segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

"Adeus" - Maria Bethânia

Jamelão e Chico - "Piano na Mangueira"

Jamelão "Ronda"

Paulinho da Viola e Clara Nunes (1976)

Bar é arte


Toulouse Lautrec ( 1864 - 1901 )

Louis Pascal

Oil on board ( 1891 )

Musée Toulouse-Lautrec, Albi

Bar é crônica - Marina Colasanti


Marina Colasanti



Como é mesmo o nome?

(Marina Colasanti)



Levou o manequim de madeira à festa porque não tinha companhia e não queria ir sozinho.

Gravata bordeaux, seda. Camisa pregueada, cambraia. Terno riscado, lã. Tudo do bom. Suas melhores roupas na madeira bem talhada, bem lixada, bem pintada, melhor corpo. Só as meias um pouco grossas, o que porém se denunciaria apenas se o manequim cruzasse as pernas. Para o nariz firmemente obstruído, um lenço no bolsinho.

No relógio de ouro do pulso torneado, a festa já tinha começado há algum tempo.

Sorridentes, os donos da casa se declararam encantados por ter ele trazido um amigo.

— Os amigos dos nossos amigos são nossos amigos — disseram saboreando a generosidade da sua atitude. E o apresentaram a outros convidados, amigos e amigos de nossos amigos. Todos exibiram os dentes em amável sorriso.

Recebeu o copo de uísque, sua senha. E foi colocado no canto esquerdo da sala, entre a porta e a cômoda inglesa, onde mais se harmonizaria com a decoração.

A meia hilaridade pintada com tinta esmalte e reforçada com verniz náutico exortava outras hilaridades a se manterem constantes, embora nenhuma alcançasse idêntico brilho. Abriam-se os transitórios vizinhos em amenidades que o compreensivo calar-se do outro logo transformava em confidências. Enfim alguém que sabia ouvir. Relatos sibilavam por entre gengivas à mostra e se perdiam em quase espuma na comissura dos lábios. Cabeças aproximavam-se, cúmplices. Apertavam-se as pálpebras no dardejado do olhar. O ruge, o seio, o ventre, a veia expandida palpitavam. O gelo no uísque fazia-se água.

A própria dona da casa ocupou-se dele na refrega de gentilezas. Trocou-lhe o copo ainda cheio e suado por outro de puras pedras e âmbar. Atirou-se à conversa sem preocupações de tema, cuidando apenas de mantê-lo entretido. Do que logo se arrependeu, naufragando na ironia do sorriso que lhe era oferecido de perfil. A necessidade de assunto mais profundo levou-a à única notícia lida nos últimos meses. E nela avançou estimulada pelo silêncio do outro, logo úmida de felicidade frente a alguém que finalmente não a interrompia. No mais frondoso do relato o marido, entre convivas, a exigiu com um sinal. Afastou-se prometendo voltar.

O brilho de uma calvície abandonou o centro da sala e coruscou a seu lado, derramando-lhe sobre o ombro confissões impudicas, relato de farta atividade extraconjugal. Sem obter comentários, sequer um aceno, o senhor louvou intimamente a discrição, achando-a, porém, algo excessiva entre homens. Homens menos excessivos aguardavam em outros cantos da sala a repetição de suas histórias.

Não acendeu o cigarro de uma dama e esta ofendeu-se, já não havia cavalheiros como antigamente. Não acendeu o cigarro de outra dama e esta encantou-se, sabia bem o que se esconde atrás de certo cavalheirismo de antigamente. Os cinzeiros acolheram os cigarros sem uso.

Um cavalheiro sentiu-se agredido pelo seu desprezo. Um outro pela sua superioridade. Um doutor enalteceu-lhe a modéstia. Um senhor acusou-lhe a empáfia. E o jovem que o segurou pelo braço surpreendeu-se com sua rígida força viril.

Nenhum suor na testa. Nenhum tremor na mão. Sequer uma ponta de tédio. Imperturbável, o manequim de madeira varava a festa em que os outros aos poucos se descompunham.

Já não eram como tinham chegado. As mechas escapavam, amoleciam os colarinhos, secreções escorriam nas peles pegajosas. Só os sorrisos se mantinham, agora descorados.

No relógio torneado do pulso rijo a festa estava em tempo de acabar.

As mulheres recolhiam as bolsas com discrição. Os amigos, os amigos dos amigos, os novos amigos dos velhos amigos deslizavam porta afora.

Mais tarde, a dona da casa, tirando a maquilagem na paz final do banheiro, dedos no pote de creme, comentava a festa com o marido.

— Gostei — concluiu alastrando preto e vermelho no rosto em nova máscara —, gostei mesmo daquele convidado, aquele atencioso, de terno riscado, aquele, como é mesmo o nome?

Bar é arte


Gloria Coker

Dance in Blue

Acrylic on canvas ( 2006 )

Após a quarta dose - bar é prosa



Ela e o "por detrás"



(luiz alfredo motta fontana)



Entre a névoa do quinto uísque a observou.

Dançava como há muito não assistia, respondia, com breves meneios, cada florear da orquestra, sem perder, segundo sequer, a harmonia que esculpia o mover do corpo.

Passaram o resto da noite percorrendo o salão, como nos bailes de outrora, decretaram em silêncio que a noite tinha dono.

Esse o começo, antecipando o desnudar, constataçõ singela , que o surpreenderia, apenas o rosto envelhecera, adquirira olheiras sóbrias, que acompanhavam o frenesi do falar, e davam tom dramático a sua viuvez de longa data.

Após, esse início ao som de "New York, New York", em suave descontentamento, ouvindo frases e mais frases, quase que conexas, todas a respingar o "politicamente correto", percebera que o texto não acompanhava a imagem ou a música

Nesses momentos, notava a presença oblíqua, citada tacitamente, de "por detrás", velho conhecido da família, do tempo em que ela ostentava um belo rosto, no antes desassistido corpo, que renascia a cada noite compartilhada.

"Por detrás", nascera assim, chato, sem brilho, mas possuidor de vontade enorme, de teorizar sobre tudo, desde que o discurso soasse engajado em algum movimento que assistira distraído nos anos sessenta.

Na sua ausência, trocavam, ela e o "por detrás", longas tertúlias sobre a ética e a conseqüente falta de bons costumes.

Uma noite, entre copos baixos e gelo, ela, a senhora de corpo juvenil, avançou o sinal, ultrapassou a medida, resolveu o enquadrar em sua monótona visão de mundo, afinal ele parecia "poeta" frente ao mundo de injustiças, aquele mundo injusto, logo ali, após o bar.

Despediu-se dela, de pronto, ali mesmo no bar, como quem se despede do mordomo, não se queixou, não retrucou, apenas a deixou, perplexa em seu destino.

Por pouco tempo, afinal, encorajado com o que vira, o "por detrás", tomou coragem cívica e se candidatou, acredita-se na mesma noite

Hoje, ela e o "por detrás", promovido a "de lado", vivem felizes, desfilando suas teses, nem tão literálias, discursando sobre misérias, entre um gole e outro, do sagrado scotch de todas as noites.

Quanto a ele, por vezes sorri, afinal, distraídamente, cometera uma boa ação, reviveu o corpo, e trouxe um pouco de luz aquele rosto, de tantas sombras.

Bar é arte


Richard Young

Samba Celebration

Oil on stretched canvas ( 2007 )

Bar é crônica - Affonso Romano de Sant'Anna


Affonso Romano de Sant'Anna



A mulher madura


(Affonso Romano de Sant'Anna)



O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.

De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.

Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.

A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.

A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.

A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.

A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.

O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.

Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.

Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.

Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.

A mulher madura está pronta para algo definitivo.

Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.

A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.

Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.

Bar é arte


Donato Giancola

Luna: Goddess of the moon

Oil on paper mounted on panel

Bar é poesia - Ilona Bastos



Numa noite de luar



(Ilona Bastos)




Ligo a minha à tua alma

Numa noite de luar.

Tu, lá longe, tão distante…

Eu aqui, só, a sonhar.



Vejo a lua, face bela,

Que te espelha, meu amor.

Tu, lá longe, tão distante…

Olha a lua, por favor!



E do luar faz-se ponte

Que atravessa a escuridão.

Corre lépida, minh’alma,

A pousar na tua mão.



Suave luz, ténue lanterna,

Que te acorda a esperança.

Corre lépida, minh’alma,

A voar qual pomba mansa.



E fica linda a lua cheia,

Numa noite de luar -

Estão unidas nossas almas

Que se encontram para amar.

Lisboa, 9 de Junho de 1981

Bar é arte


Virgil Elliott

Nude with Satin

Pastel ( 1986 )

Após a terceira dose - bar é poesia




Como de hábito...



(luiz alfredo motta fontana)




A mão

em descanso

O pescoço

levemente tenso

O olhar

disperso

As pernas

cruzadas

O tempo

escorre em suave canto





Conjugamos conversar

displicentemente

Nas entrelinhas

pequenos detalhes

Conjugo absorver

hesito

em dúvida

Qual?

Qual destes?

tentando capturar todos

pequenos

reveladores

moveres

embebidos em sutilezas

prenhes de ti

Não ouso apontar nenhum

Adio o despir





Como de hábito...

Abraço-te no imaginário.

Bar é arte


Justin Hayward

Life Drawing

Oil on canvas

Bar é crônica - Paulo Mendes Campos


Paulo Mendes Campos




Rondó da mulher só


(Paulo Mendes Campos)


Estou só, quer dizer, tenho ódio ao amor que terei pelo desconhecido que está a caminho, um homem cujo rosto e cuja voz desconheço.

Sempre estive duramente acorrentada a essa fatalidade, amor. Muito antes que o homem surja em nossa vida, sentimos fisicamente que somos servas de uma doação infinita de corpo e alma.

O homem é apenas o copo que recebe o nosso veneno, o nosso conteúdo de amor. Não é por isso que o homem me atemoriza, quando aqui estou outra vez, só, em meu quarto: o que me arrepia de temor é este amor invisível e brutal como um príncipe.

Quando se fala em mulher livre, estremeço. Livre como o bêbado que repete o mesmo caminho de sua fulgurante agonia.

A uma mulher não se pergunta: que farás agora da tua liberdade? A nossa interrogação é uma só e muito mais perturbadora: que farei agora do meu amor? Que farei deste amor informe como a nuvem e pesado como a pedra? Que farei deste amor que me esvazia e vai remoendo a cor e o sentido das coisas como um ácido? É terrível o horror de amar sem amor como as feras enjauladas.

É quando o homem desaparece de minha vida que sinto a selvageria do amor feminino. Somos todas selvagens: são inúteis as fantasias que vestimos para o grande baile. Selvagem era a romana que ficava em casa e tecia; selvagens eram as mulheres do harém, as mais depravadas e as mais pudicas; selvagem, furiosamente selvagem, foi a mulher na sombra da Idade Média, na sua mordaça de castidade; mesmo as santas - e Santa Teresa de Ávila foi a mais feminina de todas - fizeram da pureza e do amor divino um ato de ferocidade, como a pantera que salta inocente sobre a gazela. E selvagem sou eu sob a aparência sadia do biquíni, olhando a mecânica erótica de olhos abertos, instruída e elucidada. Pois não é na voluntariedade do sexo que está a selvageria da mulher, mas em nosso amor profundo e incontrolável como loucura. O sexo é simples: é a certeza de que existe um ponto de partida. Mas o amor é complicado: a incerteza sobre um ponto de chegada.

Aqui estou, só no meu quarto, sem amor, como um espelho que aguarda o retorno da imagem humana. O resto em torno é incompreensível. O homem sem rosto, sem voz, sem pensamento, está a caminho. Estou colocada nesse caminho como uma armadilha infalível. Só que a presa não é ele - o homem que se aproxima - mas sou eu mesma, o meu amor, a minha alma. Sou eu mesma, a mulher, a vítima das minhas armadilhas. Sou sempre eu mesma que me aprisiono quando me faço a mulher que espera um homem, o homem. Caímos sempre em nossas armadilhas. Até as prostitutas falham nos seus propósitos, incapazes de impedir que o comércio se deixe corromper pelo amor. Quantas mulheres traçaram seus esquemas com fria e bela isenção e acabaram penando de amor pelo velhote que esperavam depenar. Somos irremediavelmente líquidas e tomamos as formas das vasilhas que nos contêm. O pior agora é que o vaso está a caminho e não sei se é taça de cristal, cântaro clássico, xícara singela, canecão de cerveja. Qualquer que seja a sua forma, depois de algum tempo serei derramada no chão. Os vasos têm muitas formas e andam todos eles à procura de uma bebida lendária.

Li num autor (um pouco menos idiota do que os outros, quando falam sobre nós) que o drama da mulher é ter de adaptar-se às teorias que os homens criam sobre ela. Certo. Quando a mulher neurótica por todos os poros acaba no divã do analista, aconteceu simplesmente o seguinte: ela se perdeu e não soube como ser diante do homem; a figura que deveria ter assumido se fez imprecisa.

Para esse escritor, desde que existem homens no mundo, há inúmeras teorias masculinas sobre a mulher ideal. Certo. A matrona foi inventada de acordo com as idéias de propriedade dos romanos. Como a mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita, muito docilmente a mulher de César passou a comportar-se acima de qualquer suspeita. Os Dantes queriam Beatrizes castas e intocáveis, e as Beatrizes castas e intocáveis surgiram em horda. A Renascença descobriu a mulher culta, e as renascentistas moderninhas meteram a cara nos irrespiráveis alfarrábios. O romancista do século passado inventou a mulherzinha infantil, e a mulherzinha infantil veio logo pipilando.

O tipos vão sendo criados indefinidamente. Médicos produzem enfermeiras eficientes e incisivas como instrumentos. Homens de negócios produzem secretárias capazes e discretas. As prostitutas correspondem ao padrão secreto de muitos homens. Assim somos. Indiquem-nos o modelo, que o seguiremos à risca. Querem uma esposa amantíssima - seremos a esposa amantíssima. Se a moda é mulher sexy, por que não serei a mulher sexy? Cada uma de nós pode satisfazer qualquer especificação do mercado masculino.

Seremos umas bobocas? Não. Os homens são uns bobocas. O homem é que insiste em ver em cada uma de nós - não a mulher, a mulher em estado puro ou selvagem, um ser humano do sexo feminino - o diabo, a vagabunda, a lasciva, o anjo, a companheira, a simpática, a inteligente, o busto, o sexo, a perna, a esportista... Por que exige de nós todos os papéis, menos o papel de mulher? Por que não descobre, depois de tanto tempo, que somos simplesmente seres humanos carregados de eletricidade feminina?

(O amor acaba: crônicas líricas e existenciais. 2a ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 63-65).

Comercial antigo - Natal Olivetti

Charge do dia



Ronaldo - Jornal do Commercio - Recife, PE

The new spate of Nazi films - The Times, uk - link (aqui)





December 22, 2008

There is a disturbing tendency in recent films to offer a sympathetic portrayal of servants of the Third Reich

Film "Valkyrie' (2008). An 2007 file photo originally provided by Germany's Babelsberg Studio shows Tom Cruise in the role of failed Hitler assassin Col. Claus Schenk Graf von Stauffenberg during filming of the movie "Valkyrie' which began shooting at the Babelsberg Studios near Berlin on July 19, 2007. Eleven extras were injured when they fell out of a truck during filming of the new Cruise movie, police said Monday, Aug.20, 2007. Cruise was not involved.

A spectre is haunting Europe. It wears jackboots, a swastika and a delicate tear-stained expression of angst-ridden introspection. And it's called the Touchy-Feely Nazi. It can be found in your local multiplex in a quartet of high profile movies - three of which are coming soon, one is already out - that take a fresh and sometimes bold new look at the Second World War almost exclusively and often sympathetically from the Nazi point of view. These movies are filled with stars (step forward Tom Cruise and Kate Winslet), they are primed for awardsseason kudos, and yet they speak of a profound and ultimately queasy shift in the way that we regard National Socialism, the Holocaust and Nazi Germany on screen.

Valkyrie is the biggest of these and stars Cruise as Colonel Claus von Stauffenberg, the leader of the failed plot to assassinate Hitler in July 1944, and a kind husband and father who hates the Führer just as much as he loves Germany. He's a man of action and nobility who is surrounded by a cast of equally honest souls, played with convincing sincerity by quality British actors such as Terence Stamp, Bill Nighy and Kenneth Branagh. In fact, with the exception of Hitler himself, and a few surrounding cronies, it's hard to find a nasty Nazi among them.

Then there's The Reader, with Winslet starring as Hanna Schmitz, a German tram conductor who becomes a concentration camp guard almost by default. She is, naturally, haunted by her part in the Nazi atrocities - and indeed Winslet plays her internal trauma with sterling conviction - but through her new relationship with a younger man (played by David Kross) and her love of literature, she has the chance to be partially redeemed.

We've already had The Boy in the Striped Pyjamas, which took a look inside the unfortunate family of the sensitive camp commandant David Thewlis, who nobly tried to shield his innocent son, Bruno (Asa Butterfield) from the horrors of the Final Solution. And still to come is Good, the story of a gentle German university professor, John Halder (played by Viggo Mortensen), who joins the SS simply because it's easier than remaining politically neutral. Naturally, when a close Jewish friend, Maurice (Jason Issacs), begins to feel the sharp end of Nazi rule John begins to regret his decision. But it's too little, too late.

What these films share is a common revisionist tone, and an urge to be taken seriously as morally mature storytelling. Indeed they were collectively applauded last month in Newsweek magazine for being “remarkable” and “more than black and white”, and for refusing to take an unambiguous stance on the ideological perils of living in Nazi Germany. “Look,” these movies seem to say, “being a Nazi wasn't that easy, and furthermore not everybody caught the bug.” Bryan Singer, the director of Valkyrie, was even more explicit when he announced recently: “Nobody wants to believe that all of a people are indoctrinated into evil, into murder and such hate. Nobody wants to believe that. So I think Valkyrie will be inspiring to people. I hope it will.”

And yet is there not a danger that this urge to redress the balance, and this desire to tell morally intriguing tales from the Nazi side, comes at a price? Richard Evans, Regius Professor of Modern History at Cambridge University and the author of the definitive Third Reich historical trilogy, certainly thinks so. “There is a tendency, perhaps derived from the sources that film-makers use for these films, to show everyone as being very rational and reasonable,” he says. “Whereas only Hitler and just a few people around him - the top-level Nazis - are seen as absolute raving maniacs. And the fact is that Nazi ideology did go fairly wide and deep.”

Evans elaborates further, and points to plot holes in some of these movies - the child protagonist in The Boy in the Striped Pyjamas, for instance, would have been well-versed in Nazi ideology and not the innocent that he was on screen. Von Stauffenberg, though clearly an icon to Cruise, had characteristics that would have made him wildly unpalatable to a modern audience, namely he was an anti-Semite and someone who held, “a mystical belief in an eternal sacred Germany”. However, the von Stauffenberg whom we meet on film is unquestionably heroic, and someone who meets his martyr's end with near Christ-like dignity.

Trudy Gold, the chief executive of the London Jewish Cultural Centre and senior lecturer in Jewish history, says that this revisionism is more sinister than just fact-fudging. “Personally, I find this need to explain Germany away very peculiar,” she says. “Obviously, when it comes to the Holocaust, it is important to understand the perpetrators, and the fact that they were human. But when you start approaching this gradation of evil, it becomes morally dangerous.”

The film-makers, naturally, are sensitive about being described as Nazi apologists, and Stephen Daldry, the director of The Reader, has been careful to distinguish between the atrocious actions committed by Hanna Schmitz (she locks hundreds of Jews in a burning church) and the essential humanity of her character. Similarly, Viggo Mortensen, the star of Good, says that the film is actually asking you, at every narrative step, to question your own moral judgments. Cruise, for his part, simply announced recently with classic Cruise-like idiosyncrasy: “When I was a kid I always wanted to kill Hitler.”

Nonetheless, the intellectual subtlety of these defences is often lost in the mechanics of a medium that's at the mercy of visual iconography (the leather coats, boots and swastikas all carry a giddy primal thrill - part of what Gold calls “the human compulsion to go to the dark side of the moon”). More importantly, a mainstream movie's essential need for empathetic protagonists will inevitably render saintly what was once demonic. “The question of who you empathise with in a film that involves people who, historically speaking, are difficult to empathise with is a very important one,” Evans says. “It does involves a certain simplification of moral complexities.”

It is thus ironic that the very same quality that distinguishes these movies - their ostensible moral complexity - is actually responsible for their moral simplicity. Their 21st-century need to see both sides of the story has, taken cumulatively, resulted in an unfortunate Nazi whitewash. And though their intentions may be clear and honest, these films and their film-makers are ultimately, like Blake's description of Milton, “of the Devil's party without knowing it”.

NAZIS ON FILM The story so far

Casablanca (Michael Curtiz, 1942)

Filmed while the outcome of the Second World War was very much undecided, Major Heinrich Strasser (played by Conrad Veidt, who himself fled Nazi Germany) is the model of eerie intimidation. “Do you mind if I ask you a kvestion?” he says, glaring at Humphrey Bogart’s Rick. “Vot is your nationality?”

The Young Lions (Edward Dmytryk, 1958)

Marlon Brando hams it up deliciously as the idealistic, blond-haired ski instructor with a penchant for the ladies who becomes a Nazi lieutenant stationed in Paris. He eventually asks for a transfer, is sent to North Africa and suffers a magnificent, spinning, rolling, bullet-ridden death scene.

Marathon Man (John Schlesinger, 1976)

Laurence Olivier is utterly sinister as Dr Christian Szell, a former concentration camp sadist, dubbed “the White Angel” of Auschwitz. In 1970s New York, he frets about his secret stash of diamonds, carries a retractable blade up his sleeve and can do terrifying things with a dentist’s drill. Remember,“Is it safe?”

Raiders of the Lost Ark (Steven Spielberg, 1981)

Major Arnold Toht (Ronald Lacey) is the giggling, leering, crazy-eyed SS hatchet man who calls women “Fräulein” and then tortures them with hot pokers. He meets an unfortunate end, however, when his screamingface is melted away by a floaty blue spirit from inside the Ark of the Covenant.

Schindler’s List (Steven Spielberg, 1993)

The banality of evil is masterfully underscored by Ralph Fiennes as Amon Goeth, a camp commandant who kills Jews for sport and because he can. Fiennes humanises Goeth with moments of eccentricity and doubt, but never once makes him sympathetic.

Bank of China furious at Deutsche debt move - The Independent, uk - link (aqui)


By Sean Farrell, Financial Editor
Monday, 22 December 2008

Investors in bank debt are threatening to boycott lenders that follow Deutsche Bank in breaking an unwritten rule and failing to exercise a call option on subordinated debt.

In a co-ordinated action, angry bond investors are writing to bank treasurers and investor relations heads telling them that any failure to exercise a call option will be considered a breach of trust that could cause all the issuer's debt to be shunned.

Deutsche stunned the debt market last week by choosing not to redeem €1bn (£932m) of subordinated lower tier 2 bonds because to do so was cheaper than refinancing. But though the move saved Germany's biggest bank up to €150m, it caused fury among buyers of the debt who worked on the assumption that bonds would always be redeemed at their first call date.

The letter, seen by The Independent, said a bank's decision not to call debt would be taken to mean "the institution is in such difficulty that it is an impossibility to call the instrument or the institution feels that it is in such a strong position that it can afford to alienate itself from the support of a wide portion of the fixed-income institutional investor community".

Bank of China, a major buyer of bank debt, has gone further in its communication with issuers. The giant Chinese lender's Hong Kong operation has told banks that "any non-call by a given institution will result in that institution's debt (not just lower tier 2 but senior and tier 1 as well) being ineligible for future investment consideration".

Bank of China added that Deutsche Bank had also been removed from consideration as a counterparty for any credit derivative transaction in future.

The bank is writing to all of Britain's banks, along with lenders elsewhere in Europe.

The bond buyers are stressing to issuers that they cannot afford to become debt-market pariahs when their capital buffers against losses are under threat from a global downturn and they may need to raise more capital. Without being able to issue debt, which counts as lower-grade tier 1 and tier 2 capital, institutions would be forced to seek costly new equity, angering their shareholders.

"Non-call may indeed save you some money today but it will seriously impact your capital structure options in the future," Bank of China warned. "Being only left with severely dilutive equity to raise capital is not in anyone's interest."

Deutsche Bank will be hoping that other banks follow its lead, giving it safety in numbers. The wave of threats from investors is intended to stop others opting to join Deutsche, and is the most hard-line response yet to the breaking of the debt-market code.

Refusing to call the debt means that the hybrid notes effectively become longer term and more risky than the investor originally assumed. Deutsche's decision caused the entire subordinated debt class to be repriced last week.

Warning of 2009 wave of retail bankruptcies - The Guardian, uk - link (aqui)





• Hundreds of high street names will go, says expert

• Sales down as stores bank on final Christmas rush

Hundreds of high street retailers will collapse next year despite a last-minute Christmas spending rush, a retail insolvency expert predicted last night.

The wave of bankruptcies caused by the recession will leave "big holes on the high street", and the failures are expected to include some of the most well-known names.

Nick Hood, a partner at insolvency specialists Begbies Traynor, warned: "There will be hundreds of smaller retailers going bust and up to 15 national and regional chains, including one or two that will really make your eyes water.

"Woolworths was no great surprise, but there are going to be some real 'Oh my God' moments, which will leave big holes in the high street."

Some of the biggest retailers are understood to have seen their sales crash by up to 30% and several have described the current trading conditions as the worst in memory.

The warning from Begbies Traynor - which says it is aware of 200 retailers with critical financial problems - came as shoppers flooded into shopping centres to snap up last-minute Christmas bargains.

As stores slashed prices by up to 70%, there was evidence that shoppers were, finally, being tempted to splash out. Jace Tyrell, of the New West End Company (NWEC), which represents retailers in London's Oxford St, Regent St and Bond St, described Saturday as "an exceptional day". According to NWEC 600,000 shoppers were out in London's West End on Saturday - up 18% on the same day last year.

Tyrell said: "It's interesting because the week was actually down by 1.6%, so I think people got paid on Friday and went out Saturday."

Research group Experian, however, disputed the big increase in shopper numbers, saying the number out on Saturday was down 8.4% across the country, compared to a year ago.

Sales at John Lewis were down 1.8% last week, compared with 2007, but a spokesman, Nat Wakely, said Saturday's takings were up 6% on a year ago as the crowds finally came out. The John Lewis figures, however, are flattered by its fast-growing online business. Internet retailers are generally performing far better than high street outlets and John Lewis.com has broken sales records for the past three weeks. The website is now raking in more than double the weekly takings of the group's flagship Oxford Street store.

Retailers are now hoping the coming two days will turn what looks like a disastrous Christmas into just a dismal one. The last time Christmas Day fell on a Thursday, five years ago, the Monday and Tuesday before were bumper sales days. "With Christmas Eve as well, it is like a five-day weekend," said Wakely.

If the gloomy prediction for the number of business failures proves correct it will mean thousands of job losses. One in 10 UK workers are employed in the retail sector.

Almost all high street retailers are suffering in the downturn. MFI, Rosebys and The Pier are among other retailers to have collapsed. Chains requiring financial intensive care include Zavvi and The Officers Club. Larger stores including Argos have all recorded big sales declines.

Financial crisis: Bank of England 'did not understand problem' - The Guardian, uk - link (aqui)


The Bank of England underestimated the severity of the current financial crisis, according to its deputy governor who has admitted that interest rates are only a "blunt instrument" with which to control the economy.

Sir John Gieve told the BBC's Panorama programme, to be screened tonight, that new tools are needed to complement rates. He also admitted that the Bank knew "crazy borrowing" was taking place and the price of houses and other assets was rising unsustainably, but did not fully understand the problem.

"We didn't think it was going to be anything like as severe as it's turned out to be," says Gieve, who is in charge of financial stability at the Bank. "Why didn't we see that it was so serious? I think that's because we, perhaps, we hadn't kept pace with the extent of globalisation. So the upswing here didn't involve the big increases in earnings and consumption and activity which we saw in previous booms. We saw the credit, we saw the house prices, but we did see a fairly stable pattern of earnings, prices and output."

Explaining why the Bank did not raise interest rates to curb the lending and house price boom, Gieve says: "If we'd used interest rates to try and address this asset-price credit growth, we would have been holding down the level of activity elsewhere in the economy, in manufacturing, in other services, holding down the level of employment at a time when consumer price inflation and earnings were stable and reasonably low. And people would have said, you know, 'this is a wilful reduction in the prosperity of the country'."

The Bank cannot just rely on interest rates to control the economy, he argues. "One of the main lessons from this is that we need to develop some new instruments which sit somewhere between interest rates, which affect the whole economy and activity, and individual supervision and regulation of individual banks," Gieve says.

"Maybe we need to develop something which bridges that gap and directly addresses the financial cycle and prevents the financial cycle and the credit cycle getting out of hand ... I think we need to complement interest rates, which are a blunt instrument - you set one interest rate for the whole economy - with something which is more financial-sector specific."

"This is a major storm we haven't seen the like of for 100 years," he adds. "It would be very surprising if we weren't learning lessons from it and we are."

Gieve also casts doubt on whether the Treasury will get all of the money back that it has poured into the banking sector, pointing to a "level of defaults" in the books of nationalised lenders Northern Rock and Bradford & Bingley, which are now held by the taxpayer.

Speaking on the same programme, John Varley, the chief executive of Barclays, predicts that consumers and businesses will struggle to access credit for the next one to two years.

Internet : Ce qu’on a vu en 2008 - Écrans, Libération, fr - link (aqui)


Une petite sélection maison des phénomènes qui ont accompagné l’année.

par Astrid Girardeau

tags : musique , sexe , publicité , vidéo , cinéphilie , photo , buzz , clip , mème , zombie

Sweet Gifs - DR

Internet en 2008 ? Google a soufflé ses 10 ans, The Pirate Bay ses 5. Firefox a continué son ascension, Facebook aussi. I-Tunes a vendu (en tout) plus de 5 milliards de fichiers, les DRM sont toujours bien vivants, et Jean-Yves Lafesse a gagné un procès. Internet se voit toujours traité de « Far-West » et « zone de non-droit ». Et les projets de contrôle, filtrage, et régulation ont gagné tous les pays (démocratiques). Ah oui, et l’amendement 138 a été voté à 88% par les députés européens.

Et toute cette année, encore, le Web a foisonné de phénomènes. Pour se terminer en grande pompe. Celles du journaliste irakien jetées à la tête de George W. Bush, une vidéo vue des millions de fois, immédiatement détournée en dizaines d’animations et de jeux (ici ou ici). Vous en redemandez encore ? Ca tombe bien, on a préparé une petite sélection maison. Pas de web sémantique, de SaaS ou de cloud-computing, ici. Encore moins la liste de tous les buzz. Mais un patchwork d’impressions pixelisées et de phénomènes qui, parallèlement aux 10 clics qui claquent, nous ont suivi et poursuivi tout au long de cette année. Envoyez les www !

Les images en grand

C’est le succès de l’année. Créé et lancé le 1er juin par Alan Taylor sur le site de The Boston Globe , le blog The Big Picture publie trois fois par semaine une série de 12 à 32 photographies sur un thème d’actualité (guerre, sport, etc.). Particularité : les images s’affichent dans une seule page, en haute résolution et en très grand format. (lire l’interview d’Alan Taylor)

-> http://www.boston.com/bigpicture/

Le Rick Roll ne vous laisse pas tomber

« Never Gonna Give you Up, never let you down... ». Si vous n’avez pas entendu ces paroles ces derniers mois, c’est que soit : 1/ Vous n’avez pas Internet, 2/ Vous n’avez pas Internet. Le Rick Roll consiste à renvoyer vers le clip du fameux tube (1987) de Rick Astley sous prétexte de faire un lien vers une vidéo attrayante (par exemple une sex-tape de Scarlett Johansson). La vidéo d’origine a été vue près de 10 millions de fois, et sorti de sa retraite, le chanteur a été élu Artiste Culte aux derniers MTV European Music Awards.


-> http://www.youtube.com/watch ?v=oHg5SJYRHA0

Les films aux trésors

Montrer au plus grand monde des raretés du patrimoine cinématographique. Des films « créés, à l’origine, pour leur capacité d’émerveillement, pour faire entrer les gens dans les salles, procurer du plaisir, faire rire, faire pleurer, certainement pas pour être des objets muséographiques ou des sujets d’analyses sémantiques ou scolaires ». C’est le pari réussi de Serge Brombert, à l’origine de ce projet, fruit d’un partenariat entre trente-sept fonds d’archives et cinémathèques d’Europe. (lire l’article et l’interview de Serge Brombert)

-> http://www.europafilmtreasures.fr

Epidémie de zombies


Annoncée en 2007, l’épidémie zombiesque a été sans pitié en 2008. D’abord joyeusement déclinée par des adeptes du genre, elle a été récupérée comme icône tendance, un comble pour ce lumpenproletariat des morts-vivants. Parmi les réussites, The Outbreak, un petit film interactif en ligne, où vous devez trouver comment échapper à une invasion de verts.

-> http://www.survivetheoutbreak.com/

Du porno au boulot

Une scène de film porno (quelques acteurs aux positions et expressions explicites) et quelques retouches rapides colorées sur les zones « sensibles », et vous obtenez une image SFW Porn (SFW pour Safe For Work). C’est à dire un détournement drôle et inoffensif regardable au boulot. Le phénomène a été récupéré et médiatisé par une publicité en ligne pour la marque Diesel (ci-dessous).





On peut également citer le projet PG Porn de James Gunn qui réalise des films reprenant tous les codes du porno, mais sans les scènes sexe. Pour dit-il « apprécier vraiment l’histoire, le jeu des acteurs et la réalisation ». Voir le premier épisode ci-dessous.


James Gunn PG-PORN (Partie 1) - DR

-> http://encyclopediadramatica.com/SFW_Porn
-> http://www.pgporn.tv

Revival du GIF

Petite animation obtenue à partir d’une succession d’images, les gifs animés ont connu leur heure de gloire à la fin des années 90, avec de l’explosion des pages personnelles. Ah, les logos en flamme...

On les croyait disparus mais tels un Début de Soirée ou un NTM, le destin leur a donné une deuxième chance. Avec à côté des listes de gifs kitchs et absurdes (et qui l’assument), des sites d’artistes comme Sweet Gifs ou I love your GIF.

-> http://loopable.wordpress.com/
-> http://www.sweetgifs.com/
-> http://desvirtual.com/gif/

Paru dans Libération du 20/12/2008

Sur le même sujet : Les dix clics qui claquent, une sélection totalement subjective des sites de l’année.

Toyota prévoit une perte d'exploitation de 1,22 milliard d'euros - Libération, fr - link (aqui)

22 déc. 8h43

Le constructeur automobile japonais revoit sérieusement ses objectifs à la baisse et annonce la première perte d'exploitation de son histoire.(Reuters)

Le géant japonais Toyota Motor a annoncé aujourd'hui qu'il prévoyait de subir lors de l'exercice 2008-2009 la toute première perte d'exploitation de son histoire.

Pour l'exercice qui se terminera fin mars prochain, Toyota prévoit une perte d'exploitation de 150 milliards de yens (1,22 milliard d'euros), a annoncé son PDG Katsuaki Watanabe lors d'une conférence de presse à Nagoya (centre).

Auparavant, le groupe tablait sur un bénéfice d'exploitation de 600 milliards. Si les prévisions de Toyota se réalisent, ce sera la première fois que son compte d'exploitation tombe dans le rouge depuis qu'il a commencé à publier des résultats financiers, en 1940.

"L'environnement qui nous entoure est de plus en plus difficile. C'est une situation d'urgence sans précédent", a déclaré Katsuaki Watanabe.

Toyota a en outre divisé par dix sa précédente prévision de bénéfice net (qui ne datait que de fin octobre). Il ne prévoit plus pour cette année que 50 milliards de yens, au lieu de 550 milliards.

En raison de la chute du marché automobile aux Etats-Unis, en Europe et au Japon, les ventes de Toyota ne devraient s'élever ce exercice qu'à 7,54 millions de véhicules dans le monde, contre 8,91 millions en 2007-2008.

Nicolas Sarkozy au Brésil pour un dernier sommet de l'UE - Le Figaro, fr - link (aqui)


J.C. (lefigaro.fr) avec AFP
22/12/2008 | Mise à jour : 10:59
Nicolas Sarkozy et son homologue brésilien Luiz Inacio Lula da Silva, ici en février dernier.
Nicolas Sarkozy et son homologue brésilien Luiz Inacio Lula da Silva, ici en février dernier.

Le président français doit signer plusieurs contrats d'armement et lancer l'année de la France au Brésil. Il enchaînera avec quelques vacances dans la famille de son épouse.

Pour la fin d'année, Nicolas Sarkozy a décidé de placer son séjour au Brésil sous le signe du travail, mais aussi de la détente. Le président est tout d'abord attendu à Rio de Janeiro lundi et mardi, pour un sommet entre l'Union européenne et le Brésil. Son dernier sommet en tant que président des Vingt-Sept.

Le président de la Commission européenne José Manuel Barroso devrait affirmer son soutien à l'idée défendue par le Brésil de renforcer le poids des pays d'Amérique du Sud et des pays émergents dans la future architecture financière mondiale. Concernant la lutte contre le réchauffement climatique, un contrat pourrait être signé entre la Banque européenne d'investissement (BEI) et, côté brésilien, la Banque nationale pour le développement économique et social (BNDS) pour financer jusqu'à 400 millions d'euros de projets.

Les biocarburants, dont le Brésil est un gros producteur, devraient également être évoqués. Le président brésilien Luiz Inacio Lula da Silva plaide pour l'élimination des barrières à l'éthanol à base de canne à sucre, dont son pays est le 2e producteur mondial derrière les Etats-Unis qui eux le fabriquent à base de maïs.

Autres thèmes du sommet : la réforme des Nations unies. Le Brésil souhaite devenir membre permanent du Conseil de sécurité. Un projet appuyé par la France, l'Allemagne ou le Royaume-Uni mais rejeté par d'autres pays comme l'Italie ou l'Espagne.

Ce sommet - le 2e après celui qui s'était tenu fin 2007 à Lisbonne - sera suivi mardi par une visite officielle bilatérale au cours de laquelle plusieurs contrats devraient être signés.

Pour l'occasion, Nicolas Sarkozy sera accompagné notamment d'une trentaine de chefs d'entreprise, ainsi que de Bernard Kouchner et d'Hervé Morin.

Hélicoptères et favelas

Le Brésil pourrait acheter à la France quatre sous-marins à propulsion classique de type Scorpenes. A plus long terme (horizon 2020), Paris pourrait prêter son assistance en vue de la conception et de la fabrication d'un sous-marin brésilien à propulsion nucléaire et d'une base de sous-marins.

Rio pourrait également acheter une cinquantaine d'hélicoptères, avec un partenariat de coproduction sur place et la création d'une ligne de fabrication entre Eurocopter et Hélibras.

Côté civil, Paris regarde également du côté du développement d'un TGV entre Rio et Sao Paolo.

Lundi soir, le président assistera au concert de lancement de «l'année de la France» au Brésil. Quant à Carla Bruni-Sarkozy, elle donnera à sa visite une connotation plus sociale : la Première dame doit visiter lundi un hôpital et une favela accrochée aux collines de Copacabana. L'ex-mannequin vedette assistera par ailleurs à un défilé de mode éthique.

Le couple présidentiel, qui sera logé à Rio dans un palace de Copacabana, doit ensuite passer les fêtes auprès du père biologique de Carla Bruni-Sarkozy, installé de longue date dans le pays. Les Sarkozy resteront sur place jusqu'au 29 décembre.

La liste des fonds pris au piège de Madoff - Le Figaro, fr - link (aqui)



Carole Papazian
22/12/2008 | Mise à jour : 08:59

De nombreux OPCVM touchés par l'escroquerie sont désormais gelés. «Le Figaro» dévoile une première liste de produits contaminés.

Combien sont-ils ? Et qui sont-ils ? En annonçant la semaine dernière qu'un peu plus de 500 millions d'euros d'actifs étaient exposés au risque Madoff au sein des fonds de droit français, l'AMF (Autorité des marchés financiers) a suscité bien des questions. D'autant qu'elle précisait qu'une trentaine de fonds ouverts au public étaient concernés sans en donner la liste.

Depuis circulent des noms, vrais ou faux, de fonds qui seraient pris au piège de Madoff. Voici une première liste des fonds concernés par l'escroquerie de l'année. Elle n'est pas exhaustive, nous ne publions que les noms de ceux que nous avons pu vérifier. Certains produits financiers le sont à dose homéopathique, comme par exemple VP Alternatif, un fonds de fonds alternatif de la société VP Finance, qui était investi à 0,93 % en novembre chez Madoff par l'intermédiaire de la sicav luxembourgeoise Luxalpha.

L'AMF a recommandé aux sociétés de gestion de geler les souscriptions et rachats sur les fonds dont le risque Madoff représente plus de 5 % des actifs. C'est ce qu'a fait Rothschild et Cie Gestion sur le fonds Elite, qui est commercialisé par le réseau de conseillers en gestion de patrimoine Anthea. Le fonds était en effet investi à hauteur de 22,78 % de son actif dans Luxalpha American Selection, une sicav de droit luxembourgeois gérée jusqu'à très récemment par UBS. «Cette suspension sera maintenue jusqu'à la fourniture par UBS de plus amples informations», écrit Rothschild et Cie Gestion à ses clients.

Chez Fortis, deux fonds diversifiés majoritairement distribués par des conseillers en gestion de patrimoine sont touchés eux aussi via Luxalpha. «Le risque Madoff représente 12,5 % des actifs de Libertis, soit 140 000 euros, et 14,5 % de ceux d'Objectis, soit 3,4 millions d'euros», explique Michel Lacomme chez Fortis Investments.

Chez Ofi Asset Management, le fonds Oval Alpha Palmarès reste, lui, ouvert. «Le risque Madoff représente 3,7 % des actifs, précise Thierry Callault, nous n'avons pas gelé la valeur liquidative, mais nous avons valorisé à zéro cette position.»

Plusieurs sociétés envisagent de faire un side pocket sur les fonds affectés. Un décret paru samedi au Journal officiel permet de mettre en œuvre cette procédure. «Cela consiste à faire une scission de l'OPCVM impacté en séparant les actifs liquides des actifs dont la valorisation est impossible. Ainsi, les porteurs de parts pourraient retrouver de la liquidité sur une partie de leurs investissements», explique Denis Faller chez Rothschild et Cie Gestion.

Poupées russes

Les Français qui ont perdu de l'argent dans l'affaire Madoff ne l'ont pas tous perdu de la même façon. Les plus fortunés, souvent via des family offices, ont investi directement chez Madoff. D'autres ont acheté des sicav de leur banque, qui ont investi dans des fonds luxembourgeois (Luxalpha) ou irlandais (Thema International) exposés. Une troisième strate de clientèle peut être touchée indirectement par un mécanisme de poupées russes. Ainsi, 5,27 % du fonds AGF Équilibre, un fonds profilé classique, était par exemple investi dans un autre fonds du groupe Allianz (Phénix Alternative Holdings) au 30 septembre. Or, Phénix avait placé une faible partie de ses actifs auprès de Madoff…

Au bout du compte, des particuliers risquent donc de se retrouver avec du Madoff sans le savoir. Mais heureusement, pour le plus grand nombre, le risque ne devrait représenter que 1 à 2 % de leurs investissements. Une perte peu significative face au krach boursier.

Vers un déficit record pour la Sécurité sociale - Le Figaro, fr - link (aqui)



Jérôme Bouin (lefigaro.fr)
22/12/2008 | Mise à jour : 09:13
Le ministre du Budget, Eric Woerth, ici au second plan derrière Roselyne Bachelot, avait évoqué un déficit de l'ordre de 80 milliards d'euros pour 2009.
Le ministre du Budget, Eric Woerth, ici au second plan derrière Roselyne Bachelot, avait évoqué un déficit de l'ordre de 80 milliards d'euros pour 2009.

Le trou du régime général pourrait atteindre entre 15 et 20 milliards d'euros en 2009, selon La Tribune. Conséquence : les comptes publics devraient afficher un déficit proche de 100 milliards d'euros.

«Les comptes de la France vont plonger». C'est ce qu'annonce lundi le quotidien économique La Tribune. Alors que le ministre du Budget Eric Woerth expliquait la semaine dernière aux députés que le plan de relance de l'économie française porterait le déficit budgétaire à 79,3 milliards d'euros en 2009, soit 3,9 % du PIB, La Tribune évoque de son côté un déficit proche de 100 milliards d'euros. Principale explication à ce chiffre : l'envolée du déficit du régime général de la Sécurité sociale. Prévu à 10,5 milliards d'euros, celui-ci devrait atteindre 15 à 20 milliards d'euros en raison notamment «du ralentissement très marqué de la progression de la masse salariale». Crise oblige, les cotisations basées sur les salaires risquent d'évoluer très faiblement l'année prochaine. La Tribune s'appuie sur une note de l'Agence centrale des organismes de Sécurité sociale (Acoss), «la banque de la Sécu», qui envisage une progression de la masse salariale de 1,8 % au premier trimestre 2009, alors que le gouvernement envisage dans le même temps une progression de 2,75 % sur l'année entière. La Tribune rappelle qu'en 1993, la récession avait été marquée par une stagnation de la masse salariale. Un scénario qui pourrait se reproduire, indique au journal un spécialiste des comptes sociaux, et qui pourrait se traduire par un manque à gagner de 5 milliards d'euros pour la Sécu en 2009.

Autre élément qui risque de plomber le déficit de la Sécurité sociale : l'abandon de la hausse des cotisations vieillesse. Une telle hausse devait rapporter 1,8 milliards d'euros au régime général. La Tribune anticipe également une progression moindre des revenus du capital, «essentiellement la CSG». Sans compter que le seul déficit 2008 devrait lui aussi subir l'impact de la crise.

«5 points de PIB» en 2009

Avec un déficit de la Sécu de l'ordre de 15 à 20 milliards d'euros, c'est l'ensemble des comptes publics qui devraient se trouver affectés. Le quotidien anticipe également une progression du déficit des collectivités locales ou encore une modération des rentrées fiscales. La Tribune évoque donc un déficit de l'ordre de 100 milliards d'euros en 2009. Pour rappel, celui-ci devait atteindre 57,6 milliards selon les prévisions de l'État datant du mois de novembre, puis 80 milliards selon les chiffres donnés la semaine dernière par Eric Woerth. Un chiffre qui tient compte de l'impact du plan de relance de l'économie.

Au total, le solde public français, qui comprend les comptes de l'État, de la Sécurité sociale et des collectivités locales, pourrait atteindre les cinq points de produit intérieur brut en 2009, contre 3,9 prévus initialement. Un chiffre qui coïncide avec celui cité la semaine dernière par le rapporteur du budget au Sénat, l'UMP Philippe Marini. Concernant le déficit des comptes, le socialiste Didier Migaud expliquait de son côté : «on va tangenter les 100 milliards». Il pourrait bien avoir raison.

Il drago cinese ha i piedi d'argilla - La Stampa, it - link (aqui)

22/12/2008 - PECHINO E LA RECESSIONE GLOBALE

ENZO BETTIZA

Il colosso americano e il drago cinese, sui quali i maggiori esperti tendono a focalizzare l’attenzione in questa disastrosa fine d’anno, sarebbero secondo loro i due bersagli più esposti ai virus della grande crisi innescata dai crolli finanziari del 2008. I termini di paragone, le prognosi analitiche, nonché le drastiche ipotesi terapeutiche sono allarmanti e inquietanti. Quale dei due giganti riuscirà a resistere meglio ai contraccolpi e ad affrontare con più inventiva il fosco futuro?

Fino a che punto la vitalità produttiva dell’America si sia inabissata, dopo il secondo venerdì nero della sua storia, si è ben visto nel momento in cui il presidente Bush, contrariando il Congresso, ha deciso di salvare dalla bancarotta totale la General Motors e la Chrysler con un’iniezione straordinaria di 17 miliardi e 400 milioni di dollari. Di fatto si tratta di un prestito ponte, una flebo di sopravvivenza, concessa in extremis e a tempo breve ai due maggiori simboli storici e d’immagine della potenza industriale americana. I due dinosauri dell’auto, che danno lavoro a milioni di persone, otterranno così il volatile carburante di una bancarotta protetta; se entro tre mesi non riusciranno a rimettersi in piedi, riducendo le loro dimensioni e accettando schemi contrattuali di tipo giapponese, dovranno restituire i soldi del prestito e trapassare dal coma assistito alla morte secca. Toccherà all’amministrazione Obama il compito, parimenti ingrato, di certificare il decesso o di puntellare la fragile convalescenza dei due grandi malati di Detroit il cui management, fallimentare, non è stato mai particolarmente vicino al cuore dei democratici. La crisi dell’auto non è che una delle punte più visibili, ancorché più impressionanti, di una generale situazione d’incertezza economica e disagio sociale che, nei prossimi anni, in America e di riflesso in Occidente potrebbe aggravarsi con ricadute incontrollabili.

Come si presentano, al confronto, le economie emergenti dell’Asia? Qui il discorso comparativo, più che sui chiaroscuri dell’India, deve in particolare incentrarsi sulle formidabili vampate e zampate del drago cinese.

Almeno fino al costosissimo spettacolo delle Olimpiadi d’agosto, che fu anche una dimostrazione tangibile di miracolo economico, la Cina neocapitalista, seconda potenza militare del pianeta, pareva avviata alla conquista anche del secondo posto nella gerarchia dei mercati. Appariva come l’astro guida della globalizzazione confuciana. Non a caso, proprio in questi giorni di crisi, dopo lo sfarzo e lo sforzo delle Olimpiadi il partito comunista ha voluto celebrare alla grande, con esibizioni artistiche, concerti, discorsi fluviali, il trentesimo anniversario delle «quattro modernizzazioni»: la famosissima svolta pragmatica e riformatrice con cui nel 1978 Deng Xiaoping liberò la Cina dal maoismo e aprì al mondo e al benessere un quinto recluso e misero dell’umanità.

Oggi l’economia cinese è quasi nove volte più cospicua di quella del 1978. Il reddito medio pro capite è cresciuto di otto volte. Migliaia di «comuni del popolo», di orwelliana matrice maoista, sono state smantellate e centinaia di milioni di contadini hanno ottenuto in concessione demaniale, con contratti di lungo periodo, la terra degli avi. Al tempo stesso 150 milioni di cinesi si sono trasferiti dalla campagna nelle prosperose città del Pacifico e già nel 2001, secondo stime attendibili, 400 milioni sono usciti dalla povertà. Di materia celebrativa, degna di paragone ai massimi livelli dopo tre decenni di riforme e di successi, ce n’era e ce n’è in verità ancora tanta. Basterà ricordare un eccezionale dato di confronto e di compenetrazione finanziaria con l’America. Le enormi eccedenze di bilancio della Cina, rispetto al massiccio deficit di Washington, sono tali da far dire al politologo Will Hutton che la Cina è il sostegno su cui si appoggia l’edificio della finanza americana: «Gli Usa non potrebbero sostenere un deficit di 800 miliardi l’anno se l’acquisto di obbligazioni e buoni del Tesoro americano da parte cinese non fosse così ingente».

Le ombre comunque non mancano. Proprio l’intreccio di forza e di debolezza è il contrassegno, tipico della Cina nel XXI secolo, che spinge gli osservatori obiettivi come Hutton a definirla «drago dai piedi d’argilla». Nonostante le feste celebranti le «quattro modernizzazioni» (cui manca ancora la quinta, democratica), i pericoli sempre più insidiosi e ravvicinati della crisi finanziaria, ormai intercontinentale, non potevano non occupare la mente dei dirigenti del partito unico già impegnati, d’altronde, a contenerne i primi guasti. Il colpo inferto dalla crisi alle esportazioni cinesi, circa il 70% del Pil, è rimbalzato su migliaia di piccole e medie imprese che costituiscono l’ossatura della più impressionante trasformazione economica della storia. Esse hanno dovuto ridurre l’enorme produzione per l’estero incrementando, con i licenziamenti, una disoccupazione che già ai tempi aurei del boom (10% di crescita l’anno) saliva a 170 milioni di lavoratori privi di protezione sindacale. La Banca Mondiale teme che la crescita per il 2009 potrà scendere al 7,5%: livello paventato dai superstiziosi controllori politici delle statistiche perché, sotto l’8%, potrebbe ingrossare ancor più l’esercito dei disoccupati, degli scontenti, dei derelitti arrabbiati, provocando frustrazioni e pregiudicando la pace sociale.

Scioperi, jacqueries contadine, proteste di piazza contro dirigenti regionali corrotti e arricchiti, frequenti fin dal 1994, potrebbero farsi più selvaggi nel 2009 che pure alla Cina promette non pochi disagi e difficoltà. Frattanto molte industrie, statali e private, cercano di sostituire il prosciugamento dei mercati esteri con il mercato interno, e le opzioni merceologiche si vanno adattando nella scelta e nella qualità alla domanda dei consumatori indigeni. Se, dopo il calo delle esportazioni, questa valvola di sfogo e di compensazione funzionerà in un mercato ad alto potenziale demografico, il più vasto del mondo, la Cina potrà contare su una cintura di sicurezza anticrisi di cui altri Paesi, in Occidente e in Asia, sono sprovvisti. Ma, da un altro lato, la cura di un gigantesco mercato interno rischia di trovare, proprio nel protezionismo, il nemico di quella politica d’apertura al mondo e alla globalizzazione su cui l’esplosiva Cina post-maoista ha costruito, in un crescente divario tra ricchi e poveri, tutte le sue fortune e il suo sviluppo nella modernità. Il protezionismo degenera spesso e fatalmente nel nazionalismo, nella chiusura, nell’ostilità xenofoba. La Grande Muraglia, che circonda Pechino, potrebbe acquistare al di là del valore archeologico un rinnovato e negativo significato ideologico.

La recessione, con le sue ripercussioni anche sulle aspettative democratiche della Cina, porterà facilmente l’acqua al molino delle fazioni più reazionarie e statolatriche del partito comunista. Fino a ieri esse si vantavano di aver favorito, controllando gli eccessi della libertà economica, un innesto ordinato di stimoli capitalisti nel corpo «socialista» del Paese. Domani potrebbero vantarsi di aver rafforzato le virtù endogene del mercato interno all’ombra di un sano nazionalismo. Si apre così davanti ai rischi d’arresto della crescita, con l’instabilità sociale e politica che ciò comporta, un ulteriore terreno di dissidio e di scontro tra conservatori e innovatori all’interno di un partito bicefalo e più che mai incerto sulla via da imboccare. Sarà insomma da vedere se i riformisti, che hanno ancora molte frecce al loro arco, saranno in grado di dare alla Cina nel vortice della crisi un’uscita di sicurezza tale da stupire un po’ tutti: gli americani, gli indiani, i giapponesi, gli europei e, in particolare, i colleghi veterocomunisti del loro stesso partito. Mai dimenticare che Pechino resta sempre la capitale più imprevedibile del pianeta.