quarta-feira, 1 de julho de 2009
Tiro pela culatra - Eliane Cantanhêde - Folha Online - link (aqui)
Tão sábio politicamente, tão experiente, José Sarney cometeu um enorme erro estratégico ao soltar nota dizendo-se alvo de uma "campanha midiática" e da sanha oposicionista só por ser aliado do governo e de Lula.
Soou falso, quase uma piada. E teve um efeito bumerangue. Sarney não ganhou os governistas, mas perdeu de vez os oposicionistas. Não conquistou um único apoio ou voto nas esquerdas ou mesmo no PT, mas chutou sua principal escora de sustentação: o DEM.
É quase aritmético. Se DEM, PSDB e PDT tiraram o apoio a José Sarney e pediram publicamente seu afastamento da presidência do Senado, isso é igual a... isolamento. Uma palavra fatal em política.
Sobraram-lhe o PMDB, com exceção dos de sempre (Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon), e o PT, mas Sarney de bobo não tem nada e sabe muito melhor do que ninguém que o "apoio" petista é só da boca para fora. Afinal, o que sobra do PT no Senado, se Tião Viana e Aloizio Mercadante são suspeitos números um e dois de estarem por trás de parte dos vazamentos sobre maracutaias dos Sarney?
O ex-presidente da República e tri-presidente do Senado chega às vésperas de se tornar octogenário sozinho e derrotado em duas guerras em que ele atua como comandante e estrategista desde muito jovem: a guerra da opinião pública, primeiro, e a política, depois.
Sobra-lhe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, a esta altura, não passa de apoio retórico. Lula ficou rouco de defender Sarney publicamente, mas é de se apostar que não mexeu muitas palhas para de fato salvá-lo. Se não fez isso nem com Dirceu, Palocci, Genoino, Delúbio, mensaleiros e aloprados em geral, que fazem parte do seu berço político...
A situação, pois, chegou ao limite: Sarney está isolado politicamente e rodeado por D. Marly, companheira de toda a vida, a governadora Roseana, o deputado Zequinha e o empresário Fernando, além daqueles derradeiros assessores de fato fiéis. É reunindo as pressões, percepções, sugestões, dores e tristezas que ele vai decidir.
Uma decisão solitária, como foi com ACM, Jader Barbalho e Renan, seus antecessores na presidência do Senado e no infortúnio de cair na rede da bisbilhotice de inimigos, adversários e jornalistas. O filme é igualzinho: começa com o desdém pelas denúncias, passa pela perplexidade, depois pela ira contra a imprensa e chega a veementes negativas sobre a renúncia. Até que a renúncia vem.
Sarney, hoje, tem duas opções: insistir em ficar e virar um morto-vivo na presidência, ou desistir da cadeira para preservar o mandato. Vão-se os anéis, ficam os dedos. E as denúncias.
Bar é poesia - Stela Fonseca
Romance
(Stela Fonseca)
Na manhã que cintila
flor orvalhada
espera beija-flor
Bar é poesia - Kátia Cerbino
Um olhar ...
(Kátia Cerbino)
Um olhar...
tudo foi fotografado.
Trago ainda na pele
o rastro do teu afago.
Meu seio,
qual monte de feno,
onde deitavas
a sonhar sereno.
Guardo nas entranhas
tuas impressões digitais.
Esquecê-las? Jamais...
Nos lábios,
o calor de uma febre terçã,
como o derradeiro beijo
de Camille em seu Rodin.
Senado retalha Ministério Público - Estadão online - link (aqui)
Parlamentares barram reconduções ao conselho nacional da instituição
Felipe Recondo, BRASÍLIA
"Presidente, pare esta sessão!", reagiu o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que já integrou o Ministério Público. "O que há contra o senhor Diaulas? O que há contra o senhor Nicolau Dino? O Ministério Público vai pagar o pato pela crise do Senado?"
Líderes partidários, a começar por Aloizio Mercadante (PT-SP), tentaram anular as votações. Argumentaram que nenhum senador havia se pronunciado publicamente contra os candidatos. A indicação de Diaulas foi então submetida à nova votação e mais uma vez os senadores o rejeitaram.
"Quero lamentar, porque, sem ter muito conhecimento do Diaulas, tenho informações de pessoas que merecem muito, como o governador José Roberto Arruda, que me prestaram o melhor depoimento sobre o comportamento desse cidadão, que, infelizmente e à nossa revelia, foi rejeitado", disse o líder do DEM, José Agripino (RN).
Houve requerimento para que a indicação de Dino também fosse submetida a uma nova análise, mas, diante da previsão de nova derrubada, o assunto ficou para outra sessão.
O resultado da sessão levou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), a propor uma reunião de líderes para hoje. "Vivemos um momento delicado e eu sugiro uma reunião com os líderes partidários amanhã, antes de qualquer votação."
PROCURADOR-GERAL
Por causa do cenário de crise no Senado, Roberto Gurgel, indicado na segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de procurador-geral da República, pediu a Demóstenes, presidente da CCJ, que fosse sabatinado na próxima semana. Teme ser atingido pela crise política.
O Ministério Público hoje está sob o comando interino da subprocuradora Deborah Duprat. Quando mais rápida a sabatina e a votação em plenário, melhor seria para Gurgel. Por prudência, preferiu esperar.
Diaulas já havia se deparado com a ameaça de ser rejeitado na CCJ. Na votação, teve o apoio de 10 integrantes contra 6 votos contrários e 2 abstenções. O número sugeriu que os senadores passaram a ver com desconfiança a vontade do conselho em coibir os eventuais excessos do Ministério Público.
Em correspondência a outros procuradores, na véspera, Diaulas afirmava que o Ministério Público poderia sofrer retaliação. "Há abusos no Ministério Público. Abusos que muitas vezes se confundem com a independência funcional e por isso não têm sido punidos. Tenho a independência funcional como um manto sagrado da carreira. Mas, sob ele, não há espaço para os abusos que temos, muitas vezes, cometido", escreveu ele, em e-mail. "Sei que o Ministério Público está repleto de homens e mulheres corajosos. Mas os corajosos, muitas vezes, são também imprudentes."
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios terá de indicar um novo pretendente para a vaga. O candidato terá de ser sabatinado pela CCJ e depois aprovado pelo plenário. Dino tem mais uma chance pela frente de ser reconduzido. Se a recusa for confirmada, o Ministério Público Federal também terá de escolher outro nome.
Os membros do conselho só voltam a se reunir em agosto.
Sugestão do PSDB para Mesa vira saia-justa - Estadão online - link (aqui)
Perillo, vice do Senado, se irrita com proposta de criar uma comissão
Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Denise Madueño, BRASÍLIA
Guerra tentou em vão consertar o estrago causado pela proposta de criação da comissão de "alto nível", como ele mesmo chamou. Argumentou que seria formada por pessoas com qualificação técnica, que não seria uma comissão política.
"Acho que não tenho qualificação apenas para estar aqui representando politicamente o partido. Estou convicto de que tenho também qualificação técnica para estar aqui representando o partido", afirmou Perillo.
Governador de Goiás entre 1998 e 2006, Perillo é alvo de vários processos, que poderão ser "desencavados" caso ele venha a assumir interinamente a presidência do Senado.
O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), saiu rapidamente em defesa de Perillo. Ele acusou o PSDB de promover um "golpe" ao propor a criação da comissão. "Jamais aceitaria aplicar um golpe na atual Mesa", disse Fortes. "Intervenção, não! Grupo para controlar a Mesa, não! Bedel de secretário, não!", vociferou o primeiro-secretário.
Ele disse ainda que uma das soluções para pôr fim à crise no Senado seria a renúncia coletiva de toda a Mesa Diretora, integrada por 11 senadores - sete titulares e quatro suplentes.
"Os líderes não estão se entendendo e estão trazendo para o plenário questões que deveriam ser discutidas em outra instância. Essa não é uma solução para resolver crise, é uma solução para criar mais crise", afirmou Heráclito, referindo-se à proposta de Guerra.
Aprovada pela bancada do PSDB no Senado, a criação da comissão integrada por cinco senadores seria um caminho para estancar a crise, segundo explicou Sérgio Guerra. "A imensa tensão política que prevalece hoje entre nós está quase impedindo nossos entendimentos", ponderou o senador tucano. "Esta é uma crise monumental, muito grande." O senador Tasso Jereissati (CE) seria o integrante do PSDB indicado para a comissão.
Em seu discurso a favor da comissão, o presidente nacional do PSDB afirmou que o partido não tem por objetivo último "derrubar" Sarney.
Renata Lo Prete - Painel - Folha de São Paulo - link (aqui)
Com José Sarney (PMDB-AP) em agonia, seus principais operadores, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gim Argello (PTB-DF), apostavam ontem na divisão interna e nas fragilidades do PSDB na tentativa de garantir alguma sobrevida ao presidente do Senado.
A divisão ficou evidente em plenário, com o bateboca entre Sérgio Guerra (PE) e Marconi Perillo (GO), mas já se mostrava no desconforto com a situação do líder, Arthur Virgílio (AM), que por questões pessoais só sossegará quando defenestrar Sarney, enquanto muitos na bancada acham mais importante investir na CPI da Petrobras. Em dado momento, Renan e Gim acenaram com a instalação imediata da comissão em troca de um prazo para o presidente.
Na mira. Em privado, os tucanos não escondem o temor diante da possível ascensão de Perillo, hoje vice-presidente, ao comando do Senado. Receiam dossiês sobre seus dois mandatos no governo de Goiás. Renan Calheiros colecionou material durante seu processo de cassação.
02. Perillo pediu para sair do Conselho de Ética. Sente-se impedido de votar o pedido de afastamento de Sarney.
Os russos. Enquanto Gim e Renan negociavam o início da CPI da Petrobras em troca de algum refresco para Sarney, Aloizio Mercadante (PT-SP) dizia que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Fernando Rodrigues - Folha de São Paulo - link (aqui)
BRASÍLIA - Ao ler a longa carta do presidente do Senado, José Sarney, publicada ontem pela Folha, lembrei-me de uma frase repetida à náusea nos corredores do Congresso: em política, tudo o que precisa ser explicado não é bom.
Sarney está se explicando há meses. Quanto mais fala, mais se complica. Num discurso na tribuna, produziu uma frase de efeito, porém inócua: "A crise do Senado não é minha, a crise é do Senado".
As justificativas de Sarney sempre pretendem demonstrar uma suposta legalidade para seus atos.
Mas a argumentação resulta manca, fica pela metade, mesmo para os episódios mais prosaicos.
Tome-se o caso do auxílio-moradia. Sarney recebeu o benefício mesmo tendo residência própria em Brasília. Em sua carta à Folha, repetiu uma argumentação conhecida: "Trata-se de vantagem concedida nas normas da Casa aos senadores, e só a recebi por oito meses, sem solicitá-la". Ato contínuo, cabe então uma pergunta inexorável: já devolveu o dinheiro?
A história do auxílio-moradia tem baixa octanagem no tabuleiro dos escândalos, mas é simbólica pela sua simplicidade. Alguém recebe dinheiro por oito meses (cerca de R$ 3.000 por mês). Diz não perceber. O caso fica público. Sarney foi indagado pela Folha à época se devolveria o dinheiro. Respondeu com uma digressão -assessores analisavam o assunto.
Ontem, finalmente soube-se que o dinheiro será pago. Mas não de uma vez. Será descontado em prestações mensais do contracheque de Sarney. Pode ser tarde.
A profecia do presidente do Senado provou-se errada, pois a crise é hoje mais sua do que de nenhum outro político. Talvez por conta do seu passado, Sarney transformou-se numa espécie de "teflon ao contrário". Nele, tudo cola.
Mais da metade do Senado quer que Sarney se licencie - Ricardo Noblat - Blog do Noblat - link (aqui)

Com que cara José Sarney (PMDB-AP) presidirá o Senado de hoje por diante depois que o PSDB (13 senadores), o DEM (14), o PDT (5) e o PSOL (1) lhe pediram publicamente para se afastar do cargo?
Dos 19 senadores do PMDB, três pediram a mesma coisa (Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos e Garibaldi Alves, ex-presidente do Senado).
Dos 12 senadores do PT, um (Eduardo Suplicy) foi à casa de Sarney aconselhá-lo a deixar o cargo. Tião Viana só não foi porque perdeu a eleição para Sarney em fevereiro último. Pegaria mal para ele.
E mais cinco senadores do PT são favoráveis a que Sarney peça para sair, segundo eles mesmos disseram em reunião de bancada realizada ontem à noite.
Aos números: excluído Sarney, são 43 senadores de um total de 80 que querem ver o atual presidente do Senado pelas costas - temporariamente ou em definitivo. É mais da metade do Senado.
O dilema de Sarney é o seguinte: sabe que serão remotas as chances de cumprir o mandato de dois anos como presidente do Senado se concordar em se afastar do cargo. É o que a História ensina.
Foi assim no passado recente com os presidentes do Senado que pediram licença em meio a fortes turbulências - Jader Barbalho, Antonio Carlos Magalhães e Renan Calheiros.
Jader e Antonio Carlos foram depois obrigados a renunciar ao mandato de senador para escapar de serem cassados.
De resto, a essa altura da vida (quase 80 anos de idade e 50 de política), tendo sido presidente da República, largar o cargo sob pressão e nas atuais circunstâncias seria um vexame para Sarney.
Por outro lado, insistir em ficar grudado na cadeira de presidente poderá representar para Sarney vexame de igual tamanho ou até maior.
E se surgirem novos e embaraçosos fatos que possam enfraquecê-lo ainda mais?
Sarney prefere se arriscar a só desocupar a cadeira sob severo e insuportável constrangimento? Quem pode garantir que isso não ocorrerá?
Lula mandou, ontem, um recado para Sarney via Dilma Rousseff: não tome nenhuma decisão até seu retorno da viagem a Líbia, esta noite.
Sarney vale para Lula pelo apoio que sempre lhe deu, mas vale muito mais porque sua saída da presidência do Senado acabaria provocando um terremoto político.
O PMDB não ficaria nem um pouco feliz com a queda do seu mais reluzente nome. E o PMDB infeliz é a maior desgraça que pode se abater sobre um presidente da República.
Trata-se de o maior partido do Senado e da Câmara. É por isso mesmo o aliado mais cobiçado por Lula para oferecer o candidato a vice na chapa de Dilma.
Em meia dúzia de encontros entre o final do ano passado e o início deste, Sarney fez de Lula gato e sapato enganando-o com a garantia de que não pensava, não queria e não seria candidato a presidente do Senado. Então Lula concordou com a candidatura a presidente de Tião Viana (PT-AC).
Mesmo tendo sido enganado, Lula é pragmático o suficiente para concluir que ele precisa mais de Sarney do que Sarney dele.
7 dos 12 senadores do PT querem licença de Sarney - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)
Planalto exige do petismo o apoio ao ‘aliado estratégico’
Em telefonemas a senadores, Dirceu reforçou o pedido
Renan ameaça apoiar o tucano Perillo, desafeto de Lula
Diante do placar adverso, PT adiou decisão para esta 4ª
Convocada pelo líder Aloizio Mercadante, a bancada do PT reuniu-se na noite passada. Esperava-se que divulgasse nota de apoio a José Sarney. Deu chabu.
Dos 12 senadores petistas, onze compareceram. Mercê de um compromisso assumido anteriormente, Delcídio Amaral (MS) não deu as caras.
Mercadante franqueou a palavra aos presentes. Numa primeira rodada, todos falaram. Alguns sentiram a necessidade de fazer uma segunda intervenção.
A conversa foi tensa. Terminou no final da noite desta terça (30). Discutiu-se abertamente a hipótese de afastamento de Sarney.
Não houve uma votação formal. Mas ao final, considerando-se o que disse cada um, verificou-se que o PT não tinha como entregar o que o Planalto exigira.
Sete dos 11 senadores presentes manifestaram-se a favor do afastamento de Sarney, ainda que temporariamente, por meio de um pedido licença.
Só quatro defenderam a permanência de Sarney no cargo. Ainda que o ausente Delcídio se unisse a esse grupo, o placar adverso seria de sete a cinco.
Diante desse quadro, o petismo decidiu não decidir. O partido achou melhor ouvir Sarney antes de se pronunciar em termos definitivos.
A bancada delegou a Mercadante e a Ideli Salvatti, líder de Lula, a tarefa de levar ao presidente do Senado os seus humores e receios.
A dupla vai expor a Sarney uma proposta semelhante à que foi produzida num encontro da bancada do PSDB.
Vão sugerir a constituição de um grupo suprapartidário de senadores que, reforçado por servidores, construa um projeto de soerguimento do Senado.
A maioria do PT condiciona seu apoio a uma resposta positiva de Sarney. Marcou-se para o meio-dia desta quarta (1º) uma nova reunião da bancada.
A hesitação dos senadores do PT falou mais alto do que os apelos de Lula. Sobrepôs-se também a pedidos feitos pelo ex-ministro e deputado cassado José Dirceu.
Pelo telefone, Dirceu lembrou a senadores do PT das conveniências do apoio a Sarney, um aliado estratégico de 2010.
Ideli Salvatti foi brindada com um dos telefonemas. Animou-se a subir à tribuna, na sessão vespertina.
Pronunciou uma defesa enfática de Sarney. Criticou a "tendência de se personalizar ou partidarizar" a crise.
Disse que os problemas são antigos e de responsabilidade coletiva. Não vê sentido na estratégia de “forçar determinada pessoa a se afastar”.
Na mesma sessão, pronunciaram-se a favor da licença de Sarney o DEM, o PSDB e o PDT. Juntos, somam 32 senadores.
Somando-se a Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon, dissidentes do PMDB, chega-se a 34.
Adicionando-se Garibaldi Alves, peemedebista que aderiu à tese da licença, chega-se a 35.
Incluindo-se na conta o único representante do PSOL no Senado, José Nery, que defende abertamente a renúncia de Sarney, vai-se a 36.
Num universo de 81 senadores, não é pouca coisa. A atmosfera envenenada levou um dos senadores do PT a fazer uma observação sensata na reunião noturna.
Disse que Sarney, por moribundo, poderia renunciar a qualquer momento.
Antes de arrostar o desgaste de apoiá-lo, conviria ao PT pelo menos checar se estava afastada a hipótese de uma fuga voluntária do presidente do Senado.
Outro senador realçou um detalhe: até o DEM, um dos responsáveis pela eleição de Sarney, já havia saltado do barco.
Por que o PT, que comparecera à disputa com candidato próprio (Tião Viana), deveria agora dar suporte incondicional a quem o derrotou?
Daí a decisão de ouvir Sarney antes de deliberar sobre a posição a ser adotada.
Por volta de 10h30, chegou às mãos de Mercadante, uma notícia recolhida na internet.
Informava que, naquele exato momento, estavam reunidos com Sarney: a ministra Dilma Rousseff, Gilbeto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, e o próprio Mercadante.
Ouviram-se risos. Embora imprecisa, a notícia não era inteiramente despropositada. A pedido de Lula, Dilma de fato contactara Sarney.
Em nome do chefe, que se encontra no exterior, a ministra pediu a Sarney que não tome nenhuma decisão sobre ficar ou sair do cargo antes do retorno de Lula.
Curiosamente, a posição a ser adotada pela bancada do PT pode precipitar as coisas.
Ainda que Mercadante consiga arrancar de seus liderados uma posição pró-Sarney, o encontro da noite passada deixou claro que há sete petistas com o pé atrás.
Considerando-se os outros 36 que torcem o nariz para a permanência de Sarney, chega-se a uma aversão acachapante: 43 senadores.
Entre perplexo e apavorado, Renan Calheiros fez chegar ao petismo uma ameaça.
Inviabilizando-se Sarney, acena com a hipótese de usar os votos de seus liderados para fazer do tucano Marconi Perillo, hoje vice-presidente, o novo presidente do Senado.
Perillo é desafeto de Lula. Está na origem da denúncia que desaguou no mensalão, em 2005. Renan também não o suporta. Mas, bem ao seu estilo, serve-se da ameaça.
Para não açular a animosidade do PMDB de Renan, os senadores do PT firmaram um pacto de silêncio. Acertaram que ninguém divulgaria detalhes da reunião.
Funcinou. Mas só até certo ponto. O ponto de interrogação que assedia o PT.
Escrito por Josias de Souza às 06h06
'Apocalypse' on railway in Tuscany - The Independent, uk - link (aqui)

AFP/GETTY IMAGES
Italian Prime Minister Silvio Berlusconi visits the scene
A freight train carrying liquid gas came off the tracks and exploded in the heart of an Italian seaside resort
The pretty, tree-lined streets of the Tuscan seaside resort of Viareggio would still have been busy just before midnight on Monday, when a freight train passing through derailed. Its cargo of liquid gas exploded, engulfing the town's station and surrounding homes in flames leaving at least 13 dead and dozens seriously injured.
Several people including a baby were incinerated; white blankets on the road would later mark the places where the blaze had consumed them. Dozens more suffered terrible burns.
Initial reports put the death toll at 16, but this was later revised down. The head of the civil protection agency, Guido Bertolaso, had said many people were still unaccounted for as 300 firefighters and hundreds of volunteers used their bare hands to dig under the rubble. Last night, 36 people were in critical conditions with serious burns.
Witnesses spoke of an "apocalyptic scene"; one man on a scooter was seen "burning like a torch". He fell with his helmet still on his head, "completely carbonised", next to the body of a woman. Five others were seen running in the street screaming, in flames. Emergency services moved to evacuate more than 1,000 people as the fire spread and several four-storey apartment blocks collapsed from the force of the initial explosion. Hundreds fled the area dressed only in night clothes.
It is believed at least one of the rear carriages of the train derailed at 50mph and exploded. "We saw a ball of fire rising up to the sky," said Gianfranco Bini, who lives in a building overlooking the station. "We heard three big rumbles, like bombs. It looked like war had broken out."
Federica Bertucelli, a student, said she heard three explosions. "When I went out into the street, the garden in the next house was in flames. I saw at least five people burning."
A four-year-old girl suffered burns to 90 per cent of her body and was rushed by helicopter to the Baby Jesus Paediatric Hospital in Rome.
One man desperate to save himself from the fire sweeping the upper floors of his building leapt on to a canopy with his son in his embrace. The eight-year-old suffered a minor cut; his father is in a critical condition.
Another witness said she found a burnt body in the street. "I heard the explosion and I went out into the street to find myself faced with flames and a motionless charred body lying on the ground," the witness told the Italian news agency Ansa. "It was a terrifying scene that I will never forget."
The train's other carriages, carrying tanks of the highly flammable gas, remained on the track of the La Spezia-Pisa rail line, a few hundred metres outside Viareggio station. Fire fighters were working to make these safe. Teams specialised in chemical and biological leaks were enlisted to handle the crisis.
Although people were still in the area when the accident happened, emergency workers expressed relief at the timing. "If this had happened in the afternoon, it would have been an utter human catastrophe. We need to thank God for that," one fireman said.
Most of the injured are being treated at Versilia hospital in Viareggio.
Prime Minister Silvio Berlusconi travelled to the scene from Naples "to take charge" but he was greeted by boos and cries to "go home".
Mauro Moretti, a spokesman for the state railways system, said initial evidence suggested that human error was not to blame for the crash. Instead a broken axle on one of the trains caused it to derail and fall into the path of the other oncoming train, he said.
Investigations are under way. Guglielmo Epifani, the general secretary of the Cgil public sector union, said the decrepit state of the rolling stock meant the Viareggio disaster was "a tragedy waiting to happen".
The Italian railways have a reputation for unreliability and ancient rolling stock. Despite rising fares, crowded carriages and cancellations have made headlines this year. Users of rail services between Genoa and Rome were yesterday bracing themselves for massive disruption.
Residents displaced by the explosion were being put up in tents surrounding Viareggio's town hall or in local hotels and campsites, the town's Mayor, Luca Lunardini, said.
Obituary: Pina Bausch - The Guardian, uk - link (aqui)
German choreographer whose bleak vision changed the face of European dance
- Luke Jennings
- The Guardian, Wednesday 1 July 2009
The work of the German choreographer Pina Bausch, who has died aged 68 of cancer, had a controversial, often violent starkness. Nonetheless, as director of her own company in Wuppertal, south of the Ruhr industrial region, she inspired a devoted following at home and abroad, and proved to be very influential.
Bausch began dancing at a young age. She was born in Solingen, the "city of blades", in North-Rhine Westphalia, the third child of August Bausch, proprietor of a small hotel and restaurant, and his wife, Anita. With her parents absorbed in business matters, the young Pina learned to entertain herself, sitting up late under the restaurant tables, or mounting impromptu dances for the amusement of the clientele.
Her talent, and her unusual physical flexibility, did not escape notice, and by 14 she was enrolled in the Folkwang Academy in Essen, then directed by Kurt Jooss. The expressionist choreographer, who in 1933 had been forced to leave Germany when he refused to dismiss the Jews in his company, became a mentor to Bausch. He was one of the founders of the ausdruckstanz (free dance) movement, whose proponents believed in combining dance, music and drama in performance. His pupil, in consequence, was exposed to a wide variety of artistic disciplines.
"At this time at the Folkwang, all the arts were together," Bausch told the Guardian in 2002. "It was not just the performing arts like music or acting or mime or dance, but there were also painters, sculptors, designers, photographer. If you just went to a little ballet school, the experience would have been entirely different."
In 1959, Bausch left Germany with a scholarship to study at the Juilliard School in New York. At just 18 she was daunted by the experience - "She was very shy and cried a lot," according to her friend the choreographer Donya Feuer - but it was the right place and the right time: her teachers at Juilliard would include Antony Tudor and José Limón, both of them choreographers with a distinctive, questioning voice. Bausch was soon performing with Tudor at the Metropolitan Opera Ballet, and with Paul Taylor at New American Ballet. When in 1960 Taylor was invited to premiere a new work named Tablet in Spoleto, Italy, he took Bausch with him.
But it was with Feuer and a choreographer named Paul Sanasardo that Bausch truly revealed her potential. In 1961, the three collaborated on two pieces. "Pina had a great gift," said Sanasardo. "She was an extremely beautiful dancer. Tudor had staged this piece at Juilliard in which Pina danced a section called 500 Arabesques, and she did it on point ... She was very lyrical and she also had a tremendous intensity."
In 1962, following weight loss which may have been related to an eating disorder, Bausch returned to Essen, where she joined Jooss's new Folkwang Ballett. That year, although still thin, she performed the role of Caroline in Tudor's psychological masterwork Jardin aux Lilas (1936), about a woman on the point of entering a loveless marriage. Threatened with dismissal, she put on weight, recovered her health, and was soon acting as Jooss's assistant. In 1968 she created her own first work, Fragment, to music by Béla Bartók. It would be followed by other short pieces, all of them rejections of ausdruckstanz. Bausch was looking for her own language. "I didn't want to imitate anybody," she said. "Any movement I knew, I didn't want to use."
The next year she took over the directorship of the Folkwang Tanzstudio, as it was by then known, a position she would hold until 1973, when she was offered the directorship of the Ballett der Wuppertaler Bühnen. Overcoming initial reservations - Wuppertal was an unlovely town with a reputation for conservatism - Bausch accepted the post. Renaming the company Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, a move which gives a clue as to the steeliness of her intent, Bausch launched herself with a piece named Fritz, which, by all accounts, was surreally bleak even by the standards she herself would later set. Noting the audience's negative reaction, Bausch drew in her claws.
A period of more or less conventional choreography followed, culminating in Frühlingsopfer, a magisterial three-part work including her version of The Rite of Spring. In this piece, performed on a layer of garden mulch, the narrative is transformed into a fable of superstition and misogyny in which a young woman in a red dress is sacrificed to assuage the sexual hatred of those around her. By the end, the cast is sweat-streaked, filthy and audibly panting. As a statement of intent, Frühlingsopfer was unequivocal, and it was swiftly followed by Bausch's version of the Brecht/Weill opera The Seven Deadly Sins, featuring a detailed scene of gang rape.
In 1977, Bausch presented her version of Bluebeard, which introduced the fractured style of her mature work. She introduced chaotic speech elements, with the dancers calling out seemingly random phrases as Bluebeard stumped around a stage strewn with dead leaves, playing snatches of Bartók from a tape recorder attached to his leg. The physical action, which again featured a rape, includes sequences in which violent gestures are repeated to the point where they become all but unwatchable, suggesting the characters' profound alienation. A number of her works contain such tableaux, prompting the New Yorker critic Arlene Croce to condemn what she called Bausch's "theatre of dejection". "She keeps referring us to the act of brutality or humiliation - to the pornography of pain," wrote Croce when the Wuppertal company played the Brooklyn Academy of Music in 1984.
Bluebeard was followed by a series of pieces whose sexually violent themes took the company close to implosion. "In one rehearsal, all the men in the company had to do six ways of groping you and kissing you and it was just like being raped ... I finally broke down crying," said the American dancer Meryl Tankard, who joined the company in 1978. Painful as the process might have been, the results saw the reconfiguration of the European dance landscape. Works such as Cafe Müller (1978), perhaps inspired in part by those childhood games under her parents' restaurant tables, may be bleak, but they are also profound and beautiful, and carry a fierce existential charge.
In 1980, Bausch suffered the death of Rolf Borzik, her stage designer and life partner. Bausch honoured him with a wistful piece, named simply 1980, which many consider her most approachable work. Later that year she met a Chilean professor named Ronald Kay, and in 1981 the couple had a son, Ralf-Salomen. This happy event appears to have catalysed a growing optimism in Bausch's work, and works such as Danzon (1995) and Masurca Fogo (1998) are by Bauschian standards delirious celebrations of life.
Perhaps the archetypal Bausch piece is Nelken, created the year after her son's birth. The stage is covered with pink carnations, through which a near-naked woman wanders, playing an accordion. It is one of the most beautiful images in the dance canon, and if there are security guards with snarling alsatians patrolling the back of the stage, Bausch never promised that everything in the garden was lovely.
• Pina Bausch, choreographer, born 27 July 1940; died 30 June 2009
Wim Wenders: Pina Bausch Is Dead - The Guardian, uk - link (aqui)
guardian.co.uk, Wednesday 1 July 2009 11.06 BST
Pina Bausch is dead.
The sudden and abrupt end of her life and her creativity
shocked her family, her friends, dancers, collaborators
and admirers of her art all over the world.
We are in mourning.
Pina will continue to influence all of us
who were in touch with her
and who experienced the magic of her work
as well as the righteousness and tenderness of her look
at us and at our times.
I'm brokenhearted
that we started our long-envisioned collaboration and film
too late.
Pina Bausch n'est plus - Libération, fr - link (aqui)
La chorégraphe et danseuse allemande Pina Bausch est décédée à l'âge de 68 ans. (© AFP Volker Hartmann) 30/06/2009 à 15h31
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L'immense danseuse et chorégraphe allemande est décédée à 68 ans ce mardi à l'hôpital de Wuppertal. Sa mort, inattendue et rapide, est survenue cinq jours après qu'on lui a diagnostiqué un cancer.
RENE SOLIS
Dimanche soir, elle était encore sur la scène de l'opéra de Wuppertal, dans l'ouest de l'Allemagne, pour saluer le public avec sa compagnie. Hospitalisée pour une série d'examens - on venait de lui détecter un cancer -, Pina Bausch est morte soudainement ce mardi à l'hôpital. Elle avait 68 ans.
Née le 27 juillet 1940 à Solingen, la chorégraphe avait fondé en 1974 le Tanztheater de Wuppertal et influencé par son esthétique plusieurs générations de chorégraphes et de metteurs en scène. A Paris, elle revenait tous les ans présenter au Théâtre de la Ville la dernière création de sa compagnie.
Visage grave et pâle, silhouette mince
C'est par un solo retentissant qu'elle se fit connaître dans le monde. Dans Café Müller (1975), seule au milieu d'une forêt de chaises, elle évoquait de façon bouleversante les pages de son enfance dans le café que tenait son père. Et imprimait à jamais sa silhouette mince, vêtue de noir, ses cheveux tirés en arrière et son visage grave et pâle.
Elle avait étudié la danse à la prestigieuse Folkwangschule d'Essen-Werden, à quelques kilomètres de chez elle. Une école fondée par Kurt Joos, maître de l'expressionisme et de la danse moderne.
En 1959, elle franchit l'Atlantique pour suivre les cours de la non moins prestigieuse Julliard School de New York, avant d'entamer dans les années 60 une carrière de danseuse moderne, puis de fonder sa compagnie.
Si Pina Bausch n'est pas l'inventrice du théâtre dansé, elle est celle qui en a entièrement renouvelé la forme et s'impose comme une pionnière du mélange des genres. Le Tanztheater, sa compagnie, était bien plus qu'une institution, une famillle et un vivier où elle puisait son inspiration, auprès de danseurs à la forte personnalité.
Douleur, désarroi et douceur
Spectacle après spectacle, elle tenait la chronique de son aventure artistique et humaine, comme un grand roman où revenaient sans cesse les thèmes du temps, de la transmission, des rapports entre hommes et femmes.
Depuis 1990 et l'éblouissant Palermo, Palermo, elle partait travailler et répéter chaque annéee plusieurs semaines avec ses danseurs dans une ville différente du monde. Les spectacles qu'elle en ramenait n'étaient pas d'intensité égale, et certains lui reprochaient leur forme répétitive - des enchaînements de saynètes, façon music-hall.
Mais même lorsqu'elle donnait l'impression de sacrifier à l'anecdote, Pina Bausch était capable de brusques moments époustouflants, où un geste et une image disaient tout de la douleur, du désarroi et de la douceur.
Credit Suisse va divulguer les noms de ses clients français - Libération, fr - link (aqui)
01/07/2009 à 11h32 (mise à jour à 11h48)
Par crainte de mesures de rétorsion de l'Hexagone, la deuxième banque suisse s'apprête à transmettre au fisc l'identité de ses clients détenteurs de titres boursiers. UBS, en revanche, refuse de faire de même avec les Etats-Unis.L'affaire franco-suisse tient en deux dates. Le 11 juin, la France et la Suisse signaient une nouvelle convention fiscale. Résultat, par peur de se faire épingler par les autorités fiscales hexagonales, la banque Credit Suisse, deuxième du pays, envisageait de fermer les comptes de ses clients français en délicatesse avec leur pays. Le 24 juin, révèle le journal helvétique Le Temps, l'établissement bancaire suisse annonçait par courrier à ses clients qu'elle s'apprête à passer à l'acte. Cette mesure, indique le quotidien, «s'applique à tous les clients détenteurs d'instruments financiers ou de titres français».
Dans sa lettre, Credit Suisse précise que l'AMF (Autorité des marchés financiers) française «est légalement autorisée à requérir la communication de l'identité de tous les investisseurs qui détiennent des titres français». «Ces mesures sont prises dans le cadre du resserrement de l'environnement législatif», précise un porte-parole de la banque.
Pour ceux qui s'y opposent ou qui ne retourneraient pas le formulaire envoyé par Credit Suisse d'ici le 1er septembre, la banque prévoit de liquider les titres «au prix du jour», selon Le Temps.
L'accord demande aux clients français de renoncer au secret bancaire vis-à-vis de «toute autorité gouvernementale ou de régulation dont les demandes ou les exigences doivent être respectées par la banque».
La volte-face d'UBS
Un bras de fer est par ailleurs en cours entre Washington et la banque suisse UBS. En février, les Etats-Unis et UBS avaient signé un accord. La première banque suisse avait admis avoir aidé des contribuables américains à cacher des comptes bancaires au fisc et accepté de payer 780 millions de dollars (615 millions d’euros) à la justice américaine, tout en s’engageant à «livrer immédiatement à Washington les identités et les informations bancaires des clients américains d’UBS» soupçonnés dans cette affaire. Une décision qualifiée à l'époque d'«historique».
Selon le Temps, UBS s'apprêtait à dénoncer 250 riches clients. La justice américaine, elle, voulait en savoir plus sur 52.000 comptes secrets. On imagine la panique de tous ceux qui avaient choisi la Suisse pour échapper au fisc et la perte de crédibilité de la banque helvétique, déjà affectée par la crise financière. UBS a en effet accusé en 2008 une perte nette de 19,7 milliards de francs suisses (13 milliards d’euros), la plus lourde jamais enregistrée par une entreprise suisse.
Mais cinq mois plus tard, la première banque suisse refuse désormais la divulgation des noms de 52.000 titulaires américains de comptes, soupçonnés de fraude fiscale par le fisc américain. «UBS continue de s'opposer vigoureusement à la mise en application de l'injonction» de la justice américaine, indique l'établissement zurichois dans un communiqué.
Le numéro un mondial de la gestion de fortune continue de défendre sa position, selon laquelle une telle divulgation va à l'encontre du droit suisse.
Bien que la Confédération helvétique ait accepté d'assouplir son secret bancaire, en permettant la communication à d'autres Etats d'informations bancaires au cas par cas et sur demande concrète, son secret bancaire demeure en place et interdit la «pêche à l'information» (transmission massive d'informations). L'établissement estime que l'échange d'information devrait «être discuté et résolu entre deux gouvernements amis». Une allusion aux efforts engagés par Berne pour venir au secours du géant bancaire helvétique.
Le ministère américain de la Justice n'a donné hier mardi aucune indication qu'un compromis soit en cours de négociation avec UBS, estimant que le fisc était entièrement fondé à exiger des informations sur ces 52.000 titulaires de comptes, à douze jours de l'ouverture d'un procès à Miami contre la banque suisse. Laquelle serait prête à verser entre 3 à 5 milliards de francs suisses (de 2,76 à 4,5 milliards de dollars) pour solder les poursuites, selon le journal suisse Sonntag.
Dans l'immédiat, UBS «encourage (ses) clients américains à consulter leurs conseillers fiscaux» pour se mettre en conformité avec la loi.
Sévère plan d'économies chez Carrefour - Le Figaro, fr - link (aqui)
Lars Olofsson, directeur général de Carrefour, au siège de la société, à Levallois-Perret. Crédits photo : Le Figaro30/06/2009 | Mise à jour : 21:23
Le nouveau directeur général baissera ses coûts de 4,5 milliards d'euros. Il veut réduire les frais de fonctionnement, pousser le groupe à acheter moins cher et diminuer la valeur de ses stocks.
Comparer Lars Olofsson à l'homme qui valait trois milliards risque de faire pâle figure. Plus ambitieux, le directeur général de Carrefour veut faire gagner 4,5 milliards d'euros au numéro deux mondial de la distribution d'ici à fin 2012.
Comme Le Figaro le révélait la semaine dernière, le groupe va lancer un plan de 2,1 milliards d'économies sur ses coûts de fonctionnement : 700 millions sur la logistique, 700 millions sur le fonctionnement des magasins, 450 millions sur les différents sièges (dont les coûts sont estimés à 1,6 milliard), et enfin 250 millions sur les dépenses de publicité et de promotion, ont précisé ce mardi les dirigeants.
La plupart de ces économies concernent l'organisation du G4, qui regroupe la France, l'Espagne, l'Italie et la Belgique. «Nous souhaitons refondre notre modèle de fonctionnement», explique Lars Olofsson, tout en refusant de chiffrer l'impact des réductions de coûts sur les effectifs des sièges, les directions régionales ou les magasins.
Par ailleurs, le groupe va réorganiser ses méthodes achats, avec pour objectif de faire une économie de coûts d'achat d'un milliard d'euros supplémentaire. Comment ? En centralisant ses achats pour les produits alimentaires et non alimentaires au niveau européen, voire mondial, et en harmonisant les assortiments à marque Carrefour. «Nous allons également revoir nos relations avec nos fournisseurs privilégiés», a expliqué Ignacio Gonzales Hernandez, le directeur des achats, sans toutefois préciser l'ampleur de la réduction du nombre de produits de marque, ni le niveau d'effort que les acheteurs de Carrefour allaient demander aux industriels.
Culture de la performance
Troisième et dernier étage de la fusée : le groupe va réduire progressivement ses stocks de 7 jours, afin de parvenir à 30 jours de stocks en 2012, contre 37 en 2008. Cela devrait permettre un gain supplémentaire de 1,4 milliard d'euros sur le bilan du groupe, en réduisant le besoin de fonds de roulement.
Plus de 400 managers travaillent à plein-temps sur les chantiers décidés par Lars Olofsson. «Il s'agit d'une transformation et non d'une rupture, on ne change pas la culture d'une entreprise et son mode de fonctionnement en une nuit», explique le directeur général, en précisant que les effets de ce plan seront obtenus fin 2012. Celui-ci veut insuffler une culture de la performance à ses équipes et leur apprendre à travailler autrement, «en prenant le temps de bien faire».
Lars Olofsson vise à la fois une croissance de ses ventes supérieure à celle de ses concurrents en France et en Espagne et une amélioration des marges du groupe.
«C'est la seule solution», a-t-il assuré en indiquant que depuis dix ans, le résultat opérationnel du numéro deux mondial de la distribution était stable, à 4 % de son chiffre d'affaires.
S'il n'est pas encore parvenu à son objectif de «réenchanter l'hypermarché», Lars Olofsson pourrait bien réussir à réenchanter les actionnaires de Carrefour.
Une histoire simple comme au revoir - Le Figaro, fr - link (aqui)
01/07/2009 | Mise à jour : 12:13
Premier long-métrage largement autobiographique d'Hubert Gillet sur les retrouvailles d'un enfant abandonné et de sa mère.
«Dans tes bras» - Drame de Hubert Gillet, avec Michèle Laroque, Martin Loizillon, Catherine Mouchet. Durée : 1 h 23.
» Les séances sur Le Figaroscope
« Hubert Gillet , c'est d'abord une rencontre. J'avais vu son court-métrage, Lune, qui traitait déjà du thème de l'abandon avec cette pudeur, cette honnêteté, cette poésie. J'ai alors pensé qu'on pouvait faire un beau film ensemble», raconte Michèle Laroque qui, telle qu'en elle-même on ne la connaît pas forcément, se dévoile, toute naturelle, sans fard ni mascara, démaquillée du masque de la comédie. « Il est vrai que j'ai tourné plutôt des films drôles et qui ont plutôt bien marché, ce qui m'a coupée c'est toujours comme ça ! du cinéma d'auteur que j'aime pourtant énormément. Dans le cinéma, il y a comme ça des familles, un peu de snobisme. Lorsqu'on fait du comique, ce n'est pas un hasard. Sans doute est-ce une manière de se protéger. Ce n'est pas toujours confortable de se mettre dans la peau d'un personnage comme celui de Solange, cette mère qui a rejeté son enfant. » Solange, donc.
Dans tes bras est une histoire simple. Louis a 16 ans. Il ignore tout de sa mère biologique, adopté tout bébé par Adrienne et Jean, un couple qui l'a élevé avec un amour irréprochable. Louis, l'adolescent tourmenté, sombre et déterminé, ne veut pas en rester là et décide de partir à la recherche d'une certaine Jeanne installée dans un village du sud de la France, d'en découdre avec son identité. Jeanne devenue Solange est fleuriste. Célibataire, elle a construit une digue entre son lourd passé et son présent fragile. Installé dans un petit hôtel où il se lie d'amitié avec la jeune employée, Clémentine, Louis épie sa mère de sang. La première rencontre est rude. Solange rejette violemment son fils comme elle voulut le rejeter avant sa naissance en tentant d'avorter. Clémentine dont la mère agonise sera celle par qui la réconciliation entre Louis et Solange sera possible. L'amour alors pourra éclore de ce chaos.
«Le cinéma est l'art du mensonge»
Le premier long-métrage d'Hubert Gillet est largement autobiographique. Pas étonnant, tant ce drame sonne parfaitement juste jusque dans ses excès. Ainsi Martin Loizillon, le jeune acteur principal, blanchi sous le harnais du conservatoire, peut-il paradoxalement agacer à force de vérité. «Il est très doué, dit de lui Michèle Laroque. Il a immédiatement compris la caméra.»
Comment l'actrice de Comme t'y es belle a-t-elle abordé son rôle dramatique ? « J'aime bien transformer un personnage en une vraie personne. Pour cela je lui invente une biographie, c'est-à-dire que je lui invente une enfance, une vie. Le cinéma est l'art du mensonge mais il faut le faire avec beaucoup d'honnêteté. »
Et le film est là. Juste et beau dans sa forme presque documentaire. Honnête. Hubert Gillet n'est pas, c'est le moins que l'on puisse dire, un fou des objectifs, des filtres et des mouvements de caméra. Il joue l'économie. Parfois un peu pataud : cette scène, par exemple, où l'on voit Clémentine lire Le Livre de ma mère, d'Albert Cohen, comme si le spectateur n'avait pas compris qu'il s'agissait d'un film sur la mère. Et surtout, il y a la présence si généreuse de Catherine Mouchet, admirable dans le rôle d'Adrienne, la mère adoptive pleine de bonté.
Dans tes bras est un film qui pourrait presque se regarder sans le son. Tout est dans les regards que la caméra observe.
La bande-annonce :
A310 : un navire français tente de récupérer une boîte noire - Le Figaro, fr - link (aqui)
Les opérations de recherche ont repris mercredi pour tenter de retrouver d'éventuels rescapés. La France a démenti les informations selon lesquelles il y aurait un second survivant.
Et si Baya Bakari n'était pas la seule survivante du crash de l'A310 de Yemenia Airways, mardi, au large des Comores ? D'après un médecin, le principal hôpital de Moroni aurait reçu des instructions pour se préparer à recevoir un nouveau rescapé. «Il semble qu'un autre enfant ait été récupéré vivant en début de matinée. On n'a aucun détail sur lui parce qu'on ne l'a pas encore vu», a-t-il ajouté laissant entendre que ce rescapé est toujours entre les mains des sauveteurs.
Un autre médecin de l'hôpital El Maarouf a confirmé cette information sous le couvert de l'anonymat. «Si on retrouve un survivant aujourd'hui, c'est qu'il était vivant hier. Les recherches n'ont sans doute pas été menées comme il se devait», a-t-il déploré.
Le secrétaire d'Etat à la Coopération, Alain Joyandet, qui se trouve sur place, a toutefois démenti ces informations.
Les opérations de recherche d'éventuels survivants ont repris mercredi matin, après avoir été interrompues la veille, à cause de la nuit et de mauvaises conditions météo. Quant aux opérations de récupération de la boîte noire, elles doivent commencer dans la journée. «Le signal de la boîte noire a été localisé hier (mardi) à 16h30, heure locale (15h30 à Paris) par une patrouille aérienne à 40 km des côtes de Grande Comore», a annoncé mercredi Alain Joyandet, secrétaire d'Etat à la Coopération, sur place. Une information confirmée peu après par Dominique Bussereau. Le secrétaire d'Etat chargé des Transports n'a toutefois pas précisé de quel type il s'agissait, l'enregistreur des données en vol (DFR) ou l'enregistrement des conversation en cockpit (CVR).
C'est La Rieuse, un patrouilleur français attendu sur zone dans la journée, qui devrait initier les opérations de récupération de cette boîte noire. La France a également dépêché la frégate Nivôse, arrivée à Mayotte pour du ravitaillement.
Un Transall de l'armée française a également capté mardi le signal d'une «balise de détresse» qui pourrait provenir des débris de l'A310, selon l'état-major, sans plus de détails. Interrogé sur la nature de cette balise et la possibilité qu'elle soit liée à l'une des boîtes noires de l'appareil, un porte-parole a indiqué qu'il ne disposait pas de plus d'informations.
Les Comores accusent Paris
Même si la compagnie aérienne est largement pointée du doigt pour manque de sécurité sur son appareil, les causes exactes du drame sont encore indéterminées.
Mercredi, le vice-président des Comores et ministre des Transports, Idi Nadhoim, a directement mis en cause la responsabilité de la France, après que Dominique Bussereau a annoncé que l'A310-300 de la Yemenia avait été interdit de voler dans le ciel français en 2007.
«J'aurais aimé que les Français nous informent de l'état de cet avion, qu'ils nous disent s'il avait des problèmes (…) Est-ce qu'il s'agit-là de discrimination ?», s'est-il interrogé sur France 24.
«Air Mozambique ou Air Angola sont interdits : là on a compris. Mais on n'a jamais entendu parler» de la compagnie yéménite, a-t-il assuré, laissant entendre que des intérêts commerciaux étaient en jeu : «Ce sont des Airbus, une grosse entreprise européenne.»
Stampa spagnola: "Alonso in Ferrari L'annuncio a settembre a Monza" - la Repubblica, it - link (aqui)

Secondo il quotidiano "As" l'accordo è praticamente raggiunto e verrà ufficializzato nel weekend del Gp d'Italia. E dal 2011 potrebbe arrivare Vettel... Secca replica da Maranello: "Non commentiamo mai i 'rumors'''
Resta da capire chi fra Felipe Massa e Kimi Raikkonen dovrebbe lasciare il posto ad Alonso. Secondo 'As', l'asturiano sostituirà al volante di una 'rossa' il pilota che avrà meno punti in classifica. Un indizio che confermerebbe l'indiscrezione sarebbe rappresentato dal fatto che il 'Cavallino' ha scelto il circuito 'Ricardo Tormo' di Valencia per le Finali Mondiali Ferrari, il tradizionale appuntamento che celebra la conclusione dell'anno di attività sportive della casa di Maranello.
L'evento è in programma dal 12 al 15 novembre, dieci giorni dopo l'ultima gara della F1 ad Abu Dhabi. E secondo 'As', "Fernando Alonso potrebbe essere la grande sorpresa della domenica. Per la felicità dei suoi tifosi e della Ferrari". Un anno fa, l'evento è stato celebrato sul circuito del Mugello. Nel 2011, scrive ancora "As", potrebbe poi essere il turno del tedesco Sebastian Vettel, attualmente legato alla Red Bull: il suo contratto, però, scade nel 2010 e a quel punto, sottolinea il quotidiano iberico, il tedesco avrà acquisito un bagaglio di esperienza sufficiente per sedere su un'auto con il cavallino rampante.
Maranello: "Non commentiamo i 'rumors'". Dal Cavallino liquidano l'indiscrezione con una battuta del responsabile dell'ufficio stampa. "Non possiamo perdere tempo a commentare tutti i rumors - spiega il portavoce della Ferrari, Luca Colaianni, all'agenzia Italpress -, ricordiamo soltanto che Massa e Raikkonen hanno un contratto fino al 2010". Secondo "As", nel 2011, in Ferrari arriverà anche il tedesco Sebastian Vettel, attualmente alla Red Bull.
30 giugno 2009
Eva, la vescova lesbica che fa scandalo in Svezia - la Repubblica, it - link (aqui)

La Brunne, 55 anni, madre di un bambino, è stata eletta capo della chiesa luterana di Stoccolma
E persino in una nazione così progressista questa scelta ha suscitato polemiche. Ma i fedeli sono con lei
La sua giovane compagna, che è una pretessa, ha partorito il figlio tre anni fa
"Martin Lutero dice che chiunque può prendere una posizione sulla fede e sulla Bibbia"
dal nostro inviato ANAIS GINORI
Eva Brunne ha ottenuto 412 voti contro i 365 del principale contendente, il reverendo Hans Ulfvebrand. Ma i suoi avversari hanno presentato ben sei ricorsi per invalidare lo scrutinio.
Ufficialmente, la guerra per il vescovato di Stoccolma si combatte intorno a cavilli giuridici e riconteggi dei voti. Il vero obiettivo però è lei, il simbolo che rappresenta. Appena eletta ha concesso interviste al più noto settimanale gay del paese QX, e all'omologo francese Tetu. "Gunilla è una pretessa come me e questo, credo, facilita il nostro rapporto" ha confessato. La loro coppia è registrata al comune e "benedetta" dalla chiesa. In autunno, il Sinodo luterano sarà chiamato a pronunciarsi sulla celebrazione di matrimoni per gay e lesbiche. "Martin Lutero ci ha insegnato che chiunque può prendere una posizione in merito alla fede e alla Bibbia" argomenta lei rispondendo a quelli che sostengono che negli antichi testi non c'è traccia di matrimoni tra persone dello stesso sesso.
Il sacerdozio femminile è stato autorizzato in Svezia alla fine degli anni Cinquanta. Nel 1971, Margit Sahlin fu la prima donna a diventare parroco. Da allora, ci sono stati molti vescovati "rosa", compreso quello di Stoccolma, assegnato dieci anni fa a Caroline Krook ora in procinto di andare in pensione. Ma l'elezione di Eva Brunne, con il suo "lesbo-pride", ha avuto un effetto dirompente, svelando un'ambiguità che attraversa tutta la chiesa. Tra i novizi, il numero delle donne ha ormai superato quello degli uomini (588 contro 331 nell'ultimo decennio) eppure rimangono molte discriminazioni. L'osservatorio per le pari opportunità del governo ha scoperto che le donne preti guadagnano circa 400 euro in meno dei loro colleghi uomini e che esiste un "soffitto di vetro" nelle alte gerarchie: su quattordici vescovi, dodici sono ancora uomini.
"Da quando il parlamento svedese ha cambiato la legge sul matrimonio e poi sui figli delle coppie omosessuali c'è un "gay baby-boom". La Chiesa non può permettersi di negare i sacramenti a queste famiglie" sostiene Lars Gardfeldt, prete di Goteborg, che da anni si occupa di omofobia e religione, convive con un altro prete ed è padre di due gemelli. Intanto però sono arrivati messaggi minatori al sito della diocesi di Stoccolma. "La nuova vescova è molto pia, saggia e attenta ai deboli", scrive online Kelvin del quartiere Flemingsberg, ex parrocchia di Eva Brunne. "E' un pastore che sa prendere cura del suo gregge. Purtroppo questo non conta per chi si riempie la bocca di rabbia indignata. Preghiamo per Eva e per la diocesi di Stoccolma che ha fatto una scelta giusta e coraggiosa".
(1 luglio 2009)
Bauman, un saggio sulle “Vite di corsa” dei consumatori sempre più insoddisfatti - Il Messaggero, it - link (aqui)

Bauman rifletteva su questo tema mentre si manifestavano i primi segnali della crisi economica e la sua stringente analisi appare oggi profetica per mettere a fuoco i meccanismi che hanno contribuito a scatenarla, in particolare in America e nel Regno Unito dove lo scoppio della bolla immobiliare e la fine del credito senza controllo concesso dalle banche hanno, di fatto, arrestato un processo di sviluppo che gli ottimisti ritenevano destinato a durare per sempre.
Teorico della “società liquida”, ovvero di un universo postmoderno in cui la perdita del senso del tempo si accompagna alla perdita dei criteri di rilevanza, Bauman chiarisce che nel corso degli ultimi decenni si è venuta manifestando una tendenza in precedenza mai emersa prima con questa forza nelle società occidentali: lo stretto legame tra il possesso di un oggetto e l’inusuale rapidità della sua perdita di rilievo sotto il profilo simbolico. Perché l’industria ha bisogno di produrre (e di vendere) oggetti sempre più sofisticati e costosi, rendendoli desiderabili grazie a imponenti campagne pubblicitarie. E nello stesso tempo gli individui si sentono obbligati a mantenersi al passo con le novità imposte dal mercato per evitare di apparire fuori moda, per rimanere al passo con la propria epoca.
Il fenomeno, nella sua essenza, non costituisce certo una sorpresa. Quello che è venuto mutando è il numero delle opportunità offerte che sono riuscite a sconfinare addirittura sul piano immateriale, scavalcando ogni limite in precedenza noto. Precisa a riguardo lo studioso: «Cancellare il passato, rinascere, acquistare un sé differente, reincarnarsi in un individuo completamente diverso. E’ difficile resistere a queste tentazioni visto che non c’è nulla di più opportuno e affascinante oggi che annullare le perdite e ricominciare. Ciò che si era ieri non impedirà più di diventare una persona totalmente diversa. Almeno per chi dispone dei mezzi economici necessari»”.
E’ una strategia che pare aver funzionato sino dal Big Bang della crisi, con grandi masse affascinate da oggetti ritenuti capaci di proiettare all’esterno uno status sociale garantito dal continuo ricambio di telefoni cellulari o di abiti e una élite ristretta abilissima nel trarre enormi guadagni da questa folle frenesia del consumo. Il segreto di una logica tanto pervasiva e perversa, svela Bauman, risiede nel produrre perenne insoddisfazione, nel creare consumatori famelici pronti a percorrere “di corsa” la strada dal negozio al cassonetto dei rifiuti dove gettare merci che vanno rimpiazzate in fretta. «La velocità del processo – osserva lo studioso – raggiunge la sua massima più alta non appena ci si muove da un punto (che ci ha deluso, ci sta deludendo, o che ci deluderà) a un altro (ancora non testato). Si dovrebbe tenere bene a mente l’amara lezione di Faust, sprofondato nell’inferno mentre desiderava che l’attimo durasse per sempre solo perché era bello».
Se la degenerazione denunciata da Bauman ha forse subito un rallentamento durante gli ultimi mesi per il drammatico aggravarsi della situazione economica, le sue conseguenze sul dibattito pubblico restano immutate secondo il sociologo, certo che «il consumatore è nemico del cittadino, vittima dell’ignoranza e dell’indifferenza politica», tesi confermata da gran parte delle indagini demoscopiche di matrice anglosassone.
Potranno cambiare le cose in questo ambito? Bauman appare pessimista: «Abbiamo bisogno di una educazione permanente per avere la possibilità di scegliere in maniera consapevole», conclude. Ma la velocità che domina il nostro stile di vita, lascia intendere, non consentirà di raggiungere in tempi brevi l’obiettivo indipendentemente dalla durata della crisi economica.
Il fidanzato di Noemi: «Falsa la nostra storia: è stato tutto organizzato» - Il Messaggero, it - link (aqui)

A chiedergli di mettere in scena il finto rapporto, secondo la versione di Cozzolino - che non è Gino Flamino, l'ex fidanzato di Noemi che ha rivelato a Repubblica alcuni dettagli dei rapporti tra la ragazza e il premier - sarebbe stata la stessa diciottenne campana, «anche se credo che qualcuno l'abbia indirizzata, tre o quattro giorni dopo» la sua festa per i 18 anni, a cui partecipò anche il premier Silvio Berlusconi.
Un finto fidanzamento già finito: «Mi volevano allontanare perché so troppe cose. Quindi dopo il 7 giugno non ci siamo mai più sentiti con Noemi». Alla domanda se ora si aspetta reazioni da Noemi e famiglia, Cozzolino replica: «Non mi interessa, io ho la coscienza a posto. In questa intervista sto raccontando come è andata, anzi, non ho raccontato tutto, ma una minima parte, una infarinatura. Finché è gioco, sì, ma ora si stava iniziando ad andare oltre. Adesso dormo più sereno».
Airbus precipitato alle Comore: il miracolo della 14enne salvata in mare - Il Messaggero, it - link (aqui)

Questa volta però un piccolo miracolo c'è stato: una ragazzina di quattordici anni è stata ripescata viva, mentre nuotava da ore in mezzo ai corpi degli altri passeggeri. E' stata ricoverata sotto choc, ma le sue condizioni «non destano preoccupazioni».
A bordo c'erano 66 francesi, 26 imbarcati a Parigi e 40 a Marsiglia, dove il volo aveva fatto una prima tappa. Tra i passeggeri anche molti cittadini delle Comore emigrati in Francia. Tornavano quasi tutti a casa per le vacanze, per la stagione dei «grandi matrimoni», delle grandi feste tradizionali di famiglia per ufficializzare e celebrare le unioni. Per questo a bordo c'erano tante famiglie, molti bambini, anche tre neonati.
Sono scomparsi davanti agli occhi dei parenti che li aspettavano all'aeroporto. Hanno visto l'aereo arrivare, scendere sulla pista poi, improvvisamente, virare e scomparire, ingoiato nel buio delle due di notte (le dieci di lunedì sera in Europa). «L'aereo si trovava a circa cinquanta metri da terra, in avvicinamento alla pista - ha raccontato un agente dell'aeronautica delle Comore che si trovava all'aeroporto di Moroni - poi improvvisamente ha deviato, è uscito dall'asse della pista e ha preso una direzione anomala verso il mare».
Ad aspettare la suocera in arrivo dalla Francia c'era anche l'ex ministro della Difesa delle Comore Houmed Msaidié. «Mi è sembrato di vedere l'aereo atterrare - ha raccontato - ma un secondo dopo era scomparso». I tecnici dell'aeroporto hanno evocato cattive condizioni meteorologiche, «con venti molto forti». «La torre di controllo ha perso i contatti con l'Airbus qualche istante prima dell'atterraggio. «In quel momento le condizioni meteorologiche erano sfavorevoli, con forti raffiche di vento» ha confermato il direttore dell'aviazione civile delle Comore, Mohamed Yahya, anche lui all'aeroporto al momento dell'incidente. Ma nessuno sembra credere a una fatalità legata al meteo.
Il sottosegretario ai Trasporti francese Dominique Bussereau ha ammesso «che le condizioni meteo erano cattive e che il mare era agitato». Tuttavia, ha aggiunto, le spiegazioni «non sono chiare: hanno parlato di un tentativo di atterraggio, poi di una nuova accelerazione quindi di un secondo tentativo fallito». Quello che è certo è che l'airbus 310-300 era del '90 ed era stato acquistato dalla Yemenia nel '99. Aveva al suo attivo quasi 52mila ore di volo e 17.300 viaggi. Bussereau ha precisato che proprio questo aereo «era stato controllato nel 2007 dalla Direzione generale dell'aviazione civile francese che aveva constatato un certo numero di guasti. L'apparecchio era stato dunque escluso dal suolo nazionale per una serie di irregolarità negli equipaggiamenti». Per questo i passeggeri del volo per Moroni si erano imbarcati a Parigi su un più recente airbus 330 della Yemenia. Dopo lo scalo a Marsiglia e a Sana'a, il volo era però continuato sul vecchio A310. «Gli A310 di Yemenia non atterrano né a Parigi né a Marisglia.
Spetta poi all'organizzazione dell'aviazione civile internazionale controllare quello che succede a Sana'a» ha sintetizzato il direttore generale dell'aeroporto di Marsiglia Pierre Régis. Nel 2007 l'Unione Europea aveva pensato di inserire la Yemenia sulla lista nera delle compagnie aeree, ma l'idea era stata abbandonata. In Francia, la compagnia è comunque oggetto di «un controllo rafforzato».
I parenti delle vittime in Francia, a Parigi e a Marsiglia, parlano di una tragedia annunciata. Nel 2008 la comunità comoriana di Marsiglia, oltre 80mila persone, aveva creato l'associazione «Sos viaggio alle Comore» proprio per denunciare le pessime condizioni del viaggio verso casa: prezzi dei biglietti esorbitanti, ritardi, aerei in pessimo stato. Avevano manifestato l'11 agosto dell’anno scorso. Nessuno li ha ascoltati.
Fr.Pie.













