segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Maysa - "Chuvas de Verão"

maria bethânia- negue

"Marimbondos de fogo", o retorno - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)

19/01/2009

Sarney informará a Lula que é candidato no Senado

Alan Marques/Folha
Depois de muito vaivém, Lula receberá José Sarney (PMDB-AP) nesta segunda (19). O encontro está agendado para 19h.

Vai à mesa a disputa pela presidência do Senado. Em quatro conversas anteriores, Sarney dissera a Lula que não seria candidato.

Agora, dirá que mudou de idéia. Alega que está sofrendo intensa pressão do PMDB. É lorota.

Açulado por Renan Calheiros (PMDB-AL), Sarney move-se como candidato desde sempre. Informado acerca das intenções do "aliado", Lula já ensaiou a resposta.

O presidente dirá ao senador que já não tem como pedir a Tião Viana (AC), o candidato do PT, que retire a candidatura dele.

Assim, a menos que Sarney recue, desenha-se no Senado um embate entre PMDB e PT, os dois maiores partidos do consórcio governista.

Sarney começou a retirar a candidatura do armário na semana passada. Deu-se na quinta-feira (15).

Nesse dia, segundo apurou o repórter, Sarney disse à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) que a pressão que o PMDB exerce sobre ele é grande.

Pretextou também questões regionais. Seus inimigos na política maranhense o estariam fustigando. E convém a ele se reposicionar em Brasília.

Dilma levou o lero-lero de Sarney aos ouvidos de Lula, que decidiu tomar distância da disputa do Senado.

No final de semana, em entrevista ao blog, Tião Viana dissera, em timbre peremptório: "Se ele [Lula] pedir [a retirada da candidatura], minha resposta será negativa".

Tião afirmara, de resto: "Não tenho o menor receio [de disputar com Sarney]. Ele é senador como eu. Vamos ao voto".

Na manhã desta segunda (19), alertado para a disposição de Sarney, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) dobrou os joelhos.

Disse que não tem como medir forças com Sarney no PMDB. Deu a entender que vai retirar sua recandidatura.

Resta saber agora se Sarney levará às últimas consequências a disposição de concorrer.

O senador trabalhava com a perspectiva de que Lula interviesse em seu favor. Sonhava com a candidatura única.

Escrito por Josias de Souza às 16h12

Tom Jobim canta "Eu Sei Que Vou Te Amar"

Eu Sei Que Vou te Amar

Composição: Vinícius de Moraes

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

Ivana Domenico - "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas"

Apelo - Elizeth Cardoso e Raphael Rabello

Márcia - "Ronda"

Bar é arte



Patty Vicknair

Carnival Clown

Oil painting

Após a terceira dose - bar é poesia



A menina e o samba



(luiz alfredo motta fontana)



Não lembre menina

Não pense menina

apenas desfile

Cante

acompanhe o tamborim

acene ao mestre-sala

Sorria

mais que isso

ria

em agudo tom

Lave a alma

brilhe o corpo

trance os pés

e gingue

Essa noite

é teu meu carnaval

dance!

Bar é arte



Richard Young

Poise in Silhouette

Oil on stretched canvas ( 2008 )

Bar é poesia - Affonso Romano de Sant'Anna


Affonso Romano de Sant'Anna




Limitações do flerte


(Affonso Romano de Sant'Anna)



Que fim levaram aquelas
que flertamos nos bares,
esquinas e aeroportos?
Não aquelas que levamos
ao restaurante, parques
e camas, mas aquelas tocadas
num leve aceno, de longe,
corpo fluindo e morrendo
na ponte aérea do instante.

Mas por que pensar nas distantes
que nem tocamos na mão ou fronte?
Preferimos jogar com a ausente?
É essa a nossa concreta fonte?
Como se vê, não adianta, não se aprende.
A gente aqui pensando nas que flertamos
de leve, em dois minutos intensos,
entre um sorriso e o gesto frustro,
enquanto, perto, pisamos brutos
o calcanhar da que está junto,
ou pulamos na jugular
da que nos cobre de frutos,
olhando por sobre os muros
as que ondeiam seus bustos
sobre a linha do horizonte.

- Amar com os olhos é mais fácil
e anônimo? - É mais fútil? É declarar
por telefone, apenas com um fio
de voz que enrosca os corpos e mentes,
ou melhor, numa vaga prolação, sem dormente
ou trilho que leve o trem-passageiro
ao outro corpo-estação.

Mas como é vegetativo esse amar plantado,
esgalhando o olhar furtivamente. A isso,
prefiro carnívoras plantas que se abraçam
e num sufoco se esmigalham deixando ao chão
sementes em que piso, convertendo a morte havida
em refluir de raízes.
Flertar é texto-antigo, é bordar caligrafias
quando há guerra e telegramas. Flertar é prefácio
e eu quero logo desfolhar o livro. Flertar é usar
binóculos
devastando camarotes oblíquos
quando o drama está no palco
- e em nossos corpos aflitos.
Amar assim tão voyeurista, é tão perverso
como amar só por carta, com a caneta em riste
e triste
é pior que conhecer estrela só na foto,
é apenas vê-la de luneta, correr atrás de um cometa
É chamar a fêmea sem macho
na padaria. É cear ante um retrato
e uma cadeira vazia.

Isto de amar de longe, só com os olhos,
não é sequer ir à caça. É ir à exposição
de animal de raça. É ver decoração em loja,
olhar por trás da vitrina um feriado que passa.

É coisa de telegrafista ou coisa de mau amador
de rádio, ouvindo só os ruídos
do outro lado da antena e cama.
Não é tocar de ouvido partitura desconhecida.
O músico, nisso, é o contrário, vai mais fundo
pois pega com as mãos e arpeja
a música com os dedos.

E eu tenho essa mania de amar como o invasor
pulando os muros de Roma, como o astronauta
se acolchoando na câmara, como o casulo
se entretecendo no claro-e-escuro,
enfim, como a gavinha da barroca parreira
crescendo a sede das vinhas.

Um amar estabanado, como a criança quebrando
o delicado brinquedo e derramando a alma
dos pichos sobre o tapete do medo.

Comigo é assim:

ficar olhando não basta. Vou logo
precipitando borrasca e estrela.
Que se cuide o olhar alheio quando
olho com o corpo inteiro, porque alojo fácil,
peço café e pijama, e fico pastando
com esse olhar de boi manso
no breve espaço da cama.

Comercial Antigo - ERONTEX

Charge do dia


Aroeira - O Dia - Rio de Janeiro, RJ

Brazil church collapse kills seven - The Times, uk - link (aqui)




January 19, 2009
The collapsed roof of Renascer church in Sao Paulo

(Reuters/Agencia Globo )

The collapsed roof of the Renascer church in Sao Paulo

Image :1 of 2

A search is underway in Brazil for survivors after a church collapsed yesterday, killing at least seven worshippers and injuring 57 others.

A service had just finished at the evangelical Reborn in Christ Christian Church, in Sao Paulo, when the roof suddenly collapsed, crushing many of those inside. Only minutes earlier there had been over 1000 people inside the church, which can hold up to 3,000.

Witnesses, who described chaos as worshippers tried to flee in panic, said scores of people were lingering between two weekend services when the roof fell in at about 7pm.

"There was a huge noise and then people started running everywhere. I saw a lot of people hurt, a lot of panic, screams and chaos ... then there were various efforts to save the people trapped under the rubble," one man told Brazilian media.

Others described a "strong wind" blowing through the church in the minutes before it collasped.

"It was very quick. The ceiling started to fall as if it were dominoes. I was able to get out because I was next to the exit. I saw a lot of people stumbling over chairs," said Luciana Costa, an events organiser.

Firemen searched for survivors throughout the night under arc lights. "We're working with numbers of around 400 people who were inside the church," a Sao Paulo fire service official said. He added that 150 firemen were searching for survivors and bodies.

The reason for the collapse was not immediately known. Hoever the church, housed in a former movie theatre, recently underwent renovation and the city has been hit by heavy storms in recent days.

It became briefly famous as the venue where Kaka, the Brazilian soccer star currently being wooed to move to Manchester City from AC Milan, married in December, 2005.

The Reborn in Christ denomination has a significant following in Brazil, where it was started in 1986, as well as in Argentina, Uruguay, the United States and Japan.

The Reborn in Christ Church is among the biggest of Brazil's hundreds of evangelical denominations that draw millions each week.

Its founders, Estevao and Sonia Hernandes, who own an extensive media empire, have been accused of using the church for money laundering. The couple were arrested in Miami in 2007 for smuggling $56,000 into the US in their luggage.

Tokyo's Kabukicho district told to dim its red light - The Guardian, uk - link (aqui)


Olympic bid means crackdown on hostess bars and sex clubs – bringing a backlash from legal operators

Tokyo's Kabukicho red light district

Signs advertise the sex clubs and adult shops of Tokyo's Kabukicho red light district. Photograph: Jeremy Sutton-Hibbert/Guardian

As the sun dips behind the skyscrapers on a bitterly cold evening, hordes of shoppers swarm towards subway entrances, a blaze of neon flickering in their wake. Within an hour the streets reverberate to the banter of the inhabitants of Tokyo's hedonistic milieu: hosts and hostesses, hawkers, touts, prostitutes and carousing salarymen. Kabukicho, the Japanese capital's red light district, has come out to play.

But for how much longer? With Japan eager to host the 2016 Olympics and the city's proselytising governor keen to clean away sleaze and crime, the ramshackle collection of ageing buildings housing bars and clubs catering to every sexual proclivity is in the authorities' firing line. Armed with this political mandate, police are zealously enforcing a new law requiring sex clubs and hostess bars to close their doors at midnight and turf out their last customer by 1am.

Justin McCurry reports on the clean-up of Tokyo's Kabukicho district

Link to this audio

A handful of clubs flout the law by dimming their lights and paying protection money to yakuza crime syndicates, but law-abiding owners say takings have plunged. "The police crackdown has halved the number of customers here, and the recession isn't helping," says Hiroshi Iwamoto, a doorman at the topless Glamorous Lovers' Cafe. "I've been in Kabukicho a long time and I'd hate to see it change. This is where people come to make something of themselves."

The facelift is being led by Renaissance Kabukicho, a network of public and private bodies. "We don't necessarily want to get rid of all of the local colour," says Mitsuo Hirai, who leads the project at Shinjuku city hall. "Of course we want to preserve the character of the place and strike a balance. If we can do that then it's not going to do the Olympic bid any harm, although we were always determined to clean up Kabukicho and make it a place where people can walk around in safe and pleasant surroundings."

Patrols of volunteers attempt to clamp down on dozens of touts who assail passers-by with descriptions of the delights, innocent or otherwise, that await them inside. Junior hosts, immediately recognisable by their crimped long hair and tight-fitting suits, rub shoulders with sex industry scouts and Nigerian touts who steer inebriated men into bars with promises of encounters with foreign women.

Campaigners admit they have barely dented the sex industry's presence. The patrols have improved community relations but failed to stop touts seeking the commissions they need to make a living. "Soon after we started the cleanup we realised we couldn't get rid of organised crime or the sex industry altogether," says Koichi Teratani, a documentary maker and authority on Kabukicho. "I can understand people who think that if the neighbourhood becomes too sterile, it'll end up being boring and the place will die. We're aiming for a mix of old and new, raunchy and wholesome."

Signs of Kabukicho's creeping gentrification have emerged over the past year with the opening of a Best Western hotel, the closure of an ageing theatre to make way for a new development and the arrival of one of Japan's best-known talent agencies.

Yet to the casual visitor and the growing number of foreign tourists who come for a peek at Japan's moral underbelly, Kabukicho is still a place of contradictions; where jazz clubs and restaurants compete for space with massage parlours and love hotels, and a yakuza office stands in the grounds of a Shinto shrine.

It is an odd mix, but one that has proved remarkably resilient to change, says Mark Schreiber, a sex industry writer and Kabukicho regular for more than 40 years. "Japan is once more in recession, and the sex industry is again proving to be the closest you get to pure capitalism, because it's quickest to respond to changing circumstance," he says."At the end of the day, the authorities have to get the agreement of the residents to move. But the vast majority pay their taxes, have proper business licences and don't have any intention of leaving."

Many Kabukicho locals say they support the Olympic bid, but are quick to point out that their neighbourhood has already built an admirable ethos of its own.

"There's no discrimination here, everyone is accepted for who they are," says Maki Tezuka, a celebrated host at the club A Place in the Sun.

"No one cares about your past, even if you've made mistakes. This is a place where people come to start over again. And after that, who knows what they might make of themselves? That's the great thing about Kabukicho."

Obama, superstar à Washington Texte + vidéo - Libération, fr - link (aqui)


19 janv. 7h10

Le futur occupant de la Maison Blanche a participé à un concert géant, dimanche dans la capitale américaine. Entamant ainsi les festivités qui l'amèneront à son investiture, mardi.

Obama prononçant son discours devant la statue de Lincoln, dimanche après-midi à Washington.

Obama prononçant son discours devant la statue de Lincoln, dimanche après-midi à Washington. (REUTERS)

Barack Obama, superstar. Celui qui va occuper la Maison Blanche dès mardi a donné le coup d’envoi des cérémonies washingtoniennes devant des centaines de milliers de personnes dans un lieu symbolique de Washington: le Lincoln Memorial. Là où Martin Luther King, le leader noir assassiné, a prononcé son fameux discours «I have a dream» sur l’union des races en 1963.

Le «show», ouvert dimanche en début d'après-midi par Bruce Springsteen, alternait chansons et lectures de textes historiques, avec des stars comme U2, Jon Bon Jovi, Mary J. Blige, Beyonce, Shakira… En concluant sa chanson «In the name of love», le chanteur de U2, Bono, a évoqué «le rêve irlandais, le rêve européen, le rêve africain, le rêve israélien et aussi le rêve palestinien». L’acteur Tom Hanks a repris l’un des aphorismes célèbres d’Abraham Lincoln, le fossoyeur de l’esclavage dont la statue immense dominait la scène: «De même que je refuse d’être un esclave, je refuse d’être un maître. Telle est mon idée de la démocratie».

Extraits du concert (Dailymotion)



Barack Obama a pris la parole à la fin du concert. Vêtu d’un manteau noir, il est apparu souriant en haut des marches du Lincoln Memorial, accompagné de son épouse Michelle. Face à eux, une foule immense et compacte occupait le Mall, la vaste pelouse qui s’étend jusqu’au pied du Capitole, le siège du Parlement où Barack Obama prêtera serment mardi.

«Ce qui me donne l’espoir par dessus tout, ce ne sont pas les pierres et le marbre qui nous entourent, mais ce qui remplit les interstices. C’est vous, Américains de toutes les races, venus de partout, de toutes conditions, vous qui êtes venus ici parce que vous croyez en ce que ce pays peut être», a souligné le futur président en prenant la parole à la fin du concert gratuit.

Ce qui l'attend

Dès que les lumières des derniers bals s’éteindront mardi soir, celui qui sera investi mardi 44e président américain entamera son mandat au milieu de l’une des pires crises économiques de l’histoire des Etats-Unis.

«En premier lieu, il (Barack Obama) va rencontrer son équipe de conseillers économiques pour voir où nous en sommes pour le plan de relance et de réinvestissement», a indiqué le futur porte-parole de la Maison Blanche Robert Gibbs sur la chaîne de télévision Fox. Il faut agir «le plus vite possible», a-t-il dit. Gibbs a confirmé que le futur président allait faire une annonce sur la fermeture du camp de Guantanamo, où des centaines d’hommes arrêtés dans le cadre de la guerre contre le terrorisme ont été détenus depuis 2002.

Dès mercredi, Obama s’attellera à une autre urgence en réunissant ses conseillers militaires: les deux guerres en Irak et en Afghanistan. Robert Gibbs a souligné que l’objectif était de respecter la promesse de «retirer les troupes (d’Irak…), de façon responsable et sûre, sur les 16 prochains mois».

Le nouveau président devrait aussi se prononcer rapidement sur l’interminable conflit du Proche-Orient. «Les événements mondiaux exigent qu’il agisse rapidement et je pense que vous allez le voir agir rapidement», a déclaré sur la chaîne de télévision ABC le principal conseiller du futur président, David Axelrod.

Selon un sondage du Washington Post, 61% des Américains se disaient confiants à la veille de l’entrée en fonctions de Barack Obama.

(Source AFP)

RBS s'attend à des pertes de 28 milliards de livres - Le Figaro, fr - link (aqui)


MA Delmotte
19/01/2009 | Mise à jour : 11:03
DR
DR

La banque Royal Bank of Scotland estime que les pertes liées au crédit atteindront les 7 à 8 milliards de livres mais celles dites de dépréciations exceptionnelles atteindront près des 20 milliards.

Pour l'exercice 2008, la banque britannique, Royal Bank of Scotland, table sur des pertes totales de l'ordre de 28 milliards. Hormis les 7 à 8 milliards de livres perdus du fait du resserrement du crédit, ce sont les dépréciations exceptionnelles qui se chiffreront à près de 20 milliards de livres (plus de 22 milliards d'euros).

Ces pertes démesurées viennent du rachat d'une partie du groupe néerlandais ABN Amro qui a donné à RBS une participation dans la banque en très grande difficulté, Fortis. RBS a dû vendre sa participation dans Forits à l'Etat néerlandais afin que celui-ci mène à bien le sauvetage de la banque. Les résultats annuels seront publiés dans leur totalité le 26 février.

RBS indique aussi qu'elle va remplacer les 5 milliards de livres d'actions préférentielles détenus par le gouvernement britannique en actions ordinaires. Cette opération devrait porter ainsi la part du gouvernement dans la banque de 57,9% à 70%.

Des États généraux pour sauver l'automobile - Le Figaro, fr - link (aqui)


V. Gd
19/01/2009 | Mise à jour : 08:58

Crédits photo : Le Figaro

Constructeurs, sous-traitants, syndicats et élus participeront demain aux États généraux de l'automobile, décidés par Nicolas Sarkozy.

Constructeurs, sous-traitants, syndicats. Ils seront tous, à Bercy, demain pour participer aux États généraux de l'automobile décidés par Nicolas Sarkozy pour préparer un plan de sauvetage de la filière. La journée ne devrait pas déboucher sur des décisions fermes, mais doit permettre d'affiner les pistes et les modalités des prêts accordés. Les annonces sont prévues début février.

PSA Peugeot Citroën et Renault ont décidé de parler d'une même voix en présentant trois doléances.

Priorité des priorités, l'accès aux liquidités pour cette industrie grosse dévoreuse de capitaux. «L'État doit dire aux banquiers de faire leur travail en permettant aux entreprises de se refinancer à des taux d'intérêt normaux», souligne-t-on chez PSA. «Il n'est pas possible d'emprunter à 8 %», insiste Re­nault. Selon les constructeurs, les banquiers sont réticents et imposent des taux «sans rapport avec les risques». Or, les groupes automobiles ont besoin de lignes de crédit pour financer leurs stocks mais aussi leurs activités de crédit. La banque PSA Finance et RCI chez Renault prêtent aux particuliers - 75 % des voitures sont achetées à crédit en France -, mais aussi à leurs concessionnaires et financent leurs stocks de véhicules neufs. La première a un besoin de refinancement annuel de 5 milliards d'euros ; la seconde de 3 milliards. PSA et Renault ont déjà reçu 500 millions chacun de la toute nouvelle Société de financement de l'économie française mais cela ne suffit pas.

Deuxième priorité : le rétablissement de la compétitivité de la filière automobile qui a reculé de 30 % par rapport à l'allemande. Les constructeurs attendent des mesures fortes. Ils soulignent que les charges sociales, la taxe professionnelle et la dégradation des taux horaires laminent sans cesse les gains de productivité chèrement réalisés notamment par les équipementiers. PSA leur a fixé un objectif de 6 % annuel dans le cadre de son plan Cap 2010. «Nos sous-traitants sont trop faibles, financièrement et fragiles technologiquement», s'alarme-t-on.

Donnant-donnant

Enfin, la filière attend des initiatives pour préparer l'avenir afin de faciliter «l'émergence de véhicules propres à 0 émission polluante». Pour cela, l'État est appelé à augmenter significativement les budgets de recherche en France.

Après les banques, le gouvernement ne peut rester immobile face à la grave crise qui secoue l'automobile. L'enjeu est de taille. Cette industrie représente au total 10 % de l'emploi salarié en France. Soit 2,5 millions de personnes. Mais Nicolas Sarkozy ne mettra pas la main à la poche sans contreparties. Ce sera du donnant-donnant. En échange, les constructeurs doivent s'engager à ne pas délocaliser ni à fermer d'usines en France et ils doivent relâcher la pression mise sur leurs sous-traitants. «Nous avons pris des engagements en ce sens», soulignent-ils, en précisant qu'ils respectent la nouvelle loi sur les délais de paiement avec leurs fournisseurs. Il n'empêche que l'industrie automobile est devenue importatrice nette de véhicules avec un déficit de 4,4 milliards d'euros fin novembre 2008. Sur 100 % de véhicules Renault vendus en France l'an dernier, 44 % étaient fabriqués en France, 30 % en Europe hors France et 20 % hors d'Europe.

Seconda notte di calma nella Striscia - Corriere Della Sera, it - link (aqui)


VIA TUTTE LE TRUPPE PRIMA DELL'INSEDIAMENTO DI OBAMA». HAMAS: MORTI 48 MILIZIANI

L'esercito israeliano procede nel ritiro «progressivo». Giovedì nuovi colloqui per completare il piano egiziano

Famiglie palestinesi tornano nei villaggi bombardati (Ap)
Famiglie palestinesi tornano nei villaggi bombardati (Ap)
GAZA - Seconda notte di calma nella Striscia di Gaza dopo il cessate il fuoco proclamato unilateralmente da Israele e accettato in seguito da Hamas. «Tutto è calmo, non c'è stato alcun segnale di attività di nessun tipo per tutta la notte» ha detto un portavoce israeliano. L'esercito ha cominciato un ritiro «progressivo» dal territorio palestinese, devastato dopo 22 giorni di pesante offensiva. Domenica i carri armati hanno lasciato la loro postazione nella ex colonia di Netsarim, a sud di Gaza City, riaprendo per la prima volta dal 3 gennaio la strada tra il sud e il nord della Striscia. Abbandonate anche Jabaliya e Beit Lahya, nel nord. Secondo la radio militare israeliana il ritiro dovrebbe essere completato - se non ci saranno incidenti sul terreno - prima dell'investitura di Barack Obama. Lo stesso Olmert ha assicurato che Israele non ha intenzione di restare nei Territori.

«48 MILIZIANI MORTI» - Nessun combattimento o bombardamento da due giorni a questa parte e nella Striscia regna la calma, ma si fanno i conti con il tragico bilancio del conflitto: oltre 1.300 palestinesi hanno perso la vita in tre settimane (più di 400 i bambini), i feriti sono circa 5.300. I miliziani morti, secondo Hamas, sono solo 48: lo ha detto Abu Obeida, portavoce delle Brigate Ezzedine al-Qassam. Tel Aviv afferma invece di aver eliminato oltre 500 combattenti. In campo israeliano le vittime sono 13, compresi 3 civili. Hamas ha riferito invece di aver ucciso almeno 80 soldati e di aver lanciato circa 900 razzi. Per quanto riguarda gli aiuti umanitari, Israele ha concesso l'autorizzazione al passaggio di circa 200 camion e la fornitura di 400mila litri di carburante: «Un convoglio di 120 camion deve portare gli aiuti attraverso il valico di Kerem Shalom e un altro convoglio tra i 60 e i 70 camion entrerà da Karni» ha spiegato un portavoce. Hamas, durante colloqui con i mediatori egiziani, ha chiesto l'apertura di tutti i confini per l'ingresso di cibo, materiali e aiuti di base.

NUOVI INCONTRI AL CAIRO - E dopo il vertice per la pace che si è tenuto domenica sera a Sharm el Sheikh, l'Egitto, che tenta di imporre il suo piano per una tregua duratura nella Striscia di Gaza, ha invitato i delegati israeliani e palestinesi a presentarsi di nuovo giovedì al Cairo per incontri separati con i mediatori egiziani. Lo ha annunciato una fonte diplomatica all'agenzia Mena. I nuovi incontri avrebbero per scopo di «prendere le disposizioni necessarie al fine di consolidare il cessate il fuoco e continuare gli sforzi per realizzare le altre fasi del piano, in particolare la fine del blocco a Gaza». A Sharm erano presenti capi di Stato e di governo di sei Paesi europei, più l'Onu e la Turchia, che ha confermato il sostegno al piano egiziano per un cessate il fuoco duraturo e nel quale è stato annunciato l'impegno dei partecipanti per l'assistenza umanitaria alla popolazione palestinese e la ricostruzione di 4mila edifici residenziali. Nel frattempo il presidente egiziano Hosni Mubarak è partito per il Kuwait per partecipare a un vertice economico arabo che si apre nell'emirato del Golfo e che dovrebbe includere una sessione specifica sulla situazione nella Striscia.

BERLUSCONI: «AZIONE NECESSARIA» - Silvio Berlusconi, che ha partecipato al vertice a Sharm el Sheikh, ha poi raggiunto Gerusalemme per un incontro con il primo ministro israeliano Ehud Olmert. Durante il colloquio, ha detto il premier, è emersa la disponibilità di Israele a ritirarsi dalla Striscia a patto che «non ci siano più lanci di razzi» sul territorio israeliano. Berlusconi, che ha definito l'offensiva di Tel Aviv «necessaria», ha osservato come «nessuna democrazia al mondo possa sopportare che questo continui» e ha esortato «gli Stati liberi a dare voce anche alle ragioni del popolo israeliano dal momento che Hamas ha utilizzato la popolazione civile come scudi umani». Domenica il premier aveva annunciato la disponibilità dell'Italia a inviare reparti di carabinieri per presidiare i valichi di Gaza nel quadro di un intervento multinazionale di interposizione.

HAMAS: «VITTORIA» - E dopo che domenica il leader di Hamas a Gaza, Ismail Haniyeh, ha detto che l'operazione israeliana nella Striscia è stata un fallimento e che il suo gruppo ha riportato «una grande vittoria», il presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad si è congratulato durante una conversazione telefonica con il leader di Hamas Khaled Meshaal. Questo successo, ha aggiunto, è «l'inizio di una catena di vittorie che sarà completata». Ahmadinejad, citato dall'agenzia Isna, ha affermato che tutti i Paesi islamici devono «rompere le relazioni con il falso regime sionista e boicottare i prodotti israeliani e dei loro sostenitori». Meshaal ha replicato che «la resistenza continuerà fino al totale ritiro delle truppe sioniste e la fine dell'assedio alla Striscia di Gaza».


19 gennaio 2009

Amenaza mundial contra Madonna - El País, es - link (aqui)

Madonna- AP

Un grupo islamista quiere decapitar a la cantante por su apoyo a Israel

DAVID ALANDETE - Washington - 19/01/2009

Una vez acabada su exitosa gira musical y tratando de regresar a la normalidad con sus tres hijos tras el sonado divorcio de su ex marido, el cineasta británico Guy Ricthie, Madonna se enfrenta a una amenaza que alcanza dimensiones internacionales. Un grupo islamista radical ha pedido, a través de una página de Internet, que se la decapite por su declarado apoyo al Estado de Israel.

Madonna practica la Cábala, una vertiente mística del judaísmo. Fue una de las primeras grandes estrellas en dar un concierto en Tel Aviv, en el año 1993. Recientemente, en 2004 y en 2007, visitó Israel, donde se llegó a reunir con el presidente de ese Estado, Simon Peres.

Ahora, según la revista The People, una milicia palestina llamada Comités de Resistencia Popular ha puesto precio a su cabeza: quieren que se la decapite para que pague por su apoyo al Estado de Israel. Unos redactores de este tabloide se hicieron pasar por islamistas y entraron en un foro de Internet, donde encontraron todo tipo de amenazas. "Ella nos insulta con su comportamiento de zorra y luego nos insulta todavía más con su amor a los judíos", señalaba uno de los radicales en un comentario difundido en el mencionado foro.

Madonna, según esta misma revista, ha contratado a dos guardaespaldas israelíes para incrementar la seguridad sobre su familia. Estos le han recomendado a su ex marido que se mude a otra zona de Londres, ya que su residencia está situada en una calle concurrida, lo que podría suponer un problema de seguridad para los hijos de ambos.

Reino Unido sale por segunda vez al rescate de los bancos - El País, es - link (aqui)

Londres lanza un nuevo plan tres meses después de recapitalizar las mayores entidades del país.- Royal Bank of Scotland anuncia sus mayores pérdidas

AGENCIAS - Londres - 19/01/2009

El Gobierno británico ha lanzado un segundo plan de rescate de los bancos, después del puesto en marcha hace tres meses para recapitalizar las tres mayores entidades del país. El objetivo de Reino Unido es garantizar, a través del pago de un honorario y hasta un determinado nivel, las deudas "tóxicas" para aumentar los préstamos y esquivar los efectos la peor crisis financiera en 70 años.

El ministro británico de Economía, Alistair Darling, ha defendido hoy en declaraciones a la BBC la necesidad de desplegar este nuevo plan de salvamento, al que ha calificado de "esencial". "Los bancos en todo el mundo se han visto en serias dificultades y los gobiernos han tenido que resolver los problemas; los préstamos, por varias razones, no se conceden a los negocios, a las personas que necesitan hipotecas, en el nivel que necesitamos para apoyar la economía". Según el Tesoro, el primer plan fue para evitar un inmediato desplome del sistema bancario, pero el de hoy responde específicamente al problema de la falta de la concesión de créditos a las empresas.

Más garantías

"Sabemos que el problema esencial es la reanudación de los préstamos", afirmó ayer el primer ministro británico, Gordon Brown. El paquete está diseñado para "lograr que se muevan los préstamos en la economía" y ayudar "a las familias y negocios", explicó. La clave será la inclusión de un esquema de seguros del Estado para garantizar miles de millones de libras de activos tóxicos en los bancos. "Hay menos dinero disponible para prestar en este país, y además, la incertidumbre sobre la economía hace que los bancos se queden con el dinero que, de otras circunstancias, prestarían", ha explicado Darling.

El Tesoro ampliará el plazo de su Plan de Garantía de Créditos, que garantiza la deuda de los bancos que fueron recapitalizados por el Gobierno, hasta final de año. Además, el paquete de medidas amplía el Plan Especial de Liquidez del Banco de Inglaterra, que vence este mes y permite a las instituciones financieras canjear activos de difícil negociación por otros más líquidos. El plan amplía las recomendaciones de un informe del Gobierno que solicitó garantías para el mercado hipotecario.

El Gobierno británico intenta así reconducir la situación después de que el primer plan de rescate en octubre, de 37.000 millones de libras (unos 40.330 millones de euros), no haya creado las condiciones necesarias para reanudar un flujo normal de préstamos. Los indicadores económicos confirmarán previsiblemente esta semana que la economía británica ha entrado por primera vez en recesión desde 1992.

Pérdidas del Royal Bank of Scotland

El Royal Bank of Scotland, que que prevé cerrar el ejercicio 2008 con unas pérdidas de hasta 28.000 millones de libras (unos 30.000 millones de euros), lo que sería el mayor déficit histórico registrado por una compañía en el Reino Unido, ha alcanzado un acuerdo con el ministerio de Economía para canjear 5.000 millones de libras en acciones preferentes por acciones ordinarias, lo que supone un aumento de la participación del Estado en el control del banco. Reino Unido también tomó acciones preferenciales en Lloyds Banking Group.

El RBS considera que este canje de acciones le permitirá obtener liquidez y ahorros de 600 millones de libras, todo lo cual estimulará la concesión de nuevos créditos a sus clientes. El banco británico estima que el deterioro de sus activos, entre los que destaca la participación en el holandés ABN Amro, suponga unas pérdidas de 20.000 millones de libras, mientras que las "difíciles" condicones del mercado en el cuarto trimestre sumaría otros 8.000 millones de pérdidas.

La banca frena los beneficios y los dividendos por la dureza de la crisis - El País, es - link (aqui)

José Luis Rodríguez Zapatero- LUIS SEVILLANO

Se moderan los resultados de 2008 por la morosidad y para tener más capital

ÍÑIGO DE BARRÓN - Madrid - 19/01/2009

Alfredo Sáenz, vicepresidente y consejero delegado del Santander, dijo en su última comparecencia pública en octubre que tal y como está la economía "toca replegarse a los cuarteles de invierno". Por la experiencia de Sáenz, uno de los banqueros con más trayectoria en España y experto en rescate de entidades en quiebra, como Banesto y Banca Catalana, se debe considerar muy en serio su advertencia. En el negocio financiero, los cuarteles de invierno se traducen en provisiones para reforzar el capital, que es el pilar que da solidez a una entidad y de lo que carecen las entidades internacionales en crisis. Además, se prestará la máxima atención al riesgo, a los créditos. La liquidez, el tercer lado del triángulo, será otra de las obsesiones. No hay que olvidar que cuando lleguen las fusiones en el sector, los fuertes se comerán a los débiles y ahí será más importante el capital que los beneficios.

Lo que dijo el número dos de uno de los bancos más grandes del mundo es que ha cambiado la tendencia de la última década. Ha dejado de ser prioritario alardear de beneficios y dividendos. Por eso, los analistas creen que los resultados de las grandes cajas de ahorros y bancos repetirán las cotas de años anteriores, en los mejores casos, o incluso se recortarán los beneficios hasta un 10%. "Es lógico que se curen en salud y hagan más provisiones sea a costa de presentar caída de beneficios", comentan fuentes del sector.

El Santander se olvidará de los míticos 10.000 millones que prometió (probablemente los reducirá en más de 500 millones) y el BBVA situará el resultado recurrente cerca de los 5.400 millones, similar al de 2007. En el Popular y en el Sabadell, algunas firmas de análisis consultadas también esperan un beneficio inferior al de 2007. "En tiempos de crisis, la rentabilidad es sacrificable temporalmente", reconoce Josep Oliu, presidente del Banco Sabadell.

La Caixa y Caja Madrid (que presenta una morosidad elevada y una gran inestabilidad institucional) ya presentaron resultados a la baja en septiembre y podrían acentuar esta tendencia para el cierre del ejercicio. No hay que olvidar que las cajas no cuentan con las ventas que hicieron en Bolsa en 2007 y no tienen accionistas que les presionen.

Hasta ahora sólo Banesto, filial del Santander, ha presentado resultados. Aunque ha ganado un poco más que en 2007, ha hundido la cuenta con 60 millones de provisiones voluntarias. Muchos lo ven como un modelo para el Santander y el resto del sector.

¿Y los dividendos? Para resolver este enigma, los banqueros todavía tienen más tiempo porque el último pago (el que marca la tendencia) no se reparte hasta marzo o abril. En el mercado se da por seguro su descenso en la mayoría de los casos, con la excepción de BBVA y Santander, que podrían repetir los de 2007. Otras fuentes apuntan la posibilidad de pagarlos, en parte, con acciones.

"La rentabilidad por dividendo (en dinero que se recibe en proporción al coste de las acciones) está entre el 8% y el 9%. Esta cifra es la más elevada de los últimos años y anticipa un seguro recorte del dividendo", comenta Íñigo Vega, analista de Iberian Equities. No obstante, oficialmente nadie admite que vaya a meter la tijera en la remuneración de sus accionistas, un tema casi tabú, aunque sí se reconoce que la rentabilidad por dividendo "está disparada". En las cajas, esta partida se traduce en la dotación a la obra social, que también se reducirá de manera sensible, como ha reconocido la Confederación Española de Cajas (CECA).

Para muchos ejecutivos las previsiones del Gobierno eran un punto clave. Las palabras del ministro de Economía, Pedro Solbes, reconociendo que se trata de "una situación de extrema dificultad", disiparon las dudas. En lenguaje financiero eso significa más morosidad y menos demanda de crédito. Es decir, más gasto en provisiones y menos ingresos por comisiones. El peor de los mundos. Es cierto que las provisiones anticíclicas inventadas por el Banco de España, ese colchón que han alimentado las entidades en la época de vacas gordas, mitigarán en parte la situación. Pero no serán la panacea. Los créditos seguirán la línea del PIB nominal: no crecerán más del 5%, una cifra que tal vez ni siquiera se alcance, según algunos ejecutivos. Juan Ramón Quintás, presidente de las cajas, lo dijo sin tapujos: "Se deben castigar al máximo" los resultados de 2008 para destinarlos a provisiones porque este ejercicio "va a ser difícil". No hay que olvidar que las cajas ya tienen una morosidad del 3,7%, un 52% más que la de los bancos.

Con ese panorama, es lógico que los banqueros no vean ventajas en cerrar 2008 con una cifra alta de resultados si este año va a ser mucho más difícil. ¿Para qué colocarse un listón alto cuando un año después será imposible igualarlo? Hasta ahora los ejecutivos estaban presionados por los mercados financieros y por los competidores. Sin embargo, la Bolsa ha dejado de ser una preocupación porque los inversores no valoran los buenos resultados. La actual fortaleza de la banca española sólo le ha servido para que su cotización pierda un 50% frente al 70% de algunos competidores internacionales.

"Cuando empecemos a publicar algún dato feo puede que el castigo bursátil no sea mucho mayor porque ya lo han descontado en la cotización", comenta un alto ejecutivo bancario que pide mantener el anonimato. Lo cierto es que la banca no está en las carteras de las firmas de Bolsa.

Los grandes competidores -el otro factor de presión- han dejado ser una referencia. "Algunos están hundidos y otros nacionalizados. Los Gobiernos de Europa y Estados Unidos han inyectado 590.000 millones de euros en sus bancos y apenas superan nuestro nivel de capital. Esto nos quita presión sobre los beneficios", confiesa un ejecutivo bancario.

No enfadar al Gobierno

Una de las razones fundamentales para no alardear de ganar dinero en plena crisis es evitar poner en un aprieto al Gobierno. La banca ya mantiene actualmente un enfrentamiento abierto con el Ejecutivo por la escasa concesión de créditos, por lo que nada podría tensar más esta situación que convertirse en primera página por presentar unos resultados deslumbrantes. María Dolores de Cospedal, secretaria general del Partido Popular, afirmó que "si la banca gana mucho dinero, habría que retrotraer las inyecciones de liquidez del Gobierno". "Si tienen tantos beneficios ¿para qué les tenemos que ayudar?", se preguntó.

El Banco de España se ha manifestado al respecto muy claramente, sin ambigüedades. El gobernador, Miguel Ángel Fernández Ordóñez, gobernador, explicó en octubre pasado: "Si hemos de afrontar un periodo de menor crecimiento del negocio, con mayor incertidumbre y menores beneficios, las entidades deberían hacer un esfuerzo para reforzar su base de capital. Parece lógico pensar en retener más beneficios o hacer ampliaciones de capital".

Quatro álbuns de Maysa em CD pela primeira vez - Estadão online - link (aqui)


São títulos antológicos da RGE, gravados entre 1959 e 1961, ano de Barquinho, agora reeditado junto com outro de 1966

Lauro Lisboa Garcia

A minissérie Maysa - Quando Fala o Coração, que terminou sexta-feira na TV Globo, dividiu opiniões, criticada, entre outros motivos, por retratar a cantora com superficialidade. Controvérsias à parte, o programa foi sucesso de audiência e despertou no público o desejo de ouvir e ler mais sobre Maysa. A procura por seus discos em vinil (e mesmo os lançados em CD) aumentou nas lojas de São Paulo, bem como pelos livros sobre ela. Também serviu de estímulo para as gravadoras relançarem outros de seus discos. Quatro deles saem agora pela primeira vez em CD, via Som Livre, que também lançou uma bem cuidada compilação com dois discos com a trilha sonora da série.

A Sony também aproveitou para reeditar o ótimo Barquinho (1961), uma compilação da série Maxximum e Maysa (1966), que tem Tristeza (Haroldo Lobo/Niltinho), Ne Me Quitte Pas (Jacques Brel), Morrer de Amor (Oscar Castro Neves/Luvercy Fiorini) e a Fantasia de Trombones - que mescla Demais (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira), Meu Mundo Caiu (Maysa) e Preciso Aprender a Ser Só (Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle) - utilizada como tema de abertura da minissérie.

Os quatro inéditos em CD pertencem ao acervo da RGE, gravadora pela qual Maysa lançou a maioria de seus discos. Foi entre a segunda metade dos anos 1950 até o início dos 60, fase em que a vida pessoal da cantora deu muitas reviravoltas. Mas seus altos e baixos não comprometeram a grandeza de sua música. Se ela foi desleixada com o casamento e com o próprio corpo, manteve-se no mais das vezes criteriosa na escolha de repertório, embora tenha confessado ter feito "muitas concessões para obter sucesso". "Agora não há fabricante de discos que me faça gravar o que eu não sinta", desabafou em 1961. Hoje parece estranho que a determinada Maysa, que sempre viveu o drama que cantava, tenha feito algo contrário à própria vontade.

Enfim, mesmo nessa fase em que deixou de lado a porção de talentosa compositora para se dedicar à interpretação (sempre profunda) de canções alheias, o que escolheu fez por merecer sua voz. Ela pode ter frustrado a expectativa do público, mas cantava como nunca, como comprovam esses relançamentos daquele período de imensa popularidade.

O mais antigo é Maysa É Maysa... É Maysa, É Maysa (1959), o primeiro depois da série Convite para Ouvir Maysa. O repertório é quase uma compilação de clássicos como A Felicidade e Eu Sei Que Vou te Amar (ambas da dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Manhã de Carnaval (Antonio Maria/Luiz Bonfá), Castigo (Dolores Duran) e uma versão do Hino ao Amor, de Edith Piaf, entre outras punhaladas pungentes.

Em seguida vem Voltei (1960), que tem esse título porque foi lançado depois de um dos sumiços da cantora. Foi quando se internou num hospital para tratamento do alcoolismo e aproveitou para fazer uma cirurgia para emagrecer. Nessa volta (ela detestava essa expressão), Maysa mais uma vez (e gradativamente) se aproximava da bossa nova, abrindo o disco com Meditação (Tom Jobim/Newton Mendonça). Na faixa seguinte dava uma guinada radical para o lado oposto, que tinha mais a cara da "rainha da fossa", o bolerão Alguém me Disse (Jair Amorim/Evaldo Gouveia), com um arranjo cafona ao som de um tecladinho que futuramente se ouviria muito nos discos da turma do iê-iê-iê. Um samba-canção como Dindi (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira) é um meio-termo conciliador nesse (bom) disco de transição.

No mesmo ano saiu Maysa Canta Sucessos (1960), em que ela interpreta divinamente hits lançados por outros cantores de respeito, como Miltinho, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Sylvia Telles, com arranjos de Henrique Simonetti.

Maysa, Amor... e Maysa (1961) saiu quase simultaneamente a Barquinho, lançado pela Columbia, ambos excelentes. Se no primeiro, cheia de dengo, ela satisfazia o paladar romântico de seu público fiel - arrasando em temas como Chão de Estrelas (Silvio Caldas/Orestes Barbosa) e incluindo pérolas internacionais como I Love Paris, de Cole Porter, e os boleros Quizas, Quizas, Quizas e Besame Mucho -, também caía no suingue de Quem Quiser Encontrar o Amor (Carlos Lyra/Geraldo Vandré), fazendo a ponte com a bossa de Barquinho.

Acusada de oportunista e "traidora" do estilo romântico do samba-canção, Maysa embarcou na nova onda, levada pelo então namorado Ronaldo Bôscoli, e fez um álbum antológico, sofisticado, com uma maioria de canções dele e parceiros, reunindo músicos como Luizinho Eça, Roberto Menescal e outros bambas. A grande questão era saber se seu estilo dramático de interpretar combinaria com o clima ensolarado da bossa nova. Por que não? Afinal, em tudo há uma ponta de melancolia.

O pesquisador Rodrigo Faour, responsável pelos relançamentos destes quatro CDs da RGE, além de outros projetos anteriores envolvendo Maysa, diz que está negociando com a Universal para reeditar Ando Só Numa Multidão de Amores (1970), lançado em CD em 1990 e fora de catálogo desde então. Outros que saíram de circulação foram os volumes 2, 3 e 4 da série Convite para Ouvir Maysa (RGE/Som Livre). Continuam à venda o primeiro, numa edição conjunta com Maysa (1957), o da Elenco e Canção do Amor Mais Triste. O derradeiro álbum homônimo da cantora lançado pelo selo Evento/EMI em 1974 também virou raridade.

Além de faixas em compactos espalhadas pelo mundo e não incluídas nos LPs, falta a Sony/BMG se interessar pelo raro e belo Maysa Sings Songs Before Dawn, álbum de 1961 gravado pela Columbia nos Estados Unidos, só lançado lá e em alguns países da América do Sul - nunca teve uma edição brasileira.

Renda agrícola encolhe R$ 10,4 bi - Estadão online - link (aqui)


Queda das commodities, falta de crédito e seca no Sul provocam a primeira redução de receita desde 2006

Márcia De Chiara

Após bater recordes de produção e receita em 2007 e 2008, a agricultura brasileira de grãos vai recuar este ano. A renda do produtor com a safra de arroz, feijão, milho, soja, trigo e outros grãos, que começa a ser colhida a partir de fevereiro - e que dá a dinâmica da economia de mais de 70% dos municípios brasileiros -, deve encolher em R$ 10,4 bilhões. É a primeira queda na receita de grãos em três anos. Significa menos dinheiro para a compra de carros, máquinas, equipamentos e eletrodomésticos e um volume menor de receita de exportação para o País.

Nas contas da RC Consultores, a safra de grãos 2008/2009 deve render aos agricultores R$ 79,4 bilhões, enquanto na safra passada chegou a R$ 89,8 bilhões. A queda está concentrada na dobradinha soja/milho, que responde por 80% do volume e 70% da renda. "A receita com grãos pode cair ainda mais se a recessão se aprofundar nos EUA e os preços do milho e da soja recuarem para níveis inferiores à média histórica", diz Fabio Silveira, diretor da consultoria e responsável pela projeção.

Para estimar a receita agrícola com os grãos, o economista considerou uma safra de 134 milhões, 8,7% menor que a anterior. Além disso, levou em conta que os preços médios em reais da soja, do milho, do arroz e do feijão serão 8%, 3%, 4% e 28% menores em relação à média de 2008, respectivamente. E que o dólar deve chegar em dezembro valendo R$ 2,50.

O tombo nos volumes de produção, provocado pela crise de crédito que atingiu os agricultores exatamente na época do plantio, porém, pode ser maior. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê um recuo de 10% nos volumes nesta safra. Na semana passada, o próprio ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admitiu que a queda na safra de grãos poderá superar os 5% projetados inicialmente.

O motivo do corte nas estimativas é a estiagem que atinge o Sul do País. Só no Paraná, líder na produção nacional de milho e feijão e o segundo em soja, a quebra na safra é de 23,4%. "É a maior queda na safra de grãos do Estado em 20 anos", diz o coordenador técnico do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura, Otmar Hubner. São 5 milhões de toneladas a menos de feijão, soja e milho, grãos básicos para o mercado doméstico e para exportações, no caso da soja.

"Abril será o mês crítico para os agricultores", diz a assessora técnica da CNA, Rosemeire dos Santos. Segundo ela, apesar da redução nos volumes, uma maior quantidade de produto deve chegar ao mercado em abril, pico da colheita, o que deve derrubar preços e receita. Diferente de anos recentes, quando grande parte da produção era vendida antecipadamente, em 2009 isso não ocorreu por causa da falta de crédito. Hoje, diz ela, só 21% da safra já foi vendida. Em épocas normais, esse número chegava a 35%.

A maior disponibilidade de grãos para venda traz um certo alívio para a inflação no curto prazo. "Mas não está descartada elevação dos preços no segundo semestre", diz Silveira. Essa também é a avaliação de Rosemeire, que prevê pressões de preços a partir de julho. A reversão no quadro inflacionário pode ocorrer se a falta de crédito persistir e afetar a expectativa de plantio para 2010. "Em 2009 a crise tangenciou a agricultura. Em 2010, deve pegá-la em cheio", diz.

Carta de italiano causa mal-estar no governo - Estadão online - link (aqui)


Lula só recebeu texto do presidente da Itália após conteúdo ter sido divulgado em comunicado de imprensa

Lisandra Paraguassú, Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no fim da tarde de sábado a carta do presidente italiano Giorgio Napolitano com reclamações sobre a decisão brasileira de conceder asilo ao ex-terrorista Cesare Battisti. Ainda sem resposta, a carta incomodou o governo brasileiro menos por seu conteúdo, já esperado, do que pelo fato de ter sido amplamente divulgada pelos italianos antes mesmo de ter sido entregue a Lula.

A carta chegou ao gabinete do presidente pelas mãos do embaixador da Itália no Brasil, Michele Valensise, e foi levada ao presidente no Palácio do Alvorada por um de seus assessores. Antes disso, porém, havia sido divulgada por um comunicado oficial de imprensa do governo italiano, na manhã de sábado, sem qualquer aviso formal ao governo brasileiro. Por enquanto, não há previsão de uma resposta, oficial ou não, de Lula a Napolitano.

No texto, o presidente italiano se diz "espantado e aflito" pela decisão brasileira, especialmente pela justificativa dada à concessão de asilo, em que o ministro da Justiça, Tarso Genro, considera que há riscos para a integridade de Battisti por conta de suas posições políticas. Napolitano afirmou ser porta-voz da "comoção e da compreensível reação que a decisão brasileira suscitou na Itália e entre todas as forças políticas do país".

A carta, classificada como "pessoal" pelo governo italiano - mas amplamente divulgada -, foi uma forma de aumentar a pressão sobre o governo brasileiro. No entanto, na semana passada o próprio presidente Lula deu mostras de que não deve voltar atrás - a não ser que seja obrigado pela Justiça, uma hipótese plausível. Em entrevista na quinta-feira, Lula afirmou que a decisão do País nesse caso "é soberana". "A Itália pode não gostar, mas vai ter que aceitar porque é a decisão do País", disse em Corumbá (MS).

A decisão de conceder asilo político foi tomada na última semana por Tarso Genro, mesmo com parecer contrário do Comitê Nacional de Refugiados (Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça. No entanto, há sinais de que o Supremo Tribunal Federal poderá rever o asilo de Battisti, preso desde março de 2007 na penitenciária da Papuda, em Brasília.

PARECER

Na última sexta-feira, o presidente do STF, Gilmar Mendes, pediu um parecer ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, antes de determinar a soltura de Battisti. Souza já havia enviado um parecer favorável à extradição em março do ano passado, enquanto corria o processo aberto a pedido do governo italiano.

O plenário do STF deve dizer em fevereiro se o processo de extradição será ou não extinto com a concessão de asilo por parte do ministro da Justiça. Uma decisão anterior do mesmo tribunal extinguia o processo no caso de concessão de asilo determinada pelo Conare. No caso do italiano, com um parecer contrário do comitê, conflitante com a decisão do ministro, abre-se uma brecha para o STF decidir se Battisti fica no Brasil na condição de refugiado político ou se será entregue à Justiça italiana.

O procurador-geral, no momento, está em férias, e, portanto, não vai se manifestar sobre o caso até o encerramento de seu período de descanso. Por isso, o italiano deverá permanecer na penitenciária da Papuda pelo menos até fevereiro.

Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos ocorridos entre 1978 e 1979, quando militava em um grupo terrorista de esquerda chamado Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Depois de viver na França por um período de 10 anos, Battisti fugiu para o Brasil em 2005, uma vez que o governo francês tinha aceitado extraditá-lo a pedido da Itália. O italiano foi preso em março de 2007 no Rio de Janeiro e nega ter cometido os crimes.

Entrevista: Ha-Joon chang - Folha de São Paulo - link (aqui)



Política de juros altos do Brasil já foi longe demais

Para professor de Cambridge e crítico da globalização, país sucumbe ao trauma da inflação e se atrasa voluntariamente

ESTA É a hora de deixar de lado a cartilha neoliberal e adotar o pragmatismo, defende o economista Ha-Joon Chang, considerado o mais efetivo crítico da globalização. Ele não está pregando um grande e radical rompimento ideológico: quer só que o Brasil copie as medidas que no passado foram tomadas pelas nações desenvolvidas para crescer e hoje são rejeitadas por esses mesmos países, como a proteção da indústria nacional.

DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL

O sistema de comércio internacional também precisa ser reformado, na visão de Ha-Joon Chang, a fim de aplicar um tipo de protecionismo assimétrico. Permitindo que, de acordo com o seu grau de desenvolvimento individual, cada país mais pobre coloque determinadas barreiras tarifárias, o que daria a todos condições justas de competição.
Leia abaixo trechos da entrevista que o estudioso sul-coreano concedeu à Folha durante viagem ao Brasil para participar do Laporde (Programa Latino-Americano Avançado de Reavaliação de Macroeconomia e Desenvolvimento), sediado pela Escola de Economia de São Paulo, da FGV (Fundação Getulio Vargas).

FOLHA - A Coreia do Sul sempre é apontada como modelo entre as nações ditas "em desenvolvimento". Como o país conseguiu sobressair?
HA-JOON CHANG
- O Brasil lidera a América Latina, e seu progresso recente não deve ser desprezado. Porém a Coreia realmente cresceu mais rápido com uma estratégia basicamente de proteger a indústria local.

FOLHA - Isso é considerado um pecado capital pelo pensamento econômico dominante...
CHANG
- Do mesmo jeito que as crianças são mandadas à escola antes de procurar um emprego, é preciso que sejam dadas condições para que a indústria acumule capacidade tecnológica e seja capaz de competir com as empresas dos países ricos. O Brasil teve que subsidiar a Embraer no princípio -se ela tivesse sido abandonada na competição com a Bombardier e a Fokker, não teria sobrevivido. O problema é que em alguns países se dá a proteção e nunca se retira, o que deixa as empresas preguiçosas.

FOLHA - Embora o Brasil tenha progredido bastante nas últimas décadas, acredita-se que poderia ir mais longe do que efetivamente tem conseguido. O que o detém?
CHANG
- Existem países na África e em algumas partes da Ásia que realmente não sabem o que fazer, mas o Brasil não é uma nação pequena e pobre que não tem recursos. O Brasil construiu uma base industrial gigante, tem empresas de porte global em setores como o aeroespacial, o de álcool, o de petróleo, o de engenharia civil. O maior problema do país tem sido do lado da demanda, uma dificuldade criada pela política monetária excessivamente conservadora, com elevada taxa de juros e enorme superávit primário. Entendo o porquê de ela ter sido adotada no começo.
Havia a hiperinflação, e o espaço para decisões econômicas racionais era pouco. Mas o país está fazendo isso tudo há tempo demais. O fato de uma política ter sido correta em 1996 não significa que ainda é em 2009.

FOLHA - A inflação é um trauma para a população, os empresários e os políticos.
CHANG
- Quem sofreu com a hiperinflação depois se torna excessivamente cauteloso, é compreensível. A Alemanha e Taiwan tiveram tal experiência. Mas o Brasil levou essa política longe demais. Se a taxa de juros de um país é alta demais, ninguém quer empreender, pois ter um negócio significa lidar com questões trabalhistas, de distribuição... É mais fácil comprar um título público. Então, as empresas se tornam conservadoras, não tomam nenhum empréstimo para investir, para incrementar sua atividade. As companhias brasileiras são as menos alavancadas do mundo -não que o endividamento seja necessariamente bom, mas ser a última em tomada de crédito mostra que tem algo errado. Na realidade, o Brasil não criou empresas novas nos últimos 10 ou 20 anos, enquanto os demais países seguem avançando rápido.
Dez anos atrás, a China não era nada. Era grande, mas nem chegava perto do Brasil. Agora, compete com o país em muitos mercados. [Exaltado] Eu fico realmente com raiva, porque o Brasil está desperdiçando o grande potencial que possui. É de cortar o coração que esteja voluntariamente se atrasando. Do jeito que é feito, o controle da inflação mata o crescimento.

FOLHA - O senhor acha que os bancos centrais devem ser independentes para decidir essas políticas?
CHANG
- Não. Trata-se de uma instituição tão importante, precisa prestar contas. Dada a sua natureza, o banco central tende a favorecer o crescimento do sistema financeiro. Os seus executivos não estão deliberadamente aniquilando os outros setores, mas são naturalmente influenciados por outros banqueiros, com os quais se encontram regularmente.
Sou contra a independência; porém, se ela é concedida, é preciso dar também os objetivos corretos. Na prática, tem sido um pouco diferente nos últimos anos, mas o mandato do Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] diz explicitamente que a instituição deve cuidar da estabilidade de preços no contexto de crescimento e geração de empregos. O Brasil está pagando um preço muito alto pelo trauma da inflação -é como um cidadão que vivia feliz e, depois de ser assaltado na rua, tranca-se em casa e não quer sair mais. Agora é a hora de seguir em frente, especialmente se os outros países estão baixando os juros. Pode-se reduzir o superávit primário para zero. Neste momento de crise, é difícil para as nações ricas apontar o dedo para o Brasil e falar "Oh, essas medidas estão erradas, você é mau", porque o Brasil se encontra em posição muito melhor que a delas. Esta é a grande chance. Se o país perder a atual oportunidade, quando vai diminuir os juros? Daqui a três ou quatro anos, quando os outros países voltarem a subir suas taxas, será tarde.
Não sou antibanqueiro, é bom deixar claro. Concordo que banqueiros precisem ser mais conservadores que industriais. Para uma sociedade saudável, no entanto, é essencial equilibrar os interesses dos diferentes grupos.

FOLHA - Sobre comércio internacional, o sr. acha possível um entendimento? As negociações da Rodada Doha se mostraram infrutíferas.
CHANG
- O atual sistema representado pela OMC (Organização Mundial do Comércio) é totalmente contra os países em desenvolvimento. Deixe-me usar uma figura que sempre emprego para explicar essa ideia: em muitos esportes, existe a separação de classes por peso. No boxe, por exemplo, a divisão nas categorias mais leves é de um quilo -ou seja, avalia-se que é injusto colocar para lutar duas pessoas cuja diferença de peso seja maior que essa. No comércio internacional, entretanto, acha-se que Honduras deve competir no mesmo nível que os EUA.
Forçar os países em desenvolvimento a empregar políticas que não lhes são apropriadas é matar a galinha dos ovos de ouro. Deixando-os crescer no seu ritmo, vão se tornar no longo prazo grandes mercados consumidores para os produtos dos países ricos. A propriedade intelectual, que é pesadamente protegida pela OMC, deveria ser flexibilizada. Quando precisavam de tecnologia, todos os países ricos se permitiam importar o conhecimento alheio.
As cartilhas sempre enumeram regras: livre comércio, desregulação, privatização. Observando os casos de sucesso, entretanto, nota-se que sempre fizeram diferente do que agora defendem como correto. Ora, os países que julgam que não há diferenças de condições de competição deveriam mandar suas crianças para a guerra. É sério. Precisamos mudar radicalmente a nossa forma de encarar o assunto.

FOLHA - Qual é a sua proposta?
CHANG
- Um tipo de protecionismo assimétrico. Os países menos desenvolvidos têm mais proteções e, à medida que avançam, as barreiras diminuem até que possam participar do livre comércio em pé de igualdade com os demais. Um comitê técnico definiria as faixas.
Colocar no mesmo jogo países que não têm forças equivalentes não é o único problema, porém. Os países ricos ainda asseguram proteção para as áreas em que são fracos, como a agricultura. Eles são rígidos em exigir que os países em desenvolvimento eliminem completa e indubitavelmente todas as barreiras aos seus produtos industrializados e em troca dizem que talvez, quem sabe, possam pensar em diminuir os subsídios dados aos seus fazendeiros. O Brasil teria que cortar tarifas a um ponto que não se vê desde a época do colonialismo. Não é surpresa, portanto, que as recentes negociações não tenham chegado a lugar nenhum.

FOLHA - A crise levará a um fechamento de fronteiras comerciais?
CHANG - Acho que é um exagero. Eu critico a OMC, mas não estamos na década de 1930, quando não havia um sistema. Hoje, os países fazem de tudo para trapacear, mas pelo menos as regras estão colocadas.