sexta-feira, 3 de junho de 2011

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Origens da crise - Dora Kramer - Estadão online - (aqui)

 
 
03 de junho de 2011 | 0h 00
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Avaliação de dois aliados de peso, sem nenhum interesse no desgaste político do governo: se a presidente Dilma Rousseff não revisar seus métodos e se o PT não resolver suas disputas internas por hegemonia, o projeto de poder idealizado por Luiz Inácio da Silva pode não ter a vida longa pretendida.
Nessa crise aos cinco meses de governo ficou claro que o modelo petista de governança política não dá muito certo sem a presença de um maestro como Lula para, ao mesmo tempo, atrair e desviar todas as atenções, a depender do interesse.
Portanto, o distanciamento do ex-presidente do cotidiano da política nacional é algo impensável. Mas, se Lula é o remédio, sua eficácia depende da dose em que for aplicado.
O desembarque em Brasília na semana passada como se viu só serviu para desorganizar a confusão e subtrair da presidente uma credibilidade que vinha sendo construída nos primeiros meses em que marcou diferenças do antecessor e deu margem à interpretação de que a complementação de estilos poderia resultar em um projeto eleitoralmente imbatível.
Lula sustentando o patrimônio de popularidade já assegurado entre a imensa maioria dos mais pobres e dos emergentes recentes; Dilma trabalhando na manutenção da confiabilidade entre os mais ricos enquanto conquistava espaços na chamada classe média tradicional e nos setores refratários ao populismo do ex-presidente.
Só que, ao intervir com estardalhaço, o antecessor expôs toda a fragilidade da antecessora, cuidadosamente protegida por anteparos durante a campanha eleitoral. A principal "blindagem" de Dilma, então, era o próprio Lula.
Uma vez estando ela na Presidência, a repetição do método produziu a cena de ilegitimidade captada por todos nos dois dias em que Lula esteve na capital fazendo e acontecendo como se presidente ainda fosse.
Poderia e até deveria intervir, na visão de dois espectadores privilegiados da crise, mas com discrição. A atuação de Lula nos bastidores é considerada imprescindível para orientar na articulação da ampla base partidária, mas, sobretudo, para segurar os apetites por vezes suicidas do PT.
Ninguém duvida de que o infortúnio de Palocci é visto por setores do partido como uma janela de oportunidade para deslocar o eixo de poder.
Mas quem observa o panorama sob a perspectiva dos outros partidos integrantes do governo, principalmente PMDB e PSB, preocupa-se mais com o restante do mandato de Dilma que propriamente com o desfecho do caso em curso.
Este provavelmente se resolve com a saída de Palocci. Mas como se resolvem as questões que levaram o episódio a assumir proporções de crise ampla e quase irrestrita?
A solução, na opinião dos parceiros, cabe a Lula saber apresentar. Afinal, é o avalista de um projeto com o qual todos se comprometeram e do qual todos se pretendem participantes sem reconhecer no PT o papel de protagonista absoluto com o direito de pôr tudo a perder.
Em pessoa. O notório telefonema de Palocci para o vice-presidente Michel Temer ameaçando com a demissão de todos os ministros do PMDB, caso o partido não se alinhasse ao governo na votação do Código Florestal, foi feito do gabinete de Dilma Rousseff.
E com o viva-voz acionado para que ela pudesse acompanhar a conversa pari passu, conforme indicava o eco perceptível do outro lado da linha.
O ministro, que normalmente se refere a ela como "Dilma", naquela noite, ao telefone, durante todo o tempo aludiu às ordens da "senhora presidente".
Isso explica o fato de o sempre habilidoso Palocci ter-se dado ao deslize de tão inábil abordagem.
Ciente. Um dos fatores que teriam contribuído para a ausência de uma decisão mais firme e rápida em relação a Palocci seria a informação passada por ele mesmo à presidente, antes de assumir a Casa Civil, sobre a amplitude de seus êxitos financeiros no período em que esteve fora do governo.

E agora Palocci?

Deu no Estadão online (aqui)

Rifado pelo PT, última cartada de Palocci será explicação pública

Depois de 19 dias calado, ministro deve ir à televisão explicar fortuna adquirida para tentar ficar no cargo; PT se negou a defendê-lo

02 de junho de 2011 | 22h 56
 
Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Pressionado pela presidente Dilma Rousseff a dar explicações sobre o crescimento de seu patrimônio e sem apoio do PT, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, tentará nesta sexta-feira, 3, contornar a ruidosa crise política com uma manifestação pública. Dilma disse a Palocci, nesta quinta, 2, que é "um erro" ele esperar o parecer da Procuradoria-Geral da República para rebater as denúncias porque o desgaste já atinge o governo.
A situação de Palocci, acusado de multiplicar o patrimônio em 20 vezes durante quatro anos, é considerada gravíssima tanto pelo Planalto como por petistas. Sua permanência no cargo depende dos esclarecimentos e do fim das acusações.
A Executiva Nacional do PT, reunida na quinta, lavou as mãos e não produziu nenhuma linha em defesa de Palocci. "Não entramos no mérito da questão. O ministro me disse que vai se manifestar sobre suas consultorias", afirmou o presidente do PT, Rui Falcão. "O assunto Palocci é do governo, não é do PT", emendou o secretário de Comunicação, deputado André Vargas (PR), indicando que o chefe da Casa Civil foi abandonado à própria sorte.
No Planalto, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, admitiu que a crise envolvendo Palocci é delicada. Ressalvou, no entanto, que ele "continua firme"e dará explicações sobre a origem de seu patrimônio. Até a noite desta quinta, não estava definido se Palocci concederia uma entrevista ou faria um pronunciamento. A ideia era a de que ele falasse ao Jornal Nacional, da TV Globo. "A presidente conversou com Palocci e disse que era importante ele se manifestar. A gente enfrenta crises com maturidade e transparência. Não perdemos o nosso norte", insistiu Carvalho.
A decisão de não fazer desagravo nem atacar Palocci foi combinada pela cúpula do PT com o governo. De manhã, Falcão foi ao lançamento do programa Brasil Sem Miséria e teve um tête-à-tête com Carvalho. "Cuide lá para não ter tiro nas costas da gente", recomendou o ministro.
Na reunião da Executiva, a discussão foi acalorada. O vice-presidente do partido, José Guimarães, defendeu uma nota de apoio a Palocci, mas foi voto vencido. Valter Pomar, ex-titular de Relações Internacionais, e Renato Simões, secretário de Movimentos Populares, pregaram a saída de Palocci. Sob intenso tiroteio há 19 dias, o chefe da Casa Civil, é também suspeito de ter feito tráfico de influência.
Orientados pelo Planalto, os petistas contrariaram a praxe e não redigiram resolução política.Para não mexer no vespeiro, o PT se descolou de Palocci.
‘Manco’. "O problema do Brasil não é o Palocci. O problema é não deixar que esse episódio paralise o governo", insistiu o secretário de Mobilização, Jorge Coelho. Embora Falcão tenha feito tímida defesa de Palocci, dirigentes do PT deixaram a reunião dizendo que o ministro estava "manco" e "cambaleante".
"O que mais impactou o PT foi a revelação de que Palocci ganhou R$ 10 milhões entre e novembro e dezembro, após ter sido coordenador da campanha da Dilma", contou um dirigente petista. Se Palocci cair, o nome mais citado dentro do PT para substituí-lo é o do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

Palocci aceita se explicar, tenta adiar e sofre pressão - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)



02/06/2011


Ueslei Marcelino/Folha

Antonio Palocci fará por pressão o que não fez por obrigação. Concordou em dar “explicações” à opinião pública sobre seu enriquecimento.
Tenta, porém, adiar para a próxima semana o encontro com os refletores. Receia que o noticiário do final de semana traga informações novas.
Colegas de ministério, lideranças do PT e a própria Dilma Rousseff pressionam o chefe da Casa Civil para que fale logo, já nesta sexta-feira (3).
Na dúvida, a assessoria do ministro absteve-se de marcar a data. Tampouco foram revelados detalhes sobre o formato do pronunciamento.
Não se sabe se Palocci dará uma entrevista coletiva, submetendo-se ao contraditório, ou se lerá um comunicado, sem o incômodo das perguntas.
Cogitava-se uma terceira alternativa: Palocci falaria apenas a um órgão de imprensa, a TV Globo, de preferência ao 'Jornal Nacional'. 
Inicialmente, Palocci havia decidido que só falaria depois que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, se manifestasse sobre o caso dele.
Esperava-se que Gurgel decidisse nesta semana se vai ou não abrir inquérito para esquadrinhar o patrimônio amealhado pelo ministro como “consultor”.
A hipótese, contudo, não se confirmou. O chefe do Ministério Público Federal esclareceu que não há prazo para sua deliberação.
Simultaneamente, disseminou-se no governo a avaliação de que o silêncio de Palocci, por inexplicável, adensa a atmosfera de crise.
Para complicar, a Executiva do PT, partido de Palocci, negou-se a emitir uma nota de apoio ao filiado ilustre. A cúpula petista trincou.
Uma parte condiciona o apoio às explicações do ministro. Outra ala acha que a prosperidade de Palocci não diz respeito ao PT.
Integrantes desse segundo grupo avaliam que o chefe da Casa Civil já não reúne condições para permanecer no cargo. Seu drama seria político, não legal.
De resto, causa incômodo à direção do PT o apoio explícito oferecido pela nata do PMDB a Palocci.
Receia-se que a permanência de um Palocci combalido na Casa Civil converta o governo de Dilma em refém dos intereses do PMDB.
Pior: acredita-se que, se der sobrevida ao ministro, Dilma fará de uma crise pessoal uma encrenca de governo, submetendo-se à alça de mira da oposição.
É contra esse pano de fundo envenenado que Palocci se movimenta. O temor do ministro em relação às manchetes do final de semana reforça sua fragilidade.

Escrito por Josias de Souza às 23h12

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