fim do ano já havia ficado sem o excedente de caixa, não poderia agora ficar também sem o instrumento da comunicação oficial. Daí a urgência e relevância do assunto.

Classe média do País paga IR mais alto da América do Sul - Estadão online - link (aqui)


Estudo compara peso do imposto em 7 países, na faixa salarial de R$ 2.743

Andrea Vialli



A classe média brasileira é a que mais paga imposto sobre a renda entre os países da América do Sul. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Ernst & Young, com base na comparação do valor salarial a partir do qual o cidadão brasileiro começa a pagar a alíquota máxima aplicada pela Receita Federal, de 27,5%.

Foram pesquisados os salários equivalentes a R$ 2.743,25 em sete países, além do Brasil. "O objetivo do estudo foi avaliar o peso da alíquota máxima, de 27,5%, sobre o cidadão de classe média que vive com um salário na casa de R$ 3 mil. Outros países possuem alíquotas máximas até superiores à nossa, mas elas incidem sobre a renda dos cidadãos mais ricos", explica Frederico Good God, gerente sênior da área de consultoria tributária da Ernst & Young.

Dessa maneira, enquanto uma pessoa que recebe R$ 2.743,25 no Brasil repassa 27,5% de seu salário para o governo, quem recebe quantia equivalente na Colômbia paga 19%. A diferença é ainda maior em relação a países como Peru (onde quem recebe salário equivalente paga 15%) e Bolívia (13%).

A maior discrepância encontra-se na comparação com o Chile, onde quem ganha salário equivalente desembolsa 5% - sendo a alíquota máxima de 40% -, e com a Venezuela, onde esse mesmo cidadão se enquadraria na faixa de isenção.

O país que mais se aproxima da realidade tributária brasileira é a Argentina, com uma alíquota de 27% sobre essa faixa salarial - embora a alíquota máxima seja de 35%.

O estudo mostrou, ainda, que a maioria dos países sul-americanos possuem várias faixas de tributação, diferente do Brasil, que possui dois degraus. "A Venezuela tem oito degraus na tabela progressiva do imposto de renda, o Uruguai, seis; a Colômbia, quatro; e o Peru, três. A exceção é a Bolívia, que tem apenas uma alíquota, de 13%", afirma God.

O estudo mostra também que os aumentos do salário mínimo no Brasil trouxeram mais contribuintes para a alíquota máxima. Em 1996, os brasileiros que recebiam até 8,04 salários mínimos estavam isentos. Hoje, a isenção aplica-se a quem ganha até 3,33 mínimos.

"Hoje quem recebe a partir de 6,6 salários já paga a alíquota máxima. Em 1996, o valor máximo era cobrado sobre rendimentos a partir de 16 salários mínimos", diz. "O peso sobre a classe média é ainda maior se considerarmos que a alta carga tributária não é revertida em serviços públicos de qualidade. O brasileiro ainda tem que pagar por saúde, educação e previdência privada."

PIB

Com o crescimento de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2007, a arrecadação de impostos deve chegar a R$ 930 bilhões. O cálculo, feito pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a pedido do Estado, mostra que a carga tributária chega a 36,5% do PIB e é superior aos 35,61% verificados em 2006, que resultaram em uma arrecadação de R$ 817,94 bilhões.

"Só o crescimento de 5,4% do PIB verificado em 2007 traz um incremento de R$ 40 bilhões à arrecadação do ano anterior. Além disso, o governo arrecadou cerca de R$ 70 bilhões a mais de tributos em 2007" explica Roberto Vertamatti, diretor executivo da Anefac.

Para 2008 a expectativa é que a fúria arrecadatória do governo continue avançando, por conta da elevação do IOF sobre as operações de crédito. "O PIB cresce por causa do aumento do consumo, mas o motor desse consumo é o crédito."

Charge - O Povo - Fortaleza (CE)

Marta acerta com Lula sua candidatura em São Paulo - Folha de São Paulo - link (aqui)


Ministra diz a presidente que não pretendia concorrer, mas cedeu a avaliação do PT

Exigência feita por ela foi de apoio explícito de Lula na campanha; em caso de derrota, não há garantia de retorno à Esplanada

Alan Marques - 27.set.2007/Folha Imagem



KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, acertou ontem de manhã em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que será candidata à Prefeitura de São Paulo em outubro.
Segundo a Folha apurou, Marta disse que não tinha intenção de concorrer à prefeitura, que ocupou entre 2001 e 2005. Mas afirmou que era unanimidade no PT a avaliação de que ela deveria se candidatar. Daí ter aceitado a idéia.
Marta colocou uma condição: apoio explícito do presidente. Lula disse que subirá no palanque e que se empenhará para elegê-la. Mas, em caso de derrota, não está garantida a volta automática ao ministério.
Antes da reunião, auxiliares presidenciais enviaram recado à ministra que, se quisesse concorrer, não condicionasse a candidatura a um retorno ao ministério. Ela concordou.
Marta tem até 5 de junho para deixar a pasta. Ela não marcou com Lula a data de saída. Ambos ficaram de conversar sobre o melhor momento, pois o presidente quer uma operação de saída casada com a de Luiz Marinho (Previdência) -ele também acertou que concorrerá em São Bernardo.
Marta deseja influir na escolha do sucessor. Por ora, ela não pretende assumir a candidatura, pois ações na pasta poderiam ficar carimbadas como manobra de fundo eleitoral.
Marta e Lula avaliaram que a divisão entre PSDB e DEM em São Paulo tende a favorecer a petista. O governador José Serra (PSDB) preferia que seu partido apoiasse a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Mas o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que lidera as pesquisas, já disse pretender disputar a prefeitura.
Pesquisa Datafolha do mês passado mostrou que Alckmin e Marta são, pela ordem, os nomes mais fortes na disputa. Nas simulações de segundo turno, Marta perderia para Alckmin, mas bateria Kassab.
O presidente aconselhou Marta a negociar a vice com o PMDB, que tem tempo de TV expressivo no horário eleitoral.
A ministra avaliou que pouco perderia saindo do governo. Quando Lula se reelegeu em 2006, ela tinha expectativa de obter uma pasta de maior vulto, como Cidades ou Educação. Lula chegou a cogitá-la, mas acabou a convidando para o Turismo. Na preferência de Lula para 2010, Marta foi preterida pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Para o grupo de Marta, ela poderá se reposicionar para 2010 se tiver êxito na briga pela prefeitura. Se ganhar, volta ao xadrez presidencial. Se perder, segue favorita para ser indicada ao governo paulista. Além de Lula, ela é a única antiga estrela do PT paulista que não sucumbiu a crises de corrupção ou imbróglios políticos.

Renata Lo Prete - Painel - Folha de São paulo - link (aqui)



O filho é teu

Enquanto o PAC tem pai e mãe, o Conselho Nacional de Assistência Social, surpreendido por uma operação da PF que prendeu seis pessoas a ele ligadas, caminha para a orfandade dentro do governo. Para falar sobre o caso -um esquema de fraudes na emissão de certificado de filantropia a entidades- foi escalado ontem o ministro Luiz Marinho (Previdência).
A Lei nº 8.742, porém, vincula o conselho diretamente ao gabinete de Patrus Ananias, pré-candidato à sucessão de Lula que anteontem festejou com pompa os quatro anos de sua pasta. Para o atual presidente do órgão, Silvio Iung, não resta dúvida: "Estou tentando falar com o Ministério do Desenvolvimento Social, que é o órgão ao qual somos vinculados".

Caneta na mão. A operação da PF ocorreu às vésperas da próxima reunião do conselho, marcada para segunda-feira. Entre os itens da pauta, estava prevista a deliberação sobre nada menos que 232 processos de entidades interessadas em obter certificados de filantropia -e assim deixar de recolher impostos.

Eu avisei. Citado na investigação, Silvio Iung diz que havia alertado a PF depois de um e-mail suspeito ir "parar em caixa postal diferente da que deveria". "A ação não foi surpresa, o que surpreendeu foi citarem o meu nome."

Angeli - Folha de São Paulo - São Paulo (SP)



Nelson Mota - Folha de São Paulo - link (aqui)



Terroristas, pero no mucho

RIO DE JANEIRO - Depois de tanto sangue, suor e lágrimas, afinal, o que querem as Farc? Derrubar um governo legítimo e democrático e instalar um "governo popular" bolivariano? Usar as liberdades da democracia para acabar com ela? Seria cômico, como geralmente é a política latino-americana, se não fosse tão trágico: além dos 700 reféns, torturados e humilhados, as Farc já mataram tanta gente inocente quanto a Al Qaeda. Imaginem esse pessoal no poder, o que fariam com a oposição? Como "dialogariam" com terroristas e seqüestradores que lutassem contra o governo bolivariano e ainda fossem apoiados, digamos, pelo Brasil e pelo Chile?
Mas o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, com sua autoridade de fundador do Foro de São Paulo, disse que o Brasil tem uma posição de "neutralidade" em relação às Farc: não as considera terroristas, como Uribe, nem forças beligerantes, como Chávez. Deveria dar o mesmo status à Al Qaeda, que tem os mesmos nobres ideais de destruir "o Império" e o capitalismo, mas, em vez de cocaína, trabalha com ópio e heroína. Mas eles só vendem drogas pela causa, para destruir a juventude americana, são traficantes de esquerda.
Moralmente, nada diferencia as Farc da Al Qaeda ou do ETA, só o estilo dos atentados e seqüestros, de arrecadação de fundos para suas causas, para eles, as mais nobres do planeta. O Brasil não deveria discriminar os guerrilheiros árabes, que também são forças beligerantes lutando pelo povo de Alá.
Já o povo da Colômbia é ingrato: apenas 1% da população reconhece legitimidade nas Farc, que estão se sacrificando para livrá-lo da tirania do mercado, do voto e da democracia burguesa. Mas o assessor Garcia quer que o Brasil seja neutro, vergonhosamente neutro.


Benett - Gazeta do Povo - Curitiba (PR)

Clóvis Rossi - Folha de São paulo - link (aqui)



Com medo de ser feliz


SÃO PAULO - Nem bem começou a ser lido o artigo de Paulo Nogueira Batista Jr., na Folha de ontem, e já saía a ata da reunião do Conselho de Política Monetária (o Copom, o que decide os juros) para desmenti-lo, ao menos parcialmente.
Dizia o artigo, com razão: "A experiência começa a revelar como era enganosa aquela idéia, muito difundida entre nós, de que o Brasil só voltaria a crescer depois que implementasse uma série de difíceis reformas estruturais (previdenciária, tributária, trabalhista etc.). As reformas estruturais podem ser importantes, mas não constituíam precondição para a retomada do crescimento econômico. O governo Lula foi seduzido por essa idéia durante a maior parte do seu primeiro mandato, mas depois percebeu que estava marcando passo e deu mais ênfase à aceleração do crescimento".
De acordo, Paulinho. Pena que a ata do Copom revele o mesmo medo de ser feliz que amarrou a maior parte do governo Lula e impediu até o "espetáculo do crescimento", prometido em 2003. Para quem acha que os 5,4% de 2007 são um espetáculo, reproduzo de novo Paulo Nogueira Batista Jr.: "O resultado de 2007 não chega a ser espetacular". Claro que é "um progresso considerável", mas espetacular, não.
Voltemos à ata do Copom: veio prenhe de pessimismo, de alertas sobre a turbulência global, sobre a inflação e até de uma informação que é em si uma ameaça. O Copom afirma que chegou a cogitar em aumentar, já em janeiro, a taxa de juros, o que significa dizer que, mantidas as condições de temperatura e pressão expostas na ata, o razoável é supor que virá um aumento logo, logo.
É improvável que aumentar os juros interfira decisivamente nos efeitos da turbulência sobre o Brasil. Ou que debele a inflação, contida no setor de alimentos. Só tende a atrapalhar o "progresso considerável" contido nos números de 2007.

Por trás do PIB - Folha de São Paulo - link (aqui)



Os resultados de 2007 reforçam os indícios de que a economia vem se habilitando a crescer sem pressionar a inflação

OS NÚMEROS do PIB do ano passado, divulgados anteontem pelo IBGE, foram positivos. Embora tenha havido uma nota dissonante -a apuração, conflitante com outros indicadores, de que o consumo se acelerou abruptamente no fim de 2007-, no geral os resultados reforçaram os indícios de que a economia brasileira vem se habilitando a crescer com maior velocidade sem pressionar a inflação.
A incapacidade de sustentar um ritmo razoável de expansão foi uma característica marcante da economia por mais de duas décadas. A vulnerabilidade das contas externas conduzia recorrentemente a bruscas interrupções dos surtos de crescimento.
Essa instabilidade realimentava um círculo vicioso. As empresas relutavam em investir, com receio, seja de que o crescimento da demanda logo cessasse, seja de que o câmbio sofresse uma guinada. E o baixo nível do investimento prejudicava a sustentação do crescimento da economia: nos períodos de retomada da atividade logo surgiam gargalos de oferta a pressionar a inflação e as contas externas.
Vê-se agora, com clareza, como o quadro mudou, graças sobretudo ao fortalecimento das contas externas. O risco de interrupção do crescimento diminuiu muito, dissipando o círculo vicioso que travava o investimento. Por isso ele pôde crescer 13,4% em 2007, chegando a superar 40% de alta a partir de 2004 -mais que o dobro do aumento do PIB no período (19%).
A bonança internacional iniciada em 2003, que ora ameaça encerrar-se, contribuiu muito para essa melhora. Permitiu, em especial, o acúmulo de um grande "colchão de reservas" de dólares. Esse "colchão" há meses vem amortecendo os efeitos, sobre a economia doméstica, da turbulência financeira global.
Mas há que administrar com cautela os efeitos da bonança -que podem estender-se por algum tempo. Veja-se o que vem ocorrendo com a cotação doméstica do dólar. A taxa de juros nos EUA sofreu sucessivos cortes e deverá continuar em queda. Em concomitância, a taxa de juros brasileira manteve-se estável, o que resultou num aumento da atratividade das operações financeiras voltadas a usufruir do diferencial (elevado e crescente) entre os juros internos e externos. Com isso as pressões de valorização do real voltaram a aumentar.
O governo reconhece os riscos que uma valorização pronunciada e prolongada do real pode suscitar. Por isso anunciou medidas voltadas a, simultaneamente, reduzir custos financeiros incorridos pelos exportadores e amenizar a "sobra" de dólares que pressiona a sua cotação para baixo. Trata-se da permissão para que até 100% da receita das vendas externas seja mantida no exterior (o que reduz custos financeiros incorridos pelos exportadores) e de um aumento da tributação sobre alguns tipos de entrada de capitais externos.
Há razões para duvidar da eficácia de tais medidas, enquanto a taxa de juros básica brasileira permanecer muito acima do padrão internacional.

Charge do dia


Zé Dassilva - Diário Catarinense - Florianópolis (SC)

Comercial antigo - VARIG - Propaganda dos 78 anos

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Governo faz afago a 800 mil servidores

Folha de São Paulo - Alunos ignoram matemática elementar

O Estado de São Paulo - Golpe de filantropia deixa rombo de R$ 4 bi

O Globo - Propina comprava título de filantropia

Gazeta Mercantil - Requião utiliza Copel para reestatizar a Sanepar

Correio Brasiliense - Acordo beneficia 800 mil servidores

Valor Econômico - Produto de alta tecnologia conquista novos mercados