quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Mariza - "Barco Negro"

mafalda veiga "cada lugar teu" ao vivo

Teresa Berganza*CARMEN* - "Les tringles des sistres tintaient"

Soraya - "Sin Miedo"

"Limosna de Amores" - Lola Flores

ANA BELEN CANTANDO "LA MENTIRA"

"Porto Sentido" - Simone de Oliveira

CECILIA- Lidia Pujol.

Dulce Pontes _ Os Amantes _ 2006

Os amantes (Les amants de Teruel)

Por dentro um do outro
caminham os amantes
desenham com seus pés
novas rotas navegantes

Por baixo o imenso mar
que nos naufrague o amor
num fado-povo
renasce em liberdade
no canto do poeta
que morreu

As folhas,
as folhas voam
num leito de bruma
mas se a terra não fosse tão doce
onde moram os amantes
por fim
ombro em ombro nús

Por dentro um do outro
caminham os amantes
desenham com seus pés
novas rotas navegantes

Por baixo o imenso mar
que nos naufrague o amor
num fado-povo
renasço em liberdade
e em pleno voo
navego feita em espuma

Mikis Théodorakis / Jacques Plante

"Balada para un loco" - Astor Piazzolla e Amelita Baltar

Aqui nossa repulsa ao inferno escancarado na oportuna matéria de Ricardo Noblat - link (aqui)

Paula, quando estava grávida de três meses

Deu no blog do Noblat:

Brasileira torturada na Suiça aborta gêmeos


A advogada Paula Oliveira, 26 anos de idade, funcionária em Zurique, na Suiça, do maior conglomerado econômico da Dinamarca, A P Moeller/Maersk, líder mundial em transporte marítimo de contêineres, foi atacada na noite do último domingo por três skinhead neonazistas.

Um deles exibia uma suástica tatuada atrás da cabeça.

Dois dos agressores a imobilizaram depois de espancá-la e deixá-la seminua. O terceiro sacou de um estilete e passou a retalhar várias partes do seu corpo - braços, pernas, barriga e costas.

O ato final da sessão de tortura foi entalhar nas duas coxas de Paula a sigla SVP - Scheiz Volks Partei. Em português, Partido Popular da Suíça ou Partido do Povo Suíço.

Paula estava grávida de gêmeos há três meses. Eram duas meninas. A agressão a fez abortar.

Há pouco, ela estava em um hospital de Zurique. Os médicos ainda não haviam decidido se deveriam esperar que o organismo expelisse a placenta espontâneamente ou se deveriam submeter Paula a uma curetagem.

Ela estava pronta para se casar nos próximos meses com Marco Trepp, economista suíço e pai de suas filhas.

- O que fizeram com minha filha parece uma história de filme de terror - disse-me o advogado Paulo Oliveira, secretário parlamentar do deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE), ex-governador de Pernambuco.

Oliveira embarcou, ontem, às pressas para Zurique. Ele foi acordado por um telefonema da filha às 4h da segunda-feira. Paula lhe contou o que acontecera.

Ela mora em um apartamento de dois quartos em Dubendorf, cidade a menos de três quilômetros de distância de Zurique. Voltou para casa de trem como costuma fazer.

Ao sair da estação, foi abordada por três homens brancos, carecas e vestidos de preto. Paula falava pelo celular com a mãe no Recife.

Há poucos prédios nas vizinhanças da estação. E há uma área cheia de arbustos. Foi para lá que os três homens conduziram Paula.

Naquele dia, os suiços tinha votado em plebicisto nacional para decidir se mantinham ou não o acordo de livre circulação pelo país de trabalhadores da União Européia. O acordo permitiu em 2002 que 200 mil cidadãos europeus trabalhassem na Suiça.

Por 59,6% dos votos, o acordo foi confirmado. Dos 26 cantões suiços, apenas quatro votaram contra o acordo.

O Scheiz Volks Partei é o maior partido político da Suiça, também conhecido ali como União Democrática de Centro. É o que governa o país.

Embora oficialmente tenha proposto a confirmação do acordo, o partido está dividido quanto à questão. A ministra da Justiça, por exemplo, foi a favor. O ministro da Defesa, contra.

Nas ruas de Zurique ainda restam gigantescos cartazes onde aparece desenhado o mapa do país, como se fosse um pedaço de carne, sendo bicado por vários corvos, identificados com os imigrantes.

"Passe livre para todos? Não!", está escrito nos cartazes.


O que denunciou a condição de imigrante de Paula foi o português falado por ela com a mãe ao telefone. Os três agressores não queriam molestá-la sexualmente. Nem mesmo roubá-la. A intenção deles era apenas fazê-la sofrer.

A sessão de tortura durou cerca de 10 minutos. Uma vez terminada, Paula correu para um banheiro da estação e de lá telefonou para o namorado pedindo socorro. Ele chegou acompanhado de uma ambulância e do detetive da polícia de Zurique Hug Andreass. Paula foi levada para um hospital em Zurique.

Enquanto era tratada pelos médicos, ouviu mais de uma vez do detetive:

- Se a senhora estiver mentindo será processada.

Na manhã de hoje, a consul-geral do Brasil em Zurique, a embaixadora Vitória Clever, conversou com o pai de Paula e telefonou para a polícia pedindo informações sobre o caso. Disseram-lhe que o pedido deveria ser feito por escrito. Na mesma hora, a embaixadora mandou o pedido por escrito.

Recebeu uma resposta escrita e assinada pelo detetite Andreass. Ele sugeriu que ela procurrasse informações com a própria vítima da agressão.

A embaixadora, agora, se reportará ao chefe da polícia de Zurique.

Paula voltará ao Brasil na próxima semana.

Bar é poesia - Marina Colasanti

Marina colasanti



Nem Tão Nuas


(Marina Colasanti)




Ah! Cranach, como eu gosto

dessas mulheres nuas que você pinta

com seus pequenos seios

suas barrigas

e ao alto os chapelões cheios de plumas.

E as Salomés, que graça

segurando cabeças de Batista

com a mesma elegante displicência

com que outras, no colo,

afagam cães de raça.

Mas há nessas mulheres

escondido

atrás da boca fina

ou do olhar oblíquo

um luzir de punhal

um gelo ambíguo que

embora estando nuas

lhes põe vestido.





Lucas Cranach the Elder ( 1472 - 1553 )

Lucretia

Oil on canvas ( 1524 )

Comercial antigo - Leite sol

Charge do dia


Ique - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro, RJ

Bentley and GM announce more UK job losses - The Times, uk - link 9aqui)

February 11, 2009

A severe drop in sales around the world has forced the luxury British car marque and the American car group to cut more jobs

Bentley, the luxury British marque owned by Volkswagen, is shedding another 220 jobs and cutting the pay of all staff by 10 per cent.

The latest cost-cutting programme was announced as General Motors set out plans to shed 10,000 salaried jobs worldwide, some of them in the UK.

Bentley, which has suffered dramatic falls in sales, recently cut 230 jobs through voluntary severance. It said yesterday that it hoped to make the new reductions through voluntary deals also.

Its factory at Crewe, which employs 3,800, will close for up to seven weeks next month to reduce output. The shutdown is the secondlongest by a British carmaker in the present recession. Honda's factory in Swindon is closed for four months.

Bentley will cut pay for all employees, including Franz-Josef Paefgen, the chief executive, by 10 per cent from April until the end of the year.

GM blamed its planned redundancies on a severe drop in vehicle sales worldwide and “the need to restructure GM for long-term viability”.

The US group has to prove its viability to the US Government to justify the $13.4 billion (£9.3 billion) it is receiving in emergency state loans. Along with Chrysler, which received $4 billion in support, it must present a restructuring plan to the Government next Tuesday.

The US carmaker has 73,000 salaried staff worldwide and will cut 14 per cent. Of the 10,000 jobs shed, about 3,400 will be in the US and are expected to go in the next three months.

GM is also cutting the pay of salaried staff in the US. From May 1, executive pay will be cut by 10 per cent while other workers will suffer cuts of between 3 and 7 per cent. The company said that GM operations in other countries were also reviewing remuneration arrangements.

The carmaker, which reduced its North American workforce by 11.5 per cent last year, is offering buyout packages to all of its 62,000 factory workers in the US to cut jobs. This includes $20,000 in cash and a $25,000 voucher to buy a new car.

As the US car market continues to be dominated by the troubles of the big domestic producers, it emerged yesterday that China overtook the United States to become the world's largest market for motor vehicles last month.

Preparations to celebrate the Chinese new year, coupled with price cuts and government incentives to promote sales of smaller vehicles, helped to boost the market last month, despite the rising number of job losses.

A total of 735,000 cars were sold in China in January, compared with 656,976 in the United States, Dong Yang, deputy director of the China Association of Automobile Manufacturers, said.

Sales of cars in China have surged fivefold in the past decade as an economic boom has boosted incomes, especially of the urban middle class, making the car a must-have for families, young singles and officials.

In Beijing, for example, an estimated 1,000 new cars hit the streets every month, and driving in the capital can be an exercise in frustration as traffic jams can easily double the time of any journey.

However, industry analysts said that it was too early to declare that China had taken first place in the market from the US.

Xu Changming, an official of the State Information Centre, told the National Business Daily that sales were expected to grow by between 4 per cent and 5 per cent this year from 9.38million last year, compared with an estimated nine million in the US this year.

“But this figure is not something we should feel proud of, since the US has just plunged into a recession,” he said. “Once the recession ends, America can retake the sales crown.”

Last year, US car sales dropped 18per cent to 13.2 million while sales in China increased by 6.7 per cent. Forecasts of 5 per cent growth in Chinese sales this year would mark a decline and the slowest pace since 1998.

Bank bosses say sorry for their role in economic collapse - The Guardian, uk - link (aqui)


Welcome to the Wrap, guardian.co.uk's digest of the day's news

THE BANKERS APOLOGISE

"Scumbag millionaires" the Sun crows this morning on its black front page fitted out for the "shamed bank bosses" who have offered up their apologies. The Mirror opts, more simply, for "Bunch of losers" adding that their attempts at saying sorry were feeble and pathetic.

Lord Stevenson and Andy Hornby of HBOS and Sir Fred Goodwin and Sir Tom McKillop of RBS said sorry for their role in the economic collapse.

Or, as the Sun puts it: "Four millionaires blamed over Britain's banking meltdown were forced to make grovelling apologies yesterday."

There are accusations this morning that it was an exercise in public relations after each of the men refused to acknowledge any significant personal culpability.

"They were sorry. God, they were sorry. They didn't care who knew how sorry they were. On the other hand, they weren't to blame. Not personally to blame anyway. Nobody had seen it coming. Everybody got it wrong. So they apologised, but it wasn't their fault," was Simon Hoggart's summation in the Guardian.

All the other sketch writers were in attendance to tear apart the so-called apology. Andrew Gimson in the Telegraph likened it to a medieval ritual:

"This was the most disappointing public execution it has been our misfortune to attend. A vast crowd assembled at Westminster in the happy expectation of seeing four bankers decapitated, only to watch the guilty men cheat death by opting instead to eat stupendous quantities of humble pie."

While Simon Carr in the Independent was not impressed.

"In fact, the apologies were rubbish. Artful, deferential, professional rubbish. All four banking titans had learnt the technical aspects of the modern apology from Tony Blair and £40,000 worth of PR."

The Sun: Scumbag Millionaires

Guardian: The easiest word: We're sorry, say bankers. Sort of

FIRE AFTERMATH CONTINUES

The suspected death toll in the Australian bushfires has topped 230 and the country has been warned to brace itself for the number of confirmed dead – 181 – to rise sharply.

Australian police are attempting to stop people returning to their homes, saying the scenes would be too gruesome for them to deal with.

One – among the many harrowing descriptions – was firefighter John Munday, who told the Australian how he and his crew had to make the decision to save themselves knowing they were leaving people to die.

"We had people banging on the sides of our tanker begging us to go back to houses where they knew there were people trapped, but we couldn't because if we had, we'd all be dead too," he said.

"There were children running down the streets with flames behind them. It was hell. I never want to go back to that place, never."

In another emotive speech, the prime minister, Kevin Rudd, addressed parliament, speaking about the natural disasters that the country is forced to endure.

"The 7th February will become etched in our national memory as a day of disaster, of death and mourning. This nation has been scarred by natural disasters – disasters that remind us of our tenuous hold on this vast and forbidding land.

"'Her beauty and her terror', as our nation's poem reminds us of this wide brown land – except that the land is now black, the earth scorched and the people in mourning.

"Fire holds a great terror for us all. Its power, its speed, its roar, its relentless destruction, its capricious shifts in course … its want of mercy."

Sydney Morning Herald: Kevin Rudd, re-establishing identities

Guardian: Australia braced for bushfire death toll to rise

STALLION OF THE SOUTH

The Times has bestowed it with the name 'the Stallion of the South'. Turner prizewinning artist, Mark Wallinger's sculpture of the 50 metre (164ft) white horse has won the competition to mark the building of Ebbsfleet International in north Kent.

"Each hoof will be the size of a bungalow, each eye the length of a pillar box and each testicle the volume of a people carrier."

The man whose company is curating the project, Mark Davy, told the Times the horse had to be 50 metres tall to comply with Highways Agency demands.

"You have to be able to see it from a long way off. It would be too distracting for drivers if they came round a bend and suddenly saw a giant horse."

Times: It's a winner: Stallion of the South chosen as symbol of national pride

HEADLINE OF THE DAY

There is a major consensus today on how to headline a story about a woman who was on a trip to go trekking in San Jose when she ended up 1,300 miles away in Puerto Rico.

Samantha Lazzaris only realised she was in the wrong place when she asked a taxi driver to take her to her hotel. Apparently, the check-in staff placed the SJU (San Juan) code on her tickets rather than SJO (San Jose)

The headline? "Do you know the way to San Jose? Er, no" (Chosen by the Sun, the Mirror and the Times)

The Sun: Do you know the way to San Jose?

Des prisonniers politiques à Cuba? Où ça? - Libération, fr - link (aqui)



11/02/2009 à 08h24

Le président du parlement cubain, Ricardo Alarcon, a nié mardi l’existence de prisonniers politiques à Cuba, alors que la situation des droits fondamentaux dans l’île communiste sera examiné par une instance de l’ONU. «Pour libérer quelqu’un, il faut d’abord l’enfermer et, dans ce pays, il n’y a pas de prisonniers politiques», a déclaré Alarcon lors d’une rencontre avec des journalistes à La Havane. «Ici se trouvent des personnes qui ont été condamnés pour des délits prévus par la loi, pour avoir agi en tant qu’agents payés et dirigés par une puissance étrangère», a-t-il poursuivi.

Les autorités de La Havane ont régulièrement nié l’existence de prisonniers politiques, affirmant que ces détenus étaient des «mercenaires» à la solde de leur ennemi déclaré, les Etats-Unis.

Toutefois, la dissidence cubaine estime que l’île abriterait encore 205 détenus politiques, à l’instar de la Commission pour les droits de l’Homme et la Réconciliation nationale, une organisation illégale mais tolérée. Le président de cette association, Elizardo Sanchez, a qualifié de «farce» les propos tenus par Alarcon. «La réunion de Genève a servi à montrer l’attitude de défi maintenue par le gouvernement cubain face à la communauté internationale.»

Huit pays ont demandé à Cuba de libérer ces prisonniers et de garantir la liberté d’expression, lors de l’Examen périodique universel (EPU) de la situation dans l’île par le Conseil des droits de l’Homme de l’ONU, réuni jeudi à Genève. Cette recommandation a été déposée par six pays européens (Autriche, Grande-Bretagne, Italie, Pays-Bas, République tchèque et Slovaquie), ainsi qu’Israël et le Canada.

Le gouvernement cubain a minimisé cette initiative qu’il juge isolée, signalant avoir accepté la majorité des quelque 80 recommandations déposés lors du débat à l’ONU, même s’il a différé sa demande concernant des propositions sensibles.

Parmi elles figurent notamment l’envoi d’un rapporteur de l’ONU à Cuba et l’autorisation pour l’organisation internationale de la Croix Rouge d’accéder aux prisons de l’île.

(Source AFP)

Meryl Streep : «Je travaille comme un détective» - Le Figaro, fr - link (aqui)

Crédits photo : AP

Propos recueillis par Olivier Delcroix
10/02/2009 | Mise à jour : 19:42

En lice pour les Oscars, l'actrice américaine est époustouflante sous le voile de sœur Aloysius Beauvier.

Dès qu'elle entre dans la pièce, le silence se fait. Un sourire tout en retenue, un bon mot, un regard coulé sous ses lunettes et Meryl Streep vous a déjà séduit. Rayonnante à presque soixante ans, l'interprète d' «Out of Africa» surprend une fois de plus. Son nouveau rôle est aux antipodes de la virevoltante héroïne de «Mamma Mia». Après deux oscars, sa prestation dans «Doute» lui vaut une nouvelle nomination pour l'oscar de la meilleure actrice. Quel est le secret de celle qui, depuis le début de sa carrière, accumule quinze nominations aux prestigieuses récompenses ? Comment s'est-elle glissée dans la tunique grise et austère de sœur Aloysius Beauvier ? Avec sincérité et toujours beaucoup de classe, Meryl Streep se livre sans détours.

Le Figaro - Qu'est-ce qui vous a convaincu d'accepter le rôle d'une nonne autoritaire qui part en croisade contre un prêtre soupçonné de pédophilie ?
Meryl Streep - En fait, c'est le script qui m'a convaincu d'accepter le rôle. Bien sûr, j'avais vu la pièce à Broadway, dès sa sortie en 2004. C'est mon amie Cherry Jones qui interprétait sœur Aloysius Beauvier. J'avais été très impressionnée. Vous savez, ça a été un très grand succès à New York. John Patrick Shanley a même reçu le prix Pulitzer pour sa pièce. On m'a dit qu'en France, Roman Polanski l'avait également montée au théâtre.

Après «Mamma Mia», n'a-t-il pas été difficile d'incarner une nonne directrice d'école catholique aussi sévère que sœur Aloysius ?
Non. Parce que mon métier d'actrice, que j'exerce et que j'aime depuis l'âge de vingt ans, consiste à passer d'un rôle extrême à l'autre. J'ai joué tellement de personnages différents. Pourtant, aucun de ces rôles ne prend le pas sur l'autre.

Comment parvenez-vous à trouver la vérité de chacun de vos rôles ?
Pour moi, la vérité d'un personnage a toujours quelque chose à voir avec l'émotion. Pour sœur Aloysius, par exemple, je lui ai construit un passé. Quand je compose un personnage, je travaille comme un détective qui enquête sur une scène de crime.

Comment se sont passées les scènes très fortes entre vous et le père Flynn, interprété par Philip Seymour Hoffman ?
J'adore travailler avec Philip. C'est un comédien tellement imprévisible qu'il m'effraie. C'est mon ami. Et pourtant, lors du tournage, je ne savais pas qui allait franchir le pas de la porte… Il ne joue pas un prêtre. Il l'incarne, c'est tout. Il est tellement dans son rôle que moi, je n'ai plus qu'à lui donner la réplique. Entre mon personnage et le père Flynn, les mots sont comme des armes.

En un sens, sœur Aloysius est un peu naïve…
C'est vous qui le dites. Mais les gens religieux diraient qu'elle est croyante. Mon personnage se sent comme un barrage qui contiendrait le flot de la corruption. Et en un sens, elle a raison. Car ce flot existe. Dans le film, il est simplement minimisé, caché aux yeux du public par la hiérarchie cléricale.

Avez-vous foi dans le cinéma ?
Oui, j'ai foi en lui. Tout du moins, j'ai foi dans les histoires qu'il raconte. Je pense que les hommes racontent des histoires en images depuis qu'ils ont inventé le feu !

Aujourd'hui, nombreuses sont les jeunes actrices qui vous prennent en tant que modèle…
… Et ça me fait très plaisir. Si j'avais un conseil à leur donner, ce serait surtout de jouer avec leur image. Il faut éviter les stéréotypes comme celui de la belle héroïne glamour. Sachez injecter du doute dans la perception des spectateurs et des gens de cinéma. De cette manière, ils resteront curieux de vous voir jouer toutes sortes de femmes…

Doute : Drame de John Patrick Shanley, avec Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams et Viola Davis. Durée : 1 h 45.

V12 Vantage: la più potente Aston Martin di sempre - La Stampa, it - link (aqui)



Sarà esposta in anteprima mondiale a Ginevra

Dopo aver svelato il prototipo nel dicembre del 2007 (in occasione dell'inaugurazione del suo Studio Design a Gaydon) e averne proseguito lo sviluppo per tutto lo scorso anno, Aston Martin è ora pronta a presentare di serie il suo nuovo gioiello. Si tratta della V12 Vantage che sarà esposta in anteprima mondiale al Salone di Ginevra. La più veloce, potente ed agile supercar nei 95 anni di storia della Aston Martin si basa sulla V8 Vantage ed è equipaggiata con lo straordinario propulsore V12 di 6 litri aspirato in grado di erogare la bellezza di 510 CV e di sviluppare una coppia di 570 Nm, dati che le consentono di raggiungere la velocità massima di 305 km/h e di accelerare da ferma in 4,2 secondi.

''La V12 Vantage - ha commentato il Presidente del marchio britannico, Ulrich Bez - rappresenta l'ultima interpretazione prestazionale della gamma e combina la dinamica della Vantage con il nostro più potente motore di sempre. Stimolerà al massimo le emozioni e il piacere di guidare della nostra clientela''. La V12 Vantage, che riprende materiali e componenti derivati direttamente dall'esperienza nelle competizioni (in particolare dalla DBR9 che ha trionfato due volte nella classe GT1 della 24 Ore di Le Mans), sarà una vettura assolutamente esclusiva. Sarà infatti prodotta in soli 1.000 esemplari nello stabilimento principale di Gaydon affiancandosi a DBS, DB9 e V8 Vantage. Le consegne inizieranno nel terzo trimestre di quest'anno con prezzo ancora da definire (sarà ufficializzato a Ginevra).

Si confronterà con modelli del calibro di Ferrari F430 e Lamborghini Gallardo LP560-4. Il motore è stato ''accordato'' con la possibilità di gestirne il ''sound'' grazie ad un tasto Sport nella plancia. Rispetto alla V8 Vantage, gli ammortizzatori sono stati irrigiditi dell'80 % all'anteriore e del 45 % al posteriore per gestire meglio i pesi e l'incremento delle prestazioni. I cerchi da 19 pollici montano pneumatici PZero Corsa, l'impianto frenante è in carboceramica. La V12 Vantage pesa 1.680 kg, tutto sommato un peso limitato grazie alla ''leggerezza'' del motore, dei cerchi in alluminio e dei freni. Ma le sorprese Aston Martin per la rassegna elvetica non sono finite. Il brand controllato da fondi kuwaitiani dovrebbe infatti esporre anche la variante scoperta della DBS con meccanica invariata rispetto al coupé.

"Bush è morto", gaffe choc di una tv - La Stampa, it - link (aqui)

George Bush

Su una rete sudafricana compare la tragica ultim'ora, ma è un errore

CITTA' DEL CAPO
Errore di una tv sudafricana durante il notiziario. Mentre un giornalista comunica le notizie del giorno sullo schermo appare una drammatica ultim'ora: "Bush è morto". Su ETv per un paio di secondi è rimasto in evidenzia il banner con la tragica notizia. Poi l'allarmante flash svanisce, ma l'errore della troupe rimane impresso negli occhi dei telespettatori. Probabilmente uno dei tecnici ha premuto il tasto sbagliato, attivando l'ultima ora in diretta. In realtà nessuno avrebbe dovuto vedere la scritta, che era solo una prova per testare il funzionamento del banner. Un membro anziano dello staff ha voluto fare un test, ma non si è reso conto di aver schiacciato il bottone sbagliato. Tempestive le scuse dell'emittente televisiva: «Il tecnico ha premuto il tasto sbagliato e dopo un secondo le parole sono apparse sullo schermo, dove sono rimaste per circa tre secondi prima di svanire», ha detto Vasili Vass, portavoce della tv.

Nessun commento su eventuali provvedimenti disciplinari nei confronti del responsabile di questo grave errore. «Abbiamo imparato la lezione, ora tutte le prove saranno fatte senza rischiare di mettere in onda l'ultima ora». La gaffe, però, non è passata inosservata. Sia il giornale locale Beeld che il sito web News24.com. hanno subito riportato la notizia. Immediata la replica di Vass alle critiche degli altri giornali: «Noi, però, non abbiamo mai fatto commenti sui loro errori».

Usa, il piano Geithner manda in rosso le Borse ´la Repubblica, it - link (aqui)

Il segretario Usa al Tesoro, Timothy Geithner

Il segretario al Tesoro di Obama non ha convinto i mercati
Wall Street ha trascinato al ribasso le piazze europee, chiusura a -4,65%

Il Mibtel perde oltre due punti, male Parigi e Francoforte
di SARA BENNEWITZ

Nuova ondata di ribassi per le principali Borse Europee che nel pomeriggio sono state appesantite dalla caduta di New York, che ha poi chiuso a -4,65% (Nasdaq a -4%). I listini americani hanno infatti accusato il colpo dopo che il nuovo segretario al Tesoro Usa Timothy Geithner, ha presentato le linee guida del suo piano di stabilità finanziaria. Al contrario di quanto si aspettavano i mercati, il governo Usa non ha approvato il progetto di bad bank, ma una soluzione simile, prevedendo un fondo di investimento (finanziato da Fed e da altri capitali privati) che dovrebbe rilevare gli asset illiquidi delle banche.

Ma gli stanziamenti pubblici a sostegno del sistema finanziario Usa saranno molto al di sopra della cifra stimata: stiamo parlando di 1000 miliardi di dollari, a cui eventualmente potrebbero essere aggiunti ulteriori 500 milioni di dollari per i derivati e gli strumenti finanziari "tossici". "Le azioni che finora abbiamo avviato sono state essenziali ma inadeguate - ha detto Geithner - questa battaglia va combattuta su due fronti: dobbiamo far ripartire l'occupazione e gli investimenti e dobbiamo far riaffluire il credito verso le imprese e le famiglie".

Ed è per questo che oltre ai finanziamenti pubblici della Fed è prevista anche la partecipazione dei capitali privati. "Invece di catalizzare la ripresa - dice Geithner - il sistema finanziario sta lavorando contro la ripresa e questa è la pericolosa dinamica che dobbiamo cambiare". La parole del segretario al Tesoro Usa, oltre a far vacillare Wall Street, hanno portato il dollaro a scivolare da 1,28 a quota 1,30 nei confronti dell'euro, e anche le quotazioni del petrolio a New York sono scese nuovamente sotto 40 dollari al barile.

Tornando ai listini del vecchio continente, la peggiore è stata Parigi (meno 3,6%) seguita a ruota da Francoforte (meno 3,4%) e infine da Londra (meno 2,2%) e Milano. A Piazza Affari il Mibtel è infatti sceso del 2,04% a 14.531 punti e l'S&P/Mib il 2,20% a quota 18.252. Banche e titoli petroliferi sono stati tra i più colpiti. Tenaris ha infatti perso il 5,4%, Saipem il 5,3% ed Eni oltre tre punti percentuali. Tra i finanziari, anche Unicredit che per tutta la seduta si era mostrata tonica dopo il rinnovo dell'attuale management ha chiuso in parità. Maglia nera tra i bancari invece per il Banco Popolare (meno 4,3%) che è molto esposta su It Holding e tra gli assicurativi per Generali (meno 4%). Tra i pochi titoli che invece sono riusciti a salvarsi dall'ondata di vendite va segnalata Pirelli (più 3,2%) alla vigilia della presentazione del piano industriale, e i due titoli difensivi per eccellenza vale a dire Terna (più 1,8%) e Snam Rete Gas (più 0,6%).

Vuelve el Almodóvar más transgresor - El País, es - link (aqui)

Fotograma de 'La concejala antropófoga'

Después de 30 años, el director manchego regresa al mundo del corto con 'La concejala antropófaga', un monólogo a la medida de Carmen Machi

R. T. / I. G. - Madrid - 11/02/2009

Un mes antes del desembarco en las salas de cine de la última película de Pedro Almodóvar, Los abrazos rotos, Canal + (dial 1 de Digital +) estrenará el próximo viernes el cortometraje La concejala antropófaga (0.50), un monólogo a la medida de Carmen Machi. Este trabajo supone el regreso del director manchego, después de 30 años de ausencia, al mundo del corto. El cineasta recupera así un formato al que fue muy aficionado en sus comienzos en la década de los setenta, cuando rueda sin parar sus primeros cortos en súper 8, sin sonido, y doblados por él mismo durante las proyecciones.

Con La concejala antropófaga, Almodóvar retoma su lado más delirante, además de recuperar su vena más transgresora, fresca y espontánea de Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón o Entre tinieblas. Unas características que Machi hace suyas en un monólogo con un texto imprudente que en su boca se desgrana con una naturalidad asombrosa. El corto dará que hablar por tratarse de una propuesta atrevida, brillante e impecable en lo que a realización e interpretación se refiere. Y encima desternillante. Ahí está el mejor Almodóvar joven y fresco de sus inicios, pero con toda la pátina de sabiduría acumulada después de tantos años de oficio.

Y también está la mejor Machi. La de La tortuga de Darwin, de Juan Mayorga, o la que ha dirigido José Luis Gómez o Lluís Pasqual (el corto rezuma teatro por los cuatro costados y debería llevarse a escena), echando el resto para ser una convincente concejal del PAP (pronunciado Peape), pelín cocainómana y con una estrambótica perversión sexual.

Canal + emitirá esta producción dentro del especial Almodóvar en corto, que incluye también una entrevista realizada al ganador de dos Premios Oscar (Todo sobre mi madre, Hable con ella) por el crítico cinematográfico Diego Galán. En sus declaraciones, Almodóvar explica los motivos que le han llevado a abordar el cortometraje después de tanto tiempo. Ante la cámara confiesa haber obedecido a un impulso creativo motivado por "el talento descomunal" de Machi en el rodaje de Los abrazos rotos, protagonizado por su musa, la multipremiada Penélope Cruz, Blanca Portillo y Lluís Homar. Es entonces cuando escribe La concejala antropófaga, un capricho del cineasta, impulsado por la breve pero brillante aparición de Machi.

Almodóvar cuenta que para la grabación utilizó un rincón del decorado de Los abrazos rotos y que inundó este espacio de guiños a Mujeres al borde de un ataque de nervios (gazpacho, una maleta llena de recuerdos, una mujer abandonada). También confiesa que La concejala... nada tiene que ver con el tono ni y el estilo del largometraje. Tampoco supone un adelanto de la película. Su nuevo filme, tal como declara él mismo, es un tributo al cine negro americano de los años cincuenta, un thriller enclavado en el género de drama y una gran historia romántica a cuatro bandas.

Pfeiffer salva sólo a medias a Frears - El País, es - link (aqui)

Michelle Pfeiffer- REUTERS

'Chéri' une a actriz y director veinte años después de 'Las amistades peligrosas'

CARLOS BOYERO 11/02/2009

Hace veinte años al cine le ocurrió algo memorable titulado Las amistades peligrosas. Stephen Frears, ayudado por el espléndido guión de Christopher Hampton y por tres intérpretes en estado de gracia llamados John Malkovich, Michelle Pfeiffer y Glenn Close creaba un brillante universo de seducción, perversos juegos de máscaras, mentiras calculadas con efectos devastadores, cinismo sofisticado que acaba devorando a los cazadores y a sus presas.

Frears, Hampton y Pfeiffer vuelven a reunirse en una película de época que adapta la novela de Colette Chéri. Frears sigue hablando de una clase ociosa y de cómo entretienen su tiempo con intrigas, del arte de la lujuria y de las imprevistas y trágicas consecuencias que le pueden ocurrir a los corazones cuando se juega demasiado con ellos. Con la diferencia respecto a los personajes de Las amistades peligrosas de que aquéllos eran aristócratas corrompidos y voraces y aquí son superputas de finales del siglo XIX que se han hecho ricas sabiendo administrar los regalos de sus amantes de la nobleza, la realeza, la empresa y la banca.

Frears describe el proceso destructivo y romántico en el que se ve pillada una de estas reinas del sexo mercenario, cuarentona, sabia y descreída, al enrollarse con un lánguido, opiómano y enigmático gigoló de 19 años que es el hijo de una compañera de profesión. Habla de las convulsiones y la vulnerabilidad que puede provocar el amor en gente que se sentía acorazada ante sentimiento tan peligroso, de los estragos morales que pueden acompañar al indeseado envejecimiento físico, del miedo a que ocurra lo inevitable cuando en la aparentemente frívola relación uno se acerca al crepúsculo mientras que el otro permanecerá durante muchos años insultantemente joven y deseable, de las trampas para intentar eludir el fracaso y el abandono.

Se nota que el guionista y el director se han esmerado por hacer algo penetrante sobre el esplendor, los vaivenes y la fragilidad del sentimiento amoroso, para que diálogos, personajes y situaciones sean complejos, para transmitir al espectador la tensión, la malicia y el subterráneo lirismo de esta peligrosa relación entre la mujer que sabía demasiado y el mequetrefe dionisiaco y turbador. Pero aunque reconozca las pretensiones, la mordacidad y el talento de sus creadores en mi caso no lo consiguen.

Me ocurre que casi toda la tipología que presentan me caen fatal, que el narcisismo, las dudas, las huidas, la desesperación y la añoranza del niñato hipermimado me dan una ligera grima, que la forma en que retratan la banalidad de ese mundo me crean tanto rechazo como fatiga. Algo que desaparece en todos los momentos en los que está presente Michelle Pfeiffer, esa maravilla de hembra y de actriz. En sus secuencias me lo creo todo, la comprendo y la compadezco, me resulta transparente lo que aparenta y lo que siente. Michelle Pfeiffer será sexy y fascinante hasta el final de sus días, cantando tumbada en un piano o vestida de monja de clausura. Ver cómo miran, sonríen, se mueven, sufren, besan, hablan y escuchan señoras como Michelle Pfeiffer y Robin Wright Penn es uno de los mayores placeres que me sigue regalando el cine.

En London river, dirigida por Rachid Bouchareb, no hay erotismo ni ensoñación, pero sí una sensible y emotiva historia sobre la comunicación y la solidaridad que pueden llegar a establecer dos personas de culturas dispares o enfrentadas que buscan a sus desaparecidos hijos chorreando angustia. Ocurre días más tarde del atentado terrorista en Londres en julio del 2005. Ella es una inglesa tradicional y él un africano musulmán. Bouchareb habla de la inaplazable tolerancia con lenguaje del mejor cine independiente. Te implica en la compartida e íntima odisea de estos dos náufragos que no renuncian a la esperanza de que el destino o el diablo no se hayan ensañado con lo que más aman.

Chen Kaige, un director chino que tuvo un esplendor fugaz con Adiós a mi concubina, y que no ha vuelto a levantar cabeza, prosigue con su narrativa espesa y casi nada interesante que contar en Forever enthralled. Describe el duelo entre dos divos de la ópera de Pekín que representan el conservadurismo y la transgresión. De ópera china no sé nada pero deduzco que Chen Kaige la utiliza como parábola sobre el estado de las cosas en su país. Los duelos me apasionan, pero éste me resulta demasiado esotérico, ni lo comprendo ni me dan ganas de apostar por ninguno de los contendientes. Y además se hace interminable.

'Apartheid' en el paraíso - El País, es - link (aqui)

Grabado del siglo XII del 'Libro de ajedrez, dados y tablas'

Una antología de la poesía medieval recuerda una diversidad lingüística que coexistía con la segregación racial

JAVIER RODRÍGUEZ MARCOS - Madrid - 11/02/2009

"No es lo mismo tolerancia que convivencia". Lo dice Carlos Alvar, catedrático de Literatura Medieval y premio Nacional de Traducción en 1981. Junto al poeta Jenaro Talens, colega suyo en la Universidad de Ginebra, Alvar acaba de publicar Locus amoenus (Galaxia Gutenberg / Círculo de Lectores), una monumental antología de la poesía lírica que se escribió en la península Ibérica durante la Edad Media. Mil doscientas páginas bilingües para un océano de poemas en ocho lenguas: latín, árabe, hebreo, mozárabe, provenzal, galaico-portugués, castellano y catalán. El vasco quedó fuera porque su poesía escrita es posterior o, de existir, se ha perdido.

Una selección así, en la que el mismo tema aparece desarrollado por autores de diferentes tradiciones o en la que un mismo poeta escribe en dos lenguas distintas, ¿es una muestra de la diversidad cultural de ese territorio que terminaría siendo España? Alvar es claro: "Sí". ¿Y un ejemplo de convivencia? "No". ¿Qué hay entonces de aquel "lugar apacible", por traducir el título de la antología, en el que supuestamente convivían cristianos, árabes y judíos? "Los que profesaban una religión en un territorio dominado por otra sólo eran tolerados en unos límites que hoy nos parecerían inaceptables", explica el antólogo en su casa de Madrid. "Por ejemplo, tenían que vestir de forma distinta y no podían vivir en las mismas zonas. Hablamos de tolerancia porque, para lo que era la Edad Media, ya es bastante que no los mataran". No obstante, al tiempo que describe un apartheid en toda regla, Alvar matiza: cuando le toca pintar la época con brocha gorda presenta medio lleno el vaso de las tres culturas. "No seré yo quien destruya el mito si eso contribuye a la paz en el mundo", dice con ironía.

Más amigo aún de la verdad que de su adorado Medievo, este experto en el ciclo artúrico sitúa el origen del mito de la convivencia en la idea romántica que se tiene de la corte científica de Alfonso X el Sabio: "Allí se hicieron muchas traducciones pero no había una escuela de traductores. Se proyecta una idea de escuela con un árabe, un judío y un cristiano y no era así. En las propias Partidas de Alfonso X se prohíben los matrimonio mixtos". La intolerancia, además, no era exclusiva de los cristianos. En el siglo XII, los almohades lo arrasaron todo, incluida Córdoba, que tenía la mejor biblioteca de Europa, con medio millón de volúmenes.

Así pues, una antología como Locus amoenus, que recoge la obra de autores como Jorge Manrique, Gil Vicente, Ausiàs March, Ibn Suhayd o Don Denís de Portugal es fruto de una sociedad más promiscua en su cultura que en sus leyes. El propio rey sabio componía sus crónicas en castellano y sus poemas en galaico-portugués. Y en su corte había poetas "capaces incluso de hacer un poema en cinco lenguas distintas, con dos versos en cada una".

Y luego, o en primer lugar, estaba la música. La mayoría de los poemas medievales se compusieron para ser cantados. La letra venía después. ¿Dominaban cada idioma? Carlos Alvar responde con otra pregunta. "¿Cuánta gente que no sabe ni papa de inglés sabe hoy canciones en inglés?".

Con todo, la transfusión poética no era nada superficial. Muchos autores conocían bien las tradiciones vecinas. Así, el marqués de Santillana estaba al día de la poesía catalana y el judío Moshé Ibn Ezra escribió sus poemas en hebreo y el resto de su obra en árabe. Los judíos, de hecho, seguían el modelo marcado por los musulmanes. Cualquier judío culto conocía perfectamente el árabe, que tenía una mayor tradición literaria y filosófica. El hebreo se reservaba para la religión. "El antagonismo actual entre ambas culturas", apunta el profesor Alvar, "es resultado de la creación del Estado de Israel, antes no existía, todo lo contrario".

La música, además, contribuyó al uso político de la poesía. "Una melodía pegadiza era el vehículo perfecto para la burla y para crear opinión", dice Alvar. "Eso llega hasta nosotros. Durante la Guerra Civil, a una misma música cada bando le ponía una letra distinta". Por supuesto, la imitación mandaba sobre la expresión. La originalidad es un invento muy posterior. "Aunque si hay una tradición moderna de poesía impersonal, cercana a Lautréamont, es la del Cancionero", apunta Jenaro Talens. "El siglo XV es lo más parecido a nosotros".

El Occidente medieval, recuerdan los antólogos, formaba una unidad cultural. La idea de pertenecer a un reino determinado, "ese primer nacionalismo", es del siglo XVI. "En el siglo XII, en Islandia se leían traducidos los mismos libros que en Toledo, Florencia y Núremberg. Las universidades de toda Europa usaban los mismos textos".

Además, las lenguas no estaban tan definidas como ahora y cada autor escogía la que mejor le venía para expresar sus ideas. Eso sin olvidar que entre las lenguas románicas había una relación más fluida que hoy, en que, según Talens, "la política entra donde no toca". Por lo demás, Al Ándalus fue el modelo literario para toda la Península hasta el siglo X. "Luego", apunta el mismo, "se fue optando por el castellano como lengua más neutra: servía para evitar el tinte confesional del latín (de los cristianos), el árabe (de los musulmanes) y el hebreo (de los judíos)". Al final, la pérdida paulatina del latín, la política y "la mal llamada Reconquista" impusieron las fronteras y el monocultivo cultural. Y hasta hoy.

La caída de las ventas fuerza a GM a reducir otro 14% la plantilla - El País, es - link (aqui)

El sueldo de los empleados se recorta un 7%, y el de los directivos, un 10%

S. POZZI - Nueva York - 11/02/2009

General Motors apretó ayer más la tuerca, con el anuncio de una nueva ola de despidos que afectará al 14% de los asalariados. El propósito es reducir a 63.000 empleados su plantilla global. Los despidos se acometerán en todas las regiones, en función de las condiciones de cada mercado. El nuevo recorte se hace público a una semana de que la compañía presente al Tesoro su plan de viabilidad.

El grueso de los despidos se producirá en EE UU -unos 3.400 empleos sobre una plantilla total de 29.500 asalariados-. Además, procederá a partir del 1 de mayo a una revisión a la baja de hasta el 7% de los sueldos de sus empleados en EE UU, que en el caso de los puestos directivos será del 10%. Los recortes son temporales y durarán hasta final de año. Para el resto de las zonas no se dan detalles.

En noviembre pasado, GM anunció que se deshacía del 30% de los asalariados en Norteamérica, a los que sumó 2.000 en enero. La automovilística justifica el nuevo recorte anunciado ayer por el desplome de la demanda, debido a las dificultades para acceder al crédito, la recesión y el alza del paro. "Estas difíciles decisiones son necesarias por la grave caída de las ventas de coches en todo el mundo y por la necesidad de garantizar la viabilidad a largo plazo", indica.

GM registró una caída del 11% en las ventas globales en 2008. El panorama para el año que acaba de comenzar es oscuro. La compañía anticipó en diciembre que procedería a ajustar la plantilla a las condiciones del mercado. Ahora debe presentar un plan de viabilidad para que la Administración que preside Barack Obama siga acompañando su adaptación, y evitar la quiebra. GM acaba de recibir un crédito puente de 13.400 millones.

El presidente del BBVA ganó 16 millones entre sueldo y pensión - El País, es - link (aqui)

Francisco González tiene un blindaje de 93,7 millones

ÍÑIGO DE BARRÓN - Madrid - 11/02/2009

El BBVA publicó ayer las retribuciones de sus directivos en su informe anual de gobierno corporativo. El presidente del banco, Francisco González, ganó 16,6 millones entre sueldo fijo, paga variable y dotación para su fondo de pensiones. Esa cifra no incluye un bono en acciones, de carácter trianual, valorado en 3,4 millones que se devengó entre 2006 y 2008.

El informe enviado ayer a la CNMV detalla que el primer ejecutivo del banco ganó el año pasado 1,92 millones de sueldo fijo, un 5,5% más, en tanto que el salario variable (que se establece en función del beneficio ajustado al riesgo asumido y la eficiencia del banco) alcanzó los 3,41 millones, un 10,15% menos. Estas dos partidas suman 5,34 millones, un 5,06% menos que el ejercicio anterior.

Sin duda, los resultados de la entidad han pesado en este descenso del sueldo variable. El resultado atribuido del banco cayó un 18%, mientras que el beneficio por acción lo hizo un 20%. No obstante, el BBVA será el tercer banco occidental que más gane del mundo.

A la retribución salarial hay que añadir lo que el BBVA dotó por el fondo de pensiones del presidente. El ejercicio pasado, el aumento fue de 11,22 millones, un 38% más que el año anterior. En total, González acumula un fondo de pensiones de 72,54 millones. Así, el sueldo fijo, variable y dotación a pensiones de González suma 16,57 millones, lo que supone un 20% más que el año pasado.

Este año ha tenido una alegría más, porque ha terminado un plan de retribución trianual que comparaba el retorno para los accionistas del BBVA con el de otras 14 entidades comparables. El banco quedó tercero, sólo por detrás de San Paolo y Santander. Así, además del sueldo, ha recibido 454.000 acciones correspondientes al periodo 2006- 2008. Según la cotización de ayer, los títulos están valorados en 3,4 millones, con lo que la paga es menor que el anterior incentivo trianual.

La suma de las cuatro partidas asciende a 19,97 millones de euros. El banco también señala que la indemnización de González si el Consejo le echa (salvo por incumplimiento grave) u otra entidad compra el BBVA y prescinde de él, es de 93,70 millones.

Por su parte, el consejero delegado del BBVA, José Ignacio Goirigolzarri, tiene un blindaje de 68,6 millones. Goirigolzarri cobró 1,42 millones de sueldo fijo, un 5,5% más, y 2,86 millones de salario variable, un 10% menos. Su fondo de pensiones se elevó en 6,09 millones. En total, 10,37 millones. A esta cantidad también hay que sumar los 2,87 millones percibidos como incentivos por las 383.400 acciones del periodo 2006-2008. Para este año, los directivos del BBVA se han congelado la cuantía fija y los parámetros para calcular la variable.

La UE vigilará que los activos dañados reciban igual trato en todos los países - El País, es - link (aqui)

El ministro alemán de Finanzas, Peer Steinbrück, y sus homólogos sueco y holandés- EFE


El presidente de turno de la Unión advierte sobre el auge del proteccionismo

ANDREU MISSÉ - Bruselas - 11/02/2009

Los planes de rescate para salvar la banca europea han resultado claramente insuficientes. Hace falta movilizar más dinero público. Pero, de momento, los ministros de Economía de la UE sólo han logrado ponerse de acuerdo sobre los principios de estas nuevas medidas. Los responsables de las finanzas de los Veintisiete, reunidos ayer en Bruselas, acordaron los criterios que deberán seguir los distintos Estados para sanear sus bancos.

En la reunión se barajaron distintos instrumentos como bancos malos (entidades que adquirirían los activos tóxicos, créditos o inversiones fallidas) o garantías públicas para estos productos. En cualquier caso, se deberá actuar de manera coordinada y aplicar los mismos criterios para todas las entidades afectadas.

El comisario de Asuntos Económicos y Monetarios, Joaquín Almunia, subrayó que había que garantizar "la igualdad de trato" de las decisiones que se tomen sobre estos activos. El comisario anunció otros dos principios que deberán tenerse en cuenta: la valoración de los activos afectados deberá hacerse "de manera transparente, por técnicos independientes, y las cargas tendrán que repartirse de manera equilibrada entre accionistas y contribuyentes, que están arriesgando su dinero".

Almunia se mostró partidario de ampliar el concepto de activos tóxicos para incluir también los dañados, que en la práctica carecen de liquidez. Y se ha comprometido a que la Comisión presente directrices precisas en las próximas semanas. Los ministros alcanzaron un punto de consenso sobre la necesidad de efectuar "un enfoque coordinado" para evitar distorsiones entre los bancos. Esto implicará una correcta valoración de estos activos.

La realidad es que el ritmo de concesión de créditos está todavía lejos de normalizarse. Los expertos aseguran que hasta que los bancos no estén saneados no volverán a prestar dinero. El presidente del Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, reconoció que "en algunos países un buen tratamiento de los activos tóxicos podría contribuir a la estabilidad financiera". La teoría es que, una vez los bancos estén liberados de los activos dañados, el dinero volverá a fluir.

De momento, se ha descartado la creación de un banco malo en Europa por la disparidad de características de los bancos. Así, se prevén uno o varios bancos malos por país. Estados como Holanda y Reino Unido estudian otros sistemas como garantías o avales de los créditos dañados.

Las cuestiones urgentes a resolver son: qué activos podrán ser adquiridos, a qué precio se deberán pagar, cuánto tiempo permanecerán en los bancos malos y en qué condiciones.

El temor a que determinadas ayudas puedan ser fuente de competencia desleal ha provocado una fuerte preocupación en algunos países. El vicepresidente segundo del Gobierno, Pedro Solbes, tras reiterar la salud de los bancos españoles, exigió que se establezcan controles durante todo el proceso y reducir las ayudas al mínimo. "No tiene sentido", dijo, "que los bancos que no tienen dificultades y no tienen que recurrir [a las ayudas] al final acaben en peor situación que los otros".

Las intervenciones públicas por parte de algunos países en defensa de sus bancos o sectores como el automóvil desencadenaron ayer fuertes críticas por parte de Mirek Topolanek, primer ministro de la República Checa, que ocupa la presidencia de turno de la UE. Topolanek acusó a "la mayoría de Estados que usan el euro" de "violar las reglas comunes con sus declaraciones y medidas prácticas".

Las palabras de Topolanek se interpretaron como una réplica directa a las manifestaciones de Nicolas Sarkozy, en las que condicionaba las ayudas de 7.800 millones de euros concedidas a los fabricantes de automóviles a que mantuvieran sus industrias en Francia y no se desplazaran a otros países como la República Checa. En su opinión, el mayor enemigo del euro es el proteccionismo y el individualismo con que algunos Estados de la zona euro están respondiendo a la realidad de la crisis.

Obama pone en marcha un gran plan para salvar la economía -El País, es - link (aqui)

Obama, el lunes por la noche en la Casa Blanca- EFE


Geithner presenta el programa de estabilización financiera - El Senado aprueba medidas de estímulo - El presidente confía en obtener resultados en un año

ANTONIO CAÑO - Washington - 11/02/2009

El Gobierno de Barack Obama concretó ayer una vasta operación del salvamento de la economía, con acciones simultáneas en varios frentes y el gasto de sumas que pueden superar los dos billones de dólares, dentro de una estrategia que pretende, al mismo tiempo, resucitar la producción y el consumo para crear empleos, y estabilizar el sistema financiero para que vuelva a ser el motor de la actividad económica y del crecimiento. Se trata de un monumental esfuerzo de reconstrucción, que nace entre las dudas de Wall Street y el rechazo de la oposición, y que, además de añadir muchos números al déficit nacional, debe ser el gran instrumento de Estados Unidos para combatir la crisis.

"Los problemas que nos condujeron a esta crisis son profundos y se han propagado. Necesitamos estabilizar y reparar nuestro sistema financiero. Necesitamos que el crédito vuelva a llegar a las familias y a las empresas. Necesitamos detener la ola de embargos que está barriendo el país", dijo ayer Obama en Fort Myers (Florida), en la segunda etapa de su gira por el territorio estadounidense en busca del apoyo ciudadano a sus medidas económicas.

En Washington, a la misma hora, el Senado aprobaba por 61 votos contra 37 (es decir, uno más de los que eran necesarios) un plan de estímulo de 837.000 millones de dólares (641.800 millones de euros), y el secretario del Tesoro, Tim Geithner, anunciaba los detalles de otro plan de intervención en la actividad crediticia que incluye un aumento hasta el billón de dólares de los principales programas de préstamos de la Reserva Federal.

Ambos planes son las dos patas de esta espectacular ofensiva legislativa con la que, en pocas palabras, se intenta devolver la vitalidad al capitalismo en un plazo que, sin comprometerse en exceso, Obama calculó en su conferencia de prensa del lunes en un año. "Éste va a ser un año difícil..., pero a comienzos del año próximo podemos empezar a ver alguna mejora significativa", pronosticó el presidente.

Para ello tienen que funcionar los dos planes en marcha. Uno de ellos, el que se conoce como plan de estímulo (la Ley de Reinversión y Recuperación), está pendiente de completar su recorrido en el Congreso. El otro plan, el que se conocía como plan de rescate, rebautizado ayer como plan de estabilización financiera y que podría pasar a la historia como plan Geithner, es heredero de la Ley de Estabilización Económica de Emergencia, aprobada el otoño pasado para permitir al Gobierno dedicar 700.000 millones de dólares en el reflotamiento de los bancos.

Este último plan intenta, en primer lugar, una mejor administración de los 350.000 millones de dólares que quedan por gastar de la partida aprobada en octubre, evitando que ese dinero sea utilizado, como ha ocurrido hasta ahora, para fines que tienen que ver más con los intereses inmediatos de determinada institución o de sus ejecutivos que con las necesidades reales del mercado. El segundo objetivo anunciado por el secretario del Tesoro es el de hacer fluir de nuevo el crédito. Para ello se pondrá en marcha un complejo sistema que aporta la originalidad de intentar financiarse en parte con dinero privado. Es decir, se buscará que los bancos solventes participen en el socorro de los que no lo son. Todo ello con la garantía del Estado y la expectativa de rentabilidades futuras.

Esto no significa que el Estado no vaya a tener que aportar una cantidad importante de millones para poner en marcha esos nuevos mecanismos. De momento, la Administración no tiene previsto solicitar al Congreso cantidades suplementarias para el plan Geithner. Por ahora, se desarrollará con el restante del plan de rescate y los presupuestos de la Reserva Federal. Pero la mayoría de los expertos creen que, en última instancia, los bancos necesitarán más dinero del Estado.

Antes de que eso se produzca, el Gobierno de Obama prefiere concentrar su pugna con el Congreso en el otro plan, el plan de estímulo, quizá más determinante para reactivar la economía sobre bases sólidas y, sin duda, más arriesgado desde el punto de vista político. Después de todo, pese a algunas quejas, los republicanos entendieron en su día la necesidad de salvar el sistema financiero y, seguramente, lo volverían a entender hoy. Pero el plan de estímulo es otra cosa. Es una masiva intervención del Estado en toda la actividad económica, y la oposición está decidida a resistirse a cualquier precio.

Sólo tres senadores republicanos votaron ayer, finalmente, a favor del plan. Probablemente, no muchos más republicanos apoyen el proyecto en el que ambas cámaras tienen ahora que ponerse de acuerdo.

Obama denunció en su conferencia de prensa que la resistencia levantada por la oposición responde a criterios ideológicos que en estos momentos no sirven. "Es cierto que no podemos depender sólo del Estado para crear empleos o hacer crecer la economía. Ése tiene que ser un papel del sector privado. Pero en este momento en particular, con el sector privado debilitado por la recesión, el Estado es la única entidad con recursos para devolver la vida a la economía", sostuvo el presidente.

Para Obama es vital en esa dura pugna mantener el respaldo popular. Por esa razón, mañana estará en la factoría de Caterpillar en Peoria (Illinois), una de las afectadas por los drásticos recortes de plantillas.

¿Cuánto son 837.000 millones de dólares?

- Plan de estímulo de Obama. La cifra del plan del presidente Obama equivale al 5,6% del PIB estadounidense, que el año pasado fue de 14,3 billones de dólares. El montante es 1,8 veces mayor que el déficit público más alto jamás alcanzado en la historia (455.000 millones en 2008). Si el dinero se repartiese entre los ciudadanos le tocarían 2.622 dólares a cada uno.

- La guerra de Irak. Los 837.000 millones de dólares (641.800 millones de euros) para estimular la economía representan en torno a 1,3 veces el coste de la guerra de Irak, que ascendió a los 600.000 millones de dólares, según el cálculo de National Priorities Project, un ente sin fines de lucro.

- El Plan Marshall. El plan de Obama es ligeramente superior al plan Marshall de 1947 para reconstruir la Europa de posguerra, cuyo coste fue de 13.000 millones de dólares en cuatro años. Este plan fue equivalente al 5,4% del PIB estadounidense, según el historiador de Harvard Niall Ferguson.

- El 'New Deal' de Roosevelt. El programa del presidente Franklin D. Roosevelt (1933-1945) para sacar a EE UU de la Gran Depresión fue superior al de Obama si se tiene en cuenta el presupuesto federal de entonces. El New Deal tuvo un coste de 3.300 millones de dólares, equivalentes en 1933 al 5,9% del PIB, según el historiador Jason Scott Smith, de la Universidad de Nuevo México. Roosevelt puso en marcha un segundo plan en 1935 para construir aeropuertos, puentes y edificios públicos. Si éste se suma, lo invertido por el Estado se elevó al 6,7% del PIB.

Rescate financiero

El programa de rescate financiero presentado por el secretario del Tesoro, Timothy Geithner, prevé tres grandes líneas de acción:

- Constitución de un fondo de inversión pública y privada que ofrecerá financiación y garantías para la compra de activos tóxicos de los bancos por un valor de 500.000 millones de dólares (380.000 millones de euros). El programa podría extender la compra de activos hasta el billón de dólares si se considerara necesario más adelante.

- Inyección directa de capital en los bancos por un valor de 350.000 millones de dólares (268.000 millones de euros), aprovechando los fondos inutilizados del plan de rescate elaborado por la Administración Bush.

- Apoyo al crédito de consumidores, pequeños comercios y estudiantes por un billón de euros. Este programa pretende financiar préstamos para la compra de bienes o la matriculación en cursos de estudio.

Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa - link (aqui)



Para o presidente ler (?) e meditar

Servidores da ditadura ainda dominam a democracia

Deputados estão estarrecidos com o comportamento da Câmara, dos partidos em geral e do novo presidente, Michel Temer. Este é tido como "grande coordenador", por ter "tirado o sofá da sala", no caso do corregedor que "corrigia" em causa própria. Desenterraram a expressão antiga, para o velório de Edmar Moreira.

Só que houve velório, mas não enterro, foi providenciada imediatamente a ressurreição. Tudo em 48 horas a partir da denúncia-revelação-fotografada pelo "Globo".

Tudo isso providenciado pelo gênio "político-eleitoral" de Michel Temer. Favorecido pelos votos do DEM, que beneficiaram Edmar Moreira e naturalmente o próprio Temer.

Este é gênio mesmo. Sendo quase suplente da bancada do PMDB, é o seu presidente eterno. E para assumir a presidência da Câmara não entregou a presidência do partido, "se licenciou até 8 de março". Não se sabe se de 2009 ou 2010, será o que ele quiser.

Por determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), alguns deputados perderam o mandato. Motivo: "infidelidade partidária". Mas que infidelidade é essa se os partidos não existem?

O próprio Michel Temer anunciou: "Como candidato a presidente da Câmara, estou sendo apoiado por 14 partidos".

E o deputado de 10 mandatos Henrique Eduardo Alves (o grande articulador da vitória de Temer) leu da tribuna da Câmara essa lista irrepreensível e intransponível.

É evidente, lógico e sem contestação, que não existem 14 partidos no Brasil. Além dos outros que apoiaram Ciro Nogueira (129 votos) e Aldo Rebelo (76).

Quase todos os colunistas (amestrados ou não), blogueiros e até repórteres (a denominação mais nobre do jornalismo) falavam: "Será a eleição da traição". Foi.

Os jornalistas mais audaciosos, arrogantes e prepotentes, só porque "frequentam o cafezinho da Câmara e Senado", adivinhavam o resultado. Da Câmara e do Senado.

E concluíam: "A vitória nas duas casas se dará por diferença de 3 a 4 votos". E garantiam: "Na Câmara deve haver segundo turno". Por causa disso, "a corrida" a parlamentares, sem maiores exames ou pesquisas.

E aí, na Câmara surgiu escalafobético e estrambólico, que palavras, Edmar Moreira. E como diziam que era importante, ficou com a 2ª vice-presidência. Que República.

Agora, revelados os bastidores, fiquemos com os fatos verdadeiros, tratemos só desse espantoso deputado e a coordenação para elegê-lo. E depois, para salvá-lo.

1 - Aquele castelo está ali há quase 20 anos e ninguém viu? Está bem, viram, mas ele é da escola e do estado de Newton Cardoso, o que fazer? Já disse: devia ser cassado pelo mau gosto.

2 - Não foi nem será cassado, mas perdeu uma parte do Poder. Não é 2º vice-presidente da Câmara, não é mais corregedor. E portanto perdeu o direito de praticar o "vício da amizade".

3 - Dirigentes e outros membros da cúpula do DEM garantem: "Não é mais do DEM, estamos providenciando sua expulsão". Isso será concretizado? Até quando esperarão?

4 - O "vício da amizade" deveria ser substituído pela "pureza da representatividade". Mas como fazer isso, se a mais importante das reformas, a partidária, depende das cúpulas? Consolidadas, desinteressadas, poderosas e inatingidas.

PS - A reforma partidária, com eleitos legítimos e representativos, permitirá todas as outras. Como não farão nada, a RENOVAÇÃO ou RENOVOLUÇÃO não existirá.

PS 2 - Quem diria, a República depende do DEM, com o maior número de participantes da ditadura.

PS 3 - Com isso, constrangidos, abandonaram a sigla PFL, MARCADA, pela DEM, que pode ser MARCANTE. Aguardemos.

Gilberto Dimenstein - Folha de São Paulo - link (aqui)




Sinfonia do taxista


Com os filhos encaminhados, o motorista de táxi agora se prepara para estudar música pelo resto da sua vida

CARLOS ROBERTO Caetano, mais conhecido como Carlinhos, acredita ser diferente dos 35 mil taxistas da cidade de São Paulo. Imagina-se o único motorista de táxi a ouvir, sem parar, música erudita no rádio de seu carro. "Só desligo ou mudo de estação se o passageiro pedir, o que é raro. Geralmente, recebo elogios pelo meu gosto." Por trás dessa singularidade, existe a história de uma frustração.
Desde menino, Carlinhos tinha o projeto de ser músico. Suas apresentações limitavam-se à pequena orquestra de seu templo, onde aprendeu a tocar saxofone. Por falta de recursos, não conseguiu ir além da 8ª série de uma escola pública. Mais tarde, virou motorista de táxi, com uma meta: todos os seus filhos fariam faculdade.
Mas a vida iria lhe fazer uma surpresa dentro de sua própria casa -uma surpresa musical que, na sua visão religiosa, teria o desígnio divino.


Com seu ponto na frente do fórum de Pinheiros, Carlinhos já conseguiu que, dos seus quatro filhos, dois começassem a cursar faculdade; os outros dois estão no ensino médio. "Mas vão entrar", orgulha-se.
Para atingir seus objetivos, ele vem trabalhando duro para pagar as mensalidades de escolas privadas. "Fui obrigado a cortar o lazer." Seu prazer pela música ficou restrito ao rádio e às apresentações semanais no templo.
Um dia, porém, foi à Sala São Paulo para ver um concerto com músicas de Bach e Beethoven. "Não vou exagerar, eu me senti chegando ao paraíso." Não se deu mais ao direito de repetir a extravagância. Até então, estava acostumado à acústica tumultuada do templo evangélico, com seus músicos quase todos amadores.


Ocorre que todos os seus quatro filhos foram demonstrando não só prazer mas também habilidade musical. Dois aprenderam a tocar órgão e os outros dois, violino e flauta.
Apenas a mulher não se sentia apta a tocar nenhum instrumento. Acabaram criando, dentro de casa, um conjunto, cuja plateia é o templo.
Mas, agora, Carlinhos vai ter o que considera sua recompensa pelo esforço dos últimos anos.
Com os filhos encaminhados, ele se prepara para estudar música pelo resto de sua vida. Sua mulher também está decidida a aprender algum instrumento. "Aí toda a família estará unida na partitura."


Até lá, a música erudita não lhe faz bem, no táxi, apenas ao espírito, mas também ao bolso -o hábito ajudou-o a fidelizar uma clientela.

Europa afirma que pode vetar ajuda do governo francês para as montadoras - Folha de São Paulo - link (aqui)



DA REDAÇÃO

A Comissão Europeia (o braço do bloco de 27 países que regula se as ajudas dos governos distorcem a competição) ameaçou declarar ilegal o plano da França de ajuda às montadoras. Segundo o organismo, as condições estabelecidas pelo governo de Nicolas Sarkozy podem infringir as regras da UE.
Pelo acordo, o grupo PSA Peugeot-Citroën e a Renault vão receber, cada um, empréstimo de 3 bilhões (US$ 3,9 bilhões) do governo francês depois de se comprometerem a manter a produção e os empregos no país. Outras montadoras também devem receber a ajuda do plano estatal de 7,8 bilhões (aproximadamente US$ 10 bilhões).
"Existem sinais de que as montadoras serão obrigadas a manter os seus centros de produção na França como uma condição para a ajuda governamental", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Jonathan Todd. "A comissão não vai autorizar ajuda que se incline a minar o mercado único."
Segundo o porta-voz, se existirem medidas que questionem o mercado único, o risco será que a atual recessão seja muito pior, "podendo até se tornar uma depressão como nos anos 1930". Todd disse que o organismo europeu enviou carta ao governo francês pedindo mais detalhes sobre o programa para as montadoras.
Pelas regras do mercado único da União Europeia, os governos não podem favorecer as empresas do seu próprio país na concessão de cortes de impostos ou empréstimos em condições mais favoráveis, entre outras medidas. Quaisquer condições que violem essas regras vão "tornar a ajuda ilegal e não serão toleradas pela comissão", de acordo com o porta-voz do órgão.


Com a Bloomberg

Após registrar perdas, UBS decide fechar 2.000 vagas - Folha de São Paulo - link (aqui)



No Reino Unido, Royal Bank of Scotland cortará 2.300

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O UBS, maior banco da Suíça, anunciou ontem que irá fechar 2.000 postos de trabalho neste ano, após registrar perdas de 8,1 bilhões de francos suíços (US$ 7 bilhões) no quarto trimestre de 2008 em decorrência das operações para se livrar de ativos podres.
O prejuízo foi maior do que o estimado por analistas. No ano passado, as perdas chegam a 19,7 bilhões de francos suíços (US$ 17,03 bilhões).
Em resposta ao resultado negativo, o UBS decidiu separar sua área de gestão de fortunas em duas unidades, uma voltada para as Américas e a outra para a Suíça e demais países. O banco informou que foi capaz de atrair fluxo de capital em janeiro e que deve voltar a registrar lucratividade neste ano.
"O UBS teve um começo de ano encorajador", disse a jornalistas o executivo-chefe do banco, Marcel Rohner. "Entretanto, as condições dos mercados financeiros continuam frágeis, uma vez que os fluxos de caixa continuam a se deteriorar. Nosso cenário de curto prazo continua sendo de cautela", afirmou o executivo.
O banco suíço está encolhendo sua área de banco de investimento, onde se concentraram as maiores perdas, ao cortar milhares de postos de trabalho. Com as mudanças estruturais, o UBS volta a focar no núcleo de suas atividades na Suíça, a divisão de gestão de fortunas. Essa operação é a maior do tipo no mundo.
O banco planeja agora cortar sua força de trabalho na área de investimento para 15 mil, ante 17.171 em dezembro.
As ações do UBS chegaram a subir 7% ontem após o anúncio das medidas, mas perderam a força e fecharam com valorização de 2,95%. Rohner afirmou que a instituição não pagará dividendos sobre 2008.

RBS
O RBS (Royal Bank of Scotland) disse ontem que pretende fechar até 2.300 empregos, ou cerca de 2% de seu pessoal no Reino Unido.
O banco já havia anunciado 3.000 demissões em outubro passado e afirmou que espera perdas entre 7 bilhões e 8 bilhões de libras (de US$ 10,2 bilhões a US$ 11,7 bilhões).
O executivo-chefe do banco, Alan Dickinson, disse que os cortes foram necessários para operar com maior eficiência em meio à crise global.
"O RBS iniciou um processo de consultas sobre uma reestruturação que poderá levar a uma redução de até 2.300 empregos", afirmou o banco por meio de comunicado.
O banco já recebeu injeção de US$ 35 bilhões do governo britânico.


Com agências internacionais

Vinícius Torres Freire - Folha de São Paulo - link (aqui)



Uma decepção e dois trilhões

Plano Obama estreia como fiasco político, ainda não está pronto e estatiza mais o crédito por meio do Fed, o BC dos EUA

É MUITO DIFÍCIL , para não dizer logo pretensioso, avaliar um plano que prevê negócios de trilhões de dólares, lida com instrumentos financeiros que nem a cúpula da banca diz compreender e que pretende reformar os maiores bancos da maior economia do mundo. Mas um efeito evidente e imediato do anúncio do pacote Obama foi uma onda de decepção nos EUA.
Barack Obama já enfrentara dificuldades para aprovar no Congresso mesmo uma versão desfigurada de seu plano de estímulo fiscal (gastos em obras, serviços públicos e abatimento de impostos). O seu plano de conserto das finanças privadas não foi, a princípio, politicamente mais afortunado. A estreia econômica do presidente da esperança foi inesperadamente ruim. Sim, o governo não tem nem um mês. Mas, antes mesmo da posse, americanos eminentes ou influentes já se perguntavam se os EUA podiam esperar tanto para George Bush descer da pilha de ruínas que deixou na Casa Branca.
O núcleo do plano é aparentado do plano Bush. Agora, um fundo com dinheiro público e privado compraria títulos podres dos bancos, começando com US$ 500 bilhões. Isto é, compraria papéis cuja renda dependia do pagamento de prestações imobiliárias, na maior parte. Ainda se trata, pois, de repassar a alguém o mico dos bancos. O objetivo é recompor a quantidade mínima de dinheiro (base de capital) nos bancos, de modo a que possam voltar a emprestar ou não parecer falidos.
O problema também continua o mesmo do plano Bush: quanto pagar por papéis podres? Pagar demais significa dar dinheiro aos bancos. Pagar pouco pode acabar com eles. A alternativa é estatizar: ficar com os prejuízos e com os bancos. De resto, de onde virá o dinheiro privado?
Outro aspecto importante do plano reforça o papel do Fed como banco-mor dos EUA. Mas o plano Obama eleva o caixa do Fed para tais fins de US$ 200 bilhões para até US$ 1 trilhão. O Fed, indiretamente, empresta dinheiro a empresas e consumidores (que compram casas, carros e mensalidades da faculdade ou gastam via cartão de crédito). O Fed na verdade empresta dinheiro para que fundos e instituições financeiras comprem títulos lastreados nessas dívidas, o que abre espaço para mais empréstimos no setor privado.
Um problema que continua a arruinar o sistema financeiro são os despejos e os calotes imobiliários (e, agora, também no cartão de crédito etc.). Mais calotes, menos capital nos bancos. Menos capital, menos empréstimos e juros maiores. O governo não deu detalhes do plano para auxiliar a renegociação de dívidas da casa própria (para piorar, mal se sabe hoje quem são os credores dessa dívida, que foi transformada em títulos e revendida no mercado).
Uma dificuldade nova, mas incontornável, serão as auditorias ("testes de estresse") que vão verificar quais bancos ainda são viáveis o suficiente para que possam receber dinheiro do plano de socorro (via compra de ações). Além das disputas que isso deve causar, pode haver um clima de juízo final ou de tribunal do júri: quem morre e quem merece auxílio público? Novidade também, os bancos socorridos só vão poder pagar no máximo um centavo de dividendo por ação enquanto não pagarem sua dívida com o governo.

Por que o pacote bancário de Obama vai fracassar - Folha de São Paulo - link (aqui)



Novo plano de ajuda a bancos parece fazer sentido se e apenas se o principal problema for a falta de liquidez; mas o mais provável é que se trata de insolvência

MARTIN WOLF
DO "FINANCIAL TIMES"

A PRESIDÊNCIA de Barack Obama já fracassou? Em tempos normais, a pergunta seria ridícula. Mas não vivemos tempos normais. O momento é de perigo. Hoje, o novo governo ainda pode rejeitar a responsabilidade por aquilo que recebeu como legado; no futuro, isso já não será possível. Hoje, ainda é capaz de oferecer soluções; amanhã, vai ter se tornado o problema. Hoje, está em controle dos acontecimentos; amanhã, os acontecimentos o controlarão. Agir de menos é mais arriscado, agora, que agir demais. Caso Obama não aja de maneira decidida, corre o risco de se ver esmagado ao peso da crise, como seu predecessor. Os custos de outra Presidência fracassada, para os EUA e para o mundo, são elevados demais para que possamos contemplá-los.
O que seria necessário? A resposta é: foco e ferocidade. Caso Obama não resolva a crise, toda a esperança sobre sua Presidência estará perdida. Caso o faça, estará livre para reformular a agenda nacional. Mas simplesmente esperar pelo melhor é tolice. O presidente deveria esperar pelo pior e agir como se fosse isso que receberá.
Mas esperar pelo melhor é o que vemos por trás do pacote de estímulo e -a julgar das escassas informações oferecidas pelo secretário do Tesouro, Tim Geithner, ontem- também do novo pacote para solucionar a crise do setor bancário.
O programa de socorro aos bancos parece ser mais uma vez filho das fracassadas intervenções dos últimos 18 meses: otimista e ineficiente. Se esse "rebento do programa de alívio de ativos problemáticos" fracassar, a credibilidade de Obama estará arruinada. Agora é o momento de ações que sejam a solução certeira para o problema; e as medidas propostas não aparentam ser a resposta.
Ao longo de todo o debate, houve duas posições contrastantes sobre a causa dos males do sistema financeiro. A primeira é que o problema é de pânico. A segunda é que o problema envolve insolvência.
De acordo com a primeira interpretação, os preços de um conjunto definido de "ativos tóxicos" caíram para abaixo de seu valor em longo prazo, o que em alguns prazos os tornou impossíveis de vender. A solução, muita gente sugere, é que o governo crie um mercado, comprando ativos ou garantindo os bancos contra prejuízos. Esse raciocínio embasou o Tarp (Programa de Alívio de Ativos Problemáticos) original.
De acordo com a segunda interpretação, proporção considerável dos bancos está insolvente; seus ativos valem menos que seus passivos. O FMI argumenta que os potenciais prejuízos sobre ativos de créditos gerados nos EUA atingem, só eles, US$ 2,2 trilhões. O economista Nouriel Roubini estimou que o pico de prejuízos dos ativos gerados nos EUA possa atingir US$ 3,6 trilhões.
Em minha opinião, há pouca dúvida de que a segunda interpretação seja a correta, e isso se provará cada vez mais verdadeiro à medida que a economia mundial se deteriore. Mas o cerne da questão não é esse. O que é preciso é determinar se, na presença de tamanha incerteza, podemos basear nossas respostas na esperança de que tudo seja resolvido da melhor maneira. A resposta é clara: as autoridades racionais precisam sempre antecipar o pior. Caso essa expectativa termine por se provar pessimista, o resultado seria um sistema financeiro com excesso de capitalização. Mas, se a opção otimista estiver errada, teremos bancos zumbis e um governo desacreditado. A escolha dificilmente poderia ser mais evidente.
O novo plano parece fazer sentido se e apenas se o principal problema for a falta de liquidez. A oferta de garantias e a aquisição de certa proporção dos ativos tóxicos, com limitação das injeções de capital a menos do que os US$ 350 bilhões que restam no Tarp, não enfrentaria o problema da insolvência que tantos observadores informados identificam. De fato, qualquer programa de aquisição de ativos tóxicos ou de garantia será uma forma ineficaz, não-efetiva e injusta de resgatar as instituições financeiras com capitalização insuficiente: não-efetiva porque os governos terão de adquirir vastos volumes de ativos dúbios a preços excessivos, ou oferecer garantias generosas demais, para tornar solventes os bancos insolventes; ineficaz porque grandes injeções de capital ou programas de conversão de dívidas em capital são maneiras melhores de recapitalizar bancos; e injusta porque seriam dados subsídios a instituições quebradas e ao comprador privado de maus ativos.
Por que, então, o governo dos EUA está cometendo o que parece ser um erro? Talvez porque esteja esperando pelo melhor. Mas pode ser que também por se ter proposto a pergunta errada. As autoridades não se perguntaram o que precisa ser feito para conseguir uma solução garantida, mas sim qual seria a melhor solução sob os limites oferecidos por três normas arbitrárias que o governo impôs a si mesmo: evitar a estatização; evitar prejuízos para os detentores de títulos; e evitar novos pedidos de dinheiro ao Congresso. Mas por que um novo governo, diante de uma crise tão profunda, não tenta alterar os termos do debate? A timidez exibida até agora é deprimente. Presuma que o problema seja a insolvência e que o modesto valor de mercado sustentado no momento pelos bancos comerciais americanos (US$ 400 bilhões) derive do apoio do governo. Presuma, igualmente, que seja impossível levantar grandes montantes em capital privado hoje. Nessa situação, é preciso que haja recapitalização de uma das duas maneiras descritas acima. Ambas têm desvantagens: a recapitalização pelo governo é um resgate aos credores e envolve administração estatal temporária; conversão de dívidas em capital prejudicaria o mercado de títulos, as seguradoras e os fundos de pensão. Mas não há como escapar à escolha.
Caso Geithner ou Lawrence Summers, o presidente do conselho de assessores econômicos da Casa Branca, estivessem assessorando os EUA como país estrangeiro, fariam questão de apontar brutalmente para essa realidade.
O conselho correto continua a ser aquele que os EUA deram aos japoneses nos anos 90: admitam a realidade, reestruturem os bancos e, acima de tudo, abatam imediatamente as instituições zumbis. Decidir se a resposta certa é criar novos "bons bancos", deixando que os velhos maus bancos pereçam; ou formar novos "bancos ruins", que permitam a sobrevivência dos velhos bancos expurgados, é uma questão secundária, ainda que importante. Minha inclinação pessoal é pela primeira solução, porque a cultura dos velhos bancos parece excessivamente tóxica.
Ao fazer as perguntas erradas, Obama está realizando uma aposta imensa. Ele deveria ter decidido limpar os estábulos bancários de Áugias. É preciso que reconsidere sua decisão, se já não for tarde demais.


Tradução de PAULO MIGLIACCI