sábado, 1 de novembro de 2008
Após a terceira dose - bar é poesia
O Scarpin
(luiz alfredo motta fontana)
Esguio
veste várias etiquetas
desfila em alamedas
salões, e até cafés.
Esculpido
posto que é arte
estações após estações
Cruel
Sobre ele, o desafio
poucas sobrevivem
A elegância agradece!
Tom Zé - "Augusta, Angélica e Consolação"
Augusta, Angélica e Consolação
Composição: Tom Zé
Augusta, graças a deus,
Graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Augusta, que saudade,
Você era vaidosa,
Que saudade,
E gastava o meu dinheiro,
Que saudade,
Com roupas importadas
E outras bobagens.
Angélica, que maldade,
Você sempre me deu bolo,
Que maldade,
E até andava com a roupa,
Que maldade,
Cheirando a consultório médico,
Angélica.
Augusta, graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Quando eu vi
Que o largo dos aflitos
Não era bastante largo
Pra caber minha aflição,
Eu fui morar na estação da luz,
Porque estava tudo escuro
Dentro do meu coração.
Tratado de Biologia Comportamental (recuperado do ano passado)

Ave estranha o tucano.
Na plumagem a formalidade, black-tie.
No bico, a fantasia.
O vôo, curto, em busca de abrigo.
Uma frase - Albert Einstein
"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta."
Tom Jobim e Gal Costa - Dindi
Dindi
Composição: Antonio Carlos Jobim, Aloysio de Oliveira, Ray Gilbert
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Prá onde elas vão, ah, eu não sei, não sei
E o vento que toca nas folhas
Contando as histórias que são de ninguém
Mas que são minhas e de você também
Ai, Dindí
Se soubesses o bem que eu te quero
O mundo seria, Dindí, tudo, Dindí, lindo, Dindí
Ai, Dindí
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindí
Olha, Dindí, fica, Dindí
E as águas desse rio
Onde vão, eu não sei
A minha vida inteira, esperei, esperei por vo...cê, Dindí
Que é a coisa mais linda que existe
É você não existe, Dindí
Após a terceira dose - bar é poesia
A tarde
(luiz alfredo motta fontana)
Ele
À sombra
o jornal, o cigarro, a música
Ela
Ao sol
a água, a relva, a monda à moda antiga
nos entreatos
...sorrisos cúmplices
1974 - Ella Fitzgerald - "The Man I Love"
1974 - Ella Fitzgerald - The Man I Love
The First Lady of Jazz
Emission de télévision sur une séance d'enregistrement en studio en Allemagne (1974).
Ella Fitzgerald du duo au big band avec selon les morceaux Joe Pass (g), Tommy Flanagan (p), Keeter Betts (b), Bobby Durham (dr), Roy Eldridge (tp), Eddie Lockjaw Davis (ts), Peter Herbolzheimer Rhythm Combination & Brass (Herb Geller, Art Farmer, ...)
Após a terceira dose - bar é poesia
A poesia por companhia
(luiz alfredo motta fontana)
O caminhar
trilhando o distrair
O olhar
perdido em canções
O clima
traduzido em prata e luar
O aceno
o sorrir de velho conhecer
A noite
o abrigo, o conforto
Bar é arte

Venus Rising from the Sea - A Deception
Oil on panel ( 1822)
Nelson-Atkins Museum of Art, Kansas City
Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)
Renó-Galvão parece dupla caipira
Só que enriqueceram, e muito, na Petrobras. Mas não apenas os dois
Dos últimos 18 presidentes da Petrobras, pelo menos sete fizeram mágica, conseguiram fortunas colossais. E nada lhes aconteceu. Continuaram imunes e impunes, e podem se estarrecer à vontade: trabalhando no ramo de petróleo e negociando com a própria Petrobras.
E podem se estarrecer de forma mais atordoante, que palavra, formaram firmas juntos, ricos e satisfeitos e explorando os conhecimentos que adquiriram como presidentes da Petrobras. O exemplo mais elucidativo é o de Joel Renó e de Orlando Galvão.
A Petrobras é tão importante, existem tantas saídas de recursos, de dinheiro mesmo, de comissões, que tudo "sai pelo ladrão", isso é apenas um jogo vulgar de palavras. Mas que na verdade não consegue fugir da realidade. A maior empresa do Brasil não serve ao povo, serve à sua cúpula. E todos se dão muito bem entre si enquanto estão na Petrobras e quando saem dela.
Não é apenas a presidência da Petrobras que faz rolar montanhas de dinheiro. Dos últimos (e muitos ainda estão lá servindo CIVICAMENTE a eles mesmos) 50 diretores da Petrobras, pelo menos 40 ganharam mais do que o próprio povo ou do que a Petrobras.
Cada diretor tem sob seu comando uma empresa importante, tudo na Petrobras é de primeira grandeza. Nenhuma é mais importante do que a Distribuidora Petrobras. Por isso, Joel Renó, presidente da empresa, e Orlando Galvão, presidente da Distribuidora, demitidos juntos (e não a pedido) formaram uma empresa. Ficaram altamente surpreendidos quando "O Globo" telefonou para eles pedindo explicações. Não havia nenhuma, apenas estavam convencidos de que ninguém sabia de nada, se julgavam e eram julgados como anjos de pureza.
Por causa disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou as contas de Renó-Galvão em 1995, 96 e 97, logo, logo foram demitidos por irregularidades. O relator foi o ministro Guilherme Palmeira, que está completando 70 anos e provoca tremenda polêmica, todos têm o FERVOR CÍVICO DE SUBSTITUÍ-LO.
Guilherme Palmeira recusou o pedido de reconsideração de Renó e Galvão, por que reconsiderar se as irregularidades eram flores que inundavam o jardim inteiro? Agora mais dois pedidos de reconsideração do mesmo Renó e do mesmo Galvão. Só estes pedidos de reconsideração têm 5 volumes, não sei onde colocar tanta coisa.
Existem empresas na Petrobras que só os "iniciados" descobrem. Um exemplo: a Transpetro. Fatura tanto que apesar de ser empresa de transporte não consegue transportar tudo. O antigo senador do Ceará nem admite deixar o cargo. E Renan não deixa ele sair.
PS - Renó e Galvão não foram os que mais irregularidades cometeram. Mas também não foram os que cometeram menos. Vamos continuar mostrando que a PETROBRAS NÃO É NOSSA. E a lista do TCU em meu Poder, que constrangimento, que vergonha.
PS 2 - A lista do TCU é tão grande que tenho que dividi-la. Estão citados: ex-presidentes, ex-diretores e até mesmo atuais diretores poderosos e DONOS DA PETROBRAS.
Ruy Castro - Folha de São Paulo - link (aqui)
RIO DE JANEIRO - O poeta Ezra Pound dizia que era preciso manter a língua eficiente. Palavras corrompidas, usadas fora de contexto, e a substituição arbitrária e compulsória de umas por outras tornam a língua pobre, imprecisa, ineficiente. Com isso, produzem pensamentos frouxos, e a vida vai para o beleléu.
Ao agradecer, por exemplo, quase ninguém mais diz "Obrigado". O gato comeu o primeiro "o". Milhões agora gorgolejam um excruciante "Brigado". Não que isso seja novidade -apenas tornou-se uma regra não escrita. Naturalmente, o mesmo empobrecimento que produz o "brigado" impede que, se for uma mulher, ela diga "Obrigada".
Da mesma forma, quando alguém hoje nos lisonjeia com um "Obrigado" (ou seu correspondente "Obrigada"), abandonamos a resposta clássica, sóbria e elegante, "De nada" ou "Por nada". Em vez disso, cacarejamos "Imagina!" -como se ficássemos sinceramente ofendidos por alguém estar nos agradecendo. Há casos em que, não contente, a pessoa ejacula: "Magina!". Proponho o seguinte: se alguém nos diz "Brigado!", fica liberado o uso de "Magina!" -uma elocução merece a outra.
E o que dizer do "Com certeza!"? Há anos, mandou para o limbo uma variedade de opções, como "Claro!", "Sem dúvida!", "Evidente!" ou "Certo!", além do melhor e tão mais simples "Sim!". Jogadores de futebol, nas torturantes entrevistas que concedem ao fim da partida, são os grandes abonadores do "Com certeza!". Quase sempre, sem saber o que significa.
O locutor pergunta: "Fulaninho, vocês perderam por 10 a 0. Como será o próximo jogo?". O craque responde: "Com certeza. Agora é levantar a cabeça e trabalhar duro para vencer o próximo jogo e conquistar nossos objetivos". O locutor só pode agradecer: "Brigado!".
E o craque, retrucar: "Magina!".




