sexta-feira, 18 de março de 2011
A pá de cal
Deu no Blog do Josias (aqui)
Arruda diz que coletou dinheiro para líderes do DEM
Antônio Cruz/ABr
Há um ano e 19 dias, preso na sede da Polícia Federal em Brasília, José Roberto Arruda recebeu a visita de dois advogados.
Há um ano e 19 dias, preso na sede da Polícia Federal em Brasília, José Roberto Arruda recebeu a visita de dois advogados.Era sábado, dia de pouco movimento. Expulso do DEM e afastado do governo do DF, Arruda arrostava o 18º dia de uma prisão que duraria dois meses.
Havia preparado um manuscrito. Doze folhas. Entregou-as aos advogados. Pediu-lhes que levassem o material a um cofre. Foi atendido.
Conforme noticiado aqui no blog em 27 de fevereiro de 2010, o papelório de Arruda continha acusações contra expoentes do DEM.
Entre eles Rodrigo Maia (RJ), José Agripino Maia (RN) e Demóstenes Torres (GO). Ouvidos à época, negaram ter mantido com Arruda relações impróprias.
Nesta quinta-feira (18), Arruda pôs a cabeça para fora do lodo. Reapareceu, lábios grudados no trombone, numa entrevista a Veja.
“Dancei a música que tocava no baile”, diz ele. Salpicou limo nos políticos que anotara no manuscrito do ano passado e em muitos outros. Leia:

- O senhor é corrupto? Infelizmente, joguei o jogo da política brasileira. As empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. Ninguém se elege pela força de suas ideias, mas pelo tamanho do bolso. É preciso de muito dinheiro para aparecer bem no programa de TV. E as campanhas se reduziram a isso.
- O senhor ajudou políticos do seu ex-partido, o DEM? Assim que veio a público o meu caso, as mesmas pessoas que me bajulavam e recebiam a minha ajuda foram à imprensa dar declarações me enxovalhando. Não quiseram nem me ouvir. Pessoas que se beneficiaram largamente do meu mandato. Grande parte dos que receberam ajuda minha comportaram-se como vestais paridas. Foram desleais comigo.
- Como o senhor ajudou o partido? Eu era o único governador do DEM. Recebia pedidos de todos os estados. Todos os pedidos eu procurei atender. E atendi dos pequenos favores aos financiamentos de campanha. Ajudei todos.
- O que senhor quer dizer com “pequenos favores”? Nomear afilhados políticos, conseguir avião para viagens, pagar programas de TV, receber empresários.
- E o financiamento? Deixo claro: todas as ajudas foram para o partido, com financiamento de campanha ou propaganda de TV. Tudo sempre feito com o aval do deputado Rodrigo Maia (então presidente do DEM).
- O senhor ajudou políticos do seu ex-partido, o DEM? Assim que veio a público o meu caso, as mesmas pessoas que me bajulavam e recebiam a minha ajuda foram à imprensa dar declarações me enxovalhando. Não quiseram nem me ouvir. Pessoas que se beneficiaram largamente do meu mandato. Grande parte dos que receberam ajuda minha comportaram-se como vestais paridas. Foram desleais comigo.
- Como o senhor ajudou o partido? Eu era o único governador do DEM. Recebia pedidos de todos os estados. Todos os pedidos eu procurei atender. E atendi dos pequenos favores aos financiamentos de campanha. Ajudei todos.
- O que senhor quer dizer com “pequenos favores”? Nomear afilhados políticos, conseguir avião para viagens, pagar programas de TV, receber empresários.
- E o financiamento? Deixo claro: todas as ajudas foram para o partido, com financiamento de campanha ou propaganda de TV. Tudo sempre feito com o aval do deputado Rodrigo Maia (então presidente do DEM).
- De que modo o senhor conseguia o dinheiro? Como governador, tinha um excelente relacionamento com os grandes empresários. Usei essa influência para ajudar meu partido, nunca em proveito próprio. Pedia ajuda a esses empresários: “Dizia: ‘Olha, você sabe que eu nunca pedi propina, mas preciso de tal favor para o partido’”. Eles sempre ajudaram. Fiz o que todas as lideranças políticas fazem. Era minha obrigação como único governador eleito do DEM.
- Esse dinheiro era declarado? Isso somente o presidente do partido pode responder. Se era oficialmente ou não, é um problema do DEM. Eu não entrava em minúcias. Não acompanhava os detalhes, não pegava em dinheiro. Encaminhava à liderança que havia feito o pedido.
- Quais líderes do partido foram hipócritas no seu caso? A maioria. Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda! Em 2008, o senador Agripino veio à minha casa pedir 150 mil reais para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV). Eu ajudei, e até a Micarla veio aqui me agradecer depois de eleita. O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília.
- O senhor ajudou mais algum deputado? O próprio Rodrigo Maia, claro. Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador.
- Mais algum? Foram muitos, não me lembro de cabeça. Os que eu não ajudei, o Kassab (prefeito de São Paulo, também do DEM) ajudou. É assim que funciona. Esse é o problema da lógica financeira das campanhas, que afeta todos os políticos, sejam honestos ou não.
- Por exemplo? Ajudei dois dos políticos mais decentes que conheço. No final de 2009, fui convidado para um jantar na casa do senador Marco Maciel. Estávamos eu, o ex-ministro da Fazenda Gustavo Krause e o Kassab. Krause explicou que, para fazer a pré-campanha de Marco Maciel, era preciso 150 mil reais por mês. Eu e Kassab, portanto, nos comprometemos a conseguir, cada um, 75 mil reais por mês. Alguém duvida da honestidade do Marco Maciel? Claro que não. Mas ele precisa se eleger. O senador Cristovam Buarque, do PDT, que eu conheço há décadas, um dos homens mais honestos do Brasil, saiu de sua campanha presidencial, em 2006, com dívidas enormes. Ele pediu e eu ajudei.
- Então o senhor também ajudou políticos de outros partidos? Claro. Por amizade e laços antigos, como no caso do PSDB, partido no qual fui líder do Congresso no governo FHC, e por conveniências regionais, como no caso do PT de Goiás, que me apoiava no entorno de Brasília. No caso do PSDB, a ajuda também foi nacional. Ajudei o PSDB sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu. E também por meio de Eduardo Jorge, com quem tenho boas relações. Fazia de coração, com a melhor das intenções.
- Esse dinheiro era declarado? Isso somente o presidente do partido pode responder. Se era oficialmente ou não, é um problema do DEM. Eu não entrava em minúcias. Não acompanhava os detalhes, não pegava em dinheiro. Encaminhava à liderança que havia feito o pedido.
- Quais líderes do partido foram hipócritas no seu caso? A maioria. Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda! Em 2008, o senador Agripino veio à minha casa pedir 150 mil reais para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV). Eu ajudei, e até a Micarla veio aqui me agradecer depois de eleita. O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília.
- O senhor ajudou mais algum deputado? O próprio Rodrigo Maia, claro. Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador.
- Mais algum? Foram muitos, não me lembro de cabeça. Os que eu não ajudei, o Kassab (prefeito de São Paulo, também do DEM) ajudou. É assim que funciona. Esse é o problema da lógica financeira das campanhas, que afeta todos os políticos, sejam honestos ou não.
- Por exemplo? Ajudei dois dos políticos mais decentes que conheço. No final de 2009, fui convidado para um jantar na casa do senador Marco Maciel. Estávamos eu, o ex-ministro da Fazenda Gustavo Krause e o Kassab. Krause explicou que, para fazer a pré-campanha de Marco Maciel, era preciso 150 mil reais por mês. Eu e Kassab, portanto, nos comprometemos a conseguir, cada um, 75 mil reais por mês. Alguém duvida da honestidade do Marco Maciel? Claro que não. Mas ele precisa se eleger. O senador Cristovam Buarque, do PDT, que eu conheço há décadas, um dos homens mais honestos do Brasil, saiu de sua campanha presidencial, em 2006, com dívidas enormes. Ele pediu e eu ajudei.
- Então o senhor também ajudou políticos de outros partidos? Claro. Por amizade e laços antigos, como no caso do PSDB, partido no qual fui líder do Congresso no governo FHC, e por conveniências regionais, como no caso do PT de Goiás, que me apoiava no entorno de Brasília. No caso do PSDB, a ajuda também foi nacional. Ajudei o PSDB sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu. E também por meio de Eduardo Jorge, com quem tenho boas relações. Fazia de coração, com a melhor das intenções.
Aqui, um texto com comentários feitos pelos líderes mencionadas por Arruda na entrevista. Todos negam as insinuações do ex-governador.
O manuscrito de um ano e 19 dias atrás ainda não veio à luz.
Escrito por Josias de Souza às 22h38
Afinando os tamborins
Deu no Blog do Josias (aqui)
18/03/2011
PT proíbe filiados até de falar contra a visita Obama
A Executiva nacional do PT proibiu a participação de filiados em manifestações contra a presença de Barack Obama no Brasil.No Rio, o presidente do diretório estadual do partido, Jorge Florêncio, foi além: desautorizou até as manifestações orais.
Em nota levada à página do PT na web, Florêncio anotou que “desautoriza a qualquer membro manifestar opinião” contrária a posição oficial da legenda.
O texto recorda que o presidente dos EUA vem ao Brasil “a convite da presidenta Dilma” Rousseff.
Na véspera, o PT-RJ já havia veiculado uma primeira nota. Dizia a certa altura:
“[...] Qualquer manifestação contra a vinda de Barack Obama ao Rio não está autorizada e, portanto, não reflete a posição do partido”.
Deve-se o enquadramento dos radicais do petismo à irritação de Dilma com o envolvimento do PT na organização de protestos de “movimentos sociais”.
Em manifesto, os organizadores do rififi tacharam Obama de persona non grata no Brasil.
Escrito por Josias de Souza às 05h47
Obama mantiene su gira latinoamericana pese a la crisis - El País, es - link (aqui)
El presidente intenta hacer contrapeso al ascenso de China en la región
A. CAÑO - Washington - 18/03/2011
El viaje de Barack Obama a América Latina, que comienza mañana, está pendiente de la suerte de la central nuclear de Fukushima. Fuentes de la Administración confirmaron ayer a EL PAÍS que "los planes siguen en marcha", pero las dudas hasta el último momento son el reflejo del riesgo que el presidente norteamericano asume al embarcarse en esta misión en un momento de gran convulsión en otras partes del mundo.

Barack Obama escribe un mensaje en el libro de firmas de la Embajada de Japón, ayer en Washington.- AP
La Casa Blanca es sensible a las críticas de que no ha prestado hasta ahora la debida atención a sus vecinos del sur y se ha esforzado por mantener la gira, pese a todos los inconvenientes, para no provocar una decepción que podría dañar aún más la influencia norteamericana en el continente. En el pasado, Obama suspendió en dos ocasiones otros viajes a Indonesia y Australia. Solo una catástrofe nuclear en Japón podría justificar ahora un aplazamiento.
Así pues, aunque sea con retraso y en circunstancias precarias, el presidente estadounidense trata de recuperar el papel protagonista de su país en una región que vive una nueva época de prosperidad y que está atrayendo como nunca la atención del mundo.
El viaje incluye escalas en Brasil, Chile y El Salvador, tres países que representan distintas apuestas de la Administración estadounidense: la colaboración con una potencia emergente, la certificación de una democracia estable y el respaldo a un joven Gobierno de izquierdas que trata de superar el pasado.
"El propósito es subrayar lo que es necesario hacer para abrir una nueva era de relaciones con la región", afirma una fuente oficial norteamericana. La Administración ha bautizado esta iniciativa como una "nueva Alianza para el Progreso", rememorando la propuesta que el presidente John Kennedy formuló hace exactamente medio siglo.
Tras ese título se recoge el propósito de superar viejos debates ideológicos y concentrar los esfuerzos en los asuntos que proyecten al continente americano hacia el futuro: el comercio, la educación, el desarrollo de energías alternativas o la seguridad ciudadana. "Más que abrir un debate sobre el pasado, Obama quiere hablar de los retos de hoy", asegura la fuente citada.
El trato entre EE UU y América Latina está históricamente sobrecargado de retórica, de promesas incumplidas y de actuaciones bruscas. Se puede decir que es una relación de amor-odio en la que, alternativamente, se impone uno o el otro. En estos momentos, prevalece el amor. Más de un 75% de los latinoamericanos tienen actualmente una opinión positiva de EE UU y un número aún mayor simpatiza con Obama, según un informe del instituto Pew.
Pese a eso, América Latina necesita hoy mucho menos a su gran vecino del norte. De hecho, su progreso actual -con tasas de crecimiento económico superiores al 7%- se ha producido en el periodo en que EE UU ha estado más ausente y en el que los países del área han buscado con más interés otros socios, especialmente China. El intercambio comercial entre Latinoamérica y China pasó de 15.000 millones de dólares en 2001 a 140.000 millones en 2009, acercándose a los 500.000 millones con EE UU.
Aunque la fuente oficial estadounidense asegura que "no vemos la presencia de China como una competencia en la que solo uno tenga que ganar", este viaje responde en gran medida a la necesidad de contrapesar esa presencia.
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