sábado, 19 de julho de 2008

O bar homenageia - Saudades



Dercy Gonçalves

(23/06/1907 - 19/07/2008)




Dercy Gonçalves Especial


Tiago Recchia - Gazeta do Povo - Curitiba (PR)

Sebastião Nery - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


O cassino do PT

Em 1965, governador da Guanabara, Carlos Lacerda foi ao Japão, à Índia e ao Líbano, em visita oficial. No Líbano, esperando-o, estavam os deputados Jorge Curi, da UDN do Paraná, e Padre Godinho, da UDN de São Paulo, seus amigos, depois cassados com ele em dezembro de 68.

À noite, foram levados para conhecer o cassino de Beirute, maravilhoso, com um show no nível do Lido de Paris. Depois do show, a roleta. Padre Godinho ficou fora do pano verde. Disse-me que não por virtude, porque sorte não é pecado, mas com medo da traição das fichas.

Lacerda e Jorge começaram a jogar. Jorge, também libanês, zangado com as fichas conterrâneas, não acertava uma. Lacerda, naquele audacioso rompante de sempre, pegou todas as suas fichas e apostou numa parada só. Deu. Recebeu, arriscou tudo de novo. Deu de novo. Reuniu tudo e fez a terceira aposta total. Acertou na cabeça. Jorge e o padre extasiados:
- Carlos, você fez três plenos. Dificílimo. Ganhou uma fortuna.

Lacerda

O crupiê pôs as fichas todas do governador numa bandeja enorme. Lacerda olhou aquele montão de fichas:

- Jorge, quanto será que vale isso?
- Cinqüenta mil libras libanesas. Entre 25 e 30 mil dólares.

Lacerda chamou o crupiê:

- Tudo isso é seu. É a gorjeta.
O crupiê segurou a bandeja, trêmulo. Jorge e o padre desesperados:
- Carlos, isso é uma loucura. Gorjeta de 30 mil dólares?
- Vamos embora, esse tipo de sorte não existe. Isso é coisa do governo. Eles estão querendo é comprar o governador da Guanabara.

E voltou para o hotel.

Dantas

O governo do PT é um imenso cassino. Um punhado de crupiês vai distribuindo as fichas conforme o cliente, de roleta marcada. Foi José Dirceu, Waldomiro Diniz, Marcos Valério, Delubio. Agora, Daniel Dantas.

No Mensalão, os clientes eram presidentes de partidos, senadores, deputados. Agora, são "consultores", "assessores", lobistas, advogados. Gente que entra no palácio sem precisar de crachá. O banqueiro baiano tem mais advogados do que toda a OAB (Ordem dos Advogados) junta.

Dantas é o sultão escalado agora para o governo Lula. Um dia, dá US$ 2 milhões ao "consultor", futuro ministro de Coisa Nenhuma, Mangabeira Unger. No outro, é o advogado amigo de José Dirceu, Almeida Castro, o brilhante Kakay, que recebe RS$ 8,2 milhões (diz que foram só [sic] RS$ 5,5 milhões). Depois, o eterno compadre de Lula, o advogado de todas as bocas, Roberto Teixeira, ganha R$ 1 milhão.

E aparece o ex-candidato do PT a líder e presidente da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh, que vira "Gomes" e embolsa R$ 660 mil, porque "tem acesso" ao chefe do gabinete de Lula e à ministra Dilma.

"Gomes"

Esse nome de guerra do Greenhalhg, "Gomes", não traz boas recordações e é um acinte, um desafio à impunidade. Se não me engano, um dos acusados no assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, chamava-se Gomes, o "Sombra". Greenhalgh foi advogado dele e o chefe de gabinete do prefeito era o mesmo de Lula, o piedoso Gilberto Carvalho.

Greenhalgh é capitão de longo curso. Foi advogado de Lula, vice-prefeito da Luiza Erundina e por ela demitido da uma secretaria da prefeitura porque estava metido no escândalo "Lubeca". Por causa dele e da "Lubeca", a exemplar e extraordinária Erundina acabou saindo do PT.

Nessa historia toda só não ficou claro, até agora, porque, entre os bilionários Daniel Dantas e Naji Nahas, meteram o ex-prefeito Celso Pita, flagrado de pijama pedindo a Nahas a merreca de R$ 100 mil (só recebeu R$ 30).Pita deve ser um "cotista" do escândalo. Entrou na "cota dos negros".



Duke - O Tempo - Belo Horizonte (MG)

Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - link (aqui)


Samba do crioulo doido ou pagode do País dos insanos?

BRASÍLIA - É hora de reler a letra da magistral criação de Stanislaw Ponte Preta, o "Samba do crioulo doido", personagem que de tanto desfilar nos carnavais entoando enredos históricos, concluiu que a princesa Isabel havia casado com Tiradentes, por sua vez filho de Floriano Peixoto e pai de Rui Barbosa. Ou coisa parecida.

Imagem melhor não há para definir as idas e vindas de Daniel Dantas para a prisão e sua tentativa de subornar delegado. Mais a concordância com o afastamento e logo depois a determinação do presidente Lula para que delegado Protógenes Queiroz permaneça à frente do inquérito, entre denúncias de grampos telefônicos no Palácio do Planalto. E as peripécias do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh junto ao chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho?

Sem esquecer o conflito virulento e a pacificação angelical entre o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O que dizer do apoio de quase duzentos juízes e procuradores ao colega Fabio de Sanctis, em confronto com a manifestação de importantes advogados paulistas em favor do presidente do Supremo? Sobressaem no enredo, também, o racha na cúpula da Polícia Federal pelo uso ou a dispensa de algemas para suspeitos de crimes contra a ordem financeira, assim como pela participação ainda indefinida da Abin nas investigações.

A cada dia novas lambanças somam-se às anteriores e levam à loucura qualquer repórter encarregado da cobertura de mais essa operação policial, aliás, apenas uma em dezenas desencadeadas recentemente.

Se não é o "Samba do crioulo doido", pode ser o "Pagode do País dos insanos". Logo um slogan dominará as campanhas das eleições de 2010: "Basta de intermediários: Daniel Dantas para presidente!".

O farisaísmo domina a sociedade brasileira

Depois da Lei Seca, promovida pelo Executivo, entra em campo a proibição da propaganda de bebidas alcoólicas na televisão, em debate no Congresso.

Não fossem os exageros, nada haveria a opor à lei que submete os bafômetros, cassa a carteira de habilitação, multa e até prende motoristas embriagados na direção de veículos. O diabo é que são punidos até os padres que acabaram de celebrar missa, tendo ingerido o sagrado cálice de vinho transmudado no sangue de Cristo. Como castigado será algum desavisado chocólatra motorizado depois de deglutir um bombom de licor.

Agora chega a vez da propaganda de bebidas ditas leves, como cerveja, porque as pesadas estão há tempos banidas dos vídeos, como cachaça. Não demora muito e, à maneira dos maços de cigarro, as latinhas serão obrigadas a estamparem dramáticas imagens de monumentais desastres rodoviários, com a exposição de vítimas estripadas.

É o tal exagero que nos assola, cujo nome correto deveria ser farisaísmo. Porque se o cigarro mata e deve desaparecer, que tenham a coragem de fechar as fábricas, em vez de humilhar os fumantes. Só que nesse caso os cofres públicos minguariam, sem os impostos recolhidos pela indústria do fumo.

E se deputados e senadores chegarem à conclusão de que pouparão os jovens do alcoolismo e as rodovias, da sombra da morte, pela proibição da publicidade das cervejarias? Talvez não se contentem com o inócuo "beba com moderação", previamente superado pela presença de belas mocinhas recomendando esta ou aquela marca de cerveja. Evitar exageros parece fórmula ideal para que qualquer lei seja acatada e cumprida.

Bancos públicos perdem cada vez mais sua função social

Está nos jornais. Para financiar a compra de uma megaempresa telefônica por outra, o Banco do Brasil emprestará à operadora Oi 4,3 bilhões de reais, certamente a juros subsidiados. O BNDES, antes, já havia liberado 2,5 bilhões.

Chega a constituir questão de menor importância saber que Daniel Dantas irá faturar um bilhão mesmo se, por milagre, tiver voltado para a cadeia. O grave nessa crônica do horror é que 330 bebês acabam de morrer num hospital de Belém do Pará, que o número de analfabetos multiplicou nos últimos anos, que metade da população carece de saneamento e água potável, que o crime organizado amplia suas atividades e que o desemprego, apesar da farta propaganda oficial, atinge 30 milhões de trabalhadores.

Se duas empresas privadas negociam seus ativos e seu patrimônio, que sejam felizes na negociação, cada qual correndo o risco de viver num sistema capitalista. Mas promover capitalismo sem risco seria cômico se não fosse trágico.

Ainda está para ser escrita a história das privatizações entre nós. A grande maioria das operações praticadas à beira da irresponsabilidade aconteceu com dinheiro público, sem falar nas polpudas comissões que transformaram ministros em banqueiros e bandidos em investidores. Só ignorávamos que a chicana continuaria depois da entrega do patrimônio público. Virou coisa privada, mas, da mesma forma, com o tesouro nacional à disposição das mesmas quadrilhas de sempre.

A reação continua

Mergulharam os principais dirigentes do PT, senão felizes, ao menos desafogados por conta da crise Daniel Dantas. Nenhum deles teve seu nome envolvido nos negócios escusos do banqueiro, admitindo-se que Luiz Eduardo Greenhagh deixou o clubinho faz tempo, depois de ser derrotado para a presidência da Câmara e, mais tarde, na tentativa de reeleger-se deputado. Virou o José Dirceu dos pobres, apesar de advogado regiamente remunerado. Não pertence mais ao grupo dos que se dedicam a traçar estratégias para a preservação do poder.

A palavra de ordem do presidente Ricardo Berzoini, por sinal em vilegiatura por Cuba, é de pararem de criticar, mesmo à socapa, a possível candidatura de Dilma Rousseff em 2010. Não que concordem com ela, mas perceberam que sabotar ostensivamente a chefe da Casa Civil só vinha fazendo o nome dela crescer. Imaginam que acabará minguando por conta própria.

Estarão os caciques do PT, mesmo contrariando diretrizes do presidente Lula, dispostos a regar a horta de outro candidato saído de seus quadros? São poucas as possibilidades, por enquanto, mas é certo que rejeitarão qualquer alternativa fora de seus quadros. Ou alguém do PT, de preferência do sexo masculino. Ou, como opção derradeira, o terceiro mandato.


Tacho - Correio do Povo - Porto Alegre (RS)

Protógenes acusa comando da PF de obstruir investigação no caso Dantas - Estadão online - link (aqui)


Delegado denuncia ao Ministério Público que foi afastado do inquérito e desmonta versão de que saiu porque quis

Fausto Macedo e Marcelo Godoy

O delegado federal Protógenes Queiroz denunciou ao Ministério Público Federal que foi afastado do inquérito Satiagraha. Em documento de 16 páginas, dividido em tópicos, que protocolou na Procuradoria da República em São Paulo, o delegado queixou-se formalmente sobre "obstrução às investigações do caso". Na representação, ele tenta desmontar a versão da cúpula da Polícia Federal que, por ordem expressa do presidente Lula, divulgou trechos gravados de reunião fechada para tentar mostrar que havia sido do próprio delegado a iniciativa de sair do caso.

A Operação Satiagraha, deflagrada dia 8, desarticulou o que a PF chama de "organização criminosa" , que teria no comando Daniel Dantas. Além do banqueiro, foram presos o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e 15 dos outros 21 investigados. Só dois continuam presos. O esquema envolveria desvio de recursos públicos, corrupção, fraude, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Ontem à noite, depois de enquadrar criminalmente Dantas, o delegado fez lacônica declaração. Anunciou o fim de sua participação no caso, com a entrega do relatório final do inquérito 120233-08. Ressalvou que sua manifestação atendia ordem do Palácio do Planalto: "Como servidor público da PF, uma das reservas morais desse País, e cumprindo determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em obediência à ordem dos meus superiores, apresento nessa data a nossa singela contribuição na condução da Operação Satiagraha, em especial no combate à corrupção."

Agradeceu a todos que o auxiliaram na campanha de 4 anos e citou os nomes, um a um, de juízes, procuradores, agentes, escrivães, peritos e delegados, entre eles o ex-diretor-geral da PF Paulo Lacerda, hoje chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que deu apoio crucial à Satiagraha. "Como cidadão deixo à História a lição democrática do saudoso Heráclito Fontoura Sobral Pinto: todo poder emana do povo e em seu nome ele é exercido", concluiu Protógenes.

O delegado levou sua denúncia à Procuradoria na tarde de quinta-feira, ao mesmo tempo em que a direção-geral da PF divulgava, em Brasília, diálogos selecionados do encontro que ele manteve com superiores na noite de segunda. A reunião ocorreu em São Paulo, na sede da corporação. A parte dos áudios liberada - menos de 3 minutos, de 2h30 de discussão - sugere que o delegado deixou o caso espontaneamente para fazer um curso de especialização. Mas não é o que agora ele alega.

Os procuradores Anamara Osório Silva e Rodrigo de Grandis pediram a abertura de procedimento administrativo de controle externo da atividade policial. A representação foi distribuída ao procurador da República Roberto Antonio Dassié Diana, coordenador do grupo de controle externo do MPF. Protógenes afirma ter sido afastado das investigações e queixa-se, principalmente, de falta de recursos humanos e materiais para a investigação.

Segundo o MPF, o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Roberto Troncon, já se comprometeu a repassar a íntegra da gravação.

Diana anotou que a revelação de Protógenes aponta fatos sigilosos da Satiagraha. O procurador não quis se manifestar se há crime a ser investigado. "Vou verificar desde possível falta administrativa até crime."

A direção da PF não se manifestou sobre a denúncia. Limitou-se a informar que coloca-se à disposição da Procuradoria.

Paixão - Gazeta do Povo - Curitiba (PR)

No papel, Dantas não é dono de banco - Folha de São Paulo - link (aqui)




Registros do Opportunity na Junta Comercial do Rio revelam que banqueiro é cliente e só aluga marca

Segundo a PF, dono de fato é mesmo Dantas; estratégia de não registrar empresa seria para evitar possível responsabilização criminal

ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Daniel Dantas não é nem nunca foi dono do banco Opportunity, revelam os registros societários da empresa na Junta Comercial do Rio de Janeiro. Oficialmente, ele é apenas cliente da instituição financeira, ao contrário do que o mercado financeiro dá como certo.
Para a Polícia Federal, não há dúvidas de que Dantas é o dono de fato do Opportunity e não consta dos registros oficiais para não deixar suas digitais nos negócios escusos do banco. O inquérito da Operação Satiagraha vai além: o aponta como controlador de "centenas" de empresas do grupo.
A assessoria de imprensa do Opportunity nega a acusação da PF. Apesar de confirmar que Dantas gere seus negócios de um gabinete na sede do banco, no Rio, afirma que ele não tem relação com a administração da instituição financeira.
Além de ser cliente, Dantas aluga a marca Opportunity para os donos do banco no papel. A Folha teve acesso ao contrato, que vale desde 1995 e já foi prorrogado quatro vezes. O documento prevê que Dantas receba 1% do lucro da instituição, em pagamentos mensais.
No papel, os donos são Dório Ferman, Sima Esther Ferman, sua mulher, e Sérgio Bouqvar. Ferman, que também foi preso pela PF, tem 99% das ações. Era proprietário do Banco Lógica S.A., que a partir de 1996 passou a se chamar Opportunity, com a cessão da marca.
Segundo a assessoria do Opportunity, Dantas é sócio apenas do fundo CVC Opportunity Equity Partners LP, criado em 1997 para que ele participasse do leilão das empresas de telefonia, em parceria com o Citibank e fundos de pensão estatais. À época, o fundo arrematou a Brasil Telecom, a Amazônia Celular e a Telemig. Hoje, após se afastar das teles, Dantas investe na compra de fazendas e na área de mineração.
Segundo a PF, Dantas é "responsável pelo controle empresarial de todo o complexo societário [grupo Opportunity]", atuando como "sócio oculto". O grupo, diz a polícia, é composto de "centenas de empresas financeiras e não-financeiras, nacionais e "offshores" [em paraísos fiscais]".
Especialistas em investigar crimes financeiros dizem que a estratégia de quem evita registrar as empresas que controla é tentar impedir a responsabilização criminal do real dono e o eventual confisco dos bens.
Advogados de Dantas rebatem as acusações da PF e dizem que o inquérito não tem provas suficientes para incriminá-lo.


Iotti - Zero Hora - Porto Alegre (RS)

Petistas envolvidos geram desconforto e crítica no partido - Folha de São Paulo - link (aqui)


ANDREZA MATAIS
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O envolvimento de petistas com influência no partido e no governo na Operação Satiagraha gerou desconforto entre dirigentes, que discutirão o tema na próxima reunião da Executiva Nacional em agosto. Os petistas estão incomodados com o fato de a investigação ter chegado perto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
A atuação do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) como advogado de Daniel Dantas e o uso de sua influência no Planalto para privilegiar clientes é criticada e já há quem defenda nos bastidores seu afastamento do diretório. A principal queixa é que dirigentes com relevância política já deveriam ter aprendido, com escândalos como o do mensalão, que qualquer fato envolvendo petistas respinga no presidente Lula e agora, em Dilma, ganhando superdimensão.
No partido, a avaliação é que Greenhalgh, o chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, e o deputado José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT, tiveram atuação menor, pois o foco da operação era esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teve origem na privatização das teles. "Se o caso for aprofundado, não vai chegar ao PT, mas a outros lugares", disse o deputado Candido Vacarezza (PT-SP).
"Ele [Greenhalgh], como dirigente partidário, não deveria assumir a defesa de pessoas desse tipo. Acho que, quando temos representação política, precisamos ter esse cuidado. Não é de hoje que esse cidadão [Dantas] vem sendo denunciado. Se sabe que é pessoa nefasta, mas não podemos proibi-lo de advogar", disse Raul Pont (RS), do Diretório Nacional.
Dirigente ligado à corrente de Greenhalgh, Construindo um Novo Brasil (ex-Campo Majoritário), afirmou que por ora o PT não pedirá, mas seria recomendável que ele se licenciasse. No PT, a situação de Greenhalgh está sendo comparada à do ex-ministro José Dirceu, que, atingido pelo mensalão, deixou de ser associado a Lula e ao PT. Cardozo, que teria usado prerrogativas do mandato para defender interesses de Dantas, já havia sido cobrado por sua atuação pró-banqueiro quando concorreu a presidente do PT em 2007.

Ique - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro (RJ)

Defesa questiona "atuação atípica" de Lula - Folha de São Paulo - link (aqui)





Advogado de Daniel Dantas diz que está diante de um "processo político" e afirma ver "perseguição" contra seu cliente

Nélio Machado entregou documento ao delegado Protógenes Queiroz em que critica PF, Procuradoria e o juiz Fausto De Sanctis

Raimundo Paccó/Folha Imagem

Daniel Dantas e o advogado Nélio Machado chegam à Superintendência da Polícia Federal, na zona oeste de São Paulo, onde o banqueiro prestou depoimento

FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

O advogado do banqueiro Daniel Dantas, Nélio Machado, disse ontem que seu cliente é vítima de perseguição política. Ele citou o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dos ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa).
Ao deixar a Superintendência da PF, após prestar depoimento, Dantas não quis falar.
Ao chegar à PF, Machado disse que Dantas está sendo perseguido por "grupos de poder".
"É visível que o poder está se esfalecendo. Existem pessoas interessadas, e a imprensa toda divulga", afirmou, para depois completar: "Fala-se do ministro da Justiça, que passou dos limites razoáveis da atribuição de sua pasta, pois ele disse que já tem um entendimento pessoal de culpa do meu cliente."
Em entrevista à Folha, publicada no domingo, o ministro da Justiça declarou que considera "muito difícil" que Dantas consiga provar ser "inocente".
O advogado também alfinetou Lula. "Nunca vi presidente convocando reunião para tratar de um assunto como esse."
Para o defensor, se Lula está insatisfeito com alguém na PF, ele deve alterar o ministério.
Machado afirmou que está diante de um processo político. Questionado sobre a quem interessaria esse processo, disse que a pergunta deveria ser feita ao presidente e aos ministros Tarso e Jobim. Segundo ele, os três são "pessoas que têm tido uma atuação atípica" durante a Operação Satiagraha.
"Freqüento a Polícia Federal há mais de 30 anos e nunca vi ministro de Estado e presidente da República falando sobre investigações", disse.
O advogado foi à PF representando Dantas e mais nove pessoas do grupo Opportunity, entre elas Verônica Dantas, Carlos Rodenburg, Dório Ferman e Daniele Ninnio.
A orientação aos seus clientes era a de que não respondessem aos questionamentos.
Machado entregou ontem ao delegado Protógenes Queiroz documento criticando os trabalhos da PF, do Ministério Público Federal e do juiz Fausto De Sanctis, classificando-os de "triunvirato acusatório".
"Este documento é um protesto formal com respeito a tudo o que vem ocorrendo neste caso, prejulgamento do meu cliente, manobra das prisões." Chamou as investigações de "devassa medieval".
Machado disse que a investigação está permeada "de fatos estranhos, inusitados, irregulares e inortodoxos". "Quero que a investigação seja isenta, o que não vem ocorrendo. Dantas está sendo perseguido."
No protesto formal de seis páginas, ele escreveu que a investigação "já está timbrada por indisfarçável viés político" e criticou a participação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no caso e reclamou de interceptações de conversas entre advogados e clientes.
Afirmou que os direitos de o advogado exercer sua profissão estão sendo "vilipendiados".
Machado disse que "estranhou" o fato de a PF ter divulgado só três minutos e 55 segundos das quase três horas da reunião na Superintendência da PF em São Paulo, na segunda, em que ficou acertada a saída de Protógenes.


PF indicia Dantas e mais 9; caso segue para o Ministério Público

DA REPORTAGEM LOCAL

A Polícia Federal indiciou ontem o banqueiro Daniel Dantas e mais nove pessoas do grupo Opportunity, entre elas Verônica Dantas, sob a acusação de formação de quadrilha e gestão fraudulenta .
O advogado de Dantas e das outras pessoas do Opportunity, Nélio Machado, confirmou a informação na saída do depoimento, mas chamou o inquérito da PF de "peça de ficção".
As principais suspeitas contra o banqueiro giram em torno da manutenção e gestão do Opportunity Fund, nas Ilhas Cayman, e da falta de comunicação de movimentações financeiras atípicas nas contas de correntistas do banco Opportunity aos órgãos públicos e de controle interno.
Foram indiciados, além de Dantas e sua irmã Verônica, Carlos Rodemburg, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Monteiro, Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, Dório Ferman e Danielle Silbergleid Ninio.
A defesa rebateu a acusação de gestão fraudulenta, dizendo que ela é, na verdade, bem sucedida. Machado disse que há a tentativa de "criar artificialmente um delito de gestão fraudulenta em cima de uma gestão exitosa."
O crime de gestão fraudulenta de instituição financeira é previsto na lei federal 7.492/86, que trata dos crimes contra o sistema financeiro nacional. A pena prevista é a reclusão de 3 a 12 anos, e multa.
Sobre o indiciamento dos 10 membros do Opportunity sob a acusação de formação de quadrilha, Machado disse que esse "é um artifício acusatório porque apimenta o noticiário" e que esse é "o crime da moda".
O indiciamento é um ato policial pelo qual o presidente do inquérito conclui haver suficientes indícios de autoria e materialidade do suposto crime -e não significa culpa ou condenação.
Após o indiciamento, que costuma ser o ato final do trabalho do policial, o inquérito é analisado pelo Ministério Público Federal, que decide se apresenta ou não denúncia à Justiça Federal.


Zé Dassilva - Diário Catarinense - Florianópolis (SC)

Renata Lo Prete - (Painel) - Folha de São Paulo - link (aqui)




Ligações.


A PF diz que, no dia 7 de abril, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) deixou recado, às 22h52, na caixa postal do celular de Carlos Rodenburg avisando que estava com Nelson Jobim. O ministro da Defesa estaria "preocupado com a segurança" do sócio do Opportunity.


Son Salvador - Estado de Minas - Belo horizonte (MG)

Ruy Castro - Folha de São Paulo - link (aqui)



Atalhos oportunistas

RIO DE JANEIRO - Nelson Rodrigues dizia que, se todos conhecessem a vida sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém. Outro dia, o cientista político Bolívar Lamounier afirmou algo parecido: que, se fosse possível punir toda a corrupção vigente no país, metade da população teria de ir para a cadeia. E foi ainda mais duro no diagnóstico: "O Brasil é essencialmente corrupto".
Para Lamounier, a corrupção -que não dorme, é solerte- tende a aparecer mais em surtos de crescimento econômico. Faz sentido: quanto mais dinheiro em jogo, mais se rouba ou se tenta roubar. Por sorte, não estamos sozinhos. Para ele, Rússia, Japão, Coréia do Sul, China, França e Estados Unidos nos têm feito excelente companhia no pântano.
Uma causa da tendência brasileira a esses, digamos, atalhos oportunistas seria nossa visão, herdada dos anos 50, de que o desenvolvimento produziria uma população "melhor", mais bem educada e com tantas oportunidades que não comportaria o crime. É verdade, achava-se mesmo isto. No dia em que a maioria dos brasileiros se vestisse na Ducal, tivesse um Fusca na garagem e conta no Banco Nacional, o Brasil seria o paraíso.
Bem, o desenvolvimento chegou, a Ducal, o Fusca e o Nacional já eram, e a corrupção não diminuiu. Ao contrário, aumentou. Aquela visão otimista e evolucionista, segundo Lamounier, estava errada. O problema é que ainda acreditamos em Jean-Jacques Rousseau, para quem as pessoas são boas, e é a sociedade que as corrompe.
Melhor seria, diz ele, se fizéssemos como os americanos e acreditássemos em Thomas Hobbes. Para Hobbes, as pessoas são más, e é preciso ficar de olho nelas. Mas, num país em que a PM mata inocentes, a Justiça solta criminosos e os piores exemplos vêm de cima, quem vai ficar de olho em quem?

Charge do dia


Aroeira - O Dia - Rio de Janeiro (RJ)

Comercial antigo - Cerveja Kaiser

Sinopse dos principais jornais - link (aqui)


sala de leitura



Manchetes:


Jornal do Brasil - Migrantes da violência

Folha de São Paulo - Procuradoria investiga se houve boicote a delegado

O Estado de São Paulo - Delegado acusa PF de boicote no caso Dantas

O Globo - Delegado acusa PF de obstruir investigações no caso Dantas

Correio Brasiliense - Flagrantes por embriaguez explodem no DF