sexta-feira, 2 de maio de 2008

Bar é arte


Arthur Kampf ( 1864 - 1950 )

A Flamenco Dancer - Oil on canvas

Após a terceira dose - o bar é só poesia



Saudades de...


Quando as mulheres chamavam Stellas Maris ou Reginas Celis!

Quando, nos bares, "cuba era livre".

Quando "V8" era sonho de consumo!

Quando "fetiche" era igual ao seu joelho!

Quando...

RITA LEE - FLAGRA

Joana Francesa - Nara Leão

Bar é arte


Erastus Dow Palmer - ( 1817 - 1904 )

The White Captive - Marble ( 1857 - 1858 )

Metropolitan Museum of Art, Manhattan, New York, USA

Novaes - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro (RJ)

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Só com plebiscito

Começa a se desenvolver no PT uma espécie de pretexto para justificar o óbvio, ou seja, que o partido não dispõe de candidato capaz de ganhar as eleições presidenciais de 2010 e, por isso, aproxima-se cada vez mais da proposta do terceiro mandato. Para não vibrar, a frio, esse golpe nas instituições, os companheiros começam a argumentar que só adeririam à nova reeleição do presidente Lula se o povo exigisse. Como? Através de um plebiscito.

Mais ou menos como a "Pomada Maravilha", que muitas décadas atrás curavam todos os males e todas as doenças, o plebiscito serviria para justificar o injustificável. Afinal, o presidente Lula só permaneceria no poder por força de poderoso pronunciamento popular.

Viabilizar a consulta não será problema, tendo em vista a maioria que o governo detém na Câmara e, com certo jeitinho, também no Senado.

Ninguém duvida de que, chamado a opinar, por grande maioria o eleitorado diria "sim". A popularidade do Lula é incontestável, apesar da ironia, ou por causa dela, de não poder transferi-la.

Fica difícil botar o carro adiante dos bois, ou seja, aproveitar as eleições municipais de outubro para realizar o plebiscito. Melhor seria aprofundar as evidências, isto é, ver aumentado o apoio nacional ao presidente, através do crescimento das obras do PAC, tanto quanto deixar que se torne clara a impossibilidade de algum companheiro ou companheira chegar sequer ao segundo turno. Ouve-se nos corredores do PT que tempo ideal para a realização da consulta seria no começo do segundo semestre de 2009.

Vamos aguardar, mas com a certeza de que, para não perder o poder, vale tudo para os seus detentores, quaisquer que sejam...


Ronaldo - Jornal do Commercio - Recife (PE)

Grau de investimento, festas e fatos - Estadão online - link (aqui)


Rogério L. Furquim Werneck*


A atribuição de grau de investimento aos títulos da dívida externa brasileira pela Standard & Poor?s vem sendo objeto de justa comemoração no País. É bem verdade que a mudança vem a reboque de reavaliações que há tempos vêm sendo feitas pelos próprios investidores externos. Mas, por mais tardia que seja, a reclassificação representa marco de importância inegável, que culmina quase duas décadas de esforço de construção institucional e aprimoramento da condução da política econômica, ao longo de seis mandatos presidenciais. Em meio aos festejos, contudo, é preciso evitar dar à reclassificação conotações que ela de fato não tem.

É irônico que a obtenção do grau de investimento tenha afinal se dado exatamente quando a qualidade da condução da política econômica vem mostrando sinais tão inequívocos de declínio. Um dos pontos ressaltados na justificativa da reclassificação foi a capacidade do Banco Central de "agir de forma firme e inteiramente independente". É mais do que sabido que a independência que vem sendo a duras penas preservada é em relação ao Ministério da Fazenda, cuja equipe não perde ocasião de tentar intervir na condução da política monetária.

Na verdade, a equipe da Fazenda se tem mostrado pronta a atuar, se necessário, como grupo de demolição de boa parte do aparato de política macroeconômica, duramente construído ao longo de muitos anos, que hoje respalda o grau de investimento. Mesmo tendo isso em conta, é mais do que natural que, diante da obtenção do grau de investimento, o ministro da Fazenda se comporte como engenheiro de obra feita. Qualquer um, no seu lugar, faria o mesmo. O que já é mais surpreendente é que o ministro tente atribuir a reclassificação a pressões recentes que, pessoalmente, teria feito sobre as agências de risco.

O lado mais preocupante do quadro macroeconômico do País continua a ser o aumento descontrolado dos gastos primários do governo, alimentado por uma elevação de carga tributária que não parece ter fim. É lamentável que, ao comemorar a obtenção do grau de investimento, o ministro da Fazenda não tenha resistido à tentação de brandir o superávit primário recorde observado no primeiro trimestre como evidência de que as críticas à expansão de gastos primários não têm fundamento. Trata-se de sofisma grosseiro, completamente gratuito. Como o próprio Banco Central esclareceu ao divulgar os dados das contas públicas do primeiro trimestre, o bom desempenho do superávit primário decorreu da combinação do forte crescimento da receita com a momentânea contenção de dispêndio que adveio do atraso na aprovação do Orçamento. Afinal, o decreto de programação orçamentária e financeira divulgado na semana passada, prevê, de forma conservadora, expansão de mais de 12% nos gastos primários federais em 2008.

No mesmo dia em que foi divulgada a obtenção do grau de investimento, o governo anunciou reajuste de preços de combustíveis que bem ilustra o grau de deterioração da qualidade da condução da política econômica no País. Como se sabe, os preços de gasolina e óleo diesel foram reajustados pela última vez há cerca de três anos, quando a cotação internacional do petróleo estava em torno de US$ 65 o barril. Tendo em vista as cotações recentes de até US$ 120 o barril, o governo afinal se deu conta de que os preços de combustíveis haviam ficado excessivamente defasados. A preocupação fazia todo sentido. O lamentável foi o formato da correção de preços que afinal se anunciou.

Num acesso neoperonista, o governo decidiu que os preços da gasolina deveriam ser aumentados sem que isso tivesse impacto sobre os consumidores. O que se viu foi um arreglo típico da época em que ainda existia a chamada conta petróleo. Foram reajustados os preços recebidos pela Petrobrás e, para poupar os consumidores, o governo abriu mão de parcela substancial da receita que vinha obtendo com a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre combustíveis. O ministro da Fazenda não poderia ter sido mais claro sobre o caráter parafiscal do arreglo: "Depois a Petrobrás vai devolver tudo para o Tesouro Nacional sob a forma de mais lucros e mais dividendos." Já os consumidores, alegremente subsidiados, continuarão a tomar decisões sobre consumo de derivados exatamente como tomavam quando o barril custava US$ 65.

*Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio


Clayton - Jornal O Povo - Fortaleza (CE)

''Sindicalismo nunca dependeu tanto do Estado'' - Estadão online - link (aqui)



Ricardo Antunes


Graduou-se em administração pública pela FGV e é mestre em ciência política pela Unicamp.

É doutorado em sociologia pela USP e pós-doutorado pela Universidade de Sussex, na Inglaterra.

Para especialista, está ocorrendo um processo de estatização sindical que repete a fórmula adotada por Getúlio

Roldão Arruda


O pesquisador Ricardo Antunes, professor titular de sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisa questões relacionadas à organização dos trabalhadores desde os anos 70 e é um dos especialistas mais respeitados nessa área no Brasil. Para ele, o sindicalismo brasileiro atravessa um momento "triste", com uma dependência da máquina do Estado que não se via desde os tempos do getulismo - quando os sindicatos livres foram suprimidos. Segundo Antunes, o governo atrai a cúpula dos sindicatos, federações e também centrais sindicais com convites para cargos no governo e a manutenção do imposto sindical - que no passado foi condenado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT. Ele chega a dizer que está ocorrendo um processo de estatização sindical, ou reestatização, já que repete a fórmula getulista.

O governo Lula conta com apoio de quase todas as centrais sindicais, incluindo a Força Sindical - ex-arquiinimiga do PT, o partido do presidente. Como o senhor vê isso?

Os dirigentes sindicais estão muito satisfeitos. Nos festejos do 1º de Maio, o governo teve palanque tanto na festa da CUT quanto na festa da Força. Isso configura o triste caminho que atravessamos: o da reaproximação entre o Estado e os sindicatos - cada vez mais servis e incapazes de organizar os trabalhadores de modo autônomo. Está em curso um processo de reestatização sindical no País. Desde o getulismo, as centrais sindicais nunca dependeram tanto do Estado para sobreviver quanto dependem agora.

Como ocorre na prática essa reestatização da qual o senhor fala?

De um lado o governo fortaleceu e ampliou o imposto sindical, estendendo-o até as centrais sindicais, que antes não participavam dessa bolada; e do outro ampliou a presença de líderes sindicais no aparelho do Estado. Hoje temos uma somatória significativa de ex-dirigentes sindicais em ministérios, secretarias, conselhos de empresas estatais e ex-estatais que foram privatizadas.

O senhor esperava que o imposto sindical fosse mantido e até ampliado, como aconteceu?

Quando Lula ganhou as eleições presidenciais foi possível supor que antigas bandeiras da CUT fossem, enfim, vingar. Entre elas estavam o fim do imposto sindical, o aumento do autonomia dos sindicatos e o maior distanciamento entre eles e o Estado. Mas ocorreu o contrário. A recente decisão do governo de incluir as centrais na divisão do bolo do imposto sindical, com uma fatia de 10%, seria inimaginável 15 anos atrás. O que se observa é que os recursos estatais - entre eles o FAT, o imposto sindical e outros - vão se tornando fundamentais para a manutenção da vida nas centrais sindicais. Ao invés de se ampliar a autonomia, ampliou-se a presença do Estado. Nos anos 90, quando surgiram, a CUT e a Força não dependiam do imposto sindical.

Qual a relação entre a situação atual e a ocorrida no governo de Getúlio Vargas?

Com o getulismo iniciou-se no Brasil um processo de sindicalismo de Estado, consolidado com a criação da CLT, em 1943. O processo tinha vários pilares, entre os quais a unicidade sindical: a categoria podia ter só um sindicato para representá-la. Era impossível, por exemplo, a existência de dois sindicatos dos metalúrgicos em São Paulo. Outro pilar foi o imposto sindical, obrigatório desde 1939. Embora seu nome seja contribuição sindical, trata-se de imposto - porque é compulsório e atinge todos os trabalhadores, sindicalizados ou não. Vale notar ainda que no getulismo só o Ministério do Trabalho podia autorizar o funcionamento de sindicatos. Com esse recurso o governo travou a ação das organizações mais combativas, que eram quase sempre anarcossindicalistas. Por fim, o sindicalismo tornou-se fortemente assistencialista - para suprir a ausência dos sindicatos mais combativos.

Mas isso mudou com a Constituição de 1988, não?

Sim. O enquadramento dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho deixou de existir, o assistencialismo foi reduzido, mas a unicidade sindical e o imposto foram mantidos.

Voltando a Getúlio, o senhor não acha que ele também fez concessões aos trabalhadores?

Getúlio fez concessões, reprimiu e manipulou. À medida que a legislação trabalhista foi sendo estabelecida, com o salário mínimo, redução da jornada de trabalho, estabelecimento do descanso semanal, o getulismo definiu que só poderia ter acesso a esses direitos pessoas filiadas ao sindicato oficial - reconhecido pelo governo. Era mais um passo para reprimir os sindicatos independentes e combativos. Getúlio passou para a história como o pai dos pobres, mas na verdade foi a mãe dos ricos.

Lula também tem ligação forte com os mais pobres - como mostra o crescimento de sua popularidade.

O "ibope" do presidente sobe porque ele fala e os pobres entendem. Mas o governo dele é multiclassista. A cúpula sindical, depois que ganhou maior inserção estatal, lhe dá sustentação; e entre os setores do grande capital não tem nenhum descontente com a política econômica. Enfim, garante a boa vida dos ricos, garante espaço para as lideranças sindicais e aumenta sua base nas classes pobres.

São esses pobres que garantem sua popularidade?

Vale registrar a migração que houve no governo Lula em relação à sua base de sustentação. Ela foi transferida dos trabalhadores organizados, assalariados e funcionários públicos, para a classe trabalhadora mais pauperizada, que vive de trabalhos esporádicos, sub-remunerados, nos grotões do País. Migrou de uma classe politizada para outra que depende do Estado para obter uma ração mínima.

São 11 milhões de famílias.

Sim. São quase 60 milhões de pessoas que perceberam que a política assistencial do Lula é mais ampla que a dos governos anteriores. O governo de Getúlio tinha traços de semibonapartismo, carisma e a imagem de pai dos pobres. O atual governo também tem traços de semibonapartismo, combinados com certo messianismo.

Como se manifesta o semibonapartismo de Lula?

Embora tenha origem na classe trabalhadora, o governo Lula representa as classes dominantes. E representa plenamente, sem delas fazer parte. Isso ocorre em diversos momentos ao longo da história, quando os de cima recorrem a um governo alternativo para garantir a ordem, uma vez que enfrentam dificuldades para fazer isso por conta própria. No caso brasileiro, os que mais se aproximaram do bonapartismo foram Vargas, Jânio Quadros e, agora, Lula, que tem carisma, conta com apoio policlassista e cuida de preservar a ordem. Ele é um paladino da ordem.


Paixão - Gazeta do Povo - Curitiba (PR)

Eliane Cantanhêde - Folha de São Paulo - link (aqui)




Escandalização: do tudo ao nada

BRASÍLIA - Quando saiu a pesquisa CNT-Sensus com Lula nas alturas e o terceiro mandato aceito por 50%, um velho amigo, petista e lulista de quatro costados, comentou: "Ih! Pronto! O Lula vai ficar com o ego nas nuvens e desandar a falar besteira". Não deu outra.
Alguém aí pode explicar por que o presidente da República tinha de fazer apaixonada defesa do governador do Ceará, Cid Gomes, que gastou uma bolada pública para passear com a família e com amigos na Europa? Cá pra nós, não dá.
Na versão de Lula, "um avião alugado não é alugado por uma pessoa", ou seja, já que alugou, qual o problema de levar a sogra? Mas a questão não é essa. A sogra entra na história de gaiata, um símbolo. O que importa é que o Estado gastou R$ 388 mil só com avião numa viagem para a Europa com assessores, suas mulheres e até a sogra, em pleno Carnaval e com agenda fajuta.
Gomes pode até ser bom cara, mas é ou não farra com dinheiro público?
Na oposição, Lula e o PT foram decisivos para estabelecer parâmetros morais a serem respeitados pelas autoridades, fiscalizados pela imprensa e aprovados ou não pela sociedade. Ao chegarem ao poder, jogaram tudo para o alto. Não bastassem mensalão, cuecão, aloprados, dossiês, quebra de sigilo de caseiro e contratos com a Telemar, lá vem Lula defender o indefensável, tratando meio milhão de reais dos cearenses como uma bobagem. Imagina se o PT fosse oposição, e o governador, situação?!
Todo-poderoso, Lula previu um "mandato excepcional" de Collor, gargalhou com ACM, defende Renan e Severino, segue as luzes de Jader. O que antes era escândalo virou provocação tucana, perseguição da imprensa, bobagem. Uma "escandalização do nada", como diria o chefão da AGU, Jorge Hage.
Saudade do PT na oposição e preocupação com um presidente tão popular quanto maleável ao tratar de moralidade pública. Não é responsável, não é educativo.

Charge do dia



Iotti - Zero Hora - Porto Alegre (RS)

Comercial antigo - Philco-Hitachi

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Investimentos no Brasil duplicarão

Folha de São Paulo - Exportadores temem invasão de dólares

O Estado de São Paulo - Ações brasileiras sobem até 9,72% na bolsa de NY

O Globo - PF diz que Paulinho recebeu propina no escândalo no BNDES

Gazeta Mercantil - Grau de investimento atrairá recurso externo

Correio Brasiliense - PF apura pagamento de propina a políticos

Valor Econômico - Setor privado já corta custos com o grau de investimento