domingo, 26 de outubro de 2008

Bar é arte


Edmond François Aman-Jean ( 1860 - 1935 )

Femme em robe rose ( Woman in a pink dress )

Pastel on paper ( 1898 )

Musée des Beaux-Arts, Dijon

Jailhouse Blues - Billie Poole

Jailhouse Blues - Billie Poole
Vídeo enviado por boberwig

Jailhouse Blues -- Billie Poole 1960
Bessie Smith recorded this tune in 1923. Here, some 37 years later is another American blues singer performing this tune again. Billy Poole, virtually unknown, was certainly been influenced by the Empress of the Blues. You see and hear her in this clip with the High Society Jazz Band from France.
It is just amazing how Billie and the band stylewise flow together. A total listening pleasure for the lover of early classic jazz.
The musicians in the band are leader and trombonist Mowli Jospin with Pierre Merlin trumpet, Claude Rabinet trumpet, Pierre Atlan clarinet., Martine Morel piano, Christian Gervais banjo, Raymond Fonseque tuba and Michel Miroux drums.
This is a band that was formed in 1947 and specialized in the very early styles of jazz of the years 1900-1930. They stlll exist today now under the leadership of trombonist Daniel Barda (since 1968) See their new album at
http://www.jazzbymail.com/ViewArtist....

Sabores da bossa nova - Jornal do Commercio, Recife, PE - link (aqui) -




Publicado em 26.10.2008
Pratos são como roupas e hábitos. Entram e saem de moda. Outro dia, numa crônica, Ignácio de Loyola Brandão lamentava a extinção do frango à cubana. O escritor sabia que objetos, eletrodomésticos e automóveis saíam de linha. Mas frango à cubana?...

Loyola teria ficado algo chocado com a resposta de um garçom: “Antigo demais, saiu do cardápio”. Fiquei com o frango do Loyola na cabeça. Ando louco para comer o filezinho galináceo empanado, arroz colorido, banana empanada. Como quando ia aos restaurantes, roupa de domingo, camisa ensacada, calça Percol, puxado pelos meus pais.

O frango à cubana é um clássico de outro clássico. Comidos às turras por gente muito boa nos anos dourados, na bossa nova que, este ano, completou meio século meio apagadamente pelas muitas festas decorrentes do aniversário de 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil. Nascida praticamente nos bares – e restaurantes –- daquele Rio idílico onde se subia o morro quase que apenas atrás de sambas, a bossa tem, sim, seus sabores.

O marco inicial da bossa se deu em 1958, com o lançamento de Canção do amor Demais. Dois anos antes, o jornalista Lúcio Rangel apresentou o poeta Vinícius ao jovem Tom. Entre uns queijinhos com presunto, conservas e doses generosas de JB, eles gestaram as primeiras idéias musicais.

O encontro se deu no Vilarinho, bar e delicatessen seminal da BS que anda meio abandonado, mas ainda de portas abertas no Centro do Rio. Embora, seja verdade, depauperado: querendo varrer a “sujeira”, o antigo dono passou literalmente uma pá de cal sobre as paredes. Apagou poemas, desenhos e autógrafos da turma que o freqüentava. “Se há um sítio arqueológico da bossa, é esse”, classifica Ruy Castro. Ali bebiam e comiam gente que ia de Caymmi a Ary Barroso, de Pancetti a Aracy de Almeida e Dolores Duran. Consta que adoravam o gabarito “fosfórico” da dose de uísque. Do tamanho de uma caixa de fósforo. Em pé.

Nada como ouvir o disco de Getz & Gilberto ou a famosa Garota de Ipanema provando um clássico, aquilo que hoje, muitas espumas, emulsões e reduções depois, podemos chamar de cozinha retrô. “Comida de verdade”, diria Vinícius. Carlos Lyra afirma que o petisco oficial da turma era o binômio chope e batata frita.

Para ouvir Bim bom, essa turma encarava o couverzinho tradicional, hoje também meio raro: pãozinho, patê, salame, ovo de codorna, queijo e azeitonas. Matriz de brasilidade na música, Tom e Vinícius também o eram à mesa. Vinícius adorava carne-seca com abóbora, o que, traduzido do carioca para o pernambuquês, pode ser entendido como jerimum com carne-de-sol ou charque.

Jobim compensava os excessos de copo no prato. Vivia no chamado triângulo das bermudas do Leblon: a churrascaria Plataforma, a Cobal com seus vários bares e o boteco Bracarense. Quase sempre tirava da bolsa um peixe fresco e o mandava preparar, sem cerimônia, assado ou na brasa. Com molho de alcaparras. Às vezes, um frango desossado e, mais raramente, uma boa e pecaminosa picanha argentina. Hoje é domingo. Espero encontrar uma boa cioba para assar. E comer ouvindo Corcovado. J

Charge do dia



Duke - Jornal Super Notícia - Belo Horizonte, MG

Transparência zero - Estadão online - link (aqui)



Suely Caldas*

O que mais preocupa na Medida Provisória (MP) nº 443 - que o ministro Guido Mantega escondeu dos parlamentares em sua visita ao Congresso na terça-feira - é o poder ilimitado, inquestionável e definitivo dado ao governo, por meio do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF), para sair comprando bancos, seguradoras, construtoras, fundos de pensão, etc., sem precisar explicar nada a ninguém.

O presidente Lula poderia ter dado à medida um caráter transitório e excepcional, vinculando-a à duração da crise. Mas no texto da MP nada mencionou, nada explicitou nessa direção, dando margem a interpretações de que o governo do PT se aproveitou da situação para desafogar sua vocação estatizante, à Hugo Chávez e Evo Morales, que só têm afugentado investimentos da Venezuela e da Bolívia.

Talvez por isso a reação do mercado tenha sido a pior possível - a Bolsa desabou e o dólar disparou. Certamente por isso ficou em segundo plano a justificativa da necessidade de construir uma muralha de defesa contra os efeitos negativos da crise. E tenha desencadeado no mercado financeiro uma desconfiança geral de que há bancos em dificuldades, que o governo não quer revelar. E o ministro, que nega problemas de insolvência, ficou desacreditado. Alimentou essa desconfiança a total falta de transparência na desastrada divulgação da MP. Na noite anterior, Mantega e Henrique Meirelles foram ao Congresso explicar as providências para proteger o País da crise e esconderam dos parlamentares o que já estava impresso no Diário Oficial. Pareciam evitar enfrentar perguntas. Por que será?

O que preocupa nesse poder ilimitado de sair comprando ativos (ou seriam micos?) privados com dinheiro público ou de acionistas de empresas estatais é a falta de espírito público - a imaturidade da classe política brasileira em lidar com o poder e o dinheiro. Logo surgem os abusos na nociva relação público x privado e os prejuízos decorrentes são empurrados para o contribuinte.

A história recente está repleta de casos. Até o governo Collor, o BB foi fartamente usado por presidentes, senadores e governadores para conceder empréstimos a empresários amigos que não pagavam. Ou para consolidar todos os débitos privados do empresário para limpar sua ficha suja de inadimplência no mercado. Foram incontáveis os casos, até que em 1997 os brasileiros foram chamados a fazer uma bilionária injeção de dinheiro para zerar o progressivo passivo do BB. Com a CEF os abusos decorreram do mau uso do dinheiro do FGTS e outro reforço bilionário a capitalizou no governo FHC.

Depois de zerar o passivo, o BB ganhou credibilidade, conquistou milhares de novos acionistas e hoje é uma empresa pública de capital democratizado. Arriscar ser usado agora para adquirir ativos podres ou forjados para captura de dinheiro público é um retrocesso que os acionistas e os brasileiros não merecem.

Com os bancos estaduais foi pior. Ali os governadores fizeram a festa - emitiam dinheiro sem limites, custeavam campanhas eleitorais, inventavam fraudes diversas, financiavam amigos e prefeitos aliados.

Mas o mais inexplicável na MP nº 443 é a possibilidade de o BB comprar seguradoras e até fundos de pensão. Por quê? Não são bancos, não têm papel central em irrigar dinheiro e crédito na economia. Por que entraram na dança? O governo não explicou. E se gestores mal-intencionados liquidarem seu patrimônio e entregarem o lixo ao Estado? Não esqueçamos que fundos de pensão já "investiram" até em jazigos e sepulturas em cemitérios.

Quem sabe os fundos tenham sido contemplados na onda da reestatização da previdência complementar na Argentina? Lá, a presidente Cristina Kirchner parece estar de olho no patrimônio de US$ 30 bilhões dos fundos de pensão, o que desencadeou protestos dos trabalhadores participantes, fuga de capitais do país e a Bolsa de Buenos Aires desabou quase 20% em três dias. E aqui? O Previ (fundo dos funcionários do BB) foi o que mais perdeu, porque está carregado em ações de empresas. Mas seus dirigentes garantem recuperar as perdas no médio prazo. Ou será que o governo quer socorrer algum outro fundo na surdina?

O presidente Lula nega que vá socializar prejuízos: "Não vamos dar dinheiro nem favorecer quem fez especulações." Mas só a palavra do presidente basta? Por que não explicitá-la no texto da MP? O perigo está no poder ilimitado e na falta de transparência do governo assegurados pela MP.

*Suely Caldas, jornalista, é professora de Comunicação da PUC-RJ

Elio Gaspari - Folha de São Paulo - link (aqui)




Giannotti teme uma crise da democracia


Está aberto o espetáculo para o aparecimento de demagogos e salvacionismos autoritários

O PROFESSOR JOSÉ Arthur Giannotti está preocupado. Talvez seja a única pessoa preocupada que não acompanha o movimento das Bolsas. Sua ansiedade relaciona-se com a democracia. Ele acredita que o Brasil experimenta uma prática democrática "na casca", enquanto o núcleo das instituições nacionais vive um surto de autoritarismo que pode não acabar em boa coisa. A desmoralização dos costumes políticos, a impunidade das malfeitorias praticadas pelo aparelho do Palácio do Planalto, bem como a marginalização do Congresso, levam água para propostas salvacionistas e demagogos. Se fosse necessário algum sinal de que os temores do professor são justificados, bastaria o exemplo da concepção e do cenário da edição da medida provisória do ProTudo.
Os feiticeiros da Fazenda, do Banco Central e do Planalto redigiam a MP num prédio da praça dos Três Poderes enquanto os doutores Guido Mantega e Henrique Meirelles estavam na Câmara, relatando aos parlamentares as providências que o governo tomava para proteger a economia nacional. Não disseram uma só palavra sobre o ProTudo. Levando-se em conta que a MP seria remetida ao Congresso, alguém fez papel de paspalho. Talvez os parlamentares, talvez todos.
O grande antecedente remoto da atual crise justifica os receios de Giannotti. Diante da Depressão dos anos 30, o presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt montou um sistema que foi a um só tempo redentor para o futuro da sociedade americana e um exercício de autoritarismo federal. Cavalgando a opinião pública e o Congresso, Roosevelt só foi barrado pela Corte Suprema e, ainda assim, tentou empacotá-la, criando um sistema pelo qual acrescentaria seis novos ministros aos nove existentes.
Roosevelt, um aristocrata, perseguiu empresários e amargurou o fim da vida do banqueiro Andrew Mellon, secretário do Tesouro de seus três antecessores. Mesmo assim, teve perigosos demagogos mordendo-lhe os dedos. O maior deles foi Huey Long, o adorado larápio que governara a Louisiana e pretendia disputar a Presidência na eleição de 1936. Foi contido por uma bala na barriga. (A história de Long está no filme "A Grande Ilusão", com Sean Penn.)
Felizmente, a sucessão americana desembocou numa disputa entre dois políticos moderados (noves fora as suspeitas de que Barack Obama flerte com medidas protecionistas). Se a bolha tivesse estourado em janeiro, o candidato republicano poderia teria sido Mike Huckabee, que propusera o confinamento dos aidéticos e defendia o emparedamento da fronteira com o México. Com Sarah Palin na vice, formariam a dupla do Deus-Me-Livre.
A crise econômica pode colocar o Brasil no trilho que leva ao aparecimento de excentricidades, como se deu com Fernando Collor. Ou ainda, à radicalização do governo a partir de propostas autoritárias que estão nas gavetas do PT. Coisas como "matriz ideológica" controlando a imprensa, a necessidade de se criar uma poderosa máquina de centrais sindicais e a transformação do Banco do Brasil e da Caixa num comi$$ariado de primeira e última instâncias.

EREMILDO OFERECE TECNOLOGIA PARA A PM-SP

Eremildo é um idiota e acredita em tudo o que a PM de São Paulo diz. Acredita inclusive que ela tem o melhor treinamento e todos os acessórios da alta tecnologia.
O idiota pretende oferecer ao comando da tropa sua espetacular novidade: uma escada que permite a entrada de um policial em qualquer janela do segundo andar de um prédio.
Ele acha que o Batalhão de Choque ainda não conhece esse tipo de equipamento, pois seus sábios tiveram três dias para planejar a invasão do apartamento onde estava Lindemberg Alves e, na hora do vamos ver, apareceram com uma escada curta.

CALENDÁRIO
Com o resultado da eleição de hoje, começa amanhã o primeiro dia do fim do governo de Nosso Guia.

NATASHA E O FMI
Madame Natasha soube que o diretor-geral do FMI, doutor Dominique Strauss-Kahn, de 59 anos, arrumou uma namorada húngara de 26 na repartição e achou que o Fundo já não é tão ortodoxo como dizem.
Como ela suspeita que os femetecas morrem de medo dos americanos, passou os olhos no último relatório da Casa, intitulado "As Américas, Lidando com a Crise Financeira Mundial". Não deu outra: lá está um pequeno capítulo e ele se chama: "Perspectivas para os Estados Unidos: Desaceleração Importante e Recuperação Lenta". Madame reconheceu o truque. Quando alguém quer desidratar um fenômeno, ou esconder sua opinião, recorre ao "importante". Assim, um escritor, ou uma crise, não são "grandes", mas "importantes".
Natasha informa: importante é a avenida Paulista, que começa ao lado do cemitério e termina no Paraíso.

MICO GORDO
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária micou. Em 2007, ela liberou o remédio Acomplia, que ajuda a emagrecer. Como a droga potencializava quadros depressivos, a agência reguladora americana recusara-se a liberá-la. Na semana passada, a União Européia cancelou-lhe a licença e o laboratório Sanofi-Aventis anunciou a suspensão temporária das vendas do Acomplia. E a Anvisa? Só acordou depois que o fabricante jogou a toalha. Repetiu-se o mico de 1997, quando Europa e Estados Unidos fecharam seus mercados ao emagrecedor Isomeride mas, numa história mal contada, a Vigilância Sanitária de Pindorama levou um mês para contrariar o laboratório.

VENDE-SE
Um apartamento de 180 metros quadrados com vista para o mar de Miami valia U$ 850 mil ano passado. No começo da crise, o dono quis vendê-lo por US$ 750 mil e micou. Agora pede US$ 650 mil e aceita ofertas. Quem quiser, pode alugá-lo por US$ 4.000 anuais (repetindo, anuais), desde que fique com as despesas de impostos e condomínio. Um corretor assegura que daqui a dois meses a peça sairá por US$ 450 mil.

FESTÃO
Se Barack Obama vencer a eleição americana, Washington terá a primeira grande festa popular do século. Será um dia inesquecível na vida de quem passar por lá. A posse está marcada para o dia 20 de janeiro, uma terça-feira. Na segunda-feira, os americanos terão o feriado da memória do líder negro Martin Luther King, assassinado em 1968. Já não há quarto de hotel vago cidade. Tem gente pedindo US$ 3.000 por cinco dias num apartamento de dois quartos.

MELHOR CALADO
O doutor Guido Mantega, deveria cumprir uma semana de voto de silêncio. Ele passou 35 anos de sua vida adulta na oposição. Nesse espaço de tempo, ouviu 18 ministros da Fazenda dizendo que a inflação estava sob controle e que o governo não corria o risco de perder o controle da dívida externa. Só Mantega sabe quantas vezes acreditou no que ouviu. Se foi um crente, deve ir ao Museu da República para ocupar uma vitrine, pois personificará o filho da Velhinha de Taubaté. Caso ele tenha duvidado das palavras de seus antecessores, seria o caso de se perguntar: Por que alguém deve acreditar em mim quando digo que "não tem banco quebrando?"

Clóvis Rossi - Folha de São Paulo - link (aqui)




Funcionário x financista

MADRI - Em um grande centro comercial de Seul, na Coréia do Sul, há uma espécie de museu da vida coreana. Uma das peças mostra um cidadão que é recebido com festa na aldeia, de volta da capital, onde fora admitido no serviço público.
Não, a festa não era por ter o cidadão conseguido uma "boquinha". Era apenas o orgulho de ser funcionário, de servir o público -coisa tão fora de moda nos tempos que correm, não é mesmo? Reencontro esse orgulho em uma entrevista de Martti Ahtisaari, o Prêmio Nobel da Paz.
"Não sou contra, em absoluto, que me chamem de diplomata, mas talvez devesse definir-me como um funcionário profissional, tanto em nível nacional como internacional", disse Ahtisaari a "El País".
É verdade que o Nobel da Paz é finlandês, pequeno país com, talvez, o melhor sistema educacional do planeta, o que ajuda a fazer de um funcionário um servidor público -e orgulhar-se disso. Suspeito de que a grande reforma de que o mundo todo precise -e o Brasil talvez mais ainda- seja exatamente a devolução do serviço público ao serviço do público, com perdão do jogo de palavras.
O país seria melhor se Henrique Meirelles, em vez de ser escolhido "o financista do ano", fosse eleito "o funcionário público do ano".
Vale para o Brasil, vale para os EUA. Dias atrás, Paul Krugman, outro Nobel, este de Economia, escreveu o seguinte a respeito do funcionalismo norte-americano: "Em todo o Executivo, os profissionais peritos foram destituídos; talvez não sobre no Tesouro ninguém com a estatura e a trajetória necessárias para dizer a Paulson [Hank Paulson, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos] que o que ele fazia não tinha sentido".
Quantos sobraram, nos diferentes Executivos brasileiros, capazes de dizer o que é melhor aos ministros e/ou secretários da Segurança, Educação, Saúde etc?

Petropopulismo em xeque - (editorial) - Folha de São Paulo - link (aqui)





COM o agravamento da crise, todos os países serão testados, agora, pelas opções políticas que fizeram nos últimos anos. Três, em especial, poderão pagar um alto preço: Rússia, Irã e Venezuela.
Governantes dessas nações compartilharam o discurso antiamericano, enquanto sustentavam sua popularidade com as receitas do petróleo. A disparada do preço do combustível nos últimos anos favoreceu o petropopulismo centralizador e as ambições geopolíticas alucinadas de líderes descompromissados com a democracia.
Tome-se o caso da Venezuela, de Hugo Chávez. Quando assumiu o governo, em 1999, o barril do petróleo valia US$ 8. Em meados de julho, chegou a US$ 147. O chavismo enriquecido atropelou a oposição doméstica, ampliou os podres presidenciais e concedeu auxílios generosos a outros países da região, como Argentina, Bolívia, Cuba e Equador.
A commodity é responsável por 94% das exportações venezuelanas e por mais de metade das receitas do governo. Para ter uma idéia do impacto possível da crise, o barril estava cotado na última sexta-feira abaixo de US$ 65. Como ocorre com as ações das Bolsas, parece não haver limites para a queda do petróleo.
A Rússia já sente o impacto da crise. Seu setor financeiro foi fortemente atingido, e sua Bolsa sofreu aguda depreciação. A reversão de expectativas atinge as pretensões geopolíticas do país. As receitas energéticas garantiram nos últimos anos mais gastos militares. A Rússia negocia com os outros países do "eixo do diesel": vendeu US$ 4,4 bilhões em armas para a Venezuela e negocia com o Irã um sistema de defesa antiaérea.
No Irã, 80% das receitas vêm do petróleo. A queda no preço do combustível tem um efeito mais explosivo no país do que as sanções que foram impostas por causa do seu programa nuclear, apoiado pela Rússia.
Unidas pelo interesse tático, as três nações desafiaram os EUA nos últimos anos e podem ser algumas de suas principais vítimas, pelo contágio econômico.